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Obrigado Deus Meu pelo pai e mãe que me deste. Agora estão juntos no céu...

04 abril 2015

ELE VIVE... ALELUIA!

Cristo vive! Aleluia!
Caríssimos amigos, paz e bem.
Começo esta minha partilha recordando todos os AMIGOS de Avidos e  Lagoa (Famalicão), com quem passei estes tão grandes mistérios pascais nos últimos 27 anos. Este ano, por razões várias, não me  é possível estar convosco. Tenho certeza que tudo correrá bem e lindo como sempre, passadeiras e tapetes de flores, flores feitas com amêndoas, muita alegria porque se canta "a  minha casa chegou Jesus, e nós viemos para o saudar, aleluia, aleluia, e Sua Mãe, parou de chorar". Tantas coisas belas que nesta hora provocam saudade mas... estou e rezo na gratidão a todos vós.
Esta é a hora da grande Vigília Pascal, a celebração que é Mãe de todas as celebrações da Cristandade. A minha Vigília é, este ano, no silêncio exterior mas na alegria interior de quem participa da fé Judaica que canta: “Este é o dia que o Senhor fez: exultemos e cantemos de alegria” (Salmo 117).
Este é o Dia…o dia da Ressurreição de Cristo que nos traz a certeza da nossa própria ressurreição com Ele e n’Ele. Todo o Novo Testamento nos remete para esta certeza, em Cristo fomos resgatados da morte eterna e restituídos à Vida.
O Precónio Pascal que se entoa nesta Vigília Santa a dada altura afirma: “Ó feliz culpa que nos trouxe um tão grande redentor”.
Os Salmos do Hallel que se cantam nesta noite, são a antecipação do eco que na manhã de Páscoa todos nós, Católicos, brota do nosso coração: “Surrexit Christus, Aleluia!” (Cristo Ressuscitou, Aleluia).
A Páscoa é para nós este sair do caminho da Cruz, da dor, do sofrimento, da indiferença, como tanto no-lo tem recordado o Papa Francisco, para ir ao encontro do outro, daquele que Cristo coloca no nosso encalce, o nosso próximo. Ainda agora ouvia nas notícias que o Santo Padre, para além de ter lavado os pés a encarcerados, de ter batizado Catecúmenos dos quatro cantos do mundo, entre as quais  uma Portuguesa, nesta noite, Noite Santa, Noite Pascal, deixou instruções claras para que dos cofres do vaticano se preparassem mais de 300 envelopes com dinheiro a ser distribuído pelos sem abrigo de Roma, que se preparam para dormir nos túneis do metro.
A simplicidade que mais uma vez nos mostrou, na Via Sacra – em Roma, naquele lugar onde tantos irmãos deram testemunho de Cristo com a vida, nos primórdios da Igreja – essa simplicidade que não esquece os que hoje são marginalizados e perseguidos, não esquece os Filhos de Deus que são os mais pobres e injustiçados.
Na verdade foi para eles também que Cristo venceu a morte, deu a Vida, se ofereceu a Si mesmo para que todos tenhamos a Vida em Cristo.
Este caminho fá-lo-emos agora com a alegria de que não caminhamos sós. É sempre bom tentar colocarmo-nos diante da Cruz de Cristo, não como carpideiras a olhar para o passado – não foi essa a herança que Ele nos deixou – mas a sermos o sinal acolhedor de todos na nossa casa, levando em cada um de nós aqueles irmãos que Cristo nos deu no alto da Cruz, confiando sempre na presença maternal de Maria. Só assim fará sentido uma das últimas expressões de Cristo: "Mulher eis aí o teu filho; filho eis aí tua mãe" (Jo 19, 26-27).
Não há na verdade, para mim, maior grandeza do que a certeza que sou discípulo amado em João e que sou filho amado em Maria. Quanta Glória no Céu se celebra, como deve ecoar o canto do Aleluia, porque vivemos unidos, Igreja terrestre e Igreja celeste, a certeza do tumulo vazio. Quase me imagino a chegar ao sepulcro e sentir a amargura de não ver o meu Senhor, mas escutar de imediato: “Porque buscais o Vivente entre os mortos? Não está aqui; ressuscitou!” (Lc 24, 5-6).
Caríssimos, nesta Noite Santa, neste dia do Senhor, nesta Páscoa da Ressurreição, no silêncio de uma Vigília que este ano quis dar a mim mesmo, vos saúdo, vos desejo as maiores bênçãos do Céu, na certeza da minha amizade e oração.
A todos quero deixar os meus votos de uma Santa Páscoa em Cristo Ressuscitado.
Benedicat! Aleluia!
Frei Albertino  OFM

13 março 2015

2 ANOS DE PONTIFICADO

OBRIGADO SANTO PADRE


Passaram dois anos, desde a eleição para a Cátedra de Pedro, do Cardeal Jorge Mário Bergoglio. Desde o dia 13 de março que o Papa Francisco a todos conquistou com a sua simplicidade, a sua ternura, a sua espontaneidade. Naquele mês de março de 2013, deu-se uma espécie de “viragem franciscana”.
Em pouco mais de duas semanas o Papa Francisco deixou claro que não trazia apenas um novo estilo mas a frescura do conteúdo do Evangelho: aos cardeais apresentou-lhes três verbos para serem conjugados com a Cruz de Cristo: caminhar, edificar e confessar; num encontro com os jornalistas o Papa Francisco afirmou desejar uma Igreja pobre para os pobres; uma Igreja que seja misericordiosa, como Deus o é, pois perdoa sempre como disse no primeiro Angelus; a isto juntam-se outras afirmações fundamentais do seu programa de governo: o poder é serviço, viver na esperança, pastores que tenham o cheiro das ovelhas.
Em 18 dias do mês de março de 2013, o Papa Francisco deixava claras as suas intenções de reforma e renovação centrando tudo no Evangelho. E tudo começou com uma atitude cheia de conteúdo: A oração do povo pelo Santo Padre pedindo a bênção de Deus. Recordemos esse momento:
“E agora eu gostaria de dar a bênção, mas antes… antes peço-vos um favor: antes de o bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que Ele me abençoe: a oração do povo que pede a bênção para o seu bispo. Façamos em silêncio esta oração de vós por mim”. (13 de Março 2013)
Uma das pessoas que mais de perto tem vivido com o Papa Francisco nestes dois anos é o padre Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé e também diretor geral da Rádio Vaticano. Em entrevista ao nosso colega do programa italiano, Roberto Piermarini, o padre Lombardi apresentou as três imagens que lhe ficaram impressas na mente durante estes dois anos:
“A primeira é o abraço a três junto ao Muro das Lamentações em Jerusalém com o rabino e com o líder muçulmano. Portanto, um momento simbólico fundamental do diálogo e da paz na viagem do Papa à Terra Santa, num ponto absolutamente crucial para a paz no mundo.”
 “Uma segunda imagem que ficou impressa em todos é quando Papa Francisco, no final da grande cerimónia na catedral ortodoxa em Istambul, em Constantinopla, pede, num certo sentido, a bênção do patriarca e a ele se inclina. Portanto, o momento da fraternidade e do diálogo ecuménico, o grande desejo de unidade dos cristãos.”
 “E depois uma terceira imagem que não é uma imagem mas uma série de imagens, que o próprio Papa evocou muitas vezes durante a grande viagem nas Filipinas: estas multidões de pessoas cheias de afeto, desejosas de ver o Papa, de amá-lo, de manifestar o seu entusiasmo que apresentam as suas crianças. Portanto, este sentido de alegria, de esperança perante o Papa, de um povo que olha o seu futuro com esperança apresentando-lhe as crianças e as novas gerações da Ásia e da humanidade.”
Em 24 meses de pontificado, o Papa Francisco visitou o Brasil, a Terra Santa, a Coreia do Sul, a Albânia, a Turquia, o Sri Lanka, as Filipinas e a cidade francesa de Estrasburgo, onde passou pelo Parlamento Europeu e o Conselho da Europa; realizou também sete viagens em Itália, incluindo uma passagem pela ilha de Lampedusa e uma homenagem no centenário no início da I Guerra Mundial.
Entre os principais documentos do atual pontificado estão a encíclica ‘Lumen Fidei’ (A luz da Fé), que recolhe também reflexões de Bento XVI, e a exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’ (A alegria do Evangelho). O Papa Francisco iniciou ainda um Sínodo sobre a Família, em duas sessões, com consultas alargadas às comunidades católicas: uma sessão extraordinária realizada em outubro do ano passado, e outra ordinária, que vai decorrer neste ano de 2015 de 4 a 25 de outubro. (RS)
(from Vatican Radio)

