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SANTA E FELIZ PÁSCOA!

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27 março 2010

Semana Santa (reposição)

O maior acontecimento da História da humanidade é a Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. Nada neste mundo supera a grandiosidade deste acontecimento. Os grandes homens e as grandes mulheres, sobretudo os Santos e Santas se debruçaram sobre este acontecimento e dele tiraram a razão de ser de suas vidas.
Depois da Encarnação e Morte cruel de Jesus na Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus pela humanidade. Disse o próprio Jesus que “Deus amou a tal ponto o mundo que deu o seu Filho Único para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” (João 3, 16)
São Paulo explica a grandeza desse amor de Deus por nós com as palavras aos romanos: “Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós… Se, quando éramos ainda inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, com muito mais razão, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida.” (Romanos 5,8-10)
Cristo veio a este mundo para nos salvar, para morrer por nós. Deus humanado morreu por nós. O que mais poderíamos exigir de Deus para demonstrar a nós o seu amor? Sem isto a humanidade estaria definitivamente longe de Deus por toda a eternidade, vivendo o inferno, a separação de Deus. Por que?
Porque o homem pecou e peca, desde os nossos primeiros antepassados; e o pecado é uma ofensa grave a Deus, uma desobediência às suas santas Leis que rompe nossa comunhão com Ele; e esta ofensa se torna Infinita diante da Majestade de Deus que é Infinita. Por isso, diante da Justiça de Deus, somente uma reparação de valor Infinito poderia reparar essa ofensa da humanidade a Deus. E, como não havia um homem sequer capaz de reparar com o seu sacrifício esta ofensa infinita a Deus, então, o próprio Deus na Pessoa do Verbo veio realizar essa missão.
Não pense que Deus seja malvado e que exige o Sacrifício cruento do Seu Filho na Cruz, por mero deleite ou para tirar vingança da humanidade. Não, não se trata disso. Acontece que Deus é Amor, mas também é Justiça. O Amor é Justo. Quem erra deve reparar o seu erro; mesmo humanamente exigimos isto; esta lei não existe no meio dos animais. Então, como a humanidade prevaricou contra Deus, ela tinha de reparar essa ofensa não simplesmente a Deus, mas à Justiça divina sob a qual este mundo foi erigido. Sabemos que no Juízo Final Deus fará toda justiça com cada um; cada injustiça que nos foi feita será reparada no Dia do Juízo.
Nisto vemos o quanto Deus ama, valoriza, respeita o homem. O Verbo divino se apresentou diante do Pai e se ofereceu para salvar a sua mais bela criatura, gerada “à sua imagem e semelhança” (Gênesis 1, 26).
A Carta aos Hebreus explica bem este fato transcendente: “Eis por que, ao entrar no mundo, Cristo diz: Não quiseste sacrifício nem oblação, mas me formaste um corpo. Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então eu disse: Eis que venho (porque é de mim que está escrito no rolo do livro), venho, ó Deus, para fazer a tua vontade (Sl 39,7ss). Disse primeiro: Tu não quiseste, tu não recebeste com agrado os sacrifícios nem as ofertas, nem os holocaustos, nem as vítimas pelo pecado (quer dizer, as imolações legais). Em seguida, ajuntou: Eis que venho para fazer a tua vontade. Assim, aboliu o antigo regime e estabeleceu uma nova economia. Foi em virtude desta vontade de Deus que temos sido santificados uma vez para sempre, pela oblação do corpo de Jesus Cristo.Enquanto todo sacerdote se ocupa diariamente com o seu ministério e repete inúmeras vezes os mesmos sacrifícios que, todavia, não conseguem apagar os pecados, Cristo ofereceu pelos pecados um único sacrifício e logo em seguida tomou lugar para sempre à direita de Deus. “ (Hebreus 10,5-10).
