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PORTUGAL: BEM VINDO SANTO PADRE!

VÍDEOS: Para visualizar e ouvir os vídeos deverá dasativar a música de fundo no painel aqui do lado esquerdo

29 dezembro 2010

Natal Solitário

Encontrei este vídeo publicado há um ano e com ele fiz oração por todos os que aqui estão lembrados e que passaram o Natal na solidão.
Um pensamento e uma prece, nesta hora, por todos os que mais precisam de sentir o carinho e a ternura do Amor de Deus...
Adorei este clip de vídeo e o partilho convosco.
(desactivar música do blog)

10 novembro 2010

Semana dos Seminários: Oração



Jesus Cristo, Bom Pastor

que dás a vida pelas Tuas ovelhas.

Tu és o Filho muito amado do Pai,

Tu és o nosso Mestre e Salvador.

Faz dos nossos seminários

Comunidades de discípulos,

Sementeiras de Amor,

de serviço e de entrega radical

pelo Teu Reino; sinais de esperança

de um futuro de vida verdadeira,

em abundância para todos.

Fortalece e ilumina

No discernimento vocacional

os nossos seminaristas;

confirma nos dons do Espírito Santo

os seus formadores;

enche de generosidade e espírito de serviço

os auxiliares que com eles trabalham.

Recompensa e abençoa os benfeitores,

que com a oração e partilha de bens,

zelam pela missão;

ampara o nosso Bispo

e os nossos párocos,

para que sejam sempre fiéis

ao dom do seu sacerdócio;

desperta a generosidade

e a coragem dos nossos jovens

para Te seguirem

e concede às nossas famílias

o dom de Te proporem

como caminho, verdade e vida...

Nós Te pedimos por intercessão de

Nossa Senhora, Tua e nossa Mãe

07 novembro 2010

Semana dos Seminários: mensagem

Celebramos a Semana de Oração pelos Seminário sob o tema: “Seminário, comunidade dos discípulos de Cristo e irmãos no presbitério”

1_ A alegria da vocação e a graça do mistério

Samuel repousava no templo do Senhor. A lâmpada do Deus não se tinha apagado. O Senhor chamou Samuel. Ele respondeu: “Eis-me aqui”. Samuel pensou que a voz insistente que o chamava no silêncio e no segredo da noite era a voz do sacerdote Eli.

Quando compreendeu que era o Senhor, respondeu: “Fala, Senhor; o teu servo escuta” (1 Sam 3, 1-21).

Jeremias vivia em Israel ao tempo da deportação e do exílio dos habitantes de Jerusalém.

Ele diz-nos como Deus o chamou, consagrou e enviou, como profeta em tempo difícil. Jeremias não escondeu o seu temor nem calou as suas dificuldades: “Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, pois ainda sou um jovem”.

Respondeu-lhe o Senhor: “Irás onde eu te enviar. Não tenhas medo, Jeremias.

Eu estou contigo” (Jer 1, 1-19).

Maria habitava em Nazaré.

Diante do mensageiro de Deus que lhe anuncia que ela ia ser a Mãe de Jesus,

Maria interroga-se: “Como pode ser isso?”.

O Anjo respondeu: “O Espírito Santo virá sobre ti. Por isso Aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus”.

Maria disse então: “Faça-se em mim segundo a tua palavra”(Lc 1, 34-38).

Jesus estava em Cafarnaum.

Tinha passado a vigília da noite em oração. Caminhava, nessa manhã, ao longo do Mar da Galileia. Viu homens ocupados e preocupados com a faina da pesca e disse-lhes: “Vinde e segui-me. Farei de vós, pescadores de homens.”

E eles deixaram as redes, imediatamente, e seguiram-no (Mt 4, 18-20).

João, depois do baptismo de Jesus, permanecera na margem além do Jordão.

Ao ver passar Jesus, disse aos discípulos que estavam com ele: “ Eis o Cordeiro de Deus”.

Os discípulos de João ouviram, compreenderam e seguiram Jesus.

Jesus voltou-se para eles e disse-lhes: “Que buscais?”

“Mestre, onde moras?”, perguntaram eles.

“Vinde ver”, respondeu-lhes Jesus.

“Eles foram, viram e permaneceram” (Jo 1, 38-40).

Saulo tinha recebido ordens para perseguir os cristãos que viviam em Damasco, na Jordânia.

Fez-se ao caminho com decisão e determinação.

Era um israelita, descendente de Abraão, convicto e honesto. Subitamente uma inesperada visão interrompeu-lhe o caminho. Cegaram-se-lhe os olhos, mas o coração permaneceu vivo e atento ao diálogo que naquela hora nasceu: “Saulo, Saulo porque me persegues?”

“Quem és tu, Senhor?”

“Eu sou aquele a quem tu persegues. Ergue-te, entra na cidade e dir-te-ão o que tens a fazer”( Act 9, 4-9).

2_ A Carta do Santo Padre aos seminaristas e a coragem da resposta ao chamamento de Deus

Estes são alguns dos momentos bíblicos que nos falam de vocação.

Hoje, é o Santo Padre Bento XVI que escreve uma carta aos seminaristas. Logo no início dessa carta conta-nos o diálogo estranho com o seu comandante de companhia para quem na “nova Alemanha” já não havia lugar nem necessidade para padres. O medo não o venceu e a afronta do seu superior militar não o desanimou.

Para ele como para cada um de nós, a vocação ao Sacerdócio nasce neste berço de verdade e de coragem; exige liberdade para decidir; implica conversão interior; impõe deixar ocupações de rotina e certezas frágeis; encontra nova bússola a guiar os nossos passos e descobre alto farol a iluminar o caminho de quem quer seguir o Senhor.

“Tem sentido tornar-se sacerdote: o mundo tem necessidade de sacerdotes, de pastores hoje, amanhã e sempre enquanto existir”, diz-nos o Santo Padre.

É para isso o “Seminário como comunidade que caminha para o serviço sacerdotal”, onde se preparam os futuros sacerdotes, como verdadeiros “homens de Deus” e “mensageiros de Deus, (…) sempre prontos a responder (…) a todo aquele que nos perguntar “a razão” da nossa esperança (1 Ped 3, 15). Adquirir a capacidade para dar tais respostas é uma das principais funções dos anos do Seminário”, lembra o Santo Padre aos seminaristas.

3_ Comunidade de discípulos e irmãos no presbitério

Preparamo-nos para viver, no ritmo do tempo e em data igual aos anos anteriores, a Semana dos Seminários de Portugal.

Da recente visita do Santo Padre ao nosso país e do encontro que com ele tivemos na Igreja da Santíssima Trindade, tem todo o sentido recordar a sua mensagem aos seminaristas: “A vós queridos seminaristas, que já destes o primeiro passo para o sacerdócio e estais a preparar-vos no Seminário maior e nas Casas de Formação Religiosa, O Papa encoraja-vos a serdes conscientes da grande responsabilidade que ides assumir: examinai bem as intenções e as motivações; dedicai-vos com ânimo forte e espírito generoso à vossa Formação”.

