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31 agosto 2010

Procurar com Francisco e Clara



(O texto que se segue é a minha releitura a partir das palavras da Ir. M.ª Amélia no 1.º Encontro)

1.º Procurar com Francisco e Clara

Iniciámos o dia com o Salmo 41:

“Como suspira o veado (corça) pelas correntes das águas, assim minha alma suspira por vós, Senhor” … “Dia e noite as lágrimas são o meu pão” … “Onde está o teu Deus”?

Este é um salmo que se nos apresenta como o desabafo e o sentir da alma desolada, triste, traída e em busca de Deus, com sede de Deus. Ao longo deste desabafo encontramos duas vezes este verso: “Porque estás triste minha alma, e desfaleces? Espera em Deus, ainda O hei-de louvar, meu Salvador e meu Deus”.

ESPERAR EM DEUS, mesmo que tudo à minha volta teime em fazer-me a pergunta “onde está o teu Deus” para que sofras tanto, para que te sintas tão abandonada, para que te sintas traída, ó alma sedenta do Deus que parece estar distante?

Onde está o teu Deus?

O nosso Deus não é um Deus ausente mas muito presente. Urge esperar as esperas de Deus que não são do nosso tempo mas no tempo certo de Deus.

No Hino cantado também esta manhã nós cantávamos o dia novo que amanhece, quem espera e desespera, a sempre nova primavera, quem do mal se ergue e levanta, canto quanto hoje Deus me der… alguns dos versos cantados na Oração matinal.

O amanhecer da nossa vida que cantamos não é o do passado nem o do futuro, é o hoje da nossa história com Deus e de Deus connosco.

Podemos então à luz deste canto reconhecer que na verdade Deus é o mar em que os místicos se movem.

Voltemos a Lc. 12, 22-32: “procurai o Reino de Deus”.

Perguntemo-nos sobre o que nos preocupa e o que nos ocupa realmente?

Face à nossa inquietude Cristo apenas lança um convite e ao mesmo tempo um desafio: “Não vos preocupeis com o amanhã, o Pai cuida… vinde, aproximai-vos de mim…”.

Quais as grandes questões da vida que coloco no meu caminho? Talvez o que o que agita e preocupa a nossa vida sejam simplesmente as emoções do coração que trazem tristeza, amargura, morte, alegria, exultação… sem dúvida que a nossa vida tem que estar repleta destas questões do coração. É por isso que cada vez mais os cardiologistas têm mais e mais clientes, porque os corações estão inquietos com tanta coisa e não conseguem gerir com serenidade e maturidade tais sentimentos.

A Ir. Amélia levanta então uma questão pertinente: “Que tal uma consulta ao nosso cardiologista (JESUS) para ver como está o nosso coração e os nossos sentimentos e emoções face a Ele? Urge fazer um silêncio bom de escuta, abrir-lE o nosso coração plenamente, auscultá-lo bem para ver como o sentimos bater”. O retirar-se do buliço pode ser um tempo de graça para fazer este exame médico da espiritualidade, acrescento eu.

Colocar questões a nós mesmos implica ESCUTAR respostas (de Cristo), para nos encontrar-mos com maturidade a nós mesmos e pelo nosso próprio pé, livremente e sem bengalas…

Lucas repete: “Eis que vos digo: (ESCUTAI) não vos preocupeis… com o que comer ou vestir… não acrescentareis mais à vida por isso … valeis mais que todas as coisas… o Pai cuida de vós, ACREDITAI!”

Tudo o que me preocupa e que não é essencial é resto, é secundário e o resto é para jogar para o lixo. Não devemos deixar que estes restos nos atormentem, parafraseando a palavra de Cristo, os pagãos procuram isso sem descanso. Vós porém, o Pai sabe do que precisais, não sejais como os que se lamentam em pedinchices de imaturidade espiritual.

“PROCURAI antes o Reino de Deus – continua – e tudo o resto vos será dado. Não temas, pequeno rebanho, porque agradou ao Pai dar-vos o Reino”.

