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25 setembro 2010

PESSOA INSATISFEITA: Que resposta?

7.º ENCONTRO (de 8):

(FOTO: Cruz em pedra frente à entrada principal do Convento de Varatojo.

O texto que se segue é a minha releitura a partir das palavras da Ir. M.ª Amélia no 7.º Encontro)

PESSOA INSATISFEITA: Que resposta?

Como vimos nos encontros anteriores, o chamamento de Deus não é um acaso, é a vontade do Pai acerca de nós e nos chama a testemunhar a Vida do Filho na acção do Espírito. Tomando consciência desta realidade na nossa vida, e de como deve o nosso SIM ser um sim verdadeiro, ganha grande realce o papel da ORAÇÃO porque é ela que nos ajuda a “ver claramente visto” o que Ele quer para nós na Sua visita ao nosso dia-a-dia, como aconteceu nos vocacionados já referidos nos encontros anteriores.

Mas como estamos nós dispostos a responder ao Senhor que chama e envia? Como temos nós alicerçado e bem cuidado o nosso SIM? O nosso querer abre-se ao querer de Deus com beleza, sem brechas, sem ranhuras que deixem entrar o vazio, o silêncio infecundo, o medo de arriscar? Que alicerces temos nós?

As grandes casas e obras normalmente precisam de obras de restauro e manutenção para se consolidarem e continuarem a expressar a beleza e missão para as quais foram edificadas.

CADA UM DE NÓS É UMA OBRA PRIMA DE DEUS e por isso faz todo o sentido abrirmo-nos às obras de restauro, à praxis, ao conceito do lugar onde é preciso que eu me deixe restaurar, ou então não faz sentido fingir que rezamos e que confiamos em Deus se não deixamos que Ele transforme e purifique o barro que somos. Ele é o oleiro e nós o barro em Suas mãos, como nos diz a Sagrada Escritura: Como o barro está nas mãos do oleiro, que o molda a seu bel-prazer, assim o homem está nas mãos do seu Criador, que lhe retribuirá segundo o seu juízo.” (Sir 33, 13) e ainda Mas Tu, Senhor, é que és o nosso pai. Nós somos a argila e Tu és o oleiro. Todos nós fomos modelados pelas tuas mãos” (Is 64, 7). Devemos ser mais obra prima, mais obra que Ele sonha, mais obra que o mundo espera de nós. Devemos deixar-nos aperfeiçoar pelo Criador, somos Seus, obra das Suas mãos, para sermos os profissionais na missão de pescadores de Homens que tudo deixam para todos conquistar e trazer para Cristo como diz S. Paulo: “Fiz-me fraco com os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para salvar alguns a qualquer custo. E tudo faço por causa do Evangelho, para dele me tornar participante” (1 Cor 2, 19-27). Devemos ser profissionais a sério, esquecer as pescas falhadas e lançar as redes com esperança sempre renovada, sem medo porque estando nós restaurados por Deus as nossas redes também estarão.

O mundo de hoje não se agarra a qualquer isco. Se o nosso isco não for o reflexo do rosto amoroso de Deus em nós, quem morder o nosso isco fá-lo não por Deus e pelo Seu Amor mas apenas por nós mesmos e pelos nossos olhos. Por isso muitas vezes as nossas pescas passado pouco tempo dão em fracasso porque não foram pescas para Deus e com Deus mas para nós e apenas connosco.

Aqui a nossa Irmã M.ª Amélia, no seu jeito simples de ser, pegou na viola e cantou-nos um dos cânticos da sua autoria: “ouve-me, meu filho e servo Israel, a quem escolhi. Eu pensei em ti, eu te criei e desde o seio materno, te formei”, fazendo uma reflexão, ao jeito de música e beleza de Deus do texto de Isaias 44, 1-5: Mas agora ouve-me, Jacob, meu servo,Israel a quem escolhi: Eis o que diz o Senhor que te criou, que te formou desde o seio materno e te socorre: ‘Nada temas, Jacob, meu servo,

e Jechurun, que Eu escolhi. (…) E receberá o sobrenome de Israel.

