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Senhor, fazei-me instrumento da vossa paz...

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Papa Francisco em entrevista a TV Portuguesa

Entrevista do Papa Francisco ao canal de televisão português, SIC, foi vista por mais de 2 milhões de pessoas. Fica o vídeo que vale a pena e a seguir a notícia.
(desativar a música do blogue na coluna da esquerda)
17 Jun. 14 / 06:38 pm (ACI/EWTN Noticias).- A entrevista que o jornalista Henrique Cymerman realizou ao Papa Francisco –publicada no jornal La Vanguarda-, foi vista no domingo passado por 2.203.000 pessoas através da cadeia de televisão ‘Cuatro’, do grupo italiano Mediaset.
Segundo pesquisas de audiência, durante os 50 minutos que durou a transmissão, a entrevista foi vista por 18.992.000 pessoas, na semana anterior, quando foi ao ar pela primeira vez, foi vista por 19.135.000.
A entrevista foi realizada após a visita do Papa à Terra Santa e o encontro que manteve no Vaticano com o presidente de Israel Shimon Peres e o líder palestino Mahmud Abas. O conteúdo da entrevista foi muito similar ao publicado no jornal espanhol “La Vanguardia” dias antes.
O Papa Francisco sublinhou a esperança que aprecia nos políticos jovens "sejam de centro, esquerda ou direita" -que definiu como uma "nova música"-, e destacou a importância da política para mudar o mundo e contribuir "ao bem comum".
Entretanto, advertiu que “estamos em um sistema econômico que não é bom”, pois antepõe o amor ao dinheiro ao amor às pessoas. “Está provado que com a comida que sobra poderíamos alimentar às pessoas que tem fome”, assinalou.
Nesse sentido o Papa alertou que “toda economia se move descartando: descarta-se as crianças, descarta-se os idosos... já não servem, não produzem. E agora está de moda descartar os jovens com o desemprego. São 75 milhões na Europa, isto é uma barbaridade, ou seja, descartamos toda uma geração”.
Trechos da entrevista, recolhidos pela agência Europa Press, podem ser lidos em: http://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-concede-entrevista-ao-jornal-espanhol-la-vanguardia-20211/

ASCENÇÃO DO SENHOR: Eucaristia

Celebramos este fim de semana a Solenidade da ASCENÇÃO DO SENHOR. 
Fica aqui a partilha da minha Homilia na Eucaristia Solene em Santo António no ano passado.
Penso que pode ser também este ano, uma vez mais, um bom motivo de reflexão e de reencontro com a Palavra de Deus.

LEITURAS DA EUCARISTIA:
1ª Leitura: atos 1, 1-11
Salmo: 46 (47)
2ª Leitura: Efésios 1, 17-23
Evangelho: Marcos 16, 15-20

Homilia

Escutámos hoje, na primeira leitura o início do livro dos atos dos apóstolos e duas coisas nos revela o início deste livro. Em primeiro lugar que o autor deste livro, que não se identifica, já escreveu outro sobre a vida de Jesus. Hoje nós sabemos que estamos a falar de São Lucas. O evangelista São Lucas escreveu depois, também, este livro dos atos dos Apóstolos que nos narra aquilo que foi ou como foi o tempo da Igreja nascente, das primeiras comunidades.

E o segundo, a segunda coisa que vemos logo aqui no início é a quem se destina este livro. Diriam os Irmãos que estiveram com atenção, que São Lucas escreveu este livro para um amigo, um amigo que se chama Teófilo porque ele diz assim “no meu primeiro livro, oh Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar”.

A primeira coisa que nós pensamos é que, na verdade, este livro foi escrito para uma pessoa com o nome de Teófilo. Pois eu digo-vos que não é assim, não é assim. A palavra Teófilo é a fusão ou a união de 2 outras palavras: teos que significa “Deus” e filos que significa “amigo”.

Então se eu perguntasse: afinal a quem se destina este livro é ao amigo de São Lucas? Não, é ao teófilo, é ao amigo de Deus, ou seja a todos os amigos de Deus. São Lucas escreve este livro para todos os amigos de Deus: teófilo.

E o que é que nós encontramos depois? Encontramos o texto a narrar-nos momentos importantes na vida de Jesus. Sobretudo, os últimos momentos da vida de Jesus. Começa por dizer que Ele vem do céu para ensinar, para salvar, escolhe à luz, apresenta-se vida de muitas formas depois da morte, passa pela última ceia e àqueles que escolheu para participarem neste ministério pede para não ser afastarem de Jerusalém até lhes ser indicado, até Ele, Jesus, partir para junto do Pai.

E depois há-de falar dos sacramentos, sobretudo do sacramento do Batismo. Esta é, se repararem bem, uma forma de São Lucas recordar às primeiras comunidades o que é que Jesus na verdade queria dizer, o que é que Jesus na verdade nos pede para fazermos e para sermos? E depois há alguns que ainda pensam que é agora que Ele vai restaurar o reino de Israel. Vejam como estamos no momento da despedida de Jesus, o momento da Ascenção. E Jesus chama os seus para o alto do monte. Porquê? Recordem-se, a montanha é na conceção do povo Judeu, o lugar mais perto de Deus, logo é um lugar primordial de encontro do Homem com Deus, quanto mais alto mais perto de Deus, na consciência daquele tempo.

E Jesus está a despedir-se, e o que é que eles pensavam? É agora que Ele vai cumprir aquilo que está dito no antigo testamento, é agora que Ele vai restaurar o reino de Israel. Vejam como, depois de alguns anos a seguirem Jesus, a ouvirem a Palavra de Jesus, a verem os milagres de Jesus, depois de alguns anos a receberem instruções de como deveriam viver depois da Sua partida, eles ainda não tinham percebido. Será que é agora que Ele vai restaurar o reino de Israel, é agora que Ele vai levar ao fim da espada todos aqueles que são os nossos inimigos? Não tinham percebido a lógica de Jesus, a mensagem de Jesus não é a mensagem da espada, não é a mensagem da guerra, não é a mensagem do ódio, é a mensagem da paz, é a mensagem do Amor, é a mensagem da relação humana, do diálogo humano, do respeito para com o outro, da sua forma de ser, de estar e de acreditar.

E por isso Jesus vem dizer “Não vos preocupeis. Ireis receber o Espírito Santo, ireis receber o Espírito da Verdade. É o Espírito de Deus que vos dirá toda a verdade. Por isso eu vou partir, diz Jesus, mas vós ficais serenos, aguardai o Espírito de Deus, está a chegar o Espírito Santo. E é através dele que vós ireis entender bem tudo aquilo que Eu procurei transmitir-vos ao longo dos tempos em que estive convosco.” E Jesus diz que através deste Espírito Ele permanece connosco até ao fim dos tempos. ”Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”, diz Jesus.

E começa a elevar-se ao Céu. Jesus começa a elevar-se para se despedir, para eles entenderem que agora sim, agora Jesus vai deixar de estar presente. Depois do dia da ressurreição Jesus havia subido ao Pai. Contudo, volta a aparecer durante, dizia o texto, 40 dias, durante 40 dias Jesus vai-se revelando, vai-se mostrando a Maria, a Pedro, a Paulo, a Tomé, aos outros Apóstolos, a algumas mulheres, aos discípulos de Imaluz, Jesus vai-se revelando, Jesus vai-se mostrando para dizer “Eu estou aqui, Eu ressuscitei”. Mas agora ao afastar-se, ao subir ao Céu diante deles e ao ser coberto por uma nuvem, Jesus não vai mais voltar a aparecer, já comunicou tudo o que tinha a comunicar. Agora é a hora da Igreja, agora é a hora do Espírito Santo. E eles ficam ali saber o que fazer. Sentem-se, permitem-me, sentem-se órfãos, “então e agora, o que é que fazemos?” E diz o texto que de imediato dois anjos lhes dizem “Homens da Galileia porque estais a olhar para o Céu, esse Jesus que do meio, do meio de vós foi elevado para o Céu, virá ainda o homem que o vistes ir para o Céu.” O que é que, na verdade, é esta mensagem de Deus através destes dois anjos?