A Semana Santa celebra todos os anos este Acontecimento inefável: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo para a salvação da humanidade; para o seu resgate das mãos do demônio, e a sua transferência para o mundo da luz, para a liberdade dos filhos de Deus. Estávamos todos cativos do demônio, que no Paraíso tomou posse da humanidade pelo pecado. E com o pecado veio a morte (Rom 6,23).
Mas agora Jesus nos libertou; “pagou o preço do nosso Resgate”. Disse São Paulo: “Sepultados com ele no batismo, com ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos. Mortos pelos vossos pecados e pela incircuncisão da vossa carne, chamou-vos novamente à vida em companhia com ele. É ele que nos perdoou todos os pecados, cancelando o documento escrito contra nós, cujas prescrições nos condenavam. Aboliu-o definitivamente, ao encravá-lo na cruz. Espoliou os principados e potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz. (Col 2, 12-14)
Quando fomos batizados, aplicou-se a cada um de nós os efeitos da Morte e Ressurreição de Jesus; a pia batismal é portanto o túmulo do nosso homem velho e o berço do nosso homem novo que vive para Deus e sua Justiça. É por isso que na Vigília Pascal do Sábado Santo renovamos as Promessas do Batismo.
O cristão que entendeu tudo isso celebra a Semana Santa com grande alegria e recebe muitas graças. Aqueles que fogem para as praias e os passeios, fazendo apenas um grande feriado; é porque ainda não entenderam a grandeza da Semana Santa e não experimentaram ainda suas graças. Ajudemos essas pessoas a conhecerem tão grande Mistério de Amor.
O cristão católico convicto celebra com alegria cada função litúrgica do Tríduo Pascal e da Páscoa. Toda a Quaresma nos prepara para celebrar com as disposições necessárias a Semana Santa. Ela com a celebração da Entrada de Jesus em Jerusalém (Domingo de Ramos). O povo simples e fervoroso aclama Jesus como Salvador. O povo grita “Hosana!”; “Salva-nos!” Ele é Redentor do homem. Nós também precisamos proclamar que Ele, e só Ele, é o nosso Salvador (cf. At 4,12).
Na Missa dos Santos Óleos a Igreja celebra a Instituição do Sacramento da Ordem e a bênção dos santos óleos do Batismo, da Crisma e da Unção dos Enfermos. Na Missa do Lava Pés na noite da Quinta Feira Santa, a Igreja celebra a Última Ceia de Jesus com os Apóstolos onde Ele instituiu a sagrada Eucaristia e deu suas últimas orientações aos Apóstolos.
Na Sexta Feira Santa a Igreja guarda o Grande Silencio diante da celebração da morte do seu Senhor. Às três horas da tarde é celebrada a Paixão e Morte do Senhor. Em seguida a Procissão do Senhor morto por cada um de nós. Cristo não está morto, e nem morre outra vez, mas celebrar a sua Morte é participar dos frutos da Redenção.
Na Vigília Pascal a Igreja canta o “Exultet”, o canto da Páscoa, a celebração da Ressurreição do Senhor que venceu a morte, a dor, o inferno, o pecado. É o canto da Vitória. “Ó morte onde está o teu aguilhão?”
A vitória de Cristo é a vitória de cada um de nós que morreu com Ele no Batismo e ressuscitou para a vida permanente em Deus; agora e na eternidade.
Celebrar a Semana Santa é celebrar a vida, a vitória para sempre. É recomeçar uma vida nova, longe do pecado e em comunhão mais intima com Deus. Diante de um mundo carente de esperança, que desanima da vida porque não conhece a sua beleza, celebrar a Semana Santa é fortalecer a esperança que dá a vida. O Papa Bento XVI disse em sua encíclica “Spe Salvi”, que sem Deus não há esperança; e sem esperança não há vida.
Esta é a Semana Santa que o mundo precisa celebrar para vencer seus males, suas tristezas, suas desesperanças.