Deus ama-nos desde o seio materno, escolheu-nos, protege-nos, dá-nos o Seu Nome, uma identidade que revela a afinidade entre Ele e nós. Já não somos muitas tribos mas um único povo com um único Deus: Ó pastor de Israel, escuta,Tu que conduzes José como um rebanho, Tu que tens o teu trono sobre os querubins! Mostra a tua grandeza às tribos de Efraim, Benjamim e Manassés! Desperta o teu poder e vem salvar-nos! Ó Deus, volta-te para nós! Mostra-nos o teu rosto e seremos salvos! (Sl 80, 1-10). É importante abrir-mos os olhos do coração para vermos o rosto iluminado de Deus porque Ele brilha em cada um de nós.

E Deus renova o Seu Amor, a Sua Aliança, o Seu projecto de salvação para com todos estes povos e tribos, são o Seu Povo que clama por justiça, amor e unidade para com Deus que responde: “Dar-lhes-ei um coração para que me conheçam e saibam que Eu sou o Senhor. Eles serão o meu povo, e Eu serei o seu Deus, pois se converterão a mim de todo o coração” (Jer 24, 7).

Não podemos afastar o nosso coração deste Deus que permanentemente nos fala ao coração, nos revela o Seu Amor infinito e nos diz que quer salvar. O Homem assim chamado e amado por Deus não pode ter senão uma atitude , a de servo amado, de filho identificado, de ser homem e mulher em relação amorosa com Deus pela coerência do seu ser e agir permanentes. Poderíamos recordar aqui uma vez mais o episódio da pesca milagrosa (Lc 5, 1-11), momento tão importante na caminhada dos Apóstolos em que fora de toda a lógica – andaram na faina toda a noite e sem nada pescar e, contudo, Jesus, manda que lancem as redes de novo – quando tudo parecia perdido e a desilusão se apoderara dos seus corações, ao convite de Jesus lançam as redes, confiam no Mestra e a pesca foi abundante.

INSATISFAÇÃO: Que resposta?

Por vezes questionamo-nos sobre a vontade de Deus a nosso respeito, que quererá Ele de nós, que sinais nos dá Ele e até onde nos levam…

Certamente, na maior parte dos casos – salvo raras excepções – já todos nós (religiosos) sabemos qual é a vontade de Deus a nosso respeito e qual a decisão certa a tomar, coisa que nem sempre fazemos, não por desconhecimento, mas por falta de coerência e coragem para ousar escutar Deus e seguir o Seu caminho mais que os caminhos que nos são traçados pelos Homens. Sabemos sem dúvida e vamos formá-la cada vez mais em cada dia que passa porque conhecemos o DOM de Deus em nós e sabemos o que é certo, tal como Maria que sabia mas silenciava pela fidelidade ao Deus da Sua Vocação.

Identificar a vontade de Deus devia levar-nos a tomar as decisões certas para nós e para os nossos irmãos, também eles dom de Deus, mas nem sempre o fazemos por falta de coragem, ousadia, fidelidade a Deus. Não podemos ficar por aqui, na inércia de não seguir em frente face à vida plena e feliz em Deus junto dos outros.

Muitas vezes encontramos pessoas, ao longo dos nossos dias, tristes, amarguradas, zangadas com a vida, INSATISFEITAS consigo mesmas e, se escutarmos bem as razões de tais sentimentos e atitudes, veremos que estão assim CONSIGO MESMAS numa insatisfação aquietada à situação e à atitude de outrem, insatisfação que parece DAR TUDO mas que na verdade nada dá. Isto mesmo acontece na VIDA RELIGIOSA onde sentimos o chamamento de Deus, respondemos, consagramo-nos e, ao longo da vida, por nós mesmos ou pela “obediência”, tantas vezes longe do espírito dos nossos fundadores, nos vamos deixando desalentar, desapaixonar, desiludir face ao que sabemos ser a vontade de Deus para nós. O tempo em que o sino era a voz de Deus já não é o nosso tempo, aliás hoje em dia, já não é o sino que chama para as Horas Sagradas nem para a Refeição, mas sim o nosso desejo de estar próximo de Deus e em convívio fraterno.

