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ADVENTO: Preparai os caminhos do Senhor... e toda a criatura verá a Salvação de Deus.

Paz da Justiça e Glória da Piedade!


No Advento, vários símbolos nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo de salvação.
Entre eles a coroa do Advento.
Feita de ramos verdes entrelaçados, forma um círculo, no qual são colocadas 4 velas que representam as 4 semanas do Advento. A celebrarmos o segundo Domingo acendemos mais uma vela. Mas que nos traz de novo a liturgia?

Vejamos o que nos diz o Profeta Baruc 5, 1-9
Já leram?
Podem fazê-lo através da Bíblia on-line, aí na coluna da direita.
A mulher israelita que perdia o marido ou um filho vestia-se de luto, sentava-se no chão, não se ungia com perfumes, não preparava alimento. Tentava, assim, revelar a todos a sua dor, o seu desespero.
Este texto compara Jerusalém a uma viúva desolada, como referência a um dos mais dramáticos acontecimentos da história de Israel: a Cidade Santa foi destruída; os seus habitantes acorrentados e deportados; o seu território devastado.
Passados muitos anos, após a tomada de Jerusalém por Nabucodonosor, Deus fez surgir de entre os desterrados da Babilónia um profeta e enviou-o a anunciar esta mensagem de esperança e de alegria: «Jerusalém, tira as vestes de luto e de aflição; reveste-te para sempre dos adornos da glória que te vem de Deus.»
Como sinal de transformação, Jerusalém recebe nomes novos: «Paz da Justiça e Glória da Piedade!»
O nome identifica a pessoa. Mudar o nome é atribuição de nova personalidade. Jerusalém tem novo rumo: tornar-se-á lugar onde reinará a verdadeira paz, fruto da justiça.
Na nossa relação com Deus, connosco, com os outros e com todos os seres criados, com que nome novo nos queremos identificar?
Poderá Deus chamar-me lugar de paz, de partilha, de justiça, de amor em fraternidade universal?
E com que nome novo poderemos indicar a nossa família, a nossa comunidade cristã e mesmo a nossa nação?
A nossa missão é:
* colaborar na realização do projecto libertador que Deus nos oferece em Cristo Jesus;
* permanecer na fidelidade ao amor com que Deus nos ama, amando-nos uns aos outros.

Vejamos ainda o que nos diz Paulo com a Carta aos Filipenses 1, 4-6.8-11
Os Israelitas iniciam a sua oração com uma ‘bênção’; só depois apresentam ao Senhor os seus pedidos.
Este texto é esse exemplo de oração judaica composta por duas partes:
1ª - (vv. 4-6) – Paulo reconhece as maravilhas que Deus realizou em Filipos e ‘Abençoa-O’, isto é, dá-Lhe graças.
2ª - (vv. 9-11) – pede a Deus que, entre os Filipenses (a primeira comunidade cristã da Europa).
Reconhecemos as maravilhas que o Espírito realiza em nós: os nossos relacionamentos já são bons, em amizade, em ajuda mútua e fraterna.
Damos-lhe graças com esta certeza e confiança:
1º Tu, Senhor, que começaste em nós tão boa obra, hás-de levá-la a bom termo até ao dia de Cristo Jesus, como fizeste em Filipos.
2º Faz-nos, Senhor, anunciadores do Evangelho com palavras e por obras, como Evangelho vivo.

Meditemos também no Evangelho de Lucas 3, 1-6

Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas e toda a criatura verá a salvação de Deus.
Neste trecho do Evangelho, Lucas, o evangelista do Ano C, faz uma introdução histórica, para nos dizer que a intervenção de Deus na história da humanidade aconteceu num momento preciso e num lugar bem definido.
Em seguida, introduz em cena a primeira personagem, o Baptista:
«foi dirigida a Palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto».
Do lugar da sua vocação, o deserto, João vai para a região do Jordão. Anuncia um baptismo de conversão para o perdão dos pecados.
Para esclarecer a missão que João é chamado a desempenhar, Lucas cita uma frase do profeta Isaías:
«Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. Sejam alteados todos os vales e abatidos os montes e as colinas; endireitem-se os caminhos tortuosos e aplanem-se as veredas escarpadas; e toda a criatura verá a salvação de Deus’ (Is 40, 3-5)».
Esta linguagem deve ser entendida como símbolo de uma outra realidade.
Na linguagem bíblica:
· os caminhos tortuosos são as escolhas insensatas, as situações de injustiça
· os vales que urge altear são as desigualdades económicas
· os montes e as colinas representam ‘a vã soberba de mandar’, a arrogância de quem pretende de todas as formas impor-se com altivez para dominar os que não lhe fazem reverências nem obséquios.
O Reino de Deus é incompatível com atitudes altaneiras e redutoras da dignidade da pessoa e do amor preferencial de Jesus pelos mais deserdados.
Confrontando a realidade que vivemos com esta Palavra, dá-nos vontade de afirmar: nada mudou. Estamos nas mesmas circunstâncias.
Surge e renova-se a promessa: “toda a criatura verá a salvação de Deus”
Deus não reserva a sua salvação a alguns privilegiados. Ele oferece-a a todos.
Ninguém será excluído por Ele.
O ser humano, considerado no seu aspecto frágil e sujeito ao fracasso, comete erros, sofre a solidão e o abandono.
Mas o Senhor proclama: mesmo o abismo de culpa, por mais profundo e escuro que seja, será visitado e iluminado pelo seu amor: “toda a criatura verá a salvação de Deus”

A Igreja é o novo povo de Deus.
Somos vocacionados ao amor.
Eis que o Senhor vem sempre de novo, com o seu amor fiel.
Em caminhada de Advento, preparemos os caminhos do Senhor. Ele conta connosco.
E dá-nos a certeza de que nada O impedirá de realizar, connosco, o seu sonho de AMOR.

Ir. Maria Rosária Nunes (F. M. M.)

Advento: Tempo da esperança



(Mt.8,5-11) – Muitos virão

O Advento celebra a vinda do Senhor.
Com a Igreja que espera, toda a Humanidade vive em Advento, em caminhada de Esperança e libertação…
Mas Aquele que esperamos já veio, e a Sua presença actua em nós agora pela expectativa e busca de cada instante. Não sou eu que busco a Cristo, mas é Ele que me busca a mim. Não O buscaríamos se não o tivéssemos já encontrado. O mais difícil não está em eu encontrar Deus, mas em deixar-me encontrar por ELE
Nesta caminhada de Advento vamos reproduzir e completar em nós o que falta ao Cristo total.
A meta é Cristo… Todos os caminhos dos homens começam e terminam n´Ele.

Advento é tempo de Esperança.
É Deus que vem salvar. Chamam pelo Messias, o Ungido do Senhor, todas as dores e cativeiros do homem. Convergem para ELE todos os anseios e buscas de Felicidade, todos os erros e desenganos. Deus escondeu no homem tais exigências, que só no Verbo encarnado podiam encontrar resposta. Muitos O buscam, chamam por ELE mesmo sem o saberem…

Vejamos o centurião do Evangelho! Vem ao encontro de Jesus animado duma grande Fé. Viu o seu servo curado porque acreditou… Como ela, também nós caminhamos na Fé, envoltos na nuvem de promessas e esperanças, em Advento continuo até ao fim. É Deus que nos busca e entra em casa a curar paralisias, que se atravessam nos caminhos da Fé e do Amor. A Terra Prometida é o Prometido do Pai, que nos vai nascer em Belém…
«Senhor eu não sou digna»!...


Com o Advento, tem inicio o novo Ano Litúrgico.
Estamos sempre a recomeçar. Graças a Deus que nos dá sempre mais uma oportunidade! A vida é um permanente reinício, e é isso que a torna interessante e atractiva. Avança-se nos anos, e adensa-se o mistério da existência. Estamos sempre em Advento, pois cada fim traz consigo, doado por Deus, um recomeço e um convite a um aprofundamento e uma intensificação da nossa vida.
Como recomeçar? Começar com quê, de que modo? Voltando a querer ser criança?
Assim começou Deus, na Incarnação. No fundo de nós mesmos, está a criança que confia, acredita, espera e Ama… Vamos despertar e dar vida nova a esse «menino bom» que temos no fundo do coração! Como os pequeninos, ergamos os olhos para o alto, prontos a escolher o que nos é dado, de cima!
«Deixai vir a Mim os pequeninos!» (Lc.18,16)
A nós o Evangelho convida-nos a «cobrar ânimos e levantar a cabeça» (Lc.21,28).
Com os olhos no alto, libertamo-nos dos apegos ao passado e perdemos o medo do futuro. Advento: tempo de acarinhar a criança que temos dentro de nós, vivendo no «hoje», concentrados nas tarefas que nos estão confiadas, despreocupados do passado e do porvir, irradiando a tranquilidade que possuímos no coração…

Vivemos para o futuro, que dá sentido e intensidade ao presente. «Vem Senhor Jesus!», proclamamos em todas as Eucaristias, após a Consagração. ELE vem pela Comunhão, pela Palavra, pelo sorriso, pelo olhar, pela escuta, pela ternura, pelo acolhimento, pela união fraterna. De novo há-de vir como Juiz Amigo, a fim de nos premiar pelo que tivermos feito por ELE nos nossos irmãos…

Reflictamos pessoalmente:

1. Jesus continua hoje a querer encarnar no mundo. Entrar na história dos homens e na minha.
Como me preparo para O receber?
Como preparo o muno à minha volta para O receber?

2. O Advento é tempo de “afinar” a nossa capacidade de reconhecer a Sua presença no dia a dia. Nas situações, pessoas, leituras, oração, Eucaristia…
Como me abro a essas vindas?

3. Os Magos, João Baptista, Maria, José…quatro figuras do Advento, diferentes atitudes, diferentes formas de abertura ao encontro e de preparação da vinda do Senhor.
Com qual me identifico mais?
Que atitudes me parecem mais importantes actualizar na minha vida, tornar presentes no mundo em que vivo?

Vivamos o Advento…

Lena

Cristo Rei e Senhor do Universo


“O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória e poder através dos séculos” (Ap 5,12; 1,6). Estas palavras são da Antífona de Entrada da Solenidade de hoje e dão o sentido profundo desta celebração de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo.
Uma pergunta que pode vir – deveria vir! – ao nosso coração é esta: Jesus é Rei? Como pode ser Rei, num mundo paganizado, num mundo pós-cristão, num mundo que esqueceu Deus, num mundo que ridiculariza a Igreja por pregar o Evangelho e suas exigências?... Pelo menos do Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo o mundo não quer saber... Como, então, Jesus pode ser Rei de um mundo que não aceita ser o seu reinado? E, no entanto, hoje, no último domingo deste ano litúrgico de 2009, ao final de um ciclo de tempo, voltamo-nos para o Cristo, e o proclamamos Rei: Rei de nossas vidas, Rei da história, Rei dos cosmo, Rei do universo. A Igreja canta, neste dia, na sua oração: “Cristo Rei, sois dos séculos Príncipe,/ Soberano e Senhor das nações!/ Ó Juiz, só a vós é devido/ julgar mentes, julgar corações”. O texto do Apocalipse citado no início desta meditação dá o sentido da realeza de Jesus: ele é o Cordeiro que foi imolado. É Rei não porque é prepotente, não porque manda em tudo, até suprimir nossa liberdade e nossa consciência. É Rei porque nos ama, Rei porque se fez um de nós, Rei porque por nós sofreu, morreu e ressuscitou, Rei porque nos dá a vida. Ele é aquele Filho do Homem da primeira leitura: “Foram-lhe dados poder, glória e realeza, e todos os povos, nações e línguas o serviam: seu poder é um poder eterno que não lhe será tirado, e seu reino, um reino que não se dissolverá”. Com efeito, o reinado de Cristo não tem as características dos reinados do mundo.
(1) Ele é Rei não porque se distancia de nós, mas precisamente porque se fez “Filho do homem”, solidário conosco em tudo. Ele experimentou nossas pobrezas e limitações; ele caminhou pelas nossas estradas, derramou o nosso suor, angustiou-se com nossas angústias e experimentou tantos dos nossos medos. Ele morreu como nós, de morte humana, tão igual à nossa. Ele reina pela solidariedade.
(2) Ele é Rei porque nos serviu: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). Serviu com toda a sua existência, serviu dando sempre e em tudo a vida por nós, por amor de nós. Ele reina pelo amor.
(3) Ele é Rei porque tudo foi criado pelo Pai “através dele e para ele” (Cl 1,15); tudo caminha para ele e, nele, tudo aparecerá na sua verdade: “Quem é da verdade, ouve a minha voz”. É nele que o mundo será julgado. A televisão, os modismos, os sabichões de plantão podem dizer o que quiserem, ensinarem a verdade que lhes forem conveniente... mas, ao final, somente o que passar pelo teste de cruz do Senhor resistirá. O resto, é resto: não passa de palha. Ele reina pela verdade.
(4) Ele é Rei porque é o único que pode garantir nossa vida; pode fazer-nos felizes agora e pode nos dar a vitória sobre a morte por toda a eternidade: “Jesus Cristo é a testemunha fiel e verdadeira, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra”. Ele reina pela vida.
Sim, Jesus é Rei: “Eu sou Rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo!” Mas seu Reino nada tem a ver com o triunfalismo dos reinos humanos – de direita ou de esquerda! Nunca nos esqueçamos que aquele que entrou em Jerusalém como Rei, veio num burrico, símbolo de mansidão e serviço. Como coroa teve os espinhos; como cetro, uma cana; como manto, um farrapo escarlate; como trono, a cruz. Se quisermos compreender a realeza de Cristo, é necessário não esquecer isso! A marca e o critério da realeza de Cristo é e será sempre, a cruz!
Hoje, assistimos, impressionados, a paganização do mundo, e perguntamos: onde está a realeza do Cristo? – Onde sempre esteve: na cruz: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”. O Reino de Jesus não é segundo o modelo deste mundo, não se impõe por guardas, pela força, pelas armas: meu Reino não é daqui! É um Reino que vem do mundo do amor e da misericórdia de Deus, não das loucuras megalomaníacas dos seres humanos. E, no entanto, o Reino está no mundo: “Cumpriu-se o tempo; o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15); “Se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demónios, então o Reino de Deus já chegou para vós” (Lc 11,20). O Reino que Jesus trouxe deve expandir-se no mundo! Onde ele está? Onde estiverem o amor, a verdade, a piedade, a justiça, a solidariedade, a paz. O Reino do Cristo deve penetrar todos os âmbitos de nossa existência: a economia, as relações comerciais, os mercados financeiros, as relações entre pessoas e povos, nossa vida afectiva, nossa moral pessoal e comunitária.
Celebrar Jesus Cristo Rei do Universo é proclamar diante do mundo que somente Cristo é o sentido último de tudo e de todos, que somente Cristo é definitivo e absoluto. Proclamá-lo Rei é dizer que não nos submetemos a nada nem a ninguém, a não ser ao Cristo; é afirmar que tudo o mais é relativo e menos importante quando confrontado com o único necessário, que é o Reino que Jesus veio trazer. Num mundo que deseja esvaziar o Evangelho, tornando Jesus alguém inofensivo e insípido, um deus de barro, vazio e sem utilidade, proclamar Jesus como Rei é rejeitar o projeto pagão do mundo atual e proclamar: “O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele a glória e poder através dos séculos”. Amém (Ap 5,12; 1,6).

Eis a grande lição da Festa deste hoje: o tempo, a história, o cosmo... tudo corre para Jesus: ele é o Alfa e o Ómega, o A e o Z, o Primeiro e o Último! É nele, no critério da sua cruz, que tudo será avaliado, tudo será julgado! Ao Reinado de Cristo, um Dia – no seu Dia - tudo estará plenamente submetido! Mas, nunca esqueçamos: aquele que é nosso Rei e Juiz é o nosso Salvador, o humilde Filho do Homem, que se manifestará revestido de glória porque morreu por nós: “Jesus Cristo é a Testemunha fiel, o Primogénito dentre os mortos, o Soberano dos reis da terra”.
A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

(in, http://costa_hs.blog.uol.com.br)

Palavra que chama e envia

Terminámos a Semana de Oração pelos Seminários sob o tema: "Palavra que chama e envia".
Faz hoje um ano que fiz o primeiro clip de vídeo. Com os mesmos meios caseiros partilho a minha reflexão. Agora teria feito de forma diferente contudo, dado o tempo que leva a fazer um clip de vídeo, deixo assim.
Perdoareis a pobreza mas também a este nível ainda tenho um longo caminho a percorrer.
Que Deus a todos vos abençoe.
(desactivar a música do blog, coluna da direita ao fundo, para ouvir o vídeo)

Seminários: PRESENÇA E ESPERANÇA




Mensagem para esta Semana dos Seminários:

1. Temos seminários em quase todas as dioceses de Portugal e em muitos dos institutos

religiosos. Os seminários são instituições que inscrevem no chão sagrado dos seus edifícios as marcas do tempo e da história e elevam nos traços que exteriormente os identificam os sinais da presença da Igreja.

Alguns destes seminários trazem consigo a memória viva de muitos séculos; outros mais recentes afirmam-se nos primeiros passos que agora começam a dar.

Recebi há dias um belo texto com o título: Padres Jovens de Hoje. Assim se apresenta, através do testemunho de vários padres jovens que ali consolidaram a vocação e dali partiram rumo à ordenação de presbíteros, um dos mais recentes seminários maiores de Portugal.

Nesta nova fase, o Seminário Maior de S. Paulo de Almada, na Diocese de Setúbal, tem apenas dez anos de existência. O antigo convento dominicano, fundado em 1569, foi mais tarde, em 1935, Seminário do Patriarcado e desde 1999 é Seminário Maior da recém-criada Diocese de Setúbal. Nestes dez anos são já vários os sacerdotes que falam deste Seminário em jeito de testemunho e são outros tantos aqueles em quem o valor e a missão do seminário se revelam, como se o percurso de vocação e do ministério se identificasse com a casa onde viveram e sobretudo com a instituição que os formou.

Os seminários existem para formar sacerdotes da Igreja, como pastores segundo o Coração de Cristo, o bom Pastor. Permanecem instituições necessárias e no contexto presente da formação são mesmo insubstituíveis.

Os seminários não são apenas as casas com mais ou menos história, com mais ou menos

beleza. Os seminários são os alunos, os formadores e quantos ali trabalham, rezam e colaboram tantas vezes como beneméritos anónimos, discretos e activos. Os seminários são escolas ao modo da escola do Mestre onde se aprende a ser discípulo de Jesus e onde se preparam os apóstolos de hoje.

Vemos surgir no nosso tempo paradigmas novos de formação sacerdotal e seminários com percursos específicos, centrados na comunhão eclesial e no acolhimento das orientações da Igreja. Sentimos que nesta necessária abertura ao Espírito, que é alma da Igreja, todos somos chamados a assumir os seminários e a formação dos novos sacerdotes como uma missão essencial da vida dos cristãos e das comunidades.

2. O Santo Padre Bento XVI convida-nos a viver este ano como Ano Sacerdotal, na evocação dos 150 anos da morte do Santo Cura d’ Ars. Muitas das iniciativas pensadas e programadas para a vivência deste Ano Sacerdotal gravitam em torno do Seminário, daí nascem e daí se projectam em toda a Igreja, verdadeiro povo sacerdotal.

A fidelidade do sacerdote, aprendida e renovada diariamente na fidelidade de Cristo é não apenas o lema deste Ano Sacerdotal mas certamente uma das afirmações mais belas da Igreja e um dos testemunhos mais válidos a fazer surgir novas vocações e a ajudar a perseverança daqueles que se sentem chamados.

O amor pelos seminários, expresso em gestos de oração, de afecto e de generosidade, afirma um belo testemunho de vida eclesial, constitui um sinal de gratidão pelo bem ali realizado, faz despertar a gratidão por quantos ali dedicadamente trabalham, torna presente diariamente os seminários na vida dos sacerdotes e abre os seminários às comunidades cristãs.

O Ano Sacerdotal deve levar cada vez mais os sacerdotes aos seminários e deve aproximar os seminários das comunidades cristãs.

É nesta comunhão e nesta proximidade que cada sacerdote se revigora e fortalece também e que as comunidades se apercebem do valor do seminário como presença e esperança no coração da Igreja.

Esta Semana dos Seminários vivida em pleno Ano Sacerdotal tem certamente mais afirmado ainda este carisma vocacional para fazer despertar na Igreja, povo sacerdotal, vocações para a vida sacerdotal.

3. O VI Simpósio do Clero de Portugal, aberto a todos os sacerdotes e seminaristas maiores, foi um momento de bênção neste Ano Sacerdotal. A participação de cerca de 1000 sacerdotes, o conteúdo das mensagens recebidas, o ambiente ali vivido, a partilha feita, a beleza litúrgica das celebrações e os tempos mais prolongados de oração imprimiram a este Simpósio um espírito de alegria, de comunhão e de esperança.

Importa aproveitar esta Semana dos Seminários para inspirar deste ambiente, vivido no Simpósio, e da mensagem aí recebida os seminários e os presbitérios de Portugal. As Actas do Simpósio serão publicadas ainda antes da Semana dos Seminários e podem constituir um belo contributo para reflexões mais demoradas e aprofundadas em cada seminário.

4. A Comissão Episcopal Vocações e Ministérios escolheu como lema desta Semana dos Seminários: Palavra que chama e envia.

A Palavra de Deus é a fonte inesgotável da vocação e alimento de vida para tantos jovens.

Os seminários são tempo de escuta desta palavra que chama e envia e espaço onde

ressoa a voz do Mestre.

Na escuta atenta da Palavra de Deus, rezada, celebrada, vivida e testemunhada, e no

acolhimento dócil da voz do Mestre sentimos que é Jesus que nos chama a segui-LO, como outrora aos primeiros discípulos, e nos envia a testemunhar com fidelidade e ousadia as razões da nossa esperança e a alegria da Boa Nova do Reino.

Para nos ajudar neste caminho e nos incentivar neste propósito, a Equipa Formadora do

Seminário Diocesano de Santa Joana Princesa, em Aveiro, a quem em nome da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios agradeço esta colaboração e este testemunho de comunhão, indica-nos alguns textos de oração e de reflexão para servirem os grupos de crianças e de jovens ou a comunidade cristã.

Desejam estes textos relançar neste momento propício da Semana dos Seminários alguns desafios à criatividade pastoral de cada Seminário e de cada Comunidade cristã ou Movimento apostólico. Todos sabemos do interesse pastoral e do dinamismo apostólico que as Semanas dos Seminário em cada ano despertam na Igreja em Portugal. Demos graças a Deus por todo o bem realizado e por tanta generosidade e dedicação aos Seminários encontradas no coração das pessoas e das comunidades.

5. Que Nossa Senhora, Mãe de Deus e nossa Mãe, nos anime na fidelidade e nos fortaleça na alegria e na comunhão para que os seminários sejam cada vez mais uma presença de graça, de bênção e de santidade no coração das nossas dioceses e na formação dos nossos presbitérios e um sinal de esperança na renovação da Igreja.

+António Francisco dos Santos

Bispo de Aveiro e Presidente da CEVM

Semana dos Seminários: Oração

ORAÇÃO DOS SEMINÁRIOS

Palavra incriada e criadora,

Palavra incarnada e reveladora,

Palavra do Pai, salvadora,

Palavra no Espírito Presente,

Palavra que convoca e provoca,

Palavra que chama e envia.


És Tu, Senhor Jesus,

a Palavra definitiva da História;

És Tu, Senhor Jesus,

a Palavra do Pai que se faz ouvir

pela força do Espírito Santo;

És Tu, Senhor Jesus,

a Palavra que toda a humanidade espera.


Faz de nós instrumentos audazes e fortes

Para que a tua Palavra se faça ouvir

Na autenticidade do nosso testemunho,

Na coerência da nossa vida.


Faz de nós mensageiros fiéis e credíveis

Para que a tua Palavra seja recebida

Nos corações de tantos jovens

Que querem construir um mundo melhor,

Que querem colaborar na edificação do Reino,

Que querem encontrar o seu lugar na Igreja.


Faz, Senhor, que estejamos atentos à tua voz

Para que à primeira Palavra

nos levantemos sem demora

e avancemos de imediato para a missão.


Faz, Senhor, que o nosso testemunho

seja a nossa oração pelos Seminários

e pelos seminaristas e por todos os jovens

a quem a tua Palavra chama e envia. Ámen.

RETALHOS: 3 anos de vida!

RETALHOS… quais pedaços de vida onde o importante é fazer parte da vida de alguém…

Foi assim que há 3 anos nasceu o RETALHOS… já escrevi nos dois anos anteriores sobre os motivos que levaram a este nascimento, motivo principal a AMIZADE…
Passaram 3 anos e desde o dia em que inseri a contagem de visitas, no dia 20 de Novembro de 2007, o RETALHOS teve 55474 visitas.
Hoje dia 02/11/09 (22h15 – hora de Lisboa) visitaram o Retalhos Brasil 41, Itália 1, Austria 1, Portugal 25 estando neste momento 4 visitas online ambas em Portugal).
Os muitos Amigos que sois em todo o mundo, ou simples visitantes, sois a razão de ser deste espaço aberto a todos os que de boa mente aqui procuram um retalho de e para a vida bem como os que aqui deixastes retalhos e partilhas do vosso viver e sentir.
Quanta gratidão se sente numa hora destas.
Devo confessar-vos que muitas vezes apetece parar, esquecer que existe um RETALHOS e num único segundo (sim porque basta efectivamente um único clic) apagar tudo o que aqui se partilhou e continua a partilhar em RETALHOS 2.
Mas… muitas horas de dedicação e busca de melhorar cada dia e cada momento o blogue porque na verdade sinto essa responsabilidade para com todos os AMIGOS que sois vós.
O RETALHOS não parou e desde Janeiro que tem um seu par: o RETALHOS 2 e que tem já até este momento 19102 visitas desde o dia 01/01/09.
Não sei que dizer ou pensar… sinto um misto de alegria por estes três anos de dedicação, lembro os que me ajudaram no início a entender como funcionam estas coisas e hoje… tanto caminho percorrido e sozinho já vou criando e buscando novidades.
Deixo a cada um de vós que hoje visitais o RETALHOS em
http://betus-pax.blogspot.com ou o RETALHOS 2 em http://betus-pax2.blogspot.com a palavra da partilha e do crescimento destes grandes retalhos que pretendem ser uma manta de pedaços de AMIZADE. Sem os Amigos já não existiriam estes blogues, tal como acontece a tantos que nascem e nem deixam de ser crianças porque não crescem e não têm quem os queira visitar e mimar com o seu tempo e a sua palavra.
Se podemos dizer PARABÉNS RETALHOS… podemos e devemos dizer PARABÉNS AMIGOS…
O Retalhos continuará a ser um espaço de encontro, amizade, oração, louvor, música, partilha e opinião na certeza de que respeitaremos a opinião de quem quer que seja e a publicaremos desde que ela seja respeitadora dos valores da Amizade e do respeito para com pessoas, os seus pensamentos, a sua imagem.
Que Deus a todos nos ajude a ser no mundo cibernáutico um espaço o lugar da diferença…
Bem-hajam. Benedicat!

Dia de TODOS OS SANTOS

Celebramos hoje, uma vez mais, a Grande Solenidade de TODOS OS SANTOS, aqueles que já nos precederam na fé gozam a plenitude da Eternidade mas também todos quantos caminham connosco na fé e na busca do bem.
Celebrar todos os Santos é celebrar a Vida, a Fé, a Misericórdia, a Graça de Deus em nós. É unir num único louvor a Igreja Celeste e a Igreja Peregrina na terra.
Para entendermos esta Celebração fica este vídeo e no fim a tradução do mesmo.
Que todos os Santos e Santas de Deus intercedam por nós…
“O dia de todos os Santos é uma Solenidade Cristã instituida em honra de todos os Santos, conhecidos e desconhecidos, segundo o Papa Urbano IV. Nos paises de tradição Católica, celebra-se no dia 1 de Novembro.
A Igreja primitiva tinha o costume de celebrar o aniversário da morte de um mártir no lugar do martírio. A Igreja, sentindo que cada mártir devia ser venerado assinalou um dia comum para todos.
O primeiro vestígio desta Celebração remonta-se a Antioquia no Domingo antes da Festa do Pentecostes.
Menciona-se também um dia em comum num sermão de Santo Efrén, o Círio, no ano 373.
No início somente os Mártires e S. João Baptista eram honrados num dia especial. Outros santos foram sendo acrescentados (a estas Celebrações) gradualmente.
Gregório III consagrou uma Capela na Basílica de S. Pedro dedicada a todos os Santos e decretou o seu aniversário para o dia 1 de Novembro.
Na Basílica dos Apóstolos, que já existia em Roma, a sua dedicação celebrava-se anualmente no dia 1 de Maio.
Gregório IV estendeu a Celebração do dia 1 de Novembro a toda a Igreja.
Esta Celebração acabou por coincidir com a celebração pagã de “Samhain” no dia 31 de Outubro, festa que agora tem o nome de Halloween, que provém da frase “véspera de todos os Santos” entre os Anglo-Saxões, no final do ano Celta.”

