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12 março 2009

Quaresma: voltarmo-nos para Deus (Taizé)



O jornal francês «La Croix» pediu ao irmão Alois para escrever, ao longo do ano 2008-2009, uma meditação para cada grande celebração cristã.

Aqui fica este texto que meditei hoje sobre este tempo de graça e que retirei do site de Taizé. Aqui o publico também ao jeito de partilha.

“A Quaresma orienta o nosso pensamento, em primeiro lugar, para a imagem do deserto, aquele onde Jesus viveu quarenta dias de solidão ou aquele que o povo de Deus atravessou, caminhando durante quarenta anos. E, no entanto, quando chegavam estas semanas que precedem a Páscoa, o irmão Roger gostava de lembrar que esse não era um tempo de austeridade ou de tristeza, nem um período para alimentar a culpabilidade, mas sim um momento para cantar a alegria do perdão. Ele via a Quaresma como quarenta dias para nos prepararmos para redescobrir pequenas primaveras nas nossas vidas.
No início do Evangelho de São Mateus, quando João Baptista proclama «arrependei-vos!», ele quer dizer «voltai-vos para Deus!» Sim, durante a Quaresma, gostaríamos de voltar-nos para Deus para acolher o seu perdão. Cristo venceu o mal, e o seu perdão constante permite-nos renovar uma vida interior. É a uma conversão que somos chamados: não a voltarmo-nos para nós próprios numa introspecção ou num perfeccionismo individual, mas a procurar uma comunhão com Deus e também uma comunhão com os outros.

Voltarmo-nos para Deus!
É verdade que, no mundo ocidental, tornou-se difícil, para algumas pessoas, acreditar em Deus. Elas vêem a existência de Deus como um limite à sua liberdade. Pensam que devem lutar sozinhas para construir a sua vida. Parece-lhes inconcebível que Deus os acompanhe.
No ano passado, fui visitar os nossos irmãos que vivem na Coreia há trinta anos. Durante o caminho, acompanhado por outro irmão, estive em encontros de jovens em vários países asiáticos. O que me marcou na Ásia foi o facto de a oração parecer natural. Nas diferentes religiões, as pessoas têm espontaneamente na oração uma atitude de respeito, ou mesmo de adoração.
Certamente, nestas sociedades não há menos tensões ou violências do que no Ocidente. Mas um sentido de interioridade é talvez mais acessível, um respeito perante o milagre da vida, pela criação, uma atenção ao mistério, a algo que vai para além do que podemos ver.
Como renovar uma vida interior descobrindo e voltando sempre de novo a descobrir uma relação pessoal com Deus? Há em todos nós uma sede de infinito. Deus criou-nos com este desejo de um absoluto. Deixemos viver em nós esta aspiração!
Entre os cânticos de Taizé, um deles expressa esta espera. A letra é de um poeta espanhol, Luis Rosales, inspirado por São João da Cruz: «De noite iremos e, para encontrar a fonte, só a sede nos ilumina.» Para algumas pessoas, o tempo da Quaresma é tempo de jejum. Não que a ascese tenha um valor por si própria, mas há em cada pessoa uma espera mais profunda do que as esperas superficiais, uma sede mais essencial. E essa sede pode iluminar o nosso caminho.
Se, por vezes, caminhamos de noite ou se atravessamos como que um deserto, não é para seguirmos um ideal. Seguimos uma pessoa: Cristo. Não estamos sozinhos, ele vai à nossa frente. Segui-lo implica um combate interior, com decisões a tomar, com fidelidades de toda uma vida. Neste combate, não nos apoiamos sobre as nossas próprias forças, mas abandonamo-nos à sua presença. O caminho não está traçado de antemão, implica também acolher surpresas, criar com o inesperado.
Deus não se cansa de retomar o caminho connosco. Podemos acreditar que uma comunhão com ele é possível e assim nunca nos cansamos de, também nós, retomar sempre de novo o combate. Não perseveramos para nos apresentarmos diante de Deus com o nosso melhor aspecto. Não, aceitamos avançar como pobres do Evangelho, que se confiam à misericórdia de Deus.
A Quaresma é um tempo que nos convida à partilha. Leva-nos a pressentir que não nos sentiremos realizados se não consentirmos a renúncias. Renúncias feitas por amor. Quando, noutra ocasião, Jesus se encontrava no deserto, cheio de compaixão por aqueles que o tinham seguido, multiplica cinco pães e dois peixes para alimentar cada pessoa. Que sinais de partilha podemos nós realizar?
O Evangelho valoriza a simplicidade de vida. Chama-nos a dominar os nossos próprios desejos para nos conseguirmos limitar, não por constrangimento mas por escolha. Este apelo é hoje muito actual, não somente em termos pessoais, mas na vida das nossas sociedades. A simplicidade escolhida livremente permite que os mais favorecidos resistam à corrida ao supérfluo e contribui à luta contra a pobreza imposta aos mais deserdados.
Durante este tempo da Quaresma, ousemos rever o nosso estilo de vida. Não para dar má consciência àqueles que não o fazem, mas com o propósito de sermos solidários com os mais desamparados. O Evangelho incentiva-nos a partilhar livremente, dispondo das coisas com beleza simples da criação.”

