Retalhos Bem-vindo! Retalhos Willkommen! Retalhos Bienvenido! Retalhos Bienvenue! Retalhos Benvenuti! Retalhos Welcome! Retalhos 歡迎! Retalhos Καλως ηλθατε! Retalhos Добро пожаловать! Retalhos!مرحبا Retalhos

Senhor! Fazei-me instrumento da vossa paz!

VÍDEOS: Para visualizar e ouvir os vídeos deverá dasativar a música de fundo no painel aqui do lado esquerdo

24 junho 2010

João, o precursor

Hoje a Igreja celebra a Solenidade do nascimento de São João, o precursor, o Baptista.
Cânticos e bailaricos, quadras e mangericos, alhos porros e martelinhos, fogo de artifício e tantas outras coisas pautam a noite e o dia deste Santo. Quantos páram um pouco para olhar alguns aspectos deste que foi chamado, desde o ventre, a anunciar a Luz?
Dele nos faz eco a palavra de Deus em Lucas ao dizer: “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo,porque irás à sua frente a preparar os seus caminhos
para dar a conhecer ao seu povo a salvação pela remissão dos seus pecados” (Lc 1, 76-77)
João é predestinado para anunciar a vinda do Messias. O chamamento não é algo abstracto, é a alguém em concreto e a quem é dado um nome concreto: “pedindo uma placa, o pai (Zacarias) escreveu: «O seu nome é João.» (Lc 1, 63).
É impressionante como se rompe com a tradição de dar ao primogénito o nome do pai. O precursor não se chamará Zacarias mas “DOM DE DEUS”, João.
É DOM de Deus a Zacarias e Isabel, de avançada idade e estéreis. Esta esterilidade pode significar, para nós, o campo onde Deus tudo pode realizar. É onde a lógica humana nada parece poder fazer – dar Vida – que Deus actua com a Sua Graça.
Deus chama à vida aquele que já estava no Seu projecto de Amor, aquele que seria o anúncio da Luz, da Salvação eterna.
É o próprio que nos declara: “Quando ainda estava no ventre materno, o Senhor chamou-me, quando ainda estava no seio da minha mãe, pronunciou o meu nome"
(Is 49, 1), e ainda
: “Senhor declara-me que me formou desde o ventre materno, para ser o seu servo (…) Assim me honrou o Senhor. O meu Deus tornou-se a minha força. (Is 49, 5)
Deus chama João pelo nome, chamamento à mais nobre das missões proféticas: “Vou fazer de ti luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra." (Is 49, 6)
A palavra eloquente do profeta, a sua verdade que é a verdade de Deus, a sua forma de vida simples e austera, faziam com que muitos acreditassem e o confundissem com o Messias. S. João Baptista entrega-se à penitência e à reparação pelo seu povo, como os profetas. Como Jeremias, é santificado no seio de sua mãe. É o novo Elias, predito por Malaquias.Desde a sua infância entrega-se à penitência. «Não beberá nem vinho nem cidra», diz o anjo a Zacarias. Passa a sua adolescência no deserto, está vestido com uma túnica de peles de camelo apertada por um cinto de couro; come mel silvestre e gafanhotos.A sede de Salvação estava cada vez mais presente naquela gente e, para eles, João aparecia como o Salvador.
Mas… não podia a verdade de Deus, em João, permitir tal equívoco. Lucas, nos actos do Apóstolos recorda-nos que:
“João preparou a sua vinda, anunciando um baptismo de penitência a todo o povo de Israel. Quase a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais; mas vem, depois de mim, alguém cujas sandálias não sou digno de desatar (Act 13, 24-25). João é a voz que clama no deserto, apela à conversão e penitência e aponta um novo caminho de Salvação: “Eu baptizo-vos em água, mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo” (Lc 3, 16).
João não é a Luz, dá testemunho da Luz, “é necessário que eu diminua para que Ele cresça” chega a afirmar aos que o seguem. João aponta Aquele que de facto é a Salvação, a Luz eterna: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!
É aquele de quem eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que me passou à frente, porque existia antes de mim.” (Lc 1, 19-29)
O testemunho de João inicia-se na sua consagração, no ventre materno: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor” (Lc 1, 41-45). Aqui mesmo João é abençoado e santificado pela presença de Jesus e a visita de Maria. Cristo consagra assim aquele que devia dar testemunho de Si.
Não chegariam linhas para escrever sobre este momento. Duas Mães, agraciadas com o DOM DE DEUS, mulheres que aceitam a Sua vontade e dois Filhos que se encontram.
A Senhora (Maria) saúda a serva (Isabel). Maria a “feliz porque acreditou”, Isabel a feliz porque aceitou por fim que Deus na sua esterilidade e avançada idade poderia gerar vida.
Jesus, com tão pouco tempo de vida no ventre de Sua Mãe, é já sinal exterior de Luz salvífica, é já Deus operante pelo Espírito Santo em João. Dois seres no ventre materno que se encontram e saúdam. Podemos dizer que este é o momento em que João inicia a sua missão de precursor, é ele mesmo que indica a sua mãe que ela está diante do Seu Senhor e Messias, bem como da sua Rainha e Senhora.
O eco da saudação mais não é que o início do anuncio público do Emanuel, Deus no meio dos Homens em forma humana.
Que encontro este, que feliz encontro que leva Maria a exclamar o lindo cântico do Magnificat
(Lc 1, 46-56).
João tem a missão de baptizar o autor do Baptismo, não sabia ele a quanta dignidade, desde o ventre materno – Deus o havia chamado. Não é um profeta qualquer, é aquele que tem o conhecimento da antiga aliança e anuncia a nova Aliança. Diante de Jesus que vem ao seu encontro, para ser baptizado no Jordão, João exclama: “Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?” (Mt 3, 14). Leva-nos a memória a fazer uma analépse ao já referido encontro: “E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?” (Lc 1, 41).
João tem a graça de baptizar o Messias, segundo a Lei, e de presenciar o Deus total, Pai, Filho e Espírito Santo em momento tão sublime da História da Salvação: “Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele.
E uma voz vinda do Céu dizia: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.” (Mt 3, 16-17)
Mais tarde viria o precursor a proclamar: “Pois bem: eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus.” (Jo 1, 31-34)
Quem dá testemunho de Cristo, por Ele jamais será esquecido. João deu a vida – pelo martírio – no anúncio da Verdade, no apontar o Cordeiro, na vida de penitência e simplicidade. A sua vida levou a que o Messias dele dissesse: “Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista; e, no entanto, o mais pequeno no Reino do Céu é maior do que ele.” (Mt 11, 11)
Ao celebrarmos hoje o nascimento de João, fica-nos também a certeza de que é grande o seu lugar no Reino dos eleitos de Deus, tão grande que na terra é o único Santo a merecer celebrar o dia do seu nascimemto – a par com Maria e Cristo – tão grande é a sua dignidade junto da Igreja que celebra a presença do Cordeiro apontado por João. Mas esta certeza ganha outro sentido com esta palavra de Jesus – em Mateus – que nos alegra por nos tornar dignos de ser maiores que João no Reino do céu. Não olhemos à grandeza ou pequenez d que temos e somos, tudo é dom de Deus e, por isso mesmo, confiemos que um dia participaremos da glória celeste onde João Baptista contempla Aquele que anunciou como a Luz que brilha nas trevas.