Qual Reino? Perguntamos tantas vezes. Onde está? Este Reino não é algo distante, ele já está entre nós, é Jesus e o Seu Corpo que é a Igreja, é o Espírito do Pai actuante em nós e por nós. Não se trata de uma realidade para depois da morte, é o Reino anunciado presente 122 vezes nos Evangelhos sendo 90 vezes da boca de Jesus. Ele o repete tantas vezes para reforçar a certeza de que não é algo que está para vir mas sim uma realidade já presente no meio de nós.

O reino de Deus é uma revolução absoluta e urgente no mundo hodierno, neste dia como no dia de Francisco e Clara de Assis.

Para Francisco, este “certo dia” é um momento sagrado que o leva a afirmar “é isto que eu quero, é isto que eu anseio com todas as veras da minha alma” (Testamento, n.º 14). Francisco descobre que o que procurava estava mesmo ali, seguir Cristo sem medida respondendo ao convite do Evangelho. Por isso continua a afirmar que: “depois que o Senhor me deu irmão, ninguém mais me dizia o que eu devia fazer mas o mesmo Altíssimo me revelou que devia viver segundo o Evangelho…”.

Francisco vive aqui um momento sagrado de clareza invulgar, experiência religiosa e humana, surpreendido como Bernardo e Pedro que exultam de alegria ao encontrar-se com o Senhor e a Sua vontade.

Para o Religioso, o próprio Deus se revela deixando ver as suas maravilhas, os seus actos, os seus gestos, o seu Amor. Francisco compreende este sagrado instante da sua vida como momento de revelação naquele “certo dia, em certa igrejinha, com certo Evangelho…”

Este acontecimento fulcral na sua vida desafia-nos a nós hoje a REVIVER O SONHO DE FRANCISCO E CLARA NO CHÃO DA VIDA… na medida em que este “certo dia” guarda o momento fundador e fundante da nossa Vida Franciscana. Somos prova disso, aproximamo-nos cada vez mais do chão sagrado, onde devemos descalçar as sandálias (peregrino), e de pés descalços experienciar a leveza do dom de Deus e do Seu reino.

Reviver ou recordar é fazer comemoração. As grandes memórias celebram-se na nossa sociedade com grandes comemorações e festas que proliferam a propósito e despropósito. Cada vez mais se faz uma festa ou comemoração por tudo e por nada. Até nós, os Religiosos, já nos vamos tornando peritos de tais festas e comemorações, quiçá à luz do mundo, para esquecer o concreto e o cerne que deve motivar o nosso viver quotidiano. É importante comemorar, claro que sim, a festa e a alegria é uma característica do Cristão e do Franciscano mas só na medida em que se prolonga na vida, deixar que a festa fique num rosto a contemplar apaixonadamente porque acontecimentos sagrados são absolutos e eternos, vivem o presente cada vez com mais entusiasmo e projectam o futuro com mais audácia.

Urge perguntar: Será que nos reconhecemos ao olhar o espelho da vocação e da vida de Francisco e Clara? Ter-se-ão apagado em nós os seus sonhos e o nosso sonho?

A vida de Francisco e Clara foi um sonhar permanente, pois só quem sonha tem a capacidade de transformar a realidade da vida e não ficar aquietados à espera dos outros que não sonham. Francisco sonhou, escutou Deus e partiu em missão e os outros vieram ao seu encontro.

Há uma distância entre o sonho de Francisco e o nosso sonho. É importante tomarmos consciência disto porque o Carisma sonhado por Francisco e Clara está longe de esgotar as suas possibilidades. Há muito para fazer com ousadia, coragem e esperança porque este carisma fala alto ao Homem de hoje pela afinidade que este tem para connosco, filhos e filhas do Poverello, pelo contraste e desconcerto que um tal carisma pode provocar (positivamente) no mundo actual que vive muito do edonismo, do egocentrismo ao qual respondemos com a nossa vida fraterna, o nosso ser Irmãos. As bandeiras do nosso agir actual devem ser as da solidariedade como expressão própria da Menoridade (Irmãos Menores), da paz, da ecologia, da justiça, da sobriedade, do diálogo ecuménico das relações humanas e fraternas.

A hora actual não é só desgraça mas é HORA DE GRAÇA. Temos que ousar abrir os olhos, romper horizontes para encontrar portos de saída para as diversas situações que se nos deparam a cada momento. “Devemos, como nos recorda a Sagrada Escritura, permanecer em trajes de trabalho”, não cruzar os braços como se tudo já estivesse acabado ou como se já nada tivesse solução.