10 comentários:

lena b disse...

Frei Albertino,
Este texto apresenta muitas pistas para pensar e comentar. Tentando centrar-me num ponto, achei lindo este desafio para a Quaresma: "Ir para além do que podemos ver"!...
Quantas vezes sinto essa necessidade de ir mais além!
Sempre que tomo consciência da minha respiração, compreendo que não vejo o ar que respiro e, no entanto, só respirando posso manter vivo este corpo físico...
É lógica a primeira conclusão: Se não vejo o ar que me permite viver... então, o invisível é muito mais forte, muito mais rico, muito mais presente do que o visível! Podemos considerá-lo como parte da FONTE DA VIDA!
Por isso, aprender a SENTIR parece-me fundamental como primeiro passo para entrar em contacto com o ar que respiro... Através dele consigo interiorizar-me, entrar no meu templo interior e ouvir a voz que me mostra caminhos, que me critica condutas, que me alerta para perigos em que não pensei...

Nunca pratiquei Ioga, mas creio que tem alguma coisa a ver com isto, pois "na Ásia, a oração parece natural"!

maresia disse...

Amigo, para quantas frentes se vira este cantinho do céu? Abençoada janela.
Agora com o deserto pela frente, é bom que a "bagagem" seja mesmo só o essencial...uma garrafa de água...
Durante cinco anos "atravessei um deserto" e só perguntava porquê?
Passado que foi esse tempo, olho pela "janela" e pergunto: para quê Senhor?
Mostra-me o caminho. E assim é na vida, umas vezes a calma e a paz de um pôr do sol, outras um mar agitado, outras um deserto...o importante é que ELE vá connosco a caminhar e que este Tempo de Quaresma seja bem aproveitado.

FIDUCIA disse...

É interessante como cada um interpreta as imagens, eu não vi aqui um deserto mas um caminho sem sinais nem orientação, onde somos convidados a CONFIAR e seguir em frente pela estrada AO COLO do PAI...

sirlene disse...

Frei...olhando esta estrada que o sr mira, árida, comprida e sinuosa, me ocorre : "Pelas estradas da vida...nunca sozinho estás,contigo, pelo caminho, Santa Maria vai"...daí...o consolo!
Uma referência de gratidão pelo bem que proporcionou esta meditação conosco repartida (Taizé), e aos sábios comentários, sempre oportunos e benvindos!

Miguel disse...

"O caminho não está traçado de antemão, implica também acolher surpresas, criar com o inesperado."