Outubro: Mês do Rosário

AS ORIGENS DO SANTO ROSÁRIO

Deus na obra de salvação dos homens quis associar a Si, como colaboradora Sua, uma Mulher: Nossa Senhora, que tem o grande privilégio de ser a Mãe de Deus, e também exercer por vontade do mesmo Deus, o papel de Corredentora e Medianeira de todas as graças, a maior de todos os intercessores junto ao seu Filho Jesus, diante do trono da Santíssima Trindade.Como já dizia o maior Santo mariano, São Luis Maria Grignion de Montfort, falando da poderosa eficácia do Santo Rosário: "Ainda que estivésseis na beira do abismo, ainda que já tivésseis um pé no Inferno, ainda que tivésseis vendido vossa alma ao demônio, ainda que fôsseis um herege empedernido e obstinado, vós vos converteríes mais cedo ou mais tarde e vos salvaríes — desde que rezásseis todos os dias o Santo Rosário, devotamente, até a morte, para conhecer a verdade e obter a contrição e o perdão dos vossos pecados.
O Santo Rosário na forma como é rezado hoje foi inspirado à Igreja e dado pela a Santíssima Vírgem a São Domingos no ano de 1214 para converter os hereges albigenses e os pecadores, conforme relatou o Beato Alano de la Roche.
São Domingos vendo que os pecados dos homens impediam a conversão dos hereges, entrou numa floresta próxima a Toulouse e lá passou três dias e três noites em contínua oração e penitência.Para acalmar a cólera de Deus, não cessava de gemer, de chorar e de macerar o corpo com golpes de disciplina, a ponto de cair esgotado.
Nossa Senhora apareceu-lhe então, acompanhada de três Vírgens do Céu, e lhe disse: "Se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, prega o meu Rosário".
O Santo se levantou consoladíssimo e ardendo de zelo pela a salvação das almas, entrou na Catedral; imediatamente os sinos foram tocados por anjos para reunir os habitantes.
No começo da pregação, ouve uma tempestade espantosa; a terra tremeu, o sol se escureceu, trovões e relâmpagos repetidos fizeram estremecer e empalidecer os ouvintes. Seu terror aumentou ainda mais quando viram uma imagem da Santíssima Vírgem exposta em lugar de destaque, erguer os braços três vezes para o Céu para pedir vingança a Deus contra eles, se eles não se convertessem e não recorressem à proteção da Mãe de Deus.
O Céu queria, com esses prodígios, promover a nova devoção ao Santo Rosário e torná-la mais conhecida.A tempestade cessou afinal, pelas orações de São Domingos. Este prosseguiu a pregação e explicou com tanto fervor e entusiasmo a excelência do Santo Rosário, que quase todos os habitantes de Toulouse o adotaram e renunciaram a seus erros. Em pouco tempo, notou-se uma grande mudança nos costumes e na vida da cidade.
O estabelecimento do Santo Rosário dessa forma prodigiosa nos faz recordar o modo como Deus promulgou sua Lei no Monte Sinai, e torna manifesta a excelência desta santa devoção.
A devoção do Santo Rosário se conservou fervorosa até cerca de cem anos após a sua instituição. Depois, esteve quase sepultada no esquecimento. A malícia e a inveja do demônio com certeza contribuiram para tal esquecimento, e para que assim cessasse o fluxo das graças que o Santo Rosário trazia para o mundo.A Justiça divina castigou os reinos da Europa, a partir do ano 1349, com a mais terrível peste que jamais se vira. Surgida no Oriente, espalhou-se pela a Itália, Alemanha, França, Polónia, Hungria e devastou todas essas terras, de modo que de cem homens, somente um sobrevivia. As cidades, as aldeias e os mosteiros se despovoaram durante os três anos que durou a epidemia. E a esse flagelo de Deus ainda se seguiram outros.Quando pela misericórdia de Deus, tais misérias cessaram, a Santíssima Vírgem ordenou ao Beato Alano de la Roche, célebre doutor e famoso pregador da Ordem dominicana, que restabelecesse a antiga Confraria do Santo Rosário.
Desde o estabelecimento do Santo Rosário por São Domingos, até 1460, quando o Beato Alano o restabeleceu por ordem do Céu, ele foi chamado o Saltério de Jesus e de Maria, porque contém 150 Ave Marias, o mesmo número dos Salmo de Davi.
Depois disso, recebeu popularmente o nome de Rosário, que significa coroa de rosas. A Santíssima Vírgem aprovou e confirmou esse nome, revelando a várias pessoas que elas lhe ofereciam tantas rosas agradáveis como quantas Ave Marias, e tantas coroas de rosas como quantos Rosários rezássem.
As crónicas franciscanas contam que um jovem religioso tinha o louvável costume de rezar o terço diariamente, antes da refeição. Um dia, por uma razão qualquer, não o rezou, e quando tocou o sino para o jantar conseguiu do superior enviar um religioso para chamá-lo. Esse religioso o encontrou com a cela toda iluminada por uma luz celestial, e viu a Santíssima Vírgem com dois anjos. À medida que o religioso rezava as Ave Marias, belas rosas saiam de sua boca e os anjos as iam pegando uma após outra e as colocavam sobra a cabeça da Vírgem, que manifestava seu agrado... Nossa Senhora só desapareceu quando o terço estava totalmente rezado.
O Santo Rosário é, pois, uma grande coroa de rosas e o terço é um diadema, ou uma pequena coroa de rosas celestes que se põe sobre a cabeça de Jesus e de Maria.

In, http://mariachelli.multiply.com/reviews/item/149

Peregrinar: o caminho da Fé


O Mês de Outubro, como tantos outros meses em tantos paises, é para Portugal - a par com o mês de Maio - um tempo de peregrinações. São aos milhares aqueles crentes que caminham passo a passo rumo a Fátima ou outro Santuário.
Caminhar para louvar, agradecer, pedir ou simplesmente caminhar... Terço na mão e a vontade de chegar na mente e coração.
Neste Mês, e ao celebrarmos a última aparição de Nossa Senhora em Fátima, "Miguel" enviou-nos uma partilha pessoal mas que me parece ser de deixar a todos vós.
Que nos permita a todos reaprender o sentido do que é peregrinar a sério.
Obrigado Miguel


FAZER UMA PEREGRINAÇÃO…

- não é apenas uma questão de organização e logística.
- não é apenas ir para um determinado santuário.
- não é apenas cumprir com determinados preceitos e rituais.
- não é apenas dar vez e voz à dimensão religiosa da nossa existência.
- não é apenas verter lágrimas de emoção.
- não deve ser viver uns momentos cheios de entusiasmo e depois voltar tudo «ao normal» de sempre.

Poderia talvez continuar esta lista do que NÃO É ou NÃO DEVERIA SER uma peregrinação, pelo menos não exclusivamente.
Claro que é necessário organizar as coisas e tratar da logística; é necessário ir a um santuário e também cumprir com os rituais que fazem parte da nossa religião, dando mais atenção ao religioso na nossa vida…
Mas uma peregrinação não se restringe só a isto. Antes de mais, é fazer um caminho interior, espiritual. Não importa o meio de transporte exterior – se vou de avião, de navio, de comboio, de autocarro, de bicicleta ou a pé ou até de joelhos –, se não houver caminho por dentro, todos os quilómetros e todos os sacrifícios, por mais que sejam, não valem nada e não me aproximam de Deus.
Importa fazer caminho interior que me faça chegar mais perto de Deus e de mim mesmo. Aqui lembro as reflexões da Quaresma deste ano no “Retalhos”, pois para tal é forçoso largar o «excesso de bagagem», é despojar-se do supérfluo e de tudo o que dificulte a nossa caminhada ou que nos afaste de Deus. É levar só o absolutamente necessário para a peregrinação, e no mais entregar-se a Deus e confiar nELE.
Depois é abrir a mente e o coração ao agir de Deus.
É dispor-se a que Ele me trabalhe por dentro. Não querer ser eu a dizer a Deus o que Ele deve fazer e como deve conduzir a minha vida. Estar aberto às surpresas do Espírito. Viver em pleno cada momento da peregrinação. SABOREAR – dizem os Padres espirituais – como se fosse o melhor docinho do mundo. Deixar-me invadir pela PAZ e o AMOR que só Deus pode dar.
Peregrinar é também abrir-me ao que está ao meu lado.
Tomar consciência de que não sou um peregrino isolado, sozinho, mas que há outros peregrinos como eu, em busca de Deus e de sentido para a vida. É olhá-los, abrir-me a eles, ajudá-los no que puder, nem que seja só através de um olhar cúmplice de quem está na mesma estrada e tem o mesmo objectivo.
Por fim, é fazer como os Reis Magos: “regressaram ao seu país por outro caminho” (Mt 2, 12). Pode-se até tomar o mesmo caminho e o mesmo meio de transporte pelo qual se veio. No entanto, depois de uma experiência profunda de Deus, ninguém volta a ser o mesmo. Há um brilho diferente no olhar, há uma maneira diferente de encarar o quotidiano da vida – pelo menos nos primeiros tempos...
Permanece o desafio de não deixar empanar ou obscurecer ou até apagar a luz que Deus acendeu cá dentro num momento sagrado. Há que mantê-la acesa, com o brilho e a intensidade da primeira hora. Há que pôr sempre de novo lenha para que o fogo não se apague.

Tive, há dias, a oportunidade de fazer uma peregrinação muito especial a Fátima, na qual verifiquei e experiencei tudo o que descrevi acima. Como foi bom, à chegada, sentir os sacrifícios da preparação e do caminho altamente recompensados pelo olhar terno e acolhedor da Mãe! Como foi bom perceber que Deus, através de Maria, queria tocar no meu coração e acender a tal «luz nova»! Como foi bom fazer esta experiência em conjunto com outros, irmãos na Fé, companheiros de caminho! Como foi bom… Poderia continuar esta ladainha num sem-fim de louvor e acção de graças.

Que a peregrinação de um ou mais dias, que talvez neste mês de Outubro tenhamos feito, se prolongue pela vida fora e nos leve a bom porto – ao coração de Deus!

Miguel

Irmã Amélia premiada pela sua música...

PRÉMIO CONSAGRAÇÃO MÚSICA CATÓLICA

Casualmente, folheando uma revista de cariz franciscano, e agora no site das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição, deparei-me com uma notícia que muito me alegrou.
A Irmã Maria Amélia Costa (na foto), natural da ilha do Faial – Açores – Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição, foi recentemente distinguida com o Prémio Consagração 2007/2008, no âmbito dos prémios Kerygma da Música Católica.
“A distinção é feita ao melhor artista ou grupo, à melhor canção e ao melhor álbum.Segundo destaca um comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a Irmã Maria Amélia Costa desenvolve “há longos anos” um repertório musical, inspirando a “rezar cantando” com temas que “interpelam, convidando à reflexão e, sobretudo, nos transmitem a paz que vem de Deus”.Do seu percurso musical destacam-se os CDs como «Ele passou por aqui», «Como quem procura...», «Notícias de Deus», «Faz-te ao largo!», «Deus precisa de mim», «Pára um momento» e, mais recentemente, «No trilho da Luz».O Prémio Consagração é atribuído para “reconhecer a riqueza de um percurso de vida musical ao serviço da evangelização”, destaca o comunicado.”
Toda a sua vida de Religiosa tem sido dedicada ao serviço da evangelização, juntos das camadas mais jovens, pela sua presença que muito marca, a sua palavra que inspira paz e sobretudo a sua música que tem já cantores e fãs em várias gerações.
A Mana – assim nos tratamos há tantos anos – tem publicadas algumas cassetes e também já alguns cds com músicas que nos levam a encontrar o rosto jovem de Deus e o coração Irmão de Francisco de Assis.
A sua última publicação – cd “No trilho da Luz” – tem sido para mim um momento de muita oração e reflexão até porque, neste cd, a Irmã Amélia publica uma música que há uns anos atrás me dedicou, em tempo em que a minha vocação estava por um fio. Esta música “Eu sou teu filho também” é o grito de entrega confiante de quem se sente cansado com tudo o que o rodeia e ajoelha confiante diante da Mãe para lhe dizer “Avé Maria, educadora e minha Mãe, Santa Maria, eu sou teu FILHO também”.
Há mais de vinte anos que a nossa amizade e relação de irmãos é uma permanente e posso dizer hoje aqui que, numa altura em que eu estava para abandonar a Ordem, foi o acolhimento, o olhar irmão e a palavra da sabedoria que lhe vem do Ser Franciscana, que – em Fátima – me segurou ao projecto da Menoridade Franciscana.
Poucas vezes partilhei isto mas hoje não podia deixar de o fazer num gesto de partilha e alegria por ver a Mana reconhecida pela beleza e espiritualidade da sua música, música que tantas vezes já escutámos aqui, como esta que hoje escutamos: “Quem bom, Senhor, que bom é estarmos aqui…”
Amélia… é com muito carinho e gratidão que te saúdo e que peço que nunca desistas de rezar cantando e partilhar connosco a tua oração. Somos muitos os que, em várias gerações, temos a Irmã Maria Amélia Costa como ponto de referência na meditação e oração, na busca da paz que só tu sabes transmitir na nossa língua Lusa.
Neste ano em que a Congregação termina o processo de Canonização da Madre Fundadora – Irmã Maria Clara do Menino Jesus – imploro de Deus essa graça para que o carisma da Hospitalidade Franciscana continue e ecoar na tua e nossa voz, na presença dos filhos e filhas de Francisco de Assis.
OBRIGADO AMÉLIA PORQUE VIVES E NOS ENSINAS A VIVER O CARISMA DA HOSPITALIDADE FRANCISCANA.
“Onde houver o bem a fazer, que se faça!”
Tu já és há muito tempo “um arco íris de bem, de harmonia e esperança..!
Como sempre terminamos, beijinho amigo do Mano que reza.

Albertino OFM

Deixo-vos com uma das músicas desta autora, compositória e aqui ela mesma é interprete. Esta voz que canta e a mim, pelo menos, me encanta porque me leva à paz… escutem… “Arco íris de esperança” do album “No trilho da Luz” o último publicado pela Amélia.
(mais detalhes deste prémio em
http://www.provstmaria.com/2009/index.php?option=com_content&view=article&id=10:imac&catid=1:latest-news )

Francisco e a Irmã morte

Hoje celebramos o dia de S. Francisco de Assis.
Uma vez mais partilho com todos este texto que, para mim, sintetiza plenamente o espírito com que Francisco viveu e aceitou a irmã morte.
Neste ano centenário quero agradecer do fundo do coração a entrega e consegração de todos quantos, ao longos destes oito séculos, levaram a bom termo o Dom do Carisma da Menoridade Franciscana.
Que do céu o Poverello nos abençoe e nos guarde...
A Irmã Morte (Frei Nilo Agostini)

Ano de 1226. Francisco se acha muito debilitado. Seu estômago não aceita mais alimento algum. Chega a vomitar sangue. Admiram-se todos como um corpo tão enfraquecido, já tão morto, ainda não tenha desfalecido. Transportado de Sena para Assis, Francisco ainda encontra forças para exortar os que acorrem a ele. E aos irmãos diz: "Meus irmãos, comecemos a servir ao Senhor, porque até agora bem pouco fizemos". Ao chegar a Assis, um médico se apresenta e constata que nada mais resta a fazer. Ao que Francisco exclama: "Bem-vinda sejas, irmã minha, a morte!" E convida aos irmãos Ângelo e Leão para cantarem o Cântico do Irmão Sol, ao qual Francisco Acrescenta a última estrofe em louvor a Deus pela morte corporal.
Aproximando-se a hora derradeira, Francisco deseja ser levado para a capelinha de Nossa Senhora dos Anjos, na Porciúncula, onde tudo havia começado. Lá, num gesto de despojamento, de identificação com o Cristo crucificado e de integração com o Pai, pede que o deixem, nu, sobre a terra e diz aos frades: "Fiz o que tinha que fazer. Que Cristo vos ensine o que cabe a vós". Despede-se de todos os irmãos; abençoa-os; lembra-lhes que "o Santo Evangelho é mais importante que todas as demais instituições". Anima o seu médico, dizendo-lhe: "Irmão médico, dize com coragem que a minha morte está próxima. Para mim, ela é a porta para a vida!" E, então, canta o Salmo 142. Francisco parte cantando, cortês, hospitaleiro e reconciliado com a morte.
O canto de Francisco está baseado em uma percepção realista da morte: "Nenhum homem pode escapar da morte". Mas como pode ser irmã aquela que engole a vida, que decepa aquela pulsão arraigada em cada um de nós, fundada em um "desejo" que busca triunfar sobre a morte e viver eternamente? Francisco acolhe fraternalmente a morte. Nele realiza-se, de forma maravilhosa, o encontro entre a vida e a morte, em um processo de integração da morte.
Francisco acolhe a vida assim como ela é, ou seja, em sua exigência de eternidade e em sua mortalidade. Tanto a vida como a morte são um processo que perdura ao longo de toda a vida. A morte faz parte da vida. Como e despertar e o adormecer, assim é a morte para o ser humano. Ela não rouba a vida; dá a esse tipo de vida a possibilidade de outro tipo de vida, eterna e imortal, em Deus.
A morte não é então negação total da vida, não é nossa inimiga, mas é passagem para o modo de vida em Deus, novo e definitivo, imortal e pleno. Francisco capta esta realidade e abriga a morte dentro da vida. Acolhe toda limitação e mostra-se tolerante com a pequenez humana, a sua e a dos outros.
A grandeza espiritual e religiosa de Francisco no saudar e cantar a morte significa que já está para além da própria morte; ela, digna hóspede não lhe é problema; ao contrário, ela é a condição de viver eternamente, de triunfar de modo absoluto, de vencer todo embotamento do pecado que a transforma em tragédia. Francisco soube mergulhar na fonte de toda a vida. "Enquanto Deus é Deus, enquanto Ele é o vivente e a Fonte de toda a vida, eu não morrerei, ainda que corporalmente morra!" (L. Boff).

Irmãos e irmãs, nós queremos hoje, juntos, celebrar a memória da morte de São Francisco de Assis. Para ele, a morte é o grande momento de louvor que o ser humano presta a Deus. E ele fez de sua vida e de sua morte encontros que o colocaram no coração daquele que lhe deu a vida.
O que nós queremos é também neste momento, embeber nossa vida, o corpo e a alma desta fonte que é São Francisco, seu carisma, sua obra e seu ideal.
Façamos, também nós, dos nossos dias, dos dias que o Senhor nos dá, um grande hino de agradecimento e louvor a Deus, pois num homem tão frágil e tão pequeno quanto o foi São Francisco, Deus quis mostrar toda a sua misericórdia e confirmar seu amor para com todos os seres humanos.
Que este dia da memória da morte de São Francisco nos faça aprender a louvar e a bendizer a Deus por tudo: pela sua graça, por sua misericórdia, por sua vida, por sua presença.

Com João Paulo II rezemos:
Francisco de Assis:
tu que tanto aproximaste Cristo da tu época,
ajuda-nos a aproximar Cristo da nossa época,
dos nossos tempos difíceis e críticos.
Ajuda-nos, Francisco.
Estes tempos esperam Cristo com grandíssima ansiedade...
Ajuda-nos, Francisco de Assis,
ajuda-nos a aproximar Cristo da Igreja e do mundo de hoje.
Tu que trouxeste no teu coração os altos e baixos de teus contemporâneos,
ajuda-nos, com o coração vizinho ao coração do Redentor,
abraçar as alternativas dos homens de nossa época.
Ajuda-nos a traduzir em simples linguagem do Evangelho,
os problemas sociais e políticos dos nossos dias,
as dúvidas, debandadas e negações,
as tensões, os conflitos, as inquietações e as guerras.
Ajuda-nos a iluminar o mundo com o Evangelho de Jesus
pare que ele possa ser caminho, verdade e vida par os homens e mulheres de hoje,
para os que sofrem e que perderam a esperança,
para aqueles que teu Senhor salvou pela entrega de sua vida.
Amém.

Varatojo: Palavra Criadora


(Varatojo - Missal Gregoriano - Coro alto)

Passadas algumas semanas, pós retiro, como prometido aqui estou a partilhar convosco o que a mim me ficou de cada uma das reflexões feitas pelo nosso irmão orientador.
O tema geral do retiro foi: “Palavra de Deus na vida de cada um através das emoções”.
Estamos diante de uma reflexão, acerca da Palavra de Deus na nossa vida, numa perspectiva da psicologia humana.
Assim a primeira reflexão refere-se à Palavra de Deus Criadora.

Deus falou ao longo da história humana, pelos profetas e continua a falar no nosso tempo de muitos e diversos modos, como aliás no-lo recorda o Concílio.
A Palavra é assim, ao longo dos séculos, escrita, gravada no coração do Homem, Palavra necessária no tempo da tribulação, da tentação como Palavra que dá Vida e que revela a presença de Deus em todas as circunstâncias do nosso viver.
Ontem, tal como hoje, muitas vezes não queremos escutar mas sim ver a Palavra. Ora, Deus é mistério e n’Ele o ver não pode ser igual ao escutar.
Querer ver a Deus e à Sua Palavra tem atrás de si mesmo a atititude de posse. Ver é tomar para si o objecto da visão, assenhoriar-se dele e de Deus jamais nos podemos assenhoriar, nem mesmo da Sua Palavra.
É mais fácil apanhar, ou mesmo agarrar, o que vemos do que aquilo que escutamos, como se de uma foto se tratasse e que está ali, diante de nós, inerte e sem vida, apenas é nossa e a olhamos mas não tem vida.
Querer escutar a Deus e à Sua palavra tem atrás de si uma atitude completamente diferente. Mais do que ter a posse de, é querer gerar dentro de nós, em todos os aspectos da nossa Vida a mesma Palavra revelada. Ora esta é uma atitude produtiva da graça que santifica e cria em nós a Vida.
Escutar é algo que implica muito mais que ver, é ir ao encontro do Outro na intimidade, e permitir ser marcado por Ele, de forma vital nessa mesma intimidade. Ora isto implica da nossa parte uma atitude de escuta permanente daquilo que o Outro é em mim e que eu sou para o Outro – Deus…
No Antigo Testamento, Deus deixa-se ouvir frequentemente, quer ser escutado pelo Seu Povo, mas nunca se deixa ver tal como Ele é. A Palavra de Deus é o que comanda e gera vida nos que O escutam. Por isso somente Moisés vê a Deus face a face e por isso mesmo nem sequer pôde entrar na Terra Prometida.
Permanentemente Deus diz: “Escuta Israel…”
É verdade que nós gostamos mais de ver do que de escutar mas o dom da fé é o dom da escuta constante onde Deus se revela e mostra caminhos difíceis para O seguir mas que não existem outros que conduzam à Salvação.
Da parte do crente se espera a atitude de diálogo e escuta permanentes com Deus fazendo da Vida, oração e da oração, a Vida fazendo um inter-câmbio permanente entre a nossa palavra e a Palavra de Deus, criadora de Vida. O nosso Deus é um Deus dialogante, cria o mundo e as coisas manifestando-se ao Homem pela palavra, falando… como no-lo recordam os relatos da criação no livro do Génesis: “Deus disse… faça-se!”
A palavra hoje aparece aos nossos olhos como algo sem sentido, gasta de conteúdos, desacreditada, por isso as nossas palavras não nos ajudam a transmitir Deus de forma compreensível contudo, Ele quer continuar a dialogar e a manifestar-se a nós pela Palavra.
Heb 1, 1-2: “
Muitas vezes e de muitos modos, falou Deus aos nossos pais, nos tempos antigos, por meio dos profetas. 2Nestes dias, que são os últimos, Deus falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por meio de quem fez o mundo.
Ex 3, 4-22: “
O Senhor viu que ele se adentrava para ver; e Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés! Moisés!» Ele disse: «Eis-me aqui!» Ele disse: «Não te aproximes daqui; tira as tuas sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa.» (…) Deus disse a Moisés:«Eu sou aquele que sou.» Ele disse: «Assim dirás aos filhos de Israel: ‘Eu sou’ enviou-me a vós!»
Jo 15, 15: “Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai.
(Cf também Gn 3, 8; Ex 33, 11)

A Palavra é o rosto, a amnifestação mais pessoal de Deus contudo, apenas se vive na escuta, não na visão (Cristo é Palavra Incarnada).
Como já referimos, hoje em dia vivemos o cansaço e o vazio da palavra, dos discursos, das leituras da vida, palavra que se torna chata logo à partida.
Cremos que é exactamente por isso que o mundo hodierno não se predispõe a escutar Deus.
Amós (9, 10) denuncia o uso e abuso da palavra como algo mágico, amuleto que não é alternativa para o bem. Há que buscar o bem para viver e Deus estará aí.
A Palavra de Deus tem que ser a referência da vida dos crentes e Deus está atento ao mau uso da Sua Palavra que nos faz uma permanente chamada à conversão e Vida em Deus.
Jeremias (7, 2) denuncia a Palavra de Deus sob a capa do bem, chama à atenção para que não se use a Palavra como juramento falso porque Deus só está connosco se procuramos o bem e a justiça. Não podemos ser como os hipócratas que juram pelo Templo mas não cumprem o amor e a justiça. Maus profetas que enganam com palavras mas não com Palavras de Deus.
Podemos então perguntar qual é o efeito mais importante da Palavra?
Recordemos uma vez mais os relatos da Criação no início do livro do Génesis.
Deus disse, Deus falou para realizar todas as coisas na Criação. É a Palavra que tudo cria, dá luz, nome… desperta o universo.
A Criação chega à Vida porque escuta esta Palavra e Deus “viu que tudo era bom”.
É urgente levar esta Palavra às nossas obras o que implica da nossa parte conhecer os gestos de Deus, conhecê-l’O intimamente pela Sua Palavra.
Deus continua a dirigir-nos a Sua Palavra como continuação da Criação. O que Ele fez com as Criaturas, hão-de fazê-lo elas entre si, dar a Vida, chamar à Vida.
Também aqui podemos referir as palavras de lealdade de Rute, Ester, Lídia, Judite, Job, Isaias… palavras de fidelidade, confiança, esperança…
Em João, no prólogo ao seu Evangelho (Jo 1, 1-19), esta Palavra era Deus, o próprio Deus feito Homem, Palavra incarnada no meio de nós.
É esta Palavra Incarnada que abraça as crianças, chora os mortos, toca para curar, partilha a mesa com os fariseus, perdoa quem peca (Zaqueu, mulher adúltera, Mateus…).
Nós temos como que uma relação quase autómata com a Palavra de Deus e isso não nos deixa encontrar e escutar o Verdadeiro Deus.
Urge vestir e domesticar o coração para entrar num diálogo simples com Deus. Com simplicidade ser palavra sem mais. “O essencial é invisível aos olhos, só se vê bem com o coração” (Saint Exupery).
Mais que ver, devemos escutar a Palavra e deixar-nos habitar por ela, permanecer nela, prescrutar o que a Palavra de Deus tem como compromisso para a minha vida.

