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21 junho 2009

Cap. Geral: Palavra de encerramento

Amigos da Família Retalhos.
Neste dia em que terminou o Capítulo Geral da Ordem, em Assis, quero agradecer a vossa companhia orante. Aqui, e a partir deste simples espaço, fomos acompanhando os trabalhos.
Muito iremos continuar a publicar e a partilhar convosco porque, pelo menos para mim, em textos, mensagens, fotos e vídeos muito há ainda para partilhar.
Mas hoje quero deixar convosco o texto final de Fr. José Rodriguez Carballo - Ministro Geral - dirigida esta manhã aos irmãos ao redor da Capelinha da Porciúncula (na foto) no encerramento do Capítulo.
Que a todos Deus, por intermédio de Francisco e Clara nos abençoe.


MENSAGEM FINAL DO MINISTRO GERAL

Queridos irmãos: O Senhor vos dê a paz!

Com a graça do Senhor chegámos ao fim do nosso 187º Capítulo Geral. Durante quatro semanas aqui nos reunimos, na Porciúncula, onde faz agora 800 anos começou a aventura franciscana, sob o olhar maternal de Santa Maria dos Anjos. Foram dias vividos numa intensa atitude orante, nos quais invocámos a presença do Senhor ressucitado e do seu Espírito no meio de nós. Foram dias de alegre encontro fraterno que nos permitiram abraçar irmãos provenientes de todos os continentes e de mais de 110 paises, de diferentes raças e culturas. Na diversidade que nos caracteriza reconhecemos a feliz notícia de um Deus sempre fecundo. Foram dias de profunda reflexão, o que nos permitiu lançar alto o olhar no camino –moratorium- para ver onde estamos e até onde queremos e devemos caminhar. Foram dias de projecção, que nos permitem olhar o futuro com esperança. Como não pensar, então, naquele primeiro pentecóstes que viu reunidos no cenáculo os discípulos com a Maria, “aguardando” a vinda do Espírito? Como não pensar num novo pentecóstes para a nossa Ordem que este ano celebra os seus 800 anos de fundação? Como não pensar nos primeros capítulos da Ordem os quais tratavam de tudo o que se relacionava com a vida e missão dos irmãos? Por tudo isso, fazemos nosso o canto do salmo responsorial: Alegra-se o nosso coração no Senhor, ao mesmo tempo que confessamos cheios de alegria: O Senhor revestiu-nos com as vestes da salvação.
Nestes dias olhamos o nosso passado e o nosso presente, recordando a graça das nossas origens. Pela santidade e a alegre fidelidade de tantos irmãos de ontem e de hoje, com o coração a transbordar de alegria, dizemos ao Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor: pelo dom dos irmãos, louvado sejas meu Senhor!. Este olhar positivo e agradecido ao nosso passado e ao nosso presente não nos impede ver as sombras e as infidelidades, o cansaço e as rotinas, que, a miúdo, acompanham o nosso caminhar. Por tudo isso, enquanto pedimos perdão, assumimos com renovado compromisso o chamamento a nascer de novo (Jo 3, 3) para acolher, pessoalmente e institucionalmente, o Evangelho como forma de vida, sem ceder à constante tentação de domesticar as suas exigências mais radicais para as adaptar a um cómodo estilo de vida.

Agora, terminado o Capítulo, apresenta-se diante de nós o presente/futuro, como tempo do Espírito. E então perguntamos a nós mesmos: que devemos fazer irmãos? (Act 2, 37)