O importante a realçar nesta última reflexão, não é a forma como somos chamados exteriormente para os momentos mais importantes da nossa vida, nem mesmo – talvez – por quem somos chamados ao nível humano. O importante é, isso sim, a forma interior como sentimos esse chamamento. Nas aldeias ainda o sino toca para a Missa, na Cidade já nem tanto. Na vida familiar a voz do pai ou da mãe na criança ainda marcam o ritmo do crescimento, coisa que ao adulto já não acontece. Assim também na nossa vida, o importante é a voz de Deus que ecoa cá dentro, bem fundo de cada homem e mulher, religioso ou não, mas que está pronto a acolher com alegria e disponibilidade o Dom de Deus que nos quer muito próximos como um pai ou uma mãe aos seus filhinhos.

Nesta forma de resposta, da nossa parte para com Deus, chama-nos a Ir. Amélia à reflexão VÁRIAS RESPOSTAS, relatadas na Sagrada Escritura:

· Vejamos Mc 10, 17-31: O HOMEM RICO

Marco diz-nos que é um homem rico (Lucas diz que é um chefe e Mateus que é um jovem), cheio de boa vontade, boas intenções. Queria… mas… (adversativa), desperdiça a sua existência mas vive sempre no condicional: “se”, “se eu tiver em troca”, “se fizerem”, “eu quero ir mas”… queremos mas não queremos, vivemos na linha do condicional e não da disponibilidade nem para nós mesmos nem para Deus. Diz o nosso povo que “de boas intenções está o inferno cheio” e não deixará, a sabedoria popular de ter alguma razão. Este homem quer alcançar a Vida Eterna contudo termina o texto por dizer que se retirou pesaroso porque não foi capaz de aliviar a carga dos bens materiais por um bem maior: seguir Jesus.

Nós somos um TESOURO da obra-prima de Deus, com os dons e talentos que Ele nos deu e que devemos partilhar com os outros e não guardar apenas para nós mesmos, deixando por isso tais bens de ser tesouro. Nem todos os bens podem ser considerados um tesouro se não houver quem lhes dê o verdadeiro valor, se nós não partilharmos a sua beleza e riqueza com os demais.

Face a esta atitude deste homem rico também nós nos podemos questionar sobre o que devo eu fazer, ou mesmo, o que faço eu com o TESOURO QUE EU SOU e com os tesouros que Deus me deu?

A boa vontade leva muitas vezes à graxa, a palavras bonitas “bom Mestre, que devo…”. Num dos seus célebres sermões, o grande Santo Português e Franciscano, António de Lisboa exclama: “cessem as palavras e deixemos falar as obras”. O homem rico tinha vontades e palavras bonitas contudo o seu querer (vida eterna) não foi mais forte que o ter (muitos bens). Retirou-se, fugiu ao desafio lançado por Cristo, não respondeu sequer, pesaroso deixou para um amanhã a decisão.

Nas nossas respostas ao nosso querer e ao querer de Deus, não devemos ter presente o que vamos fazer num amanhã, como vamos responder num amanhã mas sim o que vou fazer e responder, e como, no hoje concreto da minha história.

Recordemos uma vez mais as palavras de Jesus na Sinagoga: Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabais de ouvir” (Lc 4, 21) e em casa de Zaqueu: Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão” (Lc 19, 9) e ainda aquele momento em que Francisco de Assis com os seus dois primeiro companheiros escutam a Palavra do santo Evangelho e exclamam: “é isto que eu quero, é isto que eu desejo seguir de todo o coração”.

É HOJE QUE A NOSSA RESPOSTA SE DEVE DAR.

Não podemos deixar de referir aqui que o texto Sagrado nos diz que “Jesus, fitando nele o olhar, sentiu afeição por ele”. Só depois deste sentimento Jesus lhe lança o grande desafio: “vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois, vem e segue-me.” Para melhor entendermos este olhar de amor convido-vos a procurar a Carta de João Paulo II aos jovens e a meditar no número 7 da mesma.

· Vejamos Lc 9, 57-62: EXIGÊNCIA DO DISCÍPULO

Encontramos neste texto três situações distintas. Um discípulo que diz querer seguir Jesus para todo o lado mas Jesus recorda-lhe que Ele não tem onde reclinar a cabeça. A outro, o próprio Cristo chama: “SEGUE-ME” mas este depressa se escusa querendo ir sepultar os seus mortos e outro ainda diz querer seguir Jesus mas primeiro tem que se despedir da família ao que Cristo recorda o agricultor que não pode lançar mão ao arado e voltar atrás.

