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Fátima Direto

Obrigado Deus Meu pelo pai e mãe que me deste. Agora estão juntos no céu...

FRANCISCO no encerramento do Sínodo

Papa no encerramento do Sínodo:
"Esta é a Igreja, nossa mãe!"
 

Eminências, Beatitudes, Excelências, irmãos e irmãs,
É com o coração cheio de reconhecimento e gratidão que gostaria de dar graças, juntamente convosco, ao Senhor que nos acompanhou e orientou ao longo dos dias passados, com a luz do Espírito Santo!
Agradeço de coração ao senhor cardeal Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo, a D. Fábio Fabene, subsecretário, e, com eles, agradeço ao relator, senhor cardeal Péter Erdő, que trabalhou muito mesmo em dias de luto familiar, bem como ao secretário especial, D. Bruno Forte, aos três presidentes delegados, aos escritores, consultores, tradutores e pessoas anónimas, enfim a todos aqueles que nos bastidores trabalharam com verdadeira fidelidade, com dedicação total à Igreja e sem descanso: muito obrigado!
Estou grato de igual modo a todos vós, amados padres sinodais, delegados fraternos, auditoras, auditores e assessores, pela vossa participação concreta e frutuosa. Rezarei por vós, pedindo ao Senhor que vos recompense com a abundância dos seus dons de graça!
Posso tranquilamente afirmar que — com um espírito de colegialidade e de sinodalidade — vivemos verdadeiramente uma experiência de «Sínodo», um percurso solidário, um «caminho conjunto». E, como acontece em todo o caminho —dado que se tratou de um «caminho» —, houve momentos de corrida apressada, como se se quisesse vencer o tempo e chegar quanto antes à meta; momentos de cansaço, como se se quisesse dizer basta; e outros momentos de entusiasmo e ardor. Houve momentos de profunda consolação, ouvindo o testemunho de autênticos pastores (cf. Jo 10 e cânn. 375, 386 e 387), que trazem sabiamente no coração as alegrias e as lágrimas dos seus fiéis. Momentos de consolação, graça e conforto, ouvindo os testemunhos das famílias que participaram no Sínodo e compartilharam connosco a beleza e a alegria da sua vida matrimonial. Um caminho onde o mais forte se sentiu no dever de ajudar o menos forte, onde o mais perito se prestou para servir os demais, inclusive através de confrontos. Mas, tratando-se de um caminho de homens, juntamente com as consolações houve também momentos de desolação, de tensão e de tentações, das quais poderíamos mencionar algumas possibilidades:
— uma: a tentação do endurecimento hostil, ou seja, o desejo de se fechar dentro daquilo que está escrito (a letra) sem se deixar surpreender por Deus, pelo Deus das surpresas (o espírito); dentro da lei, dentro da certeza daquilo que já conhecemos, e não do que ainda devemos aprender e alcançar. Desde a época de Jesus, é a tentação dos zelantes, dos escrupulosos, dos cautelosos e dos chamados — hoje — «tradicionalistas», e também dos intelectualistas.
— A tentação da bonacheirice destrutiva, que em nome de uma misericórdia enganadora liga as feridas sem antes as curar e medicar; que trata os sintomas e não as causas nem as raízes. É a tentação dos «bonacheiristas», dos temerosos e também dos chamados «progressistas e liberalistas».
— A tentação de transformar a pedra em pão para interromper um jejum prolongado, pesado e doloroso (cf. Lc 4, 1-4) e também de transformar o pão em pedra e lançá-la contra os pecadores, os frágeis e os doentes (cf. Jo 8, 7), ou seja, de o transformar em «fardos insuportáveis» (Lc 10, 27).
— A tentação de descer da cruz, para contentar as massas, e não permanecer nela, para cumprir a vontade do Pai; de ceder ao espírito mundano, em vez de o purificar e de o sujeitar ao Espírito de Deus.
— A tentação de descuidar o «depositum fidei», considerando-se não guardiões mas proprietários e senhores ou, por outro lado, a tentação de descuidar a realidade, recorrendo a uma terminologia minuciosa e uma linguagem burilada, para falar de muitas coisas sem nada dizer! Acho que a isto se chamava «bizantinismos»...
Caros irmãos e irmãs, as tentações não nos devem assustar nem desconcertar e menos ainda desanimar, porque nenhum discípulo é maior que o seu mestre; portanto, se o próprio Jesus foi tentado — e até chamado Belzebu (cf. Mt 12, 24) — os seus discípulos não devem esperar um tratamento melhor.
Pessoalmente, ficaria muito preocupado e triste, se não tivesse havido estas tentações e estes debates animados – este movimento dos espíritos, como lhe chamava Santo Inácio (cf. EE, 6) –, se todos tivessem estado de acordo ou ficassem taciturnos numa paz falsa e quietista. Ao contrário, vi e ouvi — com alegria e reconhecimento — discursos e intervenções cheios de fé, de zelo pastoral e doutrinal, de sabedoria, de desassombro, de coragem e de parresia. E senti que, diante dos próprios olhos, se tinha o bem da Igreja, das famílias e a «suprema lex», a «salus animarum» (cf. cân. 1752). E isto — já o dissemos aqui na Sala — sem nunca se pôr em discussão as verdades fundamentais do sacramento do Matrimónio: a indissolubilidade, a unidade, a fidelidade e a procriação, ou seja, a abertura à vida (cf. cânn. 1055 e 1056; Gaudium et spes, 48).
