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Senhor! Fazei-me instrumento da vossa paz!

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11 março 2012

Moisés: Vocação e Missão

Vocação e missão de Moisés (Ex 3, 1-8a. 13-15)
Colocamo-nos hoje diante do Monte Horeb. É aqui que Moisés vai receber a sua vocação e missão. Faço reflexão, uma vez mais, sem rascunhos, escrevendo directamente o que sinto e penso e recordo que não sou biblista e que, por isso mesmo, o texto que se seguir é uma simples e muito humana reflexão.
Pastor dos rebanhos do Sacerdote Jetro, seu sogro, Moisés encaminha-se para os campos de pastagem e vai mais além do deserto, chegando ao monte Horeb, esse que vemos no cabeçalho do Retalhos.
Diz o texto que “O anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama de fogo, no meio da sarça. Ele olhou e viu, e eis que a sarça ardia no fogo mas não era devorada” (v. 2).
Que um pequeno arbusto esteja a arder, talvez isso não fosse nada de estranho, estamos perto do deserto, talvez muito calor. O estranho é que este pequeno arbusto – SARÇA – continue a arder sem se consumir. Diz o texto que Moisés não só olhou, como se visse algo puramente natural e sem importência, ele “olhou e viu”. Ver é muito mais que olhar, é entrar mais verdadeiramente no objecto da nossa visão, é querer descobrir o que está nele e para além dele, é querer ir ao encontro, vislumbrar a beleza do que se vê.
É este mistério e admiração que leva Moisés a sentir o desejo de ver mais ainda
: “Vou adentrar-me para ver esta grande visão: por que razão não se consome a sarça? (v. 3).
Imaginemos Moisés a aproximar-se cheio de admiração e curiosidade, esquecendo o rebanho que conduzia, esquecendo tudo o que o rodeia e centrando toda a sua atenção naquele fogo, naquele lugar de luz diferente. Moisés viu a Sarça, aproxima-se dela e não sabe que está a ser visto, que ele fora ali conduzido, para além do deserto, que ele conduziu um rebanho de ovelhas ali para a partir dali receber outro rebanho maior ainda. Deus estáva ali, Deus conduziu-o ali, Deus quer falar-lhe naquele lugar. Mas por isso Deus o chama: “Moisés! Moisés!” e a resposta não se fez esperar: “Eis-me aqui!
(v.4).
Pergunto a mim mesmo se aquela resposta fora consciente. Moisés não sabia quem o chamava, apenas via um arbustro estranho a arder sem se consumir contudo, responde à voz que o chama.
Deus quer tornar-se presente no coração deste pastor que outrora fora, por desígnio do mesmo Deus “Salvo das águas”, Deus quer falar, comunicar uma mensagem, dizer-se presente no meio da Humanidade. Mas Deus só fala aos corações preparados para O escutar por isso Moisés tem que tomar consciência que aquele monte é agora lugar sagrado porque o próprio Deus está ali: “Não te aproximes daqui; tira as tuas sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa
(v.5).
Mas afinal quem pode dizer de um lugar que é terra santa? Quem pode mandar ao pastor que não se aproxime, que se afaste de um arbusto estranho, que mande descalçar o pastor quando esse é um rito de quem está diante do Sagrado? Mais estranho ainda, como pode alguém ocultar-se e falar imperiosamente? Onde estaria escondido quem ousa “brincar” com o pastor? Quem poderia fazer tal “brincadeira” diriamos nós se isto se passasse connosco em um qualquer lugar do nosso quotidiano?
Mas Deus não está a brincar, Deus não brinca, Deus escuta, chama, envia e salva. E este Deus não é mais do que o Deus da família de Moisés: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob” (v.6).
Deus faz uma analépse para que Moisés pare um pouco no meio de toda esta confusão que se lhe apresenta no Monte Horeb. Deus chama à sua memória os seus antepassados e a fé que professaram no Deus da Aliança, este mesmo Deus que escolheu e salvou Moisés e o conduziu a este Monte. Não se trata de um Deus qualquer, de um Deus abstracto, de um Deus desconhecido. É em verdade o Deus da história de Moisés e dos seus. Eis que Moisés se recorda que, de acordo com a crença do Povo de Israel, quem visse Deus face a facer morreria e, de imediato “Moisés escondeu o seu rosto, porque tinha medo de olhar para Deus” (v.6).