11 março 2015

Acalma os meus passos

No correr de mais um dia urge parar…
Como tantas vezes, após o corrupio do dia a dia, escuto a Palavra que convida ao serviço aos outros
(Mt 20, 17-28), uma grande necessidade de rezar…
Não sei porquê… talvez fosse hora de fugir para a montanha, para o mar, nesta tarde fria e, aí, encontrar a sós com ELE…
Tenho sede de Ti, Cristo, tenho sede da fonte da água viva, dos passos que são os Teus no meu pobre caminho…

Quem dera ser como as árvores que aprendem a caminhar para o alto, quase que num gesto de louvor e gratidão ao autor de todo o Universo.
A noite cai e, urge mesmo parar…
Olhar para dentro do coração e da vida… fazer exame de consciência e retomar o caminho.
Lembrei de uma apresentação em power point que recebi em tempos…
Fui ver: imagem, som e mensagem… Fiz oração…
Não querendo adulterar o pensamento do autor da obra linda que rezei: “Acalma meu passo, Senhor”, decidi rezá-la no nosso português e, como oração de caminho quaresmal, aqui a deixar…
Tenho sede de ti, Senhor, preciso que continues a caminhar comigo…

Aqui deixo a todos, uma vez mais, este texto lindo do qual não se conhece o autor:
"Acalma os meus passos, Senhor,
desacelera as batidas do meu coração,
acalmando a minha mente.

Diminui o meu ritmo apressado com uma nova visão da eternidade e do tempo.
No meio das confusões do dia a dia,
dá-me a tranquilidade das montanhas.

Retira a tensão dos meus músculos e nervos
com a música tranquilizante dos rios e das águas constantes
que vivem nas minhas lembranças.

Ajuda-me a conhecer o poder mágico
e reparador do sono.

Ensina-me a arte de tirar pequenas férias:
reduzir o meu ritmo para contemplar uma flor,
conversar com os amigos, afagar uma criança,
ler um poema, ouvir uma música.

Acalma os meus passos, Senhor,
para que eu possa perceber
no meio do incessante labor quotidiano dos ruídos,
lutas, alegrias, cansaços ou desalentos,
a Tua presença constante no meu coração.

Acalma os meus passos, Senhor,
para que eu possa entoar o cântico da esperança,
sorrir para o meu próximo
e calar-me para ouvir a Tua voz.

Acalma os meus passos, Senhor,
e inspira-me a enterrar as minhas raízes
no solo dos valores duradouros da vida,
para que eu possa crescer até às estrelas do meu destino maior: TU!

Obrigado Senhor, pelo dia de hoje,
pela família que me deste,
os meus trabalhos
e sobretudo pela Tua presença na minha vida."


(Autor desconhecido – adaptado para a língua Portuguesa por A. R.)

28 fevereiro 2015

Semana Santa

Ao celebrarmos hoje o Domingo de ramos - Paixão do Senhor - fica em vídeo a partilha que a oração deste tempo permitiu. De forma simples uma passagem pelos símbolos deste tempo de graça que Deus nos proporciona e a liturgia leva à nossa reflexão.

Que esta Semana Santa seja para todos a semana da intimidade com Deus, no convite permanente a olhar a Cruz como sinal de Esperança.

(desativar a música de fundo na coluna da esquerda)


18 fevereiro 2015

Parabéns mãe. 85 anos (no Céu)

PARABÉNS MÃE.
HOJE CELEBRARIA 85 ANOS.
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MAS SEI QUE NA GLÓRIA
DO CÉU HÁ FESTA DA VIDA.

Canta a música popular. "Ó minha mãe, minha mãe, ó minha mãe minha amada. Quem tem um mãe tem tudo, quem não tem mãe não tem nada".
Isto pode ser verdade para quem canta o seu sofrimento e dor pela ausência de quem muito amou e foi amado.
Mas eu não me sinto como alguém que nada tem.
Tenho uma enorme herança recebida daquela Mulher, a minha mãe Maria, que me deu à luz e me ensinou a maior parte do que sou.
Sem dúvida que a Vida ensina muito mas jamais conseguirá ensinar o que uma mãe pode e que a minha ensinou com a maior maestría e hombridade que é possível.


HOJE 85 ANOS na terra. 
Amanhã 5 meses de partida para o Céu.

OBRIGADO MÃE E TENHO TANTAS, MAS TANTAS SAUDADES SUAS.
Beijinho e... muita Festa aí no Céu!

17 janeiro 2015

Parabéns Pai. 84 anos

Pai Manuel Rodrigues
84 ANOS, 
agora a
CELEBRAR
NA GLÓRIA
DO CÉU.

Se na Fé Cristã os que nos precederam e partem na paz, participam agora plenamente da Glória que lhes estava reservada pela bondade infinita de Deus.
Então... neste dia não quero chorar a não ser de saudade, da saudade do seu olhar, do seu canto, das suas gracinhas que nos faziam rir, mas sobretudo da saudade de um abraço e um beijinho, e daquele dia que me disse que punha a sua confiança total em mim.