E esta é a Igreja, a vinha do Senhor, a Mãe fecunda e a Mestra solícita, que não tem medo de arregaçar as mangas para derramar o azeite e o vinho sobre as feridas dos homens (cf. Lc 10, 25-37); que não observa a humanidade a partir de um castelo de vidro para julgar ou classificar as pessoas. Esta é a Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e formada por pecadores, necessitados da sua misericórdia. Esta é a Igreja, a verdadeira Esposa de Cristo, que procura ser fiel ao seu Esposo e à sua doutrina. É a Igreja que não tem medo de comer e beber com as prostitutas e os publicanos (cf.Lc  15). A Igreja que tem as suas portas escancaradas para receber os necessitados, os arrependidos, e não apenas os justos ou aqueles que se julgam perfeitos! A Igreja que não se envergonha do irmão caído nem finge que não o vê, antes pelo contrário sente-se comprometida e quase obrigada a levantá-lo e a encorajá-lo a retomar o caminho, acompanhando-o rumo ao encontro definitivo, com o seu Esposo, na Jerusalém celeste.
Esta é a Igreja, a nossa Mãe! E quando a Igreja, na variedade dos seus carismas, se exprime em comunhão, não pode errar: é a beleza e a força do sensus fidei, daquele sentido sobrenatural da fé, que é conferido pelo Espírito Santo a fim de que, juntos, possamos todos entrar no âmago do Evangelho e aprender a seguir Jesus na nossa vida, e isto não deve ser visto como motivo de confusão e mal-estar.
Muitos comentadores, ou pessoas que falam, imaginaram ver uma Igreja em litígio, na qual uma parte está contra a outra, duvidando até do Espírito Santo, o verdadeiro promotor e garante da unidade e da harmonia na Igreja. O Espírito Santo, que ao longo da história sempre guiou a barca, através dos seus Ministros, mesmo quando o mar se mostrava contrário e agitado, e os ministros eram infiéis e pecadores.
E, como ousei dizer-vos no início, era necessário viver tudo isto com tranquilidade, com paz interior, inclusivamente porque o Sínodo se realiza cum Petro et sub Petro, e a presença do Papa é garantia para todos.
Agora, falemos um pouco do Papa na sua relação com os bispos... Ora, a tarefa do Papa é garantir a unidade da Igreja; é recordar aos pastores que o seu primeiro dever é alimentar a grei — nutrir o rebanho — que o Senhor lhes confiou e procurar receber — com paternidade e misericórdia, e sem falsos temores — as ovelhas tresmalhadas. Aqui enganei-me: disse receber, mas queria dizer ir ao seu encontro!
A sua tarefa é recordar a todos que na Igreja a autoridade é serviço (cf. Mc 9, 33-35), como explicou com clareza o Papa Bento XVI, com palavras que cito textualmente: «A Igreja está chamada e compromete-se a exercer este tipo de autoridade que é serviço, e exerce-a não em seu nome, mas no de Jesus Cristo... De facto, através dos Pastores da Igreja, Cristo apascenta a sua grei: é Ele quem a guia, protege e corrige, porque a ama profundamente. Mas o Senhor Jesus, Pastor supremo das nossas almas, quis que o Colégio Apostólico, hoje os Bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro... participassem nesta sua missão de cuidar do Povo de Deus, de ser educadores na fé, orientando, animando e apoiando a comunidade cristã ou, como diz o Concílio, “cuidar que cada fiel seja levado, no Espírito Santo, a cultivar a própria vocação segundo o Evangelho, a uma caridade sincera e operosa e à liberdade com que Cristo nos libertou” (Presbyterorum ordinis, 6)... é através de nós — continua o Papa Bento — que o Senhor alcança as almas, que as instrui, guarda e guia. Santo Agostinho, no seu Comentário ao Evangelho de São João, diz: “Seja, portanto, compromisso de amor apascentar o rebanho do Senhor” (123, 5); esta é a norma suprema de conduta dos ministros de Deus, um amor incondicional, como o do Bom Pastor, cheio de alegria, aberto a todos, atento aos que estão perto e solícito pelos afastados (cf. Santo Agostinho, Discurso 340, 1; Discurso 46, 15), delicado para com os mais débeis, os pequeninos, os simples, os pecadores, para manifestar a misericórdia infinita de Deus com as palavras alentadoras da esperança (cf. Id., Carta 95, 1)» (Bento XVI, Audiência geral de quarta-feira, 26 de Maio de 2010).
Por conseguinte, a Igreja é de Cristo — é a sua Esposa — e todos os bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro, têm a missão e o dever de a guardar e servir, não como patrões mas como servidores. Neste contexto, o Papa não é o senhor supremo mas, ao contrário, o supremo servidor — o «servus servorum Dei»; o garante da obediência e da conformidade da Igreja com a vontade de Deus, o Evangelho de Cristo e a Tradição da Igreja, pondo de lado qualquer arbítrio pessoal, embora seja — por vontade do próprio Cristo — o «supremo Pastor e Doutor de todos os fiéis» (cân. 749), e goze «na Igreja de poder ordinário, supremo, pleno, imediato e universal» (cf. cânn. 331-334).
Agora, caros irmãos e irmãs, temos ainda um ano para maturar, com verdadeiro discernimento espiritual, as ideias propostas e encontrar soluções concretas para tantas dificuldades e os inúmeros desafios que as famílias devem enfrentar; para dar resposta aos numerosos motivos de desânimo que envolvem e sufocam as famílias.
Um ano para trabalhar sobre a «Relatio synodi», que é o resumo fiel e claro de tudo aquilo que foi dito e debatido nesta Sala e nos círculos menores. E é apresentada às Conferências Episcopais como «Lineamenta».
Que o Senhor nos acompanhe, nos guie neste percurso, para glória do seu Nome, com a intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria e de São José! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim!


