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Cristo Ressuscitou! Para todos os meus votos de Santa Páscoa. ALELUIA!

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Cristo Vive! (Lagoa)

Lagoa: Bênção do Lume Novo
“Porque buscais entre os mortos Aquele vive? Não está aqui, ressuscitou como disse” Ide dizer…”
Lagoa: Eis a Luz de Cristo
  
Caríssimos Amigos da família Retalhos, votos de continuação de um Santo Tempo Pascal.
Durante toda esta semana da oitava da Páscoa, a Igreja vive a liturgia, como se continuasse ainda na manhã daquele dia da Ressurreição. Por isso, para todos nós, ainda é a Páscoa do Senhor e a nossa Páscoa.
Como calculais durante a Semana Santa e até ontem a minha vida foi de muito trabalho e serviço pastoral.
 
Há 26 anos eu venho ajudar nas celebrações pascais e sobretudo no chamado compasso ou visita pascal (andar de casa em casa com uma equipa levando a Cruz e uma mensagem de esperança) no norte do país. No ano passado me Avidos e este ano na Lagoa, junto a Famalicão, terras que sempre me acolhem com tanta ternura como se na minha aldeia estivesse. Aproveito para deixar aqui um sentimento de muita gratidão a todos os que comigo celebraram esta Páscoa na Lagoa. Que beleza de celebrações, dos três coros que cantaram, os Escuteiros, os Brancos, a Comunidade em Geral com o seu coiro também na Eucaristia da manhã, as equipas e a muita alegria pascal que reinou entre nós e toda a simplicidade e fé com que acolheram a Cruz em suas casas...
 Os padres são cada vez menos e o serviço pastoral não diminuiu, muito pelo contrário, nalguns casos aumentou. Felizmente há cada vez mais uma maior consciência do lugar e do brilhante papel e missão dos leigos na Igreja e que o Papa Francisco tanto tem recordado.
Mas hoje que já posso parar um pouco, não quero deixar de vos vir dizer que não estais esquecidos, aqui no Retalhos, dizer-vos que vos tive presente de forma muito especial neste tempo de graça, e sobretudo na Vigília Pascal, a Celebração Mãe de todas as celebrações cristãs. Tive-vos presente como aos vossos familiares, às vossas intenções e a todos aqueles que habitualmente tendes presentes no vosso coração e nas vossas preces ao Pai 
Recordando aquele momento sublime, junto à Cruz, onde Cristo a todos nos confiou, em João, a Sua Mãe, reconheci-me a mim mesmo e a cada um de vós no Discípulo amado.
Quis dizer a Jesus que, como aquele discípulo, também nós recebemos e acolhemos Maria como nossa Mãe, mais do que em nossa casa, porque muitos são os que a recebem na sua casa mas não A olham, não A amam, não A acolhem como sua Mãe, e esta é a expressão que o Evangelho de João nos recorda que o “discípulo amado a acolheu como Sua, desde aquela hora”.
Celebrar este grande mistério da Páscoa, com a paixão, morte e ressurreição de Cristo, mais não é que celebrar a nossa peregrinação sobre esta terra. Nós somos parte deste Cristo que, por todo o Amor infinito que o Pai tem para connosco, nos dá um Filho que pela entrega do Seu Sangue cria e estabelece entre nós e o Pai uma nova e eterna Aliança.
Por isso o Precónio Pascal, este grande e belíssimo hino que anuncia na Vigília Pascal a vitória do Redentor sobre o pecado e a morte, nos vai recordando que esta culpa do nosso pecado contraído em Adão é feliz porque, nos mereceu um tão grande redentor e libertador em Jesus Cristo o Cordeiro Imolado. 
Ao longo destes dias toda a liturgia nos vai apresentando as várias aparições do Ressuscitado aos Apóstolos, e a outras muitas pessoas, convidando a mudar de vida e ser cada vez mais testemunhas de que Cristo é uma realidade Viva e operante no dia a dia do Cristão.
Na certeza do túmulo vazio e na esperança daquela Vida que não tem fim, a Vida em Deus,
 
Desejo-vos a todos a continuação de um Santo Tempo Pascal.
Com muita estima e amizade, na oração diante do Ressuscitado,
Fr. Albertino S. Rodrigues  OFM

Il Divo: Alleluia (Páscoa na Lagoa)

Cristo Ressuscitou. ALELUIA!
Uma vez mais, pelo 26 anos consecutivo, em terras do norte presido às Celebrações Pascais.
Este ano na Paróquia da Lagoa, Comunidade onde já me sinto em casa, pois aqui cheguei há 25 anos.
É daqui que quero saudar a todos nesta certeza de que em Cristo todos ressuscitaremos porque, por nosso Amor, Ele morreu e Ressuscit
ou.
Com os Il Divo cantemos o Aleluia Pascal que, com esta letra, parece querer responder à mensagem do Papa para a Quaresma.
Em Cristo todos temos lugar, somos curados, recebemos a paz, recebemos o amor. Aleluia!
VOTOS DE SANTA PÁSCOA! 

Semana Santa: Caminhar, edificar, confessar...

“Hossana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel. Hossana nas alturas”. (Mt 21,9)

É este o eco que nos envolve sempre que chegamos ao Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor.

Com esta aclamação damos início à Semana Santa onde somos impelidos a entrar com Jesus em Jerusalém para, com Ele, celebrarmos a Páscoa.

A Semana Santa é para a vida do cristão a semana maior uma vez que se inicia com o Domingo de Ramos e termina com o Domingo da Ressurreição, inclusivé.

