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25 janeiro 2009

Ano Paulino: A experiência de Damasco

Hoje celebramos a Festa da conversão de S. Paulo.
Recebi do Miguel este texto que é uma boa reflexão sobre o grande momento de encontro de Paulo com Cristo na estrada de Damasco. Fica a partilha para todos vós e o agradecimento ao Miguel por nos permitir olhar esta experiência a partir da sua reflexão.

A EXPERIÊNCIA DE DAMASCO

O ANO PAULINO, que estamos a comemorar, coloca-nos um grande e exigente desafio: o de olharmos para a nossa vida à luz da pessoa e da mensagem do grande Apóstolo S. Paulo. É, sem dúvida, um desafio muito grande e exigente...

Certamente que, ao longo dos dois mil anos da Igreja, todo o cristão, de uma forma ou de outra, já se confrontou com S. Paulo, quer através do que se pode ler sobre ele nos Actos dos Apóstolos quer das suas Cartas, sejam elas autênticas ou não (isto não vem aqui ao caso). Também muito já foi escrito e falado sobre ele por teólogos e exegetas mas, no meu caso, é apenas uma reflexão, ao jeito de partilha e de vivência pessoal, desprovidas de pretensões científicas e técnicas. É a minha meditação pessoal sobre um aspecto da vida de S. Paulo, que sempre me fascinou muito, e me faz reflectir, continuamente, a minha própria vida.

Ao ler, nos Actos dos Apóstolos (Act. 9, 1-25), o relato sobre a conversão de S. Paulo encontro sempre novos pontos para meditar. Certamente acontecia o mesmo com S. Paulo cada vez que meditava na sua experiência de Damasco. Foi a “experiência-chave” da sua vida e, a partir dela, podemos penetrar um pouco na sua personalidade e compreender o seu carisma, não apenas para o seu tempo, mas também para o nosso. “A vida de Paulo, tal como a conhecemos, converge e desenrola-se a partir do acontecimento central da sua conversão, a caminho de Damasco. Esse encontro espiritual com Cristo Ressuscitado revolucionou por completo a sua vida” (D. José Alves, Arcebispo de Évora, Nota Pastoral sobre o Ano Paulino). “Tudo o que antes era importante para ele, deixa de o ser e passa a viver exclusivamente para Cristo, o seu Senhor” (Apresentação do livro: Paulo, Mensageiro da Boa Nova).

E na minha vida, qual é a experiência-chave em matéria de Fé? Como realizo o meu “Encontro de Damasco” no meu estar e no meu viver quotidianos?

Talvez nunca tenha vivido um “encontro” tão espectacular como Paulo. Não fui interpelado por um raio de luz que me atingiu e cegou; não foi a voz de Cristo que me sussurrou ao ouvido nem foi alguém, como Ananias, que me fez voltar a ver; não foi! Pois bem, não foram estes os sinais que identifico como fazendo parte da minha “experiência-chave”, mas outros, menos espectaculares, que, permanentemente, me provocam efeitos interiores idênticos: um livro ou filme de teor religioso que toca profundamente; (penso, p.ex. no filme “A Paixão de Cristo” que mexeu profundamente com muita gente); talvez um retiro, uma conferência, uma homilia através da qual Cristo me “falou ou fala” pela pessoa e voz do sacerdote; uma experiência dolorosa, um sofrimento, uma desilusão que me fez reconsiderar as minhas opções; talvez o encontro profundo com alguém que, inesperadamente, cruzou o meu caminho e me ajudou a descobrir novas dimensões de vida; etc, etc. Poderíamos continuar a enumerar elementos que convergiram e realizaram a “experiência-chave” de cada um, de cada vida.