 Papa Francisco

Sínodo: Mensagem Final


Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos
Cidade do Vaticano (RV) – Os Padres Sinodais aprovaram, no decorrer da 14ª Congregação Geral na manhã deste sábado, a mensagem final da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”. O documento conclusivo do Sínodo - Relatio Synodi - será divulgado posteriormente enquanto o documento final será provavelmente publicado na forma de uma Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Francisco, em 2015, após o Sínodo Ordinário. 
Abaixo, a íntegra da mensagem:

"Nós, Padres Sinodais reunidos em Roma junto ao Santo Padre na Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, nos dirigimos a todas as famílias dos diversos continentes e, em particular, àquelas que seguem Cristo Caminho, Verdade e Vida. Manifestamos a nossa admiração e gratidão pelo testemunho quotidiano que vocês oferecem a nós e ao mundo com a sua fidelidade, fé, esperança e amor.
Também nós, pastores da Igreja, nascemos e crescemos em uma família com as mais diversas histórias e acontecimentos. Como sacerdotes e bispos, encontramos e vivemos ao lado de famílias que nos narraram em palavras e nos mostraram em atos uma longa série de esplendores mas também de cansaços.
A própria preparação desta assembleia sinodal, a partir das respostas ao questionário enviado às Igrejas do mundo inteiro, nos permitiu escutar a voz de tantas experiências familiares. O nosso diálogo nos dias do Sínodo nos enriqueceu reciprocamente, ajudando-nos a olhar toda a realidade viva e complexa em que as famílias vivem. A vocês, apresentamos as palavras de Cristo: "Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3,20). Como costumava fazer durante os seus percursos ao longo das estradas da Terra Santa, entrando nas casas dos povoados, Jesus continua a passar também hoje pelos caminhos das nossas cidades. Nas vossas casas se experimentam luzes e sombras, desafios exaltantes mas, às vezes, também provações dramáticas. A escuridão se faz ainda mais densa até se tornar trevas, quando se insinuam no coração da família o mal e o pecado.
Existe, antes de tudo, os grandes desafios da fidelidade no amor conjugal, do enfraquecimento da fé e dos valores, do individualismo, do empobrecimento das relações, do stress, de um alvoroço que ignora a reflexão, que também marcam a vida familiar. Se assiste, assim, a não poucas crises matrimoniais enfrentadas, frequentemente, em modo apressado e sem a coragem da paciência, da verificação, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício. Os fracassos dão, assim, origem a novas relações, novos casais, novas uniões e novos matrimónios, criando situações familiares complexas e problemáticas para a escolha cristã.
Entre estes desafios queremos evocar também o cansaço da própria existência. Pensemos ao sofrimento que pode aparecer em um filho portador de deficiência, em uma doença grave, na degeneração neurológica da velhice, na morte de uma pessoa querida. É admirável a fidelidade generosa de muitas famílias que vivem estas provações com coragem, fé e amor, considerando-as não como alguma coisa que é arrancada ou infligida, mas como alguma coisa que é doada a eles e que eles doam, vendo Cristo sofredor naquelas carnes doentes.
Pensemos às dificuldades económicas causadas por sistemas perversos, pelo “fetichismo do dinheiro e na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano” (Evangelii Gaudium 55), que humilha a dignidade das pessoas. Pensemos ao pai ou à mãe desempregados, impotentes diante das necessidades também primárias de suas famílias, e aos jovens que se encontram diante de dias vazios e sem expectativas, e que podem tornar-se presa dos desvios na droga e na criminalidade.
Pensemos também na multidão das famílias pobres, àquelas que se agarram em um barco para atingir uma meta de sobrevivência, às famílias refugiadas que sem esperança migram nos desertos, àquelas perseguidas simplesmente pela sua fé e pelos seus valores espirituais e humanos, àquelas atingidas pela brutalidade das guerras e das opressões. Pensemos também às mulheres que sofrem violência e são submetidas à exploração, ao tráfico de pessoas, às crianças e jovens vítimas de abusos até mesmo por parte daqueles que deveriam protegê-las e fazê-las crescer na confiança e aos membros de tantas famílias humilhadas e em dificuldade. “A cultura do bem-estar anestesia-nos e (...) todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espetáculo que não nos incomoda de forma alguma” (Evangelii Gaudium, 54). Fazemos apelo aos governos e às organizações internacionais para promoverem os direitos da família para o bem comum.
Cristo quis que a sua Igreja fosse uma casa com a porta sempre aberta na acolhida, sem excluir ninguém. Somos, por isso, agradecidos aos pastores, fiéis e comunidades prontos a acompanhar e a assumir as dilacerações interiores e sociais dos casais e das famílias.
Existe, contudo, também a luz que de noite resplandece atrás das janelas nas casas das cidades, nas modestas residências de periferia ou nos povoados e até mesmos nas cabanas: ela brilha e aquece os corpos e almas. Esta luz, na vida nupcial dos cônjuges, se acende com o encontro: é um dom, uma graça que se expressa – como diz o Livro do Génesis (2,18) – quando os dois vultos estão um diante o outro, em uma “ajuda correspondente”, isto é, igual e recíproca. O amor do homem e da mulher nos ensina que cada um dos dois tem necessidade do outro para ser si mesmo, mesmo permanecendo diferente ao outro na sua identidade, que se abre e se revela no dom mútuo. É isto que manifesta em modo sugestivo a mulher do Cântico dos Cânticos: “O meu amado é para mim e eu sou sua...eu sou do meu amado e meu amado é meu”, (Cnt 2,16; 6,3).
Para que este encontro seja autêntico, o itinerário inicia com o noivado, tempo de espera e de preparação. Realiza-se em plenitude no Sacramento onde Deus coloca o seu selo, a sua presença e a sua graça. Este caminho conhece também a sexualidade, a ternura, e a beleza, que perduram também além do vigor e do frescor juvenil. O amor tende pela sua natureza ser para sempre, até dar a vida pela pessoa que se ama (cf. João 15,13). Nesta luz, o amor conjugal único e indissolúvel persiste, apesar das tantas dificuldades do limite humano; é um dos milagres mais belos, embora seja também o mais comum.
Este amor se difunde por meio da fecundidade e do ‘gerativismo’, que não é somente procriação, mas também dom da vida divina no Batismo, educação e catequese dos filhos. É também capacidade de oferecer vida, afeto, valores, uma experiência possível também a quem não pode gerar. As famílias que vivem esta aventura luminosa tornam-se um testemunho para todos, em particular para os jovens.
Durante este caminho, que às vezes é um percurso instável, com cansaços e caídas, se tem sempre a presença e o acompanhamento de Deus. A família de Deus experimenta isto no afeto e no diálogo entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs. Depois vive isto ao escutar juntos a Palavra de Deus e na oração comum, um pequeno oásis do espírito a ser criado em qualquer momento a cada dia. Existem, portanto, o empenho quotidiano na educação à fé e à vida boa e bonita do Evangelho, à santidade. Esta tarefa é, frequentemente, partilhada e exercida com grande afeto e dedicação também pelos avôs e avós. Assim, a família se apresenta como autêntica Igreja doméstica, que se alarga à família das famílias que é a comunidade eclesial. Os cônjuges cristãos são, após, chamados a tornarem-se mestres na fé e no amor também para os jovens casais.
O vértice que reúne e sintetiza todos os elos da comunhão com Deus e com o próximo é a Eucaristia dominical quando, com toda a Igreja, a família se senta à mesa com o Senhor. Ele se doa a todos nós, peregrinos na história em direção à meta do encontro último quando “Cristo será tudo em todos” (Col 3,11). Por isto, na primeira etapa do nosso caminho sinodal, refletimos sobre o acompanhamento pastoral e sobre o acesso aos sacramentos pelos divorciados recasados.
Nós, Padres Sinodais, vos pedimos para caminhar connosco em direção ao próximo Sínodo. Em vocês se confirma a presença da família de Jesus, Maria e José na sua modesta casa. Também nós, unindo-nos à Família de Nazaré, elevamos ao Pai de todos a nossa invocação pelas famílias da terra:
Senhor, doa a todas as famílias a presença de esposos fortes e sábios,
que sejam vertente de uma família livre e unida.
Senhor, doa aos pais a possibilidade de ter uma casa onde viver em paz com a família.
Senhor, doa aos filhos a possibilidade de serem signo de confiança e aos jovens a coragem do compromisso estável e fiel. 
Senhor, doa a todos a possibilidade de ganhar o pão com as suas próprias mãos, de provar a serenidade do espírito e de manter viva a chama da fé mesmo na escuridão.
Senhor, doa a todos a possibilidade de ver florescer uma Igreja sempre mais fiel e credível, uma cidade justa e humana, um mundo que ame a verdade, a justiça e a misericórdia.

O Cardeal Raymundo Damasceno de Assis, um dos relatores-presidente do Sínodo, comentou a redação da mensagem final durante uma Conferênca de imprensa no final da manhã deste sábado, na Sala de Imprensa da Santa Sé. 

http://www.news.va/pt/news/sinodo-extraordinario-documento-final

Ecos do Sínodo

Passada a primeira semana de trabalhos sinodais, deixo uma resenha de pontos ventilados, como resumo rápido e pessoal do que vai acontecendo.
Sala Sinodal
Lembro que a reflexão incide sobre “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”, não se detendo em alguns temas que têm polarizado a atenção mediática, como o que se refere aos “divorciados recasados”, ou às “uniões de pessoas do mesmo sexo”. Têm sido de facto abordados, mas não constituem o cerne da reflexão sinodal. 