Este é para nós um tempo de Graça, um tempo de Oração e intimidade com Deus, com Cristo, com a Igreja e ao mesmo tempo com cada um de nós. Somo colocados diante do grande mistério da nossa salvação, a paixão, morte e ressurreição de Cristo.

Começa aqui a cumprir-se definitivamente o grande mistério da redenção humana. Ao Homem decaido pelo pecado, Cristo o envolve na ternura e misericórdia de “Deus que jamais se cansa de nos perdoar”, como dizia o Papa Francisco no Domingo passado,  acrescentando que “nós é que nos cansamos de pedir perdão a Deus”.

Lucas, no Evangelho que proclamamos antes da bênção dos ramos (Lc 19, 28-40), leva-nos a iniciar o nosso caminho com Jesus para celebrar a Páscoa em Jerusalém. Cristo sabe o que vai encontrar e prepara essa sua/nossa chegada, onde Ele é aclamado Rei pela multidão que o vê entrar montado num jumentinho. Pobre animal, alheio ao que se passa, nunca houvera sido montado por ninguém, e ali vai participando também ele da História da Salvação. Curioso que Lucas recorda duas vezes que “O Senhor precisa dele”, do jumentinho. E os discípulos, onde nós nos podemos identificar, saudam o Rei que chega, o Mestre que ensina, o Senhor que nos olha com maor e ternura. Capas no caminho e ramos para Jesus, aqui estamos nós diante de Jerusalém, cidade santa. A oração do louvor está presente neste caminho e incomoda, incomoda ao ponto de quem não entende a lógica da Boa Nova querer silenciar. É fácil silenciar quem não faz parte do nosso grupo, do nosso sistema – e há tantos maus sistemas neste mundo, nesta Igreja – contudo, hoje como ontem, Cristo repete a quem nos silencia o louvor autêntico “Eu vos digo: se eles se calarem, clamarão as pedras” (Lc 19, 40).

Isaias (50, 4-7) mostra-nos este Servo sofredor, o Servo de Javé, que se entrega aos seus algoses, aqueles que o esbofeteiam, que lhe arrancam a barba, lhe cospem no rosto e injuriam querendo levá-lo à morte infame. Os cristão desde cedo identificaram este Servo de Javé como Cristo sofredor que desta forma foi levado ao calvário.

Cristo podia ter-se apresentado com todas as honras, poder e glória de quem é Deus contudo, Paulo no-lo recorda: “Cristo era de condição divina… mas aniquilou-se a si próprio obedecendo até à morte e morte de Cruz…” (Filip 2, 6-11).

O sofrimento de Cristo era o caminho traçado pelo Pai, preconizado em Isaias, que levaria à glória e exaltação de Cristo e com Ele, por Ele e n’Ele à glorificação da Humanidade inteira.

Esta semana leva-nos a olhar para o grande mistério da paixão e morte na Cruz, mas com olhar e o coração postos no túmulo vazio.

No Evangelho, Lucas, começa por nos dizer que “chegou a hora”.

A hora “do poder das trevas” (Lc 22,56), mas Paulo nos recorda que é a hora em que “Cristo nos chamou da morte à vida” (Rm 11,7). O Evangelho, hoje, mostra-nos a mesa como o lugar da comunhão com o Mestre, do Ministério Sacerdotal, do Cristo Eucaristia, da missão da Igreja.

A cena da Última Ceia é o momento fulcral desta comunhão com o Mestre, é uma despedida e ao mesmo tempo um mostrar o caminho a seguir que bem podenmos traduzir nas palavras, uma vez mais, traçadas pelo Papa Francisco há uma semana na Missa com os Cardeais, ao dizer que a missão da Igreja é CAMINHAR, EDIFICAR e CONFESSAR Jesus Cristo, levando a Cruz porque sem a Cruz de Cristo a Igreja corre o risco de se tornar uma ONG piedosa.

Voltando à Última Ceia, e tendo como horizonte estas palavras do Papa Francisco, passados dois mil anos, Cristo fala-nos indicando o caminho a seguir. Traidores? Bom… sempre os houve e sempre haverá. Mas é também aí, como em Lucas, que Cristo nos continua a dizer que o Seu infinito Amor está sempre ali para nos perdoar. Recordemos o perdão a Pedro e a missão que lhe confia, o perdão a todos nós no alto daquela Cruz “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, o perdão ao ladrão crucificado a seu lado, o perdão que nos ministra através dos Seus/nossos sacerdotes, também eles frágeis e pecadores mas revestidos desta missão confirmada naquela Ceia onde Cristo se torna Pão e Vinho, Corpo e Sangue entregue como Aliança única, amorosa e eterna. Depois, para que esta entrega de Cristo possa ser entrega confiante, é preciso preparar o terreno, não só do Seu Coração mas também do nosso. O Getsemani torna-se o lugar de vígília orante, de entrega receosa mas que depressa se tranforma em certeza da presença do Pai e do cumprimento da Sua Vontade: “Pai se é possível… contudo não se faça como eu quero mas como Tu queres”. Aquele noite é mais uma vez reforçada como “é chegada a hora”, a hora da entrega de um justo pelos injustos, de um Santo pelos pecadores, do Senhor pelos servos. Um beijo, sinal da amizade, do amor, da cumplicidade, torna-se nesta noite do Getsémani um sinal de traição acompanhada pela venda deste JUSTO por alguma dezenas de moedas. Mas a Igreja não fica presa aqui, Cristo não o podia permitir e, por isso, àqueles que o prendiam pede que deixem partir os seus Apóstolos. Eles tinham uma missão importante a cumprir, tinham que partir, passar pelo medo, pela escuridão, pela negação do Mestre para abrirem os seus corações à ação do Espírito Santo.