Prof. Felipe Aquinohttp://www.cleofas.com.br/

Agressão ao Papa (Marcello Pera)

Caríssimos Amigos da Família retalhos.
As notícas dos últimos tempos têm-se revelado uma enorme campanha para desacreditar a Igreja Católica. Não podemos desculpar crime algum sem que ele tenha no tempo devido a pena que lhe deve ser imputada pela lei.
Mas daí a fazer de todos os Padres e Bispos e mais ainda do Papa, um bando de criminosos não me parece nada justo e, se nos magoa ver os crimes que Clérigos cometem, magoa igualmente a injustiça vinda tantas vezes dos próprios Cristãos. Não costumo fazer grandes comentários de situações destas, sou um homem de paz e assim me quero manter contudo, hoje sinto que devo também fazer chegar ao mundo o testemunho que se segue, feito por um agnóstico quando tantos Católicos só sabem ferir, em defesa do Santo Padre. Mais não digo. Que Deus nos dê a todos a graça do discernimento e da justiça. Recordo João Paulo II, Venerável, ao dizer que "se não formos nós a defender os nossos, quem os defenderá?"
Uma agressão ao Papa
Marcello Pera (Filósofo, agnóstico e senador.
Publicado no Corriere della Sera 17.III.10)

Caro Director,
A questão dos sacerdotes pedófilos ou homossexuais, que rebentou recentemente na Alemanha, tem como alvo o Papa. E, dadas as enormidades temerárias da imprensa, cometeria um grave erro quem pensasse que o golpe não acertou no alvo – e um erro ainda mais grave quem pensasse que a questão morreria depressa, como morreram tantas questões parecidas. Não é isso que se passa. Está em curso uma guerra.

Não propriamente contra a pessoa do Papa porque, neste terreno, tal guerra é impossível: Bento XVI tornou-se inexpugnável pela sua imagem, pela sua serenidade, pela sua limpidez, firmeza e doutrina; só aquele sorriso manso basta para desbaratar um exército de adversários. Não, a guerra é entre o laicismo e o cristianismo.

Os laicistas sabem perfeitamente que, se aquela batina branca fosse tocada, sequer, por uma pontinha de lama, toda a Igreja ficaria suja, e se a Igreja ficasse suja, suja ficaria igualmente a religião cristã. Foi por isso que os laicistas acompanharam esta campanha com palavras de ordem do tipo: «Quem voltará a mandar os filhos à igreja?», ou «Quem voltará a meter os filhos numa escola católica?», ou ainda: «Quem internará os filhos num hospital ou numa clínica católica?» Há uns dias, uma laicista deixou escapar uma observação reveladora: «A relevância das revelações dos abusos sexuais de crianças por parte de sacerdotes mina a própria legitimação da Igreja Católica como garante da educação dos mais novos.»

Pouco importa que semelhante sentença seja desprovida de qualquer base de prova, porque a mesma aparece cuidadosamente latente: «A relevância das revelações»; quantos são os sacerdotes pedófilos? 1%? 10%? Todos? Pouco importa também que a sentença seja completamente ilógica; bastaria substituir «sacerdotes» por «professores», ou por «políticos», ou por «jornalistas» para se «minar a legitimação» da escola pública, do parlamento, ou da imprensa. Aquilo que importa é a insinuação, mesmo que feita à custa de um argumento grosseiro: os sacerdotes são pedófilos, portanto a Igreja não tem autoridade moral, portanto a educação católica é perigosa, portanto o cristianismo é um engano e um perigo. Esta guerra do laicismo contra o cristianismo é uma guerra campal; é preciso recuar ao nazismo e ao comunismo para se encontrar outra igual. Mudam os meios, mas o fim é o mesmo: hoje, como ontem, aquilo que se pretende é a destruição da religião. Ora, a Europa pagou esta fúria destrutiva ao preço da própria liberdade.