4 comentários:

Mª Teresa disse...

Família Retalhos (2),
Paz e Bem!
Que figura a de João Baptista! Quanta lucidez! Quanta aceitação! Quanta interiorização de TODA a sua menoridade perante Jesus Cristo! E que bela forma de ser concedida ainda essa benção: ele mesmo, João, tomou nas suas mãos água do rio Jordão e foi ele que TAMBÉM baptizou Jesus Cristo! "Também" porque ele assumia este papel entre o seu povo... Seu nome é João Baptista porque ele sempre celebrava muita cerimónia de Baptismo!
A vida terrena terminará sempre...confiemos tão só na glória celeste!!!!!!! Amen

Mãe Lena disse...

"Esta esterilidade pode significar, para nós, o campo onde Deus tudo pode realizar. É onde a lógica humana nada parece poder fazer..."

Leio e releio este momento e realizo o que mais me atormenta nos dias de hoje.

Todos temos um campo estéril, onde não há lógica para aquilo que se passa na nossa vida.

É neste campo que Deus actua com o Seu Amor. Só Ele sabe, onde e quando.

Aguardo, Senhor.

Mª Teresa disse...

Querida Mãe Lena,
...Toda minha vida tem sido criteriosamente gerida pela "lógica"...
Agora, não aguardo NADA, mas tenho confiança Nele...e isso me trás TÃO feliz! E Ele bem sabe disso...

Mª Teresa disse...

Grata, MUITO mãe Lena,
Quase um ano após ter escrito o seu bendito comentário realizei: de facto, como será lindo transportar toda a delicadeza associada ao vocábulo "esterilidade" para a vida de qualquer criatura...humana.
Faz decerto uma leitura muito mais gentil... Esterilidade, algo que nós nunca apostamos existir: muitas vezes o caminho é MMUUIITTOO longo mas, com perserverança, sempre PODERÁ será alcançado!
E, lá no Alto, todos nós seremos aceites, também por ele (São João Baptista), eu o creio!

AVISO LEGAL – Procurarei fazer, neste blog, uma utilização cautelosa de textos, imagens, sons e outros dados, respeitando os direitos autoriais dos mesmos. Sempre que a legislação exigir, ou reclamados os referidos direitos de autor, procurarei prontamente respeitá-los, corrigindo informação ou retirando os mesmos do blog

 
© 2009 | RETALHOS 2 | Por Templates para Você