A oração de Cristo ao Pai remete-nos para esta intimidade que somos chamados a viver para podermos dizer que cremos em Jesus, sem medo. A Cruz é entrega amorosa de Cristo ao Pai, por AMOR, em remissão dos pecados da humanidade.

Diante da Cruz somos chamados a erguer os olhos e não a baixá-los. Teimamos ainda, muitas vezes, a olhar o chão diante da cruz dos nossos dias quando na verdade a Cruz nos obriga a olhar para o alto onde vemos num primeiro momento, dor e sofrimento, injustiça e traição, trevas e escuridão mas que depois, se olharmos bem, vemos amor e entrega, misdericórdia e perdão, luz e doação “Mulher, eis aí o teu filho. João, eis aí a tua Mãe” (Jo 19, 25-27).

Quando faço reflexão sobre este momento da Cruz, quase me sinto impelido, interiormente, a silenciar a alma e o coração. “Eis o teu filho… eis a tua Mãe”.

QUE VIVAMOS ESTA SEMANA SANTA COM CRISTO NO CAMINHO DA MORTE À VIDA.

Sermão dos Passos: Alenquer 2014


PASSOS EM ALENQUER 2014
3.º PASSO: Encontro de Jesus com Sua Mãe
 
(Sermão feito por mim este ano na Procissão dos Passos em Alenquer)
1.     UM ENCONTRO, ORÍGEM DESTE MOMENTO
Eis-nos em Alenquer para celebrar uma das mais antigas procissões dos Passos em Portugal. Eis-nos diante de um encontro entre Mãe e Filho, entre nós a Mãe e o Filho.
Em Alenquer recorda-se esta Procissão desde 1656, quando a Irmandade do Santo Crucifixo do Convento de São Francisco, pede à Câmara de então permissão para prestar um tal culto divino à paixão de Cristo. A expulsão das Ordens Religiosas, em 1834, com a saída da comunidade Franciscana de Alenquer, leva a algum arrefecimento desta devoção pública e mais tarde a Implantação da República, em 1910, acentua mais ainda o medo que leva ao secularismo até mesmo da devoção que procura esconder-se, por medo ou ideologias, mas esta continuará sempre presente no interior das casas das gentes de Alenquer e povoações vizinhas, com gravuras, registo e imagens que não deixavam de recordar Cristo a caminho do calvário com a Cruz aos ombros. É no seio das casas de família, na simplicidade e no silêncio da oração que Alenquer mantém viva esta chama quaresmal.
Irmãos, olhemos bem para todos nós hoje aqui, sintamos como este sentimento, destas gentes, jamais se apagou. É impossível apagar da memória e do coração o que das gentes Lusas brota do coração a Cristo e Sua santíssima Mãe. E os velhos conventos franciscanos – como São Francisco, em Alenquer, Santo António de Charnais, na Merceana, Nossa Senhora da Visitação, em Vila Verde dos Francos, Aldeia Galega, entre outros – a partir do início do séc. XX voltam a trazer à rua esta tão longínqua e secular devoção.
Mas as raízes de uma tal devoção são mais longínquas. Temos que recuar 8 séculos na história.
2.     Franciscanos em Alenquer:
Crê-se que por volta de 1214, estamos a celebrar este ano os oitocentos anos, S. Francisco terá passado ao norte de Portugal em peregrinação a caminho de S. Tiago de Compostela. Três anos mais tarde, em 1217, envia para a terra Lusa 14 frades que ao chegarem constituem comunidades em pequenos eremitérios em Alenquer (Fr. Zacarias de Roma), Guimarães (Fr. Gualter) e Lisboa (Sto António).
A primeira coisa que levavam era uma Cruz, gravada no Hábito e também em Imagem. Levavam consigo sempre uma Imagem da Imaculada, que mais tarde recebe o nome de Imaculada Franciscana, uma Senhora que segura o Filho nos braços, pisa o dragão que tenta roubar-lhe o Filho e este com uma Cruz na mão mata o demónio, espírito do mal.
A devoção à Cruz e paixão, lembrava a morte mas ao mesmo tempo a exaltação da Santa Cruz, que depois de ser levada em ombros pelo Redentor, de ter sido o suporte da mais infame injustiça e condenação da História, é elevada acima das nossas cabeças e, por ela, somos consagrados desde o nosso batismo. No reino de Portugal, em 1139, D. Afonso Henriques, após ter ganho a chamada batalha de Ourique, contra os Mouros, muda a Bandeira do Reino inserindo nela as chagas de Cristo em forma de Cruz, que nem a República ousou retirar da nossa Bandeira atual. O valor identificativo destas chagas, com a Cruz de Cristo, que ainda hoje é um dos mais altos galardões da Nação, jamais poderão desaparecer do horizonte da expressão da fé de uma nação como é a nossa, valor este tão grandiosamente cantado pelo poeta Luís de Camões nos Lusíadas, na estância 7 do Canto I.
A devoção de Portugal à paixão de Cristo marca também as naus e caravelas que, ao partirem para a epopeia das descobertas, levavam assinalada a Cruz de Cristo nas suas velas.
Alenquer, em 2006, assinalou os 350 anos da Irmandade de Santa Cruz e Passos de Alenquer. As Irmandades de Santa Cruz, como a da minha Aldeia, e de tantas outras terras, como em Barcelos, têm as suas raízes na Ordem da Penitência de S. Francisco de Assis, Ordem Terceira.
3.     S. FRANCISCO E A CRUZ em Alenquer
Esta devoção aos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo, podemos dizer ter então a sua génese nesta alma franciscana que chega a Portugal pela primeira vez nesta terra de Alenquer. Os frades primeiros aqui recolhidos, procuram levar o Cristo humano ao coração dos crentes. Bebiam estes frades em Alenquer do que tinham vivido com S. Francisco em Itália, as cinco Quaresmas, a Capela do pranto do pranto na Porciúncula onde o santo chorava amargamente a paixão do seu Senhor e repetia vezes sem conta que “o Amor não é amado”, o momento sublime em que dois anos antes de morrer, a 17 de Setembro de 1224, ajoelhado com os braços em Cruz, no Monte Alverne, S. Francisco recebe de Cristo crucificado os Estigmas da Paixão, e ainda hoje as Armas de S. Francisco são o braço de Cristo e do Pobrezinho de Assis em como que num abraço à Cruz de Jesus.