Não quero chorar mas simplesmente cantar ao Deus Altíssimo, Omnipotente e Bom Senhor, porque não podia ter-me concedido outro pai melhor que o meu pai Manuel.

Pai, tenho saudades suas... mas sei que junto de Deus continua a olhar para nós... eu sinto isso a cada momento.

Beijinho e... muita Festa aí no Céu!

12 janeiro 2015

Conversão ao HOMEM NOVO



O texto que se segue é a minha releitura a partir das palavras da Ir. M.ª Amélia no 8.º Encontro)

FRANCISCO HOMEM CONVERSÃO: Continuação
O Salmo 46, rezado pela manhã, colocou-nos numa espécie de síntese do retiro: fortaleza que nos vem de Deus, o saciar a nossa alma em Deus e sobretudo expressarmos ao mundo dos nossos colóquios íntimos com Deus porque somos eleitos homens e mulheres da intimidade: O Senhor do universo está connosco! O Deus de Jacob é a nossa fortaleza! Vinde e contemplai as obras do Senhor, as maravilhas que Ele realizou na terra”.
Cristo chama à intimidade para depois nos enviar.
No texto anterior ficámos na GRUTA onde Francisco se refugia para um encontro mais íntimo com o Deus de Jesus Cristo.
No nosso processo pessoal, fraterno, comunitário, na sociedade, na Igreja, na Ordem, onde quer que nos encontremos, Cristo chama a sermos sinal da presença testemunhante de Francisco e Clara para que os outros sintam, mais do que verem, sintam que somos diferentes pela intimidade que temos com Ele e que se reflecte na nossa relação com os outros.

Voltemos ao percurso de CONVERSÃO de Francisco. Quais os QUATRO MOMENTOS CHAVE?
· SER POBRE. O gesto que se nos apresenta em primeiro lugar, como início de conversão, está no facto de deixar de ser alguém que dá esmolas aos pobres ao tornar-se ele mesmo pobre e pedir esmola. Este é um gesto provocatório para a sociedade de então, a Igreja e até mesmo a família e amigos, todos lhe chamam louco. Alguém um dia se lembrou de colocar como sendo oração de S. Francisco (da paz) a expressão “porque é dando que se recebe…”. Em Francisco há mais alegria no dar que no receber, isso é um facto. Este dar nem sempre é entregar alguma coisa ao outro, no sentir e viver de Francisco esta alegria pode ser o dar ao outro a oportunidade de me oferecer ele alguma coisa, e aqui Francisco habitualmente refere-se ao perdão. Denota em Francisco a grande preocupação pela alegria da reciprocidade, do amor, da fraternidade.
Uma tal opção de vida, que se alegra mais no dar que no receber, é aquela que faz dele e de nós pobres com os pobres, superar em si mesmo as pretensões para se sentir um igual aos pobres. A partir daqui as suas relações com os outros ganham um valor genuíno em Francisco.
Ser pobre não significa, para ele, não ter coisas mas sim, não ter a posse das mesmas, não ser dono, senhorio porque tudo recebemos na gratuidade de Deus. Ser pobre, para Francisco, é usar bem o que Deus nos concedeu sem permitir que ao seu lado alguém fosse mais pobre que ele. Quantas histórias poderíamos contar aqui de momentos em que ele deu o seu próprio hábito aos pobre que estava mais roto que ele, em que pagou para serem libertadas as rolas cativas, em que mandou aos seus frades que fossem levar comida ao bosque aos irmãos ladrões que os haviam assaltado… e por aí fora.

· BEIJO AO LEPROSO. Este é o segundo momento chave onde Francisco rompe consigo mesmo e com a sua estrutura interior. Os leprosos afastavam-se do resto das pessoas, fugiam, escondiam-se e avisava com uma campainha a sua presença para que todos deles fugissem e não fossem contagiados com a lepra. Quantas vezes Francisco fugiu, enojado talvez, com desprezo pelos que sofriam o mal da doença e da discriminação social inerente à lepra.
Olhar o outro como alguém a quem manifestar afecto e a quem amar com o sentido do coração de Deus leva Francisco a ir ao encontro do leproso, apear-se do cavalo e beijar aquele irmão atónito sem perceber o que estava a acontecer. Seria mesmo um louco, aquele Francisco Bernardone, beijar um leproso. Loucura não foi este gesto mas sim a mudança que ele permite se opere na sua vida e coração, como ele mesmo nos diz no seu Testamento: “e depois o Senhor me conduziu ao meio dos leprosos e o que antes era para mim amargo se tornou em doçura de alma”.
Francisco já não se sente diferente dos outros, dos pobres, dos marginalizados, dos enfermos, dos desenraizados. Francisco, identificado agora com Cristo pobre e sofredor, já não é o jovem das folgazias, o rei da juventude, o jovem de sonhos de cavalaria e honrarias. É um homem em permanente conversão interior que se deixa tocar por aquilo que jamais lhe passaria pela cabeça, Cristo vivo e operante através dos mais frágeis da sociedade. Francisco, neste momento chave da sua conversão, vive talvez uma das etapas mais importantes, difíceis e cruciais da sua vida espiritual, morrer para o amor prefigurado neste abraço ao homem sofredor que o leva sempre ao Cristo sofredor.
Francisco começa a entender aqui que é o morrer constantemente por amor e para o amor que gera mais vida. Por isso ele repete tantas vezes que “o Amor – Cristo – não é amado”, e uma vez mais olhamos a já referida oração que diz que “é morrendo que se vive para a Vida Eterna”.

· De CAVALEIRO A PEDREIRO. Toda a vocação é o chamamento ao SERVIÇO. Só há dois caminhos para Francisco – e para nós creio – viver na lógica do poder ou na lógica do serviço. Francisco já não quer mais ouvir a voz dos que têm o poder das nações, o domínio dos povos mas a voz de UM CRUCIFICADO e que lhe pede o Crucificado? “Vai, Francisco, e repara a minha Igreja que como vês ameaça ruir”. Estamos diante de uma capelinha em ruínas, dedicada a S. Damião, um grande Cristo Bizantino que se ergue diante de Francisco que ali ajoelha em busca da vontade de Deus e repete sem cessar: “quem és Tu, ó Deus meu, e quem sou eu?” e ainda “Senhor, que queres que eu faça, que queres de mim?”
“Repara a minha Igreja…”. Esta é a vontade do Crucificado e, Francisco, prontamente arregaça as mãos e de pedra e argamassa vai reparar as paredes daquela e de outras capelas de Assis. A honestidade da resposta imediata à vontade de Deus nem o deixou pensar que Igreja é esta a que Cristo se refere. Ele mesmo vai dizer que só mais tarde percebeu que não eram igrejas de pedras mas sim a Igreja povo de Deus com os problemas e crises do seu tempo – tão pouco diferente do tempo actual – que Deus queria que ele reparasse.
Este tempo todo é, podemos dizer, o tempo verdadeiro da sua conversão. É aqui que toda a transformação interior se consolida, no serviço aos outros, no trabalho para os outros, na oração íntima com Deus. É o tempo da conversão do narcisismo para o amor, entrega purificada e livre à missão. Dá-se aqui, podemos dizer, um salto verdadeiramente qualitativo na vida de Francisco.
Neste momento Cristo tem Francisco bem preparado para a PROVA DE FOGO, onde ele vai expor a sua descoberta absoluta do seguimento de Cristo.