É então que Deus Se revela um Deus próximo do Povo, este Povo sofrido, exilado, maltratado, explorado, desenraizado, um Povo que perdera quase a noção da presença do seu Deus, Povo que se sente amaldiçoado pelos feitos dos seus antepassados e o clamava sem cessar, pedindo ao Senhor a libertação de tal escravidão. O Senhor disse: “Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspectores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar da mão dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel, terra do cananeu, do hitita, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu” (vv.7-8a). Afinal Deus permitiu que o Povo passase pelo deserto da vida, pelo sofrimento, por todos os tormentos, porque razão não o refere ainda, mas Deus mostra-se um Deus presente, Deus com um coração clemente que escuta os clamores, um Deus justo que conhece a verdade do Seu Povo e o que resgatar deste tempo de morte. Ele mesmo vem ao encontro do Seu Povo e havia, desde sempre, escolhido Moisés para levar o Povo a uma nova vida, a uma nova terra de prosperidade, terra que é para todos os povos, onde “eles serão o seu Povo e Ele o seu Deus”.Moisés é assim chamado, convocado à missão de levar o Povo para o lugar da Promessa. Inicia-se aqui a missão de um novo pastoreio, de uma nova vida que é assumida por Moisés: “Eis que eu vou ter com os filhos de Israel e lhes digo: ‘O Deus dos vossos pais enviou-me a vós” (v.13).
Deus chama e sempre espera de nós uma resposta disponível, sincera, fiel ao projecto que Ele tem para nós. Moisés responde com clarividência de que sente um chamamento interior que lhe vem não de um deus qualquer mas de Deus, o Deus da Aliança, o Deus dos seus antepassados.
Falar ao Povo em nome de Deus implicaria identificar este Deus, o Seu Nome, a Sua identidade ou a palavra de Moisés não teria qualquer valor diante do Povo. Que nome diria ele ser o nome de Deus?
“Eu sou aquele que sou.(…) Assim dirás aos filhos de Israel: ‘Eu sou’ enviou-me a vós!” (v.14).
Deus simplesmente “É”! Ele é o SER, não tem outra denominação por isso “Eu sou” (Yahweh) é o Nome do Deus Criador, do Deus da Aliança, do Deus do Sinai,
“este é o meu nome para sempre, o meu memorial de geração em geração” (v.15).
Sabemos quantas “peripécias” teve a missão de Moisés, talvez delas venhamos a fazer reflexão noutra altura. Hoje, e à luz da primeira leitura da liturgia, quis simplesmente correr o texto e deixar-me inundar, na simplicidade, pela Palavra e por uma tão simples interpretação.
Deus Chama, conduz-nos ao seu encontro e nos convida a colocar-nos diante d’Ele, parar a nossa caminhada (descalçando-nos) porque o Seu chamamento nos conduzirá por outro caminho mas, parar é imperioso para poder escutar e receber a missão divina e, aí, retomar o caminho com novos horizontes, novos modos, onde Deus se revela tão próximo de nós que nos vê, ouve, aceita o nosso clamor e nos salva.
Este tempo da quaresma continua a convidar-nos a olhar para a Luz que vem da Palavra revelada e a darmos passos em solo sagrado, porque somos portadores da boa-nova de Yahweh.
Como Moisés saibamos olhar para Deus com humildade e respeito, acolher a missão e partir. Como Moisés digamos “Eis-me aqui!”

9 comentários:

maresia disse...

Amigo não tenho palavras para comentar tão rico texto, que refere ser:"...uma simples e muito humana reflexão." a não ser simplesmente que as mãos escreveram aquilo que transbordava do coração.
Bem haja

Mãe Lena disse...

Que lindo texto...simples e tão sentido.

Senhor, caminho acalmando o meu coração, para que passo a passo consiga sentir-Te e chegue a Ti.

Louvado sejas, Senhor.

mariana disse...

Frei; belíssima partilha, este texto.
Deixe que lhe diga, não são os biblistas, os que fazem as mais belas homilias... são os que escutam, e deixam falar o coração. “A boca só fala daquilo que o coração está cheio”.

Detive-me nalguns pontos: aqueles que mais me interpelaram: “Deus escuta, chama, envia e salva”.
Deus chamou Moisés, e ele prontamente respondeu: “Eis-me aqui!”.
Estamos perante, tantos “Moisés” dos dias de hoje, (Tu/Eu), a quem Deus continua a chamar para que se deixem consumir por esta “Sarça”, por este “Fogo de Amor”, que é o próprio Deus que em Seu Filho J. Cristo se quer revelar a cada um de nós, através deste apelo forte à Conversão, processo de renovação interior.