Esta incide sempre, direta ou diretamente, na família em geral – não apenas no seu núcleo conjugal – e no modo mais adequado de propor a respetiva visão cristã e de formar os crentes para a sua constituição e vivência. 
Muito importante tem sido a presença cordial do Papa Francisco, bem como o foram as suas palavras iniciais, insistindo em que falássemos com grande franqueza (parresia) e ouvíssemos com humildade (cf.L’Osservatore Romano, 6-7 out. 2014, p. 12). E assim tem sido, com disponibilidade para falar e ouvir opiniões concordes ou eventualmente discordes, sobre pontos concretos e com sensibilidades distintas. 
Nunca está em causa a visão cristã do casal e da família, a partir das palavras de Cristo e da Tradição eclesial, ao mesmo tempo idêntica nas afirmações essenciais e dinâmica na relação com as situações e a própria evolução humana e social. Pouco a pouco, fica mesmo mais claro o que é essencial e o que devemos fazer, para que tal essencialidade se reapresente agora, face aos “desafios” que a atualidade nos lança.
Do que se tem dito e ouvido, sobressai a consciência do contraste entre muito do que a sociocultura globalizada difunde e sugere sobre a conjugalidade e a família e o que a visão crente e cristã entende sobre elas. Rarefação dos vínculos tradicionais e individualização das decisões e das existências, desinstitucionalização e efemeridade dos compromissos, desvalorização do que não seja imediato e logo compensatório: estas e outras notas tornam-se mentalidade e sensibilidade generalizadas, sem grandes diferenças à escala mundial. Foi por isso acentuado que «os cristãos devem saber responder adequadamente às verdadeiras e próprias emergências que nos chegam, além do mais, numa atmosfera cultural em crescente contraste com os valores propostos pela Igreja […]. Referem-se as posições ideológicas que se difundem e tendem a influenciar os próprios ordenamentos jurídicos» (L’O.R., 9 out., p. 7). 

Daqui que o Sínodo vá sublinhando a necessidade e a urgência de esclarecimento cristão sobre a realidade familiar e de tomar este ponto como verdadeiramente prioritário para as nossas comunidades, movimentos e grupos. Apoiar sempre a família, na respetiva formação e na complementaridade e intergeracionalidade dos seus membros, evidencia-se como a base de toda a pastoral a empreender.
Posso até dizer que este ponto é o mais saliente dos presentes trabalhos sinodais, tal é a consciência do desafio sociocultural que a família cristã tem pela frente. Salientou-se, a propósito, o lugar do testemunho familiar cristão, como neste resumo de várias intervenções: «Falou-se da importância de percorrer a via do testemunho para uma eficaz preparação do matrimónio, sem nos preocuparmos com a possibilidade de um percurso formativo mais sério fazer diminuir o número de esposos». E chegou a dizer-se que tudo se há de fazer «para que a Igreja não passe de “hospital de campanha” a “morgue” em que se multiplicam as autópsias de matrimónios defuntos» (cf. L’O.R., 8 out., p. 8). Parecendo forte a imagem, não é menos real a constatação dos fracassos conjugais que tantos problemas trazem aos próprios e aos respetivos familiares. 

O Sínodo não ilude a questão, nem as consequências sacramentais, no caso de divorciados recasados. Tem sido ponto recorrente, em contraste com o primeiro, acima indicado: «O sínodo voltou a refletir sobre os casais em dificuldade, os divorciados recasados. A Igreja deve apresentar não um juízo mas uma verdade. Quanto ao acesso à Eucaristia, reafirmou-se que não é sacramento dos perfeitos mas dos que estão a caminho» (ibidem). Sendo necessário, antes, durante e depois, estar de facto “a caminho”, ou seja, em conversão permanente – para todos e especialmente para os casos referidos. Da realidade vivida ao desígnio inultrapassável de Cristo há sempre caminho a percorrer, caminho aberto… 
Muitas referências são feitas também à necessidade de agilizar os processos de verificação da validade dos matrimónios celebrados, quando há razões para tal. Como, por exemplo: «Antes de mais, acentuou-se em várias intervenções a necessidade de acelerar o processo canónico para o reconhecimento das nulidades matrimoniais, para que os fiéis não fiquem privados dos sacramentos por muito tempo» (L’O.R., 9 out., p. 7). 
E o resumo mais fiel de quanto se disse das “situações “irregulares” será este: «Os padres sinodais explicaram detalhadamente as suas razões sobre a admissão ou não dos divorciados recasados à Eucaristia. Com posições diversas. Também se contaram histórias particulares de pessoas que vivem em condições de sofrimento. Por exemplo, evidenciou-se a necessidade de distinguir entre os que abandonaram injustamente o cônjuge e os que, pelo contrário, foram abandonados injustamente. Registaram-se intervenções significativas, seja de quem acha que não é possível introduzir a comunhão para os divorciados recasados, seja de quem convida ao discernimento das várias situações, para não praticar uma pastoral do “tudo ou nada”» (cf. L’O.R., 10 out., p. 8).

Nestes dois pontos se tem principalmente insistido: a necessidade de fazer da família, cristãmente entendida, e da pastoral familiar, continuamente exercitada, o critério de ação das nossas comunidades, assim mesmo transformadas em “famílias de famílias”; e o atendimento positivo dos casos de dificuldade ou fracasso conjugal, na sequência do que tem sido o desenvolvimento da doutrina e da prática eclesial. 
Pode aliás lembrar-se a evolução verificada, do Código de Direito Canónico de 1917, que tratava os divorciados recasados como bígamos e infames, que podiam ser atingidos pela excomunhão e interdição pessoal, ao Código de Direito Canónico de 1984, que não prevê tais punições, mas restrições menos graves; ou às exortações apostólicasFamiliaris Consortio (João Paulo II, 1981) e Sacramentum Caritatis (Bento XVI, 2007), que falam com afabilidade de tais cristãos, afirmando que não são excomungados, mas antes convidados à participação eclesial, ainda que sem confissão sacramental nem comunhão eucarística, enquanto durar tal situação pessoal. 
Também para aqui apontou o Cardeal Kasper na sua alocução ao consistório de fevereiro passado – feita a convite do Papa Francisco, recordemos –, quando disse estarmos numa situação semelhante à do Concílio Vaticano II, ao tratar da liberdade religiosa. Na minha intervenção sinodal, referi-me explicitamente a este ponto, nos seguintes termos: «Há cinquenta anos, não foi propriamente fácil aos padres conciliares conjugarem a liberdade religiosa com a objetividade da verdade revelada. Mas acabaram por incluir nesta mesma objetividade o espaço que Deus dá a cada um para prosseguir na descoberta da verdade e na adesão a ela (cf. Declaração Dignitatis Humanae, 2). Creio que, com as devidas distinções de tema e solução, há neste importantíssimo ponto conciliar uma luz oportuna para o que nos ocupa agora, a bem da família e da sua dimensão sacramental, a manter e a recuperar sempre que possível».
Seguem-se nestes dias as reuniões de grupo e a preparação da mensagem (nuntius) final, com o mesmo clima de franqueza e humildade que o Papa Francisco desejou e felizmente se verifica. Sem esquecer que esta é apenas uma etapa preparatória do Sínodo de 2015 e do que o Papa decidir depois. Rezemos entretanto, para que o Espírito nos conduza àquela “verdade total” que Deus nos ofereceu em Cristo e só pouco a pouco se desvenda, sempre idêntica a si mesma e continuamente desdobrada na história.