O cristão, não pode ficar a olhar, não posso ficar à espera que venha o que quer que seja do Céu, porque dizia Jesus cá atrás “o dia e a hora ninguém sabe, só o Pai.” Portanto não nos cabe ficarmos aqui à espera, a olhar lá para cima para o céu, a ver se Jesus vem deste ponto ou se vem daquele lá do lado de lá, e se é hoje ou se é amanhã. Nós devemos continuar a missão de Jesus, sem nos preocupar. Porquê? Porque Ele nos envia o Espírito Santo, Ele nos envia o Espírito da Verdade.

O Evangelho tem, então, este grande mandamento que Jesus deixa à comunidade. O Evangelho de São Marcos coloca-nos de novo nessa montanha, na despedida de Jesus. E Jesus já tinha entregue aos seus Apóstolos, o dom do programa tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus. Jesus já tinha entregue aos seus na última ceia o sacerdócio ministerial com o lava-pés, com o pão e o vinho e quando diz, “fazei isto em Minha memória porque sempre que o fizerdes, Eu estou convosco” e Jesus aqui no momento da despedida vai recordar então o fundamento da missão da Igreja: primeiro. “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho por toda a tribo, ide e anunciai, não fiqueis parados, a Igreja e os cristãos devem chegar a todo o mundo, para quê? Para levar a todos e a toda a criatura a Palavra do Evangelho, a boa nova do reino de Deus e levando esta palavra convidam ao arrependimento, convidam à conversão, convidam a mudar de vida, e as pessoas devem querer, ao mudar de vida, ser de Jesus, pertencer a Jesus, pertencer à Igreja e a nós Jesus acrescenta “batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, porque aquele que for batizado, esse será salvo.” Pregai o Evangelho do reino de Deus, e batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

E depois o mesmo texto vai dizer que alguns, estes homens que também têm este poder de perdoar, batizar e consagrar, também têm poder de algumas curas, de alguns milagres, e refere alguns.

São Paulo apela nesta segunda leitura que nós escutámos, na carta aos Efésios, São Paulo está a escrever num contexto muito próprio. Paulo já está preso, Paulo está preso em Roma, sabe que vai morrer. São Paulo quando escreve esta carta sabe que vai morrer, já não vai sair da prisão. E os cristãos devem estar meio perdidos e agora o que é que vamos fazer? O nosso pastor, o nosso mestre está preso, agora quem é que nos ajuda a ter força, quem nos ajuda a caminhar, quem nos diz o que temos de fazer, e começavam as comunidades a ter quezílias entre elas. Começam logo alguns membros da comunidade a dizer “então, mas nós sabemos o que fazer”, e outros a dizerem “esperem é melhor vermos”, alguns querem dar nas vistas e outros começam a chegar-se para trás, lá muito para trás, outros que dizem “eu é que sei aqui dentro da comunidade, eu é que sei fazer, tu não percebes nada disto” e os outros a recuar com medo, com receio, com vergonha e é exatamente por isso que São Paulo escreve para lhes dizer “O que é que se passa convosco? Eu estou preso”, diz são Paulo, “Eu estou preso por causa do Evangelho e não estou a lamuriar-me, e não estou a criar problemas. E Eu sei”, diz Paulo ”que aí nas comunidades já estais à guerra uns com os outros, cristãos à guerra uns com os outros porque um faz e o outro não faz, porque o outro fez e o outro desfez, porque o outro não faz e não deixa fazer, já estais à guerra uns com os outros.” Então Paulo vem dizer “Recomendo-vos que vos comportais segundo a maneira de viver a que fostes chamado”

Oh, Irmãos, eu posso errar, eu posso errar, mas eu penso que esta palavra São Paulo escrita há mais de 2000 anos continua a ser atual, continua a ser atual.

São Paulo pede que nos comportemos todos nós, e eu também, todos nós de acordo com a maneira a que fomos chamados, como cristãos, como homens e mulheres de paz, de serenidade, de amor, de solidariedade, “comportei-vos segundo a maneira de viver a que foste chamado”. E depois vai dizer algumas coisas que devem ser, digamos, as caraterísticas do cristão. Diz ele “Procedei com, humildade, com mansidão, com paciência, suportai-vos” este verbo suportar significa amai-vos, ajudai-vos uns aos outros com caridade (a caridade não é dar esmolinhas só para descargo de consciência, a caridade em São Paulo é o amor ao templo, é o amor ao desinteressado, é o amor verdadeiro. E depois continua “e empenhai-vos a manter a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”. Haja paz entre os Homens, mantendo-vos unidos entre vós, fazei tudo para que haja paz na comunidade, tudo. E porque é que diz São Paulo isto, porque “há um só corpo e um só Espírito, há uma só fé, há um só batismo, há uma só esperança, há um só Deus e Pai de todos que está acima de todos e tudo em todos.

Nós, às vezes, às vezes nas nossas Igrejas e nas nossas comunidades não vivemos assim. Uns são do padre, outros são da catequista, outros são do acólito, outros são da acólita, outros são de Nossa Senhora, mas não são do Santíssimo Sacramento, outros são de Santo António, mas não são do Santíssimo Sacramento, outros vêm à Eucaristia por causa do Padre, mas não por causa de Jesus.

Há um só corpo, um só Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai.

Voltemos atrás, “Irmãos”, diz são Paulo, “recordemos que vos comporteis segundo a maneira de viver a que fostes chamado.” E foi esta a forma de viver que nós fomos chamados, foi esta, não foi outra, foi esta. Claro, volto a dizer, é importante quando simpatizamos com o padre desta igreja ou daquela, quando é uma pessoa simpática, uma pessoa que acolhe, uma pessoa que escutamos bem, uma pessoa que nos fala bem, claro que é importante a minha devoção a Nossa Senhora, a Santo António, a são Francisco, é importantíssima a minha devoção ao Santíssimo Sacramento na Eucaristia que é Jesus presente no meio de nós, mas não devemos cada um de nós viver uma fé ao seu jeito, não pode o cristão viver a fé quando lhe apetece ou como lhe apetece. Há um só Senhor, é a Ele que devemos recorrer. Há um só Espírito, é a Ele que devemos entregar a nossa vida. Porque depois, de fato diz São Paulo, “Foi Jesus que nos constitui Apóstolos, outros Evangelistas, a outros Pastores, a outros mestres,” quer dizer que os cristãos não são todos iguais. Nem todos podem ser padres, nem todos podem ser catequistas, nem todos podem ser ministros da comunhão, nem todos podem ser acólitos, nem todos podem ler, nem todos podem rezar o terço, nem todos podem arranjar as flores, nem todos podem cantar, nem todos... Cada um de nós deve abrir-se ao Espírito Santo e perceber o que é que eu posso fazer de bom e de bem e ir ter com o sacerdote e dizer, olhe eu gostaria de fazer isto, acha que sou a pessoa indicada para isso? Pois é, mas se o padre diz que não “aqui del rei”, o padre é mau. Já não é simpático, o padre.