Três tipos de chamamento e ao mesmo tempo três tipos de resposta.

Recordemos que, enquanto seguidores de Cristo os discípulos, e de forma especial os Apóstolos, eram conhecidos como caminhantes, como peregrinos e, por isso mesmo, muitas vezes estas narrativas acontecem à beira do caminho, enquanto Cristo peregrina com os Seus.

Referiu aqui a nossa irmã que era importante que hoje o mundo nos conhecesse como os Franciscanos e Franciscanas do caminho, como peregrinos, onde Cristo nos espera em cada irmão, em cada irmã”.

Realçamos aqui que o verdadeiro discípulo não encontra a sua motivação nem o seu caminho em casa alguma ou lugar algum mas apenas no Coração de Deus onde Cristo põe também a Sua confiança. Cristo, ao perguntarem-lhe dois dos discípulos de João Baptista - onde morava respondeu: “Vinde e vede” (Mt 1, 39). Tal como Francisco de Assis quando um candidato à Ordem lhe pergunta onde é o seu convento simplesmente responde: “o meu claustro é o mundo”.

A primeira resposta “deixa-me ir enterrar o meu pai”, é a resposta de quem quer mas SEM PRESSA. Cristo é radical, chama à radicalidade, e responde duramente: “deixa que os mortos enterrem os seus mortos”. O seguimento de Cristo não é para ontem nem para amanhã. É no HOJE, no AGORA com radicalidade. Este é o tipo de pessoa que às vezes NEGOCEIA com Deus, regateia o preço, o custo, os fundos, o lucro que não se entrega na GRATUIDADE.

A nossa resposta é opcional, livre, consciente e para sempre, escuta o projecto de Deus, questiona-o e questiona-se mas na gratuidade RESPONDE “SIM”, como Maria que sofreu no silêncio a dor mas foi fiel ao Seu “SIM” até ao fim.

· Vejamos Gn 22, 1-14: ABRAÃO, PAI NA FÉ

Todos conhecemos a história e percurso vocacional de ABRAÃO.

Este trecho que aqui nos é apresentado para nossa reflexão é aquele em que Deus Pai, depois de ter dado a Abraão e Sara o FILHO DA PROMESSA, lho pede agora em SACRIFÍCIO: Pega no teu filho, no teu único filho, a quem tanto amas, Isaac, e vai à região de Moriá, onde o oferecerás em holocausto, num dos montes que Eu te indicar.” (Gn 22, 2). E Abraão parte no dia seguinte como o Senhor lhe ordenara para sacrificar o seu filho Isaac.

O tipo de resposta de Abraão é só para quem tem um certificado de robustez psíquica, humana, espiritual.

“Dá-me o teu filho…”, diz Deus. Este filho continua a ser pedido em cada dia a cada um de nós, este filho são os dons de Deus, oferta amorosa d’Ele para connosco e que Ele continuamente nos pede que lh’O ofertemos em sacrifício de entrega e disponibilidade igualmente amorosa.

Deus prova a nossa FÉ, a nossa confiança n’Ele e Abraão não questionou, simplesmente cumpre a vontade de Deus. Deus por sua vez, provada a fé de Abraão, providencia para que o DOM que é ISAAC não seja ali oferecido em libação: Erguendo Abraão os olhos, viu então um carneiro preso pelos chifres a um silvado. Foi buscá-lo e ofereceu-o em holocausto, em substituição do seu filho” (Gn 22, 13)”. Oferecido o cordeiro – pré-anuncio da oblação do Cordeiro Jesus – Abraão chama àquele lugar o lugar da Providência Divina.

Deus não pode deixar de premiar a Fé de Abraão: Juro por mim mesmo, declara o Senhor, que, por teres procedido dessa forma e por não me teres recusado o teu filho, o teu único filho, abençoar-te-ei e multiplicarei a tua descendência como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar. Os teus descendentes apoderar-se-ão das cidades dos seus inimigos. E todas as nações da Terra se sentirão abençoadas na tua descendência, porque obedeceste à minha voz” (Gn 22, 16-18).