· DESPOJAMENTO. Fracisco, sem muitas palavras, tudo restitui ao mundo, à família, até o nome Bernardone restitui ao pai para reencontrar a sua nova condição de filho e, despojado de todas as coisas deste mundo, fazer vida as palavras que disse diante do Bispo, do Podesta, da família e da cidade inteira: “de hoje em dianta já não chamarei mais pai a Pedro Bernardone mas antes direi PAI NOSSO que estais no céu”. DEUS É O SEU PAI e assim será sempre.
Despojado se encontra, não como um verme, mas como uma criança é sinal de renascimento, como aconteceu com Nicodemos no Evangelho. Só assim, passando por este caminho seremos livres, responsáveis, capazes de assumir o fracasso, a solidão mas também as vitórias e alegrias em Deus que nascem deste renascimento permanente. Trata-se de viver mais de vinho novo em odres novos e não de vinho velho em odres velhos, como lembra Jesus.

Independentemente da idade que tenhamos somos constantemente convidados a uma conversão que tenha perfume, arejada, suave e capaz de ter o sabor da paz e da alegria: Aleluia!Louvai o Senhor, porque é bom cantar! É agradável e é justo louvar o nosso Deus.” (Sl 147, 1). Deus cuida de nós e esta consciência está sempre presente em Francisco CONVERTIDO POR AMOR bem como em Clara sua Plantazinha e deve estar presente em todos os que de uma forma ou de outra partilham deste sentir de Clara e Francisco. Deus restaura a cada momento a “nossa Jerusalém”, o que somos e temos porque tudo é DOM DO SEU AMOR, convida-nos a entrar lá para renovar a vida, para ser missão.

Muitos foram os momentos chave na vida de Francisco, e por seguimento na vida de Clara, mas ficam estes que partilhou a Irmã Maria Amélia Costa e que, ao longo destes últimos tempos voltei a reflectir, rezar e reescrever ao meu jeito, completando com a minha reflexão pessoal também.
À minha querida Ir. M.ª Amélia Costa quero agradecer o dom enorme que foi ter uma Mulher como ela a orientar a nova caminhada no “chão de Francisco e Clara”.
Dentro de dias, e como corolário de todas estas reflexões, temos, eu e a Ir. M.ª Amélia uma surpresa para todos. Aguardem porque temos certeza que será motivo de alegria e vida partilhada.

Termino com um pensamento para um dos mais belos textos que Francisco escreveu e que é a SAUDAÇÃO À BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA
"Salve, Senhora santa Rainha, santa Mãe de Deus, Maria virgem convertida em templo, e eleita pelo santíssimo Pai do céu, consagrada por Ele com o seu santíssimo amado Filho e o Espírito Santo Paráclito;
que teve e tem toda a plenitude da graça e todo o bem!
Salve, palácio de Deus!
Salve, tabernáculo de Deus!
Salve, casa de Deus!
Salve, vestidura de Deus!
Salve, Mãe de Deus!
E vós, todas as santas virtudes, que pela graça e iluminação do Espírito Santo sois infundidas no coração dos fiéis, para, de infiéis que somos, nos tornardes fiéis a Deus."

11 janeiro 2015

NATAL: Baptismo de Jesus

Terminamos hoje o Tempo do Natal com este dia do
BATISMO DO SENHOR
(Desactivar a música do blog para ouvir a mensagem do vídeo)


Peço uma vez mais que perdoeis algumas gafes ou ideias repetidas mas não é fácil filmar e ao mesmo tempo estar atento às palavras porque, não existe ponto nem cábula para ler.

04 janeiro 2015

Epifania: Viemos adorá-l'O

Hoje o Salmo 71 leva-nos à aclamação: “Virão adorar-Vos, Senhor, todos os povos da terra.” E mais adiante referindo-se ao Messias canta que “Os reis de Társis e das ilhas virão com presentes, os reis da Arábia e de Sabá trarão suas ofertas. Prostrar-se-ão diante dele todos os reis, todos os povos o hão-de servir.”Este Salmo torna-se o mote para a nossa reflexão deste dia, o dia da Epifania, da manifestação de Deus em Jesus Cristo.É d’Ele que fala o salmo. A adoração e a prostração dos grandes do mundo, só poderia acontecer diante do grande mistério da manifestação de Deus ao Seu povo, o novo Israel, a nova Jerusalém.Isaías (Is 60, 1-6) sonha com esta grande realidade e mais ainda aponta-a para um futuro próximo: “Levanta-te e resplandece, Jerusalém, porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor”Não é apenas um sonho mas a revelação do próprio Deus que vem, Ele é a Luz que vem para iluminar e guiar nos caminhos da paz e da justiça. “sobre ti levanta-Se o Senhor, e a sua glória te ilumina” (…)Virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando as glórias do Senhor”.Como é bom imaginar o profeta a fazer esta preconização na enorme praça da cidade Santa. Como crer que a Luz de Deus vem iluminar quem se sente tão longe d’Ele? Como crer que os outros povos poderosos olharão para uma nova Jerusalém invadindo-a não para a derrotar mas para a encher de bens e de presentes, ouro, sinal da realeza e incenso sinal da divindade.
Deus iluminará o Seu Povo, reformará o seu coração, a sua história e atrairá a ele todos os outros povos.Esta é a promessa que hoje nos narra Mateus 2, 1-12: “Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, quando chegaram a Jerusalém uns Magos vindos do Oriente. «Onde está – perguntaram eles – o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-l’O».Uns magos, ou reis como também se lhes chama noutros textos, conhecem a Escritura Sagrada, conhecem os sinais dos tempos e deixam-se guiar por uma Luz, uma estrela, diferente de todas as outras. E eis que chegam ao lugar onde está Maria e o Menino. É curioso que o Evangelho não refere mais ninguém, nem mesmo José. “Puseram-se a caminho. E eis que a estrela que tinham visto no Oriente seguia à sua frente e parou sobre o lugar onde estava o Menino. Ao ver a estrela, sentiram grande alegria. Entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua Mãe, e, prostrando-se diante d’Ele, adoraram-n’O.”José aparece aqui completamente ofuscado pelo mistério da Encarnação. Parece que o Evangelista apenas se preocupa em revelar a grandeza do Menino e de Sua Mãe. Nada mais importa ali naquele lugar. José teve e tem um lugar primordial na vida de Cristo e em toda a história da salvação mas, curiosamente, nos momentos mais fortes – tão poucos – em que José está presente não existe grande preocupação a não ser revelar que o grande Mistério da Salvação nos vem de Jesus por Maria.Aquela pequena terra, Belém, que ao que parece nem era lá muito bem vista aos olhos do tempo, cumpre assim a promessa de Deus como no-lo revela Mateus: “Tu, Belém, terra de Judá, não és de modo nenhum a menor entre as principais cidades de Judá, pois de ti sairá um chefe, que será o Pastor de Israel, meu povo”.
Ao acolher o Messias Belém torna-se a cidade que abre as portas à realização da Salvação divina. Assim, transforma-se na terra do medo de Herodes, medo deste novo Rei e do Seu Povo. Herodes teme e o seu temor leva-o à mentira, à fúria e à morte dos Santos Inocentes recentemente celebrados por todos nós. Aos seus pares, se assim lhes podemos chamar, Herodes manda-os até Belém no intuito de saber onde está tal Rei nascido porque, diz ele, também lhe quer prestar homenagem, também ele o quer ir adorar. A sua mentira não é esquecida por Deus.
Os Magos seguem a estrela e chegam ao lugar onde está Maria e o Menino e, diz Mateus: “abrindo os seus tesouros, ofereceram-Lhe presentes: ouro, incenso e mirra”.Já vimos que o ouro é o símbolo da realeza, o incenso da divindade e a mirra é símbolo da humanidade sofredora.