30 agosto 2010

Varatojo: Lugar da Procura

(FOTO: Irmã Maria Amélia Costa - FHIC - cantando com os Irmãos em retiro)

Mais uma vez, como habitualmente no fim de Agosto princípio de Setembro os irmãos mais jovens da Ordem Franciscana e alguns menos jovens se reúnem no Real Convento de Varatojo para o seu retiro anual de cinco dias. Aqui, cerca de 30 irmãos de Portugal, Cabo Verde, Moçambique e Timor param para serenar a vida e recomeçar com forças rejuvenescidas.

Os mais novos, em formação inicial, uns preparam-se para iniciar o Noviciado e três para terminar e se Consagrarem ao Senhor na senda de Francisco de Assis no próximo sábado.

Orienta este retiro a Irmã Maria Amélia Costa, Açoreana da Ilha do Faial, Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição, Irmã e Amiga de muitos anos e que tanto nos tem ajudado a crescer na fé com a sua palavra, força e música.

(Recordo que aqui no Retalhos muitas vezes escutamos músicas suas e que recebeu há algum tempo o prémio pela música religiosa e que aqui publicámos).

A Ir. Amélia traz a este retiro o tema: “Reviver o sonho de Francisco e Clara no chão da Vida”.

NB. Tudo o que aqui pblicar sobre este tema não é da minha autoria mas é a minha releitura a partir dos apontamentos e reflexão que nos deixa a Ir. M.ª Amélia.

Introduzindo as nossas reflexões levou-me ao mar, dizendo que passou uma semana junto ao mar sem se preocupar com o retiro. Deus tudo cuidará e nada como encontrar-se no mar de Deus, dizia, para deixar tremer o sistema nervoso, tantas vezes afastado do convite d’Ele e das responsabilidades a que ela era chamada, orientar um retiro aos Irmãos. Tal experiência de mergulhar no mar de Deus leva à confiança n’Ele e nos Irmãos e, por isso mesmo se apresenta a nós não como uma conferencista nem como alguém que vem ensinar algo de novo. Apresenta-se como Irmã Menor com a partilha do que é e simplesmente baseando-se na Palavra de Deus e na Palavra de Francisco.

É de notar que antes de vir para junto dos Irmãos pediu a bênção de um outro irmão nosso que orienta nestes dias o retiro às Irmãs Franciscanas Hospitaleiras em Fátima. Uma irmã vem partilhar Vida com os irmãos e um irmão orienta retiro às irmãs. Retive esta simplicidade de brincar a sério com o que é sério na nossa vida.

Nota ainda muito importante a referência à sua Comunidade de 18 irmãs que em Fátima rezam por nós e que nos enviam abraço muito amigo e fraterno. Para nós, sobretudo os que há tantos anos partilhamos o dom da fraternidade e amizade com estas irmãs foi bom acolher o abraço trazida pela Ir. Amélia e sentir que estamos em sintonia de oração.

Depois de mergulhar uma semana no mar dos Açores, diz a Ir. Amélia que vem fazer connosco o seu novo retiro. Não vem como conferencista e muito menos como uma mulher que vem pregar aos homens, Sacerdotes, Frades, irmãos em formação. Vem como Irmã para, entre os Irmãos, continuar a fazer a experiencia de mergulhar no mar de Deus.

Nos seus 63 anos, reconhece o que todos nós sabemos ser uma verdade, o mundo está cansado de conferências, discursos, palavras bonitas, longas meditações e clichés e nós religiosos não fugimos a esta realidade. Todos estamos carenciados, dizia, deficitários de parar, mergulhar no essencial da vida e nos atirarmos para quem nos pode salvar e isto só é possível num autêntico anúncio de Deus com a nossa vida, não com palavras e mais palavras.

É uma irmã que se diz vir expectante do que vamos viver e do caminho que vamos fazer em conjunto ao longo desta semana: rezar, cantar, celebrar, viver juntos para fazer uma releitura da vida que tanto nos dá.

Somos um grupo de privilegiados face a tantos que vemos pelo mundo. Deus olhou-nos, chamou-nos e quis-nos para fazermos e sermos Comunidade de Fé.