Primeiros Frades chegados a Alenquer trazem consigo esta grande devoção á paixão de Cristo e é aqui que iniciam esta grande devoção, certamente com a constituição dos Terceiros Franciscanos e da Irmandade da Santa Cruz. Esta forma de expressão da piedade popular vai estender-se aos lugares vizinhos e certamente, na medida em que daqui os frades partem com novas vocações a fundar novos conventos, levam consigo a alma da piedade popular de Alenquer que se expande rapidamente por toda a Península.
A Igreja vai dar aos Franciscanos a Festa da Santa Cruz ou Festa das Cruzes a 3 de maio Festa que recentemente foi transferida para o dia 14 de Setembro sob o nome da Exaltação da Santa Cruz, celebrando logo no dia seguinte a Festa de Nossa Senhora das Dores e dois dias depois a Festa das Chagas de S. Francisco.
A partir desta devoção e da Ordem Terceira ou Ordem da Penitência, surgem os cortejos de penitentes que praticavam a autoflagelação (séc. XIV e XV), tempo em que o Rei S. Luís de França, Terceiro Franciscano, convida os Reinos a celebrarmos estas devoções como identificação com a paixão do Senhor, e daí bem depressa se chega a outra grande devoção que dá origem aos passos e que é a Via Sacra com S. Leonardo de Porto Maurício, Franciscano italiano, em 1676.
4.     PASSOS: EXPRESSÃO DE UM ENCONTRO
CRISTO COM A CRUZ
E aqui estamos irmãos, a fazer caminho com Cristo para o calvário. Somos a expressão daquela multidão que também O acompanhava, uns por devoção, por fé, por penitência. Outros por mera curiosidade, porque estavam de passagem e foram apanhados num ato religioso, outros talvez nem saibam mesmo o que aqui os traz esta tarde. Mas eis que aqui estamos, direta ou indiretamente fazemos dos nossos passos aos passos de Cristo.
Mas os passos de Cristo ganham cruzam-se também com uns outros passos, o olhar de Cristo cruza-se com um outro olhar, o coração de Cristo bate com um outro coração.
Uma multidão que segue e acompanha Jesus, uma Cruz pesada aos ombros d’Aquele que passou pelo mundo só fazendo o bem e ensinando a amar. Um corpo ensanguentado pelos sofrimentos sofridos naquela noite em que se entregou por nós, sim por todos nós, por nosso amor e querer cumprir em si mesmo a vontade do Pai: «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!» (Mt 26, 42), «E a vontade daquele que me enviou é esta: que Eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas o ressuscite no último dia. Esta é, pois, a vontade do meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.» (Jo 6, 39-40)
Eis-nos diante de Jesus com a Cruz aos ombros. Da multidão surgem insultos, juízos, condenações, lágrimas e silêncios, olhares e compaixão, chicotadas e escárnio, palavras que ferem mais que uma espada ou um chicote, injustiça que gera a não Dignidade Humana.
Jesus curva-se sob o peso da Cruz, sob o peso da humanidade decaída pelo pecado. Foram também os nossos males que carregou naquela Cruz e continua a carregar ainda hoje sempre que à nossa volta somos sinal de desamor, de injustiça, de incompreensão, de maledicência, de calúnia e escárnio, de morte tantas vezes moral.
Olhai para Jesus! Sim olhai!
Olhai para aquela Cruz, olhai para o Seu rosto.
Que vedes irmãos? Dizei aos vossos corações o que vedes?
Apenas uma Imagem? Um espetáculo, como viam os Judeus e os Pagãos?
“Eis o Homem”, gritou Pilatos à multidão, “Eis o Homem?”.
Pois também eu vos digo, “eis o Homem”, o Homem das dores levado como cordeiro ao matadouro sem um julgamento justo. Crucifica-O, crucifica-O, gritava aquela multidão enfurecida pelos que tinham o poder.
Cristo o Homem Justo, o Messias o Redentor, torna-se para nós o servo sofredor de que nos fala Isaías, o servo que não abre a boca, não questiona aqueles que lhe batem, lhe cospem no rosto, lhe dizem impropérios, lhe põem um manto para fazer chacota, uma coroa de espinhos e uma Cruz aos ombros.
Foi Ele que nos ensinou a amar até os próprios inimigos e a orar pelos que nos perseguem. Eis o Homem que ensina não só com a palavra mas com a vida.
Mas que vemos nós n’Ele? Olhai bem e vede?
Em Cristo vemos toda a humanidade fragilizada, sofredora, espezinhada, empobrecida e doente do corpo ou da alma.
A imagem de Cristo, curvado sob peso da sua Cruz, convida-nos a colocar o nosso coração no Seu Coração, a cruzar o nosso olhar com o Seu olhar.
Que serenidade nos mostra Jesus. Como é possível saber que vai para o calvário e olhar-nos com esta paz, com este amor, com este perdão.
Naquela Cruz está cada um de nós, já tomastes consciência? Vai ali o peso da iniquidade e da injustiça humana, o sofrimento dos inocentes, a desobediência a Deus de quem não quer aceitar o Seu projeto de Amor, a mentira dos homens que não têm escrúpulos em subir na vida à custa do sofrimento dos outros, os mais frágeis, os pobres, os doentes, os idosos sem condições dignas de sobrevivência, as crianças abandonadas ou violentadas, os jovens sem esperança, os sem vez nem voz na nossa sociedade e tantas vezes na nossa Igreja.