Uns Magos, uns Reis, pessoas importantes de outros povos e nações, prostram-se diante de um bebé acabado de nascer para O adorar. Só por si este gesto é já significativo do reconhecimento de que Ele é a realização da promessa Salvífica de Deus. Reconhecem a Sua Realeza, Cristo é o Rei de todos os Povos, de todo o Universo; reconhecem a Sua Divindade, Cristo é Deus, faz parte do grande mistério que Deus é, mas reconhecem também a sua humanidade e, no dizer de alguns biblistas, a mirra representa todo o sofrimento que o levaria à Cruz.Estes magos representam a humanidade inteira, não é só o Povo Hebreu que recebe ou reconhece a Salvação mas a humanidade inteira.Paulo em Ef 3,2-3a.5-6, lembra-nos esta realidade da sua e nossa fé: “Certamente já ouvistes falar (…) foi-me dado a conhecer o mistério de Cristo. (…) Revelado pelo Espírito Santo (…) os gentios recebem a mesma herança que os judeus, pertencem ao mesmo corpo e participam da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho.”Aqui vemos a Universalidade da salvação. Cristo vem resgatar todos os povos de todos os tempos. E o mais bonito de todo este mistério do Natal é que a Revelação começa pelos mais pobres e simples, os pastores que guardam os rebanhos, são os Anjos que os convidam a dar glória a Deus e depois os gentios, os Magos, os Reis dos outros povos.
Todos recebem, em símbolos diversos: Palavra de Deus, Anjos, Luz, Estrela, a grande alegria de que “O Verbo se fez carne e habitou entre nós, e nós vimos a Sua glória de Unigénito do Pai, cheio de graça e verdade”.
E Maria ali está, silenciosa face ao que todos contam acerca do Seu Menino. É a Mãe do silêncio, do acolhimento, da entrega, da Revelação.Voltando ao Evangelho Mateus termina dizendo que: “E, avisados em sonhos para não voltarem à presença de Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho”.
Os caminhos de Deus manifestam-se a cada momento do nosso dia-a-dia.
Neste dia somos chamados a participar desta Epifania, manifestação da Glória de Deus, através dos nossos gestos e do testemunho da nossa fé. Foi a fé que levou os Magos até Belém. Eu costumo dizer que aquela estrela de que falam os Evangelhos não é mais que a luz da fé que salva e aponta o caminho a seguir. Não foram anjos mas o crer, o acreditar nessa Luz, que levou estes, a que a tradição dá o nome de Baltazar, Gaspar e Belchior, ao lugar onde um Menino e Sua Mãe recebem o louvor, a prostração e a adoração. Adorar o Menino Deus é certamente tecer um gesto de adoração Àquela que abre as portas do Reino de Deus outrora fechadas pelo pecado de Eva. Assim o cantamos nós na antífona: “Por Eva foi fechada aos homens a porta do céu, e a todos foi de novo aberta por Maria”.
Como Igreja em comunhão, não esquecendo os nossos irmãos Ortodoxos que hoje celebram o seu Natal, saibamos deixar-nos guiar pela Luz que é Cristo e na alegria exclamada por Isaías, na fé proclamada por Paulo e na beleza do mistério revelado em Mateus, cantemos com a Igreja inteira:

“Gloria in excelsis Deo”…

27 dezembro 2014

Deus fez-se Humano. Glória in excelsis

"Um Menino nos foi dado, um Santo nos nasceu..."
Hoje alguém me mostrou este vídeo fantástico que nos faz parar e refletir verdadeiramente sobre este grande mistério de um Deus que se faz Menino.
Espero que vos deixe extasiados tal como me deixou a mim e que nos ajude a continuar a celebrar o Tempo de natal.
Boas Festas para todos! 

25 dezembro 2014

Noite Feliz

Já lá vão uns anos desde que gravei este clipe de vídeo.
Com ele quero renovar a minha gratidão a todos os que nos últimos anos foram sinal da presença amorosa do Deus Menino na minha vida.
Uma vez mais Santo e feliz Natal.
(desactivar a música do blog na coluna da esquerda)

21 dezembro 2014

O Senhor está Contigo. Maranatha!

Partilho neste quarto Domingo do advento um vídeo feito pelas Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria. Nele podemos refletir esta presenta de Deus ao longo da História e como Deus se revela, como nunca, no hoje da nossa Vida, por meio de Seu Filho acolhido no meio de nós pela Virgem Maria.
O SIM de Maria torna-se o sim da Humanidade crente.
Vem, Senhor Jesus! Maranatha!

17 dezembro 2014

Antífonas do Ó

É sempre bom recordar a grande devoção deste tempo último do Advento:
as ANTÍFONAS DO Ó.

Ricas na sua beleza e no que simbolizam neste tempo do advento, são antífonas - pequenas frases que, desde o dia 17 até ao dia 23, rezamos ou cantamos como antífonas do Magnificat, na Oração de Vésperas, e como estrofe da aclamação ao Evangelho da Eucaristia.

Refira-se ainda que nestes momentos da liturgia estas antífonas já estão um pouco mais simplificadas mas sem perderem o verdadeiro sentido original. Pesquisei na net em vários sítios, pedi ajuda aos confrades mais doutos que eu nestas coisas da liturgia. O texto que se segue é o meu resumo do que pude aprender.