Pois São Paulo desafia-nos a olharmos para a nossa vida e a nossa relação com Deus. Entendamos Irmãos e Irmãs, que todos nós somos importantes na Igreja, todos. O Padre não é mais importante que nenhum dos Irmãos, não é. Eu não me sinto mais importante do que nenhum dos Irmãos que esteja aqui de pé, de todo.

Agora cada um de nós tem de entender na Igreja a sua missão, uns de cantar, outros de rezar, outros de ornamentar os altares, outros de pregar, outros de perdoar, outros de acolitar, outros de ler, outros de ministrarem a Eucaristia ou então no silêncio a rezar, ou então no silêncio a rezar. Cada um de nós deve abrir-se ao Espírito de Deus e tentar perscrutar no seu coração aquilo que Deus lhe pede, contudo, convertermo-nos na maneira a que formos, a que fomos chamados por Jesus.

Fátima: Prece à Mãe

Vai chegar a noite em Portugal...
Mas é uma noite muito especial para tantos milhões de Portugueses e Luso descendentes em todo o mundo.
É noite especial para muitos homens e mulheres que em todo o mundo celebram Maria, a Mãe de Jesus e Mãe nossa, que se dignou vir a esta terra trazer uma mensagem de paz e amor.
Pela televisão assiste o mundo, em directo, à Procissão de velas. Todos os anos, cheio o recinto do Santuário, um mar de luz que torna em brancura a noite fria e a noite da nossa vida porque acompanhar a Mãe, cantar-lhE louvores, suaviza o nosso viver.
Muito criticam estes gestos que por todo o mundo se repetem, ferem a dignidade de Nossa Senhora, aviltam a liberdade de Deus se manifestar como e onde lhE aprouve.
Com Paulo VI, Fátima, deixa de ser Portugal, passa a ser o "altar do mundo".
Com São João Paulo II, Fátima deixa de ser simplesmente o "altar do mundo" para ser parte do coração e da vida deste querido devoto de Nossa Senhora, a Senhora de Fátima, que o salvou e que hoje, cravada na Sua Coroa, guarda a bala que atravessara o corpo do Supremo Pastor. Fátima é ainda a guardiã do anel Episcopal de São João Paulo II.
Bento XVI, há um ano, recordava a importância a atualização da mensagem de Fátima e reafirmava o seu amor e devoção a este Santuário e o quanto a Igreja sente bem presente, aqui, a presença maternal de Maria.
É com muita comoção que escrevo escutando "Avé Maria"...
"Senhora um dia descestes, à terra que em vós confia...."
Sim Mãe... somos os teus filhos que em ti confiam...
Na verdade Mãe... não existe, não pode existir identidade portuguesa sem que se manifeste esta confiança para com a Mãe de Jesus.
"Salvé, Regina, ora pro nobis Maria..." se canta.
Olha e roga por nós, ó Mãe...
Olha pelos meus pais, pelos meus irmãos, cunhados e sobrinhos...
Olha Mãe por todos os meus AMIGOS... tantas vezes me sinto um ingrato por nao ser capaz de os olhar com o Teu olhar maternal ou com o olhar de Jesus.
Olha Maria por todos os que se confiam à minha oração... e são tantos Mãe, são tantos...
Olha por todos os que fazem deste espaço "Retalhos" um lugar de encontro e oração e, neste mês, de olhar para ti em directo na Tua Capelinha.
Maria, MUlher e Mãe, olha por mim... "eu sou Teu filho também..."
"Salvé, Regina! Salvé, Regina... ora pro nobis Maria!"

51.ª Semana das Vocações

Iniciámos hoje, em Portugal, a 51.ª Semana de Oração pelas Vocações sob o tema "Vocações, testemunho da Verdade".
Na coluna da direita clicando na imagem têm acesso a todo o caderno de apoio para esta semana, textos, orações, vigilias, mensagens.
Pode ser um bom contributo para quem quer acompanhar o que nas diversas dioceses se vai celebrando.
Aqui deixo também a mensagem do Santo Padre para esta semana de Oração.
 
Que o Senhor que a todos nos chama a uma vocação específica e distinta das demais, nos ajude a sermos vocacionados que sabem dar testemunho d'Ele mesmo, a Verdade.
MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O 51º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
11 DE MAIO DE 2014 - IV DOMINGO DE PÁSCOA
Vocações, testemunho da verdade
 
Amados irmãos e irmãs!
1. Narra o Evangelho que «Jesus percorria as cidades e as aldeias (...). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe”» (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que «a messe é grande». Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a acção eficaz, que é causa de «muito fruto», deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes «colaboradores de Deus», trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: «Vós sois o seu [de Deus] terreno de cultivo» (1 Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele.
2. Muitas vezes rezámos estas palavras do Salmista: «O Senhor é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos-Lhe, somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho» (Sal 100/99, 3); ou então: «O Senhor escolheu para Si Jacob, e Israel, para seu domínio preferido» (Sal 135/134, 4). Nós somos «domínio» de Deus, não no sentido duma posse que torna escravos, mas dum vínculo forte que nos une a Deus e entre nós, segundo um pacto de aliança que permanece para sempre, «porque o seu amor é eterno!» (Sal 136/135, 1). Por exemplo, na narração da vocação do profeta Jeremias, Deus recorda que Ele vigia continuamente sobre a sua Palavra para que se cumpra em nós. A imagem adoptada é a do ramo da amendoeira, que é a primeira de todas as árvores a florescer, anunciando o renascimento da vida na Primavera (cf. Jr 1, 11-12). Tudo provém d’Ele e é dádiva sua: o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, mas – tranquiliza-nos o Apóstolo - «vós sois de Cristo e Cristo é de Deus» (1 Cor 3, 23). Aqui temos explicada a modalidade de pertença a Deus: através da relação única e pessoal com Jesus, que o Baptismo nos conferiu desde o início do nosso renascimento para a vida nova. Por conseguinte, é Cristo que nos interpela continuamente com a sua Palavra, pedindo para termos confiança n’Ele, amando-O «com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças» (Mc 12, 33). Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É «um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs» (Discurso à União Internacional das Superioras Gerais, 8 de Maio de 2013). Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (cf. 1 Ped 3, 15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projecto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração.
3. Também hoje Jesus vive e caminha nas nossas realidades da vida ordinária, para Se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. Dirijo-me agora àqueles que estão dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que ressoa na Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos a ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas palavras que «são espírito e são vida» (Jo 6, 63). Maria, Mãe de Jesus e nossa, repete também a nós: «Fazei o que Ele vos disser!» (Jo 2, 5). Far-vos-á bem participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em vós e ao vosso redor as melhores energias. A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que «por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35)?
4. Amados irmãos e irmãs, viver esta «medida alta da vida cristã ordinária» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31) significa, por vezes, ir contra a corrente e implica encontrar também obstáculos, fora e dentro de nós. O próprio Jesus nos adverte: muitas vezes a boa semente da Palavra de Deus é roubada pelo Maligno, bloqueada pelas tribulações, sufocada por preocupações e seduções mundanas (cf. Mt 13, 19-22). Todas estas dificuldades poder-nos-iam desanimar, fazendo-nos optar por caminhos aparentemente mais cómodos. Mas a verdadeira alegria dos chamados consiste em crer e experimentar que o Senhor é fiel e, com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes. «Nós, cristãos, não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas; ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jogai a vida por grandes ideais!» (Homilia na Missa para os crismandos, 28 de Abril de 2013). A vós, Bispos, sacerdotes, religiosos, comunidades e famílias cristãs, peço que orienteis a pastoral vocacional nesta direcção, acompanhando os jovens por percursos de santidade que, sendo pessoais, «exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31).
Disponhamos, pois, o nosso coração para que seja «boa terra» a fim de ouvir, acolher e viver a Palavra e, assim, dar fruto. Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais há-de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós. Com estes votos e pedindo-vos que rezeis por mim, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, 15 de Janeiro de 2014
FRANCISCO

 

Canonização: Homilia de Francisco

SANTA MISSA E CANONIZAÇÃO DOS BEATOS JOÃO XXIII E JOÃO PAULO II

 
 
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Praça de São Pedro
II Domingo de Páscoa (ou da Divina Misericórdia), 27 de Abril de 2014
           
No centro deste domingo, que encerra a Oitava de Páscoa e que São João Paulo II quis dedicar à Misericórdia Divina, encontramos as chagas gloriosas de Jesus ressuscitado.