Andamos cansados, fatigados, preocupados de tal forma que parece não haver férias que nos salvem porque o nosso cansaço é interior, existencial da vida e da alma.

Imaginemo-nos a ir ao médico e, em vez de dizer das nossas dores físicas, dizermos que estamos doentes da alma, que nos dós a alma (comparação bonita e que retive especialmente, a dor da alma). Precisamos de alento, alívio para esta dor da alma e na verdade só Cristo no-los pode dar, Ele que repete constantemente “VINDE A MIM”. (Aqui a nossa Irmã pegou na viola e cantou-nos umas das suas músicas – que eu ainda não conhecia – e que tem por tema este “Vinde a mim… Eu vos aliviarei… Aprendei de mim… e encontrarei alívio para as vossas almas”, Mt. 11, 28).

Estes dias podem ser momento de graça se eu deixar ser em mim o que Deus quer contudo, Ele respeita a minha liberdade. O mundo descentra-nos e por isso este pode ser o tempo de mergulhar em Deus e centrarmo-nos no essencial. Estamos quase habituados a ver em tudo um problema, cada coisa que se nos depara é um problema logo à partida e a vida torna-se algo pesado. Nada verdade não deve ser assim, a Vida deve ser o lugar e o tempo da oportunidade para deixar que Deus Viva.

Desta forma, e durante esta semana, algumas questões se nos colocam: o quê e a quem procuro? O que mais preocupa o meu espírito?

Entra aqui – ainda que só mais tarde venhamos a entender porquê – o exemplo dos Reis Magos vindos de longe. Sabiam o que procuravam e o que mais os preocupava. Procuravam uma Estrela que estava num lugar certo e fixo, preocupavam-se em encontrá-la acompanhando o seu brilho que os conduzia e quando A encontraram adoraram-n’A.

Surge então mais uma questão: Onde está a minha estrela? Que nome posso eu dar as estrelas que orientam a minha vida? O que me faz correr, viver, retirar, estar aqui?... Quem é a estrela que me move?

A estrela está sempre associada à noite e as noites são para as grandes coisas, para as reflexões com o silêncio e a almofada, diria o nosso povo.

Os jovens cada vez mais procuram a noite e se possível que ela se inicie tarde para que se possa prolongar quase até ao amanhecer porque é na noite que se vive, ainda que ilusoriamente, a folia da vida.

Para os místicos e para a espiritualidade também a noite tem um significado importante. É na noite escura que se fazem caminhadas silenciosas ao encontro da vontade de Deus, é na noite escura da alma que nos podemos identificar mais intimamente com Ele, por isso a noite revela, de certa forma, a nossa identidade, a estrela que nos move e para onde orientamos a centralidade do que somos.

Voltando ao que atrás já se reflectia, somos desafiados a não passar a vida a lamentar-nos mas a destacar o tanto que a vida nos tem dado, sobretudo as coisas boas que nos ajudaram a encontrar com Deus, com os outros e connosco.

Desta forma o Homem tem obrigatoriamente que ter em si um enorme sentimento de alegria, característica tipicamente franciscana. Olhar a vida como dom desta alegria leva-me a olhar para a solução dos meus problemas como algo que está dentro de mim porque os problemas também estão dentro de mim. Estamos aqui para solucionar os problemas interiores e as incógnitas que o futuro nos espera e percebermos que é dentro de nós que está a solução e entregarmo-nos à escuta da voz que nos diz “VEM A MIM!”.

Ele, Cristo, não tem a culpa das nossas cruzes. Ele dá-nos meios para aliviar a nossa cruz e também a dos outros em vez de as complicar e sobrecarregar mais ainda.

Olhemos então para o exemplo de Francisco de Assis e os seus primeiros companheiros. Num dos textos das Fontes, Anónimo Perusino 2, relata-nos que dois homens, Bernardo e Pedro, testemunhas oculares, foram dizer ao Poverello: Queremos viver contigo e proceder como tu procedes, que devemos fazer?”. Não pedem para viver como ele mas sim com ele. Não se trata de seguir pisadas senão estar e viver com e aí sim, proceder do mesmo modo vital daquele que seguem. Seguir implica conhecer o caminho, saber o que fazer, discernir criteriosamente o que é seguir, viver e proceder com e como… Francisco não aponta caminhos, ele sabe o que quer para si mesmo e o escreveu e, por isso, simplesmente os conduz a pedir conselho ao Senhor. Se Francisco segue a Cristo, tem que ser Cristo a dizer o que fazer. Ganha aqui uma enorme importância o resto do texto que refere que foram ambos a uma igreja, ouviram o Evangelho, pediram ao sacerdote que lho explicasse e perceberam qual o conselho que Cristo lhes dava:

· “Se queres seguir-mE, vai, vende tudo, dá aos pobres e vem!”