É com este espírito e com igual confiança que olhamos esta Semana dos Seminários como tempo e oportunidade para valorizarmos o trabalho e a missão dos Seminários na formação dos futuros sacerdotes. Serve-nos de lema para esta Semana o mesmo tema da Semana dos Formadores dos Seminários de Portugal, realizada no passado mês de Setembro, na Diocese de Angra, nos Açores: Seminário, comunidade dos discípulos de Cristo e irmãos no presbitério.

Queremos fazer nossa a mensagem do Santo Padre, dizer uma palavra de muita alegria e renovada confiança a todos os seminaristas de Portugal e testemunhar sentida gratidão a quantos se entregam diariamente com exemplar dedicação e inexcedível generosidade à exigente causa da formação nos nossos Seminários.

Estou consciente e confiante de que aos Seminários nunca faltará a comunhão fraterna e exemplar dos presbitérios diocesanos e religiosos nem a oração, o afecto e a generosidade das comunidades cristãs.

Temos percorrido, ao longo dos anos, os Seminários de Portugal para que na colaboração de cada um saibamos contribuir para o bem de todos. Este ano a Comissão Episcopal Vocações e Ministérios solicitou ao Seminário Maior de Lamego esse contributo que agradecemos e aqui é deixado como subsídio para a vivência desta Semana nas famílias, nos movimentos apostólicos e nas comunidades cristãs.

A exemplo do Santo Padre, na Carta que escreve aos seminaristas, também a Igreja em Portugal confia “o caminho de preparação para o Sacerdócio à protecção materna de Maria Santíssima, cuja casa foi escola de bem e de graça”.

Aveiro, 18 de Outubro de 2010

+ António Francisco dos Santos

Bispo de Aveiro,

Presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios

01 novembro 2010

Todos os Santos

A festa do dia de Todos-os-Santos é celebrada em honra de todos os santos e mártires, conhecidos ou não.
A Igreja Católica celebra a Festum omnium sanctorum a 1 de novembro seguido do dia dos fiéis defuntos a 2 de novembro.

A Igreja Ortodoxa celebra esta festividade no primeiro domingo depois do Pentecostes, fechando a época litúrgica da Páscoa.


História


O dia de Todos-os-Santos foi instituído com o objetivo de suprir quaisquer faltas dos fiéis em recordar os santos nas celebrações das festas ao longo do ano. Esta tradição de recordar (fazer memória) os santos está na origem da composição do calendário litúrgico, em que constavam inicialmente as datas de aniversário da morte dos cristãos martirizados como testemunho pela sua fé, realizando-se nelas orações, missas e vigílias, habitualmente no mesmo local ou nas imediações de onde foram mortos, como acontecia em redor do Coliseu de Roma. Posteriormente tornou-se habitual erigirem-se igrejas e basílicas dedicadas em sua memória nesses mesmos locais.

O desenvolvimento da celebração conjunta de vários mártires, no mesmo dia e lugar, deveu-se ao facto frequente do martírio de grupos inteiros de cristãos e também devido ao intercâmbio e partilha das festividades entre as dioceses/e paróquias por onde tinham passado e se tornaram conhecidos. A partir da perseguição de Diocleciano o número de mártires era tão grande que se tornou impossível designar um dia do ano separado para cada um. O primeiro registo (Século IV) de um dia comum para a celebração de todos eles aconteceu em Antioquia, no domingo seguinte ao de Pentecostes, tradição que se mantém nas igrejas orientais.

Com o avançar do tempo, mais homens e mulheres se sucederam como exemplos de santidade e foram com estas honras reconhecidos e divulgados por todo o mundo. Inicialmente apenas mártires (com a inclusão de São João Baptista), depressa se deu grande relevo a cristãos considerados heróicos nas suas virtudes, apesar de não terem sido mortos. O sentido do martírio que os cristãos respeitam alarga-se ao da entrega de toda a vida a Deus e assim a designação "todos os santos" visa celebrar conjuntamente todos os cristãos que se encontram na glória de Deus, tenham ou não sido canonizados (processo regularizado, iniciado no Século V, para o apuramento da heroicidade de vida cristã de alguém aclamado pelo povo e através do qual pode ser chamado universalmente de beato ou santo, e pelo qual se institui um dia e o tipo e lugar para as celebrações, normalmente com referência especial na missa).


Intenção catequética da festividade


Segundo o ensinamento da Igreja, a intenção catequética desta celebração que tem lugar em todo o mundo, ressalta o chamamento de Cristo a cada pessoa para o seguir e ser santo, à imagem de Deus, a imagem em que foi originalmente criada e para a qual deve continuar a caminhar em amor. Isto não só faz ver que existem santos vivos (não apenas os do passado) e que cada pessoa o pode ser, mas sobretudo faz entender que são inúmeros os potenciais santos que não são conhecidos, mas que da mesma forma que os canonizados igualmente vêem Deus face a face, têm plena felicidade e intercedem por nós. O Papa João Paulo II foi um grande impulsionador da "vocação universal à santidade", tema renovado com grande ênfase no Segundo Concílio do Vaticano.Nesta celebração, o povo católico é conduzido à contemplação do que, por exemplo, dizia o Cardeal John Henry Newman (Venerável ainda não canonizado): não somos simplesmente pessoas imperfeitas em necessidade de melhoramentos, mas sim rebeldes pecadores que devem render-se, aceitando a vida com Deus, e realizar isso é a santidade aos olhos de Deus.


Citações do Catecismo da Igreja Católica


957. A comunhão com os santos. «Não é só por causa do seu exemplo que veneramos a memória dos bem-aventurados, mas ainda mais para que a união de toda a Igreja no Espírito aumente com o exercício da caridade fraterna. Pois, assim como a comunhão cristã entre os cristãos ainda peregrinos nos aproxima mais de Cristo, assim também a comunhão com os santos nos une a Cristo, de quem procedem, como de fonte e Cabeça, toda a graça e a própria vida do Povo de Deus».
«A Cristo, nós O adoramos, porque Ele é o Filho de Deus;quanto aos mártires, nós os amamos como a discípulos e imitadores do Senhor;e isso é justo, por causa da sua devoção incomparável para com o seu Rei e Mestre.
Assim nós possamos também ser seus companheiros e condiscípulos!».

Martyrum sancti Polycarpi 17, 3: SC 10bis, 232 (FUNK 1, 336).