 Roma, 12 de outubro de 2014
 + Manuel Clemente   
(Patriarca de Lisboa)   


Francisco e a Irmã Morte

"Louvado sejas, meu Senhor, pla nossa Irmã, a morte corporal"
Assim S. Francisco terminava o seu belo Cântico das Criaturas.
Celebrar este ano a Solenidade do Poverello de Assis tem para mim um significado mais rico.
Faz um mês que Deus chamou o meu pai e 15 dias que chamou a minha mãe. Como eles gostavam de S. Francisco e de Sto António...
Com este clip de vídeo presto homenagem ao Santo dos pobres e com ele aos meus pais.
"Que o Senhor vos abençoe e vos guarde!"
(a seguir outros vídeos entram automaticamente)

Mãe Maria no Céu

Mãe Maria Farinha da Silva
Amigos...

Antes de mais OBRIGADO por terdes rezado pela minha mãe.

HOJE A MINHA MÃE PARTIU SERENAMENTE PARA O CÉU.

Depois do falecimentos do meu pai, faz hoje 15 dias, a minha mãe esteve em coma, depois de uma queda, hematoma grave...

Mas nesta hora JÁ ESTÁ JUNTO DE DEUS!

Tanta coisa podia agora dizer da minha mãe.
Ontem e hoje procurei, depois dos médicos apresentarem a situação como muito crítica, prepará-la para partir sem medo, na paz e serenidade de quem acredita na Vida Eterna.

E ali, comigo ao seu lado a minha mãe partiu, com o rosto sereno e lindo que sempre teve, e o coração foi-se apagando.
Rezei, cantei, conversei com ela durante a tarde e tenho certeza que ela ouviu e que me via.
Há coisas que se notam pelas máquinas como o aumento da pulsação, mas mais ainda pela certeza do coração de um filho.

Mãezinha... como lhe disse esta tarde, Deus não podia ter-nos dado uma mãe melhor. FOI A MELHOR MÃE DO MUNDO. OBRIGADO!

Agora do céu enviem-me o pai e a mãe as forças necessárias para continuar.

Até já mãezinha.

OBRIGADO A TODOS OS QUE FORAM OS GRANDES AMIGOS QUE TANTO ME AJUDARAM A DIGNIFICAR A VIDA DO PAI E DA MÃE: QUE DEUS VOS ABENÇOE:

Benedicat

Pai Manuel no CÉU

Pai Manuel Fernando Rodrigues
Amigos do Retalhos, paz e bem!

Faz hoje uma semana, primeira sexta-feira do mês, que o meu pai foi chamado para o Céu.

Depois de um longo tempo de sofrimento partiu na paz, em dia do Sagrado Coração de Jesus.

Não sei que escrever sobre o MELHOR PAI DO MUNDO.

Continuarei a agradecer a Deus o pai que me deu, o seu testemunho de Vida, de FÉ, de Oração...
Com o meu pai aprendi tanta, mas tanta coisa boa que jamais o mundo seria capaz de me ensinar.
Ele foi o meu modelo e mesmo nesta hora de saudade continua a ser.

A TODOS OS QUE AMASTES,ESTIMASTES, APOIASTES, AJUDASTES E REZASTES POR ELE A MINHA ETERNA GRATIDÃO...

Paizinho, tenho saudades de o ouvir cantar, contar anedotas, dizer-nos o que era bom e o que era mau na vida.

OBRIGADO PAIZINHO E LÁ DO CÉU OLHE POR TODOS NÓS...


Que Deus e a Imaculada Conceição sejam a nossa fortaleza.

BENEDICAT

Papa Francisco em entrevista a TV Portuguesa

Entrevista do Papa Francisco ao canal de televisão português, SIC, foi vista por mais de 2 milhões de pessoas. Fica o vídeo que vale a pena e a seguir a notícia.
(desativar a música do blogue na coluna da esquerda)
17 Jun. 14 / 06:38 pm (ACI/EWTN Noticias).- A entrevista que o jornalista Henrique Cymerman realizou ao Papa Francisco –publicada no jornal La Vanguarda-, foi vista no domingo passado por 2.203.000 pessoas através da cadeia de televisão ‘Cuatro’, do grupo italiano Mediaset.
Segundo pesquisas de audiência, durante os 50 minutos que durou a transmissão, a entrevista foi vista por 18.992.000 pessoas, na semana anterior, quando foi ao ar pela primeira vez, foi vista por 19.135.000.
A entrevista foi realizada após a visita do Papa à Terra Santa e o encontro que manteve no Vaticano com o presidente de Israel Shimon Peres e o líder palestino Mahmud Abas. O conteúdo da entrevista foi muito similar ao publicado no jornal espanhol “La Vanguardia” dias antes.
O Papa Francisco sublinhou a esperança que aprecia nos políticos jovens "sejam de centro, esquerda ou direita" -que definiu como uma "nova música"-, e destacou a importância da política para mudar o mundo e contribuir "ao bem comum".
Entretanto, advertiu que “estamos em um sistema econômico que não é bom”, pois antepõe o amor ao dinheiro ao amor às pessoas. “Está provado que com a comida que sobra poderíamos alimentar às pessoas que tem fome”, assinalou.
Nesse sentido o Papa alertou que “toda economia se move descartando: descarta-se as crianças, descarta-se os idosos... já não servem, não produzem. E agora está de moda descartar os jovens com o desemprego. São 75 milhões na Europa, isto é uma barbaridade, ou seja, descartamos toda uma geração”.
Trechos da entrevista, recolhidos pela agência Europa Press, podem ser lidos em: http://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-concede-entrevista-ao-jornal-espanhol-la-vanguardia-20211/

ASCENÇÃO DO SENHOR: Eucaristia

Celebramos este fim de semana a Solenidade da ASCENÇÃO DO SENHOR. 
Fica aqui a partilha da minha Homilia na Eucaristia Solene em Santo António no ano passado.
Penso que pode ser também este ano, uma vez mais, um bom motivo de reflexão e de reencontro com a Palavra de Deus.