· “Quem quiser seguir-me, tome a sua cruz e siga-mE!”

Antes de mais salienta-se a resposta de Jesus com verbos que nos impelem a um enorme dinamismo, a não ficar aquietado mas a seguir com alegria o seu conselho/convite.

Tal como Francisco estes dois homens experimentam ema enorme alegria ao ponto de exclamar: “aqui está o que nós desejamos e procuramos!”

E eu/nós o que é que procuramos? O que nos pode fazer estremecer de alegria e fazer dizer: “Eu sou um Homem feliz?”…

Lança-nos aqui a nossa irmã sete apelos:

1. Silêncio.

Não se trata de calar só por calar, como uma mera imposição ao jeito de tantos retiros e experiencias espirituais. Fazer silêncio não é simplesmente estar calado, é deixar-se acompanhar pelo “anjo do silêncio” (referência ao livro “50 anjos para a alma”, verei depois o autor).

Este silêncio implica da nossa parte um enorme equilíbrio ou não será profundo que em nada tem a ver com a mudez, o tal silenciar só por não dizer palavras.

Cristo, Maria, Francisco foram pessoas equilibradas e, por isso, as suas acções e palavras foram as certas para cada momento ainda que nem sempre entendidas. Já Saint Exupery diz que “o essencial é invisível aos olhos, só se vê com o coração e é aí que o silêncio ganha o verdadeiro e profundo sentido.

2. Abertura à novidade.

Cristo repetiu vezes sem conta: “Eis que vou criar novas, todas as coisas, não o vedes”? Na verdade nós não vemos porque nos habituámos ao velho, ao rotineiro, ao ritualismo de sempre. Esta abertura ao novo da história que Deus quer fazer connosco chama urgentemente à escuta da Palavra, de tal forma que lh’E falemos como um amigo ao outro amigo, tal como Moisés no diálogo com o Deus do Sinai.

Vivemos um tempo em que parece que ninguém escuta ninguém e ao mesmo tempo todos procuramos quem nos escute. Temos que nos escutar a nós para podermos abrir-nos à escuta do outro e ao que ele me pode trazer de novo.

Por vezes parecemos estar muito “santinhos” diante do Senhor, parecemos estar tão atentos ao que Ele nos diz, quiçá ajoelhados no oratório ou capela e quando saímos destes espaços depressa esquecemos que a escuta da Palavra de Deus se perpetua nos irmãos a quem devemos escutar e amar como ao Senhor. Diz S. João que “quem diz que ama o Senhor que não vê e não ama o irmão que vê, é mentiroso”. Como escuto eu o Senhor e como escuto/amo os irmãos?

3. Fazer uma releitura da nossa Vida.

Como comunica Deus comigo? Como sinto a minha relação com Deus? É como um magote que nem se dá conta do ser único, do ser indivíduo no meio da multidão?

Deus comunica-se comigo de forma única, específica, original, diferente daquela comunicação que usa, também ela única, com os outros.

4. Sinergia dos sentidos.

Não se trata de ter apenas e tão somente alguns dos nossos sentidos a funcionar mas sim todos os sentidos. É o nosso todo que deve estar sinergicamente em complementaridade como se fosse uma perfeita harmonia. Poderíamos aqui recordar a forma como S. Francisco celebrou o Natal de Greccio, e que tantas vezes já reflectimos. A forma como ele ao pronunciar o nome “Menino de Belém” como que imitava o balir de uma ovelha e ao mesmo tempo ao dizer tais palavras passava a língua suavemente pelos lábios como que para saborear a doçura que elas imprimiam na sua mente, coração e sentidos. É fazer de todos os sentidos do nosso existir um trabalho perfeito onde nada fica ao acaso e onde o mais pequeno pormenor é importante.