Varatojo lugar da Palavra, Vida, Amor e Fé

O tempo de férias já lá vai.
É agora tempo de serenar para recomeçar e para tal, nada melhor que o Retiro anual de cinco dias que os Religiosos e Sacerdotes devem fazer.
Aqui estamos uma vez mais Franciscanos em RETIRO, no Real Convento de Varatojo – Torres Vedras – fundado por El-Rei D. Afonso V, em 1474, e para aqui vieram os primeiros 14 frades Menores – Franciscanos – vindos de Alenquer.
Desde então, com alguns interregnos no tempo da expulsão dos Religiosos e em 1910 com a República, esta Casa tem sido para os Franciscanos de Portugal, Guiné e Moçambique como que a Casa Mãe onde se faz o Noviciado ou ano da prova como lhe chamava S. Francisco.
Já o Retiro está a meio mas não quis apressar-me a partilhar convosco os temas e reflexões sem que antes eles fossem eco no meu silêncio.
Fr. Roberto – Frade do meu tempo, pertencente à Província da Galisa (Espanha), professor nas àreas da psicologia e trabalhador na àrea da agricultura biológica, em Herbon, é o irmão que orienta as nossas reflexões.

Escolheu como tema: A PALAVRA DE DEUS NA VIDA DE CADA UM ATRAVÉS DAS EMOÇÕES (Psicologia humana e Palavra)

Duas reflexões temáticas em cada dia e um tempo ainda de discernimento a par com o silêncio, reflexão, oração e convívio fraterno entre irmãos de Portugal, Moçambique e Timor Leste. Somos 27 os irmãos em retiro.
Os mais jovens, 3 de Portugal e 2 de Moçambique, iniciarão amanhã o seu Noviciado com a Celebração da bênção e vestição do hábito de S. Francisco. Estes irmãos Noviços aqui passarão o próximo ano em num período especial de oração, Fraternidade e formação tendo por mestre e guia, chamado pela Província a desempenhar este múnus, o nosso querido amigo e irmão Frei Armindo Carvalho, que já tanto colaborou com o Retalhos - e ontem me prometeu voltar - e que nos últimos anos foi Guardião da casa Igreja onde nasceu S. António em Lisboa e desempenhando ainda o múnus de Vigário Provincial para o qual foi eleito no Capítulo Provincial último.
Connosco estão também 3 irmãos de Timor Leste e que continuarão a sua formação em Leiria face ao futuro e ao que o Senhor lhes pedirá
Com eles e por eles rezamos ao Senhor.
Assim, nos próximos dias e durante a seman que vem, o Retalhos será lugar e eco do que por aqui se vive, reflete e reza.
Os textos temáticos que publicar são a minha reflexão feita a partir das exposições de Fr. Roberto.

A todos vós a gratidão pela oração e comunhão.

BENEDICAT…


(Conheça Varatojo: http://www.virtual-net.pt/FranciscanosVaratojo/)

Nossa Senhora da Luz

Hoje Celebrámos, em Carnide - Lisboa - mais uma Procissão de Nossa Senhora da Luz.
Milhares de pessoas acompanharam a imagem pequenina, encontrada neste local há mais de quatro séculos, pelas ruas antigas da povoação.
É sempre um sentida homenagem de tantos fiéis ou simples transeuntes que aclamam Deus por Maria.
Que a Senhora da Luz a todos conceda a Sua bênção Maternal.

Estigmas do Alverne

Hoje celebramos o dia em que Cristo, na Sua misericórdia, imprimiu no corpo de Francisco as Suas Santas Chagas.
Dois anos antes da sua morte, em 1224, no Monte Alveme, Francisco recebe os estigmas da paixão do Senhor, coroação de toda uma vida.
(Veja o vídeo e reze a Oração abaixo de João Paulo II)

"E agora, anuncio-vos uma grande alegria e um milagre extraordinário. Não se ouviu no mundo falar de tal portento, excepto quanto ao Filho de Deus, que é o Cristo Senhor. Algum tempo antes de sua morte, o nosso irmão e pai (Francisco) apareceu crucificado, trazendo gravadas em seu corpo as cinco chagas, que são verdadeiramente os estigmas de Cristo. As suas mãos e os seus pés estavam trespassados, apresentando uma ferida como de prego, em ambos os lados, e havia cicatrizes da cor escura dos pregos. O seu lado parecia trespassado por uma lança e muitas vezes saíam gotas de sangue". (CFI5)

ORAÇÃO DE JOÃO PAULO II

Ó São Francisco, estigmatizado do Monte Alverne,
o mundo tem saudades de ti,
qual imagem de Jesus crucificado.

Tem necessidade do teu coração
aberto para Deus e para o homem,
dos teus pés descalços e feridos,
das tuas mãos trespassadas e implorantes.

Tem saudades da tua voz fraca,
mas forte pelo poder do Evangelho.

Ajuda, Francisco, os homens de hoje
a reconhecerem o mal do pecado
e a procurarem a sua purificação na penitência.

Ajuda-os a libertarem-se
das próprias estruturas do pecado,
que oprimem a sociedade de hoje.

Reaviva na consciência dos governantes
a urgência da Paz nas Nações e entre os Povos.

Infunde nos jovens o teu vigor de vida,
capaz de contrastar as insídias das múltiplas culturas da morte.

Aos ofendidos por toda espécie de maldade,
comunica, Francisco, a tua alegria de saber perdoar.

A todos os crucificados pelo sofrimento,
pela fome e pela guerra, reabre as portas da esperança.

Ámen. João Paulo II

Exaltação da Santa Cruz



(Relicário da Santa Cruz da Basílica do Santo Sepulcro em Jesrusalém)

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ – (Jo. 3, 13-17)

A Igreja celebra neste próximo domingo a festa de exaltação da Santa Cruz, isto é, uma homenagem à cruz salvadora de Jesus Cristo. Esta festa é muito antiga e remonta ao ano 335, quando foi inaugurada a igreja construída pelo Imperador Constantino, no alto do Calvário, em Jerusalém, lembrando a morte e a ressurreição do Senhor. Na mesma época foi construída a igreja da Santa Cruz, em Roma, para abrigar as madeiras trazidas pela mãe de Constantino, Santa Helena. Seriam relíquias autênticas da cruz de Jesus. Estas madeiras estão lá até hoje, na Basílica da Santa Cruz, em Roma, para a veneração do povo. No começo, a festa era celebrada a 13 de dezembro, mas depois que a festa veio para o Ocidente, com o nome de exaltação da santa cruz, o dia passou para 14 de setembro. (in, http://www.mitranh.org.br)

AQUI FICA A PARTILHA ENVIADA POR “DINA”
A quem desde já agradecemos o seu sentir.

“Na verdade a Cruz é uma festa. Pela Ressurreição de Jesus Cristo, a ignomínia da Cruz transformou-se em glória. Erguida ao alto, está entre o Céu e a terra, como troféu de vitória e sinal de aliança. Ela é a árvore da vida. Se duma árvore veio a ciência do mal e da morte, doutra veio a Ressurreição e a ciência da Vida…
Na exaltação do Filho do homem, Jesus revela a Sua Divindade e saberá o mundo que Ele é «Eu sou». E exaltado da terra, atrairá todos a Ele, e o Príncipe deste mundo foi lançado fora…
A Cruz é o trono Real, onde o Rei dos reis e Senhor dos senhores se senta, e recebe a vassalagem dos homens e do universo.
Para nós cristãos, como para Cristo, a Cruz é a nossa glória. Crucificados com ELE, cataremos vitórias e seremos exaltados, revestidos dum nome que nos elege e dignifica. A Cruz tudo atrai. A sabedoria do cristão está na sabedoria da Cruz, «escândalo para os judeus e loucura para os gentios» (1 Cor 1, 23).

A Cruz não é um objecto de trazer ao pescoço para protecção de doenças ou desventuras, nem um símbolo colocado no cimo das montanhas para assinalar a conquista de um território ou nas casas para indicar a sacralização de um ambiente. É o ponto de referência do olhar do crente que vê sintetizada nela a proposta de vida que o Mestre lhe fez.
Que fazer quando o orgulho, a inveja, o ciúme, a incompreensão, a solidão, o abandono, o ressentimento, as horas difíceis nos tiram o sorriso e a vida? Esses são os momentos em que a salvação nos pode vir apenas da contemplação d’Aquele que foi elevado sobre o madeiro da Cruz. Através deste olhar, ELE comunica-nos o Seu convite a unir a nossa vida à Sua para que se torne um Dom de Amor ao irmão. A imagem perfeita de Deus, é dada por Jesus na Cruz:
ELE ó pobre, não ficou com nada para Si, deu tudo
Meu Jesus, por soberana dita
Tua sou, a Ti pertenço.
A Ti quero seguir, Contigo a Cruz quero levar.
Enfim, Jesus meu, minha dita é ser toda Tua,
minha dita é seguir-Te a Ti, abraçada á minha cruz,
que quero apertar contra o coração como o meu maior Tesouro”.

«Longe de mim gloriar-me a não ser na Cruz de Jesus Cristo» (Gl.6,14)”

Natividade da Mãe

“Hoje é comemoramos o dia da Nativadade de Nossa Senhora.
Não o queria deixar passar sem lemdrar a Mãe.
Sem a presentear, ao menos lembrá-la como lembramos o dia do nosso aniversário, e oferecer-lhe as cinquentas rosas do rosário.Dia em que Deus começa a pôr em prática o Seu plano eterno, pois era necessário que se construísse a casa, antes que o Rei descesse para habitá-la. Esta "casa", que é Maria, foi construída com sete colunas, que são os sete dons do Espírito Santo.
Deus dá um passo à frente na actuação do Seu eterno desígnio de amor, por isso, a festa de hoje, foi celebrada com louvores magníficos por muitos Santos Padres.
Segundo uma antiga tradição os pais de Maria, Joaquim e Ana, não podiam ter filhos, até que no meio das lágrimas, penitências e orações, alcançaram esta graça de Deus. De facto, Maria nasce, é amamentada e cresce para ser a Mãe do Rei dos séculos, para ser a Mãe de Deus. E por isso comemoramos o dia de sua vinda para este mundo, e não somente o nascimento para o Céu, como é feito com os outros santos Sem dúvida, para nós como para todos os patriarcas do Antigo Testamento, o nascimento da Mãe, é razão de júbilo, pois Ela apareceu no mundo: a Aurora que precedeu o Sol da Justiça e Redentor da Humanidade.
A Ela (Mãe dos Sacerdotes) entregamos todos os Sacerdotes, neste ano sacerdotal, e também todos estes jovens que se preparam para o ser.Nossa Senhora, rogai por eles!”
Mariana

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No seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus, o Pe. António Vieira diz:
"Perguntai aos enfermos para que nasce esta Celestial Menina.
Dir-vos-ão que nasce para Senhora da Saúde;
perguntai aos pobres, dirão que nasce para Senhora dos Remédios;
perguntai aos desamparados, dirão que nasce para Senhora do Amparo;
perguntai aos desconsolados, dirão que nasce para Senhora da Consolação;
perguntai aos tristes, dirão que nasce para Senhora dos Prazeres;
perguntai aos desesperados, dirão que nasce para Senhora da Esperança;
os cegos dirão que nasce para Senhora da Luz;
os discordes: para Senhora da Paz;
os desencaminhados: para Senhora da Guia;
os cativos: para Senhora do Livramento;
os cercados: para Senhora da Vitória.
Dirão os pleiteantes que nasce para Senhora do Bom Despacho;
os navegantes: para Senhora da Boa Viagem;
os temerosos da sua fortuna: para Senhora do Bom Sucesso;
os desconfiados da vida: para Senhora da Boa Morte;
os pecadores todos: para Senhora da Graça;
e todos os seus devotos: para Senhora da Glória.
E se todas estas vozes se unirem em uma só voz (...), dirão que nasce (...) para ser Maria e Mãe de Jesus".
(Apud José Leite, S. J., op. cit., Vol. III, p. 33.).

Tomada de Hábito

"Os Franciscanos de Varatojo viveram no dia 04 de Setembro deste ano de 2009 um momento de festa e alegria pela entrada de cinco jovens no Noviciado.
Estes jovens receberam o hábito franciscano, sinal da sua integração na vida dos «Irmãos Menores», e marco da etapa de um ano em que procurarão conhecer e discernir melhor a sua vocação, aprofundando a espiritualidade, a história e Regra da Ordem dos Frades Menores.
Nesta cerimónia da «tomada de hábito», inserida na Oração de Vésperas, o Padre Provincial, recordou aos agora noviços que o hábito vestido por todos os frades é sinal da fraternidade e da igualdade, pois embora entre os franciscanos haja diferentes funções e até irmãos reconhecidos pelas suas distintas ocupações, quando trajamos o «hábito religioso» esbatem-se as diferenças para dar lugar à igualdade fraterna.
Os jovens que iniciam este ano, conhecido também por «ano da prova», são oriundos de várias partes: o Sérgio com 22 anos é de Lisboa, o Luís com 22 anos é do Porto, o Filipe com 20 anos é de Coimbra e o Tendai Samuel com 22 anos e o Isidro com 23 anos são de Moçambique.
A acompanhá-los estará Frei Armindo Carvalho, designado para Mestre de Noviços, e Frei David Azevedo e Frei Marques de Castro, na qualidade de Vice-Mestre e Guardião, respectivamente.
Passados 800 anos ainda encontramos jovens audazes que se propõem viver o espírito de Assis.
Num Convento com mais de 500 anos de história, em que tudo parece envelhecido, surgem sinais de esperança e alento.
Bom seria que a renovação humana fosse acompanhada pela renovação do edifício conventual, pois há muito que urgem obras de restauro e conservação deste monumento nacional."

Fr. Paulo Ferreira OFM

Salmo para as minhas férias (Dina)


(Meu Jesus de mim desconfio, em Ti confio e me abandono)
Oração da autoria da nossa Amiga e colaboradora "Dina"
A Ti Senhor, entrego o meu entusiasmo
O meu sofrimento e o meu esforço nestas férias;
Em Ti confio, porque sei que me amas.
Que nas dificuldades não ceda ao cansaço,que a Tua graça sempre triunfe em mim.
Eu espero sempre em Ti.
Sei que não desiludes quem confia em Ti.
Indica-me os Teus caminhos Senhor,
Mostra-me a Tua via… Faz-Te Luz…
Que na minha vida se abram cada vez mais caminhos de Paz e Bem,
de justiça e liberdade, de esperança,
igualdade e serviço.
Deixa-me sentir Senhor,
que Tu és o meu Deus e Salvador.
Não recordes os meus pecados,
lembra-te de mim com a Tua lealdade,
pela Tua Bondade Senhor.
Tu és Bom e justo e orientas os desorientados.
Guia os humildes com rectidão, mostra-lhes o caminho.
Quando Te sou fiel, Senhor, Tu conduzes-me pelos Teus caminhos.
Assim vivo feliz e a minha vida enriquece-se com os Teus Dons.
Tu Senhor, também confias e esperas em mim.
Tens-me de verdade como tua amiga…
Senhor! Guarda-me…
Guarda a minha Vida e liberta-me…
Ajuda-me a sair da minha concha… e a ir para Ti…
Faz-me ver com clareza o CAMINHO… e desperta o manancial da minha Vida…
Tu que és o Caminho, a Verdade e a Vida!
Que sejas Tu, a minha única BAGAGEM… vá para onde for… esteja onde estiver… Senhor!

Férias: Encontro com Deus, família e amigos

Paz e bem amigos!
Nestes últimos tempos tenho-me dedicado menos vezes ao Retalhos contudo, por aqui venho para receber de vós a partilha e os comentários. São esses momentos que tornam sempre este blogue tão importante.
Pois é, tal como muitos de vós estou em tempo de férias.
Tem sido um tempo de muitas coisas, partilha e estar com Amigos, matar saudades da família e ser presença junto dos que muito amo e que são o meu sangue… sentir o calor e o carinho que só os pais podem dar e de mim receber.
Sentir que os mais novos da família cresceram mais um ano e que… mais presos se sentem a quem tanto os ama, não porque lhes compram coisas e mais coisas mas porque dão o que dinheiro algum pode comprar: tempo, dedicação, calma de quem ensina e explica, amore e ternura, confiança de um abraço, de um beijinho (à esquimó), de um banho com espuma preparado com calma… rir, brincar, mudar terra às plantas e… ter que dizer até pró ano com um sorriso grande, diante de uma criança que chora e que diz não querer partir… e o nosso coraão fica pequenino porque também não apetecia deixar partir mas… a vida é isto mesmo.
Foi tempo de presidir à Primeira Comunhão e Profissão de Fé dos meus sobrinhos Samuel e Margarida, e dentro de dias o Baptizado do Luisinho… Férias que são tempo de Graça…
Férias são para mim também o lugar de Deus. Muitos esquecem-se de levar Deus na sua bagagem… para mim é impossível Ele não estar presente. A minha pobre alma de franciscano leva-me sempre a encontrar Deus Pai e Criador, sobretudo diante do mar e do sol.
Quietar-me ali diante da imensidão do oceano e contemplar o sol que se põe, escutando as ondas e sentindo o sereno ar no rosto, recorda-me sempre a velhinha história da boneca de sal que, tendo acordado e sentindo necessidade de humedecer os lábios percorre tudo em busca da fonte de tal sabor – o sal – desde a gota de água da torneira, ao riacho, ao rio e finalmente o mar que, num primeiro instante lhe derrete as pernas de sal mas que logo depois a envolve e faz sentir que ela é parte desse todo que lhe diz: “O mar? Que é o mar? Sou Eu!”
Assim somos nós… assim me sinto eu diante do mar, parte daquele todo que mais não é que reflexo do Deus que me ama e me fala pelas maravilhas da Criação.
Nada de novo isto, já se sabe, o mar e todas as coisa eram, para Francisco e para os franciscanos ao longos dos séculos, o lugar de encontro com Deus Criador. Como não sentir desejo de ser pescador enviado por Deus, como não sentir admiração e contemplação pelo mar, pelo sol, pelo vento, pelas gaivotas que nos convidam a olhar para o Alto e a desejar voar mais e mais em direcção ao céu – Deus…
Como não sentir no sol dourado a contemplação do sol que se põe para de novo, qual astro da manhã pascal, se reerguer sobre nós voltando a dar luz e vigor ao nosso viver.
E o vento suave da maresia acompanhado com o som das ondas… harmonia perfeita que nos leva a silenciar tudo o que nos perturba para nos ajudar a escutar Deus.
Lembro aquela outra velhinha história dos “sinos do templo”. Sim, o templo de uma ilha que tinha o mais belho carrilhão do mundo e que um maremoto levou para o fundo do mar.
E como as gentes costeiras diziam que de quando em vez se conseguiam escutar ainda os sinos.
Alguém de muito longe vem para a praia para tentar escutar mas… mesmo filtrando todos os outros sons desistiu porque não seria ele um feliz contemplado a escutar tal harmonia vinda das profundezas do oceano. E ao ir despedir-se de tudo aquilo para regrassar a sua casa, sem se preocupar agora em filtrar os diversos sons da beira mar, começa a ouvir um sininho, depois outro, e muitos outros em seguida… afinal… junto ao mar podemos escutar Deus se nos envolvermos com os sons que Ele coloca diante de nós. É contemplação, graça e mistério que as férias nos podem proporcionar e que para a maior parte das pessoas não faz parte da sua bagagem…
Para mim, estar diante do mar, e sobretudo ao por de sol, nesta Paz do fim do dia quando tudo se silencia e apenas escutamos o som do mar e o reflexo da luz dourada do sol na água, mais não é que um convite a parar, silenciar tudo para escutar Deus e a mim mesmo.
“Vinde a mim, todos vós que andais cansados e afadigados, que Eu vos aliviarei…”
As férias são o tempo de retemperar forças para reorganizar projectos, pensar objectivos, ser e estar com a família e os amigos, connosco próprios.
Férias é o tempo previlegiado para estar com Deus.
Neste dia da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, não quis escrever como fiz no ano passado – podereis ir ler sobre esta grande Solenidade – mas escrever sobre o que é a experiência de parar para me encontrar, para vos encontrar, para O encontrar…
Em cada por de sol, seja ele à beira mar ou por de trás da serra, tenho presentes cada um de vós…
“Desde o nascer ao por de sol, a minha alma glorifica o Senhor…”
Que Nossa Senhora da Assunção vos abençoe.
Abraço para todos.

Santa Clara de Assis

"Louvado sejas, meu Senhor, por me teres criado"!
No fim da vida assim se expressou Clara de Assis, a "plantazinha de Francisco".
É esta Mulher e Irmã que hoje a Igreja celebra e de forma especial toda a Ordem Franciscana e as Irmãs Clarissas.
Clara rompe com todas as estruturas do seu tempo para se consagrar a Deus, ao jeito dos Irmãos Menores, e Francisco a recebe e promete solicitude e cuidado fraterno para todo o sempre.
Oito séculos passaram...
Muito poderiamos escrever aqui sobre Clara e a Vocação das Damas Pobres de S. Damião, hoje mais conhecidas como Irmãs Clarissas.
Remeto a vossa atenção e reflexão para oq eu escrevi há um ano atrás em http://betus-pax.blogspot.com
Neste dia tão grande para todos aqueles que, de uma forma ou outra vivem ao jeito de Francisco e Clara, imploro a bênção de Clara de Assis.
Que ela nos ensine a caminhar com Menoridade onde quer que nos encontremos.
Comunhão de oração para com as nossas Irmãs Clarissas.
Como Clara sejamos capazes de acolher a vida e o que Deus nos permite viver com a mesma gratidão com que ela chegou ao fim da vida.
Paz e bem!

Dia dos Avós



Olá querida Família Retalhos!
Sou a avó Joaquina e os netos empurraram-me para eu mexer nestas modernices dos computadores e como é bom aprender até morrer, aqui estou eu.
Estou a tentar falar-vos de um dia muito bonito, o Dia dos Avós.
Porquê este dia?
Se eu me enganar, o Frei faça o favor de corrigir, é assim que os netos me fazem.
É celebrado neste dia 26 de Julho, porque é o dia de S. Joaquim e Sta. Ana, Pais de Nossa Senhora e, claro, Avós do Menino Jesus.
Num jornal antigo - nós os velhotes gostamos muito de guardar coisas - só consigo perceber, (Jornal da educação, página 3), tem uma notícia com este nome: “ Os avós serão um peso morto? ”, para logo em seguida o mesmo jornal dizer: “ Os avós reencontrados: uma cumplicidade acima das gerações”.
Eu penso que os avós não são um peso morto. Alguns infantários até fazem coisas em conjunto com os avós e que tem dado bons frutos. Uma vez até vi na televisão uma jovem toda contente porque, dizia ela, tinha adoptado uma avó que estava num Lar e nunca ninguém a ia visitar; por isso passou ela a faze-lo, o que se tornou numa alegria para as duas.
E fico-me por aqui, mais não digo senão ides achar-me chata. Para terminar, deixo-vos estas palavras que a minha neta trouxe da escola:
“ DEFINIÇÃO DE AVÓ
Artigo redigido por uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do Cartaxo. Está uma ternura.
Uma avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros. As avós não têm nada para fazer, é só estarem ali. Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores bonitas, nem as lagartas. Nunca dizem “despacha-te”. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem apertar-nos os sapatos. Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior. As avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes. Quando nos contam histórias, nunca saltam bocados e nunca se importam de contar a mesma história várias vezes. As avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo. Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós. Toda a gente deve fazer o possível por ter uma avó. “
Vou aproveitar as férias dos netos, para ir aprendendo a mexer nestas coisas, (mas só com eles ao pé de mim), por isso vou continuar a falar deste assunto aqui, se o sr. Padre Albertino mo permitir, porque acho que é muito importante.
Avó Joaquina
Obrigado avó pela partilha.
Hoje é sem dúvida o dia em que a Igreja recordaria, liturgicamente, os pais de Nossa Senhora que se tornaram o símbolo do amor e ternura que os avós devem ser e ter.
Este anos, e porque coincide com o Domingo, Dia do Senhor, e porque nenhuma festa se sobrepõe às festas do Senhor, como é o Domingo - dia da Ressurreição - não se celebra liturgicamente a festa de Santa Ana e S. Joaquim contudo, o dia dos avós aí está e é bom ter avós com quem brincar, rir, confiar sejam eles magros ou gordos, rabugentos ou mais compreensivos... estejam eles no meio de nós ou junto de Deus.
Que Deus, por Ana e Joaquim, abençoe todos os avós...

A Maria por Clara

Paz e bem amigos.
Começo por pedir desculpa pelas minhas ausências mas nos últimos tempos tenho estado com algum trabalho "a mais" e como quando inicio uma coisa tenho que a terminar, não tenho dedicado tanto ao Retalhos.
Estava aqui a ver uns textos, antes de descansar, e dei-me conta de que não publiquei em Maio esta reflexão belíssima que a Cristina se dignou partilhar comigo e também para vós.
À Cristina um pedido humilde de desculpa e, embora o mês de Maio já tenha passado, é sempre mês para reflectir sobre Maria e aqui no caso Maria e Clara.
Pode também este texto, e neste tempo, servir de mote para começar a preparar o Centenário da Ordem das Senhoras Pobres de Santa Clara.
Obrigado e em cada dia vos levo a todos à Oração...
O MÊS DE MAIO COM SANTA CLARA

Este ano tomei para mim como linha de orientação para o mês de Maio as palavras de Santa Clara na sua 3ª carta a Santa Inês de Praga:
“Vive unida à Mãe dulcíssima que deu à luz o Filho que nem os céus puderam conter. E, todavia, ela o levou no pequeno claustro do seu ventre sagrado e o formou no seu seio de donzela. (…) Tal como a Virgem das virgens O trouxe materialmente no seu seio, assim também tu O podes trazer, sem dúvida alguma, de maneira espiritual, no teu corpo casto e virginal, seguindo as suas pegadas, sobretudo a sua humildade e pobreza. Desta maneira poderás conter Aquele que a ti e a todas as criaturas contém”.

O mês de Maria não deverá ser apenas um tempo em que dedicamos especial devoção a Nossa Senhora como se faz habitualmente nas nossas comunidades rezando o Terço e/ou outras orações em louvor de Maria, Mãe de Deus e Mãe nossa. Viver unidos à Mãe, como nos sugere Santa Clara, é mais do que rezar. É chegar ao ponto de uma total identificação com Maria no ser e no agir, na relação com Deus e com os irmãos. É levar Cristo aos outros como fez Maria na visita à sua prima Isabel. É torná-lO presente no mundo e no tempo de hoje, prolongando a Eucaristia na nossa vida de cada dia. Como? Pelo amor com que fazemos todas as coisas, por mais pequenas e insignificantes que sejam. Pelo carinho, respeito e tolerância com que aceitamos cada pessoa que se cruza connosco no nosso caminho. Pela nossa palavra directa de evangelização e pela nossa solidariedade e ajuda concreta em relação a todos os que sofrem, dando assim credibilidade às nossas palavras. Levar Cristo no «pequeno claustro» do nosso coração não significa deixá-lO fechado aí dentro, por vezes até esquecido… Mas significa ser como o sacerdote que toca com as suas mãos consagradas o Corpo de Cristo e O eleva bem alto, depois da Consagração na Missa, para contemplação e adoração dos fiéis. Quer dizer, portanto, dar a conhecer Cristo, ser presença viva de Cristo, dar testemunho dos grandes feitos d’Ele nas nossas vidas, ser o rosto de Cristo para tantos que não O conhecem ou que até O negam…
Assim foi Maria. E assim ela fez. Sempre e em tudo esteve ao serviço de Deus e dos outros. E sempre abriu caminho para que Cristo pudesse estar no meio de nós: no seu sim na Anunciação, na sua palavra nas bodas de Caná, na sua fortaleza ao pé da Cruz, na sua oração no Cenáculo no meio dos Apóstolos. Maria está. Ela age em nosso favor. Ela conduz a Cristo. Porquê? Porque continha Aquele que a ela e a todas as criaturas contém, conforme escreve Santa Clara. Ou seja, ela estava totalmente virada para Deus, plena de Deus, sem a mínima sombra de algum desvio, sem o mínimo ruído interior e sem a mínima desafinação que pudessem estorvar a harmonia entre ela e Deus.

Tomemos para nós as palavras de Santa Clara a Santa Inês de Praga. Deixemo-nos desafiar para uma vida com Maria, para que assim Cristo e Maria estejam presentes em nós.