Por vezes Deus vai longe nas provas a que nos submete, leva-nos aos maiores sacrifícios por um sim fiel e generoso na entrega dos maiores dons que nos deu e promete dar-nos a Sua benção e tornar o nosso testemunho fiel como um sinal para os vindouros.

· Vejamos Lc 5, 1-11: PEDRO

De Pedro muitas coisas poderíamos nós aqui dizer e reflectir. Quantas provas Cristo lhe pediu e quantas respostas diferentes Pedro lh’E deu.

O trecho que aqui se nos apresenta coloca-nos de novo no cenário do mar da Galileia. Uma multidão se aglomera para escutar Jesus e Este sente necessidade de se afastar. É a barca de Simão (Pedro) que o leva para o largo e dali Jesus ensina a multidão. Depois manda que lancem as redes com confiança anunciando a Pedro que “de hoje em diante serás pescador de homens”, depois deste ter ficado perplexo com a pescaria abundante e reconhecendo não ser digno de estar na presença de Cristo porque era PECADOR.

Há que destacar aqui alguns VERBOS: Jesus está entre a multidão e VIU dois barcos e VIU que os pescadores já lavavam as redes, sinal de MISSÃO CUMPRIDA. SUBIU para o barco de Pedro e PEDIU que DEIXASSEM a praia e se AFASTASSEM um pouco. Esta cadência verbal leva-nos, impulsiona-nos a um crescendo na intenção de Jesus, mostrar aos Apóstolos qual e como deveria ser a sua missão no meio do mundo, enviados ao mundo sem ser do mundo nem estarem presos às coisas do mundo.

Vivemos hoje um momento em que é importante não nos afastarmos do essencial (referia-se a irmã ao final do nosso retiro e preparação próxima de tomadas de hábito, Profissões temporárias e Renovação de Votos), recolhidos, colhidos sobre nós mesmos num silêncio interior, para perscrutarmos no íntimo o que vamos fazer com os nossos DONS.

Pedro lançou as redes com confiança e coragem. É hora de olhar para as nossas redes, estarão prontas para limpar, remendar e guardar ou para as lançar na pesca a que Cristo nos chama?

Depois de Jesus falar à multidão, de mostrar que a missão Apostólica é anunciar a Palavra do Reino, preparado o coração de Simão, então Jesus faz-lhe o CONVITE a que O siga, que seja a Sua presença no mundo. Diante de tal convite Pedro CAI DE JOELHOS, toma consciência do seu ser limitado e PECADOR. É curioso que Pedro havia-se afastado de Deus (é o seu irmão André que depois de conhecer Jesus vai chamar o seu irmão Simão como vemos em Jo 1, 41-42) e agora é Pedro quem pede a Jesus (Deus) que se afaste dele. Poderíamos fazer aqui uma espécie de check up à relação de Pedro com Deus. Mas talvez o possamos, na intimidade, fazer acerca da nossa relação fraterna vertical (com Deus) e horizontal (com os irmãos).

Ao ver isto, Simão caiu aos pés de Jesus, dizendo: «Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador” (v. 8). A presença de Cristo incomoda, não porque Cristo levado ao temor mas porque o medo se apoderara de Pedro que andava afastado de Deus. Incómoda a Sua presença, claro o Seu convite e a resposta de Pedro e dos demais na confiança à palavra dada por Jesus. O medo dá lugar à confiança/acção e esta à admiração/exultação: “Ele e todos os que com ele estavam encheram-se de espanto por causa da pesca que tinham feito; o mesmo acontecera a Tiago e a João, filhos de Zebedeu e companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: ‘Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens.’ E, depois de terem reconduzido os barcos para terra, deixaram tudo e seguiram Jesus” (vv. 9-11). Na hora certa Jesus sabe em quem confiar, Pedro, Tiago e João, estes mesmos que Jesus chama para a intimidade da Sua relação com o Pai, como aconteceu no Monte Tabor onde Cristo se transfigura e é aqui que eles finalmente entendem o quão bom é estar e seguir Jesus: “Senhor, é bom estarmos aqui; se quiseres, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias” (Mt 17, 4). É uma resposta quase inpensada, repleta da maravilha que é estar ali diante da manifestação de Deus em Jesus Cristo, é disponibilidade para O seguir na radicalidade.