Já as mostrara quando apareceu pela primeira vez aos Apóstolos, ao anoitecer do dia depois do sábado, o dia da Ressurreição. Mas, naquela noite – como ouvimos –, Tomé não estava; e quando os outros lhe disseram que tinham visto o Senhor, respondeu que, se não visse e tocasse aquelas feridas, não acreditaria. Oito dias depois, Jesus apareceu de novo no meio dos discípulos, no Cenáculo, encontrando-se presente também Tomé; dirigindo-Se a ele, convidou-o a tocar as suas chagas. E então aquele homem sincero, aquele homem habituado a verificar tudo pessoalmente, ajoelhou-se diante de Jesus e disse: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28).

Se as chagas de Jesus podem ser de escândalo para a fé, são também a verificação da fé. Por isso, no corpo de Cristo ressuscitado, as chagas não desaparecem, continuam, porque aquelas chagas são o sinal permanente do amor de Deus por nós, sendo indispensáveis para crer em Deus: não para crer que Deus existe, mas sim que Deus é amor, misericórdia, fidelidade. Citando Isaías, São Pedro escreve aos cristãos: «pelas suas chagas, fostes curados» (1 Ped 2, 24; cf. Is 53, 5).

São João XXIII e SãoJoão Paulo II tiveram a coragem de contemplar as feridas de Jesus, tocar as suas mãos chagadas e o seu lado trespassado. Não tiveram vergonha da carne de Cristo, não se escandalizaram d’Ele, da sua cruz; não tiveram vergonha da carne do irmão (cf. Is 58, 7), porque em cada pessoa atribulada viam Jesus. Foram dois homens corajosos, cheios da parresia do Espírito Santo, e deram testemunho da bondade de Deus, da sua misericórdia, à Igreja e ao mundo.

Foram sacerdotes, bispos e papas do século XX. Conheceram as suas tragédias, mas não foram vencidos por elas. Mais forte, neles, era Deus; mais forte era a fé em Jesus Cristo, Redentor do homem e Senhor da história; mais forte, neles, era a misericórdia de Deus que se manifesta nestas cinco chagas; mais forte era a proximidade materna de Maria.

Nestes dois homens contemplativos das chagas de Cristo e testemunhas da sua misericórdia, habitava «uma esperança viva», juntamente com «uma alegria indescritível e irradiante» (1 Ped 1, 3.8). A esperança e a alegria que Cristo ressuscitado dá aos seus discípulos, e de que nada e ninguém os pode privar. A esperança e a alegria pascais, passadas pelo crisol do despojamento, do aniquilamento, da proximidade aos pecadores levada até ao extremo, até à náusea pela amargura daquele cálice. Estas são a esperança e a alegria que os dois santos Papas receberam como dom do Senhor ressuscitado, tendo-as, por sua vez, doado em abundância ao Povo de Deus, recebendo sua eterna gratidão.

Esta esperança e esta alegria respiravam-se na primeira comunidade dos crentes, em Jerusalém, de que falam os Actos dos Apóstolos (cf. 2, 42-47), que ouvimos na segunda Leitura. É uma comunidade onde se viveo essencial do Evangelho, isto é, o amor, a misericórdia, com simplicidade e fraternidade.

E esta é a imagem de Igreja que o Concílio Vaticano II teve diante de si. João XXIII e João Paulo II colaboraram com o Espírito Santo para restabelecer e actualizar a Igreja segundo a sua fisionomia originária, a fisionomia que lhe deram os santos ao longo dos séculos. Não esqueçamos que são precisamente os santos que levam avante e fazem crescer a Igreja. Na convocação do Concílio,São João XXIII demonstrou uma delicada docilidade ao Espírito Santo, deixou-se conduzir e foi para a Igreja um pastor, um guia-guiado, guiado pelo Espírito. Este foi o seu grande serviço à Igreja; por isso gosto de pensar nele como o Papa da docilidade ao Espírito Santo.

Neste serviço ao Povo de Deus, São João Paulo II foi o Papa da família. Ele mesmo disse uma vez que assim gostaria de ser lembrado: como o Papa da família. Apraz-me sublinhá-lo no momento em que estamos a viver um caminho sinodal sobre a família e com as famílias, um caminho que ele seguramente acompanha e sustenta do Céu.

Que estes doisnovos santos Pastores do Povode Deus intercedam pela Igreja para que, durante estes doisanos de caminho sinodal, seja dócilao Espírito Santono serviço pastoral à família. Que ambos nos ensinem a não nos escandalizarmos das chagas de Cristo, a penetrarmos no mistério da misericórdia divina que sempre espera, sempre perdoa, porque sempre ama.
 

Cristo Vive! (Lagoa)

Lagoa: Bênção do Lume Novo
“Porque buscais entre os mortos Aquele vive? Não está aqui, ressuscitou como disse” Ide dizer…”
Lagoa: Eis a Luz de Cristo
  
Caríssimos Amigos da família Retalhos, votos de continuação de um Santo Tempo Pascal.
Durante toda esta semana da oitava da Páscoa, a Igreja vive a liturgia, como se continuasse ainda na manhã daquele dia da Ressurreição. Por isso, para todos nós, ainda é a Páscoa do Senhor e a nossa Páscoa.
Como calculais durante a Semana Santa e até ontem a minha vida foi de muito trabalho e serviço pastoral.
 