O Senhor durante estes dias de Capítulo disse-nos de mil formas: Ide e pregai o Evangelho a todas as nações (Mt 28, 19-20), e tornando-se presente no meio de nós envia: Ide a anunciar aos meus irmãos que partam para a Galilea, ali me verão (Mt 28, 10). Desde o ícone do Cristo de São Damião, o Senhor nos disse como a Francisco, Vai e repara a minha Igreja. Cristo Ressucitado espera-nos no espaçoso claustro que é o mundo, ali onde vive o homem, ali onde se encontra na sua diversidade, ali onde sofre, trabalha e espera. Uma vez mais o Ressucitado nos diz: Não me retenhais (Jo 20, 17). A nossa condição é a de ser testemunhas do Ressuscitado na Galileia das nações (Is 8, 23), no meio das gentes, inter gentes, em qualquer país ou nação, aos que estão longe e aos que estão perto (Ef 2, 17). Quem se encontrou com Cristo ressucitado não pode deixar de o anunciar, como Maria Madalena (cf. Mc 16, 10). Quem encontrou a pérola preciosa não pode deixar de comunicar tal descoberta a quantos encontra pelo caminho (cf. Mt 13,46). Cristo é a nossa “pérola”, não podemos “retê-la” para nós mesmos. Ide, saí, ao mundo inteiro. A missão evangelizadora não é para nós apenas mais uma actividade, mas sim é a nossa definição, pois, somos efectivamente: Missionários no coração do mundo, como irmãos e menores, com o coração voltado para o Senhor.
Estamos conscientes de que a missão que nos espera é árdua. O terreno no qual temos que semear a semente do Evangelho, o coração do homem, está cheio de obstáculos, como nos recorda a parábola do semeador (cf. Mt 13, 3). Mas estamos igualmente conscientes que a força germinativa da semente da Palavra de Deus não diminuiu. Vivemos nem momento de crise, que para alguns possivelmente comporta uma ameaça mortal e que para outros pode ser uma prova de fé no Senhor da história e na sua presênça indefectivel. O momento em que vivemos é delicado e decisivo. Mas temos que estar bem consciêntes de que este é o tempo de Deus e, enquanto tal, revela novas oportunidades, purifica, desperta potencialidades, revela sinais de futuro e de ressurreição. Em todo o caso não podemos ser ingénuos. O semeador, cada um de nós, há-de conhecer bem o campo da sementeira, conhecer os seus elementos positivos e valorizar, com precisão, os obstáculos (cf. Mt 13, 18-23). Necessitamos conhecer bem o coração dos homens aos quais nos dirigimos, o seu modo de pensar e de se situar. Torna-se necessário entrar numa constante actitude de discernimento, examinando tudo, para ficarmos com o essencial (cf. 1Ts 5, 21). Torna-se necessário, também, viver em estreita relação com todos os homens e mulheres, nossos contemporâneos. Somos, e temos de continuar sendo, os frades do povo. Com o povo, particularmente com os mais pobres, somos chamados a sentir-nos mendicantes de sentido, fazendo nossas as suas próprias procuras, deixando-nos interpelar por tantas situações negativas do contexto em que vivemos.