É incrível que sobretudo a Alemanha, que bate continuamente no peito pela memória desse preço que infligiu a toda a Europa, se esqueça dele, hoje que é democrática, -recusando-se a compreender que, destruído o cristianismo, é a própria democracia que se perde. No passado, a destruição da religião comportou a destruição da razão; hoje, não conduz ao triunfo da razão laica, mas a uma segunda barbárie.

No plano ético, é a barbárie de quem mata um feto por ser prejudicial à «saúde psíquica» da mãe. De quem diz que um embrião é uma «bola de células», boa para fazer experiências. De quem mata um velho porque este já não tem família que cuide dele. De quem apressa o fim de um filho, porque este deixou de estar consciente e tem uma doença incurável. De quem pensa que progenitor «A» e progenitor «B» é o mesmo que «pai» e «mãe». De quem julga que a fé é como o cóccix, um órgão que deixou de participar na evolução, porque o homem deixou de precisar de cauda. E por aí fora. Ou então, e considerando agora o lado político da guerra do laicismo contra o cristianismo, a barbárie será a destruição da Europa. Porque, eliminado o cristianismo, restará o multiculturalismo, de acordo com o qual todos os grupos têm direito à sua cultura. O relativismo, que pensa que todas as culturas são igualmente boas. O pacifismo, que nega a existência do mal.

Mas esta guerra contra o cristianismo seria menos perigosa se os cristãos a compreendessem; pelo contrário, muitos deles não percebem o que se está a passar. São os teólogos que se sentem frustrados com a supremacia intelectual de Bento XVI. Os bispos indecisos, que consideram que o compromisso com a modernidade é a melhor maneira de actualizar a mensagem cristã.

Os cardeais em crise de fé, que começam a insinuar que o celibato dos sacerdotes não é um dogma, e que talvez fosse melhor repensar essa questão. Os intelectuais católicos que acham que a Igreja tem um problema com o feminismo e que o cristianismo tem um diferendo por resolver com a sexualidade. As conferências episcopais que se enganam na ordem do dia e, enquanto auguram uma política de fronteiras abertas a todos, não têm a coragem de denunciar as agressões de que os cristãos são alvo, bem como a humilhação que são obrigados a suportar por serem colocados, todos sem descriminação, no banco dos réus. Ou ainda os chanceleres vindos do Leste, que exibem um ministro dos negócios estrangeiros homossexual, ao mesmo tempo que atacam o Papa com argumentos éticos; e os nascidos no Ocidente, que acham que este deve ser laico, que o mesmo é dizer anti-cristão. A guerra dos laicistas vai continuar, quanto mais não seja porque um Papa como Bento XVI sorri, mas não recua um milímetro.

Mas aqueles que compreendem esta intransigência papal têm de agarrar na situação com as duas mãos, não ficando de braços cruzados à espera do próximo golpe. Quem se limita a solidarizar-se com ele, ou entrou no horto das oliveiras de noite e às escondidas, ou então não percebeu o que está ali a fazer.

25 março 2010

Anunciação... O Verbo Incarnou!


“O Verbo fez-se homem e veio habitar connosco.
E nós contemplámos a sua glória, a glória que possui como Filho Unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1, 14).