O caminho que vemos aí pela "tua" janela já está traçado. Mas o nosso caminho de vida - só Deus sabe por onde e para onde nos vai conduzir. Somos desafiados para a confiança de que o final será sempre em Deus. Importa não sofrer passivamente o que nos vai sucedendo, mas tornarmo-nos activos em meio às surpresas do Senhor: "criar com o inesperado", ter fantasia, nunca deixar morrer os sonhos, por mais utópicos que possam parecer... E ainda que o caminho nos leve por "vales tenebrosos" ou por desertos: ELE ESTÁ. ELE CAMINHA À NOSSA FRENTE!

lena b disse...

É verdade! De facto, o caminho está lá, qualquer que ele possa ser! Nós fazemos a diferença ao interpretar-mo-lo de acordo com a nossa sensibilidade do momento, com a nossa fragilidade do momento, com a nossa (re)descoberta do momento!
Parece-me ser a prova de que o caminho se constrói a andar!...
Será a nossa coerência interior - a que está ligada à FONTE SUPERIOR - que nos ajuda a harmonizar esse mesmo caminho que queremos construir e percorrer! É a nossa confiança NELE, o sabermos e sentirmos a SUA PRESENÇA, que faz com que o caminho não vá para o deserto mas sim para a LUZ... para a TRANSFIGURAÇÃO... para a HARMONIA!

Assim, a bagagem que levamos é da nossa responsabilidade... é a nossa opção e a nossa preparação para o Caminho! Quanto mais leve e "transparente"... melhor... e a caminhada mais suave será !

mariana disse...

Frei:
Para mim, esta estrada é caminho- caminho que deve conduzir a algo? a Alguém? caminho com curvas e contracurvas, mas que nos aponta sempre para o Alto - JESUS CRISTO: Caminho, Verdade e Vida.
Quaresma é tempo de deserto interior. Poderá Jesus encontrar em cada um de nós uma vontade expressa de renovação interor?
Se para celebrar a sua Páscoa, Jesus Cristo nos convida a cada um de nós a uma mudança de vida, então temos de verificar o que está a mais na nossa bagagem, no "templo interior" que deve sair.

A festa da Páscoa não pode ser apenas exterior, Deus quer que acreditemos em Jesus Cristo, acreditando na renovação do homem, no Amor que salva o mundo, na força do Espírito que tudo renova e transforma, na medida em que abrimos o coração e nos deixamos conduzir.

xana disse...

Ai! Amigo Albertino! Em tempo de Quaresma, em tempo de deserto, na verdade é bom que a nossa «bagagem» seja mesmo, e, só o essencial…Não é fácil, mas temos de nos ir desprendendo de muitas coisas que nos impedem de ver, sentir, e viver este “ESSENCIAL” na nossa vida quotidiana…
Deserto interior, caminho que nos conduz a algo, a alguém… Jesus Cristo, CAMINHO, VERDADE e VIDA…
E nós fazemos o nosso caminho andando…ora a direito, ora com algumas curvas… Mas ELE que é Pai de Misericórdia, acolhe o nosso esforço e a nossa vontade firme de continuar a caminhar sempre com ELE, por ELE e N’ELE…
Que esta nossa caminhada seja cada vez mais transparente, mais autêntica, a fim de ser cada vez mais leve… mais suave…sorridente…

antónio disse...

O que tem mais graça é que hoje lhe enviei este texto.... sem saber que o tinha aqui publicado... o mais engraçado é que também eu sublinhei algumas partes do texto.... é fazer a comparação!
Uma Sanat Quaresma... Cheia de Alegria no perdão!
António Catarino

Mª Teresa disse...

Paz e Bem!
Que gentil a leitura de Irmão Roger para Quaresma! "REDESCOBRIR PEQUENAS PRIMAVERAS EM NOSSAS VIDAS"!!!
Que belo: não mais procurar recobrir a Vida neste pungente drama! Certo aceitamo-lo (Quaresma, agora de 2011)!
Mas aceitar a Felicidade que Ele encontrou ao Entregar-Se por NÓS TODOS!
Oh, querido Irmão Roger, forjo logo mais me encontrar consigo! Partilhando o Céu estarão diversos seres que abandonaram nosso limitado Mundo terreno! Por certo AÍ no Alto nem surgem problemas de línguas... Eu creio!

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