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Senhor! Fazei-me instrumento da vossa paz!

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03 setembro 2010

Magos: Buscadores da Verdade

(FOTO: pormenor do Claustro do Convento de Varatojo.
O texto que se segue é a minha releitura a partir das palavras da Ir. M.ª Amélia no 2.º Encontro)

2.º ENCONTRO: Magos, buscadores da Verdade

No segundo encontro continuamos a reflectir na procura, na busca da Verdade.

Curiosamente a nossa reflexão vai levar-nos ao tempo do Natal, ao tempo da Epifania, manifestação de Deus, no Menino de Belém, aos Magos vindos de longe. Também eles PROCURAM, BUSCAM a Verdade. Falemos do seu percurso antes mesmo de falar da Encarnação do verbo.

A Ir. Amélia começa por recordar que todos nós estamos aqui porque queremos procurar Deus e deixar ao mesmo tempo que Ele nos encontre recordando de novo a importância da nossa história com Ele. Desta forma a nossa oração poderá ser: “que eu Te conheça, que Te possa experimentar, para que o meu coração Te ame e amando-te continue a seguir-Te”.

O nosso caminhar deve ser sempre com Ele á frente, seja nos momentos bons seja nos maus e ter sempre diante de nós as palavras e o sentir de Francisco de Assis: “Quem és Tu, ó Deus meu, e quem sou eu? Que eu Te conheça, ó Deus, e me conheça”. Uma tal oração leva-nos e sentir o pulsar da nossa identidade, a identidade de filhos de Deus, como Francisco que no momento do seu despojamento das coisas do mundo exclama: “de hoje em diante direi apenas ‘Pai Nosso que estais no céu”!

Mas… e os Magos? Como os inserir neste processo e itinerário de busca e procura? Qual é o percurso espiritual destes homens? (Cf. Mt. 2, 1-12)

Ao que parece nem eram bem reis nem magos. Seriam sábios, pessoas preparadas, crentes, estudavam os fenómenos da terra e do céu, astrónomos, matemáticos, buscadores da Verdade e nesta busca empenhavam-se a sério. O seu intuito não era o de buscar ou conhecer coisinhas insignificantes, secundárias mas algo mais e de elevado valor, algo profundo e, por isso, buscam com o empenhamento da sua vida honesta e coerente, não na superficialidade.

Vejamos:

1.º Descobriram algo que podia levá-los à Verdade e deixaram-se conduzir.

Não eram Judeus, nem Romanos, nem Gregos mas sábios do Oriente que nos desafiam a seguir na sua procura pessoal da Verdade.

Cada um sai da sua terra e faz o seu caminho pessoal, por sua própria conta e risco e encontram-se em um lugar e chegam juntos a Jerusalém. Este lugar onde se encontraram não é o mais importante. O que importa realçar aqui é que Algo os chamou, reuniu e viram um elemento comum: uma estrela.

Nos nossos dias ouvimos muitas vezes chavões como “segue a tua estrela”. Mas afinal quem é a nossa estrela? Que nomes lhe podemos chamar? Que estrelas seguimos nós?

2.º Que procuravam em Jerusalém e Belém estes sábios?

Eles descobriram uma estrela diferente de todas as outras e perceberam que representavam o cumprimento de uma promessa, eram desafiados, chamados a procurar o Rei.

Não devemos dizer “o que procuro” mas sim “a quem procuro”. É isto que leva ao sentido vital dos nossos passos, é aqui que o não lógico se torna lógico, o não sentido se faz sentido.

Os Magos perceberam QUEM PROCURAVAM: procuramos O Rei de Israel que acaba de nascer”, não um rei qualquer mas o Rei que é Deus. É por isso que se dirigem a quem devia saber onde encontrar o Rei, pedem conselho a Herodes que governa a Judeia. Querem encontrar o Rei porque querem adorá-lO, Ele é o Deus incarnado, Jesus Cristo. Vieram para O adorar e não para pedir coisas ou estudá-lO de perto ao jeito dos cientistas, nem mesmo para confirmar a fé. Vieram animados e sedentos de Deus com um interesse espiritual, não material, como o “veado (corça) que anseia pelas águas vivas”. Esta é também a nossa sede de Deus, sentir necessidade d’Ele porque por Ele tudo deixámos.

O tempo dos Magos, no seu caminhar até Jerusalém, não o conhecemos porém sabemos o mais importante; que eles fizeram um caminho de procura seguindo aquela estrela talvez durante meses ou anos…

3.º A motivação comum para esta busca é a sede de pagar com amor o Amor que sabiam haviam já recebido e iriam continuar a receber “porque Deus amou de tal modo o mundo que lhe deu o Seu Filho único” (Jo 3, 16).