É este o grande mistério que a Igreja celebra a cada 25 de Março.
Celebramos o dom de Deus que vem ao nosso encontro, toma a nossa fragilidade humana para nos resgatar do pecado e da morte.
Deus cumpre assim a promessa feita no passado: “o próprio Senhor vos dará um sinal: a virgem conceberá e dará à luz um filho e o seu nome será ‘Emanuel’, porque Deus está connosco” (Is 7, 14).
Por Eva, com a tentação e o pecado, é fechada à humanidade a porta do céu. Mas Deus, que é bondoso e rico em misericórdia, não podia deixar a Sua casa vazia, Deus não esquece a Sua promessa, Ele está atento ao Seu Povo: “Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspectores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos
(Ex 3, 7). O choro dos seus filhos chegou ao céu e Deus promete a Salvação. Ele mesmo vem salvar-nos, é o Emanuel, o Deus connosco.
E se por uma mulher entrou o pecado no mundo, é por uma outra Mulher que vem a redenção.
Maria é a escolhida, predestinada e consagrada, antes de ser concebida – sem mácula – para ser a Mãe do Salvador: “Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1, 28).
Maria, pobre mulher de Nazaré, espera como todas as outras o Messias. Mal podia imaginar o desígnio de Deus acerca de si mesma. Esta saudação traz-lhE receio: “Como será isso, se eu não conheço homem?” (Lc 1, 38). Este receio é o de não entender como será possível ser Mãe, se ainda não tinha estado com homem algum. Como seria isso possível? Mas este receio pode ter também, atrás de si, o medo do julgamento público – também temido por José – que a levaria ao apedrejamento em praça pública.
Mas Deus revela-se atento ao aperto no coração de Maria, Deus não desiste do Seu desígnio sobre Ela para bem da humanidade inteira e de todos os tempos: “Maria, não temas, pois achaste graça diante de Deus.
Hás-de conceber no teu seio e dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus.” (…) “o Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo estenderá sobre ti a sua sombra. Por isso, aquele que vai nascer é Santo e será chamado Filho de Deus” (Lc 1, 30-35).
Maria como que serena a sua alma, enche-se de coragem e confia no Seu Senhor, no Deus da Aliança. Maria aceita ser a porta da Nova Aliança, a Arca da Salvação: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).
A aceitação do projecto de Deus vai mais longe do que Ela poderiá imaginar. Maria, a partir desta hora, ficará sempre ligada ao silêncio, não a um silêncio como o das mulheres do seu tempo, mas um silêncio de intimidade com Deus, silêncio onde Ela se encontra consigo mesma e com a realidade de ser Mãe do Salvador. Quantas vezes Ela se recolheu ao silêncio da oração para encontrar o sentido das coisas que não entendia. Assim no-lo recorda Lucas ao dizer que “Sua mãe guardava todas estas coisas no seu coração” (Lc 2, 51).
E hoje celebramos este mistério do Verbo Incarnado. O Sim de Maria é – no dizer de Michel Quoist – como assinar uma folha em branco, onde Deus escreve a cada passo a Sua vontade acerca de nós. E a Sua vontade é que acolhamos o Verbo que vem ao nosso encontro, O levemos no coração e na vida aos outros, manifestando a nossa adesão total, a Fé profunda neste mistério da nossa Salvação.
Esta solenidade é de tal forma importante que, mesmo em tempo de quaresma, a liturgia se reveste de alegria, manifestada no branco da liturgia, no canto do Glória, nas leituras, no Credo rezado, hoje de forma especial com o convite à jenuflexão nas palavras “e incarnou pelo Espírito Santo”.
Este Espírito que dá a Vida e que actua em nós para que nos tornemos dignos do mistério do Verbo Incarnado.
Ao receber o Verbo, Maria:
De Mulher que espera o Messias, torna-se Aquela que traz o Messias.
De Filha de Deus, torna-se na Mãe de Deus.
De escrava, torna-se rainha.
De serva, torna-se Senhora.
De filha da humanidade, torna-se Mãe de todos os homens e mulheres de todos os tempos.

Termino com a oração conclusiva do rito da comunhão deste dia:

“Confirmai em nós, Senhor, os mistérios da verdadeira fé,
para que, tendo proclamado que Jesus Cristo,
concebido da Virgem Maria,
é verdadeiro Deus e verdadeiro homem,
cheguemos, pelo poder da ressurreição,
às alegrias da vida eterna”. Amén!

19 março 2010

José, Pai justo, Esposo fiel

Hoje o mundo volta uma vez mais a celebrar o DIA DO PAI.

