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Senhor! Fazei-me instrumento da vossa paz!

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09 setembro 2010

O PROGRAMA DE JESUS


(FOTO: pormenor do Claustro do Convento de Varatojo com o sino que ainda hoje é o que está em uso para chamar na portaria.

O texto que se segue é a minha releitura a partir das palavras da Ir. M.ª Amélia no 4.º Encontro)

O PROGRAMA DE JESUS

Ao reflectirmos sobre o texto anterior: as estratégias e critérios (programa) do demónio, podemos ficar presos ali, tal como tantos séculos aconteceu com a Igreja e os seus “papões”. Não, de todo! Toda aquela reflexão nos levava à última frase escrita e que parece passar despercebida no meio da reflexão: Não podemos esquecer que nas encruzilhadas da vida a resposta para não cedermos ao programa do demónio está na forma como fugimos à tentação e que isso só tem um caminho, a porta estreita.

É aqui que retomamos o 4.º encontro com a nossa Ir. Amélia, para falar deste projecto a que podemos chamar agora “O PROGRAMA DE JESUS”, ou as estratégias, os critérios.

Este programa só ganha verdadeiro sentido no Sermão da montanha, a Carta Magna das Bem-Aventuranças (Mt 5, 1-12; Lc 6, 20-23).

Na perspectiva deste texto, seguir Cristo, implica negarmo-nos a nós mesmos, viver não a partir de nós mesmos mas dos outros. Quem vive só para si nunca pode ser feliz. Francisco de Assis nunca quis uma Ordem de Frades para o Claustro mas para o mundo, isto é, para o contacto com as gentes, ao serviço humilde para e com as gentes, na alegria e disponibilidade. Por isso ao longo dos séculos os Franciscanos foram chamados de Frades do povo, de irmãos de todos. A alegria Franciscana reflecte obrigatoriamente a vivência do sermão da montanha ou não será alegria franciscana. Somos seres relacionais e só na medida em que nos abrimos à relação com o outro poderemos ser felizes e realizarmo-nos em plenitude que no nosso caso só se entende a partir dos outros e a partir de Cristo, como referiu o Papa João Paulo II. Por isso Francisco envia os seus primeiros companheiros dois a dois pelo mundo; irmãos em relação fraterna e franciscana, enviados à relação com os irmãos de todo o mundo.

Um outro aspecto deste caminho, que não podemos esquecer, é o da gratuidade. Vivemos num mundo onde ninguém dá nada a ninguém, assim o ouvimos dizer muitas vezes, um mundo onde é cada um por si mesmo e a ver quem ganha mais à custa da exploração do outro, que por norma é sempre o mais fraco e mais desfavorecido. Vivemos num tempo onde tudo se paga, onde o dinheiro e os créditos é que ditam o correr do dia-a-dia e onde a gratuidade está cada vez mais em défice. O cristão, e por conseguinte o franciscano, é chamado a marcar a diferença dando a vida na disponibilidade de relação humana e na gratuidade que lhe vem do testemunho de Jesus Cristo e Francisco.

Assim, tomar a Cruz todos os dias e seguir Jesus, é a melhor sabedoria de viver. A revolta e rejeição que hoje tanto impera contra a Cruz, acaba por a tornar mais pesada a nós mesmos e sente-se mais como sinal de superficialidade das opções em vez de sinal fecundo da alegria de optar por ela. Cristo deu-nos tudo quanto podia naquela Cruz, deu-se a Si mesmo. Podemos questionar-nos a nós mesmos se nós já lhe demos tudo o que podemos dar de todo o coração, indiviso, aberto…

Perguntemos ainda qual o horizonte de vida para quem segue o Crucificado e sabe que tem que se negar a si mesmo para dar a vez ao outro, privilegiando o outro? Só pode ser de verdade, clareza, luz, unidade, alegria e sobretudo a harmonia interior, cósmica e franciscana a que somos chamados neste mundo tão virado para si mesmo e tão dividido. Viver esta harmonia aproxima os outros, faz que experimentem o nosso viver e a nossa alegria de ser e partilhar Vida. Ora se estivermos com atenção veremos que um tal caminho, ou programa de vida que Jesus nos impele a viver, é completamente antagónico, contrário ao que víamos no dito “programa do demónio”.