Os presentes dos Magos são sinais desta “paga”, sinais de oferta, as nossas ofertas humanas. Há que perguntar, à luz desta imagem, como representamos nós o Amor de Jesus? Com ouro? Incenso? Mirra? Ambos? Que oferecemos nós e que significado tem o nosso oferecimento a Cristo?

Não podemos esquecer que a melhor oferta retributiva da nossa parte a este Amor de Deus, é a oferta de nós mesmos, do nosso sim, tal como foi a oferta e o sim de Maria. Se não fizermos da nossa vida uma oferta permanente ao Rei e Senhor Jesus, poderemos estar a impedir que o mistério da Incarnação aconteça no hoje concreto da história humana e, assim, não teremos a resposta de Jesus “Sempre que o fizeste ao mais pequeno dos meus irmãos, foi a mim que o fizeste” (Mt 25, 40). Mais ainda, não permitindo que a Incarnação aconteça no nosso hoje e nos irmãos, poderemos sentir-nos muito incomodados de tal forma que não somos capazes de cumprir o conselho de Cristo: “tu, porém, quando orares, entra no quarto mais secreto e, fechada a porta, reza em segredo a teu Pai, pois Ele, que vê o oculto, há-de recompensar-te” (Mt, 6, 6). Segue-se a esta exortação a oração magna da comunhão com Deus e com os outros, o Pai-Nosso. Impossível rezar tal carta magna e esquecer o encontro íntimo com o Rei, no silêncio, e a acção fraterna junto dos irmãos que estão ao nosso lado e que precisam de nós. São eles, hoje, os Cristos do nosso viver.

A verdadeira oferta dos Magos partiu de si mesmos como entrega amorosa de si Àquele que os tinha amado primeiro e os chamou.

Poderíamos aqui reflectir sobre as suas DISPOSIÇÕES EXTERIORES E INTERIORES:

· EXTERIORES

a) Tiveram de tomar uma decisão: deixar casa, terra, família, os estudos e talvez nem tivessem sido entendidos pelos seus conterrâneos ou familiares, sofrendo certamente críticas destrutivas face às suas opções.

b) Levaram dons. Não partiram de mãos vazias como simples turistas para visitar algo. Prepararam-se para a viagem com tempo e pensaram no que deviam levar. Não sabemos como foi este processo preparatório mas certamente que ele foi uma realidade pois ninguém se punha a caminho para uma tão longa viagem sem a preparar ao pormenor. Esta atitude foi certamente o que lhes abriu mais tarde os olhos e o coração para perceber qual o caminho que deviam fazer no regresso, contra todos os pedidos de Herodes e com a ajuda do Espírito Santo.

c) Disponibilidade plena. Deixaram tudo o que tinham para fazer. O empenho nesta procura implica deixar compromissos por outros maiores. É um procurar exclusivo que nos remete a questionar sobre a quem procuro e com que exclusividade.

Desligaram-se das disposições afectivas e puseram-se deserto dentro por um bem maior. O deserto é árido e não se pode ir muito carregado, por isso, há que preparar bem a viagem na confiança total em Deus que nos repete: “Conduzir-te-ei ao deserto para aí te falar ao coração” (Oseias 2, 16). Mas o deserto provoca medo, insegurança, por isso muitas vezes damo-nos conta que estamos permanentemente a fugir dele, fugindo assim de Deus que nos chama e nos quer falar com amor. Sem este encontro nada nem ninguém nos poderá salvar.

Colocamos as nossas esperanças em muitas coisas, as nossas motivações em superficialidades esquecendo que devemos ir ao deserto para este encontro de Amor, não conseguimos permanecer nele (deserto) e não percebemos que estamos a fazer uma travessia de deserto, não a queremos fazer e Deus continua a fazer-nos ficar no deserto, como no salmo, com esperança (vocação) num tempo de exílio: Sl 27, 10

· INTERIORES

a) Confiança, apesar da fadiga do caminho. A sede de água no deserto, o calor tórrido, a areia e o vento são contingências geradoras de dificuldade interior. Os Magos perdem de vista a estrela a dado momento e devem ter experimentado no seu interior o sentimento de perda, de escuridão, como se diante deles tudo se desvanecesse, tudo desaparecesse.

Mesmo assim, continuam confiantes n’Aquele que os tinha chamado: “não fostes vós que me escolheste, fui Eu que vos escolhi e vos destinei para que vades e deis fruto” (Jo 15, 16).

b) Humildade. Os sábios (Magos) reconhecem que aquela Criança era mais que eles. Depararam-se com um cenário de uma família normalíssima, um pai, uma Mãe e um Filho mas reconhecem que aquele Filho era maior que eles e mais sábio que eles, ainda que sendo um bebé. Por isso diante d’Ele se prostram e O adoram, oferecem-lh’E presentes.