Consagrado este dia a S. JOSÉ OPERÁRIO, Aquele Homem JUSTO a quem Deus chamou a ser "PAI adoptivo" e ESPOSO de Maria, muitos são hoje os que correm para as lojas e superfícies comerciais para comprarem uma prenda ao seu pai, e esquecem - ou telvez nunca tenham sabido - que este dia é dedicado aos pais porque é dedicado de forma especial ao pai José.
Ontem perguntei ao meu pai, Manuel, o que queria que eu lhe oferecesse neste dia. Resposta tão pronta na simplicidade de quem nunca foi habituado a receber prendas materiais: "eu não preciso de nada, filho". E ele precusa de tanta coisa...
Há três anos, no fim do dia, ao jeito de oração deixei sair o poema que se segue e que alguns Amigos já tiverem a amabilidade de comentar.
Que escrever sobre S. José? Que escrever sobre o pai e o dia a ele dedicado?
Se fosse escrever sobre o meu pai... sobre os sentimentos que este ano vivo e rezo... fica no silêncio da oração e no tempo de dedicação.
Assim quero republicar este poema - se ele assim se pode classificar, na pobreza do que é - louvando antes de mais S. José e a sua missão fiel ao projecto do Pai celeste.
Depois é também um acto de gratidão a Deus pelo meu pai, por tê-lo aqui tão perto e poder dedicar-lhe agora mais de mim e do meu tempo.
É também uma prece ao Pai pelo pai de cada um e cada uma de vós que aqui passais um pedaço de vida. Aos que já partiram para Deus, que sejam hoje para vós sinal de bênção. Aos que ainda peregrinam entre nós, que Deus, por intermédio de S. José, conceda a bênção, a saúde e a paz.


José Homem Justo, Servo de Deus
Pobre habitante da cidade de Nazaré.
A tua humildade subiu, alcançou os céus
E do alto, agraciado foste, com o dom da Fé.

O mundo te aclama: Servo fiel e prudente
Pelo desígnio de Deus em ti realizado,
E se p’ra Cristo foste o pai, no mundo presente,
Hoje és pai do que n’Ele se sente irmanado.

Trabalhando a madeira, na simplicidade,
Sonhos tinhas de uma vida, alegre, futura.
Mas o Senhor te chama à santidade
Gerando, em teu sonhos jovens, a ruptura.

Desposado com Maria, Mulher fiel,
Não sabias o que te reservava Iahweh.
Deus te chama a acolher o Emanuel,
A adoptar, paternamente, o rebento de Jessé.

E Maria, tua esposa, do Espírito concebera,
Num Sim total e fiel ao seu Senhor.
Não entendendo, o medo, em ti nascera,
Levando-te, no silêncio, à fuga ao Deus Amor.

Não temas José: pois Maria dará à luz
Pelo Espírito Santo o Messias esperado.
E tu mesmo, como um pai, chamar-lhe-ás Jesus,
Dando cumprimento ao que na Escritura é revelado.

E a força do Altíssimo em sonho se revela
Porque Deus a ti, Homem justo, escolhera.
Escutando a Sua voz, voltas para Aquela
Que sendo Virgem, o Filho de Deus, acolhera.

O momento da alegria resplandece em Belém
Onde na pobreza nasce o autor da Vida.
E ali estás, como um pai, junto a Maria Mãe,
Aquela, predestinada, sem mácula concebida.

Na cidade de Jerusalém, doze anos passados havia,
Dessa noite de estrelas, magos e pastores.
Na aflição da perda do Menino, que agonia!
No Templo o encontras ensinando os Doutores.

Pouco mais a Escritura, de ti, nos dá a conhecer
Mas o mundo de ti não se esquece, jamais.
E por isso todo o Homem, hoje, quer agradecer
Por teu nome, José, o amor que sente a seus pais.

Acolhe-nos, pai José, fortemente em teu braço,
Como na imagem tua, Jesus nos é mostrado.
Pois, teus filhos somos, precisamos teu regaço
P’ra que o mundo hodierno, por ti, seja abençoado.