Na verdade, em tudo isto, o ponto comum é a palavra “ENCONTRO”. A experiência-chave de S. Paulo foi o seu “encontro” pessoal com Cristo, o Ressuscitado: “Saulo, Saulo, porque ME persegues?” (Act. 9, 4). Ele foi tão marcante que Paulo nunca mais foi o mesmo nem se esqueceu do momento nem das circunstâncias em que Cristo entrou na sua vida e o atingiu até ao cerne da sua personalidade, levando-o a efectuar uma mudança radical.
Também as nossas vidas têm de ser, necessariamente, um encontro pessoal com Cristo para se tornarem a “experiência-chave” no nosso caminho de Fé.
Não se trata dum encontro emocional, superficial, ou de entusiasmos momentâneos, mas de um encontro profundo e íntimo com Deus, no mais absoluto silêncio. Um encontro a partir do qual tudo na nossa vida muda – como na vida de S. Paulo. Tudo o que era importante e imprescindível torna-se secundário, desnecessário e até dispensável pois, de repente, outros valores emergem no nosso horizonte, referenciados ao único valor perene: Deus. “Para mim viver é Cristo” (Fil 1,21; cf. Gal 2,20) “e tudo o mais é lixo” (cf. Fil 3,8). Passamos a “ver” tudo com um olhar diferente, novo; uma nova luz – como no caso de S. Paulo – nos “derruba do cavalo” dos nossos egoísmos, das nossas aparentes seguranças e certezas, do nosso orgulho e auto-suficiência, da nossa ambição de grandeza e auto-promoção... Ele faz-nos perceber que Deus ama os pobres, os humildes, os despretensiosos... os que estão abertos para Ele e a quem Ele Se pode revelar: “Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25).

Quase no final do processo de conversão de S. Paulo, Ananias vai em busca dele e encontra-o a orar. Diz-lhe então, que Cristo o tinha enviado “para que recupere a vista e fique cheio do Espírito Santo” (cf. Act. 9, 17). Ora, “voltar a ver” significa receber uma “visão nova”, aquela que é dada pelo Dom do Espírito Santo. Ou melhor – assim penso eu – é o Espírito Santo que dá o modo novo de “ver”. Sem Ele, sem o Espírito de Cristo, todo o nosso viver se torna insípido e sem sentido, “não tem graça” – como costumamos dizer – no sentido pleno do termo e com toda a razão. No entanto, com o Espírito Santo, a nossa vida será marcada pela “caridade, a alegria, a paz, a paciência, a bondade, a fé, a mansidão e a temperança” que são os “frutos” do Espírito, segundo nos diz S. Paulo na sua Carta aos Gálatas (5, 22).

Mas, será que a nossa experiência-chave também traz, tão fortemente, a marca do Espírito ao ponto de, como S. Paulo, nos tornarmos incansáveis no anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo que morreu e ressuscitou para nos salvar? Ou o encontro com Cristo ainda não foi tão profundo que continuamos amedrontados e incapazes de sermos realmente os apóstolos que Deus necessita para a construção do Seu Reino?

Está na hora de fazermos a nossa “matrícula” na escola de S. Paulo para ali aprendermos o que significa: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 20).

Miguel

5 comentários:

Sirlene disse...

Maravilha!Encontro com Deus!Quem de nós conseguirá descrever este encanto que certamente todo ser humano sentiu...nem que seja aquele "flert" que nos calou fundo!Realmente o que me incomoda é o fato de não ter a habilidade , a sabedoria , a grandiosidade da mudança interior que São Paulo assumiu, derretendo-se, "amalgamando-se" todo em Cristo! Ah! Quem dera!Não foi por falta de clareza na comunicação Dele para comigo, não:mais claro e convincente , impossível!Mas...o caminhar me cativa...a paisagem me dispersa...me encanta e logo logo preciso de outro incentivo, outro chamado, outro piscar de olhos do Amado, outra Damasco!
É com este peso na alma que neste ano Paulino e nesta festa em homenagem ao Santo Padroeiro de minha cidade, São Paulo, aqui no Brasil,invoco a ajuda deste Santo para que possa imitá-lo em sua radicalidade na Fé e na condução de uma vida verdadeiramente cristã.
Miguel, obrigada por esta magnífica meditação!Frei Albertino, parabéns pela excelente idéia de trazê-la a nós!

mariana disse...

Obrigada Miguel pela riqueza desta partilha.
A frase que tirei dela para minha reflexão pessoal foi esta:
O meu "Encontro de Damasco"? Como o entendo? Paulo a partir desse "ENCONTRO" começa a vêr de novo, duma maneira diferente, à luz de uma nova claridade, deixando para trás tudo o que era velho, renascendo para o Homem Novo!- PÁSCOA - RESSUREIÇÃO- VIDA NOVA. Passou a viver por Cristo e para Cristo! ao ponto de dizer "Já ão sou eu que vivo mas Cristo que vive em mim"!

E eu...? Ai de mim, senão anunciar o Evangelho!

Este grito de S Paulo ecoa ainda hoje com urgência na Igreja, tornando-se para todos os cristãos, não uma simples informação, mas vocação ao serviço do Evangelho para o mundo.

Há tantos que nunca ouviram o Evangelho e estão à espera do primeiro anúncio - do Kerigma. E há muitos que esqueceram o Evangelho e aguardam uma nova evangelização.