Cristina

Missa Nova: 10 anos

E porque em ANO SACERDOTAL quero partilhar mais um pedacinho do DOM DE DEUS realizado na minha pobreza humana.
Faz hoje dez anos que na minha Aldeia, nas faldas da serra da Gardunha, celebrei a minha Missa Nova. Aqui partilho um pedacinho dos momentos importantes da Liturgia Eucarística.
Tudo o resto é indiscritível.
Fica a gratidão a todos os que tanto fizeram e fazem por mim.
No fim deste clip de vídeo partilho o texto que fiz e rezei há 10 anos no momento de Acção de Graças da Eucaristia... ali estão TODOS!


DOU-TE GRAÇAS, SENHOR:

Pelo
DOM DA VIDA. Pelos trinta e um anos de história, com tudo o que foi acontecendo, com quantos fazem parte desta mesma Vida.
Pelos meus PAIS e IRMÃOS que me aceitaram sempre como sou, me amaram, criaram, educaram e me fizeram crescer doando-me de novo a Ti…
Por todos os meus FAMILIARES que, de uma forma ou de outra, contribuíram para que eu seja quem sou.
Pelo DOM DO BAPTISMO, no qual me acolheste membro da Tua Igreja, e por ele me perdoas sempre.
Pela VOCAÇÃO FRANCISCANA, à qual totalmente me entrego. Pelos irmãos que me ajudaram a discernir a Tua vontade e a encontrar a resposta fiel. Por todos quantos, comigo, na Ordem dos Frades Menores, se lançam na entrega total e na procura da fidelidade.
Pela VOCAÇÃO SACERDOTAL à qual Te dignaste chamar-me. Por esta missão bonita de ser outro Cristo junto dos irmãos, levando o Teu Corpo e Sangue e ser instrumento do Teu Perdão junto deles.
Por todos aqueles que REZARAM COMIGO e por mim ao longo destes anos. Por aqueles que em mim CONFIARAM e me ajudaram a caminhar mesmo quando outros diziam não valer a pena…
Graças, Senhor, por todos os AMIGOS. Por aqueles que de uma forma especial marcaram a sua presença dizendo corajosamente “ESTOU CONTIGO”. Por quantos nos bons e maus momentos foram a mão amiga que me amparou na subida, a voz amiga que tornou mais suave a minha dor. Graças, Senhor, pelos AMIGOS ESPECIAIS que remam ainda hoje e conduzem o barco comigo, aqueles que aprendemos a amar como verdadeiros irmãos, aqueles que a cada momento se disponibilizam a caminhar lado a lado comigo em direcção a Ti.
COM TODOS ESTES E CONTIGO, QUERO SER FIEL ATÉ AO FIM…
“Magnificat, anima mea Dominum”

Sacerdote para sempre: 10 anos

Caríssimos Amigos, paz e bem. Não sou muito de manifestar coisas muito pessoais na net contudo, HOJE, dia 04 de Julho de 2009, faço 10 ANOS DE SACERDÓCIO.
Há 10 anos que Deus me concedeu a dignidade de poder ministrar a Palavra, a Consagração do Pão e do Vinho, de levar aos irmãos o Perdão.
Neste ANO SACERDOTAL decido partilhar convosco alguns minutos apenas dos momentos mais importantes da grande Celebração realizada há 10 anos no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, pelo Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa.
Que o Povo de Deus tenha misericórdia por todas as vezes em que descurei o ministério que me foi confiado.
Hoje, na Eucaristia, ter-vos-ei presentes a todos sobretudo os meus pais, os confrades Ordenados comigo, FF. José Quintã e Paulo Coelho.
Tenho também presente neste dia o meu querido AMIGO e AFILHADO DIOGO que celebra o Dom da Vida.

Conheça os passos do Rito de Ordenação
O rito de Ordenação Presbiteral é realizado dentro da Liturgia Eucarística e compõe-se por uma sequência de ritos repletos de significado, que serão descritos a seguir:
Após a Proclamação do Evangelho, o diácono chama o candidato ao Ministério Presbiteral, que responde, em alta voz: “Aqui estou!” Em seguida, Ministro Provincial, pede ao bispo que ordene o seu confrade com a Ordem dos presbíteros. O bispo pergunta ao superior sobre a dignidade do candidato. Neste momento, apresentam-se as testemunhas, pessoas que conviveram com aquele que consideram digno de ser ordenado. Tendo sido ouvidas as testemunhas, o bispo confirma a escolha do candidato para a Ordem do Presbiterato. A partir de então, ele é eleito para receber o sacramento da Ordem. Depois deste momento, o bispo inicia o homilia, na qual actualiza a Palavra de Deus e explica o sentido do acto que está sendo celebrado.
Logo após a homilia, o bispo interroga o eleito, sobre seu desejo em aceitar o encargo de presbítero. Ele responde sobre a disposição para apascentar o Povo de Deus, celebrar os sacramentos e cultivar uma vida de oração. Por fim, de joelhos e com mão postas entre as mãos do bispo, promete obediência, a seu legítimo superior e ao bispo diocesano.
Prostrado, em sinal de despojamento e humildade, o eleito e toda a assembléia celebrante cantam a Ladainha de Todos os Santos, pedindo o auxilio e a intercessão daqueles que nos precederam na fé, para que Deus derrame com largueza a sua graça e sua benção sobre aquele que foi escolhido para o cargo de presbítero.
Em silêncio, primeiramente o bispo, e depois todos os sacerdotes concelebrantes, impõem as mãos, um por um, sobre a cabeça do eleito, que está de joelhos.
O bispo dirige-se a Deus Pai, com as mãos estendidas sobre o eleito, rezando uma oração. Nesta prece, ele menciona a Acção do Espírito Santo ao suscitar, entre as comunidades, os ministros de Cristo. A oração descreve os sinais prefigurativos deste sacerdócio que apareceram já no Antigo Testamento e cita os mistérios da vida de Jesus Cristo, o Filho de Deus. E pede a Deus que constitua ao eleito o segundo grau do sacramento da Ordem que é o presbiterato (é momento da ordenação), e a graça da fidelidade e unidade ao Cristo.
O Ordenado (neo- sacerdote) é revestido dos paramentos próprios do presbítero: estola e casula, sendo auxiliado por dois presbíteros.
Unção com o óleo
O bispo unge as mãos do Ordenado com o óleo do crisma e diz o seguinte:
Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem o Pai ungiu com o Espírito Santo e revestiu de poder, te guarde para a santificação do povo fiel e para oferecer a Deus o santo sacrifício”.
O bispo entrega ao neo-sacerdote o cálice (com vinho e água) e a patena (com o pão), a “oferenda do povo santo”, e convida a ele que conforme a própria vida ao mistério da cruz do Senhor. No meu caso foram os meus pais que trouxeram ao Bispo estes dons.
Com o abraço e a saudação do bispo ao neo-sacerdote, se conclui o Rito da Ordenação.
Neste momento, o recém Ordenado recebe a saudação dos concelebrantes, dos confrades e dos seus familiares mais próximos. Estes são, resumidamente, os passos do Rito de Ordenação. Logo após, segue-se a liturgia Eucarística, já concelebrada pelo neo-sacerdote, com a apresentação das oferendas.

Texto: Frei Gustavo Wayand Medella, OFM
Revisão: Frei Albertino Rodrigues, OFM

Ser Sacerdote

Caríssimos Amigos.
Por questões de saúde não tenho tido capacidade para dar ao Retalhos a dedicaão que sempre me mereceu.
Felizmente da minha parte a saúde está quase restabelecida.
Hoje quero pedir a vossa oração pelos meus pais bastante debilitados na saúde e ...
Por vezes ser Padre não nos dá o tempo que precisamos para estar ali ao lado e acompanhar como os pais merecem e... os meus bem merecem... Que Deus e a Mãe ajuda.

Partilho este texto enviado pela "Xana" e que se insere na reflexão do ANO SACERDOTAL.
Obrigado Xana por ter partilhado e também pela oração que faz por mim.
Obrigado também pelo tempo que me dedica, pela ajuda em discernimentos, pela amizade...

SER SACERDOTE

Esta oração de S. João Maria Vianney (Oração da postagem anterior) é uma oração linda, profunda, de alguém que desempenhou e viveu o Ministério Sacerdotal segundo o Coração de Cristo, onde todos os sacerdotes e também nós, encontramos força, consolo e descanso. (Paz e Bem), porque ELE é o Sumo Bem…Só no Coração de Cristo, que nos ama com todo o Amor Divino e humano, encontramos o modelo da vida sacerdotal.Este ano sacerdotal, convida-nos a pensar no Coração de Jesus Cristo como modelo de coração sacerdotal, como convite ao Amor, como apelo a todos os sacerdotes a contemplarem o Coração trespassado e aprenderem com Ele a Amar e a viver…
Sacerdotes com Cristo, pelo poder do sacramento da Ordem que recebem, os sacerdotes só encontram a solução de suas vidas, a fonte de sua santidade, o interlocutor da sua amizade e vida interior, o Amigo íntimo e o tesouro de suas vidas, no mistério do Coração de Jesus. Aprender com ELE, como Jesus nos disse, é escola de santidade sacerdotal em pobreza, desprendimento, humildade, castidade, obediência, zelo apostólico, paixão por Deus e pelos homens. Só n’Ele a esperança. Só n’Ele a Fonte da Vida e da Graça. Só no Coração de Cristo, que nos ama com todo o Amor Divino e humano, encontramos o modelo de vida sacerdotal. Daí que é preciso moldar a Vida Sacerdotal com o seu Coração.
O grande teólogo Karl Rahner afirmou, numa conferência feita a sacerdotes onde disse muitas coisas e entre elas que passo a citar: «Pelo Teu Coração, Senhor, a graça faça de mim um homem de coração trespassado, pois é somente com este preço que eu serei Teu sacerdote».
Acreditar com toda a alma e coração, com Fé viva e determinação interior no Pai…
Que Ele abençoe todos os sacerdotes, todos os seus trabalhos apostólicos e o anúncio do Reino. Que nunca lhes falte a Fé e a Esperança…
Quando a vida traz dificuldades, só o “AMOR” consegue trazer Esperança e Força…
No sacerdote, o Amor a Jesus é este fundamento, porque o Amor de Deus é o primeiro a ser fiel. E é a experiência desta Fidelidade e entrega a Deus que motiva e sustenta a entrega e a Fidelidade do sacerdote.
Esta experiência alimenta-se na oração e na meditação, onde a vida se reza, onde cresce a familiaridade e a intimidade com o Senhor e onde pouco a pouco, o ser do sacerdote se vai configurando ao ser de Cristo.
Além da oração o sacerdote deve viver aquilo que celebra, sobretudo a EUCARISTIA e o sacramento da reconciliação. A Eucaristia é o sinal específico da missão sacerdotal, e, por isso, é muito importante que a Eucaristia seja o momento central da sua vida, o acontecimento central da presença de Deus e a confirmação da sua entrega…
Também no sacramento da reconciliação o sacerdote aprende a perdoar porque é perdoado, a ser misericordioso porque Deus é misericordioso. A confissão ajuda a que o sacerdote assuma a própria fragilidade e a consiga entregar a Deus…
Penso que a dimensão espiritual e pessoal do sacerdote é a que confere a verdade da sua missão e ministério…
Rezemos este ano de modo muito especial por todos os sacerdotes e por todo o trabalho que realizam na missão que o Senhor lhe confia em cada dia.
Rezo neste momento rezo de um modo muito especial por si, Frei, pelo DOM que é e continua a ser para mim e para tantas pessoas que se vão cruzando consigo no dia a dia da vida, e para todas as que visitam esta maravilha, este Dom, partilha, este cantinho “blog”.
Consigo louvo o Senhor com todo o coraçãoPelos dons que o Seu Amor nos dá, em cada dia
Graças por o chamar à vida, ao sacerdócio.
Graças pelos pais e família,Graças por todos os seus amigos,Graças pela alegria do convívio e da partilha.
Graças pelas suas vitórias e fracassos
Graças pelas suas qualidades e limitações
Graças pela mensagem que anuncia
Graças pela presença de Cristo no seu caminho
Graças por toda a sua história de vida
Que em Cristo será consumada.
Graças por tudo o que não sei agradecer ao Pai…
Graças pela certeza do Seu Amor para consigo, comigo e com todos.

XANA

ORAÇÃO PARA O ANO SACERDOTAL

Senhor JESUS,
Vós quisestes dar a Igreja, em São João Maria Vianney, uma imagem vivente e uma personificação da caridade pastoral.
Ajudai-nos a viver bem este Ano Sacerdotal, em sua companhia e com o seu exemplo.
Fazei que, a exemplo do Santo Cura D’Ars, possamos aprender como estar felizes e com dignidade diante do Santíssimo Sacramento, como seja simples e quotidiana a vossa Palavra que nos ensina, como seja terno o amor com o qual acolheu os pecadores arrependidos, como seja consolador o abandono confiante à vossa Santíssima Mãe Imaculada e como seja necessária a luta vigilante e fiel contra o Maligno.
Fazei, ó SENHOR JESUS que, com o exemplo do Cura D’Ars, os nossos jovens possam sempre mais aprender o quanto seja necessário, humilde e glorioso, o ministério sacerdotal que quereis confiar àqueles que se abrem ao vosso chamado.
Fazei que também em nossas comunidades, tal como aconteceu em Ars, se realizem as mesmas maravilhas de graça que fazeis acontecer quando um sacerdote sabe “colocar amor na sua paróquia”.
Fazei que as nossas famílias cristãs saibam descobrir na Igreja a própria casa, na qual os vossos ministros possam ser sempre encontrados, e saibam fazê-la bela como uma igreja.
Fazei que a caridade dos nossos pastores anime e acenda a caridade de todos os fiéis, de tal modo que todos os carismas, doados pelo Espírito Santo, possam ser acolhidos e valorizados.
Mas, sobretudo, ó SENHOR JESUS, concedei-nos o ardor e a verdade do coração, para que possamos dirigir-nos ao vosso Pai Celeste, fazendo nossas as mesmas palavras de São João Maria Vianney:
Eu Vos amo, meu DEUS, e o meu único desejo é amar-Vos até o último suspiro da minha vida.
Eu Vos amo, Deus infinitamente amável, e prefiro morrer amando-Vos a viver um só instante sem Vos amar.
Eu Vos amo, SENHOR, e a única graça que Vos peço é a de amar-Vos eternamente.
Eu Vos amo, meu DEUS, e desejo o céu para ter a felicidade de Vos amar perfeitamente.
Eu Vos amo, meu DEUS infinitamente bom, e temo o inferno porque lá não haverá nunca a consolação de Vos amar.
Meu DEUS, se a minha língua não Vos pode dizer a todo o momento que Vos amo, quero que o meu coração Vo-lo repita cada vez que respiro.
Meu DEUS, concedei-me a graça de sofrer amando-Vos e de Vos amar sofrendo.
Eu Vos amo, meu divino Salvador, porque fostes crucificado por mim e porque me tendes aqui em baixo crucificado por Vós.
Meu DEUS, concedei-me a graça de morrer amando-Vos e de saber que Vos amo.
Meu DEUS, à medida que me aproximo do meu fim, concedei-me a graça de aumentar e aperfeiçoar o meu amor.
Amém.
S. João Maria Vianney

Cap. Geral: Palavra de encerramento

Amigos da Família Retalhos.
Neste dia em que terminou o Capítulo Geral da Ordem, em Assis, quero agradecer a vossa companhia orante. Aqui, e a partir deste simples espaço, fomos acompanhando os trabalhos.
Muito iremos continuar a publicar e a partilhar convosco porque, pelo menos para mim, em textos, mensagens, fotos e vídeos muito há ainda para partilhar.
Mas hoje quero deixar convosco o texto final de Fr. José Rodriguez Carballo - Ministro Geral - dirigida esta manhã aos irmãos ao redor da Capelinha da Porciúncula (na foto) no encerramento do Capítulo.
Que a todos Deus, por intermédio de Francisco e Clara nos abençoe.


MENSAGEM FINAL DO MINISTRO GERAL

Queridos irmãos: O Senhor vos dê a paz!

Com a graça do Senhor chegámos ao fim do nosso 187º Capítulo Geral. Durante quatro semanas aqui nos reunimos, na Porciúncula, onde faz agora 800 anos começou a aventura franciscana, sob o olhar maternal de Santa Maria dos Anjos. Foram dias vividos numa intensa atitude orante, nos quais invocámos a presença do Senhor ressucitado e do seu Espírito no meio de nós. Foram dias de alegre encontro fraterno que nos permitiram abraçar irmãos provenientes de todos os continentes e de mais de 110 paises, de diferentes raças e culturas. Na diversidade que nos caracteriza reconhecemos a feliz notícia de um Deus sempre fecundo. Foram dias de profunda reflexão, o que nos permitiu lançar alto o olhar no camino –moratorium- para ver onde estamos e até onde queremos e devemos caminhar. Foram dias de projecção, que nos permitem olhar o futuro com esperança. Como não pensar, então, naquele primeiro pentecóstes que viu reunidos no cenáculo os discípulos com a Maria, “aguardando” a vinda do Espírito? Como não pensar num novo pentecóstes para a nossa Ordem que este ano celebra os seus 800 anos de fundação? Como não pensar nos primeros capítulos da Ordem os quais tratavam de tudo o que se relacionava com a vida e missão dos irmãos? Por tudo isso, fazemos nosso o canto do salmo responsorial: Alegra-se o nosso coração no Senhor, ao mesmo tempo que confessamos cheios de alegria: O Senhor revestiu-nos com as vestes da salvação.
Nestes dias olhamos o nosso passado e o nosso presente, recordando a graça das nossas origens. Pela santidade e a alegre fidelidade de tantos irmãos de ontem e de hoje, com o coração a transbordar de alegria, dizemos ao Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor: pelo dom dos irmãos, louvado sejas meu Senhor!. Este olhar positivo e agradecido ao nosso passado e ao nosso presente não nos impede ver as sombras e as infidelidades, o cansaço e as rotinas, que, a miúdo, acompanham o nosso caminhar. Por tudo isso, enquanto pedimos perdão, assumimos com renovado compromisso o chamamento a nascer de novo (Jo 3, 3) para acolher, pessoalmente e institucionalmente, o Evangelho como forma de vida, sem ceder à constante tentação de domesticar as suas exigências mais radicais para as adaptar a um cómodo estilo de vida.

Agora, terminado o Capítulo, apresenta-se diante de nós o presente/futuro, como tempo do Espírito. E então perguntamos a nós mesmos: que devemos fazer irmãos? (Act 2, 37)

O Senhor durante estes dias de Capítulo disse-nos de mil formas: Ide e pregai o Evangelho a todas as nações (Mt 28, 19-20), e tornando-se presente no meio de nós envia: Ide a anunciar aos meus irmãos que partam para a Galilea, ali me verão (Mt 28, 10). Desde o ícone do Cristo de São Damião, o Senhor nos disse como a Francisco, Vai e repara a minha Igreja. Cristo Ressucitado espera-nos no espaçoso claustro que é o mundo, ali onde vive o homem, ali onde se encontra na sua diversidade, ali onde sofre, trabalha e espera. Uma vez mais o Ressucitado nos diz: Não me retenhais (Jo 20, 17). A nossa condição é a de ser testemunhas do Ressuscitado na Galileia das nações (Is 8, 23), no meio das gentes, inter gentes, em qualquer país ou nação, aos que estão longe e aos que estão perto (Ef 2, 17). Quem se encontrou com Cristo ressucitado não pode deixar de o anunciar, como Maria Madalena (cf. Mc 16, 10). Quem encontrou a pérola preciosa não pode deixar de comunicar tal descoberta a quantos encontra pelo caminho (cf. Mt 13,46). Cristo é a nossa “pérola”, não podemos “retê-la” para nós mesmos. Ide, saí, ao mundo inteiro. A missão evangelizadora não é para nós apenas mais uma actividade, mas sim é a nossa definição, pois, somos efectivamente: Missionários no coração do mundo, como irmãos e menores, com o coração voltado para o Senhor.
Estamos conscientes de que a missão que nos espera é árdua. O terreno no qual temos que semear a semente do Evangelho, o coração do homem, está cheio de obstáculos, como nos recorda a parábola do semeador (cf. Mt 13, 3). Mas estamos igualmente conscientes que a força germinativa da semente da Palavra de Deus não diminuiu. Vivemos nem momento de crise, que para alguns possivelmente comporta uma ameaça mortal e que para outros pode ser uma prova de fé no Senhor da história e na sua presênça indefectivel. O momento em que vivemos é delicado e decisivo. Mas temos que estar bem consciêntes de que este é o tempo de Deus e, enquanto tal, revela novas oportunidades, purifica, desperta potencialidades, revela sinais de futuro e de ressurreição. Em todo o caso não podemos ser ingénuos. O semeador, cada um de nós, há-de conhecer bem o campo da sementeira, conhecer os seus elementos positivos e valorizar, com precisão, os obstáculos (cf. Mt 13, 18-23). Necessitamos conhecer bem o coração dos homens aos quais nos dirigimos, o seu modo de pensar e de se situar. Torna-se necessário entrar numa constante actitude de discernimento, examinando tudo, para ficarmos com o essencial (cf. 1Ts 5, 21). Torna-se necessário, também, viver em estreita relação com todos os homens e mulheres, nossos contemporâneos. Somos, e temos de continuar sendo, os frades do povo. Com o povo, particularmente com os mais pobres, somos chamados a sentir-nos mendicantes de sentido, fazendo nossas as suas próprias procuras, deixando-nos interpelar por tantas situações negativas do contexto em que vivemos.

Também é necessário estar bem preparados intelectualmente, para uma leitura atenta dos sinais dos tempos e dos lugares, e poder, deste modo, dar uma resposta evangélica a todos eles. Essa resposta implica, da nossa parte, elaborar e levar a cabo novos projectos de evangelização para as situações actuais (VC 73). Essa é a nossa grande responsabilidade nestes momentos. De nós, filhos de Francisco de Assis, o mundo espera, e tem pleno dereito a isso, que trabalhemos como instrumentos de paz e de reconciliação, numa sociedade profundamente marcada pela violência e as divisões, assim como pela salvaguarda da criação, quando esta está seriamente ameaçada. De nós, filhos do Poverello, o mundo espera, e tem pleno direito a isso, que sejamos homens que fomentam o diálogo entre as culturas, as gerações, as religiões, as correntes de pensamento, a fim de propiciar o conhecimento e o reconhecimento mutuos e a procura de caminhos comuns para instaurar um mundo irmanado nas ricas e sãs diferenças. De nós, Irmãos Menores, o mundo espera, e tem pleno direito a isso, que sejamos menores entre os menores, e solidários com todos, homens que trabalhem para que de uma economia de mercado se passe a uma economia solidária, que crie redes de comunicação que beneficiem a inter-dependência de bens e recursos com o objectivo de uma vida digna para todos. A nossa missão evangelizadora implica tudo isso, como implica ir ali onde todavia não estamos, abrindo novos projectos missionários para colaborar com a Igreja na implantação do Reino de Deus, por vezes somente com a presença silenciosa, mas sempre fecunda, e na implantação da Ordem, ali onde isto seja possível. Por tudo isso passa a nossa missão evangelizadora, a qual dedicamos as nossas reflexões durante este Capítulo de Pentecóstes 2009. Por tudo isso passa a fidelidade criativa e alegre que somos chamados a testemunhar (cf. VC 37) nestes momentos delicados e duros, não isentos de tensões e de provas, mas cheio, também, de grandes possibilidades (cf. VC 13). Tudo isto é necessário se queremos reproduzir com audácia e criatividade a santidade de Francisco (cf. VC 37), e de tantos irmãos que nos precederam nestes 800 anos de caminho da nossa Fraternidade.
Durante o Capítulo sentimos fortemente o chamamento a uma profunda renovação para ser fiéis à graça das origens, mas sabemos muito bem que a garantia de uma tal renovação está na procura de uma sintonia cada vez mais plena com o Senhor (cf. VC 37). Só Ele pode manter constantemente o vigor e a autenticidade das origens e, ao mesmo tempo, infundir a coragem da audácia e da criatividade para responder aos sinais dos tempos (CdC 20). Só reencontrando o primeiro amor seremos fortes e audazes, pois somente esse amor pode infundir valor e ousadia, em tempos como os nossos. Eis aí, então, o chamamento mais urgente que nos vem do Evangelho e da nossa condição de discípulos e missionários: uma profunda converção do coração e um voltar-se constantemente para o Senhor. Não podemos esquecer que é Deus aquele que torna fecundo e fértil o terreno da missão evangelizadora. É Ele, e só Ele, quem faz crescer a semente (cf. Mc 4, 27). A evangelização é acima de tudo obra da força do alto. No Cenáculo os discípulos recebem o Espírito. É Ele quem dá a Pedro a força para proclamar o Evangelho no dia de Pentecóstes. Do mesmo modo, aqueles que quiserem anunciar com coragem o Evangelho na Galileia das nações hão-de encontrar-se no Cenáculo, com Maria, e receber o Espírito Santo. Ele é o único que pode mover os nossos corações e os nossos pés para ir até aos confins da terra e ali, nas condições mais diversas e, por vezes, mais adversas, pregar a Jesus Cristo como a Boa Nova do Pai das misericórdias à humanidade. Ele é o único que pode abrir o coração dos homens e mulheres do nosso tempo para acolher tal Boa Nova. É a força do Espírito aquela que nos tornará verdadeiramente livres. Por outro lado, só quem, como Maria, se deixa habitar pela Palavra, poderá comunicá-la aos outros (cf. Lc 1, 39-44). Só quem, como Francisco, se deixa encontrar pelo Evangelho, poderá ser Evangelho vivo.

Maria, vírgem da atenção, alcança-nos do Senhor a capacidade para conservar no nosso coração o mistério de Deus e dos homens.
Maria, crente aberta ao Espírito, alcança-nos do Senhor a docilidade incondicional às suas inspirações.
Maria, primeira evangelizadora, alcança-nos do Senhor a audácia de levar a Boa Nova aos nossos contemporâneos.
Maria, mulher feita serviço, alcança-nos do Senhor a capacidade de servir ao Evangelho e aos seus primeiros destinatários, os pobres.
Maria, bendita entre as mulheres, alcança-nos do Senhor a graça de saber estar sempre ao lado de quem necessite de nós.
Maria, donzela de Nazaré, alcança-nos do Senhor a valentia de dizer-lhe sempre SIM, agora e na hora da nossa morte. Amén.
Fr. José Rodriguez Carballo
Ministro Geral da OFM
(Tradução do Espanhol para a língua portuguesa: Fr. Albertino Rodrigues OFM))

ANO SACERDOTAL

ANO SACERDOTAL: ORIENTAÇÕES ESPIRITUAIS E PASTORAIS

Hoje, em todo o mundo, inicia-se o ANO SACERDOTAL.
Em Lisboa haverá uma Eucaristia Solene na Basílica da Estrela, ao fim da tarde, para a qual foram convocados todos os Sacerdotes.


Por agora, e para marcar este acontecimento, fica aqui um texto que nos ajuda a entender o porquê da importância do Papa ter convocado a Igreja para um Jubileu destes.



"Os sacerdotes e fiéis que realizarem determinados exercícios de piedade durante o Ano Sacerdotal receberão a indulgência plenária. A informação é adiantada num decreto divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, assinado pelo cardeal James Francis Stafford e pelo bispo Gianfranco Girotti, O.F.M., respectivamente penitenciário maior e regente da Penitenciaria Apostólica.

A Igreja celebrará este ano de 19 de Junho de 2009 até ao mesmo dia do ano seguinte, por ocasião do 150.º aniversário da morte de São João Maria Vianney, o Cura de Ars.

O Ano Sacerdotal começará no dia da solenidade do Sagrado Coração de Jesus, com a celebração das vésperas, presidida pelo Papa, diante das relíquias de São João Maria Vianney, levadas a Roma pelo bispo de Belley-Ars.

O decreto explica detalhadamente as modalidades para a obtenção das indulgências. Em primeiro lugar, poderão obter a indulgência plenária os sacerdotes que, “arrependidos de coração”, rezem qualquer dia as Laudes ou Vésperas diante do Santíssimo Sacramento exposto para a adoração pública ou no sacrário e, seguindo o exemplo de São João Maria Vianney, se ofereçam para celebrar os sacramentos, sobretudo a Confissão, “com espírito generoso e disposto”.

O texto indica que os sacerdotes poderão beneficiar da indulgência plenária aplicável a outros sacerdotes defuntos como sufrágio, se, em conformidade com as disposições vigentes, se confessarem, comungarem e rezarem pelas intenções do Papa.