Desde o dia 17 de Dezembro ao dia 23, nos momentos litúrgicos acima referidos, cantam-se as antífonas do Ó, habitualmente com melodias gregorianas, antes e depois do Magnificat. Ao que parece terão sido compostas entre os séculos VII e VIII. Pode dizer-se que no seu conjunto resumem um verdadeiro e admirável compêndio da cristologia da antiga Igreja, sendo um resumo expressivo do desejo de salvação de toda a humanidade, tanto de Israel no Antigo Testamento, como da Igreja no Novo Testamento. Trata-se de pequenas estrofes ao jeito de oração, dirigidas a Cristo e que resumem o espírito deste tempo de Advento e Natal. Ao cantar, proclamar ou rezar estas antífonas a Igreja expressa a sua admiração diante do mistério de Deus feito Homem. É de realçar a força com que começam, através da interjeição «Ó», que nos adentra para uma compreensão cada vez mais profunda de tal mistério, bem como a forma suplicante com que terminam: «Vem, não tardes mais!». Estas antífonas são súplicas a Cristo, reverenciando o Senhor que vem, com um título diferente em cada dia, título messiânico retirado do Antigo Testamento, mas que de alguma forma preconiza toda a plenitude que se realizará no Novo: As antífonas em latim têm uma outra particularidade que eu não sabia e que aprendi agora. Vejamos como começam elas em latim e os dias correspondentes:

17 de dezembro: "O Sapientia" (Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo)
18 de dezembro: "O Adonai" (Ó meu Senhor, Guia da Casa de Israel)
19 de dezembro: "O Radix" (Ó Raiz de Jessé)
20 de dezembro: "O Clavis" (Ó Chave de David)
21 de dezembro: "O Oriens" (Ó Sol nascente, esplendor da Luz Eterna)
22 de dezembro: "O Rex gentium" (Ó Rei das Nações)
23 de dezembro: "O Emmanuel" (Ó Deus connosco)

Se lermos as palavras, formadas pelas letras iniciais das palavras latinas, após a interjeição “O”, e lidas no sentido inverso, da última para a primeira, encontramo-nos diante do acróstico (composição poética em que as letras iniciais dos versos, ou as do meio, ou as do final, formam uma frase ou uma palavra) «ERO CRAS». De acordo com os meus confrades, doutos nestas cousas, “ero” significa “ontem” e “cras” significa “amanhã”. Aumentou a minha curiosidade acerca da tradução e significado de tal acróstico. Voltei a questionar os confrades e, dizem eles, e eu assim o creio, significa «virei amanhã, serei amanhã, estarei amanhã», reflectindo desta forma a resposta do Messias à súplica dos fiéis.
Deixo aqui o texto em latim e a tradução que encontrei para a língua Lusa. Confio que esta esteja correcta e com o verdadeiro sentido do original.
O Sapientia, quae ex ore Altissimi prodiisti, attingens a fine usque ad finem, fortiter, suaviterque disponens omnia: veni ad docendum nos viam prudentiae.Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo, e atingis até os confins de todo o universo, e com força e suavidade governais o mundo inteiro: oh vinde ensinar-nos o caminho da prudência!O Adonai, et dux domus Israel, qui Moysi in igne flammae rubi apparuisti, et ei in Sina legem dedisti: veni ad redimendum nos in brachio extento.Ó Adonai (Senhor), guia da casa de Israel, que aparecestes a Moisés na sarça ardente, e lhe destes a vossa lei sobre o Sinai, vinde salvar-nos com braço poderoso!O Radix Jesse, qui stas in signum populorum, super quem continebunt reges os suum, quem gentes deprecabuntur: veni ad liberandum nos, jam nolli tardare.Ó Raiz de Jessé, ó estandarte, levantado em sinal para as nações! Ante vós se calarão os reis da terra, e as nações implorarão misericórdia: Vinde salvar-nos! Libertai-nos sem demora!O Clavis David, et sceptrum domus Israel, qui aperis, et nemo claudit; claudis, et nemo aperit: veni et educ vinctum de domo carceris, sedentem in tenebris et umbra mortis.Ó Chave de David, ceptro da casa de Israel, que abris e ninguém fecha, que fechais e ninguém abre: vinde logo e libertai o homem prisioneiro que, nas trevas e na sombra da morte está sentado.O Oriens, splendor lucis aeternae et sol justitiae: veni et illumina sedentes in tenebris et umbra mortis.Ó Sol Nascente justiceiro, resplendor da Luz eterna: Oh, vinde e iluminai os que jazem entre as trevas e na sombra do pecado e da morte estão sentados.O Rex Gentíum, et desideratus earum, lapisque angularis, qui facis utraque unum: veni, et salva hominem quem de limo formastí.Ó Rei das Nações, desejado dos povos; ó Pedra Angular, que os opostos unis: Oh, vinde e salvai este homem tão frágil, que um dia criastes do barro da terra!O Emmanuel, Rex et legifer noster, expectatio gentium et Salvator earum: veni ad salvandum nos, Domine Deus noster.Ó Emanuel – Deus-connosco, nosso Rei Legislador, Esperança das Nações e dos povos Salvador: Vinde enfim para salvar-nos, ó Senhor nosso Deus!

Termino suplicando “Maranatha!”, vem Senhor Jesus!

(fontes: Wikipédia, a enciclopédia livre, outros sítios da net e Dictionnaire de Archeologie Chretienne et de Liturgie, publié par Dom Fernand Cabral, XII, Paris, 1936, p. 1816)

08 dezembro 2014

Imaculada e Duns Scoto

Imaculada Conceição
e Beato Duns Scoto (OFM)

A catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Sala Paulo VI para a audiência geral desta quarta-feira (07/07/2010)

Queridos irmãos e irmãs:
Imaculada Conceição
difundida e Venerada pelos Franciscanos

Nesta manhã – depois de algumas catequeses sobre diversos grandes teólogos – quero apresentar-vos outra figura importante na história da teologia: trata-se do beato João Duns Scoto, que viveu no final do século XIII. Uma antiga inscrição sobre seu túmulo resume as coordenadas geográficas da sua biografia: “A Inglaterra o acolheu; a França o educou; Colônia, na Alemanha, conserva seus restos; na Escócia ele nasceu”. Não podemos descuidar estas informações, também porque temos poucas notícias sobre a vida de Duns Scoto. Ele nasceu provavelmente em 1266, em um povoado que se chamava precisamente Duns, nas proximidades de Edimburgo.


Atraído pelo carisma de São Francisco de Assis, entrou na família dos Frades Menores e, em 1291, foi ordenado sacerdote.