São muitos os exemplos que podiam ser aqui presentes para reflectir sobre o PROGRAMA DE JESUS contudo, a nossa Ir. Amélia, escolheu TRÊS tipos de resposta a partir de três personagens:

1. JOVEM RICO (Mt 19, 16-30). Todos temos em nós um jovem rico à procura de respostas concretas acerca daquilo que já sabemos. Este jovem é alguém que queria, ou pensava que queria, mas no fundo não queria. Paradoxo não é? Talvez não…

O problema que aqui se coloca é o das MOTIVAÇÕES. Quando digo que quero, como o jovem disse a Jesus, quero mesmo ou é só a meio termo, a meio gás?

Ele pergunta: “Como alcançar? O que devo fazer? Como devo fazer?”

Jesus responde: “Cumpre… Vai… Vende… dá… Segue-Me!”

Ele entristeceu-se, baixa os olhos, já não parece um jovem com sonhos de seguir o Mestre, desiludido com ele mesmo que vai à procura. Olhos no chão, desalentado como os discípulos de Emaús mais tarde (Lc 24, 13-35). Esta passagem do jovem rico pode levar-nos ainda à parábola dos dois filhos que o pai convida para irem trabalhar para a sua vinha, um responde que sim e não vai e o outro responde que não e vai. Ou mesmo a parábola dos trabalhadores da vinha (Mt 20). Face a esta reflexão há que medir o pulso da nossa vontade, o que é que nós queremos em verdade, o que é que eu quero no fundo de mim próprio. A vontade está muito debilitada, há que decidir dar a Jesus a oportunidade de nos pedir alguma coisa (trabalhar na vinha). Todos nós sabemos o que Ele nos está a dar e também o que nos está a pedir. No fundo de nós mesmos todos sabemos. O que falta então para responder? A coragem de assumir o “QUERO”, com a mesma persistência dos atletas que sabem que só assim poderão chegar ao fim da meta com êxito e não desistem de lutar e treinar para o conseguir.

2. NICODEMOS (Jo 3, 1,21). Este homem, doutor da lei, respeitado entre os seus, procura Jesus de noite, para não ser visto nem criticado. Tem medo do que os outros digam, não quer ser visto. Que ver Jesus mas não quer que o vejam a ele com Jesus. Tenta este encontro mas não se EMPENHA muito por ele. O empenho devia estar sempre em harmonia com o desempenho, a procura com a acção. Mas o que mais prende a mente e o coração de Nicodemos não é tanto ver ou falar com Jesus e sim o medo de ser apontado pelos fariseus. Este medo fá-lo aparecer muito poucas vezes nos Evangelhos embora duas delas sejam para defender Jesus em tribunal. O medo mesmo assim não o impede de ser o que quer ou não quer, o que ele não tem como resposta clara a Jesus é o empenho que coloca na motivação do primeiro encontro. Por isso Jesus lhe responde que “tens que nascer de novo… pela água e pelo Espírito”.

3. ZAQUEU (Lc 19, 1-10). Este é um homem que tinha vontade de ver Jesus e também uma vontade interior de mudar. Ele não estava alheio à passagem de Jesus. Zaqueu é que tinha verdadeiramente razão para ter vergonha ou medo de que os outros o vissem, afinal era um ladrão, um salteador. Mas QUER, EMPENHA-SE, PROCURA subir ao Sicómoro para ver Jesus.

Jesus faz-se convidado, quer ficar em sua casa (salvar) e Zaqueu oferece o que possuía (pecado, falhas), confessa-se, toma a iniciativa porque tem certeza que o Mestre, estando em sua casa não deixaria de lhe perguntar pelo que ele andava a fazer.

Zaqueu pecou, pede perdão e quer seguir em frente com a carga aliviada. O encontro com Jesus implica mudança ou então não é encontro, diálogo, confronto que transforma a vida.

Também na nossa vida temos que privilegiar o nosso encontro íntimo e querido (querer) profundo com Aquele que pode dizer “hoje a salvação entrou nesta casa”.