1173. Quando a Igreja, no ciclo anual, faz memória dos mártires e dos outros santos, «proclama o mistério pascal» realizado naqueles homens e mulheres que «sofreram com Cristo e com Ele foram glorificados, propõe aos fiéis os seus exemplos, que a todos atraem ao Pai por Cristo, e implora, pelos seus méritos, os benefícios de Deus».2013. «Os cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade» [3]. Todos são chamados à santidade: «Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 48):
«Para alcançar esta perfeição, empreguem os fiéis as forças recebidas segundo a medida em que Cristo as dá, a fim de que [...] obedecendo em tudo à vontade do Pai, se consagrem com toda a alma à glória do Senhor e ao serviço do próximo. Assim crescerá em frutos abundantes a santidade do povo de Deus, como patentemente se manifesta na história da Igreja, com a vida de tantos santos».

In, http://www.srcoronado.com

24 outubro 2010

Todos Te procuram: Ir. Amélia canta

Durante o mês de Setembro e Outubro fui partilhando o que me ficou dos apontamentos do retiro anual, em Varatojo, orientado pela grande Amiga e Irmã M.ª Amélia Costa, Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição.
Prometi-vos uma surpresa. Aqui está ela... mais palavras para quê?
Apenas um enorme OBRIGADO à Ir. Amélia por Ser Franciscana e Hospitaleira e ter-me concedido poder fazer este clip de vídeo, creio que o primeiro de muitos que virão.
(no canto inferior direito do ecrã do youtube encontrais uns numeros - 360p ou outro valor - e aqui podeis escolher ver este vídeo em HD - alta definição - caso a memória do vosso computador aguente. Se clicardes duas vezes sob o filme ireis para a página do youtube onde o podereis ver melhor)

09 outubro 2010

Francisco Homem conversão



8.º ENCONTRO (de 8):

(O texto que se segue é a minha releitura a partir das palavras da Ir. M.ª Amélia no 8.º Encontro)

FRANCISCO HOMEM CONVERSÃO:

Celebrámos nestes dias últimos dois grandes acontecimentos: a Peregrinação Franciscana a Fátima e o dia de S. Francisco de Assis mas também a presença da Cruz de S. Damião – réplica da original que falou a S. Francisco e que se venera na Basílica de Sta Clara em Assis – Cruz que, tal como aconteceu na preparação e celebração dos oito séculos da aprovação da Regra de S. Francisco e Fundação da Ordem Franciscana, agora a Cruz percorre os Mosteiros das nossas Irmãs Clarissas no intuito de sensibilizar para a celebração dos oito séculos da aprovação da Regra de Sta Clara e Fundação das Damas pobres de S. Damião ou Irmãs Clarissas como hoje nos honramos chamar-lhes.

Sobre este tempo de graça a seu tempo falaremos aqui também.

Assim, tendo interrompido, pelo dia de S. Francisco, os textos de reflexão a partir do Retiro anual e das partilhas da Ir. M.ª Amélia Costa – Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição – retomamos hoje, e para terminar tais partilhas, o que foram os últimos dois momentos e que nos falam do PERCURSO DE CONVERSÃO DE FRANCISCO DE ASSIS.

Os grandes Santos não foram proclamados como tal por já terem nascido Santos, foram-no porque ao longo da sua vida deram testemunho de vida consentânea com os valores do Evangelho, com a radicalidade de vida e porque nela fizeram um enorme percurso de conversão a Deus e aos irmãos. Assim foi com Francisco de Assis que nos é apresentado como um modelo humano/divino para que sigamos os seus passos e testemunho.

Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1, 15). Assim apelava João Baptista ao arrependimento. O tempo que vivemos é o tempo de Deus, é o tempo único para cada um de nós, como o foi há oito séculos para Francisco de Assis. Este é o tempo em que somos convidados a sintonizar verdadeiramente com Deus e com os irmãos e isso pressupõe da nossa parte uma conversão contínua.

Francisco assim o percebeu e sem delongas inicia o seu próprio itinerário de conversão, itinerário esse que deve ser para nós paradigma do nosso próprio itinerário de conversão permanente, não algo ocasional de um momento passageiro, nem mesmo de um retiro, este itinerário é um devir constante de toda a nossa vida. Urge perguntar se temos nós consciência que crescemos na conversão quando me esforço porque ela se concretize em mim? CONVERSÃO não é um acto para fora, é um ACTO INTERIOR. É no interior de cada um que Deus quer realizar DOM e GRAÇA que transforma e cura, que purifica e muda radicalmente o nosso interior. Esta mudança leva-nos a arrepender do passado, o mau passado, e a acreditar no Evangelho (Cf. Mc 1, 35-39).

conversões repentinas como aconteceu com Saulo de Tarso no encontro com Cristo a caminho de Damasco e com a queda do cavalo que o faz ficar cego para o mundo mas desperto ao arrependimento e a crer no Evangelho, crer que leva ao anúncio. Na nossa conversão teremos, nós também, que cair muitas vezes do cavalo ou não nos aproximaremos da verdadeira Luz – Cristo – e da Fé que nos impele a tocar na minha relação com o outro que me leva a Deus.

conversões progressivas, diárias, constantes, todos os dias da semana, incluindo os fim-de-semana, as sextas-ferias cinzentas, as segundas-feiras da preguiça e por aí fora…

É com este modo de conversão que Francisco de Assis se identifica e que os Franciscanos e Franciscanas são chamados a identificar-se, talvez mesmo todos nós.

Francisco sente-se descontente com o seu modo de viver, com todo o estilo de vida em que foi habituado e que o rodeia, com o vazio que tudo lhe provoca à sua volta e mais ainda porque não consegue discernir bem o que fazer para alterar este estado de coisas e este estado de espírito. Ele quer mudar mas… como?

Todo este sentir, este vazio vai desde as suas primeiras intuições até à total descoberta da vontade de Deus a seu respeito, tempo que, no dizer dos biógrafos, dura cerca de três anos. Poderíamos dizer que esta é uma espécie de primeira fase da descoberta da sua vocação. A segunda fase dura cerca de outros três anos onde Francisco identifica o querer de Deus, o caminho e direcção a seguir e sem delongas põe pés ao caminho, mãos à obra até chegar à conciência plena da sua verdadeira vocação.

MOMENTOS DE REALCE NESTE PROCESSO:

1. DERROTA de Colestrada. Um jovem armado cavaleiro em busca de aventura, glória, poder e honrarias e que passa pela derrota é sempre um valente murro no estômago, um choque face às certezas que tinha de vitórias. Estamos diante da primeira directriz do sabor amargo da deslusão e da surpreza. Trata-se de um choque incalculável para Francisco já que ele era um jovem com muita sorte e fortuna na vida, posses e posição social.