(No próximo texto, e último deste retiro, faremos reflexão sobre a CONVERSÃO)

10 comentários:

maresia disse...

Meu Deus e Meu Tudo!
Isto é um verdadeiro tratado; sou demasiado pequena para assimilar tanta riqueza, mas os textos não "fogem" e serão objecto de próximas releituras.
É um verdadeiro desafio que o Amigo Frei aqui coloca a toda a Família Retalhos. Como poderemos nós, simples mortais, acompanhar-vos? Também a nós o Senhor da Messe chama; também para nós ELE tem uma Missão, ou não?
Continuamos atentos aos apelos que o Senhor nos faz...e respondamos com coragem e ousadia, aqui e agora.

Sirlene (Brasil) disse...

O sim ao chamamento divino... o nosso sim? ...quais são os meus alicerces?...
Como é nítida a VOZ DIVINA ao longo da vida! A Responsabilidade, este dom encantador que é dado a toda a criatura creio ser o chamado divino mais eloquente...toda criatura não só o escuta como o cultua! É o sim dado ao dever de estado! Cumprir a obrigação... quem nos impele a cumprir a nossa obrigação? Que força é esta que nos faz desde criança a ser não só cumpridor mas, pôr com zelo naquilo que precisamos fazer? E atravessamos a vida respondendo a este sim...seja quando crianças, seja depois de adulto ou no fim da vida...e como nos esquecemos de "batizar" esta "obediência", esta resposta ao chamado divino.
Sim ao relógio, sim ao corpo, sim ao trabalho, à escala de atividades, sim à moda, sim ao consumismo... tudo porque cremos estar certos...
Quanto mais fidelidade à filosofia de vida, mais fundamentado será o alicerce! Buscar a finalidade última, é dar itinerário de conduta: é opção individual, traçada de acordo com a concepção de vida:"onde está o seu tesouro, aí está seu coração", e esta finalidade última vai depender da concepção pessoal: quem é, ou o que é o meu tesouro?
A fé vai-me dar firmeza para estruturar os alicerces e vislumbrar de onde vem a voz a que devo seguir.
Seja para Deus, através de Jesus Cristo o meu sim retroativo, atual e futuro, enquanto viver nesta vida e para além...porque desde que nasci, venho dando muitos "sim" sem destinatário certo!
Minha saudação renovada à Ir. Amélia, Frei Albertino e Família Retalhos, com gratidão!
Sirlene

Neiva Cordeiro (Brasil) disse...

As minhas saudações, Frei Albertino

Minha amiga Sirlene, muito gentilmente, enviou-me o blog do retiro espiritual. Tenho feito as leituras dos textos e, em cada um, sinto um apelo, um convite dos céus para assumir o SIM ao projeto de Deus.
Projeto que não é para ontem, nem para amanhã: é para hoje.
É um chamado à radicalidade, um afastamento da acomodação, do depois...
É agora que Cristo nos espera na acolhida de cada irmão: um sorriso, um
gesto, uma palavra são atitudes interioires que expressam a nossa alteridade. Um olhar amoroso para o outro nos faz seguidores de Deus.
Vou continuar lendo para usufruir cada vez mais das sábias leituras.
Agradeço a oportunidade que me foi dada de participar do blog.
Parabéns, Irmã Maria Amélia
Parabéns Frei Albertino.

Neiva de Freitas Cordeiro

fiducia disse...

Espantosa reflexão tão importanta para a nossa vida. Fica-me um pensamento: os meus planos para a vida são os Planos de Deus, só ELE sabe o melhor para mim...este texto será mais vezes minha oração da manhã.

Mª Teresa disse...