Há 26 anos eu venho ajudar nas celebrações pascais e sobretudo no chamado compasso ou visita pascal (andar de casa em casa com uma equipa levando a Cruz e uma mensagem de esperança) no norte do país. No ano passado em Avidos e este ano na Lagoa, junto a Famalicão, terras que sempre me acolhem com tanta ternura como se na minha aldeia estivesse. Aproveito para deixar aqui um sentimento de muita gratidão a todos os que comigo celebraram esta Páscoa na Lagoa. Que beleza de celebrações, dos três coros que cantaram, os Escuteiros, os Brancos, a Comunidade em Geral com o seu couro também na Eucaristia da manhã, as equipas e a muita alegria pascal que reinou entre nós e toda a simplicidade e fé com que acolheram a Cruz em suas casas...
 Os padres são cada vez menos e o serviço pastoral não diminuiu, muito pelo contrário, nalguns casos aumentou. Felizmente há cada vez mais uma maior consciência do lugar e do brilhante papel e missão dos leigos na Igreja e que o Papa Francisco tanto tem recordado.
Mas hoje que já posso parar um pouco, não quero deixar de vos vir dizer que não estais esquecidos, aqui no Retalhos, dizer-vos que vos tive presente de forma muito especial neste tempo de graça, e sobretudo na Vigília Pascal, a Celebração Mãe de todas as celebrações cristãs. Tive-vos presente como aos vossos familiares, às vossas intenções e a todos aqueles que habitualmente tendes presentes no vosso coração e nas vossas preces ao Pai 
Recordando aquele momento sublime, junto à Cruz, onde Cristo a todos nos confiou, em João, a Sua Mãe, reconheci-me a mim mesmo e a cada um de vós no Discípulo amado.
Quis dizer a Jesus que, como aquele discípulo, também nós recebemos e acolhemos Maria como nossa Mãe, mais do que em nossa casa, porque muitos são os que a recebem na sua casa mas não A olham, não A amam, não A acolhem como sua Mãe, e esta é a expressão que o Evangelho de João nos recorda que o “discípulo amado a acolheu como Sua, desde aquela hora”.
Celebrar este grande mistério da Páscoa, com a paixão, morte e ressurreição de Cristo, mais não é que celebrar a nossa peregrinação sobre esta terra. Nós somos parte deste Cristo que, por todo o Amor infinito que o Pai tem para connosco, nos dá um Filho que pela entrega do Seu Sangue cria e estabelece entre nós e o Pai uma nova e eterna Aliança.
Por isso o Precónio Pascal, este grande e belíssimo hino que anuncia na Vigília Pascal a vitória do Redentor sobre o pecado e a morte, nos vai recordando que esta culpa do nosso pecado contraído em Adão é feliz porque, nos mereceu um tão grande redentor e libertador em Jesus Cristo o Cordeiro Imolado. 
Ao longo destes dias toda a liturgia nos vai apresentando as várias aparições do Ressuscitado aos Apóstolos, e a outras muitas pessoas, convidando a mudar de vida e ser cada vez mais testemunhas de que Cristo é uma realidade Viva e operante no dia a dia do Cristão.
Na certeza do túmulo vazio e na esperança daquela Vida que não tem fim, a Vida em Deus,
 
Desejo-vos a todos a continuação de um Santo Tempo Pascal.
Com muita estima e amizade, na oração diante do Ressuscitado,
Fr. Albertino S. Rodrigues  OFM

Il Divo: Alleluia (Páscoa na Lagoa)

Cristo Ressuscitou. ALELUIA!
Uma vez mais, pelo 26 anos consecutivo, em terras do norte presido às Celebrações Pascais.
Este ano na Paróquia da Lagoa, Comunidade onde já me sinto em casa, pois aqui cheguei há 25 anos.
É daqui que quero saudar a todos nesta certeza de que em Cristo todos ressuscitaremos porque, por nosso Amor, Ele morreu e Ressuscit
ou.
Com os Il Divo cantemos o Aleluia Pascal que, com esta letra, parece querer responder à mensagem do Papa para a Quaresma.
Em Cristo todos temos lugar, somos curados, recebemos a paz, recebemos o amor. Aleluia!
VOTOS DE SANTA PÁSCOA! 

Semana Santa: Caminhar, edificar, confessar...

“Hossana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel. Hossana nas alturas”. (Mt 21,9)

É este o eco que nos envolve sempre que chegamos ao Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor.

Com esta aclamação damos início à Semana Santa onde somos impelidos a entrar com Jesus em Jerusalém para, com Ele, celebrarmos a Páscoa.

A Semana Santa é para a vida do cristão a semana maior uma vez que se inicia com o Domingo de Ramos e termina com o Domingo da Ressurreição, inclusivé.

Este é para nós um tempo de Graça, um tempo de Oração e intimidade com Deus, com Cristo, com a Igreja e ao mesmo tempo com cada um de nós. Somo colocados diante do grande mistério da nossa salvação, a paixão, morte e ressurreição de Cristo.

Começa aqui a cumprir-se definitivamente o grande mistério da redenção humana. Ao Homem decaido pelo pecado, Cristo o envolve na ternura e misericórdia de “Deus que jamais se cansa de nos perdoar”, como dizia o Papa Francisco no Domingo passado,  acrescentando que “nós é que nos cansamos de pedir perdão a Deus”.

Lucas, no Evangelho que proclamamos antes da bênção dos ramos (Lc 19, 28-40), leva-nos a iniciar o nosso caminho com Jesus para celebrar a Páscoa em Jerusalém. Cristo sabe o que vai encontrar e prepara essa sua/nossa chegada, onde Ele é aclamado Rei pela multidão que o vê entrar montado num jumentinho. Pobre animal, alheio ao que se passa, nunca houvera sido montado por ninguém, e ali vai participando também ele da História da Salvação. Curioso que Lucas recorda duas vezes que “O Senhor precisa dele”, do jumentinho. E os discípulos, onde nós nos podemos identificar, saudam o Rei que chega, o Mestre que ensina, o Senhor que nos olha com maor e ternura. Capas no caminho e ramos para Jesus, aqui estamos nós diante de Jerusalém, cidade santa. A oração do louvor está presente neste caminho e incomoda, incomoda ao ponto de quem não entende a lógica da Boa Nova querer silenciar. É fácil silenciar quem não faz parte do nosso grupo, do nosso sistema – e há tantos maus sistemas neste mundo, nesta Igreja – contudo, hoje como ontem, Cristo repete a quem nos silencia o louvor autêntico “Eu vos digo: se eles se calarem, clamarão as pedras” (Lc 19, 40).

Isaias (50, 4-7) mostra-nos este Servo sofredor, o Servo de Javé, que se entrega aos seus algoses, aqueles que o esbofeteiam, que lhe arrancam a barba, lhe cospem no rosto e injuriam querendo levá-lo à morte infame. Os cristão desde cedo identificaram este Servo de Javé como Cristo sofredor que desta forma foi levado ao calvário.

Cristo podia ter-se apresentado com todas as honras, poder e glória de quem é Deus contudo, Paulo no-lo recorda: “Cristo era de condição divina… mas aniquilou-se a si próprio obedecendo até à morte e morte de Cruz…” (Filip 2, 6-11).

O sofrimento de Cristo era o caminho traçado pelo Pai, preconizado em Isaias, que levaria à glória e exaltação de Cristo e com Ele, por Ele e n’Ele à glorificação da Humanidade inteira.

Esta semana leva-nos a olhar para o grande mistério da paixão e morte na Cruz, mas com olhar e o coração postos no túmulo vazio.

No Evangelho, Lucas, começa por nos dizer que “chegou a hora”.

A hora “do poder das trevas” (Lc 22,56), mas Paulo nos recorda que é a hora em que “Cristo nos chamou da morte à vida” (Rm 11,7). O Evangelho, hoje, mostra-nos a mesa como o lugar da comunhão com o Mestre, do Ministério Sacerdotal, do Cristo Eucaristia, da missão da Igreja.

A cena da Última Ceia é o momento fulcral desta comunhão com o Mestre, é uma despedida e ao mesmo tempo um mostrar o caminho a seguir que bem podenmos traduzir nas palavras, uma vez mais, traçadas pelo Papa Francisco há uma semana na Missa com os Cardeais, ao dizer que a missão da Igreja é CAMINHAR, EDIFICAR e CONFESSAR Jesus Cristo, levando a Cruz porque sem a Cruz de Cristo a Igreja corre o risco de se tornar uma ONG piedosa.