5. Sentir-me profundamente amado.

No nosso tempo é urgente sentir o amor infinito de Deus. O mundo parece querer ofuscar da nossa consciência esta realidade existencial: Deus ama-me incondicionalmente e por isso deu a vida por mim na Pessoa de Cristo.

Para tal a nossa atitude tem que ser a de quem se deixa tocar pelo amor de Deus, de sentir a presença amorosa d’Ele em cada momento do meu dia-a-dia para eu ser aquilo que Deus quer que eu seja no horizonte último do ser amado por Ele.

6. Rever a minha história com Deus ou a história de Deus comigo.

Não podemos correr o risco de parecer consumidores desenfreados de montras, como quem procura algo que nem sabe o que é ou o lugar certo para encontrar. Deus não está nas lojas de marca e muito menos nas que estão em tempo de saldos. Não podemos perder o nosso tempo porque é o tempo de Deus. Por isso há que fazer permanentemente o ponto de situação da história de Deus comigo e da minha em com Deus. Todo o tempo é o tempo certo que Deus faz comigo e eu tenho que saber claramente onde me encontro na intimidade com Ele e não andar ao sabor das modas ou das correntes de quem opina e me desvia do caminho com Ele.

7. Viver vigilantes.

Estar vigilante é permanecer em vigília constante, não desviar o olhar e o coração do essencial que é Deus. É estar sempre pronto a escutar para responder afirmativamente à Palavra que me apela ao novo e à relação íntima e amorosa.

Por isso Cristo nos exorta a que não nos preocupemos com o que havemos de comer ou vestir porque se Deus cuida de todas as criaturas muito mais cuidará de nós. Mas este não se preocupar não significa cruzar os braços, significa, e ainda no dizer de Jesus, acreditar n’Ele procurar o Reino de Deus, Reino que o pai nos quer dar com gratuidade e amor (Lc 12, 22-32).

Terminamos, por agora, perguntando então: O que procuro? Quem procuro? De que ando à procura?

26 agosto 2010

Madre Teresa: 100 ANOS

Hoje celebramos CEM ANOS do nascimento de Madre Teresa de Calcutá.
Tive a alegria de a conhecer pessoalmente quando veio inaugurar a Casa dom do Amor de Maria, em Chelas (Lisboa).
Quuero unir a minha voz e o meu sentir ao das Missionárias da Caridade e de toda a Igreja pelo testemunho de vida e entrega aos mais pobres sem olhar a raças, classes sociais ou mesmo religião


08 agosto 2010

O mais pequeno...

O mais pequeno!

Tive fome e deste-Me de comer.

Era peregrino e recolheste-Me.

Estava nu e vestiste-Me.

Doente e visitaste-Me…

...sempre que o fizeste a um dos mais pequenos,foi a Mim que o fizeste! (cf Mt 25,34)

O mais pequeno!

O mais pequeno é todo o que faz a experiência

do limite e a contingência da fragilidade humana.

- O irmão ou o vizinho esquecido, abandonado e só.

O mais pequeno é a criança,

o adolescente, o jovem,

… os que não saboreiam o calor de um lar:

filhos de pais vivos ou educadores ausentes.

O mais pequeno é o desnutrido do pão da Palavra,

do pão do amor,

do pão da ternura ….

O mais pequeno é o faminto

de gestos que não se escrevem,

não se enumeram e não se dizem…

O mais pequeno é todo o humano

que nos fita e, no silêncio do olhar,

pede um sorriso, um simples parar, uma palavra!

Não damos conta da urgência dos gestos,

Dos gestos pequenos que acendem estrelas

Nos céus mais sombrios

Dos dias que passam!

Hoje, apenas hoje, pensa a sério,

Que este é o tempo da simplicidade,

Do quotidiano, do sem brilho,

Dos pequenos-grandes gestos

De uma solidariedade que tem de ser global

Como o amor

Que tanto pediu João Paulo II,

O profeta da “nova fantasia da caridade “!

A grande entrega ao mais pequeno

É que irá transformar o cenário social!

Há gestos

que valem mil palavras!

Eu colocaria:

Mais gestos solidários…

Menos palavras! Mais amor!

(Ir. M.ª Amélia Costa - FHIC)

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