c) Homens de espírito orante. Como Francisco de Assis (Homem Oração), em permanente busca na intimidade, conseguiremos procurar e encontrar Este que procuramos na nossa vida e na nossa vocação. Sem oração não há estrela que nos aponte o caminho, não há luz que oriente a vida, tudo parece escurecido contudo, Ele está ali e nós é que O não vemos. Quem deseja ardentemente deixar-se encontrar por Deus é alguém que sabe rezar com o coração e não apenas através de ritos, devoções pias, formulas pré feitas. A oração que leva ao encontro com Deus é aquela que brota do mais íntimo do coração que busca a sede de Deus vivo.

d) Silêncio. Para estes Magos, o silêncio era tão pesado que não foram capazes de ficar calados. Podemos perguntar que tipo de silêncios terão feito ao longo do caminho pelo deserto à procura de Deus e que deserto é este para nós. Para eles talvez tenha sido o silêncio de rezar a intimidade e… para nós?

e) Pediram conselho. Sendo conhecedores das estrelas e dos astros, não se sentiam senhores da verdade, da sabedoria e da ciência. Deixam-se ajudar, mais ainda, procuram ajuda de quem conhecia o terreno (Judeia) de quem governava e que, certamente saberia onde teria nascido tão grande Rei. Herodes era um homem mau, invejoso mas Deus serve-se de instrumentos bons ou menos bons para nos ajudar a encontrar o caminho recto, para nos ajudar a fugir do maligno. Herodes era mau, os Magos seguiram o seu conselho de ir procurar o Menino em Belém, mas não o cumpriram até ao fim, não lhe foram dizer onde Ele havia nascido, porque entenderam que não era um bom instrumento de Deus mas sim um instrumento contra Deus.

Olhando uma vez mais este texto que nos serviu para esta reflexão (Mt 2, 1-12), somos convidados a redescobrir o itinerário da procura, da busca destes homens e a olhar para o nosso itinerário na procura de Deus sobretudo no acto sublime da adoração de Cristo Eucaristia. Este é o acto da intimidade mais sublime, acto por excelência onde as nossas mãos vão pegar nesta Criança (Jesus Eucaristia) que nasceu e vamos comer e beber d’ELE. É impossível passar por uma experiência destas com a verdade do nosso querer e não sentir a alma completamente transformada em Deus, como nos refere tantas vezes S. Francisco, sobretudo na Carta a toda a Ordem.

5 comentários:

maresia disse...

Que será de nós, simples mortais, sem estes tempos para "carregar baterias" como estes nossos Irmãos, para prosseguirmos viagem, pois, como dizia alguém que considero superior, "...nós não somos daqui, estamos de passagem..." quase como os "Magos".
Querida Família Retalhos temos um tesouro para descobrir nestes textos tão belos e profundos, através de tempos de paragem que para nós próprios temos de arranjar, se queremos saber para onde queremos caminhar. Devido a um erro aqui no computador, que a minha ignorância me impede de resolver, tive que copiar os textos...e aí pude rele-los com mais tempo; ainda bem. Temos a promessa de que ainda vão chegar mais...ficamos à espera. Obrigada Amigo por continuar a "alimentar" este cantinho do céu...Deus seja louvado e bendito.

maresia disse...

E agora para si Irmã Amélia, cuja voz eu ouço diariamente, alegrando o meu dia, foi/é para estes nossos e seus Irmãos uma estrela a indicar o caminho, deixando livre a decisão para os que querem caminhar, ou não. Assim para nós, tão pequenos e frágeis, também nos aponta um caminho possível...como dizia o Mestre: quem tiver ouvidos que ouça e olhos, que veja...perdoe-me a ignorância, por não saber indicar correctamente as palavras de Jesus. Obrigada por tanto, que a todos nos enriqueceu neste "Chão da Vida..." de cada um de nós.
Deus a abençoe e fortaleça

fiducia disse...

Reitero aqui as palavras de Maresia: obrigada Irmã Amélia por ser Estrela a indicar o caminho e através da partilha deixada pelo Frei Albertino ajudar todos nós. OBRIGADA

Mª Teresa disse...

Irmã Mª Amélia,
Que ventura discorrer sobre tema TÃO NOBRE com tamanha doçura e simplicidade... Porventura suspeitava existir um FA nos ouvintes ATENTOS, que iria partilhar (mais tarde) todo seu discurso deste jeito simples e belo? Acredito piamente que o fez: FELIZ porque sempre Acreditou,(estou QUASE redondamente consciente desta sua certeza...), coisas POSITAVAS podem surgir... POR FAVOR, me deixe continuar vivendo com Anjos à beira...

Mª Teresa disse...

Família Retalhos 2,
Paz e Bem!
Reconheço: espiríto de FA é BEM AMIGO! Ele escutou Irmã Mª Amélia... e soube reportar-nos esta bela partilha, engendrando as caligrafias MAIS adequadas, o colorido da mesma...enfim cenário completo para prender "retalhistas"!
Bem haja!

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