Voltando à Última Ceia, e tendo como horizonte estas palavras do Papa Francisco, passados dois mil anos, Cristo fala-nos indicando o caminho a seguir. Traidores? Bom… sempre os houve e sempre haverá. Mas é também aí, como em Lucas, que Cristo nos continua a dizer que o Seu infinito Amor está sempre ali para nos perdoar. Recordemos o perdão a Pedro e a missão que lhe confia, o perdão a todos nós no alto daquela Cruz “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, o perdão ao ladrão crucificado a seu lado, o perdão que nos ministra através dos Seus/nossos sacerdotes, também eles frágeis e pecadores mas revestidos desta missão confirmada naquela Ceia onde Cristo se torna Pão e Vinho, Corpo e Sangue entregue como Aliança única, amorosa e eterna. Depois, para que esta entrega de Cristo possa ser entrega confiante, é preciso preparar o terreno, não só do Seu Coração mas também do nosso. O Getsemani torna-se o lugar de vígília orante, de entrega receosa mas que depressa se tranforma em certeza da presença do Pai e do cumprimento da Sua Vontade: “Pai se é possível… contudo não se faça como eu quero mas como Tu queres”. Aquele noite é mais uma vez reforçada como “é chegada a hora”, a hora da entrega de um justo pelos injustos, de um Santo pelos pecadores, do Senhor pelos servos. Um beijo, sinal da amizade, do amor, da cumplicidade, torna-se nesta noite do Getsémani um sinal de traição acompanhada pela venda deste JUSTO por alguma dezenas de moedas. Mas a Igreja não fica presa aqui, Cristo não o podia permitir e, por isso, àqueles que o prendiam pede que deixem partir os seus Apóstolos. Eles tinham uma missão importante a cumprir, tinham que partir, passar pelo medo, pela escuridão, pela negação do Mestre para abrirem os seus corações à ação do Espírito Santo.

A oração de Cristo ao Pai remete-nos para esta intimidade que somos chamados a viver para podermos dizer que cremos em Jesus, sem medo. A Cruz é entrega amorosa de Cristo ao Pai, por AMOR, em remissão dos pecados da humanidade.

Diante da Cruz somos chamados a erguer os olhos e não a baixá-los. Teimamos ainda, muitas vezes, a olhar o chão diante da cruz dos nossos dias quando na verdade a Cruz nos obriga a olhar para o alto onde vemos num primeiro momento, dor e sofrimento, injustiça e traição, trevas e escuridão mas que depois, se olharmos bem, vemos amor e entrega, misdericórdia e perdão, luz e doação “Mulher, eis aí o teu filho. João, eis aí a tua Mãe” (Jo 19, 25-27).

Quando faço reflexão sobre este momento da Cruz, quase me sinto impelido, interiormente, a silenciar a alma e o coração. “Eis o teu filho… eis a tua Mãe”.

QUE VIVAMOS ESTA SEMANA SANTA COM CRISTO NO CAMINHO DA MORTE À VIDA.