2. PRISÃO. Um ano de prisão, cenário que mais aumenta o que se disse antes, um filho de Pietro di Bernardone derrotado na batalha e preso como um bandido, um salteador, um derrotado, um qualquer, simplesmente. Que terá acontecido no seu interior? Quantas vezes terá pensado com “raiva” na sua reacção, no seu fracasso, no sonho desfeito de voltar a Assis com honras e glória? Só uma atitude lhe parece a mais correcta – e que tantas vezes nós mesmos também experimentamos na nosso dia-a-dia – afastar-se da sua família, dos amigos, de tudo o que o ligava ao passado, ficar só e não ter medo de enfrentar a vida, fazer escolhas importantes, sozinho, para a vida e para o futuro. O medo que vivera na prisão leva-o o olhar o futuro com alguma esperança e com a vontade firme de ser ele mesmo a construir o futuro. Neste sentido, o medo é o maior aliado, é o companheiro do nosso percurso vocacional, é ele que nos coloca na linha do impasse e nos faz chegar ao ponto da necessidade do discernimento para escutar, responder e avançar. Mais de 300 vezes o medo nos aparece no Evangelho sobretudo como exortação: “Não tenhais medo”, desafio grande que João paulo II tantas vezes toma para si e para a Igreja. Cristo sabe que o medo nos acompanhará sempre e, por isso mesmo, nos diz claramente “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20), no momento em que envia os doze em missão.

3. DOENÇA. Liberto da prisão Francisco cai doente. Não nos é referido que tipo de doença mas os estudiosos dos textos e biografias de Francisco e dos primeiros companheiros querem crer que esta doença não é mais que uma enorme depressão. Batendo no fundo da sua identidade, sozinho, Francisco abre-se a fazer novas experiências, partindo da experiência do vazio que sente, nada o satisfaz, nem o que ouve, nem o que diz, nem o que faz, nem o que é, nem o que os outros dizem dele. Isto são, sem dúvida alguma, sinais de uma profunda depressão e é dela que parte para o novo da sua história, só falta algo que lhe faça avançar e lhe mostre o que fazer para esse novo ser realidade e vida. Perguntaremos como reage ele a este estado interior deprimente? Francisco prepara-se para ir para a Apúlia, dar o salto para a vitória mas afinal experiencia o vazio, o nada, a fragilidade dentro dele e que o torna cada vez mais profundo porque o leva ao encontro mais íntimo consigo mesmo. Volta a querer ser cavaleiro, volta aos sonhos de glória e hontaria e, qual teimoso e orgulhoso, nas hostes Papais, vai de novo a caminho da batalha mas… Cristo corta-lhe de novo o sonho “de menino” através de um outro sonho…

4. SONHO de Espoleto. O novo nasce do velho mas transforma-o. Em Espoleto, enquanto dormia, uma voz questiona Francisco e este responde certinho a todas as questões: “vale mais servir o Senhor que o servo” (Papa), resposta lógica, sadia e sábia. Aquele que vem, através daquela voz, ao encontro de Francisco e o questiona sobre as suas atitudes, não se lhe apresenta como o crucificado, não lhe fala de sofrimento ou humilhação porque sabe que disso está Francisco cheio. Cristo usa uma linguagem que suscita em Francisco o desafio de voltar a ganhar força e coragem, tal como quando decidiu partir para combater na Apúlia. Deus encontra-nos precisamente ao longo dos caminhos que percorremos e tem sempre um discurso adaptado a cada momento. Nunca deixemos de questionar as motivações do nosso querer e do nosso agir, que nos motiva? Que motivava Francisco? Fugir dos seus, da sua terra e procurar sozinho a honra e a glória contudo, que lhe pede Cristo? “Francisco, se vale mais servir o Senhor que o servo, volta para Assis e lá te direi o que deves fazer, o que quero de ti!”

E Francisco volta, e o Senhor que lhe falára tarda em dizer o que quer. Então Francisco começa a silenciar o seu interior e busca também o silêncio exterior. É preciso criar um vazio, não de depressão, mas de escuta da palavra e vontade de Deus. É na oração, na consulta e escuta da Palavra, na partilha com os outros da sua experiência de vida como aconteceu com Frei Leão, seu futuro leal companheiro de todos os momentos (Cf Legenda dos três companheiros TC 12). Francisco procura viver e partilhar estes momentos na intimidade, partilha a poucos, mas nem tudo – como Cristo – porque há momentos que são apenas entre ele e Deus.

A fé e experiência de Deus em Francisco não é para dar nas vistas, para aplausos, e isto vai manifestar-se depois no seu contacto com os irmãos, na Fraternidade, na relação humana, no respeito pelos outros, no ânimo e positividade do discurso que tem ao falar/escrever, etc… (Cf. Legenda dos três companheiros TC 3; 8).

Francisco, rei da juventude de Assis, proclamado pelos seus pares como tal em banquete farto e folgazão, fica para trás silencioso, parece outro homem, que se passará com ele, que alteração se está a operar no mais íntimo de si? Nada mais lhe diz tais honrarias mundanas o que leva a grande confusão da parte dos seus amigos que o haviam proclamado seu rei e ídolo.

Francisco começa a perceber que este tipo de coisas, este estilo de vida, não pode jamais ser o critério para o seu futuro, a sua felicidade, a sua vida e sente que é hora de mudar, é hora de dar tempo a si mesmo, o tempo que mais tarde vai perceber ser o tempo de Deus. Começa a querer mudar de vida, relativizar as coisas e começa a fazer outras opções, toma outros rumos, como ele mesmo nos diz no seu testamento “tudo o que antes me parecia amargo, tornou-se para mim doçura de alma e corpo…”, isto depois de Cristo lhe ter falado e ter experimentado finalmente a vontade d’Aquele que o chamára em Espoleto e o obrigára a voltar para Assis. A vontade de Cristo é clara: “Vai, Francisco, e repara a minha Igreja que como vês ameaça ruir”. A vontade de Cristo só se faz ecoar no mais íntimo de si porque ele vai todos os dias rezar, quase secretamente, à capeliha de S. Damião diante do Cristo bizantino, oração que o faz quase sentir contrangimento pela doçura da intimidade com Deus (poderíamos aqui recordar o belíssimo texto dos chamados “Louvores de Deus”, oração em que Francisco sempre se refere a Deus como ‘TU’). Tudo isto o fazia arrancar da rua e dos outros lugares que deixavam de ser prioritários porque ele encontra o que lhe dá prazer, doçura e razão de viver: Jesus Cristo pobre e humilde, a quem tanto procurou e que a partir daqui quer continuar a procurar continuamente.

PERCURSOS DA PROCURA (Francisco)

1. CRISTO REVELA-SE: Um dia foi-lhe revelado, finalmente, o que o Senhor queria dele, como vimos atrás. Esta vontade e vocação de Cristo para com Francisco requer da parte deste um processo e caminho de maturidade, amadurecimento da decisão a que se lhe sucederá a clareza e lucidez, saber que é chamado a construir algo novo, em e na Igreja, leva Francisco a aceitar a missão e a fazer a opção da vontade de Deus como sua própria vida. A partir da voz do Cristo de S. Damião, Francisco, outra coisa mais não procura que fazer a vontade de Deus e isso o deixa muito claro aos seus filhos. Por isso a vocação franciscana é acima de tudo a escuta pessoal e íntima de cada irmão sobre a vontade de Deus a seu respeito e, de acordo com as palavras do mesmo Francisco, aos irmãos ministros cabe-lhes tudo fazer para ajudar cada irmão a realizar a vocação a que Deus o chama para ser Menor e feliz como Francisco, vocação que se funda logicamente no Evangelho, no discernimento e na escuta de Deus, junto dos irmãos.