Vivemos num tempo onde imperam a insensibilidade e indiferença humanas para com o Deus, o desprezo de cada um pelo outro e os seus valores. Deus parece ter cada vez menos um lugar preponderante na nossa vida, é mais fácil correr atrás do fútil, do imediato, do descartável, do que do amor e da vida que perdura em Deus, pela entrega a Paixão de Cristo.
Hoje vale apenas o que vale para o aqui e agora e não o que vale para sempre. Que seria de nós se aquele caminho até ao calvário, se aquela Cruz e aquela entrega de amor e por amor, tivessem sido para um único momento, transformadas em algo descartável? Teríamos nós sido descartados por Deus da História da salvação, da redenção e libertação do pecado e da morte?
Quantas vezes já parámos para agradecer a Deus ter-nos enviado o Seu Filho Jesus Cristo, que por nós morreu e ressuscitou? Quantas vezes já deixámos afluir ao nosso coração o sentimento de gratidão a Cristo por ter carregado o nosso pecado e o ter apagado naquela Cruz? Obrigado Jesus pelo teu amor infinito por nós.
Aquele Simão vindo de Sirene obrigado a levar a Cruz de Jesus por uns momentos, aquela Verónica que enxuga o rosto de Jesus, aquelas mulheres que choram ao vê-l’O passar, aqueles discípulos que se escondem com medo, aquela multidão… onde nos encontramos nós no meio de todos estes?
E Cristo está diante de nós, curvado sob o peso da Cruz, escândalo para os que não creem em Cristo, ali está Ele diante de nós.
Mas… Ele não é o único, nós não somos os únicos a estar diante d’Ele.
(Neste momento a Imagem da Mãe das Dores sai de uma Capela em direção ao andor de Cristo Senhor dos Passos, no meio da praça central pelejada de milhares de fieis)
A MÃE DOLOROSA