Sermão dos Passos: Alenquer 2014


PASSOS EM ALENQUER 2014
3.º PASSO: Encontro de Jesus com Sua Mãe
 
(Sermão feito por mim este ano na Procissão dos Passos em Alenquer)
1.     UM ENCONTRO, ORÍGEM DESTE MOMENTO
Eis-nos em Alenquer para celebrar uma das mais antigas procissões dos Passos em Portugal. Eis-nos diante de um encontro entre Mãe e Filho, entre nós a Mãe e o Filho.
Em Alenquer recorda-se esta Procissão desde 1656, quando a Irmandade do Santo Crucifixo do Convento de São Francisco, pede à Câmara de então permissão para prestar um tal culto divino à paixão de Cristo. A expulsão das Ordens Religiosas, em 1834, com a saída da comunidade Franciscana de Alenquer, leva a algum arrefecimento desta devoção pública e mais tarde a Implantação da República, em 1910, acentua mais ainda o medo que leva ao secularismo até mesmo da devoção que procura esconder-se, por medo ou ideologias, mas esta continuará sempre presente no interior das casas das gentes de Alenquer e povoações vizinhas, com gravuras, registo e imagens que não deixavam de recordar Cristo a caminho do calvário com a Cruz aos ombros. É no seio das casas de família, na simplicidade e no silêncio da oração que Alenquer mantém viva esta chama quaresmal.
Irmãos, olhemos bem para todos nós hoje aqui, sintamos como este sentimento, destas gentes, jamais se apagou. É impossível apagar da memória e do coração o que das gentes Lusas brota do coração a Cristo e Sua santíssima Mãe. E os velhos conventos franciscanos – como São Francisco, em Alenquer, Santo António de Charnais, na Merceana, Nossa Senhora da Visitação, em Vila Verde dos Francos, Aldeia Galega, entre outros – a partir do início do séc. XX voltam a trazer à rua esta tão longínqua e secular devoção.
Mas as raízes de uma tal devoção são mais longínquas. Temos que recuar 8 séculos na história.
2.     Franciscanos em Alenquer:
Crê-se que por volta de 1214, estamos a celebrar este ano os oitocentos anos, S. Francisco terá passado ao norte de Portugal em peregrinação a caminho de S. Tiago de Compostela. Três anos mais tarde, em 1217, envia para a terra Lusa 14 frades que ao chegarem constituem comunidades em pequenos eremitérios em Alenquer (Fr. Zacarias de Roma), Guimarães (Fr. Gualter) e Lisboa (Sto António).
A primeira coisa que levavam era uma Cruz, gravada no Hábito e também em Imagem. Levavam consigo sempre uma Imagem da Imaculada, que mais tarde recebe o nome de Imaculada Franciscana, uma Senhora que segura o Filho nos braços, pisa o dragão que tenta roubar-lhe o Filho e este com uma Cruz na mão mata o demónio, espírito do mal.
A devoção à Cruz e paixão, lembrava a morte mas ao mesmo tempo a exaltação da Santa Cruz, que depois de ser levada em ombros pelo Redentor, de ter sido o suporte da mais infame injustiça e condenação da História, é elevada acima das nossas cabeças e, por ela, somos consagrados desde o nosso batismo. No reino de Portugal, em 1139, D. Afonso Henriques, após ter ganho a chamada batalha de Ourique, contra os Mouros, muda a Bandeira do Reino inserindo nela as chagas de Cristo em forma de Cruz, que nem a República ousou retirar da nossa Bandeira atual. O valor identificativo destas chagas, com a Cruz de Cristo, que ainda hoje é um dos mais altos galardões da Nação, jamais poderão desaparecer do horizonte da expressão da fé de uma nação como é a nossa, valor este tão grandiosamente cantado pelo poeta Luís de Camões nos Lusíadas, na estância 7 do Canto I.
A devoção de Portugal à paixão de Cristo marca também as naus e caravelas que, ao partirem para a epopeia das descobertas, levavam assinalada a Cruz de Cristo nas suas velas.
Alenquer, em 2006, assinalou os 350 anos da Irmandade de Santa Cruz e Passos de Alenquer. As Irmandades de Santa Cruz, como a da minha Aldeia, e de tantas outras terras, como em Barcelos, têm as suas raízes na Ordem da Penitência de S. Francisco de Assis, Ordem Terceira.
3.     S. FRANCISCO E A CRUZ em Alenquer
Esta devoção aos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo, podemos dizer ter então a sua génese nesta alma franciscana que chega a Portugal pela primeira vez nesta terra de Alenquer. Os frades primeiros aqui recolhidos, procuram levar o Cristo humano ao coração dos crentes. Bebiam estes frades em Alenquer do que tinham vivido com S. Francisco em Itália, as cinco Quaresmas, a Capela do pranto do pranto na Porciúncula onde o santo chorava amargamente a paixão do seu Senhor e repetia vezes sem conta que “o Amor não é amado”, o momento sublime em que dois anos antes de morrer, a 17 de Setembro de 1224, ajoelhado com os braços em Cruz, no Monte Alverne, S. Francisco recebe de Cristo crucificado os Estigmas da Paixão, e ainda hoje as Armas de S. Francisco são o braço de Cristo e do Pobrezinho de Assis em como que num abraço à Cruz de Jesus.
Primeiros Frades chegados a Alenquer trazem consigo esta grande devoção á paixão de Cristo e é aqui que iniciam esta grande devoção, certamente com a constituição dos Terceiros Franciscanos e da Irmandade da Santa Cruz. Esta forma de expressão da piedade popular vai estender-se aos lugares vizinhos e certamente, na medida em que daqui os frades partem com novas vocações a fundar novos conventos, levam consigo a alma da piedade popular de Alenquer que se expande rapidamente por toda a Península.
A Igreja vai dar aos Franciscanos a Festa da Santa Cruz ou Festa das Cruzes a 3 de maio Festa que recentemente foi transferida para o dia 14 de Setembro sob o nome da Exaltação da Santa Cruz, celebrando logo no dia seguinte a Festa de Nossa Senhora das Dores e dois dias depois a Festa das Chagas de S. Francisco.
A partir desta devoção e da Ordem Terceira ou Ordem da Penitência, surgem os cortejos de penitentes que praticavam a autoflagelação (séc. XIV e XV), tempo em que o Rei S. Luís de França, Terceiro Franciscano, convida os Reinos a celebrarmos estas devoções como identificação com a paixão do Senhor, e daí bem depressa se chega a outra grande devoção que dá origem aos passos e que é a Via Sacra com S. Leonardo de Porto Maurício, Franciscano italiano, em 1676.
4.     PASSOS: EXPRESSÃO DE UM ENCONTRO
CRISTO COM A CRUZ
E aqui estamos irmãos, a fazer caminho com Cristo para o calvário. Somos a expressão daquela multidão que também O acompanhava, uns por devoção, por fé, por penitência. Outros por mera curiosidade, porque estavam de passagem e foram apanhados num ato religioso, outros talvez nem saibam mesmo o que aqui os traz esta tarde. Mas eis que aqui estamos, direta ou indiretamente fazemos dos nossos passos aos passos de Cristo.
Mas os passos de Cristo ganham cruzam-se também com uns outros passos, o olhar de Cristo cruza-se com um outro olhar, o coração de Cristo bate com um outro coração.
Uma multidão que segue e acompanha Jesus, uma Cruz pesada aos ombros d’Aquele que passou pelo mundo só fazendo o bem e ensinando a amar. Um corpo ensanguentado pelos sofrimentos sofridos naquela noite em que se entregou por nós, sim por todos nós, por nosso amor e querer cumprir em si mesmo a vontade do Pai: «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!» (Mt 26, 42), «E a vontade daquele que me enviou é esta: que Eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas o ressuscite no último dia. Esta é, pois, a vontade do meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.» (Jo 6, 39-40)
Eis-nos diante de Jesus com a Cruz aos ombros. Da multidão surgem insultos, juízos, condenações, lágrimas e silêncios, olhares e compaixão, chicotadas e escárnio, palavras que ferem mais que uma espada ou um chicote, injustiça que gera a não Dignidade Humana.
Jesus curva-se sob o peso da Cruz, sob o peso da humanidade decaída pelo pecado. Foram também os nossos males que carregou naquela Cruz e continua a carregar ainda hoje sempre que à nossa volta somos sinal de desamor, de injustiça, de incompreensão, de maledicência, de calúnia e escárnio, de morte tantas vezes moral.
Olhai para Jesus! Sim olhai!
Olhai para aquela Cruz, olhai para o Seu rosto.
Que vedes irmãos? Dizei aos vossos corações o que vedes?
Apenas uma Imagem? Um espetáculo, como viam os Judeus e os Pagãos?
“Eis o Homem”, gritou Pilatos à multidão, “Eis o Homem?”.
Pois também eu vos digo, “eis o Homem”, o Homem das dores levado como cordeiro ao matadouro sem um julgamento justo. Crucifica-O, crucifica-O, gritava aquela multidão enfurecida pelos que tinham o poder.
Cristo o Homem Justo, o Messias o Redentor, torna-se para nós o servo sofredor de que nos fala Isaías, o servo que não abre a boca, não questiona aqueles que lhe batem, lhe cospem no rosto, lhe dizem impropérios, lhe põem um manto para fazer chacota, uma coroa de espinhos e uma Cruz aos ombros.
Foi Ele que nos ensinou a amar até os próprios inimigos e a orar pelos que nos perseguem. Eis o Homem que ensina não só com a palavra mas com a vida.
Mas que vemos nós n’Ele? Olhai bem e vede?
Em Cristo vemos toda a humanidade fragilizada, sofredora, espezinhada, empobrecida e doente do corpo ou da alma.
A imagem de Cristo, curvado sob peso da sua Cruz, convida-nos a colocar o nosso coração no Seu Coração, a cruzar o nosso olhar com o Seu olhar.
Que serenidade nos mostra Jesus. Como é possível saber que vai para o calvário e olhar-nos com esta paz, com este amor, com este perdão.
Naquela Cruz está cada um de nós, já tomastes consciência? Vai ali o peso da iniquidade e da injustiça humana, o sofrimento dos inocentes, a desobediência a Deus de quem não quer aceitar o Seu projeto de Amor, a mentira dos homens que não têm escrúpulos em subir na vida à custa do sofrimento dos outros, os mais frágeis, os pobres, os doentes, os idosos sem condições dignas de sobrevivência, as crianças abandonadas ou violentadas, os jovens sem esperança, os sem vez nem voz na nossa sociedade e tantas vezes na nossa Igreja.

Vivemos num tempo onde imperam a insensibilidade e indiferença humanas para com o Deus, o desprezo de cada um pelo outro e os seus valores. Deus parece ter cada vez menos um lugar preponderante na nossa vida, é mais fácil correr atrás do fútil, do imediato, do descartável, do que do amor e da vida que perdura em Deus, pela entrega a Paixão de Cristo.
Hoje vale apenas o que vale para o aqui e agora e não o que vale para sempre. Que seria de nós se aquele caminho até ao calvário, se aquela Cruz e aquela entrega de amor e por amor, tivessem sido para um único momento, transformadas em algo descartável? Teríamos nós sido descartados por Deus da História da salvação, da redenção e libertação do pecado e da morte?
Quantas vezes já parámos para agradecer a Deus ter-nos enviado o Seu Filho Jesus Cristo, que por nós morreu e ressuscitou? Quantas vezes já deixámos afluir ao nosso coração o sentimento de gratidão a Cristo por ter carregado o nosso pecado e o ter apagado naquela Cruz? Obrigado Jesus pelo teu amor infinito por nós.
Aquele Simão vindo de Sirene obrigado a levar a Cruz de Jesus por uns momentos, aquela Verónica que enxuga o rosto de Jesus, aquelas mulheres que choram ao vê-l’O passar, aqueles discípulos que se escondem com medo, aquela multidão… onde nos encontramos nós no meio de todos estes?
E Cristo está diante de nós, curvado sob o peso da Cruz, escândalo para os que não creem em Cristo, ali está Ele diante de nós.
Mas… Ele não é o único, nós não somos os únicos a estar diante d’Ele.
(Neste momento a Imagem da Mãe das Dores sai de uma Capela em direção ao andor de Cristo Senhor dos Passos, no meio da praça central pelejada de milhares de fieis)
A MÃE DOLOROSA