Fazer a opção por Deus como sua vida é fazer a opção por Cristo como modelo contudo, esta busca não acaba aqui. Talvez pudessemos inserir aqui o final de um poema de José Régio: “Ah, que ninguém me dê piedosas intenções, ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou, é uma onda que se alevantou, é um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí!”

Podiamos quase levar este pensamento do Poeta portugues ao tempo do poeta de Itáia. Francisco descobre que não sabe até onde Deus o conduz, sabe que não é pelos caminhos antes percorridos e isso leva-o a descobrir que o caminho é o da entrega humilde, da fraternidade generosa, do serviço ao outro, principalmente os mais pobres, os leprosos, os excluídos.

Nós também, se como Francisco fizermos percurso de discernimento, sabemos qual o caminho por onde não devemos ir e qual aquele por onde Deus nos conduz. Nós sabemos até onde nos leva a vocação na medida em que os anos passam e amadurece em nós o querer de Deus, a vontade de Deus e o nosso agir, a nossa atitude e resposta a essa vontade.

Regra de ouro do caminho de Francisco foi a acção, não se perdeu em filosofias ou teorias, compreenções académicas de fé mas apaixonou-se pelo que está cheio de vida que mais não é que o seu Senhor Jesus, caminho, verdade e vida.

2. A GRUTA DA INTERIORIDADE: Um dos aspectos em que Francisco mais se identificou com Cristo foi a procura da vontade de Deus no silêncio da oração, da cotemplação. Por isso se refugiava com muita frequência em grutas para, a sós com o Pai, prescrutar a Sua vontade e da oração silenciosa passar à acção como resposta clara e eficaz ao querer de Deus. Por isso Francisco exorta permanentemente os irmãos a que “não matem o espírito de santa oração e devoção às quais todas as demais coisas virão por acréscimo”.

São muitos os relatos deste encontro íntimo de Francisco com Deus no silêncio de uma gruta, lembremos Greccio onde celebrou o primeiro Natal ao vivo, Fonte Colombo onde escreveu a Regra para os Irmãos Menores, a gruta do pranto – na Porciúncula – onde recebeu a notícia dos seus cinco primeiro frades mártires em Marrocos, o Alverne onde recebeu o dom dos Estigmas e mesmo a sua Cela onde acolheu a Irmã Morte, entre tantas, tantas outras de que nos fazem eco os seus biógrafos e os testemunhos dos primeiro companheiros. A gruta é para ele o lugar do deserto porque ali se abstraía de tudo e todos para centrar todo o seu coração e toda a sua alma em Jesus Cristo seu Senhor.

No tempo hodierno vivemos um medo constante de nos encontrarmos a sós connosco e com Deus. Temos dificuldade em deixar que a mente se ocupe apenas da presença de Deus e da Sua palavra que nos quer falar no mais íntimo, somos absorvidos pelas preocupações do mundo que teima em ocupar em nós o lugar primeiro, criando cá dentro ruido, barulho, buliço que ensurdece para a voz de Deus. Descer á intimidade pode ser descer ao medo do que vamos encontrar da nossa própria realidade. Muitos dos medos dos nossos silêncios existem porque não conseguimos encontrar o que somos e como somos no nosso eu profundo.

Francisco sente esta necessidade profunda de solidão e meditação que urge recuperar na Igreja e que a mensagem franciscana tem ainda para dar e apontar ao Homem do nosso tempo.

Na actual cultura narcisista perdemos a capacidade do intervalo, da pausa que nos permite crescer, conhecer-me a mim mesmo e ao outro e aceitar o que sou bem como aquilo que o outro é e como é. A atmosfera em que vivemos é contrária ao que queremos viver e tal como um barco à vela podemos virar e não ser capaz de voltar ao rumo certo.

Lembro aqui as referências que, há 23 anos durante o meu noviciado, Frei David Azevedo, então vice mestre, fazia ao lastro de um barco e à sua importância para que este tivesse um caminho estável por entre as intempéries e no mar revolto.

(porque esta reflexão é muito grande, estou a acrescentar-lhe muito da minha experiência pessoal – ao que partilhou a Ir. Amélia – deixo o resto para outra postagem daqui a uns dias, para dar tempo a que esta possa ser saboreada)

03 outubro 2010

S. Francisco de Assis

Acabo de chegar de Fátima onde milhares de irmãos e irmãs, de toda a Família Franciscana, religiosos ou leigos, se reuniram pelo XXXVIII ano em PEREGRINAÇÃO, este ano sob o tema: "Povo Sacerdotal em Peregrinação".
Foi tempo de Graça, de encontro, de alegria e festa porque celebrámos juntos os DOM DO NOSSO IRMÃO FRANCISCO.
Muitos Carismas, um único modelo e caminho. E este caminho ganha sempre um novo sentido quando todos nos encontramos no Coração da Mãe e, de forma tão especial, em Fátima.
Ali todos os que fazem parte de nós, da nossa Vida, do nosso caminhar estiveram presentes.
Ajoelhado diante da Imagem de Maria, antes do Terço por nós meditado, rezado e cantado, confiei à Mãe todos os que levava no coração, família, amigos, os que rezam por mim, aqueles que se recomendam à minha oração, os mais fragilizados da nossa sociedade, a vocação e missão de cada um de nós.
E com o Coro do Seminário da Luz, cantámos PAZ E BEM, numa atitude de acolhimento tão ao jeito de Francisco e Clara de Assis, cantámos Totus Tuus Maria, numa entrega íntima ao Coração de Maria, como fez João Paulo II tão amigo dos Franciscanos e nós dele, e terminámos celebrando a Irmã Morte cantando que Francisco mora em cada um de nós, depois de oito séculos, "não porque existiu, mas porque viveu".
Celebramos neste dia 3 de Outubro o dia em que Francisco acolhe a Irmã Morte corporal, como ele mesmo lhe chama e pede aos irmãos que a crescentem ao Cântico das Criaturas referência a esta Irmã que chega. Celebraremos amanhã, dia 4 o dia que a Igreja dedica ao Poverello, ao Irmão Universal, ao Patriarca dos pobres, ao Patrono da Ecologia e dos animais... a Francisco de Assis.
Amigos da Família Retalhos, nestes dias canto Francisco ao jeito dos pobres, com o coração e a alma na voz. Canto convosco e por vós pedindo a Francisco a Sua Bênção de Pai e de Irmão.
QUE O SENHOR VOS DÊ A PAZ!
(em breve publicarei o último texto das reflexões do retiro e depois uma surpresa chegará... aguardemos)

25 setembro 2010

PESSOA INSATISFEITA: Que resposta?