Por outro lado, todos os cristãos poderão beneficiar de indulgência plenária sempre que, “arrependidos de coração”, participarem na Missa e oferecerem pelos sacerdotes da Igreja orações a Jesus Cristo e qualquer boa obra.

Tudo isso complementado com o sacramento da confissão e a oração pelas intenções do Papa “nos dias em que se abra e se conclua o Ano Sacerdotal, no dia do 150.º aniversário da morte de São João Maria Vianney, nas primeiras Quintas-feiras de cada mês ou em qualquer outro dia estabelecido pelos Ordinários dos lugares para a utilidade dos fiéis”.

O texto indica que o Santo Cura de Ars “aqui na terra, foi um maravilhoso modelo de verdadeiro pastor do rebanho de Cristo”.

Também destaca que as indulgências podem ajudar os sacerdotes, junto com a oração e as boas obras, a obter “a graça de resplandecer com a fé, a esperança, a caridade e as demais virtudes” e “mostrar com a sua conduta de vida, também com o seu aspecto exterior, que estão plenamente dedicados ao bem espiritual das pessoas”.

Redacção Ecclesia/Zenit

Oração de agradecimento

Obrigado ó Pai Criador dos céus e da terra, por teres derramado terra sobre a água e dessa terra teres criado um mundo tão maravilhoso onde habitam seres tão maravilhosos como o Homem e a Natureza.

Obrigado ó Pai por nos teres dado meios de sobrevivência como a comida e a água que nos sacia a fome e a sede.

E, depois de tudo Te agradecer apenas Te quero pedir que abras os olhos àqueles que não os querem abrir; Faz com que todos se amem como irmãos. Criador dai-nos a paz.

Obrigado ó Pai por teres ouvido este agradecimento e pedido e que o realizes perante todos nós que aqui nos encontramos para Te louvar.

E mais uma vez:
Obrigado ó Pai Criador dos Céus e da Terra.


Bárbara Santos
Externato da Luz
6ºano Turma C

Sto António do mundo inteiro

Hoje é dia de SANTO ANTÓNIO, de Lisboa, de Pádua, do mundo inteiro...
Que a todos Ele abençoe e conceda os milagres que desejais.
Frei António de Lisboa rogai por nós!

Corpus Christi

Tomai e comei. Isto é o Meu Corpo...
Tomai e bebei. Isto é o Meu Sangue...
Fazei Isto em memória de mim!

Jesus...
Grande mistério encerra a Tua presença no meio de nós...
És o Pão e Vinho Consagrados. Sim és Tu que estás ali realmente presente. Eu CREIO NISSO SENHOR e, sendo eu indigno de tão alto ministério, eu sei Senhor, eu sinto-o no mais íntimo de mim mesmo que, cada vez que sobre o altar imponho as minhas mãos humanas e pecadoras sobre o pão e o vinho Tu, sim Tu te tornas presente.
E ajoelho diante do Pão e do Vinho ali apresentados aos irmãos.
Jesus, Pão da Vida e Vinho da Salvação... só em ti seremos capazes de viver cada dia com a força que nem sempre sabemos de onde vem.
Eu me dobro diante de Ti, Senhor, Eucaristia... eu Te adoro meu Senhor Jesus, com a mesma reverência de Francisco de Assis que tanto nos pediu que nunca esquecessemos a dignidade da nossa vocação sacerdotal, ele que não se achou digni de tão grande ministério.
Sim, Jesus, eu Te adoro no mais íntimo da minha alma e, a TI meu Senhor e meu Deus, e aos irmãos, peço com toda a humildade perdão pelas vezes em que não celebrei a Eucaristia com a reverência e humildade que devia.
Quero como Francisco de Assis contemplar-te em mistério de amor...
Eu te adoro Jesus Eucaristia...

Dia mundial do Meio Ambiente

(FOTO: Alunos do 3.º ano com a plantinha que levaram para casa para cuidar e ajudar a crescer)

A MÃE TERRA

Em 1972, em Estocolmo, a ONU instituiu o dia 5 de Junho como o “Dia Mundial do Meio Ambiente”.
Celebrado anualmente desde então no dia 5 de Junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente cataliza a atenção e acção política de povos e países para aumentar a conscientização e a preservação ambiental.


Os principais objetivos das comemorações são:


1. Mostrar o lado humano das questões ambientais;


2. Capacitar as pessoas a se tornarem agentes ativos do desenvolvimento sustentável;


3. Promover a compreensão de que é fundamental que comunidades e indivíduos mudem atitudes em relação ao uso dos recursos e das questões ambientais;


4. Advogar parcerias para garantir que todas as nações e povos desfrutem um futuro mais seguro e mais próspero.


O tema do Dia Mundial em 2009 é “O seu planeta precisa de si: Unidos contra as mudanças climáticas”.


Ele reflete a urgência de que nações actuem de maneira harmoniosa para fazer frente às mudanças climáticas, para manejar adequadamente as suas florestas e outros recursos naturais e para erradicar a pobreza.
Este ano, o México será a sede mundial das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente o que reflete o engajamento dos países da América Latina e Caribe na luta contra as mudanças climáticas e na transição para uma sociedade de baixo carbono.
Em linha com seu forte engajamento nas questões ambientais, o México é um dos países que mais contribuiu com a campanha 7 Bilhões de Árvores, desenvolvida pelo PNUMA.
http://www.unep.org/billiontreecampaign/portuguese
O presidente do México, Felipe Calderón, afirma que a celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente "irá destacar a determinação daquele país em gerenciar adequadamente seus recursos naturais e lidar com o mais exigente desafio do século 21 - as mudanças climáticas."
(in,
http://www.ipc-undp.org/dmma/evento.htm)


Neste dia não podemos esquecer que uma das figures mais marcantes da história e que tanto louvou a MÃE TERRA e a CRIAÇÃO INTEIRA foi S. Francisco de Assis.
Pela sua forma de olhar as coisas criadas, João Paulo II proclama Francisco de Assis com Patrono da Ecologia e dos Movimentos Ecologistas, a 29 de Novembro de 1979.
Na verdade Francisco soube olhar todas as coisas como suas irmãs porque criadas por Deus Pai para viverem na mesma casa comum.
Hoje os alunos do terceiro ano do primeiro ciclo, do nosso Externato, levaram todos para suas casas um vaso com terra e uma semente, uma pá pequenina, com o objectivo de cuidarem dessa semente para que quando ele brotar a possam plantar num jardim.
Esta sensibilização tão a jeito do sentir de Francisco de Assis, deve ser para todos nós um motivo de reflexão sobre o que fazemos nós com os recursos que ainda temos ao nosso dizpor. A terra, o ar, a água, as plantas e os animais e… claro, o Homem que vive lado a lado connosco…
Que este dia seja perpectuado em cada amanhecer para que o futuro seja mais belo e Deus Pai e Criador continue a sentir no Seu coração o que nos relata o autor do livro do Génesis ao referir que, Deus ao olhar para a obra das suas mãos “viu que tudo era bom”.

Louvado sejas tu, ó meu Senhor
P’la nossa prestimosa Madre Terra
Que nos oferece o pão, é nosso arrimo
Tantos frutos e ervas, flores encerra!
(do Cântico do Irmão Sol)

Reeleito Ministro Geral da OFM

Fr. José Rodriguez Carballo é reeleito como sucessor de São Francisco de Assis

Na manhã desta quinta-feira (04/06), o Ministro Geral Frei José Rodríguez Carballo foi reeleito como o 119º sucessor de São Francisco na Ordem dos Frades Menores. A eleição foi realizada durante a assembléia dos 152 delegados da Ordem que estão em Santa Maria dos Anjos, em Assis, participando do 187º Capítulo Geral. Frei José é reeleito como guia de cerca de 15 mil frades menores em 113 países do mundo para os próximos seis anos.

Currículo:

Província: Santiago de Compostela (Espanha)

Nascimento: 11.08.1953

Profissão temporária: 09.08.1971

Profissão solene: 01.01.1976

Ordenação sacerdotal: 29.06.1977 (S. Paulo e S. Pedro)

Títulos acadêmicos:Licenciatura em Teologia Bíblica (Jerusalém)Licenciatura em Sagrada Escritura (Roma).Fala espanhol, italiano, português, francês, inglês e compreende Catalão.


O rito da eleição foi presidido pelo delegado do Santo Padre, S. E. Card. José Saraiva Martins, ao qual foi entregue ao neo-eleito o "selo de toda a Ordem dos Frades Menores". Segundo Frei Augusto Koenig, ministro provincial da Imaculada Conceição, que participa do Capítulo, Frei José foi reeleito com 104 votos, ficando em segundo lugar na votação o frade brasileiro, Frei Nestor Inácio Schwerz, atual Secretário Geral da Evangelização, com 39 votos.
Fr. José Rodriguez Carballo tem 56 anos (11.08.1953) e é natural da Espanha.
Ministro Geral desde 2003, desenvolveu os seguintes serviços: Definidor Geral e Secretário Geral para a Formação e os Estudos; Ministro da Província de Santiago de Compostela (Espanha); presidente da União dos Frades Menores da Europa e Mestre dos religiosos no período de formação.
No seu currículo acadêmico, depois de obter a licenciatura em Teologia Bíblica em Jerusalém e a licenciatura em Sagrada Escritura em Roma, ensinou estas disciplinas no Seminário maior da cidade espanhola de Vigo e na Faculdade de Teologia de Santiago de Compostela.
Fr. José Rodriguez Carballo guiará os Frades Menores até 2015.
Antes da eleição, o Secretário do Capítulo, Frei Francesco Patton, fez a saudação ao representante do Santo Padre no Capítulo, o Cardeal José Saraiva Martins. "Sua presença em nosso meio é motivo de estímulo e é sinal de afeto e de benevolência do Santo Padre para com os Frades Menores. Desde as origens, nosso Seráfico Pai pediu à Igreja de Roma, que a chamamos de "nossa mãe", um Cardeal que acompanhasse o caminho da Ordem, precisamente para manifestar o enraizamento eclesial de nossa Fraternidade", lembrou.
"Também hoje queremos beber a seiva do Evangelho, vivido e transmitido a nós como forma de vida por São Francisco. Para tanto, pedimos à V. Ema. de acompanharmos com a oração, para que a força e a beleza do carisma de São Francisco possa continuar vivo em nós, chegar - também por nosso meio - aos homens de nosso tempo, donde quer que eles vivam; a guiarmos a todos até à meta da santidade, da comunhão plena e santa com Aquele que é "trindade perfeita e unidade simples", "todo bem, sumo bem, todo o bem", complemento de todos nossos desejos mais autênticos".
Na sua homilia, o Cardeal Saraiva Martins, disse que era para ele "uma alegria e um dom poder estar aqui convosco, na ocasião de nosso Capítulo Geral, que acontece numa data jubilar particularmente significativa, dos 800 anos de fundação de vossa Ordem".
Como me escreveu o Santo Padre Bento 16 - disse o Cardeal -, em uma carta com a qual me nomeou seu Enviado Especial para presidir a eleição do novo Ministro Geral de vossa ordem: "Transcorreram 800 anos do dia em que o Sumo Pontífice Inocênio III, com sua benevolência acolheu a Francisco de Assis e a seus companheiros, que desejavam abraçar uma vida segundo a forma do Santo Evangelho. Ele, de fato, tendo conhecido o voto dos homens de Deus, deu ele próprio consentimento à sua petição, abençoando a São Francisco e a seus irmãos, e os disse: "Ide com o Senhor, irmãos, e como o Senhor se dignara inspirar-los, pregai a todos a penitência" (1 Cel 33, 6-7)".
"Minha presença aqui, neste dia, é o sinal de uma benevolência, de uma confiança e de uma bênção que continua no tempo", explicou.
O Cardeal Saraiva disse que a eleição, à luz do Capítulo X da Regra, reveste de uma particular importância: "é e deve ser um ato de obediência ao Espírito do Senhor; é e deve ser um ato cumprido a partir de uma profunda e recíproca confiança que existe entre vós".
O Cardeal se dirigiu aos 152 delegados: "Como responsáveis do governo e da animação das diversas Províncias e Custódias da Vossa Ordem, sereis os primeiros a serem chamados para colaborar com o Ministro Geral para visitar, servir, animar e alentar aos irmaos".
Nos 800 anos da Fundação da Ordem, os Frades Menores renovam, junto à pequena igreja da Porciúncula (lugar onde teve origem o movimento franciscano) seu compromisso missionário, preparados para encontrar aos "novos pobres" de hoje e incrementar seu compromisso pela evangelização, o diálogo interreligioso e intercultural e a promoção da paz.

Capítulo Geral. Eleições

Ministro Geral será eleito no dia 4 pelas 9h00

“Oh! Como é bom, como é consolador…”
Frei Evódio, Custódio de Moçambique, no uso da palavra em Assis, Capítulo Geral, toma o cântico nosso, de Frei Mário Silva, para levar a Língua Lusa e o Canto Franciscano de Portugal a todos os irmãos em capítulo.
Ali está Portugal e todos os paises da Lusofonia unidos no cântico que por aqui tanto se canta, em louvor da fraternidade, a partir de texto de S. Francisco.
É um orgulho bom ver palavras escritas em portugues no grande ecrã da Sala Capitular.
Amanhã, dia 4 de Junho, pelas 9h00 (Itália), os 152 delegados de todas as Províncias, farão a eleição do Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores.
Será então amanhã um dia de Graça.
Será chamado, sob a acção do Espírito Santo, a ser Ministro e Servo de todos os irmãos pelos próxmos seis anos o 120.º sucessor de S. Francisco. Este ministério foi exercido nos últimos anos pelo nosso querido amigo e irmão Fr. José Rodriguez Carvallo, da Província da Galiza (Espanha) e que tão recentemente nos brindou com a sua visita a quando das celebrações dos oitocentos anos em Lisboa.
Este acto desde os tempos do Poverello é presidido por um Delegado do Santo Padre e este ano é um portugues, Sua Eminência o Senhor Cardeal José Saraiva Martins.
No dia 5/06 será eleito o Vigário Geral da Ordem e, no dia 6 de junho, serão eleitos os definidores gerais (conselheiros.
Assim, estes três dias serão de oração, reflexão e eleição. No dia 6 estará, pela graça de Deus e acção do Espírito Santo, eleito o Governo Geral da Ordem Franciscana.
A todos pedimos a vossa comunhão e oração.
Benedicat

Assis: Viver o Espírito do Senhor

Ao terminar o DIA DE PENTECOSTES, deixo este clip de vídeo que nos mostra um pouco o ambiente que se vive neste tempo de Graça em Assis.
Podeis ir acedendo às informações em www.ofm.org.
VENI SANCT SPIRITUS

Pentecostes em Assis

Eis-nos a celebrar o DIA DE PENTECOSTES.
O Evangelho apresenta-nos Jesus a aparecer aos seus, na tarde do dia da ressurreição. Transmitelhes antes de mais a paz, essa paz que nos permite acolher a Boa Nova do Reino. Sem a paz de Cristo ninguém jamais pode avançar no projecto salvífico do Pai. Por isso Jesus saúda antes de mais na paz.
Depois, diz-nos o Evangelho, mostrou-se a eles como ressuscitado, apresenta-se corporalmente e convida a que o vejam e toquem.
Só assim poderiam acreditar na missão que lhes daria de imediato: a missão do Espírito Santo que se anuncia pela acção contínua da Igreja.
Então “soprou sobre eles e disse-lhes: ‘recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos’”. (Jo 20, 19-23)

Eis a missão do Espírito, perdoar e anunciar um Reino novo de paz e amor.
Para João, o Dia de Pentecostes, dia do “nascimento da Igreja”, não foi passados 50 dias após a Ressurreição, foi “na tarde daquele dia, o primeiro da semana”.
Foi aquele dia e não outro, na tarde da vida e não no amanhecer, no dia da Ressurreição e não passados 50 dias.
Celebrar o Dia de Pentecostes é celebrar o DIA DA IGREJA, dia da missão transmitida por Jesus aos seus. Não foi, em João, um vento abrasador, um barulho enssurdecedor mas, a paz que o próprio Cristo vem dar, o sopro de vida do próprio ressuscitado.
Esta noite em Assis, os filhos de S. Francisco, reunidos na Porciúncula em Capítulo Geral, que S. Francisco fazia coincidir sempre no Pentecóstes, porque para ele tinha que ser o Espírito Santo a presidir ao Capítulo, e poucas vezes na história não coincidiu neste tempo, esta noite em Assis, ali naquele lugar onde o perdão da Porciúncula se celebra, se acendeu o lume do Fogo do Espírito. Ali os irmãos e tantos peregrinos e amigos, pediram ao Espírito Santo que desça sobre todos para que os Franciscanos continuem a ser sinal de vida no Espírito.
É também, de certa forma, o preparar o coração e a oração para o acto importante que se realizará duramte esta semana, a eleição do Ministro Geral da Ordem e dos seus Definidores, aqueles que têm por missão, atentos aos sinais dos tempos e às luzes do Espírito gerir a vida dos Irmãos Menores e a sua acção no mundo e na Igreja.
Olhai as fotos desta vigília de Pentecostes. Como se nos eleva a alma somente ao vê-las
(http://www.ofm.org/ofmnews/_capgen09/00capgen09SP.php).
Seria impossível descrever aqui tudo o que nos escritos de S. Francisco se refere ao Espírito Santo já que para Francisco é ELE quem governa a Ordem e, por isso mesmo, todos os textos legislativos, orações, admoestações, testamento… estão impregnados da presença do Espírito Santo.
Desde a caridade, à obediência, ao Deus que é Espírito e que habita em nós, ao Espírito do Senhor, o espírito da letra escrita (mais que a regra rígida e tantas vezes desumana), ao Espírito que dá vida, á relação entre o espírito e a nossa carne mortal, ao Espírito da verdade, … e porque vos cansaria com todos os títulos que Francisco nos apresenta sobre o Espírito nele e na Ordem Franciscana, termino com a referência ao Espírito Santo de Maria (Rainha e Mãe de toda a Ordem).
Com o pensamento em Assis, imploro ao Senhor para todos os dons do Espírito Santo e que, Ele desça sobre os Irmãos Menores em Capítulo para que “a Graça das orígens” possa ser cada vez mais uma realidade em cada um de nós, os filhos do Poverello de Assis.
Em dia de Pentecostes, em dia da Igreja a todos desejo que o Espírito de Deus vos conceda a Sua paz…
Benedicat!

OFM - Capítulo Geral

Hoje, dia 24 de Maio, e até ao dia 20 de Junho, em Assis, no lugar tão bonito onde há 800 anos S. Francisco fundou a Ordem Franciscana, onde restaurou a Capelinha da Porciúncula, dedicada a Sta Maria dos Anjos, lugar onde cortou os cabelos a Sta Clara e a acolheu na Ordem Franciscana e… lugar onde ele mesmo quis entregar-se nos braços da irmã morte, hoje mesmo aqui se inicia o 187.º CAPÍTULO GERAL da Ordem dos Frades Menores (OFM).
Aqui estão cerca de 181 Irmãos procedentes de todos as regiões do mundo e representantes de todos os Irmãos Menores.
O Capítulo Geral tem como objectivo olhar para os últimos seis anos da vida e acção dos filhos de S. Francisco. Olhar para aprender com a história e relançar alicerces para os próximos seis anos.
Este Capítulo é electivo, ou seja, será eleito (ou reeleito) o Ministro Geral – representante do Pai S. Francisco na terra – e os seus conselheiros (Definidores).
É para a Ordem Franciscana em todo o mundo um tempo de Graça e DOM.
Diz S. Francisco que quem preside ao Capítulo é o Espírito Santo e sempre assim se recorda na Celebração de abertura oficial do mesmo.
Mas também, e desde S. Francisco – por privilégio por ele conseguido – que o Capítulo tem um representante do Santo Padre. A este 187 Capítulo Geral envia o Santo Padre como seu representante Sua Eminência o Senhor Cardeal D. José Saraiva Martins, nosso ilustríssimo conterrâneo.
Os trabalhos capitulares ao longo destes dias serão uma reflexão sobre como podemos nós, Irmãos Menores, com oito séculos de vida e missão anunciar a Palavra de Deus a todos os Homens.
O tema deste Capítulo é: “Verbum Domini nuntiantes in universo mundo” (anunciadores da Palavra do Senhor em todo o mundo).
O tema da nova Evangelização será certamente uma permanente nos trabalhos capitulares onde os irmãos se reunirão em grupos por línguas diferentes, em número de sete.
Peço a todos vós, queridos amigos, que ao longo destes dias rezeis ao Senhor, por intermédio de Francisco e Clara, para que, como rezou S. Francisco diante da Cruz de S. Damião, Ele nos conceda “uma espernça viva, uma fé recta e um amor perfeito a fim de que possamos levar a bom termo o sagrado encargo” que na verdade acaba de dar-nos.
Que o Senhor vos dê a Sua paz…
Podereis acompanhar todos os trabalhos, agenda e fotos em http://www.ofm.org

Oração dos sentidos


Hoje, depois de um dia dedicado aos Crismandos, quero partilhar convosco esta oração linda na sua simplicidade que nos leva a olhar para Cristo com a ternura do olhar de uma criança.
Foi feita por uma mãe e os seus filhos para o momento de acção da graças da nossa Eucaristia.
Saboreai e rezai e... já agora, deixai mensagem a quem nos ajuda a rezar.


Oração dos sentidos

Obrigado Senhor
Pela minha família
Por pertencer a ti!

Obrigado Senhor
Pelo alimento que nos dás
Por saborear o amor
De comungar em ti!

Obrigado Senhor
Pelo olhar de uma criança
Pelo olhar pelos outros
Ver em ti!

Obrigado Senhor
Pelo sentimento do Amor
Amar contigo
Sentir-te em mim!

Obrigado Senhor
Por um abraço amigo
Pela mão de um filho
Pelo sorriso desconhecido
Ser tocado por ti!

Obrigado Senhor
Por andares a meu lado
Passo a passo
A caminhar com os outros
A correr para ti!

Obrigado Senhor
Por me amparares aqui!

Mãe Filomena, Tomás e Duarte Costa
Externato da Luz
4º.B e 2º.B

Por Maria até Deus

A Deus por Cristo
a Cristo por Maria
por Maria aos irmãos

Deus é Vida, Deus é amor, Deus é comunhão. Deus é Paz.
Deus criou-nos para nos comunicar o Seu amor, a sua Vida, a sua paz.
Deus comunica-se directamente a cada um todas as vezes que quer.
Comunica-se muitas vezes indirectamente, através de mediações.

Enviou-nos seu Filho, o Verbo, Jesus Cristo.
Ele é o Emanuel, o Deus connosco.
Cristo é o Mediador entre Deus e os homens.
Em Cristo se estabeleceu a mais profunda comunhão
que Deus queria realizar entre Deus e o homem.
Cristo é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.

Como Deus que é, Cristo faz descer Deus à humanidade.
Sendo verdadeiramente Deus, em Cristo Deus está na humanidade.
Como homem que é, o homem é elevado até Deus.
Sendo verdadeiramente homem, por Cristo o homem está em Deus.

Depois da encarnação o homem ficou a saber que não tem sentido
viver indiferente a Deus, viver à margem de Deus, viver sem Deus.
Só tem sentido viver em Deus, de Deus, para Deus, por Deus, com Deus.
Homem que vive sem Deus tem horizonte muito limitado de vida
porque então não consegue ver mais do que vê diante dos seus olhos
e o horizonte que Deus deu ao homem é o horizonte infinito de Deus.
Homem que vive sem Deus vive apenas a sua realidade humana e temporal
quando Deus criou o homem para viver a realidade divina e eterna.

Para tornar presente à humanidade e nos dar seu Filho
Deus precisou da colaboração de uma mulher para ser mãe de Jesus Cristo.
Deus escolheu Maria e deu-lhe as condições para ela poder ser
a mãe que Ele desejava para seu Filho Jesus Cristo.
Porque Deus age respeitando sempre a liberdade da pessoa humana
solicitou de Maria o seu consentimento para esta colaboração.

Maria foi responsável e consciente no discernimento que havia a fazer
dialogou com Deus todos os aspectos que se lhe apresentaram com dúvidas.
Perante a explicação que Deus lhe deu terminou por dizer Sim
colocando-se inteiramente disponível para o que Deus queria realizar.

Sabendo que os homens não compreenderiam o que ia acontecer
- a começar por José com quem ela estava comprometida –
acreditando na bondade da proposta que lhe era feita pelo anjo
entregou-se plenamente e com toda a humildade a Deus
proferindo as palavras que Lucas nos transmite na anunciação:
«eis-me aqui, faça-se em mim segundo a tua palavra».

Jesus Cristo é verdadeiramente Deus porque é Filho de Deus
Jesus Cristo é verdadeiramente homem porque é filho de Maria.
Toda a natureza divina e toda a natureza humana estão presentes
na pessoa única de nosso Senhor Jesus Cristo.

Maria foi eleita e constituída por Deus mediação especial
pois foi por ela que aconteceu a encarnação do Verbo de Deus.
Maria é verdadeiramente mãe de Deus porque seu Filho é Deus

Maria foi mediação de Deus no momento da encarnação
continuou a ser mediação de Deus depois da encarnação.
Maria esteve sempre a oferecer o seu ser a Jesus Cristo e por Ele a Deus.
Sem Maria Jesus não teria tido condições para nascer e para viver
sem Maria Jesus não teria aprendido a ser o homem que foi
sem Maria Jesus não teria conseguido realizar bem a sua missão.
Maria acompanhou Jesus em todos os momentos e em todas as situações.

Em Jesus tudo se foi orientando para a morte e a ressurreição
Maria acompanhou Jesus na subida a Jerusalém
no caminhar progressivo de cada dia até chegar à páscoa
Maria estava presente no momento em que Jesus é crucificado
Maria está com Jesus no momento em que Ele dá a vida por nós
Maria é a grande testemunha de Cristo vivo e ressuscitado.
Maria está com os discípulos à espera da vinda do Espírito Santo
Maria ensina os discípulos a esperar e a receber o Espírito
Maria acompanha os discípulos quando eles saem para testemunhar Jesus
Maria é a primeira discípula de Jesus antes e depois da morte e ressurreição
Maria é a mãe da Igreja que nasce da vida de Jesus plenamente oferecida.

No mês de Maio temos oportunidade de recordar e celebrar
toda esta realidade que Deus fez acontecer em Maria e por Maria.
Centrando a nossa atenção e o nosso coração em Maria
por ela somos levados a Cristo e por Cristo a Deus
por ela continuamos a receber a bênção de Deus
por ela aprendemos a acolher a vontade de Deus
por ela aprendemos a oferecer a Deus o nosso ser
para que Cristo possa encarnar em cada um de nós
tornando toda a nossa vida cheia de Vida
para que Cristo possa encarnar por cada um de nós
tornando presente a Vida na vida dos irmãos.

Saudação à Bem-aventurada Virgem Maria

Entre as muitas orações a Maria Mãe de Jesus e nossa mãe
encontramos a Saudação à Bem-aventurada Virgem Maria
que Francisco rezou e deixou escrita para nós podermos rezar:

Salve, Senhora santa Rainha, santa Mãe de Deus,
Maria virgem convertida em templo,
e eleita pelo santíssimo Pai do céu,
consagrada por Ele com o seu santíssimo amado Filho
e o Espírito Santo Paráclito;
que teve e tem toda a plenitude da graça e todo o bem!
Salve, palácio de Deus!
Salve, tabernáculo de Deus!
Salve, casa de Deus!
Salve, vestidura de Deus!
Salve, mãe de Deus!

Rezando a Maria e por Maria somos por ela abençoados.
A bênção não só faz descer a graça sobre nós
mas também nos transforma em bênção para os irmãos.
Somos bênção porque a realidade que Maria era em seu ser
é realidade que também nós somos em nosso ser.
Somos bênção porque a realidade que Maria transmitia
também nós a transmitimos por nosso testemunho aos irmãos.

Em Maria, com Maria e por Maria também cada um de nós é:
templo habitado e construído pelo Espírito Santo
ser consagrado a Jesus Cristo e por Jesus Cristo a Deus
ser que tem permanentemente em si a graça e o bem.