Eis irmãos, olhai bem e vede!
É Maria. Sim Maria, a Mãe de Jesus e Mãe nossa que rompe do meio da multidão. A Mãe encontra-se com o Filho e o Filho encontra-se com a Mãe.
Será impossível podermos atingir os sentimentos de Mãe e do Filho. A Sagrada Escritura não nos relata este momento, apenas a tradição, a devoção e a fé, colocam na Via-Sacra este encontro que tem tanto de terrífico como de belo.
Podemos quase colocar na boca de Maria a expressão do Antigo Testamento: “Ó vós que passais, junto a mim pelo caminho , olhai e vede se há dor igual à minha dor!” (Lm 1,12)
NOSSA SENHORA das Dores,
Olhamos-t’E, Maria, como Nossa Senhora das Dores mas também da Piedade, da Soledade, das Angústias, das Lágrimas, do Calvário, do Monte Calvário, do Pranto ou Nossa Senhora das Sete Dores,
7 ESPADAS e 7 DORES
É este o teu caminho e o teu viver com Jesus. Essa espada ou espadas da tua Imagem recordam-nos a tua primeira dor: Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: «Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma. Assim hão-de revelar-se os pensamentos de muitos corações.” (Lc 2, 34-35)
Belo o encontro de qualquer mãe com o seu filho, sobretudo se Este é o Filho de Deus, Aquele que se recebe pela ação do Espírito Santo, Aquele que é o enlevo na alma.
Esta Imagem de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, de pé, com as vestes de penitência e ao mesmo tempo de rainha. Mas olhar que dor, que dor naquele Coração sem mácula, um coração predestinado desde sempre para a mais sublime expressão da entrega á vontade de Deus: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» (Lc 1, 38).
Onde conduziria esta entrega tão grande ao cumprimento da palavra de Deus?
Só pelo poder da fé Maria assume um caminho que não sabe como vai ser em cada amanhecer. Deus dirá a cada momento. Mas este encontro, sim este encontro, é belo porque dois corações batem como um só, dois olharem olham-se como um só, dos silêncios falam mais alto do que a balburdia da multidão.
Tinha razão a prima Isabel ao exclamar: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 42-45).
És feliz Maria porque acreditaste. E aqui estás agora diante de Jesus, o teu Filho amado, mas que agora te recebe tão desfigurado sob o peso daquela Cruz. É Jesus sim, Maria, é o teu Filho e Filho do Altíssimo.
Como gostaríamos, ó Mãe das Dores, de saber o que te vai na alma. Quem pensamentos e sentimentos? O teu Menino que geraste e deste á luz para a Humanidade, para nos salvar, segue a caminho do calvário condenado à morte e morte na Cruz.
Certamente não perguntará o teu Coração: “que mal fez Ele para merecer isto”, como tantas vezes nós perguntamos que mal fiz eu para merecer isto?
Alguém pode, do meio da multidão, entender tamanha dor? Pode alguém humanamente entender as lágrimas de uma Mãe que vê o seu Filho ser levado injustamente para morrer como um criminoso?
Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa… olha-nos e diz-nos, que sentes em teu Coração pelejado de espinhos?
Ah! Sim! Damo-nos conta que afinal há mais do que uma coroa de espinhos. A de Cristo e a Tua o Mãe das Dores. Os espinhos que sufocam o teu Coração são os mesmos que ferem a cabeça de Jesus. Estão aí os nossos males, sim todos aqueles que já hoje refletimos ao olhar para a Imagem do teu Filho vergado sob o peso da Cruz.
E agora olhamos-t’E a Ti, ó Mãe.
Quantas mães estão aqui nesta nossa assembleia? Quantas mães estão aqui e sentem o seu coração apertado pelos caminhos e escolhas dos seus filhos fora de Deus, sem rumo na via, vivendo apenas o momento porque o amanhã logo se vê. Quantas mães estão aqui e te olham, te contemplam, te amam com o mesmo amor maternal com que tu as olhas, com que tu nos olhas.
O dom da maternidade encontra em ti não só o amor materno/biológico mas também o amor materno/espiritual.
Quantas mulheres queriam ser mães e não puderam, quantas se dedicaram e dedicam aos outros com o mesmo amor maternal que têm ou teriam para com os seus filhos? E quantos sofrimentos experimentam no seu coração?
Mas não, não é possível, Maria, não é possível haver uma dor igual à tua dor ao encontrares o teu Filho Jesus com a Cruz aos ombros, batido, cuspido, escarnecido, condenado e mal tratado por aqueles a quem Ele veio salvar e dar a Vida.
Tu, Maria, és a corredentora no plano da salvação, és Aquela que Deus escolheu para ajudar a humanidade decaída no pecado a erguer a cabeça e confiar em Deus.
Perece-nos tão estranho recordar aquela hora em que, depois de procurares o teu Filho durante três dias O encontras no Tempo: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!» E recebes d’Ele a resposta perentória «Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» (Lc 2, 48-50)
E agora de novo o encontras, não no Templo entre os Doutores mas a caminho de um novo templo que surgirá com a Sua entrega ao pai por nós, esse Templo somos nós da qual tu és a Mãe. Este caminho que agora te levará atrás do teu Filho até al calvário e ao momento derradeiro da maior dor que uma Mãe pode ter, a de ver o seu Filho morrer.
Ó Maria, apraz-nos recordar o precónio Pascal quando diz, “Ó feliz culpa, ó pecado de Adão, ó pecado da humanidade, que nos mereceu um tal redentor”!
E junto àquela Cruz, naquela hora derradeira, Cristo tudo muda e não nos deixa órfãos, nem a nós nem a ti, Ó Mãe: Diz-nos São João que “Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!» Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua. (Jo 19, 26-27)
Este encontro com Cristo a caminho do calvário é o teu encontro connosco, teus filhos. Olha-nos agora, ó Mãe, ama-nos mais do que nunca e conduz-nos a Jesus. Nós somos teus filhos e queremos que fiques em nossa casa, queremos aceitar-te como nossa Mãe, nas nossas vidas, nas nossas alegrias e tristezas, nos nossos êxitos e fracassos, nas nossas esperanças de um tempo novo.
É por todo este amor que nos tens e que nós, portugueses Te temos, Ó Virgem Maria, Senhora da Dores que no Santo Sepulcro, em Jerusalém, oferecida por Portugal através dos Franciscanos, o altar situado no lugar do Calvário, dentro da Grande Basílica, guarda e se venera um altar da Senhora das Dores, à direita quem entra, subindo umas íngremes escadas. Nesta capela há dois lugares: o da Crucifixão e o da Morte do Senhor. Entre ambos, a altar da Mater Dolorosa, onde se venera uma lindíssima escultura em madeira da Senhora das Dores, um belo triste rosto de mulher português, túnica vermelha e véu branco sob manto azul, Coroa e auréola com sete estrelas, uma espada cravada no peito e as sete dores inscritas no rosto. Sim, a Mater Dolorosa de Jerusalém é um rosto de mulher português, oferecido pela rainha D. Maria I, em 1778, em nome de Portugal.
Olhando para Cristo com a Cruz aos ombros repito as palavras de Alexandre Herculano:
«Que reine para sempre a Cruz!
Erguei-a sobre todos os píncaros das serranias,
gravai-a em todas as árvores dos bosques,
hasteai-a sobre as rochas marítimas,
estampai-a nas muralhas das cidades,
exibi-a na fronte dos edifícios,
apertai-a no coração.
E depois,
que o género humano se prostre
e adore nela a Redenção que nos trouxe o Ungido de Deus.»

(ALEXANDRE HERCULANO, “A Cruz” )
E olhando o teu rosto materno que tanto amo, repito a mais antiga oração a Ti conhecida, talvez rezada desde o tempo Apostólico:
"À Vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus;
não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades,
mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita!"
 
Seja louvado N. S. Jesus Cristo.
Para sempre seja louvado, com sua Mãe, Maria Santíssima.
Fr. Albertino Rodrigues  OFM
Alenquer, 23 março de 14

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