Eis irmãos, olhai bem e vede!
É Maria. Sim Maria, a Mãe de Jesus e Mãe nossa que rompe do meio da multidão. A Mãe encontra-se com o Filho e o Filho encontra-se com a Mãe.
Será impossível podermos atingir os sentimentos de Mãe e do Filho. A Sagrada Escritura não nos relata este momento, apenas a tradição, a devoção e a fé, colocam na Via-Sacra este encontro que tem tanto de terrífico como de belo.
Podemos quase colocar na boca de Maria a expressão do Antigo Testamento: “Ó vós que passais, junto a mim pelo caminho , olhai e vede se há dor igual à minha dor!” (Lm 1,12)
NOSSA SENHORA das Dores,
Olhamos-t’E, Maria, como Nossa Senhora das Dores mas também da Piedade, da Soledade, das Angústias, das Lágrimas, do Calvário, do Monte Calvário, do Pranto ou Nossa Senhora das Sete Dores,
7 ESPADAS e 7 DORES
É este o teu caminho e o teu viver com Jesus. Essa espada ou espadas da tua Imagem recordam-nos a tua primeira dor: Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: «Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma. Assim hão-de revelar-se os pensamentos de muitos corações.” (Lc 2, 34-35)
Belo o encontro de qualquer mãe com o seu filho, sobretudo se Este é o Filho de Deus, Aquele que se recebe pela ação do Espírito Santo, Aquele que é o enlevo na alma.
Esta Imagem de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, de pé, com as vestes de penitência e ao mesmo tempo de rainha. Mas olhar que dor, que dor naquele Coração sem mácula, um coração predestinado desde sempre para a mais sublime expressão da entrega á vontade de Deus: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» (Lc 1, 38).
Onde conduziria esta entrega tão grande ao cumprimento da palavra de Deus?
Só pelo poder da fé Maria assume um caminho que não sabe como vai ser em cada amanhecer. Deus dirá a cada momento. Mas este encontro, sim este encontro, é belo porque dois corações batem como um só, dois olharem olham-se como um só, dos silêncios falam mais alto do que a balburdia da multidão.
Tinha razão a prima Isabel ao exclamar: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 42-45).
És feliz Maria porque acreditaste. E aqui estás agora diante de Jesus, o teu Filho amado, mas que agora te recebe tão desfigurado sob o peso daquela Cruz. É Jesus sim, Maria, é o teu Filho e Filho do Altíssimo.
Como gostaríamos, ó Mãe das Dores, de saber o que te vai na alma. Quem pensamentos e sentimentos? O teu Menino que geraste e deste á luz para a Humanidade, para nos salvar, segue a caminho do calvário condenado à morte e morte na Cruz.
Certamente não perguntará o teu Coração: “que mal fez Ele para merecer isto”, como tantas vezes nós perguntamos que mal fiz eu para merecer isto?
Alguém pode, do meio da multidão, entender tamanha dor? Pode alguém humanamente entender as lágrimas de uma Mãe que vê o seu Filho ser levado injustamente para morrer como um criminoso?
Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa… olha-nos e diz-nos, que sentes em teu Coração pelejado de espinhos?
Ah! Sim! Damo-nos conta que afinal há mais do que uma coroa de espinhos. A de Cristo e a Tua o Mãe das Dores. Os espinhos que sufocam o teu Coração são os mesmos que ferem a cabeça de Jesus. Estão aí os nossos males, sim todos aqueles que já hoje refletimos ao olhar para a Imagem do teu Filho vergado sob o peso da Cruz.
E agora olhamos-t’E a Ti, ó Mãe.
Quantas mães estão aqui nesta nossa assembleia? Quantas mães estão aqui e sentem o seu coração apertado pelos caminhos e escolhas dos seus filhos fora de Deus, sem rumo na via, vivendo apenas o momento porque o amanhã logo se vê. Quantas mães estão aqui e te olham, te contemplam, te amam com o mesmo amor maternal com que tu as olhas, com que tu nos olhas.
O dom da maternidade encontra em ti não só o amor materno/biológico mas também o amor materno/espiritual.
Quantas mulheres queriam ser mães e não puderam, quantas se dedicaram e dedicam aos outros com o mesmo amor maternal que têm ou teriam para com os seus filhos? E quantos sofrimentos experimentam no seu coração?
Mas não, não é possível, Maria, não é possível haver uma dor igual à tua dor ao encontrares o teu Filho Jesus com a Cruz aos ombros, batido, cuspido, escarnecido, condenado e mal tratado por aqueles a quem Ele veio salvar e dar a Vida.
Tu, Maria, és a corredentora no plano da salvação, és Aquela que Deus escolheu para ajudar a humanidade decaída no pecado a erguer a cabeça e confiar em Deus.
Perece-nos tão estranho recordar aquela hora em que, depois de procurares o teu Filho durante três dias O encontras no Tempo: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!» E recebes d’Ele a resposta perentória «Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» (Lc 2, 48-50)
E agora de novo o encontras, não no Templo entre os Doutores mas a caminho de um novo templo que surgirá com a Sua entrega ao pai por nós, esse Templo somos nós da qual tu és a Mãe. Este caminho que agora te levará atrás do teu Filho até al calvário e ao momento derradeiro da maior dor que uma Mãe pode ter, a de ver o seu Filho morrer.
Ó Maria, apraz-nos recordar o precónio Pascal quando diz, “Ó feliz culpa, ó pecado de Adão, ó pecado da humanidade, que nos mereceu um tal redentor”!
E junto àquela Cruz, naquela hora derradeira, Cristo tudo muda e não nos deixa órfãos, nem a nós nem a ti, Ó Mãe: Diz-nos São João que “Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!» Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua. (Jo 19, 26-27)
Este encontro com Cristo a caminho do calvário é o teu encontro connosco, teus filhos. Olha-nos agora, ó Mãe, ama-nos mais do que nunca e conduz-nos a Jesus. Nós somos teus filhos e queremos que fiques em nossa casa, queremos aceitar-te como nossa Mãe, nas nossas vidas, nas nossas alegrias e tristezas, nos nossos êxitos e fracassos, nas nossas esperanças de um tempo novo.
É por todo este amor que nos tens e que nós, portugueses Te temos, Ó Virgem Maria, Senhora da Dores que no Santo Sepulcro, em Jerusalém, oferecida por Portugal através dos Franciscanos, o altar situado no lugar do Calvário, dentro da Grande Basílica, guarda e se venera um altar da Senhora das Dores, à direita quem entra, subindo umas íngremes escadas. Nesta capela há dois lugares: o da Crucifixão e o da Morte do Senhor. Entre ambos, a altar da Mater Dolorosa, onde se venera uma lindíssima escultura em madeira da Senhora das Dores, um belo triste rosto de mulher português, túnica vermelha e véu branco sob manto azul, Coroa e auréola com sete estrelas, uma espada cravada no peito e as sete dores inscritas no rosto. Sim, a Mater Dolorosa de Jerusalém é um rosto de mulher português, oferecido pela rainha D. Maria I, em 1778, em nome de Portugal.
Olhando para Cristo com a Cruz aos ombros repito as palavras de Alexandre Herculano:
«Que reine para sempre a Cruz!
Erguei-a sobre todos os píncaros das serranias,
gravai-a em todas as árvores dos bosques,
hasteai-a sobre as rochas marítimas,
estampai-a nas muralhas das cidades,
exibi-a na fronte dos edifícios,
apertai-a no coração.
E depois,
que o género humano se prostre
e adore nela a Redenção que nos trouxe o Ungido de Deus.»

(ALEXANDRE HERCULANO, “A Cruz” )
E olhando o teu rosto materno que tanto amo, repito a mais antiga oração a Ti conhecida, talvez rezada desde o tempo Apostólico:
"À Vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus;
não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades,
mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita!"
 
Seja louvado N. S. Jesus Cristo.
Para sempre seja louvado, com sua Mãe, Maria Santíssima.
Fr. Albertino Rodrigues  OFM
Alenquer, 23 março de 14

S. José (Dia do Pai)

Poema a São José
São José,
Pai-Operário
Do próprio Deus
Seu Escudeiro!
Que em duros tempos
Jesus guardaste
De seus algozes, seus inimigos
Que – dedicado – Maria amaste
Que – Girassol – seguindo a Luz
Fortaleceste o Teu Calvário!

Oh, bom José
Pai carpinteiro
Olha por mim
Roga por nós
Abençoa esta Família!