Também é necessário estar bem preparados intelectualmente, para uma leitura atenta dos sinais dos tempos e dos lugares, e poder, deste modo, dar uma resposta evangélica a todos eles. Essa resposta implica, da nossa parte, elaborar e levar a cabo novos projectos de evangelização para as situações actuais (VC 73). Essa é a nossa grande responsabilidade nestes momentos. De nós, filhos de Francisco de Assis, o mundo espera, e tem pleno dereito a isso, que trabalhemos como instrumentos de paz e de reconciliação, numa sociedade profundamente marcada pela violência e as divisões, assim como pela salvaguarda da criação, quando esta está seriamente ameaçada. De nós, filhos do Poverello, o mundo espera, e tem pleno direito a isso, que sejamos homens que fomentam o diálogo entre as culturas, as gerações, as religiões, as correntes de pensamento, a fim de propiciar o conhecimento e o reconhecimento mutuos e a procura de caminhos comuns para instaurar um mundo irmanado nas ricas e sãs diferenças. De nós, Irmãos Menores, o mundo espera, e tem pleno direito a isso, que sejamos menores entre os menores, e solidários com todos, homens que trabalhem para que de uma economia de mercado se passe a uma economia solidária, que crie redes de comunicação que beneficiem a inter-dependência de bens e recursos com o objectivo de uma vida digna para todos. A nossa missão evangelizadora implica tudo isso, como implica ir ali onde todavia não estamos, abrindo novos projectos missionários para colaborar com a Igreja na implantação do Reino de Deus, por vezes somente com a presença silenciosa, mas sempre fecunda, e na implantação da Ordem, ali onde isto seja possível. Por tudo isso passa a nossa missão evangelizadora, a qual dedicamos as nossas reflexões durante este Capítulo de Pentecóstes 2009. Por tudo isso passa a fidelidade criativa e alegre que somos chamados a testemunhar (cf. VC 37) nestes momentos delicados e duros, não isentos de tensões e de provas, mas cheio, também, de grandes possibilidades (cf. VC 13). Tudo isto é necessário se queremos reproduzir com audácia e criatividade a santidade de Francisco (cf. VC 37), e de tantos irmãos que nos precederam nestes 800 anos de caminho da nossa Fraternidade.
Durante o Capítulo sentimos fortemente o chamamento a uma profunda renovação para ser fiéis à graça das origens, mas sabemos muito bem que a garantia de uma tal renovação está na procura de uma sintonia cada vez mais plena com o Senhor (cf. VC 37). Só Ele pode manter constantemente o vigor e a autenticidade das origens e, ao mesmo tempo, infundir a coragem da audácia e da criatividade para responder aos sinais dos tempos (CdC 20). Só reencontrando o primeiro amor seremos fortes e audazes, pois somente esse amor pode infundir valor e ousadia, em tempos como os nossos. Eis aí, então, o chamamento mais urgente que nos vem do Evangelho e da nossa condição de discípulos e missionários: uma profunda converção do coração e um voltar-se constantemente para o Senhor. Não podemos esquecer que é Deus aquele que torna fecundo e fértil o terreno da missão evangelizadora. É Ele, e só Ele, quem faz crescer a semente (cf. Mc 4, 27). A evangelização é acima de tudo obra da força do alto. No Cenáculo os discípulos recebem o Espírito. É Ele quem dá a Pedro a força para proclamar o Evangelho no dia de Pentecóstes. Do mesmo modo, aqueles que quiserem anunciar com coragem o Evangelho na Galileia das nações hão-de encontrar-se no Cenáculo, com Maria, e receber o Espírito Santo. Ele é o único que pode mover os nossos corações e os nossos pés para ir até aos confins da terra e ali, nas condições mais diversas e, por vezes, mais adversas, pregar a Jesus Cristo como a Boa Nova do Pai das misericórdias à humanidade. Ele é o único que pode abrir o coração dos homens e mulheres do nosso tempo para acolher tal Boa Nova. É a força do Espírito aquela que nos tornará verdadeiramente livres. Por outro lado, só quem, como Maria, se deixa habitar pela Palavra, poderá comunicá-la aos outros (cf. Lc 1, 39-44). Só quem, como Francisco, se deixa encontrar pelo Evangelho, poderá ser Evangelho vivo.

Maria, vírgem da atenção, alcança-nos do Senhor a capacidade para conservar no nosso coração o mistério de Deus e dos homens.
Maria, crente aberta ao Espírito, alcança-nos do Senhor a docilidade incondicional às suas inspirações.
Maria, primeira evangelizadora, alcança-nos do Senhor a audácia de levar a Boa Nova aos nossos contemporâneos.
Maria, mulher feita serviço, alcança-nos do Senhor a capacidade de servir ao Evangelho e aos seus primeiros destinatários, os pobres.
Maria, bendita entre as mulheres, alcança-nos do Senhor a graça de saber estar sempre ao lado de quem necessite de nós.
Maria, donzela de Nazaré, alcança-nos do Senhor a valentia de dizer-lhe sempre SIM, agora e na hora da nossa morte. Amén.
Fr. José Rodriguez Carballo
Ministro Geral da OFM
(Tradução do Espanhol para a língua portuguesa: Fr. Albertino Rodrigues OFM))

7 comentários:

Miguel disse...

Palavra inspirada, esta do nosso irmão e ministro geral da Ordem Franciscana. A hora de voltar às origens é, ao mesmo tempo, hora de envio em missão. Depois do tempo de reflexão e de projecção é agora chegado o tempo de pôr mãos à obra e retomar o caminho com novo entusiasmo, com nova convicção seguindo as pegadas de Francisco que são as do Evangelho deixadas por Jesus Cristo.
Coragem, Irmãos, perante os desafios que se nos apresentam!
Que a bênção do Pai Francisco vos acompanhe sempre!

Helena Isabel disse...

Não li o texto todo. Vi que é tão bonito que o copiei para ler e entender bem, serenamente, a profundidade que denotei logo na primeira parte.