Conversão não é só penitência externa, é um convite à mudança de vida, de mentalidade, de atitudes, de forma que Deus e os seus valores estejam em primeiro lugar na nossa vida.

Quais são as sandálias que devemos tirar dos nossos pés, para ser possível fazer este caminho sagrado de Conversão...? e poder como Moisés responder “Eis-me Aqui!”.... e poder também não só Olhar, mas Ver...e ver mais além!

LENA disse...

OBRIGADO FREI! Como sempre as suas partilhas são excelentes/ricas/profundas.
Louvo-Te meu Deus pelo Teu Amor para connosco…
Subamos ao Monte…Encontremo-nos com ELE…unamo-nos ao louvor que Cristo e a Igreja na unidade do Espírito Santo, elevam ao Pai…estejamos atentos ao Amor do Senhor…Ele Chamou Moisés, chama a cada um (uma) de nós e envia-nos…. Convida-nos a caminhar…Tenhamos a capacidade de responder sempre. “Eis-me aqui Senhor”
Mais uma vez
BEM HAJA AMIGO

Sirlene (Brasil) disse...

Frei Albertino, Família Retalhos,
Quando Deus nos sacode revelando a Sua presença, o que o nosso organismo experimenta é algo indescritível e intransmissível! Cada um de nós, de acordo com o nosso merecimento já experimentou essa delícia, este é o segredo de cada ser humano e, a partir daí, o seu escopo: caminhar no sentido dessa Luz que outra não é senão a própria Luz geradora de nossa energia. Deparar com esta Luz assim ao "vivo e a cores" como Moisés experimentou... é sentir o "flirt" de Deus: adrenalina a percorrer o corpo... cegueira... ofuscamento, prostração, arrebatamento.
Só mesmo um homem com a estrutura de Moisés para aguentar viver esta experiência e ter que voltar, descer o monte com tamanha incumbência, como foi a dele...
Hoje, o dia todo pensei na experiência dele!
Graças à sua meditação, Frei Albertino, porque ela me arrebatou!
Sirlene

Mª Teresa disse...

Família Retalhos,
Que linda PARTILHA, que FORMOSURA de texto, tudo dito a seu tempo, com o vagar exigido.
Excelente podermos ler este episódio onde RESPLANDECE todo o equilíbrio que "aparente-mente" FALHA na Terra. Acabo mesmo sentindo que tudo está "torto" cá entre nós (Terra)... É delicioso ACREDITARMOS que "Moisés" continua em nossa busca (cordeirinhos de seu rebanho humano)... e que HÁ tanto para fazer, cuido eu... SEMPRE! Me perdoem, (continuem a perdoar...)

maresia disse...

Meu Deus e Senhor, aceita a minha humilde prece, em acção de graças. Como Jesus nos ensinou, também eu rezo:
Pai nosso que estais no Céu santificado seja o Vosso Nome, venha a nós o Vosso Reino seja feita a vossa vontade assim na terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos a nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação mas livrai-nos do mal. Amén
Seja por Caridade

M.ª Teresa disse...

Família Retalhos,
O retrato perfeitamente "arrebatador" de como Deus confiou esta Missão a Moisés, levou-me a "descobrir" todo o itinerário deste pastor.
Nascido no Egipto, depositado no leito de um rio, dentro de uma cesta (na tentativa de escapar à justiça do Faraó), este hebreu desempenha o retrato soberbo que só se imaginava assimilável por alguém "transportado" divinamente...
"Salvo das águas" cumpre-me repetir, sei que deveis conhecer toda sua vida ... Para mim, Mª Teresa, Ele (Deus), não O terá encontrado... Ele sim "Engendrou" seu APARECIMENTO...
Encanto TOTAL mereceu (também) esta PARTILHA.
Bem hajam
Mª Teresa

maresia disse...

Senhor, abre os meus olhos à Tua Luz, para que eu não caminhe nas trevas; conduz os meus passos pelo caminho da Paz e da Verdade.
"Este tempo da quaresma continua a convidar-nos a olhar para a Luz que vem da Palavra revelada e a darmos passos em solo sagrado, porque somos portadores da boa-nova de Yahweh.
Para toda a família Retalhos
Paz e Bem

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