E porque és justo Santo e Leal
À Virgem pede – Divina Mãe
E a Jesus – Filho Sagrado
Que me dêem Força, Coragem, Fé
Para, sereno, levar a Cruz
Que pesa tanto... me põe no chão!

Oh, meu Bom José Intercessor
De minha súplica junto ao Senhor
Enfim, Te peço, com devoção:
Sê o meu Sol na noite escura
E a Lua-Cheia no Coração!


J.J. Oliveira Gonçalves
www.jjotapoeta.art.br

Três tendas... É bom estar aqui!

Levando consigo Pedro, João e Tiago, Jesus subiu ao monte para orar. Enquanto orava, o aspecto do seu rosto modificou-se, e as suas vestes tornaram-se de uma brancura fulgurante. E dois homens conversavam com Ele: Moisés e Elias, os quais, aparecendo rodeados de glória, falavam da sua morte, que ia acontecer em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando eles iam separar-se de Jesus, Pedro disse-lhe: «Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» Não sabia o que estava a dizer. Enquanto dizia isto, surgiu uma nuvem que os cobriu e, quando entraram na nuvem, ficaram atemorizados. E da nuvem veio uma voz que disse: «Este é o meu Filho predilecto. Escutai-o.» Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou só. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, nada contaram a ninguém do que tinham visto.”
(Lc 9, 28-36)
 
Creio que tal como naquele ano pode ser hoje reflexão para este Domingo em que Cristo nos convida a subir ao Monte Tabor e admirar a Glória do Pai que Ele manifesta ao transfigurar-se diante de Pedro, Tiago e João.
Depois de lerdes o texto, e se assim achardes por bem, convido-vos a visitar o texto em http://betus-pax.blogspot.com/2007/03/trs-tendas-caminho.html e ver também as partilhas e comentários que vós, e outros amigos, ali deixastes - em 2007 e no ano passado também.
Que este dia seja verdadeiramente um dia em que todos possamos dizer: "Que bom, Senhor! Que bom é estarmos aqui... conTigo"!

O monte é o lugar do encontro com Deus.
As Escrituras apresentam sempre uma subida ao monte onde, lá na Glória, Deus se revela.
Cristo, que mais tarde nos ensina a encontrar o Pai no recôndito do coração, acaba sempre, antes de tomar decisões importantes, por subir ao monte e ficar a sós com o Pai.
Assim foi antes de escolher os seus, na Transfiguração, na hora do Getsemani e, corolário deste encontro de Amor, no monte do Gólgota: o Calvário.
O caminho que Cristo faz não é solitário. Toma consigo três dos seus: Pedro, João e Tiago. Não importa agora o porquê destes, simplesmente importa sentir que Ele não caminha só, leva sempre os amigos, o caminho de Cristo implica caminho de comunhão, tal como no caminho de Emaús.
E lá, no alto do monte, manifesta-se a Glória de Deus; Cristo é já um Homem Glorificado: a luz das suas vestes e a mudança maravilhosa do Seu semblante no-lo revelam, Cristo é Ele mesmo a Glória do Pai.Moisés e Elias representam algo que fica na história das consecutivas Alianças de Deus com o Povo, através da Lei e da palavra dos Profetas. Mas estes não são a definitiva Aliança, essa é Jesus Cristo, o Filho amado que devemos escutar. Ele é a Palavra última do Pai que, por Ele e n’Ele, se manifesta em Glória. Cristo é a certeza de que o caminho da Lei e dos Profetas jamais morrerá e que, a Sua morte, é a continuação do caminho da vitória, da Luz, da Gloria.
E os três discípulos ali estão, com medo e ao mesmo tempo maravilhados.
“Façamos aqui três tendas…”. Pedro pede mas não para si nem para os outros dois. A maravilha e o espanto é tão grande que parecem esquecer-se deles mesmos.
Três tendas para que Cristo não deixe de ser Glória do Pai junto dos Crentes, os “filhos de Abraão” (Gn 15, 5-12), aqueles por quem Paulo chora por se haverem esquecido de Deus e olharem apenas para o seu próprio umbigo, aqueles a quem exorta a serem seus imitadores como ele o é de Cristo (Fil 3, 17-20).
Três tendas porque é bom estar com Cristo: “É tão bom estarmos aqui…”.
Pergunto a mim mesmo se Cristo quer que lhe construmamos uma tenda, tal como fazemos nos acampamentos de escuteiros ou em tempo de férias, para nos abrigarmos do frio ou da chuva, do calor do dia ou da escuridão da noite.
Subir ao monte sem tendas é o melhor caminho a fazer. O encontro com o Pai deve ser momento de desprendimento total, sem tendas, sem espectativas, mesmo que cansados da caminhada, com os pés doridos, o estômago vazio e os olhos pelejados de sono.
Subamos ao encontro do Pai. Ele já nos espera e a Sua tenda é o Seu coração. Não somos nós que devemos fazer uma tenda para Cristo, outra para Moisés e outra para Elias. Estar ali, diante da maravilha que é sentir o amor infinito de Deus, é já sentir-se dentro da tenda que é o coração deste Pai que nos acolhe em Sua casa.Que estas três tendas, neste tempo da quaresma, possam ser cada passo que damos para encontrar Deus na maravilha do rosto de cada irmão.
Que nos sintamos deslumbrados diante da Luz de Cristo, na oração, na partilha e na comunhão com os outros.
Assim diremos como Pedro: “como é bom estarmos aqui…” e acrescentaremos simplesmente como em Emaús: "Fica connosco, pois a noite vai caindo e o dia já está no ocaso." (Lc 24, 29b)E Cristo certamente montará a Sua tenda na nossa vida…

PARABÉNS SANTO PADRE

Caríssimos Amigos, paz e bem!