Dotado de uma inteligência brilhante e levada à especulação – essa inteligência pela qual mereceu da tradição o título de Doctor subtilis, “Doutor sutil” -, Duns Scoto foi dirigido aos estudos de filosofia e de teologia nas célebres universidades de Oxford e de Paris. Concluída com êxito sua formação, dedicou-se ao ensino da teologia nas universidades de Oxford e de Cambridge, e depois de Paris, começando a comentar, como todos os Mestres do seu tempo, as Sentenças de Pedro Lombardo. As principais obras de Duns Scoto representam precisamente o fruto maduro dessas lições, e tomam seu título dos lugares nos quais lecionou: Opus Oxoniense (Oxford), Reportatio Cambrigensis (Cambridge), Reportata Parisiensia (Paris). De Paris ele se afastou quando, após o começo de um grave conflito entre o rei Felipe IV o Belo e o Papa Bonifácio VIII, Duns Scoto preferiu o exílio voluntário, ao invés de assinar um documento hostil ao Sumo Pontífice, como o rei havia imposto a todos os religiosos. Assim, por amor à Sé de Pedro, junto aos frades franciscanos, abandonou o país.
Queridos irmãos e irmãs: este fato nos convida a recordar quantas vezes, na história da Igreja, os crentes encontraram hostilidade e sofreram inclusive perseguições por causa de sua fidelidade e de sua devoção a Cristo, à Igreja e ao Papa. Nós todos contemplamos com admiração esses cristãos, que nos ensinam a proteger como um bem precioso a fé em Cristo e a comunhão com o Sucessor de Pedro e, assim, com a Igreja universal.
No entanto, as relações entre o rei da França e o sucessor de Bonifácio VIII logo voltaram a ser amistosas e, em 1305, Duns Scoto pôde voltar a Paris para lecionar teologia com o título de Magister regens, que hoje seria o de professor efetivo. Sucessivamente, os superiores o enviaram a Colônia como professor do Studium teológico franciscano, mas ele morreu no dia 8 de novembro de 1308, com apenas 43 anos de idade, deixando, contudo, um número relevante de obras.


Por ocasião da fama de santidade de que gozava, seu culto se difundiu em pouco tempo na ordem franciscana e o venerável

Papa João Paulo II quis confirmá-lo solenemente beato no dia 20 de março de 1993, definindo-o como “cantor do Verbo Encarnado e Defensor da Imaculada Conceição”. Nesta expressão está sintetizada a grande contribuição que Duns Scoto ofereceu à história da teologia.


Antes de tudo, meditou sobre o mistério da Encarnação e, ao contrário de muitos pensadores cristãos da época, sustentou que o Filho de Deus teria se feito homem ainda que a humanidade não tivesse pecado. Ele afirma, na Reportata Parisiensa: “Pensar que Deus teria renunciado a esta obra se Adão não tivesse pecado seria totalmente irracional. Digo, portanto, que a queda não foi a causa da predestinação de Cristo, e que, ainda que ninguém tivesse caído, nem o anjo, nem o homem, nesta hipótese Cristo teria

estado ainda predestinado da mesma forma” (in III Sent., d. 7, 4). Este pensamento, talvez um pouco surpreendente, nasce porque, para Duns Scoto, a Encarnação do Filho de Deus, projetada desde a eternidade por parte de Deus Pai em seu plano de amor, é cumprimento da criação e torna possível a toda criatura, em Cristo e por meio d’Ele, ser cumulada de graça e dar louvor e glória a Deus na eternidade. Duns Scoto, ainda consciente de que, na realidade, por causa do pecado original, Cristo nos redimiu com sua Paixão, Morte e Ressurreição, reafirma que a Encarnação é a maior e mais bela obra de toda a história da salvação e que esta não está condicionada por nenhum fato contingente, mas é a ideia original de Deus de unir finalmente todo o criado consigo mesmo na pessoa e na carne do Filho.

Fiel discípulo de São Francisco, Duns Scoto amava contemplar e pregar o mistério da Paixão salvífica de Cristo, expressão do amor imenso de Deus, que comunica com grandíssima generosidade fora de si os raios da sua bondade e do seu amor (cf. Tractatus de primo principio, c. 4). E este amor não se revela somente no calvário, mas também na Santíssima Eucaristia, da qual Duns Scoto era devotíssimo e que via como o sacramento da presença real de Jesus e como o sacramento da unidade e da comunhão que nos

induz a amar-nos uns aos outros e a amar a Deus como o Sumo Bem comum (cf. Reportata Parisiensia, in IV Sent., d. 8, q. 1, n. 3).
Queridos irmãos e irmãs: esta visão teológica, fortemente “cristocêntrica”, abre-nos à contemplação, ao estupor e à gratidão: Cristo é o centro da história e do cosmos, é Aquele que dá sentido, dignidade e valor à nossa vida. Como o Papa Paulo VI em Manila, também eu, hoje, quero gritar ao mundo: “[Cristo] é o revelador do Deus invisível, é o primogênito de toda criatura, é o fundamento de tudo; é o Mestre da humanidade, é o Redentor; nasceu, morreu e ressuscitou por nós; Ele é o centro da história e do mundo; é Aquele que nos conhece e que nos ama; é o companheiro e o amigo da nossa vida… Eu nunca terminaria de falar d’Ele” (Homilia, 29 de novembro de 1970).

Não somente o papel de Cristo na história da salvação, mas também o de Maria é objeto da reflexão do Doctor subtilis. Na época de Duns Scoto, a maior parte dos teólogos opunha uma objeção, que parecia insuperável, à doutrina segundo a qual Maria Santíssima esteve isenta do pecado original desde o primeiro instante da sua concepção: de fato, a universalidade da Redenção levada a cabo por Cristo, à primeira vista, poderia parecer comprometida por uma afirmação semelhante, como se Maria não tivesse tido necessidade de Cristo e da sua redenção. Por isso, os teólogos se opunham a esta tese. Duns Scoto, então, para fazer compreender esta preservação do pecado original, desenvolveu um argumento que foi depois adotado também pelo Papa Pio IX em 1854, quando definiu solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria. E este argumento é o da “redenção preventiva”, segundo a qual a Imaculada Conceição representa a obra de arte da Redenção realizada em Cristo, porque precisamente o poder do seu amor e da sua mediação obteve que a Mãe fosse preservada do pecado original. Portanto, Maria está totalmente redimida por Cristo, mas já antes da sua concepção. Os franciscanos, seus irmãos, acolheram e difundiram com entusiasmo esta doutrina, e os demais teólogos – frequentemente com juramento solene – se comprometeram a defendê-la e aperfeiçoá-la.
A este respeito, gostaria de evidenciar um dado que me parece importante. Teólogos de valor, como Duns Scoto sobre a doutrina da Imaculada Conceição, enriqueceram com sua contribuição específica de pensamento o que o Povo de Deus já acreditava espontaneamente sobre a Beatíssima Virgem, e manifestava nos atos de piedade, nas expressões da arte e, em geral, na vida cristã. Assim, a fé, tanto na Imaculada Conceição como na Assunção corporal de Nossa Senhora já estava presente no Povo de Deus, enquanto a teologia não havia encontrado ainda a chave para interpretá-la na totalidade da doutrina da fé. Portanto, o Povo de Deus precede os teólogos e tudo isso graças a esse sensus fidei sobrenatural, isto é, essa capacidade infundida pelo Espírito Santo, que capacita para abraçar a realidade da fé, com a humildade do coração e da mente. Neste sentido, o Povo de Deus é “magistério que precede” e que deve ser depois aprofundado e acolhido intelectualmente pela teologia. Que os teólogos possam sempre colocar-se à escuta dessa fonte da fé e conservar a humildade e a simplicidade dos pequenos! Recordei isso há alguns meses, dizendo: “Existem grandes doutos, grandes especialistas, grandes teólogos, mestres da fé, que nos ensinaram muitas coisas. 