LEITURAS DA EUCARISTIA:
1ª Leitura: atos 1, 1-11
Salmo: 46 (47)
2ª Leitura: Efésios 1, 17-23
Evangelho: Marcos 16, 15-20

Homilia

Escutámos hoje, na primeira leitura o início do livro dos atos dos apóstolos e duas coisas nos revela o início deste livro. Em primeiro lugar que o autor deste livro, que não se identifica, já escreveu outro sobre a vida de Jesus. Hoje nós sabemos que estamos a falar de São Lucas. O evangelista São Lucas escreveu depois, também, este livro dos atos dos Apóstolos que nos narra aquilo que foi ou como foi o tempo da Igreja nascente, das primeiras comunidades.

E o segundo, a segunda coisa que vemos logo aqui no início é a quem se destina este livro. Diriam os Irmãos que estiveram com atenção, que São Lucas escreveu este livro para um amigo, um amigo que se chama Teófilo porque ele diz assim “no meu primeiro livro, oh Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar”.

A primeira coisa que nós pensamos é que, na verdade, este livro foi escrito para uma pessoa com o nome de Teófilo. Pois eu digo-vos que não é assim, não é assim. A palavra Teófilo é a fusão ou a união de 2 outras palavras: teos que significa “Deus” e filos que significa “amigo”.

Então se eu perguntasse: afinal a quem se destina este livro é ao amigo de São Lucas? Não, é ao teófilo, é ao amigo de Deus, ou seja a todos os amigos de Deus. São Lucas escreve este livro para todos os amigos de Deus: teófilo.

E o que é que nós encontramos depois? Encontramos o texto a narrar-nos momentos importantes na vida de Jesus. Sobretudo, os últimos momentos da vida de Jesus. Começa por dizer que Ele vem do céu para ensinar, para salvar, escolhe à luz, apresenta-se vida de muitas formas depois da morte, passa pela última ceia e àqueles que escolheu para participarem neste ministério pede para não ser afastarem de Jerusalém até lhes ser indicado, até Ele, Jesus, partir para junto do Pai.

E depois há-de falar dos sacramentos, sobretudo do sacramento do Batismo. Esta é, se repararem bem, uma forma de São Lucas recordar às primeiras comunidades o que é que Jesus na verdade queria dizer, o que é que Jesus na verdade nos pede para fazermos e para sermos? E depois há alguns que ainda pensam que é agora que Ele vai restaurar o reino de Israel. Vejam como estamos no momento da despedida de Jesus, o momento da Ascenção. E Jesus chama os seus para o alto do monte. Porquê? Recordem-se, a montanha é na conceção do povo Judeu, o lugar mais perto de Deus, logo é um lugar primordial de encontro do Homem com Deus, quanto mais alto mais perto de Deus, na consciência daquele tempo.

E Jesus está a despedir-se, e o que é que eles pensavam? É agora que Ele vai cumprir aquilo que está dito no antigo testamento, é agora que Ele vai restaurar o reino de Israel. Vejam como, depois de alguns anos a seguirem Jesus, a ouvirem a Palavra de Jesus, a verem os milagres de Jesus, depois de alguns anos a receberem instruções de como deveriam viver depois da Sua partida, eles ainda não tinham percebido. Será que é agora que Ele vai restaurar o reino de Israel, é agora que Ele vai levar ao fim da espada todos aqueles que são os nossos inimigos? Não tinham percebido a lógica de Jesus, a mensagem de Jesus não é a mensagem da espada, não é a mensagem da guerra, não é a mensagem do ódio, é a mensagem da paz, é a mensagem do Amor, é a mensagem da relação humana, do diálogo humano, do respeito para com o outro, da sua forma de ser, de estar e de acreditar.

E por isso Jesus vem dizer “Não vos preocupeis. Ireis receber o Espírito Santo, ireis receber o Espírito da Verdade. É o Espírito de Deus que vos dirá toda a verdade. Por isso eu vou partir, diz Jesus, mas vós ficais serenos, aguardai o Espírito de Deus, está a chegar o Espírito Santo. E é através dele que vós ireis entender bem tudo aquilo que Eu procurei transmitir-vos ao longo dos tempos em que estive convosco.” E Jesus diz que através deste Espírito Ele permanece connosco até ao fim dos tempos. ”Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”, diz Jesus.

E começa a elevar-se ao Céu. Jesus começa a elevar-se para se despedir, para eles entenderem que agora sim, agora Jesus vai deixar de estar presente. Depois do dia da ressurreição Jesus havia subido ao Pai. Contudo, volta a aparecer durante, dizia o texto, 40 dias, durante 40 dias Jesus vai-se revelando, vai-se mostrando a Maria, a Pedro, a Paulo, a Tomé, aos outros Apóstolos, a algumas mulheres, aos discípulos de Imaluz, Jesus vai-se revelando, Jesus vai-se mostrando para dizer “Eu estou aqui, Eu ressuscitei”. Mas agora ao afastar-se, ao subir ao Céu diante deles e ao ser coberto por uma nuvem, Jesus não vai mais voltar a aparecer, já comunicou tudo o que tinha a comunicar. Agora é a hora da Igreja, agora é a hora do Espírito Santo. E eles ficam ali saber o que fazer. Sentem-se, permitem-me, sentem-se órfãos, “então e agora, o que é que fazemos?” E diz o texto que de imediato dois anjos lhes dizem “Homens da Galileia porque estais a olhar para o Céu, esse Jesus que do meio, do meio de vós foi elevado para o Céu, virá ainda o homem que o vistes ir para o Céu.” O que é que, na verdade, é esta mensagem de Deus através destes dois anjos?

O cristão, não pode ficar a olhar, não posso ficar à espera que venha o que quer que seja do Céu, porque dizia Jesus cá atrás “o dia e a hora ninguém sabe, só o Pai.” Portanto não nos cabe ficarmos aqui à espera, a olhar lá para cima para o céu, a ver se Jesus vem deste ponto ou se vem daquele lá do lado de lá, e se é hoje ou se é amanhã. Nós devemos continuar a missão de Jesus, sem nos preocupar. Porquê? Porque Ele nos envia o Espírito Santo, Ele nos envia o Espírito da Verdade.