Obrigada Frei por ter partilhado connosco este reflexão, que muito nos deve incomodar...!

Kálita disse...

Sempre me encantou a história da conversão de S.Paulo.Principalmente pelo fato do encontro dele com Nosso Senhor Jesus Cristo ter convertido a vida dele, ou seja ele ia para um rumo de ódio, violencia, perseguição e apos o encontro fez uma conversão em sentido contrário, tornando-se todo amor, persistencia no anuncio, testemunho da ação de Deus, que se chega a nós e muda as realidades interiores, tirando-nos a cegueira espiritual.
São Paulo rogai por todos nós do Retalhos, que um dia possamos ter a graça de um encontro tão profundo com o Senhor.

dina disse...

Obrigada Miguel pela partilha que nos deixaste, no dia de São Paulo.
Na verdade, S. Paulo é sem dúvida uma das figuras da Igreja que mais nos pode inspirar e interpelar. Podíamos recordar a vocação apostólica, a oração, o método missionário, a acção do Espírito Santo, etc. Eu sugiro também apenas alguns desafios que o Ano Paulino poderá lançar hoje e todos nós, e, concretamente, à Vida Consagrada de hoje.
O primeiro desafio que o Ano Paulino lança a todos, mas de uma maneira particular à Vida Consagrada de hoje é a recuperação da dimensão contemplativa. Creio que hoje na nossa sociedade e na Igreja o seu défice mais preocupante é o défice contemplativo.
Vivemos demasiado distraídos a absorvidos pelo trabalho e por outras coisas que nos prendem a atenção. Isto é m um pouco fruto da cultura que nos envolve: temos o café descafeinado, a cerveja sem álcool, a Coca-Cola zero, sem açúcar, o sal sem sódio, o leite sem gordura, e por aí fora. É uma cultura soft, ligt, para saúdes mais débeis. Também nós podemos pecar por a nossa vida ser débil , descafeinada, sem profundidade, sem radicalidade, o que não aconteceu com São Paulo.
Não sei se seremos muitos e muitas, os (as) que no nosso programa de vida temos espaço e tempo para falar com Deus «como se fala com um amigo», na mesma tenda…
Ora S. Paulo sendo sem dúvida o teólogo que mais penetrou no mistério da Missão de Jesus apesar das suas viagens e da sua actividade permanente, ele nunca viveu à superfície, foi sempre ao fundo dos valores em que jogou a sua vida. Um deles foi o mistério da Missão…Para ele este serviço era um mistério que Deus ia revelando pouco a pouco, mas que só se captava na intimidade com ELE, porque é no coração de Deus que a missão de cada um de nós tem a sua fonte…A minha, a nossa Missão consiste em beber dessa fonte?...Em primeiro lugar?...
S. Paulo tem textos muito belos em que desce à vertente mais profunda da missão…Basta lembrar as introduções das cartas aos Efésios (1.3-11) e aos Colossensses (1,13-20) ou as passagens de Rm.8,35-39; 2Cor3-7; Ef 2,5-11; Rm 11,33-36, etc.
Estou convencida de que, ao longo de toda a nossa vida mas particularmente durante o Ano Paulino devemos fazer, façamos mesmo , leitura orante das cartas de S. Paulo, para nos alimentarmos, bebermos cada dia dessa Fonte inesgotável que é Jesus Cristo. A perda do contacto profundo com a Palavra de Deus continua a ser, talvez, o nosso maior handicap… Façamos um esforço e deixemo-nos converter interiormente no nosso quotidiano.
Ainda há pouco, numa sondagem feita em Lisboa, se concluía que, se muitos tinham a Bíblia, poucos a liam. O retorno à Palavra de Deus está a ser promovido pela recuperação da Lectio Divina, e o Papa Bento XVI propô-lo aos jovens na 21.ª jornada Mundial da Juventude, a 9 de Abril de 2006. Este método, talvez nos possa ajudar, neste Ano Paulino a aprofundar e viver, esta mesma Palavra…

Mª Teresa disse...

Paz e Bem a toda a Família Retalhos 2,
Creio que minha "experiência" foi bastante mais recente, vulgo século XXI! ...Bom, e de facto teve expressão (só) em minha própria vida. Não me "atrevo" sequer a relata-la...
Obrigada Miguel pela excelente partilha! Saberá Deus certamente, atribuir-te o reconhecimento BEM merecido!! Amén!

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