Faz hoje um ano que o mundo, em grande espetativa, depois de ver sair o fumo branco da chaminé da Capela Sistina, ouve o eco mais aguardado de Católicos e também, ainda que por mera curiosidade, não Católicos: “Habemus Papa”. Franciscus/Francisco é o seu nome.
Um ano passou e que testemunho de vida nos tem dado o Papa Francisco. Assumiu para si, mais que o Primado de Pedro, o Primado dos Pobres e da opção pelos Pobres, algo que o santo de Assis, de quem toma o nome, havia feito contra tantas correntes na Igreja do seu tempo, o primado que dá lugar aos pobres a quem tantas vezes se recusa a dignidade e a ajuda, a palavra e a voz, a casa e o pão, o amor e o coração.
Para celebrar este ano de graça para todos nós deixo, mais que palavras, o vídeo feito pela Igreja Portuguesa e que nos mostra um pouco quem é o Papa Francisco
DOSSIER SOBRE ESTE ANO DE PONTIFICADO

Lançamento do Livro


Lançamento da obra “ O Escutismo e a Transmissão da Fé”
Pedro Silva, Fr. Albertino, P. Luís e Pedro Ribeiro

Decorreu, ontem, dia 6 de março, na sede do Corpo Nacional de Escutas (CNE), em Lisboa, o lançamento oficial do livro “O Escutismo e a Transmissão da Fé”, da autoria do Fr. Albertino Rodrigues (Franciscano). A cerimónia decorreu de forma muito simples mas muito calorosa, sob coordenação do Secretário Nacional Pedagógico, Pedro Duarte Silva, e como oradores o P. Luís Marinho, Assistente Nacional, e o Dr. Pedro Ribeiro, Dirigente e Amigo.

Capa do Livro

A obra foi apresentada pelo P. Luís Marinho que, no essencial, comparou a obra a uma casa familiar, isto é, uma casa sobejamente conhecida. No caso presente, um regresso do autor ao meio que conhece bem, o Escutismo, tal como fazem os elementos duma família. Além disto, comparou ao indispensável travejamento da casa os 4 capítulos do livro tendo abordado de forma mais calorosa e desenvolvida o último capítulo “ Caminhos a Percorrer”.

Na análise ao capítulo destacou seis ideias que merecem aprofundamento: 1 – a globalização propicia choques culturais e de gerações e o Escutismo tem o dever de ser um meio de tolerância e compreensão recíproca, contudo esta tolerância não pode ascender à indiferença e não comunhão. Ao escutismo católico pede-se testemunho de Vida Cristã; 2 – a secundarização da espiritualidade no Escutismo. Recordou o Escutismo inglês que lançou a possibilidade do Compromisso com Deus estar ausente das Promessas; 3 – a importância da vivência e participação dos Escutistas nos Sacramentos, práticas muito defendidas pelo autor; 4 – novas formas de comunicação do Escutismo entre as quais a ocupação do espaço cibernético, indo também ao encontro do pedido do Santo Padre Francisco; 5 - Escutismo e a transmissão da Fé constituem o “coração” do livro. Referiu o P. Marinho que, como o próprio livro a certa altura refere[1], ocupar bem os jovens permite “O encontro” consigo e com Deus; 6 – O escutismo e a ecologia, “Mais uma entrada na casa comum”, uma vez que este tema é muito familiar do espírito franciscano.

 Por fim, o Assistente Nacional sublinhou a importância da casa/Escutismo utilizar bem os recursos de inteligência e de elevada preparação académica de que dispõe para encontrar o melhor caminho que leve à transmissão da Fé nas ações e decisões do Movimento.

Depois da alocução do Assistente Nacional, o Dr. Pedro Ribeiro, enquanto Dirigente do CNE e Amigo de longa data do Fr. Albertino, partilhou alguns momentos que fundamentam a profunda amizade que existe entre ambos, quer relativamente a episódios da sua vida privada quer como impulsionador de profunda espiritualidade cristã no Agrupamento onde é Dirigente, Carnide, factos que levam a concluir que além de ser um intelectual é, sobretudo, vivência e testemunho que induz à integração da Igreja no Escutismo bem como do Escutismo na Igreja.

Foi um momento alegre e bem-disposto onde brilhou a componente humana e de Sacerdote empenhado do Fr. Albertino, que lança desafios e faz catequese nas homilias.

Por último, o Frei Albertino, depois de agradecer o momento, revelou algumas particularidades do seu percurso no Escutismo, mormente que inicialmente “não gostava do Escutismo”. O seu ingresso, ainda em tempo de formação como seminarista, deveu-se à ação dos Dirigentes do Agrupamento de Carnide que lhe lançaram o desafio de renovar e rejuvenescer os caminhos da Fé naquele Agrupamento, não deixando de recordar o Agrupamento da Pontinha que ajudou a fundar, os percursos escutistas nas Regiões de Lisboa, leiria e Braga, e a atual missão como Dirigente e Assistente do Agr. 888 da Estrela, em Lisboa.

Depois de sublinhar diversos episódios, relativamente às dificuldades que teve no desenvolvimento da obra, nomeadamente a ausência de fontes documentais, e de agradecer a alguns Amigos a ajuda e o incentivo que sempre foram na motivação para não desistir deste projeto, concluiu a sua intervenção lendo algumas frases e referindo, com muita alegria, que, finalmente, tinha encontrado o “Pedacinho de Deus”, de que Baden Powell falava e que é dom de Deus em qualquer escuteiro.

"Lídia"

[1]  Na pagina 114.

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