(Fr. Albertino Rodrigues O.F.M.)

15 março 2010

O Pai misericordioso (Lc 15)

Olá amigos, paz e bem.
Nos últimos dois dias pensei muito sobre o que escrever sobre o Evangelho do Domingo passado.
Confesso que não tive grande capacidade para parar e escrever o que na mente e coração tenho sobre as reflexões que vou fazendo sobre este texto magnífico que Lucas nos apresenta.
Então partilho este pequeno texto de outro autor e que me parece ser uma boa reflexão que nos coloca diante do mistério do Pai amoroso.

O Pai Misericordioso (Lc 15)
Texto de Padre Leo in, http://www.padreleo.org

A Parábola dos dois filhos e do Pai Misericordioso, que se encontra em Lc 15, contém uma mensagem muito consoladora, que te ajudará a VIVER. É o que aconteceu comigo, e peço ao Senhor que aconteça o mesmo (e mais e mais) contigo, isto é que te conceda oceanos de Alegria e Paz.Regressar à casa é entrar ao centro do meu ser, o centro onde posso ouvir a voz que me diz: “tu és o meu filho muito amado”. É a voz que fala a todos os filhos de Deus. É a voz do Amor que não cessa de amar. É a voz que fala desde a eternidade e que dá vida e amor onde quer que seja escutada. Quando a oiço, sei que estou em casa com Deus e que não preciso de ter medo de nada, “mesmo que atravesse os vales sombrios, nenhum mal temerei” (Sl 23).
Não foi fácil para mim reconhecer-me no filho mais novo. Foi duro descobrir na minha vida uma rebelião tão contundente. Não me reconhecia como rejeitando os valores da minha própria herança. Mas quanto mais me detenho a pensar nos subtis caminhos por onde andou a minha vida, melhor vejo que preferi a terra distante ao lar paterno, e então o filho mais novo surge rapidamente. Refiro-me a um abandono do lar espiritual, que é diferente do facto físico de ter passado a maior parte da vida fora da minha pátria.
O filho mais velho: sem alegria em casa. Na queixa do filho mais velho da parábola, descubro o filho mais velho que há dentro de mim. Dou comigo a queixar-me, frequentemente, por causa de pequenas rejeições, faltas de consideração ou descuidos. Observo dentro de mim, frequentemente, um rumor surdo, um gemido, uma queixa, um lamento, que cresce, cresce, mesmo sem querer. Quanto mais me refúgio nele, mais complicado se torna. Há uma enorme força oculta nesta queixa interior. A condenação dos outros, a condenação de mim mesmo, o farisaísmo e a rejeição vão crescendo cada vez mais e tendo mais força. Sempre que me deixo seduzir por ela, enreda-me numa interminável espiral de rejeição. Quanto mais penetro no labirinto das minhas queixas, mais e mais me perco, até que, por fim, me sinto a pessoa mais incompreendida, mais rejeitada e mais desprezada do mundo.
O Pai deseja que os filhos sejam livres para amar. Esta liberdade inclui também a possibilidade de se afastar, de irem embora para um pais longínquo e perder tudo. Deseja que os filhos que ficarem em casa gozem da sua presença e da sua afeição. Quer oferecer um amor que seja recebido livremente.
Não há dúvida quanto ao modo de ser do coração do pai. Ele vai ao encontro dos dois filhos, gosta de um e do outro, espera vê-los juntos como irmãos ao redor da mesma mesa. Embora sejam diferentes, quer que sintam que pertencem à mesma casa e que são filhos do mesmo Pai. Se deixar que tudo isto se grave no meu íntimo, verei que a parábola do pai e dos dois filhos perdidos, apenas confirma que não fui eu que escolhi Deus, mas foi Ele que me escolheu a mim. Deus ama-nos com um amor ilimitado e incondicional e quer que nós sejamos tão carinhosos para com Ele.

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