Irmã Mª Amélia, Frei Albertinp, família Retalhos 2,
Bastante grata estou pela GENIAL partilha aqui feita através do texto proferido pela primeira, escrito pelo segundo e comentado por todos nós (Família Retalhos 2)...
E confesso ter ficado por demais surpreendida (e feliz) por tão LINDOS comentários atribuidos...
Meu terreno é bastante limitado (SIM), por vezes até ATREVIDO... mas uma coisa certamente me tranquiliza, Ele, por certo, estará grato por meu sim... sem marcas de infantil, pesado, alto, e tantas mais "pinceladas", todas elas bem HUMANAS ,,, Eu estou BEM FIRME nesta opinião. Assim seja,

Smilechild disse...

Meu Caro Amigo,
Este texto é verdadeiramente intenso e nobre.
Bebi cada palavra que nele escreveste, e interroguei-me de inúmeras formas acerca daquilo que tem sido Deus na minha Vida, e a forma como tenho vivido a minha Fé.
Vejo neste texto as minhas fraquezas reflectidas, a forma como ser Humano sendo fraco e pecador, e de coração humilde peço a Deus que me Perdoe e me continue a dar forças para Fazer, Estar e Ser Melhor.
Desde novo que a Luz interior que SInto, o palpitar que o meu peito exibe em momentos de maior proximidade com Ele, é a certeza da importância que tem na Minha Vida.
Senhor, aqui te peço que me tomes como teu Filho pecador que Sou e Me Ilumines com a Graça da Tua Sabedoria, Discirnimento e Amor Fraterno.
A ti meu amigo, deixo os meus parabéns por um texto verdadeiramente sábio, e recheado de exemplos que nos devem alertar para o verdadeiro sentido da vida.
Continua, já sabes que o meu abraço sincero, estará sempre aqui

Sirlene (Brasil) disse...

Neiva,
Quanta alegria ver sua participação, neste seu comentário! Tinha certeza de que as meditações aqui do Retalhos mexeriam com seu coração! Afinal , "lemos na mesma cartilha", e não poderia ser diferente de mim o efeito em você ,desta fonte de águas límpidas! São conteúdos que nos reportam aos nosso Retiros dos tempos de internato, guardando as diferenças óbvias da evolução dos tempos... passou por sua cabeça ver , em seus dias uma mulher pregando para homens!Que maravilha!
Seja muito benvinda !
Paz e bem!
Sirlene

Mª Teresa disse...

Querida Família Retalhos 2,
Hoje venho deter-me numa evocação feita de Sir (33, 13) (confesso que não deslindo esta referência, aceitei a partilha do respectivo texto...):"Como o barro está nas mãos do oleiro, que o molda a seu bel prazer, assim o homem está nas mãos do seu Criador, que lhe retribuirá segundo o seu juízo." . Que maravilha! Então entendo: ter eu uma agenda grossa de amigos, TODOS são jóias, todos de QUALIDADE, mas poucos, muito poucos mesmo aceitando esta VERSÃO da História... aceitando o Divino em suas vidas...
Mas todos, TODOS mesmo, são criaturas de Bem e com ideais SUPREMOS, mas recolhem cincentos e "quadrados" leitura de suas vidas, quando são salpicados com alguma benção...
Mas o que RECONHEÇO, é que, Nosso Oleiro, foi também o de todas estas criaturas... e, creio SEMPRE que Ele TAMBÉM não as abandonou...
Sonhando talvez, me atrevo a suspeitar: um dia (quem sabe?) um dia ainda O virão a reconhecer. Eu acredito!

Mª Teresa disse...

Smile child,
Bem hajas por tuas palavras! Cuido que COLOCOU a "cereja o topo do bolo". Me perdoe, mas sou assim, pensamentos surgem e não os seguro, para meditar...

Anónimo disse...

Ao ler dos meus olhos foram caindo algumas lágrimas silenciosas que não consegui conter, sinto-me por um lado comovida e por outro agradecida – é bom que as coisas nos toquem, é bom que haja quem nos comova, uma alma tão grande, com uma humanidade e sensibilidade tão grandes, é bom que as pessoas nos alcancem e é bom que a vida de cada um de nós tenha sentido.

Assim, ler todo este texto maravilhoso é uma maneira de ouvir e às vezes ouvir o que também mas não conseguimos explicar, nem transmitir, porque nos faltam as palavras, porque não o percebemos em profundidade, porque nos falta simplicidade.
Mais uma vez, obrigada

Cecília

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