7.º ENCONTRO (de 8):

(FOTO: Cruz em pedra frente à entrada principal do Convento de Varatojo.

O texto que se segue é a minha releitura a partir das palavras da Ir. M.ª Amélia no 7.º Encontro)

PESSOA INSATISFEITA: Que resposta?

Como vimos nos encontros anteriores, o chamamento de Deus não é um acaso, é a vontade do Pai acerca de nós e nos chama a testemunhar a Vida do Filho na acção do Espírito. Tomando consciência desta realidade na nossa vida, e de como deve o nosso SIM ser um sim verdadeiro, ganha grande realce o papel da ORAÇÃO porque é ela que nos ajuda a “ver claramente visto” o que Ele quer para nós na Sua visita ao nosso dia-a-dia, como aconteceu nos vocacionados já referidos nos encontros anteriores.

Mas como estamos nós dispostos a responder ao Senhor que chama e envia? Como temos nós alicerçado e bem cuidado o nosso SIM? O nosso querer abre-se ao querer de Deus com beleza, sem brechas, sem ranhuras que deixem entrar o vazio, o silêncio infecundo, o medo de arriscar? Que alicerces temos nós?

As grandes casas e obras normalmente precisam de obras de restauro e manutenção para se consolidarem e continuarem a expressar a beleza e missão para as quais foram edificadas.

CADA UM DE NÓS É UMA OBRA PRIMA DE DEUS e por isso faz todo o sentido abrirmo-nos às obras de restauro, à praxis, ao conceito do lugar onde é preciso que eu me deixe restaurar, ou então não faz sentido fingir que rezamos e que confiamos em Deus se não deixamos que Ele transforme e purifique o barro que somos. Ele é o oleiro e nós o barro em Suas mãos, como nos diz a Sagrada Escritura: Como o barro está nas mãos do oleiro, que o molda a seu bel-prazer, assim o homem está nas mãos do seu Criador, que lhe retribuirá segundo o seu juízo.” (Sir 33, 13) e ainda Mas Tu, Senhor, é que és o nosso pai. Nós somos a argila e Tu és o oleiro. Todos nós fomos modelados pelas tuas mãos” (Is 64, 7). Devemos ser mais obra prima, mais obra que Ele sonha, mais obra que o mundo espera de nós. Devemos deixar-nos aperfeiçoar pelo Criador, somos Seus, obra das Suas mãos, para sermos os profissionais na missão de pescadores de Homens que tudo deixam para todos conquistar e trazer para Cristo como diz S. Paulo: “Fiz-me fraco com os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para salvar alguns a qualquer custo. E tudo faço por causa do Evangelho, para dele me tornar participante” (1 Cor 2, 19-27). Devemos ser profissionais a sério, esquecer as pescas falhadas e lançar as redes com esperança sempre renovada, sem medo porque estando nós restaurados por Deus as nossas redes também estarão.

O mundo de hoje não se agarra a qualquer isco. Se o nosso isco não for o reflexo do rosto amoroso de Deus em nós, quem morder o nosso isco fá-lo não por Deus e pelo Seu Amor mas apenas por nós mesmos e pelos nossos olhos. Por isso muitas vezes as nossas pescas passado pouco tempo dão em fracasso porque não foram pescas para Deus e com Deus mas para nós e apenas connosco.

Aqui a nossa Irmã M.ª Amélia, no seu jeito simples de ser, pegou na viola e cantou-nos um dos cânticos da sua autoria: “ouve-me, meu filho e servo Israel, a quem escolhi. Eu pensei em ti, eu te criei e desde o seio materno, te formei”, fazendo uma reflexão, ao jeito de música e beleza de Deus do texto de Isaias 44, 1-5: Mas agora ouve-me, Jacob, meu servo,Israel a quem escolhi: Eis o que diz o Senhor que te criou, que te formou desde o seio materno e te socorre: ‘Nada temas, Jacob, meu servo,

e Jechurun, que Eu escolhi. (…) E receberá o sobrenome de Israel.

Deus ama-nos desde o seio materno, escolheu-nos, protege-nos, dá-nos o Seu Nome, uma identidade que revela a afinidade entre Ele e nós. Já não somos muitas tribos mas um único povo com um único Deus: Ó pastor de Israel, escuta,Tu que conduzes José como um rebanho, Tu que tens o teu trono sobre os querubins! Mostra a tua grandeza às tribos de Efraim, Benjamim e Manassés! Desperta o teu poder e vem salvar-nos! Ó Deus, volta-te para nós! Mostra-nos o teu rosto e seremos salvos! (Sl 80, 1-10). É importante abrir-mos os olhos do coração para vermos o rosto iluminado de Deus porque Ele brilha em cada um de nós.

E Deus renova o Seu Amor, a Sua Aliança, o Seu projecto de salvação para com todos estes povos e tribos, são o Seu Povo que clama por justiça, amor e unidade para com Deus que responde: “Dar-lhes-ei um coração para que me conheçam e saibam que Eu sou o Senhor. Eles serão o meu povo, e Eu serei o seu Deus, pois se converterão a mim de todo o coração” (Jer 24, 7).

Não podemos afastar o nosso coração deste Deus que permanentemente nos fala ao coração, nos revela o Seu Amor infinito e nos diz que quer salvar. O Homem assim chamado e amado por Deus não pode ter senão uma atitude , a de servo amado, de filho identificado, de ser homem e mulher em relação amorosa com Deus pela coerência do seu ser e agir permanentes. Poderíamos recordar aqui uma vez mais o episódio da pesca milagrosa (Lc 5, 1-11), momento tão importante na caminhada dos Apóstolos em que fora de toda a lógica – andaram na faina toda a noite e sem nada pescar e, contudo, Jesus, manda que lancem as redes de novo – quando tudo parecia perdido e a desilusão se apoderara dos seus corações, ao convite de Jesus lançam as redes, confiam no Mestra e a pesca foi abundante.

INSATISFAÇÃO: Que resposta?

Por vezes questionamo-nos sobre a vontade de Deus a nosso respeito, que quererá Ele de nós, que sinais nos dá Ele e até onde nos levam…

Certamente, na maior parte dos casos – salvo raras excepções – já todos nós (religiosos) sabemos qual é a vontade de Deus a nosso respeito e qual a decisão certa a tomar, coisa que nem sempre fazemos, não por desconhecimento, mas por falta de coerência e coragem para ousar escutar Deus e seguir o Seu caminho mais que os caminhos que nos são traçados pelos Homens. Sabemos sem dúvida e vamos formá-la cada vez mais em cada dia que passa porque conhecemos o DOM de Deus em nós e sabemos o que é certo, tal como Maria que sabia mas silenciava pela fidelidade ao Deus da Sua Vocação.

Identificar a vontade de Deus devia levar-nos a tomar as decisões certas para nós e para os nossos irmãos, também eles dom de Deus, mas nem sempre o fazemos por falta de coragem, ousadia, fidelidade a Deus. Não podemos ficar por aqui, na inércia de não seguir em frente face à vida plena e feliz em Deus junto dos outros.