O Evangelho tem, então, este grande mandamento que Jesus deixa à comunidade. O Evangelho de São Marcos coloca-nos de novo nessa montanha, na despedida de Jesus. E Jesus já tinha entregue aos seus Apóstolos, o dom do programa tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus. Jesus já tinha entregue aos seus na última ceia o sacerdócio ministerial com o lava-pés, com o pão e o vinho e quando diz, “fazei isto em Minha memória porque sempre que o fizerdes, Eu estou convosco” e Jesus aqui no momento da despedida vai recordar então o fundamento da missão da Igreja: primeiro. “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho por toda a tribo, ide e anunciai, não fiqueis parados, a Igreja e os cristãos devem chegar a todo o mundo, para quê? Para levar a todos e a toda a criatura a Palavra do Evangelho, a boa nova do reino de Deus e levando esta palavra convidam ao arrependimento, convidam à conversão, convidam a mudar de vida, e as pessoas devem querer, ao mudar de vida, ser de Jesus, pertencer a Jesus, pertencer à Igreja e a nós Jesus acrescenta “batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, porque aquele que for batizado, esse será salvo.” Pregai o Evangelho do reino de Deus, e batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

E depois o mesmo texto vai dizer que alguns, estes homens que também têm este poder de perdoar, batizar e consagrar, também têm poder de algumas curas, de alguns milagres, e refere alguns.

São Paulo apela nesta segunda leitura que nós escutámos, na carta aos Efésios, São Paulo está a escrever num contexto muito próprio. Paulo já está preso, Paulo está preso em Roma, sabe que vai morrer. São Paulo quando escreve esta carta sabe que vai morrer, já não vai sair da prisão. E os cristãos devem estar meio perdidos e agora o que é que vamos fazer? O nosso pastor, o nosso mestre está preso, agora quem é que nos ajuda a ter força, quem nos ajuda a caminhar, quem nos diz o que temos de fazer, e começavam as comunidades a ter quezílias entre elas. Começam logo alguns membros da comunidade a dizer “então, mas nós sabemos o que fazer”, e outros a dizerem “esperem é melhor vermos”, alguns querem dar nas vistas e outros começam a chegar-se para trás, lá muito para trás, outros que dizem “eu é que sei aqui dentro da comunidade, eu é que sei fazer, tu não percebes nada disto” e os outros a recuar com medo, com receio, com vergonha e é exatamente por isso que São Paulo escreve para lhes dizer “O que é que se passa convosco? Eu estou preso”, diz são Paulo, “Eu estou preso por causa do Evangelho e não estou a lamuriar-me, e não estou a criar problemas. E Eu sei”, diz Paulo ”que aí nas comunidades já estais à guerra uns com os outros, cristãos à guerra uns com os outros porque um faz e o outro não faz, porque o outro fez e o outro desfez, porque o outro não faz e não deixa fazer, já estais à guerra uns com os outros.” Então Paulo vem dizer “Recomendo-vos que vos comportais segundo a maneira de viver a que fostes chamado”

Oh, Irmãos, eu posso errar, eu posso errar, mas eu penso que esta palavra São Paulo escrita há mais de 2000 anos continua a ser atual, continua a ser atual.

São Paulo pede que nos comportemos todos nós, e eu também, todos nós de acordo com a maneira a que fomos chamados, como cristãos, como homens e mulheres de paz, de serenidade, de amor, de solidariedade, “comportei-vos segundo a maneira de viver a que foste chamado”. E depois vai dizer algumas coisas que devem ser, digamos, as caraterísticas do cristão. Diz ele “Procedei com, humildade, com mansidão, com paciência, suportai-vos” este verbo suportar significa amai-vos, ajudai-vos uns aos outros com caridade (a caridade não é dar esmolinhas só para descargo de consciência, a caridade em São Paulo é o amor ao templo, é o amor ao desinteressado, é o amor verdadeiro. E depois continua “e empenhai-vos a manter a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”. Haja paz entre os Homens, mantendo-vos unidos entre vós, fazei tudo para que haja paz na comunidade, tudo. E porque é que diz São Paulo isto, porque “há um só corpo e um só Espírito, há uma só fé, há um só batismo, há uma só esperança, há um só Deus e Pai de todos que está acima de todos e tudo em todos.

Nós, às vezes, às vezes nas nossas Igrejas e nas nossas comunidades não vivemos assim. Uns são do padre, outros são da catequista, outros são do acólito, outros são da acólita, outros são de Nossa Senhora, mas não são do Santíssimo Sacramento, outros são de Santo António, mas não são do Santíssimo Sacramento, outros vêm à Eucaristia por causa do Padre, mas não por causa de Jesus.

Há um só corpo, um só Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai.

Voltemos atrás, “Irmãos”, diz são Paulo, “recordemos que vos comporteis segundo a maneira de viver a que fostes chamado.” E foi esta a forma de viver que nós fomos chamados, foi esta, não foi outra, foi esta. Claro, volto a dizer, é importante quando simpatizamos com o padre desta igreja ou daquela, quando é uma pessoa simpática, uma pessoa que acolhe, uma pessoa que escutamos bem, uma pessoa que nos fala bem, claro que é importante a minha devoção a Nossa Senhora, a Santo António, a são Francisco, é importantíssima a minha devoção ao Santíssimo Sacramento na Eucaristia que é Jesus presente no meio de nós, mas não devemos cada um de nós viver uma fé ao seu jeito, não pode o cristão viver a fé quando lhe apetece ou como lhe apetece. Há um só Senhor, é a Ele que devemos recorrer. Há um só Espírito, é a Ele que devemos entregar a nossa vida. Porque depois, de fato diz São Paulo, “Foi Jesus que nos constitui Apóstolos, outros Evangelistas, a outros Pastores, a outros mestres,” quer dizer que os cristãos não são todos iguais. Nem todos podem ser padres, nem todos podem ser catequistas, nem todos podem ser ministros da comunhão, nem todos podem ser acólitos, nem todos podem ler, nem todos podem rezar o terço, nem todos podem arranjar as flores, nem todos podem cantar, nem todos... Cada um de nós deve abrir-se ao Espírito Santo e perceber o que é que eu posso fazer de bom e de bem e ir ter com o sacerdote e dizer, olhe eu gostaria de fazer isto, acha que sou a pessoa indicada para isso? Pois é, mas se o padre diz que não “aqui del rei”, o padre é mau. Já não é simpático, o padre.

Pois São Paulo desafia-nos a olharmos para a nossa vida e a nossa relação com Deus. Entendamos Irmãos e Irmãs, que todos nós somos importantes na Igreja, todos. O Padre não é mais importante que nenhum dos Irmãos, não é. Eu não me sinto mais importante do que nenhum dos Irmãos que esteja aqui de pé, de todo.

Agora cada um de nós tem de entender na Igreja a sua missão, uns de cantar, outros de rezar, outros de ornamentar os altares, outros de pregar, outros de perdoar, outros de acolitar, outros de ler, outros de ministrarem a Eucaristia ou então no silêncio a rezar, ou então no silêncio a rezar. Cada um de nós deve abrir-se ao Espírito de Deus e tentar perscrutar no seu coração aquilo que Deus lhe pede, contudo, convertermo-nos na maneira a que formos, a que fomos chamados por Jesus.