Zaqueu não se desculpa, não se justifica, não diz muito, com simplicidade tudo confessa e confia ao Senhor que o perdoa.

E nós? Que procuramos? Que nos motiva? Como nos empenhamos em deixar que Cristo entre em nossa casa e traga a salvação que Deus nos quer dar em Seu Filho? Que justificações temos nós? Ou não…?

Que critérios vai Jesus ter para connosco? Veremos na reflexão que se seguirá…

5 comentários:

maresia disse...

Programa de Jesus...e que programa o Amigo aqui nos coloca a partir das palavras da Ir. Amélia. Fui lendo o texto e escolhendo passagens do mesmo; no final tinha-o quase todo seleccionado. Esta passagem tem um programa completo, na minha modéstia opinião, assim o vejo:
" Zaqueu pecou, pede perdão e quer seguir em frente com a carga aliviada. O encontro com Jesus implica mudança ou então não é encontro, diálogo, confronto que transforma a vida.
Também na nossa vida temos que privilegiar o nosso encontro íntimo e querido (querer) profundo com Aquele que pode dizer “hoje a salvação entrou nesta casa”.
Zaqueu não se desculpa, não se justifica, não diz muito, com simplicidade tudo confessa e confia ao Senhor que o perdoa."
Tal como os Magos, referidos no início deste Retiro, depois do Encontro com Jesus seguem por outro caminho, assim é o convite que aqui nos é feito. A opção é de cada um. Eu já fiz a minha escolha.
Obrigada Amigo, por tanto que tem aqui proporcionado, para quem quer mudar e de novo aprender a VIVER.
Deus seja louvado...

fiducia disse...

Após um curto tempo de descanso todos tentamos melhorar um pouco a nossa vida face ao período anterior, é certo que nem sempre conseguimos, mas reflexões como esta são extremamente importantes para o tentarmos. Que Riqueza de reflexão, marcou-me de forma especial esta frase: "O encontro com Jesus implica mudança ou então não é encontro, diálogo, confronto que transforma a vida." Sim o encontro com ELE implica mudança, É VERDADE! Obrigada pela reflexão e pela partilha.

Joana disse...

“A porta estreita“... É uma imagem que se pode aplicar a todas as fases e situações da vida: Não há evolução, não há passagem para um outro nível ou uma outra fase sem que haja esforço, sem que haja empenhamento da nossa parte. A pergunta crucial é sempre: O que estou disposto a empenhar? Só um pouco – ou tudo? Estou disposto a empenhar o meu tempo, as minhas forças, as minhas capacidades – até à própria vida? Porque e para quê? Faz sentido unicamente se for por amor de Cristo e por amor dos que Ele colocou ao meu lado e por quem sou responsável também.
Os três personagens apresentados no texto – o jovem rico, Nicodemos e Zaqueu – tinham dificuldades com a “porta estreita”. Um porque tinha vontade mas faltou determinação para querer e realizar mesmo; outro porque tinha vergonha de ser identificado pelos “importantes” como um daqueles que seguem Jesus Cristo. Só Zaqueu deixou-se tocar no seu interior pelo olhar de Cristo e empenha TUDO. Talvez inicialmente só quisesse “ver” Jesus por mera curiosidade, porque já tinha ouvido tanto d’Ele… Mas o “querer ver Jesus” transformou-se num “ser visto por Jesus”. E isto é o essencial. Deixar que o olhar de Jesus me toque, não me furtar ao seu olhar amoroso, mas exigente. Deixar ecoar no meu coração o convite: "Vem e segue-Me!" E dar-Lhe a minha resposta de disponibilidade total, como Maria: "Eis-me aqui, Senhor! Faça-se...!"

Mª Teresa disse...

Irmã Mª Amélia, Frei Albertino,
Me perdoem se faço um juízo meio precipitado: estarei "cativa" pelo espírito de Zaqueu (Saint Exupery me encanta...). Estou MESMO!

Mª Teresa disse...

Família Retalhos 2,
Paz e Bem!
Certo: a composição relatada sobre Zaqueu, é linda! Mas, MUITO provavelmente eu nem me aproximo dela...
Tão só me ilumina o seu ESPÍRITO (...de Zaqueu).
Bem hajam!

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