Muitas vezes encontramos pessoas, ao longo dos nossos dias, tristes, amarguradas, zangadas com a vida, INSATISFEITAS consigo mesmas e, se escutarmos bem as razões de tais sentimentos e atitudes, veremos que estão assim CONSIGO MESMAS numa insatisfação aquietada à situação e à atitude de outrem, insatisfação que parece DAR TUDO mas que na verdade nada dá. Isto mesmo acontece na VIDA RELIGIOSA onde sentimos o chamamento de Deus, respondemos, consagramo-nos e, ao longo da vida, por nós mesmos ou pela “obediência”, tantas vezes longe do espírito dos nossos fundadores, nos vamos deixando desalentar, desapaixonar, desiludir face ao que sabemos ser a vontade de Deus para nós. O tempo em que o sino era a voz de Deus já não é o nosso tempo, aliás hoje em dia, já não é o sino que chama para as Horas Sagradas nem para a Refeição, mas sim o nosso desejo de estar próximo de Deus e em convívio fraterno.

O importante a realçar nesta última reflexão, não é a forma como somos chamados exteriormente para os momentos mais importantes da nossa vida, nem mesmo – talvez – por quem somos chamados ao nível humano. O importante é, isso sim, a forma interior como sentimos esse chamamento. Nas aldeias ainda o sino toca para a Missa, na Cidade já nem tanto. Na vida familiar a voz do pai ou da mãe na criança ainda marcam o ritmo do crescimento, coisa que ao adulto já não acontece. Assim também na nossa vida, o importante é a voz de Deus que ecoa cá dentro, bem fundo de cada homem e mulher, religioso ou não, mas que está pronto a acolher com alegria e disponibilidade o Dom de Deus que nos quer muito próximos como um pai ou uma mãe aos seus filhinhos.

Nesta forma de resposta, da nossa parte para com Deus, chama-nos a Ir. Amélia à reflexão VÁRIAS RESPOSTAS, relatadas na Sagrada Escritura:

· Vejamos Mc 10, 17-31: O HOMEM RICO

Marco diz-nos que é um homem rico (Lucas diz que é um chefe e Mateus que é um jovem), cheio de boa vontade, boas intenções. Queria… mas… (adversativa), desperdiça a sua existência mas vive sempre no condicional: “se”, “se eu tiver em troca”, “se fizerem”, “eu quero ir mas”… queremos mas não queremos, vivemos na linha do condicional e não da disponibilidade nem para nós mesmos nem para Deus. Diz o nosso povo que “de boas intenções está o inferno cheio” e não deixará, a sabedoria popular de ter alguma razão. Este homem quer alcançar a Vida Eterna contudo termina o texto por dizer que se retirou pesaroso porque não foi capaz de aliviar a carga dos bens materiais por um bem maior: seguir Jesus.

Nós somos um TESOURO da obra-prima de Deus, com os dons e talentos que Ele nos deu e que devemos partilhar com os outros e não guardar apenas para nós mesmos, deixando por isso tais bens de ser tesouro. Nem todos os bens podem ser considerados um tesouro se não houver quem lhes dê o verdadeiro valor, se nós não partilharmos a sua beleza e riqueza com os demais.

Face a esta atitude deste homem rico também nós nos podemos questionar sobre o que devo eu fazer, ou mesmo, o que faço eu com o TESOURO QUE EU SOU e com os tesouros que Deus me deu?

A boa vontade leva muitas vezes à graxa, a palavras bonitas “bom Mestre, que devo…”. Num dos seus célebres sermões, o grande Santo Português e Franciscano, António de Lisboa exclama: “cessem as palavras e deixemos falar as obras”. O homem rico tinha vontades e palavras bonitas contudo o seu querer (vida eterna) não foi mais forte que o ter (muitos bens). Retirou-se, fugiu ao desafio lançado por Cristo, não respondeu sequer, pesaroso deixou para um amanhã a decisão.

Nas nossas respostas ao nosso querer e ao querer de Deus, não devemos ter presente o que vamos fazer num amanhã, como vamos responder num amanhã mas sim o que vou fazer e responder, e como, no hoje concreto da minha história.

Recordemos uma vez mais as palavras de Jesus na Sinagoga: Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir” (Lc 4, 21) e em casa de Zaqueu: Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão” (Lc 19, 9) e ainda aquele momento em que Francisco de Assis com os seus dois primeiro companheiros escutam a Palavra do santo Evangelho e exclamam: “é isto que eu quero, é isto que eu desejo seguir de todo o coração”.

É HOJE QUE A NOSSA RESPOSTA SE DEVE DAR.

Não podemos deixar de referir aqui que o texto Sagrado nos diz que “Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele”. Só depois deste sentimento Jesus lhe lança o grande desafio: “vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.” Para melhor entendermos este olhar de amor convido-vos a procurar a Carta de João Paulo II aos jovens e a meditar no número 7 da mesma.

· Vejamos Lc 9, 57-62: EXIGÊNCIA DO DISCÍPULO

Encontramos neste texto três situações distintas. Um discípulo que diz querer seguir Jesus para todo o lado mas Jesus recorda-lhe que Ele não tem onde reclinar a cabeça. A outro, o próprio Cristo chama: “SEGUE-ME” mas este depressa se escusa querendo ir sepultar os seus mortos e outro ainda diz querer seguir Jesus mas primeiro tem que se despedir da família ao que Cristo recorda o agricultor que não pode lançar mão ao arado e voltar atrás.

Três tipos de chamamento e ao mesmo tempo três tipos de resposta.

Recordemos que, enquanto seguidores de Cristo os discípulos, e de forma especial os Apóstolos, eram conhecidos como caminhantes, como peregrinos e, por isso mesmo, muitas vezes estas narrativas acontecem à beira do caminho, enquanto Cristo peregrina com os Seus.

Referiu aqui a nossa irmã que era importante que hoje o mundo nos conhecesse como os Franciscanos e Franciscanas do caminho, como peregrinos, onde Cristo nos espera em cada irmão, em cada irmã”.

Realçamos aqui que o verdadeiro discípulo não encontra a sua motivação nem o seu caminho em casa alguma ou lugar algum mas apenas no Coração de Deus onde Cristo põe também a Sua confiança. Cristo, ao perguntarem-lhe dois dos discípulos de João Baptista - onde morava respondeu: “Vinde e vede” (Mt 1, 39). Tal como Francisco de Assis quando um candidato à Ordem lhe pergunta onde é o seu convento simplesmente responde: “o meu claustro é o mundo”.

A primeira resposta “deixa-me ir enterrar o meu pai”, é a resposta de quem quer mas SEM PRESSA. Cristo é radical, chama à radicalidade, e responde duramente: “deixa que os mortos enterrem os seus mortos”. O seguimento de Cristo não é para ontem nem para amanhã. É no HOJE, no AGORA com radicalidade. Este é o tipo de pessoa que às vezes NEGOCEIA com Deus, regateia o preço, o custo, os fundos, o lucro que não se entrega na GRATUIDADE.