Fátima: Prece à Mãe

Vai chegar a noite em Portugal...
Mas é uma noite muito especial para tantos milhões de Portugueses e Luso descendentes em todo o mundo.
É noite especial para muitos homens e mulheres que em todo o mundo celebram Maria, a Mãe de Jesus e Mãe nossa, que se dignou vir a esta terra trazer uma mensagem de paz e amor.
Pela televisão assiste o mundo, em directo, à Procissão de velas. Todos os anos, cheio o recinto do Santuário, um mar de luz que torna em brancura a noite fria e a noite da nossa vida porque acompanhar a Mãe, cantar-lhE louvores, suaviza o nosso viver.
Muito criticam estes gestos que por todo o mundo se repetem, ferem a dignidade de Nossa Senhora, aviltam a liberdade de Deus se manifestar como e onde lhE aprouve.
Com Paulo VI, Fátima, deixa de ser Portugal, passa a ser o "altar do mundo".
Com São João Paulo II, Fátima deixa de ser simplesmente o "altar do mundo" para ser parte do coração e da vida deste querido devoto de Nossa Senhora, a Senhora de Fátima, que o salvou e que hoje, cravada na Sua Coroa, guarda a bala que atravessara o corpo do Supremo Pastor. Fátima é ainda a guardiã do anel Episcopal de São João Paulo II.
Bento XVI, há um ano, recordava a importância a atualização da mensagem de Fátima e reafirmava o seu amor e devoção a este Santuário e o quanto a Igreja sente bem presente, aqui, a presença maternal de Maria.
É com muita comoção que escrevo escutando "Avé Maria"...
"Senhora um dia descestes, à terra que em vós confia...."
Sim Mãe... somos os teus filhos que em ti confiam...
Na verdade Mãe... não existe, não pode existir identidade portuguesa sem que se manifeste esta confiança para com a Mãe de Jesus.
"Salvé, Regina, ora pro nobis Maria..." se canta.
Olha e roga por nós, ó Mãe...
Olha pelos meus pais, pelos meus irmãos, cunhados e sobrinhos...
Olha Mãe por todos os meus AMIGOS... tantas vezes me sinto um ingrato por nao ser capaz de os olhar com o Teu olhar maternal ou com o olhar de Jesus.
Olha Maria por todos os que se confiam à minha oração... e são tantos Mãe, são tantos...
Olha por todos os que fazem deste espaço "Retalhos" um lugar de encontro e oração e, neste mês, de olhar para ti em directo na Tua Capelinha.
Maria, MUlher e Mãe, olha por mim... "eu sou Teu filho também..."
"Salvé, Regina! Salvé, Regina... ora pro nobis Maria!"

51.ª Semana das Vocações

Iniciámos hoje, em Portugal, a 51.ª Semana de Oração pelas Vocações sob o tema "Vocações, testemunho da Verdade".
Na coluna da direita clicando na imagem têm acesso a todo o caderno de apoio para esta semana, textos, orações, vigilias, mensagens.
Pode ser um bom contributo para quem quer acompanhar o que nas diversas dioceses se vai celebrando.
Aqui deixo também a mensagem do Santo Padre para esta semana de Oração.
 
Que o Senhor que a todos nos chama a uma vocação específica e distinta das demais, nos ajude a sermos vocacionados que sabem dar testemunho d'Ele mesmo, a Verdade.
MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O 51º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
11 DE MAIO DE 2014 - IV DOMINGO DE PÁSCOA
Vocações, testemunho da verdade
 
Amados irmãos e irmãs!
1. Narra o Evangelho que «Jesus percorria as cidades e as aldeias (...). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe”» (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que «a messe é grande». Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a acção eficaz, que é causa de «muito fruto», deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes «colaboradores de Deus», trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: «Vós sois o seu [de Deus] terreno de cultivo» (1 Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele.
2. Muitas vezes rezámos estas palavras do Salmista: «O Senhor é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos-Lhe, somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho» (Sal 100/99, 3); ou então: «O Senhor escolheu para Si Jacob, e Israel, para seu domínio preferido» (Sal 135/134, 4). Nós somos «domínio» de Deus, não no sentido duma posse que torna escravos, mas dum vínculo forte que nos une a Deus e entre nós, segundo um pacto de aliança que permanece para sempre, «porque o seu amor é eterno!» (Sal 136/135, 1). Por exemplo, na narração da vocação do profeta Jeremias, Deus recorda que Ele vigia continuamente sobre a sua Palavra para que se cumpra em nós. A imagem adoptada é a do ramo da amendoeira, que é a primeira de todas as árvores a florescer, anunciando o renascimento da vida na Primavera (cf. Jr 1, 11-12). Tudo provém d’Ele e é dádiva sua: o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, mas – tranquiliza-nos o Apóstolo - «vós sois de Cristo e Cristo é de Deus» (1 Cor 3, 23). Aqui temos explicada a modalidade de pertença a Deus: através da relação única e pessoal com Jesus, que o Baptismo nos conferiu desde o início do nosso renascimento para a vida nova. Por conseguinte, é Cristo que nos interpela continuamente com a sua Palavra, pedindo para termos confiança n’Ele, amando-O «com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças» (Mc 12, 33). Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É «um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs» (Discurso à União Internacional das Superioras Gerais, 8 de Maio de 2013). Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (cf. 1 Ped 3, 15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projecto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração.
3. Também hoje Jesus vive e caminha nas nossas realidades da vida ordinária, para Se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. Dirijo-me agora àqueles que estão dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que ressoa na Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos a ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas palavras que «são espírito e são vida» (Jo 6, 63). Maria, Mãe de Jesus e nossa, repete também a nós: «Fazei o que Ele vos disser!» (Jo 2, 5). Far-vos-á bem participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em vós e ao vosso redor as melhores energias. A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que «por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35)?
4. Amados irmãos e irmãs, viver esta «medida alta da vida cristã ordinária» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31) significa, por vezes, ir contra a corrente e implica encontrar também obstáculos, fora e dentro de nós. O próprio Jesus nos adverte: muitas vezes a boa semente da Palavra de Deus é roubada pelo Maligno, bloqueada pelas tribulações, sufocada por preocupações e seduções mundanas (cf. Mt 13, 19-22). Todas estas dificuldades poder-nos-iam desanimar, fazendo-nos optar por caminhos aparentemente mais cómodos. Mas a verdadeira alegria dos chamados consiste em crer e experimentar que o Senhor é fiel e, com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes. «Nós, cristãos, não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas; ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jogai a vida por grandes ideais!» (Homilia na Missa para os crismandos, 28 de Abril de 2013). A vós, Bispos, sacerdotes, religiosos, comunidades e famílias cristãs, peço que orienteis a pastoral vocacional nesta direcção, acompanhando os jovens por percursos de santidade que, sendo pessoais, «exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31).
Disponhamos, pois, o nosso coração para que seja «boa terra» a fim de ouvir, acolher e viver a Palavra e, assim, dar fruto. Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais há-de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós. Com estes votos e pedindo-vos que rezeis por mim, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, 15 de Janeiro de 2014
FRANCISCO

 

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