Ai! o mundo não pode deixar de agradecer a Francisco a beleza divina que éncontrou e nos transmite, hoje pelo seus! Como são simples mas maravilhosos os pés que nos acompanham na redescoberta do Deus/Amor! A encontrar a Graça nos mais pequenos actos da vida e fazê-los num acto de Louvor a Deus!
O mundo estaria incompleto se Francisco não tivesse vivido.

maresia disse...

Amigo Frei, acabo de "chegar" do blog "Pensamentos" de Frei Cardoso, no qual encontrei esta mesma imagem do nosso Rio Tejo e que agora também a venho aqui encontrar.LINDO este nosso cantinho do céu e sempre ornado de tanta dedicação.
Voltando agora para esta mensagem aqui partilhada, ela é "um poço sem fundo" de tanta riqueza que contém. Eu me detive, para começar, nestas palavras:
"Nestes dias olhamos o nosso passado e o nosso presente, recordando a graça das nossas origens. Pela santidade e a alegre fidelidade de tantos irmãos de ontem e de hoje, com o coração a transbordar de alegria, dizemos ao Altíssimo, Omnipotente e bom Senhor: pelo dom dos irmãos, louvado sejas meu Senhor!"
SIM! Deus seja louvado!
Aqui voltarei, pois aqui é bom estar...

Sirlene (Brasil) disse...

Paz e bem!
Ontem lendo e relendo esta homilia , escrevia a um amigo, falando sobre sua importância e oportunidade!A fala do Sr Ministro Frei Carballo, é assim, como diz a Maresia, um poço, uma fonte límpida e inexgotável de ensinamentos e incentivos , avivamento para nossa fé ...sinto como os discipulos de Emaús, com aquele calor no peito, característico de quem sente a proximidade de Deus!A simplicidade com que ele interpela, convida, atualiza nossa responsabilidade e firma nossos propósitos, nos congrega, como se nos tornássemos um só ser humano,prostrado diante do Redentor, grato e compromissado com as promessas do Batismo:renova tudo!Individualmente!Tocando a cada um!
Ouvi a gravação em mp3, em italiano, se bem que é muito agradável ouví-lo em espanhol ...li e reli a tradução, no Retalhos.Além de necessária, esta página é uma doçura para nossa alma!
Obrigada, Frei Albertino, pelo empenho em nos presentear, sempre, atualizando-nos na sua própria fonte!
Sirlene

maresia disse...

De pedacinho em pedacinho, cá vou eu lendo e relendo tão bela mensagem do Ministro Geral para os Irmãos...
"Agora, terminado o Capítulo, apresenta-se diante de nós o presente/futuro, como tempo do Espírito. E então perguntamos a nós mesmos: que devemos fazer irmãos? (Act 2, 37)"
Continuar, com um Espírito renovado nas Fontes e na celebração deste Centenário, os belos Testemunhos de Vida que temos tão próximos de nós, com direito a prémio, bem merecido, tal como aconteceu com Frei Cardoso, na área do Cuidado e Carinho Dispensado aos idosos, trabalho este que é realizado na Enfermaria Provincial da Luz em Lisboa. E Retalhos 2, bem merece já de novo, um Prémio pela dedicação contínua do seu autor...
Obrigada Sirlene, como é bom estarmos aqui..

Mª Teresa CC disse...

Família Retalhos 2,
Quase TREZENTAS E SESSENTA E CINCO LUAS volvidas, li o fervor do texto composto pelo Ministro Geral da Ordem Franciscana (em Junho 2009)... CREIO QUE "AS DIFICULDADES AGUÇAM O ENGENHO"... VAMOS ACREDITAR SER POSSÍVEL e aceitar uma leitura FRANCISCANA no MUNDO, nesta 1ª década do séc XXI e... até ao seu terminar (do século, bem entendido). Sabe TÃO bem acreditar!

Mª Teresa disse...

Paz e Bem!
Cuido que a bela e sensível mensagem de Fr José Rodriguez Carballo aqui confiada a nós (Junho de 2009)...merecerá (também e especialmente) ser BEM interiorizada em 2011!
Sempre suspeito despertar tremenda força todas as dificuldades que temos de confrontar: MUITA CORAGEM! Repito, MUITA CORAGEM nos é exigida! E isso tem muito de BELO! Eu forjo isso! As dificuldades devem ser SEMPRE "contrariadas"!!
Muita PAZ para todos vós!!!!!!

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