Como Maria
pela graça que Cristo nos comunica
pela graça que Ele gera em nós
pela graça que Ele gera por nós

cada um de nós é:
palácio de Deus
tabernáculo de Deus
casa de Deus
vestidura de Deus
mãe de Deus

Fr. Mário Silva OFM

Cristo Rei: Cinquentenário

Uma vez mais Lisboa tem a honra de receber a imagem de Nossa Senhora de Fátima, Aquela que se venera na Capelinha das aparições. Neste momento as ruas da biaxa de Lisboa estão apinhadas aos milhares, na Igreja de S. Nicolau centenas de crisnças vestidas de branco, aguardam mais alguns minutos para acompanhar a Imagem até à Praça do Comércio para a Celebração do Terço e Eucaristia. Já as ruas e praça se apinham de fiéis.
A Imagem da Mãe volta a Lisboa e Almada, como há cinquenta anos. Então, para a bênção e inaguração do Monumento ao Cristo Rei, mandado construir como agradecimento, ao Sagrado Coração de Jesus, pelo facto de Portugal ter sido privado da segunda guerra mundial. Hoje para celebrar os cinquenta anos de Fé.
É lindo olhar de Lisboa, sobre o rio Tejo e a Ponte, o Cristo que de braços abertos a todos nos acolhe e mostra o Seu Coração como sinal do Seu Amor por nós. Mais lindo ainda é tentar ter os olhos de Cristo e imaginar-se a olhar o Rio e a cidade (Portugal inteiro) com uma paisagem sempre linda e nova.
E Maria, a Senhora de Fátima, acompanha os seus filhos que querem cantar um hino de louvor a Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo.
Esta noite a Imagem da Mãe será levada num barco para a margem sul ao encontro do Filho e amanhã ambos, juntamente com as relíquias de Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa que difundiu a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, serão o centro da nossa fé em Almada, Lisboa, Portugal e no mundo.
Nesta hora a todos confio sob a protecção de Cristo Rei e Senhor, de Maria e de Sta Margarida.
VIVA CRISTO REI!


Nota Pastoral do Episcopado Português

Ocorre a 17 de Maio de 2009 o cinquentenário da inauguração do Santuário a Cristo Rei, em Almada, na diocese de Setúbal. Os Bispos de Portugal consideram oportuno lembrar o contexto deste empreendimento, focar os eixos da espiritualidade que o ergueram e aprofundar a mensagem deste Santuário para as comunidades cristãs.
1. As razões motivadoras para levar por diante a construção do Santuário de Cristo Rei estão bem evidentes nas Cartas Pastorais colectivas do Episcopado Português de 1937, 1946 e 1959. De facto, perante a cruenta guerra civil na vizinha Espanha e o crescimento do desprezo por Deus, o monumento era acto de desagravo, mas sobretudo expressava gratidão a Cristo por Portugal gozar de paz e incentivava a exigência de um ressurgimento nacional inspirado, na linha da tradição, em Jesus Cristo, único Senhor.
Fundamental para o avanço da concretização da ideia foi, sem dúvida, o movimento espiritual, dinamizador dos católicos para a adesão e para a partilha de bens, necessárias para levar a bom termo a iniciativa do Episcopado. Sem a Acção Católica, com a sua mística do reinado social de Cristo, e o Apostolado de Oração, promotor da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, a ideia da erecção do Monumento não avançaria.
Só após o fim da guerra, em Maio de 1945, se anunciou, na Pastoral colectiva de 18 de Janeiro de 1946, a decisão de cumprir o voto de levantar o Monumento a Cristo Redentor. As obras terminariam apenas em 1959, graças à generosidade e empenho dos católicos.

2. As correntes de espiritualidade animadoras do projecto mostraram vigor interior e eficácia na mobilização. A centralidade da vida espiritual em Cristo, sempre associando o Coração de Maria, dentro da fiel tradição católica, estava presente nos referidos movimentos mais dinâmicos da época em que nos situamos.
O pontificado do Papa Pio XI (1922-1939), que tinha assumido como máxima “Pax Christi in Regno Christi” (A Paz de Cristo no Reino de Cristo), deu impulso novo a um catolicismo militante no seio da sociedade. A Festa de Cristo Rei, instituída em 1925, insere-se neste espírito da “realeza social de Cristo”. Visava instaurar e dilatar o reinado de Cristo pela recristianização da sociedade, passo e condição fundamental para a salvaguarda da paz. A mentalidade da época era particularmente sensível a uma verdade universal: se a sociedade obedecesse à lei de Cristo, em vez de esquecer Deus, haveria uma ordem social que respeitaria a liberdade, a acção e a organização da Igreja; dar-se-ia primado ao espiritual, o que conduziria a um humanismo integral.
3. O II Concílio do Vaticano recentrou a reflexão teológica na relação entre o crescimento do Reino de Deus e o progresso da cidade terrena. Neste enquadramento, uma renovada visão da Igreja revalorizou a dimensão missionária e o papel militante dos leigos na construção do mundo, na fidelidade à novidade inaugurada em Cristo. Aliás, a nova localização da festa de Cristo Rei, no final do ano litúrgico, em vez do último domingo de Outubro, sublinha o alcance escatológico da festa, associado à preparação da manifestação gloriosa de Cristo. Seguindo estas coordenadas e atendendo ao papel pastoral que os santuários são chamados a desempenhar, como lugares de animação espiritual, apontamos para uma actualizada mensagem do santuário: acolher Cristo como fonte de vida e transformar a sociedade segundo os critérios do Reino de Deus.
4. Fundamental é, antes de mais, acolher o apelo do Papa João Paulo II para o novo milénio: fixar o olhar intensamente em Cristo, sem distracções. Perante tanta publicidade a suscitar a nossa atenção, a seduzir o nosso olhar, a distrair-nos do que é essencial, eis a proposta ousada do Papa: a partir da leitura contemplativa dos Evangelhos, encontra-se o rosto do Senhor. Será pela experiência de silêncio e oração, ambiente adequado para um conhecimento mais “verdadeiro, fiel e coerente” (NMI, n. 20) daquele mistério de um Verbo feito carne, que cada um de nós se poderá debruçar sobre o abismo do mistério profundo de Cristo. Haverá momentos para cair em adoração, como quando se enfrenta a hora da Cruz, e momentos de conversão ao rosto do Ressuscitado, qual experiência pascal revigorante. Na expressão papal, “confortada por esta experiência revigorante, a Igreja retoma agora o seu caminho para anunciar Cristo ao mundo no início do terceiro milénio” (NMI, n. 28). É, realmente, fundamento da acção missionária reviver, como fonte da verdadeira alegria do coração, pela contemplação, a experiência do rosto integral de Cristo. Há um Senhor da História. Mesmo nos momentos mais difíceis da humanidade somos guiados por Ele, como manifestaram os bispos portugueses há cinquenta anos. O Coração trespassado de Cristo abre-se a interceder por nós (cf. Heb 7,25). Convida: “vinde a mim, vós todos que andais cansados e oprimidos” sob o fardo da vida (Mt 11,28). Uma espiritualidade centrada em Cristo conduz a dar a vida pelo Reino, de modo mais frutuoso. O ardor apostólico vem do encontro pessoal com Cristo, da necessidade de comunicar ou narrar a outros a experiência vivida. A santidade, o modo único como cada um responde à nova vida em Cristo, é a chave do ardor renovado da nova evangelização. Só assim se suscitará a adesão pessoal a Jesus Cristo e à Igreja de tantos homens e mulheres baptizados que vivem sem energia o cristianismo.
5. De facto, centrado em Cristo, o cristão acolhe o dinamismo da geração eterna do Verbo feito homem e situa-se no tempo! A comunhão no Corpo de Cristo faz participar na oferenda do dom realizado por Cristo, Rei e Senhor. Oferecendo-se com Jesus, o cristão integra-se no dinamismo da história. Oferece-se para viver, segundo o espírito filial, os mistérios do trabalho, do amor e de adoração, na vontade de conduzir à perfeição o movimento transformador da sociedade.
O respeito pela laicidade positiva é desejado e favorecido por uma acção corajosa e eficaz dos cristãos radicados no serviço do Reino de paz e de justiça.
Por sua vez, ler a presença de Deus na história, à luz de Cristo, é fonte de novo ardor na construção do bem comum. Trata-se de um ardor marcado pela valentia. O evangelizador não se pode calar. Acontece, assim, o anúncio, a denúncia de injustiças, a resposta pronta e concreta às situações. Também a causa dos pobres, de todas as formas de pobreza, faz arder o apaixonado por Cristo e entusiasma o evangelizador fiel à salvação de Deus no decurso da história.
6. A Conferência Episcopal Portuguesa renova, nesta hora, a vontade de conduzir os cristãos à contemplação do mistério do Redentor, Jesus Cristo, vendo no Coração humano do Verbo encarnado a fonte inesgotável, capaz de saciar todas as sedes. O Monumento, amplamente visível, que nos apresenta Cristo de coração e braços abertos, é um sinal eloquente da verdadeira imagem de Deus: humano e acolhedor, manso e humilde, um Deus que ama infinitamente a cada pessoa e a toda a humanidade. Recordar ou ver o Monumento a Cristo Rei deverá avivar a feliz notícia de que “Deus é amor” (1 Jo 4, 8.16). É este mesmo Amor que nos impele a, unidos a Cristo, lutar sempre para libertar a sociedade do nosso tempo da escravidão e da injustiça, ser defensores da vida em todas as circunstâncias, ser capazes do perdão, estar atentos à salvaguarda da criação, ser construtores da paz e arautos da esperança.
Apelamos às comunidades cristãs e aos movimentos que encontrem modos concretos para centrarem mais em Cristo a sua vivência espiritual e para agirem como sinais vivos do amor de Deus no tempo presente.
Fátima, 16 de Janeiro de 2009

In http://www.cristorei.pt/html

Mãe da Hospitalidade

Ao terminarmos este dia das Aparições de Nossa Senhora em Fátima, uma prece de gratidão por todos vós que fizestes do Retalhos um encontro de oração e comunhão.
De Portugal para o mundo a bênção de Deus por intermédio de Maria.
Fica aqui também a partilha da Vocação Hospitaleira, já que hoje também é o dia da Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus. Hoje celebram 63 anos que foi criada a Província Portuguesa.
Que a todas as Irmãs, Maria, a Senhora do Coração de Jesus, conceda a Sua bênção materna.


"Maria nos estimula com o seu exemplo de Fidelidade, a secundar com prontidão, confiança e humildade, os planos de Deus sobre nós." (Const.34)

Hoje, dia 13 de Maio, dia da Mãe, dia da Província Portuguesa das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, colocamo-nos sob a protecção Maternal de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe.

ORAÇÃO

Quando olho a minha história de Amor Senhor
Escondo-me no TEU Coração
Para poder olhá-la com o Teu olhar de Misericórdia e Compaixão.

Eu hospitaleira que Tu quiseste para Ti
Hoje canto meu “Magnificat” com Maria
Porque fizeste Maravilhas ma pequenez
De tantas mulheres – hospitaleiras.

Hoje, com Maria, minha alma glorifica-Te
Porque sou um passo de tantos já dados
Hoje recordo tantos dirigidos a Ti, escondido no Sacrário
Para estar Contigo AMADO
Primeiro as duas – Josefa e Angustias
Que historia de Amor louco – capaz de deixar tudo
Enamoradas só de Ti – Deus com o Coração resgatado (apanhado)
Dele brotou a vida, Ele deu a luz
a este Pão formado de tantas sementes de trigo
Que se deixaram esmagar, moer, perder em Ti
porque as olhastes com imensa misericórdia
convidando-as a perder-se para ganhar a vida
quanta vida dada, gerada
quantas vigílias à beira da cama das filhas amadas
partilhando a dor
Não se importavam de ser chamadas “as irmãzinhas das loucas”
Porque o AMOR só tem um nome – “entrega esquecida”
Como Tu Senhor Amado na Cruz
Que sustentava os passos das Tuas amadas
Tu único Deus cantavas no coração de cada hospitaleira: “Só Deus basta”
Tu enceste de bens os famintos
Enchestes seus corações de compaixão e misericórdia,
De hospitalidade infinita.

O meu coração se alegra em Ti
Pai de bondade, com o coração aberto
Que foi e hoje continua a ser o regaço para nós
Descanso e fortaleza
Fonte inesgotável de compaixão
Casa aberta onde as filhinhas perdidas
Encontram o abraço de perdão…

Por isso, hoje dia da Província, de modo muito especial, colocamo-nos sob a protecção maternal da Maria, Senhora de Fátima, Mãe de Jesus e nossa Mãe.
Ao Seu coração confiamos a nossa realidade e sobretudo agradecemos-Lhe o dom de cada Irmã hospitaleira, as de hoje e as de ontem, todas aquelas que com a sua vida, totalmente entregue nos foram ensinando os caminhos de Deus, numa atitude alegre, de abandono e confiança no Pai…

Que Maria nos ajude a responder com Fidelidade em cada dia, à voz de Deus que nos chama…Que Ela nos ensine a viver em doação total a Deus e em amor gratuito aos irmãos.
Que ELA nos abençoe e com seu olhar maternal, encha de esperança e da Paz as nossas vidas, e, nos ensine a viver no Coração de Seu Filho, reproduzindo em nós os Seus sentimentos de bondade, ternura e misericórdia.

Uma prece muito especial a Maria pela missão que realizamos, por todos os que connosco a partilham, por todos as pessoas doentes a quem prestamos cuidados nas nossas casas (Centros) e por cada irmãs das nossas comunidades.
Que a todos e todas, encha com o seu Amor profundo, simples e incondicional.
O mesmo peço para todos os que fazem parte deste espaço “Retalhos” e peço oração…

Deus Te salve, Serva, Mãe e Rainha!
O Pai Eterno Te elevou
acima de todos os homens e mulheres
ao chamar-Te a um serviço particular:
ser Mãe do seu Filho!
Tu, és a Imagem perfeita da união
entre o amor de Deus e o serviço aos irmãos,
entre a evangelização e a promoção humana.
És modelo dos discípulos de Cristo.
Acompanha a caminhada de Fé
de todos os Teus filhos e filhas
e alcança-nos a graça da salvação
e uma paixão que nos torne testemunhas vivas de Teu Filho Jesus."

(Uma Irmã Hospitaleira)

Fátima: Prece à Mãe

É noite em Portugal...
Mas é uma noite muito especial para tantos milhões de Portugueses e Luso descendentes em todo o mundo.
É noite especial para muitos homens e mulheres que em todo o mundo celebram Maria, a Mãe de Jesus e Mãe nossa que se dignou vir a esta terra trazer uma mensagem de paz e amor.
Pela televisão assiste-se em directo à Procissão de velas. Cheio o recinto do Santuário, um mar de luz que torna em brancura a noite fria e a noite da nossa vida porque acompanhar a Mãe, cantar-lhE louvores, suavisa o nosso viver.
Muito criticam estes gestos que por todo o mundo se repetem, ferem a dignidade de Nossa Senhora, aviltam a liberdade de Deus se manifestar como e onde lhE aprouve.
Com Paulo VI, Fátima, deixa de ser Portugal, passa a ser o "altar do mundo".
Com João Paulo II, Fátima deixa de ser simplesmente o "altar do mundo" para ser parte do coração e da vida deste querido devoto de Nossa Senhora, a Senhora de Fátima, que o salvou e que hoje, cravada na Sua Coroa, guarda a bala que atravessara o corpo do Supremo Pastor. Fátima é ainda a guardiã do anel Episcopal do Santo Padre João Paulo II.
É com muita comoção que escrevo enquanto vou olhando o televisor e escutando "Avé Maria"...
E agora se inicia: "Senhora um dia descestes, à terra que em vós confia...."
Sim Mãe... somos os teus filhos que em ti confiam...
Na verdade Mãe... não existe, não pode existir identidade portuguesa sem que se manifeste esta confiança para com a Mãe de Jesus.
"Salvé, Regina, ora pro nobis Maria..." se canta.
Olha e roga por nós, ó Mãe...
Olha pelos meus pais, pelos meus irmãos, cunhados e sobrinhos...
Olha Mãe por todos os meus AMIGOS... tantas vezes me sinto um ingrato por nao ser capaz de os olhar com o Teu olhar maternal ou com o olhar de Jesus.
Olha Maria por todos os que se confiam à minha oração... e são tantos Mãe, são tantos...
Olha por todos os que fazem deste espaço "Retalhos" um lugar de encontro e oração e, neste mês, de olhar para ti em directo na Tua Capelinha.
Maria, MUlher e Mãe, olha por mim... "eu sou Teu filho também..."
"Salvé, Regina! Salvé, Regina... ora pro nobis Maria!"

Peregrinar: "Quem me vê, vê o Pai..."

MÊS DE MAIO, É TEMPO DE PEREGRINAR…

Nos últimos tempos, a minha vida tem sido uma busca contínua de dar resposta a desafios que faço a mim própria e a outros que me são feitos por Amigos.
Este ano participei pela terceira vez, numa peregrinação a FÁTIMA.
Porque é que o fiz? O que me impulsionou?
Fecho os olhos e penso:
O que é para mim PEREGRINAR?
Peregrinar é a forma, é o modo que mais gosto, de estar na vida.
É voltar ao coração de Deus de onde saí.
É sentir o quanto sou limitada.
É sentir fome, sede, cansaço e saber que naquele instante é preciso continuar, não dando tempo, para repor energias.
É ter o gosto de subir à montanha e alargar horizontes.
É sentir que ELE caminha connosco e na nossa fraqueza, ELE é a nossa força.
É superar os próprios limites e ajudar os outros a superá-los também.
É deixar-se guiar, conduzir, orientar, nas encruzilhadas.
É confiar naquele que guia…
O que foi para mim esta PEREGRINAÇÃO?
“Não chegar atrasado por excesso de bagagem…” propósito quaresmal de Retalhos, deu um sentido novo a esta peregrinação. Quando peregrinamos em veículo próprio, levamos praticamente “a casa às costas”; mas se o fazemos a pé, começamos a reduzir, a limitarmo-nos ao essencial, deixando o supérfluo.
Esta peregrinação é composta por um grupo de quinhentos peregrinos, sendo quase na sua maioria, jovens. São eles que preparam, animam, guiam, quase tudo, com uma alegria contagiante e uma disponibilidade para servir que a todos contagia. No pequeno manual da peregrinação, encontrava-se esta motivação.
"Senhor mostra-me o Teu rosto! Deixa-me encontrar-Te ou então, encontra-me Tu a mim. Ser peregrino é levar nos passos o desejo deste encontro. Mover-se pela vontade de encontrar o lugar onde se quer chegar, de encontrar outros pelo caminho, de encontrar-se a si mesmo, de encontrar o sentido do caminho que é a vida. E no íntimo da alma, vai essa saudade de encontrar Alguém que nos espere num abraço que nos faz nascer de novo."
O lema desta peregrinação "QUEM ME VÊ, VÊ O PAI", foi vivenciado através de várias dinâmicas. Tivemos tempos de silêncio, de oração, de convívio, de partilha, de contemplação da Natureza, de Paz…
Houve momentos muito fortes ao longo dos três dias como por exemplo os testemunhos que foram dados, a Celebração da Eucaristia no Castelo de Porto de Mós e a chegada junto da Mãe, em Fátima.
Em jeito de conclusão, só me ocorre dizer que enquanto puder, não faltarei a este tempo precioso de crescimento interior.

Maresia, em peregrinação.

Dia da Europa, Bandeira da Imaculada

Que é o Dia da Europa ?

Poucos cidadãos europeus sabem que a 9 de Maio de 1950 nasceu a Europa comunitária, numa altura em que, devemos recordá-lo, a perspectiva de uma terceira guerra mundial angustiava toda a Europa. Nesse dia, em Paris, a imprensa foi convocada para as dezoito horas no Salon de l'Horloge do Quai d'Orsay, quartel-general do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, para uma "comunicação da maior importância". As primeiras linhas da declaração de 9 de Maio de 1950, redigida por Jean Monnet, comentada e lida à imprensa por Robert Schuman, Ministro dos Negócios Estrangeiros da França, dão imediatamente uma ideia da ambição da proposta: "A paz mundial não poderá ser salvaguardada sem uma criatividade à medida dos perigos que a ameaçam". "Através da colocação em comum de produções de base e da instituição de uma Alta Autoridade nova, cujas decisões ligarão a França, a Alemanha e os países que a ela aderirem, esta proposta constituirá a primeira base concreta de uma federação europeia, indispensável à preservação da paz". Era assim proposta a criação de uma instituição europeia supranacional, incumbida de gerir as matérias-primas que nessa altura constituíam a base do poderio militar, o carvão e o aço. Ora, os países convidados a renunciar desta forma ao controlo exclusivamente nacional destes recursos fundamentais para a guerra, só há muito pouco tempo tinham deixado de se destruir mutuamente num conflito terrível, de que tinham resultado incalculáveis prejuízos materiais e, sobretudo, danos morais: ódios, rancores e preconceitos. Assim, tudo começou nesse dia, razão que levou os Chefes de Estado e de Governo, na Cimeira de Milão de 1985, a decidirem celebrar o 9 de Maio como "Dia da Europa". Os diversos países, ao decidirem democraticamente aderir à União Europeia, adoptam os valores da paz e da solidariedade, pedra angular do edifício comunitário. Estes valores concretizam-se no desenvolvimento económico e social e no equilíbrio ambiental e regional, únicos garantes de uma repartição equilibrada do bem-estar entre os cidadãos. A Europa, enquanto conjunto de povos conscientes de pertencerem a uma mesma entidade que abrange culturas análogas ou complementares, existe já há séculos. No entanto, a consciência desta unidade fundamental, enquanto não deu origem a regras e a instituições, não pôde evitar os conflitos entre os países europeus. Ainda hoje, alguns países que não fazem parte da União Europeia não estão ao abrigo de tragédias terríveis. Como qualquer obra humana desta envergadura, a integração da Europa não se constrói num dia, nem em algumas décadas: as lacunas são ainda numerosas e as imperfeições evidentes. A construção iniciada imediatamente a seguir à II Guerra Mundial foi muito inovadora: o que nos séculos ou milénios precedentes podia assemelhar-se a uma tentativa de união, foi na realidade o fruto de uma vitória de uns sobre os outros. Estas construções não podiam durar, pois os vencidos só tinham uma aspiração: recuperar a sua autonomia. Hoje ambicionamos algo completamente diferente: construir uma Europa que respeite a liberdade e a identidade de cada um dos povos que a compõem, gerida em conjunto e aplicando o princípio segundo o qual apenas se deve fazer em comum o que pode ser mais bem feito dessa forma. Só a união dos povos pode garantir à Europa o controlo do seu destino e a sua influência no mundo. A União Europeia está atenta aos desejos dos cidadãos e coloca-se ao seu serviço. Conservando a sua especificidade, os seus hábitos e a sua língua, todos os cidadãos se devem sentir em casa na "pátria europeia", onde podem circular livremente.
In: http://europa.eu





Bandeira e Imaculada Conceição

Esta Europa que incompreensivelmente renega raízes cristãs, e pretende apresentar-se ao mundo como laica, adoptou, sem saber, na sua bandeira, símbolos cristãos; melhor: de inspiração mariana.
Os que conhecem a história do povo europeu sabem que nada há que os una: língua, costumes, tradições, divergem, e o passado remoto encontra-se carregado de ódios e atrozes aleivosias. Apenas a crença os pode ligar: todos se declaram cristãos.
Mas a teima de serem ou parecerem laicos, leva-os ao apartamento de qualquer símbolo religioso. Cristo não tem cabimento na U.E., segundo parecer de quem manda no velho continente, ainda que o povo – apesar do esforço do poder, – mantenha-se fiel à Fé.
Quando a 29 de Maio de 1986, o Secretário-geral do Conselho da Europa, Marcelo Oreja, hasteou a bandeira, no palácio de Berlamont, estava longe de imaginar que a divisa da Europa era imbuída de símbolos católicos.
Na época, poucos conheciam a razão das doze estrelas sobre fundo azul. Anos depois, quando já não era possível recuar, foi explicado o verdadeiro significado.
“Lourdes Magazine” revista publicada pelo conhecido santuário francês, em Julho de 2004, revelou o que há muito constava.
A bandeira foi inspirada na visão de Catarina Labouré, jovem noviça. Foi a 27 de Novembro de 1830. Estava Catarina na capela das Irmãs de Caridade, na Rua do Bac, em Paris, apareceu-lhe a Virgem e disse-lhe que mandasse cunhar medalha, a que chamou de “Milagrosa”.
Esta, apresenta Maria com os pés pousados no mundo e no verso, o monograma da Mãe de Jesus, a cruz e dois corações, tudo circundado por 12 estrelas que é a coroa da Virgem.
Ora quando Arséme Heitz idealizou a bandeira, inspirou-se nessa visão. Segundo o autor, o azul representa o céu e as 12 estrelas, o resplendor que cerca a cabeça da Imaculada Conceição.
Se os “agnósticos” europeus fossem mais versados em temas bíblicos, não desconheceriam, igualmente, que o Apocalipse 12:1, descreve mulher resplandecente como Sol, coroada de 12 estrelas. Nem ignorariam que 12 foram os filhos de Jacob; 12 são as tribos de Israel; e 12 os Apóstolos.
Mas como desconheciam a simbologia bíblica, e ainda menos a visão de Santa Catarina de Labouré – ou Deus os cegou, – pensaram que o número 12 era sinal de: perfeição, plenitude e unidade; lembrando-se dos 12 meses do ano e dos 12 signos do Zodíaco.
E a 8 de Dezembro de 1955 – que coincidência! - aprovaram a bandeira, que tem estampado, sobre azul celeste, o símbolo da pureza da Imaculada Conceição.
Por onde se conclui que, renegando raízes cristãs, a Europa mostra, na divisa, a coroa da Virgem Santíssima.
Deste jeito se infere que o povo tem razão ao afirmar: Deus escreve torto por linhas direitas.

A Medalha Milagrosa, que a Virgem recomendou trazer junto ao peito, não é amuleto. As graças, segundo Ela, serão abundantes, se existir fé e se cumpra ou se tente cumprir, os Mandamentos.
Em 1842 foi um grande acontecimento a conversão do banqueiro judeu, Afonso Ratisbonne, após haver recebido a Medalha Milagrosa. Este homem de negócios veio afundar, com o irmão Teodoro Ratisbonne, a Congregação dos Missionários de N ª Senhora do Sion.
Dezanove anos depois das aparições, em Paris, foi erguido o Santuário de Nª Senhora das Graças, no Monte Sião, Minas Gerais, com o fim de difundir a Medalha Milagrosa.
HUMBERTO PINHO DA SILVA


Fátima on-line

Amigos, paz e bem.
Eis-nos já entrados no mês de maio, mês da Mãe, mês de Maria.
Como sabeis desde o dia 1 de janeiro que o Santuário de Fátima nos permite aceder, em directo pela Internet, às celebrações realizadas a partir da Capelinha das Aparições, bem como a tudo o que ali se passa diante do altar e da Imagem da Mãe.
Este novo serviço estará disponível 24h00 por dia, em
http://www.fatima.pt/capelinha.html
Num comunicado enviado à impresa o Santuário de Fátima refere que "este serviço surge em resposta aos muitos pedidos que os internautas fizeram chegar nos últimos anos ao Santuário de Fátima". Desta forma é agora possivel "ver em directo o chamado ‘coração' do Santuário de Fátima, e acompanhar as celebrações ali realizadas".
Neste momento em que escrevo este texto prerara-se uma Eucaristia para as 17h00.
Como é bom poder chegar, via internet ,ao “Altar do mundo” como lhe chamou o Papa Paulo VI e de forma especial a esta Capelinha tão amada por João Paulo II.
Assim, neste mês de Maria, aqui no nosso Retalhos poderemos entrar nós também em directo para rezar com os peregrinos ou simplesmente no silêncio contemplar a Mãe.
Não se admirem do espaço à volta do altar estar quase sempre sem movimento, isto tem a ver com a privacidade e o direito à imagem de cada pessoa.
Peço a todos quantos chegardes à Capelinha on-line, pelo Retalhos, que eleveis uma prece por todos os nossos Amigos desta família e… se vos dignardes, uma pequena prece por mim, pelos meus e pelas intenções que me são recomendadas.
Como João Paulo II dizemos “Totus Tuus Maria”…
Como Maria exclamamos: “Ecce fiat Magnificat”…
Santa Maria prega per noi!