A nossa resposta é opcional, livre, consciente e para sempre, escuta o projecto de Deus, questiona-o e questiona-se mas na gratuidade RESPONDE “SIM”, como Maria que sofreu no silêncio a dor mas foi fiel ao Seu “SIM” até ao fim.

· Vejamos Gn 22, 1-14: ABRAÃO, PAI NA FÉ

Todos conhecemos a história e percurso vocacional de ABRAÃO.

Este trecho que aqui nos é apresentado para nossa reflexão é aquele em que Deus Pai, depois de ter dado a Abraão e Sara o FILHO DA PROMESSA, lho pede agora em SACRIFÍCIO: Pega no teu filho, no teu único filho, a quem tanto amas, Isaac, e vai à região de Moriá, onde o oferecerás em holocausto, num dos montes que Eu te indicar.” (Gn 22, 2). E Abraão parte no dia seguinte como o Senhor lhe ordenara para sacrificar o seu filho Isaac.

O tipo de resposta de Abraão é só para quem tem um certificado de robustez psíquica, humana, espiritual.

“Dá-me o teu filho…”, diz Deus. Este filho continua a ser pedido em cada dia a cada um de nós, este filho são os dons de Deus, oferta amorosa d’Ele para connosco e que Ele continuamente nos pede que lh’O ofertemos em sacrifício de entrega e disponibilidade igualmente amorosa.

Deus prova a nossa FÉ, a nossa confiança n’Ele e Abraão não questionou, simplesmente cumpre a vontade de Deus. Deus por sua vez, provada a fé de Abraão, providencia para que o DOM que é ISAAC não seja ali oferecido em libação: Erguendo Abraão os olhos, viu então um carneiro preso pelos chifres a um silvado. Foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto, em substituição do seu filho” (Gn 22, 13)”. Oferecido o cordeiro – pré-anuncio da oblação do Cordeiro Jesus – Abraão chama àquele lugar o lugar da Providência Divina.

Deus não pode deixar de premiar a Fé de Abraão: Juro por mim mesmo, declara o Senhor, que, por teres procedido dessa forma e por não me teres recusado o teu filho, o teu único filho, abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar. Os teus descendentes apoderar-se-ão das cidades dos seus inimigos. E todas as nações da Terra se sentirão abençoadas na tua descendência, porque obedeceste à minha voz” (Gn 22, 16-18).

Por vezes Deus vai longe nas provas a que nos submete, leva-nos aos maiores sacrifícios por um sim fiel e generoso na entrega dos maiores dons que nos deu e promete dar-nos a Sua benção e tornar o nosso testemunho fiel como um sinal para os vindouros.

· Vejamos Lc 5, 1-11: PEDRO

De Pedro muitas coisas poderíamos nós aqui dizer e reflectir. Quantas provas Cristo lhe pediu e quantas respostas diferentes Pedro lh’E deu.

O trecho que aqui se nos apresenta coloca-nos de novo no cenário do mar da Galileia. Uma multidão se aglomera para escutar Jesus e Este sente necessidade de se afastar. É a barca de Simão (Pedro) que o leva para o largo e dali Jesus ensina a multidão. Depois manda que lancem as redes com confiança anunciando a Pedro que “de hoje em diante serás pescador de homens”, depois deste ter ficado perplexo com a pescaria abundante e reconhecendo não ser digno de estar na presença de Cristo porque era PECADOR.

Há que destacar aqui alguns VERBOS: Jesus está entre a multidão e VIU dois barcos e VIU que os pescadores já lavavam as redes, sinal de MISSÃO CUMPRIDA. SUBIU para o barco de Pedro e PEDIU que DEIXASSEM a praia e se AFASTASSEM um pouco. Esta cadência verbal leva-nos, impulsiona-nos a um crescendo na intenção de Jesus, mostrar aos Apóstolos qual e como deveria ser a sua missão no meio do mundo, enviados ao mundo sem ser do mundo nem estarem presos às coisas do mundo.

Vivemos hoje um momento em que é importante não nos afastarmos do essencial (referia-se a irmã ao final do nosso retiro e preparação próxima de tomadas de hábito, Profissões temporárias e Renovação de Votos), recolhidos, colhidos sobre nós mesmos num silêncio interior, para perscrutarmos no íntimo o que vamos fazer com os nossos DONS.

Pedro lançou as redes com confiança e coragem. É hora de olhar para as nossas redes, estarão prontas para limpar, remendar e guardar ou para as lançar na pesca a que Cristo nos chama?

Depois de Jesus falar à multidão, de mostrar que a missão Apostólica é anunciar a Palavra do Reino, preparado o coração de Simão, então Jesus faz-lhe o CONVITE a que O siga, que seja a Sua presença no mundo. Diante de tal convite Pedro CAI DE JOELHOS, toma consciência do seu ser limitado e PECADOR. É curioso que Pedro havia-se afastado de Deus (é o seu irmão André que depois de conhecer Jesus vai chamar o seu irmão Simão como vemos em Jo 1, 41-42) e agora é Pedro quem pede a Jesus (Deus) que se afaste dele. Poderíamos fazer aqui uma espécie de check up à relação de Pedro com Deus. Mas talvez o possamos, na intimidade, fazer acerca da nossa relação fraterna vertical (com Deus) e horizontal (com os irmãos).

Ao ver isto, Simão caiu aos pés de Jesus, dizendo: «Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador” (v. 8). A presença de Cristo incomoda, não porque Cristo levado ao temor mas porque o medo se apoderara de Pedro que andava afastado de Deus. Incómoda a Sua presença, claro o Seu convite e a resposta de Pedro e dos demais na confiança à palavra dada por Jesus. O medo dá lugar à confiança/acção e esta à admiração/exultação: “Ele e todos os que com ele estavam encheram-se de espanto por causa da pesca que tinham feito; o mesmo acontecera a Tiago e a João, filhos de Zebedeu e companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: ‘Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens.’ E, depois de terem reconduzido os barcos para terra, deixaram tudo e seguiram Jesus” (vv. 9-11). Na hora certa Jesus sabe em quem confiar, Pedro, Tiago e João, estes mesmos que Jesus chama para a intimidade da Sua relação com o Pai, como aconteceu no Monte Tabor onde Cristo se transfigura e é aqui que eles finalmente entendem o quão bom é estar e seguir Jesus: “Senhor, é bom estarmos aqui; se quiseres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias” (Mt 17, 4). É uma resposta quase inpensada, repleta da maravilha que é estar ali diante da manifestação de Deus em Jesus Cristo, é disponibilidade para O seguir na radicalidade.

(No próximo texto, e último deste retiro, faremos reflexão sobre a CONVERSÃO)

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