Penetraram nos pormenores da Sagrada Escritura (…), mas não puderam ver o próprio mistério, o verdadeiro núcleo (…). O essencial permaneceu escondido! (…) Pensemos em Santa Bernadete Soubirous; em Santa Teresa de Lisieux, com a sua nova leitura da Bíblia ‘não científica’, mas que entra no coração da Sagrada Escritura” (Homilia. Missa com os Membros da Comissão Teológica Internacional, 1º de dezembro de 2009).



Finalmente, Duns Scoto desenvolveu um ponto no qual a modernidade é muito sensível. Trata-se do tema da liberdade e da sua relação com a vontade e com o intelecto. Nosso autor sublinha a liberdade como qualidade fundamental da vontade, iniciando uma postura de tendência voluntarista, que se desenvolveu em contraposição com o chamado intelectualismo agostiniano e tomista. Para São Tomás de Aquino, que segue Santo Agostinho, a liberdade não pode ser considerada uma qualidade inata da vontade, mas o fruto da colaboração da vontade com o intelecto. Uma ideia da liberdade inata e absoluta colocada na vontade que precede o intelecto, tanto em Deus como no homem, corre o risco, de fato, de levar à ideia de um Deus que não estaria ligado tampouco à verdade nem ao bem. O desejo de salvar a absoluta transcendência e diversidade de Deus com uma afirmação tão radical e impenetrável da sua vontade não leva em consideração que o Deus que se revelou em Cristo é o Deus “logos”, que agiu e age repleto de amor a nós. Certamente, como afirma Duns Scoto na linha da teologia franciscana, o amor supera o conhecimento e é capaz de perceber cada vez mais o pensamento, mas é sempre o amor de Deus “logos” (cf. Bento XVI, Discurso em Ratisbona, “Enseñanzas de Benedicto” XVI, II [2006], p. 261). Também no homem a ideia de liberdade absoluta, colocada na vontade, esquecendo o nexo com a verdade, ignora que a própria liberdade deve ser libertada dos limites que lhe foram postos pelo pecado.

Falando aos seminaristas de Roma, no ano passado, eu recordava que “a liberdade, em todas as épocas, foi o grande sonho da humanidade, desde o início, mas particularmente na época moderna (Discurso ao Pontifício Seminário Maior Romano, 20 de fevereiro de 2009). Mas precisamente a istória moderna, além da nossa experiência cotidiana, ensina-nos que a liberdade é autêntica e ajuda na construção de uma civilização verdadeiramente humana somente quando está reconciliada com a verdade. Quando se separa da verdade, a liberdade se converte tragicamente em princípio de destruição da harmonia interior da pessoa humana, fonte de prevaricação dos mais fortes e dos mais violentos e causa de sofrimentos e de lutos. A liberdade, como todas as faculdades de que o homem está dotado, cresce e se aperfeiçoa, afirma Duns Scoto, quando o homem se abre a Deus, valorizando essa disposição à escuta da sua voz, que ele chama de potentia obedientialis: quando nos colocamos à escuta da Revelação divina, da Palavra de Deus, para acolhê-la, então somos alcançados por uma mensagem que enche de luz e de esperança nossa vida e somos verdadeiramente livres.

Queridos irmãos e irmãs: o beato Duns Scoto nos ensina que, na nossa vida, o essencial é crer que Deus está perto de nós e nos ama em Jesus Cristo; e cultivar, portanto, um profundo amor a Ele e à sua Igreja. Desse amor nós somos as testemunhas nesta terra. Que Maria Santíssima nos ajude a receber este infinito amor de Deus do qual gozaremos plenamente pela eternidade no céu, quando finalmente nossa alma estará unida para sempre a Deus, na comunhão dos santos.


[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]
Queridos irmãos e irmãs:
Dotado de uma inteligência brilhante inclinada à especulação, que lhe valeu o título de “Doutor subtil”, o Beato João Duns Escoto pode ter a sua vida resumida nas palavras duma antiga inscrição que se encontra na sua tumba: “A Inglaterra o acolheu; a França o instruiu; Colônia, na Alemanha, conserva os seus restos; na Escócia ele nasceu”. Atraído pelo carisma de São Francisco de Assis, ingressou na Ordem dos Frades Menores, caracterizando a sua vida e pensamento por um forte cristocentrismo, pela defesa da Imaculada Conceição de Maria e por um profundo amor ao Papa. Sobre o Filho de Deus, alegava que este se teria encarnado mesmo sem que a humanidade tivesse pecado, uma vez que a Encarnação estaria projetada desde a eternidade por Deus Pai no seu plano amoroso. De fato, esse amor imenso de Deus se revelaria na Paixão salvífica de Cristo e na Eucaristia, da qual Duns Escoto afirmava ser o sacramento da Unidade e da Comunhão que leva a nos amar uns aos outros e amar a Deus como Sumo Bem comum. Seguindo o sensus fidei do Povo de Deus desenvolveu o tema da “redenção preventiva” segundo o qual a Imaculada Conceição representa a obra-prima da redenção operada por Cristo, ao preservar Maria da mancha do pecado original. Morreu ainda jovem, com fama de santidade, legando um número relevante de obras.
Uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, com votos de que sejais sobre esta terra testemunhas do amor de Cristo, consolidando a fé que professais através da visita às tumbas dos Apóstolos Pedro e Paulo. Que Deus vos abençoe!



Papa Bento XVI (7-7-2010)

(http://www.franciscanos.org.br)

Acrescento eu que:
Em Portugal o Rei D. João IV - em 1946 - retira da sua cabeça a coroa real e coroa com ela a Imagem de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Viçosa, como Rainha e Padroeira de Portugal sendo que nunca mais nenhum Monarca em Portugal usou coroa real.

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