Vocação! Mãe! Bom Pastor!

"Sei em quem pus a minha confiança..."
Com João Paulo II rezemos pela VOCAÇÃO neste dia dedicado à oração pelas vocações.
Dia do BOM PASTOR, DIA DA MÃE.
OBRIGADO A CRISTO QUE NOS CHAMA e às nossas MÃES que nos deram à LUZ...

OBRIGADO A TODAS AS MÃES QUE DEUS COLOCOU NO MEU CAMINHO...

Vocação Religiosa

Chamados em Missão, com muitos rostos, carismas e acção mas sempre com a nossa confiança em Deus porque eu "sei em quem pus a minha confiança..." e Ele não me abandonará.

Pedi ao Senhor da messe...

Semana de Oração pelas Vocações

Celebramos esta semana o tempo de ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
"Sei em quem pus a minha confiança" (2 Tim 1, 12"
Saber em quem confiamos é acolher o chamamento que de Deus nos vem. Acolher com a confiança que isso implica de antemão porque só aceita algo de alguém quem confia nesse alguém.
Assim acontece também connosco, chamados à Consagração, sabemos em quem pusemos - e pomos - a nossa confiança.
A crise - ouvimos nas notícias - é grande a todos os níveis, até ao nível das vocações consagradas e sacerdotais contudo, aliada a esta não existe crise de trabalho na Messe do Senhor que chama.
Cristo continua a chamar-nos para sermos testemunhas e partir a anunciar a Boa-nova do Reino.
Somos, por isso, todos enviados à missão, chamados a ser presença de Cristo junto dos outros.
Sacerdotes, Religiosos e Leigos Consagrados somos os mais directamente implicados neste chamamento e nesta resposta ao apelo de Cristo.
Coloquemos n'Ele a nossa confiança já que Ele, por sua vez, ao chamar-nos, também põe em nós a Sua confiança.
Que o Senhor da Messe dê força e coragem aos que esolheu para si...
Oração da Semana das Vocações
DAI-NOS ROSTOS CLAROS
Pai, Senhor do Universo e da História,
nós sabemos que as vocações são um dom do vosso amor,
fruto da vossa iniciativa, chamamento que fazeis a cada um, para viver uma existência plena de amor e liberdade.
Escutai hoje esta oração que vos pedimos, especialmente por aqueles operários que se dediquem às grandes messes da humanidade inquieta, que façam ouvir o Evangelho aos que não se sentem amados, que andam perdidos e desorientados.
Mandai-nos apóstolos de coração puro, testemunhos santos.
Rostos claros de pessoas felizes porque escolhem o máximo, arriscam tudo e recebem cem vezes mais.
Não Vos importa que nos faltem mestres de caridade e paciência?
Apóstolos que digam aos jovens que há uma beleza indestrutível no mais fundo de si, misteriosa e luminosa, que nada nem ninguém pode ofuscar?
Operários que os ajudem a sintonizar a voz bela e verdadeira do Bom Pastor que os chama porque os ama?
Que os vossos operários transmitam confiança e serenidade, sejam sinais de esperança do Reino que virá.
Escutai com bondade, ó Pai, estes pedidos que Vos fazemos com fé,
cumprindo as indicações de Jesus, Vosso Filho e nosso Irmão.
Amem.

São Nuno de Santa Maria: ALELUIA

Nuno de Santa Maria torna-se este Domingo, 26 de Abril, o primeiro português a ser canonizado desde que Paulo VI, a 3 de Outubro de 1976, declarou Santa a religiosa Beatriz da Silva (Franciscana).
A cerimónia é presidida por Bento XVI, que assim apresenta a figura do Condestável como digna de veneração em todo o mundo.
Bento XVI proclamará a Fórmula de canonização:
Em honra da Santíssima Trindade, para exaltação da fé católica e incremento da vida cristã, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e a Nossa, após ter longamente reflectido, invocado várias vezes o auxílio divino e escutado o parecer dos nossos irmãos no Episcopado, declaramos e definimos como Santos os Beatos Arcangelo Tadini, Bernardo Tolomei, Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, Geltrude Comensoli e Caterina Volpicelli, e inscrevemo-los no Álbum dos Santos e estabelecemos que em toda a Igreja eles sejam devotamente honrados entre os Santos”.
Lida a fórmula, são colocadas junto ao altar as relíquias dos novos Santos, transportadas por alguns fiéis, e a assembleia repete “Aleluia”. O Arcebispo Amato e os postuladores agradecem então ao Papa.
O prefeito da Congregação para as Causas dos Santos pede que seja redigida a Carta Apostólica a respeito das canonizações que acabaram de ter lugar. Bento XVI responde “Decernimus”, ou seja, “ordenamo-lo”.

O SANTO CONDESTÁVEL NÃO CONTESTÁVEL

Bagão FélixNo meio da parafernália de pequenas, médias e grandes notícias sobre quase tudo e quase nada, foi com alegria que recebi a notícia da canonização de D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável. Como católico e como português. E também pelo facto de a este processo de canonização estar associado o Cardeal português D. Saraiva Martins, de quem, há cerca de três anos, tive a honra de apresentar o livro “Como se faz um Santo”.É claro que esta simbólica distinção que muito honra a portugalidade no Mundo – mesmo que analisada apenas fora do contexto religioso – não faz manchetes, como fazem à profusão as distinções de um bom jogador de futebol, de um consagrado autor, de um artista de telenovela ou de um empresário de sucesso fulminante. O que anima certos meios de opinião liofilizada e quase sempre desconhecedores da religião é a discussão (?) sobre a natureza do milagre que está associado à canonização do Beato Nuno. Mas o povo, na sua sabedoria genuína e despoluída, já há muito o havia consagrado como o Santo Condestável. Isso mesmo: santo carmelita e condestável chefe militar e primeiro dignitário do Reino!Agora que os Santos parecem estar “fora de moda” numa sociedade de “zapping”, comportamentalmente hedonista, moralmente relativista e subjugada à “ditadura das banalidades”, o que vem à liça é minimizar a espiritualidade e a transcendência associadas à santidade. Daí que, nesta onda em que é quase compulsivo em certos meios pôr em causa tudo o que emerge no seio da Igreja, o Santo Condestável seja depreciado por alguns como um “contestável santo”…O que é certo é que D. Nuno Álvares Pereira, cuja vida de verdadeiro patriota não é de todo contestável e nos habituámos a respeitar, é um exemplo num tempo em que o valor da exemplaridade escasseia. Não apenas na sua vida mais religiosa quando após a morte da sua mulher e despojado de todas as propriedades, títulos e honrarias, se tornou carmelita e viveu um tempo totalmente dedicado aos mais pobres entre os pobres, mas igualmente como notável general de uma guerra que nos garantiu a independência seriamente ameaçada.Ser santo - como o demonstra a vida de Nuno Álvares Pereira - sempre representou uma forma de subversão, traduzida em cada época de modo diverso e como regra vivida na ausência de qualquer forma de poder, que é onde se revela toda a força da presença de Deus. Na sociedade contemporânea em que, no plano da relação com Deus, clamamos muito mas obedecemos pouco, o Santo é uma espécie de novo insurrecto sinalizador e modelo da pureza, da harmonia, da espiritualidade levada à sua mais bela singeleza.
No fundo, somos reconduzidos à mais forte constatação: a de que para se ser santo é necessário praticar e, acima de tudo, concretizar o Evangelho. Assim se atinge a perfeição da caridade entendida como a mais elevada medida de amor para com o Criador e para com o próximo. São Paulo haveria de sintetizá-la numa curtíssima expressão: não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim.
A santidade de Nuno Álvares Pereira simboliza a purificação da heroicidade do simples e é a expressão vitoriosa do homem de e para todos os tempos sobre o homem do instante. A santidade sempre foi entendida como a expressão da Graça Divina, mas também da condição livre de se ser pessoa. O Santo Condestável representa, na História de Portugal e do Mundo, este traço de união entre o passado e o futuro, entre a memória e o exemplo, entre a vida pública e a consagração a Deus.
O Beato Nuno de Santa Maria é um exemplo de uma vida ao serviço do outro, alicerçada numa fé inabalável e num espírito de radical caridade. Através dele poderemos entender melhor o caminho da santidade pelo qual a caridade é, ao mesmo tempo, o coração da inteligência e a inteligência do coração, e que só a partir do nosso interior se pode transformar o que nos é exterior. Se há quem congregue sem ensinar e quem ensine sem congregar, o novo santo português ensinou pela universalidade do seu exemplo e congregou na perfeição das suas virtudes. Parafraseando S.S. o Papa Bento XVI, D. Nuno viveu profundamente consciente que “se Deus não está presente tudo se torna completamente insuficiente”. Neste momento em que escrevo, não posso deixar de registar, no plano institucional e político, uma atitude e uma omissão. A atitude de o Senhor Presidente da República, como o mais alto magistrado da Nação, se ter congratulado, em nome de Portugal, e considerado D. Nuno “uma figura maior da nossa história que, no passado e no presente, deve inspirar os portugueses na busca de um futuro melhor”. A omissão e o silêncio do lado do Governo e de alguns partidos políticos, sempre tão pródigos e rápidos em felicitar outras personagens nem sempre significantes e em formular votos de congratulação por dá cá aquela palha. É recorrente nestas alturas usar-se e abusar-se do argumento da separação compulsiva entre o Estado e a Igreja. A louvável e imperativa neutralidade religiosa do Estado não pode, porém, transformar este num Estado anti-religião.A laicidade do Estado não implica a laicidade da sociedade. A sociedade é plural no sentido religioso e é perigoso confundir sistematicamente, neste plano, Estado e Sociedade. A separação do Estado e da Igreja também não significa neutralidade por omissão, indiferença, abstenção, ignorância ou desconhecimento dos fenómenos religiosos e muito menos hostilidade.Mas no caso de D. Nuno Álvares Pereira não se exige do Estado que o homenageie como santo católico. Apenas, que o sinalize para as gerações vindouras como grande, ilustre e exemplar português.A História faz parte do presente e do futuro, embora, como um dia escreveu Miguel Torga, “os nossos governantes não querem saber da História. Para eles tudo começa na hora em que assumem o poder”
Em suma: o Beato Nuno é agora consagrado universalmente como o São Nuno de Santa Maria.
O povo vê assim confirmado pelo Papa o nome de um incontestável Santo Condestável!
António Bagão Félix.

In Agência Ecclesia, 20090423

“Meu Senhor e meu Deus” (Jo 20,28)

Várias passagens do Evangelho mostram-nos Tomé corajoso e decidido a morrer com Jesus (Jo.11,16), embora também interrogue o Mestre sobre o caminho a seguir (14,15).
Porém é o relato de S. João (20,19-31) que mais nos faz conhecer Tomé, «graças» à sua incredulidade inicial e ao seu posterior acto de Fé.
O relato (lido no Evangelho dos segundo domingo dos três ciclos litúrgicos) conta que Tomé não estava presente quando Jesus lhes apareceu pela primeira vez e que, apesar de lhe terem comunicado a sua visita, ele não acreditou.
Da segunda vez, Jesus chama Tomé e aceita as condições postas por este para acreditar. Tomé fica sem argumentos.

A notícia de que Jesus estava vivo era tão inacreditável, que precisava de se certificar bem para a poder proclamar. Hoje diríamos o ditado popular. «Ver para crer». Ou, então, o que é o mesmo, só existe o que se vê e toca.
De facto a existência de Deus não se pode provar num laboratório.

Quantos de nós agimos como Tomé, apesar de Jesus nos ter ensinado que são «Felizes os que crêem sem terem visto» (Jo. 20,29) e nos convidar a acreditar no testemunho da comunidade-Igreja, continuamos muitas vezes sem querermos ver, nem acreditar...
Tomé depois do susto, ouve as palavras de Jesus, toca nas suas chagas. O relato encerra para mim uma enorme lição: A Fé consiste em confiar, fiar-se, crer, em…Por isso, o Novo Testamento insiste em «crer em…» e «crer…que…» Mas não é só por causa de Ressurreição que acreditamos em Jesus. Assim como os discípulos O aceitaram como Mestre antes da Sua Ressurreição, a nossa Fé n’ELE é anterior a esse facto. No entanto «se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa Fé» (1ª Cor.15,17), bem como o nosso testemunho acerca de Cristo Ressuscitado.
Vejamos que nem só o visível e palpável, nem só o que se pode medir é fundamento suficiente sobre o qual podemos construir. Crer, sem ver, é o que a mensagem Pascal nos pede.
Fica-nos bem e compromete-nos a humildade da criatura, que nos proíbe de nos agarrarmos exclusivamente àquilo que podemos tocar com os nossos sentidos. São os olhos do coração e não os da cara, que nos fazem «ver» e aceitar a mensagem da Páscoa. A aspiração a que se tornem realidade as promessas das Bem-aventuranças, é suscitada em nós pelo Ressuscitado, que vive e nos diz que é verdade o que afirmou sobre o «se Deus e nosso deus, seu Pai e nosso Pai». Regressado ao Pai, está, de outra forma, sempre connosco, a caminho. Isto não se vê, o coração no-lo faz acreditar. Esta Fé é a base e o alicerce do nosso viver.
Tomé quis ver os sinais das chagas de Jesus. O Senhor, manifestou-Se-lhe, mostrando-lhe as mãos trespassadas e o lado aberto pela lança. A Paixão e a morte de Jesus terão provocado em Tomé é profunda crise de Fé. Perdida ou muito abalada por causa da morte do Mestre, a Fé tem de ser recuperada mediante a descoberta do sentido Redentor, de Amor Divino levado até ao extremo, dessa Morte e da Paixão. Crer em Jesus Ressuscitado, que vive com as marcas dos sofrimentos a que foi submetido, leva todos os atingidos por injustiças e por todo o tipo de sofrimentos, a confiar piamente que Deus pode e quer curar todas as mágoas, dores e feridas.
Como a Tomé, mostra-se também a nós e convida-nos a recebe-Lo, no Seu AMOR sem medida. É na Eucaristia em que celebramos a Sua morte e Ressurreição, que ELE nos diz: «Tomai e comei, vós todos que viveis com as vossas chagas e cicatrizes, como EU.
Não sejais incrédulos, mas crentes!...»

O mundo, Senhor, aguarda da Tua Igreja os sinais de que ressuscitas-Te… Ajuda-nos Senhor, a sermos testemunhas da Tua Ressurreição, no quotidiano da nossa vida…
Como Tomé, repito: “ Meu Senhor, meu Deus e Meu Tudo…Em Ti me movo e em Ti, sou...”


DINA

Ordem Franciscana: oito séculos


(Bloco com dois selos lançados pelos CCT no passado dia 31 no Centro Cultural Franciscano em Lisboa. Representam a aprovação da Regra Franciscana e a Tonsura de S. Francisco - corte do cabelo - sinal de Consagração)
Passaram oito séculos
Hoje, dia 16 de abril de 2009, toda a Família Franciscana mundial está em festa.
Neste mesmo dia, no ano de 1209, o então jovem Francisco de Assis recebeu do papa Inocêncio III a aprovação da REGRA e “forma de vida” para iniciar com os seus primeiros irmãos, o caminho da fraternidade. Nascia assim, a Ordem dos Frades Menores.
Este dia tem vindo a ser preparado desde há três anos a esta parte. “A graça das origens” foi o documento de base para que todos aqueles que, neste tempo hodierno, seguem Francisco de Assis pudessem chegar a este dia com a clara convicção da Missão e Vocação de ser Menor ao jeito de Francisco.
Clara foi a primeira mulher a romper com as estruturas do seu tempo e a juntar-se ao já grande número de irmãos unidos ao ideal de Francisco. Mais tarde a sua mãe Hortolana e a sua irmã Inês se lhe juntaram e tantas outras até aos nossos dias, as Senhoras pobres, as Damianitas (porque Francisco a deixou ficar no pequeno conventinho de S. Damião, e hoje chamadas em todo o mundo de Irmãs Clarisssas. Com Francisco, Clara, funda assim a segunda Ordem Franciscana.
Também o casal Beato Luquésio e sua esposa se juntaram a Francisco fazendo crescer assim a Vocação Franciscana numa Terceira Ordem de irmãos e irmãs que estando e vivendo no mundo aí transmitiam e transmitem a vida em Menoridade e Fraternidade.
A este grupo de irmãos e irmãs terceiros se têm juntado muitos homens e mulheres que, inspirados pelo Senhor, têm fundado centenas de Congregações, Institutos, ou pias uniões inspiradas nesta Forma de Vida de Francisco de Assis.
Faz hoje mesmo oito séculos que aos pés do Papa Inocêncio III Francisco recebe a aprovação da sua Regra e Forma de vida, se Consagra ao Senhor e inicia oficialmente esta Ordem de irmãos e irmãs que mais não querem que viver o Evangelho de Jesus Cristo no testemunho de vida em Menoridade.
Curiosamente ocorre este facto no dia do aniversário do Papa Bento XVI.
Unido a toda a Família Franciscana Mundial, a toda a Igreja na pessoa do Santo Padre, quer pedir a Santa Maria dos Anjos da Porciúncula a Sua bênção Maternal para todos os que, Franciscanos ou não, olham para Francisco e Clara de Assis e para os seus filhos e filhas com ternura de irmãos.
Que a todos “O Senhor abençoe”.

ORDEM FRANCISCANA

Nova vida! Ordem nova que alvorece!
Uma regra inaudita neste mundo!
Lei sagrada que vem restaurar
O estado do Evangelho sacrossanto.

Ele veste um burel sem pretensões;
Uma corda grosseira por cintura.
O pão só por medida se permite;
E nega-se o conforto do calçado.

Nosso bondoso Pai, nosso Pai santo!
Por tua ajuda, o povo teu devoto,
Unido com a turba dos Irmãos,
Possa alcançar o prémio celestial.

Oh! Faze companheiros dos eleitos
A todos os que inspiras na virtude.
Consiga o teu rebanho dos Menores
O gozo sempiterno lá dos céus. Amen.

(Leccionário Franciscano)

Capítulo Internacional das Esteiras



CAPÍTULO UNIRÁ, PELA PRIMEIRA VEZ EM ASSIS, TODA A FAMÍLIA FRANCISCANA

Assis, 14 abr (Rádio Vaticana) - Pela primeira vez na história, Assis acolherá toda a Família franciscana no lugar onde tudo teve início, diante da Porciúncula, hoje conservada na Basílica de Santa Maria dos Anjos, construída para proteger a pequena igreja, onde São Francisco compreendeu que devia viver "segundo o santo Evangelho".
De fato, será aberto amanhã, na cidadezinha da Úmbria, o Capítulo internacional das Esteiras, no oitavo centenário da aprovação da Regra franciscana, por parte do Papa Inocêncio III. O evento foi apresentado à imprensa, esta manhã, em Assis.
Dois mil frades de 65 países estarão representando os 35 mil franciscanos das quatro Famílias espalhadas no mundo inteiro. Trata-se de um evento extraordinário para renovar a fidelidade ao carisma e dar respostas aos muitos desafios da modernidade. A esse propósito, eis o que nos disse o assessor de imprensa do Capítulo, Frei Enzo Fortunato, entrevistado pela Rádio Vaticano:
Frei Enzo Fortunato:- "Eu diria que se trata de uma mensagem, por diversos aspectos, muito significativa. O primeiro, porque esse evento se dá num momento dramático da sociedade italiana e internacional, isto é, a crise econômica. Portanto, a essencialidade franciscana pode ser, nesse sentido, um bom caminho a ser percorrido. O segundo aspecto está ligado ao sofrimento que parte da população italiana está vivendo: o terremoto em Abruzzo. Francisco quer estar ao lado dos últimos, ao lado daqueles que sofrem. Terceiro aspecto, que concerne à atualidade: encontramo-nos tendo que afrontar um individualismo e egoísmo que imperam. A proposta fraterna do estar juntos, um ao lado do outro, um para o outro, pode ser também um caminho a ser percorrido, uma proposta ao homem e à sua liberdade de escolhê-la, a assumi-la e a tomá-la como sua."
RV. Por ocasião desse Capítulo internacional foram estampadas 4 mil cópias da Regra de São Francisco. Após oito séculos, ainda é grande a atualidade desse texto...
Frei Enzo Fortunato:- "Trata-se de uma Regra que esta manhã foi definida pelo custódio do Sagrado Convento, Frei Giuseppe Piemontese, como Carta constitucional, indicando o quê? Indicando que como franciscanos temos uma bússola que nos guia, mas também uma mensagem para as muitas pessoas que desejam beber de uma das fontes mais genuínas da espiritualidade cristã; isto é, assumir uma vida feita de princípios, uma vida de regras, uma vida feita de respeito. Nesse sentido, a regra não aprisiona, mas é altamente libertadora, porque nos ajuda a viver atrelados a valores que não nos deixam desanimar."
RV. Como o senhor recordou, não distante da Úmbria e de Assis, atingidas pelo terremoto de 1997, encontram-se hoje muitas das tendas das vítimas do terremoto de Abruzzo. Será um motivo para fazer orações em favor dessas pessoas?
Frei Enzo Fortunato:- "Todo o evento será vivido com esse espírito, com uma oração conjunta ao Deus da vida, ao Deus da alegria, a fim de que possa suavizar as feridas de quem sofre."
RV. São Francisco dizia: "Senhor, que queres que eu faça?" também os senhores farão essa pergunta nesse Capítulo?
Frei Enzo Fortunato:- "Certamente. E a resposta está no gesto de Francisco, que reconstruiu parte da Igreja, reconstruiu parte da sociedade, reconstruiu o homem e fez com que ele enxergasse a sua vocação, a vocação ao infinito, ao absoluto."O Capítulo internacional das Esteiras se concluirá no próximo sábado, dia 18, com a audiência da Família franciscana com o Santo Padre, no pátio interno da residência pontifícia de verão de Castel Gandolfo – localidade da região italiana do Lácio situada a cerca de 30Km de Roma. (RL)

Aleluia (Haendel): em Avidos e Lagoa

Mais uma vez, Cristo passa pela minha Vida em terras de Avidos e Lagoa.
É a minha Páscoa, há 21 anos, com gente acolhedora que com o mais profundo sentimento Cristão abre as portas das suas casas a Cristo quem vem! Cristo que está vivo e presente no coração de cada um.
Deixo o Aleluia de Haendel como testemunho do acolhimento que mais uma vez recebi e partilho aqui com todos os Amigos.
Que Cristo ressuscite em nós...
(desactivar a música do blog na coluna da direita)

Esta Páscoa teve um sabor de AMIZADE: no acolhimento já partilhado, na bênção de uma família na sua nova casa, família que acompanho desde a Aliança ao Baptismo do filho.
Ainda o sabor de ter tido presente na Vigília Pascal AMIGOS que de Lisboa fizeram surpresa.
Que a todos o Cristo recompense...

O Cordeiro do Sireneu...

Cristo dorme e com Ele todos nós...
É a hora de todos serenarmos a alma e o coração.
Foi por nós que Ele deu a Vida naquela Cruz...
Deixo este clip de vídeo para nossa reflexão.
EU TAMBÉM SOU SIRENEU...
(desactivar música do blog na coluna da direita)

o Único DOM

Deus nunca dá nada.
Falamos muitas vezes dos dons de Deus mas, se pensarmos bem, vemos que Deus nada dá.
Deus empresta sempre.
O maior dom de Deus é a nossa vida, que poderemos gozar durante alguns anos, mas que no fim temos de devolver ao dono e ficar sem ela. Isto, qualquer que seja a forma como o consideremos, nunca pode ser chamada uma dádiva, mas um empréstimo. O nosso corpo, inteligência, dotes naturais, tudo isso vai tendo de ser entregue.
Consideramos com pena alguns idosos, que foram pessoas extraordinárias, e agora se encontram muito limitados, porque foram devolvendo o que eram a quem lho deu. A natureza, o mundo, a beleza, a riqueza, a paz, todas as coisas que Deus dá, acabamos por deixar.
A razão disto é evidente: nós estragamos aquilo que Deus nos dá. Fomos feitos livres e usamos mal essa liberdade. Se Deus não exigisse os seus dons de volta, tudo seria destruído. Até aquelas coisas que Deus tinha previsto dar-nos para sempre, como a nossa liberdade e a nossa alma eternas, até essas perdemos definitivamente pelo pecado. Por isso, em todo o universo há apenas uma coisa que Ele nos deu definitivamente.
Deus emprestou-nos a coisa mais preciosa que tinha, o Seu Filho. E nós, como a tudo o resto, estragámo-lo. Mas o Pai ressuscitou o Verbo encarnado e deu-no-lo de novo, desta vez de uma forma que não podemos estragar. Agora temos Cristo connosco para sempre. E com Ele recebemos todos os outros dons que perdêramos, a vida, a liberdade, a alma, a felicidade. É este único dom o que celebramos nestes dias da Páscoa.

João César das Neves naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

Eucaristia: Cristo eu te adoro

"Compreendeis o que Eu vos fiz? ... lavai vós também os pés uns aos outros"
"Isto é o Meu Corpo" ... "Isto é o Meu Sangue" ... "Fazei Isto em memória de mim..."
Obrigado Jesus pelo Dom do Sacerdócio/Serviço. Obrigado Jesus pelo Dom da Tua presença na Eucaristia...
Quero adorar-Te meu Senhor e meu Deus...
(desactivar a música do blog na coluna da direita)

Cruz de excesso de bagagem...

"Não te atrases no caminho por excesso de bagagem..."
Foi assim que iniciámos a nossa Quaresma.
Pergunto a mim mesmo se me sinto mais leve ao caminhar com Cristo rumo à Páscoa da Libertação!?
Leve no que respeita ao fútil, ao supérfluo, à mesquinhez e a tudo o que me impede de levar a minha Cruz, com Jesus até ao fim.
Este clip de vídeo pode ser um bom caminho para preparar a Hora Santa da Eucaristia, da Cruz e da Ressurreição.

Semana Santa

O maior acontecimento da História da humanidade é a Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. Nada neste mundo supera a grandiosidade deste acontecimento. Os grandes homens e as grandes mulheres, sobretudo os Santos e Santas se debruçaram sobre este acontecimento e dele tiraram a razão de ser de suas vidas.
Depois da Encarnação e Morte cruel de Jesus na Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus pela humanidade. Disse o próprio Jesus que “Deus amou a tal ponto o mundo que deu o seu Filho Único para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” (João 3, 16)
São Paulo explica a grandeza desse amor de Deus por nós com as palavras aos romanos: “Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós… Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida.” (Romanos 5,8-10)
Cristo veio a este mundo para nos salvar, para morrer por nós. Deus humanado morreu por nós. O que mais poderíamos exigir de Deus para demonstrar a nós o seu amor? Sem isto a humanidade estaria definitivamente longe de Deus por toda a eternidade, vivendo o inferno, a separação de Deus. Por que?
Porque o homem pecou e peca, desde os nossos primeiros antepassados; e o pecado é uma ofensa grave a Deus, uma desobediência às suas santas Leis que rompe nossa comunhão com Ele; e esta ofensa se torna Infinita diante da Majestade de Deus que é Infinita. Por isso, diante da Justiça de Deus, somente uma reparação de valor Infinito poderia reparar essa ofensa da humanidade a Deus. E, como não havia um homem sequer capaz de reparar com o seu sacrifício esta ofensa infinita a Deus, então, o próprio Deus na Pessoa do Verbo veio realizar essa missão.
Não pense que Deus seja malvado e que exige o Sacrifício cruento do Seu Filho na Cruz, por mero deleite ou para tirar vingança da humanidade. Não, não se trata disso. Acontece que Deus é Amor, mas também é Justiça. O Amor é Justo. Quem erra deve reparar o seu erro; mesmo humanamente exigimos isto; esta lei não existe no meio dos animais. Então, como a humanidade prevaricou contra Deus, ela tinha de reparar essa ofensa não simplesmente a Deus, mas à Justiça divina sob a qual este mundo foi erigido. Sabemos que no Juízo Final Deus fará toda justiça com cada um; cada injustiça que nos foi feita será reparada no Dia do Juízo.
Nisto vemos o quanto Deus ama, valoriza, respeita o homem. O Verbo divino se apresentou diante do Pai e se ofereceu para salvar a sua mais bela criatura, gerada “à sua imagem e semelhança” (Gênesis 1, 26).
A Carta aos Hebreus explica bem este fato transcendente: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7ss). Disse primeiro: Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado (quer dizer, as imolações legais). Em seguida, ajuntou: Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo.Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério e repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus. “ (Hebreus 10,5-10).
A Semana Santa celebra todos os anos este Acontecimento inefável: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo para a salvação da humanidade; para o seu resgate das mãos do demônio, e a sua transferência para o mundo da luz, para a liberdade dos filhos de Deus. Estávamos todos cativos do demônio, que no Paraíso tomou posse da humanidade pelo pecado. E com o pecado veio a morte (Rom 6,23).
Mas agora Jesus nos libertou; “pagou o preço do nosso Resgate”. Disse São Paulo: “Sepultados com ele no batismo, com ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão da vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz. Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz. (Col 2, 12-14)
Quando fomos batizados, aplicou-se a cada um de nós os efeitos da Morte e Ressurreição de Jesus; a pia batismal é portanto o túmulo do nosso homem velho e o berço do nosso homem novo que vive para Deus e sua Justiça. É por isso que na Vigília Pascal do Sábado Santo renovamos as Promessas do Batismo.
O cristão que entendeu tudo isso celebra a Semana Santa com grande alegria e recebe muitas graças. Aqueles que fogem para as praias e os passeios, fazendo apenas um grande feriado; é porque ainda não entenderam a grandeza da Semana Santa e não experimentaram ainda suas graças. Ajudemos essas pessoas a conhecerem tão grande Mistério de Amor.
O cristão católico convicto celebra com alegria cada função litúrgica do Tríduo Pascal e da Páscoa. Toda a Quaresma nos prepara para celebrar com as disposições necessárias a Semana Santa. Ela com a celebração da Entrada de Jesus em Jerusalém (Domingo de Ramos). O povo simples e fervoroso aclama Jesus como Salvador. O povo grita “Hosana!”; “Salva-nos!” Ele é Redentor do homem. Nós também precisamos proclamar que Ele, e só Ele, é o nosso Salvador (cf. At 4,12).
Na Missa dos Santos Óleos a Igreja celebra a Instituição do Sacramento da Ordem e a bênção dos santos óleos do Batismo, da Crisma e da Unção dos Enfermos. Na Missa do Lava Pés na noite da Quinta Feira Santa, a Igreja celebra a Última Ceia de Jesus com os Apóstolos onde Ele instituiu a sagrada Eucaristia e deu suas últimas orientações aos Apóstolos.
Na Sexta Feira Santa a Igreja guarda o Grande Silencio diante da celebração da morte do seu Senhor. Às três horas da tarde é celebrada a Paixão e Morte do Senhor. Em seguida a Procissão do Senhor morto por cada um de nós. Cristo não está morto, e nem morre outra vez, mas celebrar a sua Morte é participar dos frutos da Redenção.
Na Vigília Pascal a Igreja canta o “Exultet”, o canto da Páscoa, a celebração da Ressurreição do Senhor que venceu a morte, a dor, o inferno, o pecado. É o canto da Vitória. “Ó morte onde está o teu aguilhão?”
A vitória de Cristo é a vitória de cada um de nós que morreu com Ele no Batismo e ressuscitou para a vida permanente em Deus; agora e na eternidade.
Celebrar a Semana Santa é celebrar a vida, a vitória para sempre. É recomeçar uma vida nova, longe do pecado e em comunhão mais intima com Deus. Diante de um mundo carente de esperança, que desanima da vida porque não conhece a sua beleza, celebrar a Semana Santa é fortalecer a esperança que dá a vida. O Papa Bento XVI disse em sua encíclica “Spe Salvi”, que sem Deus não há esperança; e sem esperança não há vida.
Esta é a Semana Santa que o mundo precisa celebrar para vencer seus males, suas tristezas, suas desesperanças.

Prof. Felipe Aquinohttp://www.cleofas.com.br/

João Paulo II, 4 anos de saudade

Hoje celebramos o quarto aniversário da partida para o céu do nosso
QUERIDO JOÃO PAULO II
Recordo-te Pai e Pastor... com saudade...
Um dia disseste de Francisco de Assis :o mundo tem saudades de ti!".
Pois é querido JP II, também de ti o mundo tem saudades.
Da janela da Casa do Pai, por favor, abençoa-nos...

CTT assinalam 800 anos da Ordem Franciscana




Autoridades civis e religiosas juntaram-se ao Ministro Geral da Ordem na evocação da vida e obra dos Frades Menores
A comemoração dos 800 anos da Ordem dos Frades Menores contou esta manhã, com a emissão de um selo comemorativo. Os Correios de Portugal associam-se a esta ocasião dando continuidade à “política filatélica que marca o viver colectivo”, explica à Agência ECCLESIA Pedro Coelho, vice presidente dos CTT.
Em 1982, os CTT associaram-se também ao aniversário do nascimento da Ordem dos Frades Menores. Explica o vice-presidente que esta efeméride “não é exclusiva da Igreja ou do catolicismo, mas é de todos e do mundo. Esta herança espiritual transcende inspiração social e humanista”.
A emissão do selo e bloco filatélico que, evocam plasticamente o espírito e o ideal da Ordem Franciscana, foi considerada pelo Ministro geral dos Franciscanos, Frei José Rodriguez Carballo, presente em Portugal para a celebração dos 800 anos, uma iniciativa evangelizadora. “São 400 mil selos que se convertem em 400 mil mensagens que se espalham pelo mundo não só por Portugal”.
A Ordem Franciscana está presente em 114 países dos cinco continentes. Mais de 600 mil irmãos e irmãs partilham os valores de São Francisco de Assis, valores de solidariedade e fraternidade.
“São Francisco não é moderno”, considerou o Ministro geral, “mas é muito actual. Os valores que viveu nem sempre são os valores da nossa sociedade, mas são os valores que a sociedade precisa”, indicou.
Numa altura de crise económica mundial, “apenas com os valores de Francisco se poderá sair da crise”.
Também o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, assinalou o valores da solidariedade como “cada vez mais actuais. Sempre que julgamos ter virado uma página a história recorda-nos que há valores a alimentar e conservar, porque são aqueles que são eternos e em todas as situações e momentos devem inspirar o ser humano. Na conjectura actual, fazem ainda mais sentido”.
Após a cerimónia de e missão filatélica, foi inaugurado o «Memorial da Fraternidade», situado no Parque do Seminário, na Casa da Fraternidade Franciscana, na Luz, em Lisboa. O Ministro Provincial apontou que esse será um lugar de encontro, de comunhão e também de memória. “Os nossos irmãos não são apenas os que vivem, mas os que já viveram”. O memorial tem inscritos os nomes dos irmãos que residiram na província.
Após a benção do memorial, feito pelo Arquitecto Sousa Araújo, que pretendeu evocar o “momento da levitação”, os presentes na inauguração lançaram sírios que ficaram a boiar na água. O Ministro geral, o guardião da casa e o presidente da autarquia depositaram ainda uma coroa de flores no local.
Foi ainda inaugurado o «Painel do Envio», situado no exterior do Externato da Luz.
Presente em toda a cerimónia esteve D. António Montes, Bispo de Bragança – Miranda e franciscano. À Agência ECCLESIA o Bispo assume que “o serviço da Igreja está muito de acordo com o serviço fransciscano”.
D. António Montes apontou que o mundo precisa de obras de solidariedade. “A solidariedade é uma redundância da caridade cristã, que assume vários níveis. Há solidariedade distinta da religiosa, mas a que tem uma base religiosa é mais ampla e profunda, para além de mais universal”.
Num momento de crise “este é um apelo maior, para viver uma vida mais moderada, mais comedida”.
“Não é possível viver na abundância nem acima das possibilidades. Para que haja partilha tem de haver moderação de vida. Assim sentimo-nos mais fraternos uns em relação aos outros”. Um apelo também dirigido aos francoiscanos. “Qualquer que seja a função que se desempenhe, que estejamos sempre ao serviço da população e da humanidade”.

in http://ecclesia.pt/

Centenário: Enviados em missão.



(Painel do envio, inaugurado esta manhã, pelo Ministro Geral da O.F.M. no Seminário da Lus, em Lisboa)
"O Senhor vos dê a Paz..."
Terminámos a Celebração oficial, em Portugal, do oitavo centenário da a provação da Regra e da fundação da Ordem Franciscana.
A visita do nosso Irmão Ministro Geral, Fr. José Rodriguez Carballo, foi para todos nós membros da Família Franciscana Portuguesa um tempo de graça, um tempo de fraternidade tão ao jeito de Francisco e Clara de Assis.
Fica, como se dizia na despedida, já o sabor da saudade mas a consciência de que, no tempo hodierno, o mundo, a sociedade, a Igreja e o Franciscanismo nas suas mais diversificadas formas de ser e estar chamam pelos filhos e filhas do Poverello de Assis e da sua Plantazinha Irmã Clara.
Celebrámos em festa o DOM DA VOCAÇÃO Á MENORIDADE e sentimo-nos reeviados em Missão. Isto mesmo quisemos revelar de forma especial à nossa sociedade ao inaugurar o grande painel do envio, composto por uma peça linda da azulejaria portuguesa e em peças de bronze que se prolongam.
É esta a foto deste painel do envio, inagurado esta manhã.
Não poderá passar despercebido a quem passe este monumento que é memória dos irmãos enviados ao mundo no tempo de Francisco, homenagem aos irmãos que de Portugal partiram nas caravelas para a evangelização do mundo, homenagem aos irmãos hoje enviados a tantos serviços fraternos ao mundo e à Igreja.
Ter entre nós a visita celebrativa e fraterna do nosso Irmão Ministro Geral, e de todos os que connosco estiveram física ou espiritualmente, é para nós Menores um desafio a sentirmo-nos reenviados em missão.
Não caberiam aqui palavras para descrever o sentimento.
Aos poucos se partilhará esta celebração centenária em Portugal.
A todos vós que rezastes connosco a nossa gratidão implorando de Deus, por intermédio de Francisco e Clara de Assis, toda a paz e todo o bem.
"Que o Senhor vos abençoe e vos guarde..."

Ministro Geral entre nós.

Chegou a hora de Portugal assinalar, oficialmente, os oito séculos da Aprovação da Regra da Ordem dos Frades Menores e a Fundação da mesma Ordem: Os Franciscanos.
Para este grande acontecimento vamos ter a visita do nosso Irmão Ministro Geral Frei José Rodríguez Carballo, nos próximos dias 30 e 31.
Esta visita situa-se no cerne do movimento celebrativo pelo qual, em espírito de «Graça das Origens» e do chamamento do «Espírito de Assis», somos convidados a valorizar e difundir a actualidade e perene vitalidade da vocação franciscana.


DIA 30 DE MARÇO (Segunda-feira)
10,30 h - Audiência com Sua Excelência o Presidente da República, Prof. Aníbal Cavaco Silva.
11,30 h - Missa Solene na Igreja da Madre de Deus - Comemoração dos 800 Anos da OFM e das Clarissas e 500 Anos da Madre de Deus.
12,30 h - Encenação Histórica: Homenagem à Fundadora, Dona Leonor, no Museu do Azulejo.
13,30 h - Almoço nos claustros da Madre de Deus.
18,00 h -Sessão de Homenagem e investidura do Ministro Geral na Academia Internacional de Cultura Portuguesa (Rua das Portas de Santo Antão, 100).
20,00 h - Jantar de Convívio e Homenagem Académica no Seminário da Luz.

DIA 31 DE MARÇO (Terça-Feira)
10,30 h - Sessão Solene: 800 Anos e emissão de selo dos Correios, no Centro Cultural Franciscano - Luz
11,30 h - Inauguração do «Memorial da Fraternidade», no Parque do Seminário.
11,45 h - Inauguração do «Painel do Envio», à entrada do Externato da Luz.
12,30 h - Te Deum e «Crucifixo de São Damião», na Igreja do Seminário.
13,30 h - Almoço e convívio Fraterno nos claustros do Convento.
16,00 h - Encontro (reservado) com os Irmãos. Missa conventual com distribuição da Regra, Bênção de São Francisco e despedida / Envio.
A todos os amigos do Retalhos peço a oração para que Deus, por intermédio de Francisco e Clara de Assis, nos abençoe e permita frutos abundantes destes encontros fraternos
.

Anunciação... Jesus no meio de nós.

"Avé cheia de Graça, o Senhor está contigo. Conceberás e darás à luz um filho a quem porás o nome de Jesus"... "Maria disse ao Anjo: Faça-se..."
Hoje celebramos o momento grande da anunciação, do SIM de MARIA, do Cristo que vem habitar ao nosso meio.
Convido-vos a ler os textos anteriores no Retalhos 1 e a reflectir nesta mensagem do clip de vídeo e da canção lindíssima que o acompanha.
Como Maria neste dia saibamos dizer "Eis-me! Faça-se em mim a vontade de Deus"
OBRIGADO MARIA PELO TEU SIM QUE RECLAMA DE NÓS OUTROS SIM...

Jerusalém: Caminho para Deus

Amigos, paz e bem!
As leituras de hoje colocam-nos a caminho, mais perto, de Jerusalém. Esta cidade com uma carga histórica inquestionável para a História da Salvação e hoje cidade da Fé para as três grandes Religiões monoteístas.
É aqui o centro da vida e da Fé em Deus, o Deus da Aliança, Deus de Abraão e Moisés, Deus de Jesus Cristo e Deus de Maomé.
É a Cidade Santa, "materialização" da Cidade de Deus, do Seu Povo eleito, a Nova Jerusalém.
Deixo uma frase de cada uma das leituras que hoje escutámos na nossa liturgia Católica e no final a beleza deste Salmo que tantas vezes se reflecte no nosso dia-a-dia: Como cantar um cântico do/ao Senhor se nos sentimos afastados d’Ele, como em terra estranha, como manifestar a alegria de sermos Povo de Deus se tantas vezes nos esquecemos d’Ele e do Seu infinito amor por nós, como não silenciar, colando a língua ao céu da boca, porque não temos sentimentos de Cristo, não vivemos a Fé em Cristo que não veio para condenar mas para salvar o mundo?
Jerusalém a cidade da paz onde a paz urge cada vez mais, onde o amor e o ódio habitam lado a lado matando e escravizando em Nome de Deus.
Partindo destas leituras, que vos sugere JERUSALÉM?
Que diríeis àqueles que vos questionassem sobre a fé que é a vossa enraizada na história de Jerusalém?
Aguardamos desta vez a partilha ao jeito de reflexão, poema, oração, informação, etc….

LEITURA I – 2 Cr 36,14-16.19-23
«Assim fala Ciro, rei da Pérsia: O Senhor, Deus do Céu, deu-me todos os reinos da terra e Ele próprio me confiou o encargo de Lhe construir um templo em Jerusalém, na terra de Judá. Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho
e que Deus esteja com ele».

Salmo 136 (137)

Se eu me não lembrar de ti, Jerusalém, fique presa a minha língua.

Sobre os rios de Babilónia nos sentámos a chorar,
com saudades de Sião.
Nos salgueiros das suas margens,
dependurámos nossas harpas.

Aqueles que nos levaram cativos
queriam ouvir os nossos cânticos
e os nossos opressores uma canção de alegria:
«Cantai-nos um cântico de Sião».

Como poderíamos nós cantar um cântico do Senhor
em terra estrangeira?
Se eu me esquecer de ti, Jerusalém,
esquecida fique a minha mão direita.

Apegue-se-me a língua ao paladar,
se não me lembrar de ti,
se não fizer de Jerusalém
a maior das minhas alegrias.

LEITURA II – Ef 2,4-10
“De facto, é pela graça que fostes salvos, por meio da fé.
A salvação não vem de vós: é dom de Deus.
Não se deve às obras: ninguém se pode gloriar.
Na verdade, nós somos obra sua, criados em Cristo Jesus”.

EVANGELHO: Jo 3,14-21
“Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem acredita n’Ele não é condenado, mas quem não acredita já está condenado, porque não acreditou em nome do Filho Unigénito de Deus”.

DIA DO PAI: Poema


Não quero deixar passar este fim de dia, o DIA DE S. JOSÉ, Dia do Pai, sem agradecer a Deus o pai que nos concedeu.

Que S. José abençoe todos os que são pais, biológicos ou espirituais, que passaram e passam pela nossa Vida...


POEMA AO PAI

Ter um Pai ! É ter na vida
Uma luz por entre escolhos ;
É ter dois olhos no mundo
Que vêem pelos nossos olhos !

Ter um Pai ! Um coração
Que apenas amor encerra,
É ver Deus, no mundo vil,
É ter os céus cá na terra !

Ter um Pai ! Nunca se perde
Aquela santa afeição,
Sempre a mesma, quer o filho
Seja um santo ou um ladrão ;

Talvez maior, sendo infame
O filho que é desprezado
Pelo mundo ; pois um Pai
Perdoa ao mais desgraçado !

Ter um Pai ! Um santo orgulho
Pró coração que lhe quer
Um orgulho que não cabe
Num coração de mulher !

Embora ele seja imenso
Vogando pelo ideal,
O coração que me deste
Ó Pai bondoso é leal !

Ter um Pai ! Doce poema
Dum sonho bendito e santo
Nestas letras pequeninas,
Astros dum céu todo encanto !

Ter um Pai ! Os órfãozinhos
Não conhecem este amor !
Por mo fazer conhecer,
Bendito seja o Senhor !


FLORBELA ESPANCA

São Mendes na Casa do Pai

A minha querida Amiga São Mendes já vive a Páscoa eterna, na Casa do Pai.

Obrigado aos amigos que rezaram por ela, aqui pelo Retalhos e a todos os que desde o IPO às sua casas, caminhos, trabalhos se fizeram presentes unindo amizade e fé..

Deixo aqui o que brotou do meu coração nesta hora de despedida

São Mendes na Casa do Pai.


A São encontrou o olhar íntimo do Pai. Chegou a sua hora, a hora da sua Páscoa. Toda a vida se encaminhou para este momento, na entrega, na alegria, na disponibilidade, na juventude.
A São partiu, sim, partiu depois de viver connosco o maior dom que todos tanto desejamos, o dom de uma amizade que foi caminho de vida para Cristo.
Esta nossa Amiga estava sempre presente nos momentos certos e, tantas vezes a enxugar as nossas lágrimas e a dar aquele empurrão para avançarmos sem receios, que só alguém com uma fé profunda e uma maturidade humana poderia dar.
O seu olhar e o sorriso tornavam sempre tão fácil estar e trabalhar com ela em prol dos jovens, o seu grande tesouro, os jovens franciscanos.
Desde a primeira hora que a São sonhou e ajudou como poucos a concretizar a realidade da Juventude Franciscana em Portugal. Ela foi verdadeira semente que, nesta hora da partida sentiu os frutos doces nos muitos amigos que rezaram, em tantos sítios, e na beira da sua cama do IPO, tantos amigos que cantaram para ela as músicas que ela queria ouvir, que rezaram o Terço com ela amenizando a dor, que lhe leram Palavras do Evangelho de cada dia, palavras de Francisco e Clara, palavras – como as minhas – que estando longe em distância física nos tornámos presentes.
A São repousou em paz, na paz e no bem de Francisco de Assis. Tenho certeza que agora junto do Pai, com Francisco ela já canta: “Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã a morte corporal”.
E olhando a beleza da vida que teve e o quanto bem pôde fazer junto dos seus, familiares e amigos, franciscanos nós todos que tivemos o privilégio de fazer parte deste seu caminho, como Clara ela pode dizer: “Louvado sejas meu Senhor por me haveres criado”.
A nós, que nos dirá a nós a nossa querida São neste momento? Tomo palavras de Khalil Gibran para dizer o que tenho certeza nos diria: “Quando o vosso amigo estiver silencioso o vosso coração não deixe de escutar o seu coração”. Sim, agora é no silêncio que continuaremos a escutar a sua voz, o seu sorriso aberto e fraterno, livre porque de uma mulher livre. Sim é no silêncio humano que continuaremos a escutar os seus conselhos amigos, os seus desafios, os seus puxões de orelhas maternos, ou dizer simplesmente com a alegria enorme: “o meu frei…”.
A nesta hora da partida, depois de tanto nos ter dado e de tanto sofrer e sentir que não estava só, que éramos tantos e cada um a ser presença, agora ao despedir-se de nós ela diz-nos como Gibran: “tenho menos pressa que o vento; contudo tenho de partir. (…) Voltarei com a maré. E embora a morte possa ocultar-me e rodear-me o maior silencio, buscarei, de novo, a vossa compreensão. (…) Digo-vos adeus e à juventude que passei convosco. Foi apenas ontem que nos encontrámos num sonho. Cantastes para mim, na minha solidão, e dos vossos sonhos construí uma torre no céu. (…) Se no crepúsculo da memória nos encontrarmos uma vez mais, juntos falaremos outra vez e cantar-me-eis uma canção mais profunda.” (Khalil Gibran)
Querida São, não precisarás de voltar, não nos reencontraremos porque jamais deixaremos de te escutar, jamais deixaremos passar a tua presença em cada um de nós, jamais a JuFra se esquecerá desta irmã, mãe e amiga e sim, continuaremos a cantar contigo as sementes de Assis, continuaremos a celebrar a festa da vida na certeza de que na Páscoa eterna tu estás connosco e cantas alegremente a ressurreição.
OBRIGADO SÃO PELO TEU TESTEMUNHO E PELOS PASSOS CERTOS QUE ME AJUDASTE A DAR…


Peço-te que do céu continues a chamar “o meu frei…”
“Que o Senhor te abençoe”

O teu Frei que te recorda com muito carinho.

Fr. Albertino S. Rodrigues O.F.M.


Lisboa, 18 de Março de 2009

São Mendes: Prece amiga...


Amigos do "Retalhos", paz e bem.


Esta é São Mendes, uma mulher jovem que soube ser o sorriso de Deus e a gentileza de Francisco e Clara ao longo da vida.

A São está no IPO do Porto em lenta despedida desta terra onde tanto bem fez.

JuFrista desde a primeira hora, logo após o centenário do nascimento de S. Francisco, 1982, ela foi marca permanente em todos os encontros franciscanos, mormente nos encontros da Juventude Franciscana.

Chegar aos encontros e receber o maior sorriso do mundo, a maior alegria jamais espelhada no rosto de uma mulher de fraca estatura mas de coração enorme e ouvir gritar lá longe "o meu frei..." são marcas que permanecem nestes últimos dias.

E os AMIGOS ali vão diariamente ao IPO a rezar, cantar, estar porque a vida se sente presente no silêncio da São.

Neste momento, na Igreja de Paranhos - Porto - amigos juntam-se para uma vigília de oração. É louvor por tanto bem que recebemos desta jovem mais velha mas que jamais se sentiu menos jovem.

Quero unir-me também aqui, e pedir a todos os amigos do "Retalhos" que rezem ao Deus da Vida pela São Mendes.

Que o Pai olhe com bondade e concorra para o bem da nossa São.

Com o coração em Santa Maria do Anjos - Porciuncula - Assis imploro a bênção maternal da Rainha e Mãe da Ordem Franciscana.

Obrigado pela vossa oração.

Quaresma: voltarmo-nos para Deus (Taizé)



O jornal francês «La Croix» pediu ao irmão Alois para escrever, ao longo do ano 2008-2009, uma meditação para cada grande celebração cristã.

Aqui fica este texto que meditei hoje sobre este tempo de graça e que retirei do site de Taizé. Aqui o publico também ao jeito de partilha.

“A Quaresma orienta o nosso pensamento, em primeiro lugar, para a imagem do deserto, aquele onde Jesus viveu quarenta dias de solidão ou aquele que o povo de Deus atravessou, caminhando durante quarenta anos. E, no entanto, quando chegavam estas semanas que precedem a Páscoa, o irmão Roger gostava de lembrar que esse não era um tempo de austeridade ou de tristeza, nem um período para alimentar a culpabilidade, mas sim um momento para cantar a alegria do perdão. Ele via a Quaresma como quarenta dias para nos prepararmos para redescobrir pequenas primaveras nas nossas vidas.
No início do Evangelho de São Mateus, quando João Baptista proclama «arrependei-vos!», ele quer dizer «voltai-vos para Deus!» Sim, durante a Quaresma, gostaríamos de voltar-nos para Deus para acolher o seu perdão. Cristo venceu o mal, e o seu perdão constante permite-nos renovar uma vida interior. É a uma conversão que somos chamados: não a voltarmo-nos para nós próprios numa introspecção ou num perfeccionismo individual, mas a procurar uma comunhão com Deus e também uma comunhão com os outros.

Voltarmo-nos para Deus!
É verdade que, no mundo ocidental, tornou-se difícil, para algumas pessoas, acreditar em Deus. Elas vêem a existência de Deus como um limite à sua liberdade. Pensam que devem lutar sozinhas para construir a sua vida. Parece-lhes inconcebível que Deus os acompanhe.
No ano passado, fui visitar os nossos irmãos que vivem na Coreia há trinta anos. Durante o caminho, acompanhado por outro irmão, estive em encontros de jovens em vários países asiáticos. O que me marcou na Ásia foi o facto de a oração parecer natural. Nas diferentes religiões, as pessoas têm espontaneamente na oração uma atitude de respeito, ou mesmo de adoração.
Certamente, nestas sociedades não há menos tensões ou violências do que no Ocidente. Mas um sentido de interioridade é talvez mais acessível, um respeito perante o milagre da vida, pela criação, uma atenção ao mistério, a algo que vai para além do que podemos ver.
Como renovar uma vida interior descobrindo e voltando sempre de novo a descobrir uma relação pessoal com Deus? Há em todos nós uma sede de infinito. Deus criou-nos com este desejo de um absoluto. Deixemos viver em nós esta aspiração!
Entre os cânticos de Taizé, um deles expressa esta espera. A letra é de um poeta espanhol, Luis Rosales, inspirado por São João da Cruz: «De noite iremos e, para encontrar a fonte, só a sede nos ilumina.» Para algumas pessoas, o tempo da Quaresma é tempo de jejum. Não que a ascese tenha um valor por si própria, mas há em cada pessoa uma espera mais profunda do que as esperas superficiais, uma sede mais essencial. E essa sede pode iluminar o nosso caminho.
Se, por vezes, caminhamos de noite ou se atravessamos como que um deserto, não é para seguirmos um ideal. Seguimos uma pessoa: Cristo. Não estamos sozinhos, ele vai à nossa frente. Segui-lo implica um combate interior, com decisões a tomar, com fidelidades de toda uma vida. Neste combate, não nos apoiamos sobre as nossas próprias forças, mas abandonamo-nos à sua presença. O caminho não está traçado de antemão, implica também acolher surpresas, criar com o inesperado.
Deus não se cansa de retomar o caminho connosco. Podemos acreditar que uma comunhão com ele é possível e assim nunca nos cansamos de, também nós, retomar sempre de novo o combate. Não perseveramos para nos apresentarmos diante de Deus com o nosso melhor aspecto. Não, aceitamos avançar como pobres do Evangelho, que se confiam à misericórdia de Deus.
A Quaresma é um tempo que nos convida à partilha. Leva-nos a pressentir que não nos sentiremos realizados se não consentirmos a renúncias. Renúncias feitas por amor. Quando, noutra ocasião, Jesus se encontrava no deserto, cheio de compaixão por aqueles que o tinham seguido, multiplica cinco pães e dois peixes para alimentar cada pessoa. Que sinais de partilha podemos nós realizar?
O Evangelho valoriza a simplicidade de vida. Chama-nos a dominar os nossos próprios desejos para nos conseguirmos limitar, não por constrangimento mas por escolha. Este apelo é hoje muito actual, não somente em termos pessoais, mas na vida das nossas sociedades. A simplicidade escolhida livremente permite que os mais favorecidos resistam à corrida ao supérfluo e contribui à luta contra a pobreza imposta aos mais deserdados.
Durante este tempo da Quaresma, ousemos rever o nosso estilo de vida. Não para dar má consciência àqueles que não o fazem, mas com o propósito de sermos solidários com os mais desamparados. O Evangelho incentiva-nos a partilhar livremente, dispondo das coisas com beleza simples da criação.”

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