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Senhor! Fazei-me instrumento da vossa paz!

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15 setembro 2010

Programa de Jesus: B. Aventuranças


(FOTO: Ir. M.ª Amélia Costa falando aos irmãos. Cruz de S. Damião, que falou a S. Francisco, preside aos encontros fraternos.

O texto que se segue é a minha releitura a partir das palavras da Ir. M.ª Amélia no 5.º Encontro)

O PROGRAMA DE JESUS

Ao reflectirmos sobre o texto anterior: as estratégias e critérios (programa) do demónio, somos tentados a olhar apenas para isso mesmo, o mal, o negativo, a destruição da nossa dignidade. Na verdade não deve ser assim, ou esquecemos nós que Cristo tem também um programa, estratégias e critérios para nos libertar do medo opressor face ao mal e ao maligno?

Pois bem, o dia iniciou-se com o convite – feito pela Ir. Amélia – a olhar-mos para a nossa realidade humana diante de Deus e dos outros. Para tal recorremos ao chamado “Canto de Ana ”, em Samuel, (1 Sam 2, 1-10) que nos recorda as nossas limitações, pobreza, limites, debilidade mas lutadores e exaltados como Ana, nas palavras de Samuel e como Maria nas palavras de Lucas (Lc 1, 46). O Canto de Samuel (Ana) é quase que uma antecipação do canto do Magnificat: “Exulta o meu coração no Senhor, que humilha e exalta…”, “A minha alma glorifica o Senhor… porque olhou para a Sua humilde Serva…”.

Olhando para esta realidade da nossa Vida Religiosa, e da nossa relação íntima com Deus, somos então desde estes cânticos convidados a entrar no silêncio que conduz a esta intimidade. Silêncio que não mais é lugar da tentação, lugar de entrada do maligno mas lugar de Deus, lugar tempo de Graça, como no-lo deixou testemunhado João Paulo II nos números 58 e 59 do seu Documento sobre a Vida Consagrada, fazendo reflexão ao desafio que se coloca cada vez mais pertinente á Vida Consagrada no combate permanente a fugir ao mais fácil, ao supérfluo, ao vazio.

Francisco de Assis também nos deixa testemunhos disso, muitos mas a reflexão cai sobre o texto de Primeira Celano 91 (1C 91), que nos diz que Francisco se recolhe a um lugar de silêncio para se ocupar só de Deus e poder sacudir do seu espírito o pó acumulado no trato das coisas do mundo. Para ali foi com poucas companhias (a exemplo de Jesus) entre os mais íntimos e mais ao corrente da sua vida para evitarem a invasão de visitas inoportunas. Aí permanecer em contínua oração e permanente contemplação, desejou saber o que mais podia querer dele o Rei e Senhor. Empenha toda a inteligência, alma, vontade, sentimentos, emoções e busca a melhor forma e o caminho mais apto para alcançar uma unidade de vida com as aspirações do Senhor e da Sua vontade.

Esta foi sempre a sua mais alta filosofia de vida, supremos anseio, e de todos queria saber como chegar ao caminho da verdade e subir a metas mais altas ainda.

É aqui que nos vamos então cruzar com o PROGRAMA DE JESUS que se pode resumir desta forma: “negar-se a si mesmo…”, “Tomar a Cruz todos os dias…”, “Seguir-Me”.

CRITÉRIO DE JESUS:

Os critérios de Jesus têm uma cartilha única: o Sermão da Montanha ou Bem-aventuranças (Mt 5, 1-12; Lc 6, 20-23).

Ao lermos estes textos sagrados, o nosso pensamento vai também para aquele da perfeita alegria em S. Francisco, texto que podemos dizer ser o hino das Bem-aventuranças franciscanas.

As Bem-aventuranças são a carta magna do cristianismo, primeiro grande discurso de Jesus ao contrário das tentações que são a carta magna do mundo.

Quais são então os critérios para os que querem seguir Jesus?

· Os pobres em espírito, os que choram, serão consolados pela bondade do coração e pela presença de Deus que está dentro de nós. Cristo também chorou.

· Os mansos herdarão a terra porque vão ser acolhidos no coração dos outros. Não se trata de ser bonzinho por ser bonzinho, de ser anjinho (papudo) mas ser manso e humilde de coração sincero. Estes encontrarão sempre espaço onde viver em paz mesmo no meio de conflitos porque a mansidão é uma atitude interior

· Os que têm fome e sede de justiça serão saciados quando trabalhem pela justiça não pagando o mal com o mal mas fazer o bem a quem faz o mal. Aquele que semeou o bem colherá o bem, a mansidão colherá a mansidão do Evangelho. Isto pode ser a maior provocação à altivez, um coração manso numa comunidade incomoda, chateia, aborrece e nem sempre é entendido como manso e humilde de coração.

· Os misericordiosos terão e receberão misericórdia e quanta Ele tem tido para connosco… mas, quem são os misericordiosos? Olhamos para Francisco de Assis que nos apela permanentemente ao uso da misericórdia e do perdão, antes mesmo do irmãos que nos ofendeu nos pedir, já devemos nós ir ao seu encontro para lhe oferecer o perdão e usar de misericórdia para com todos os que pecaram.

· Os puros de coração porque verão a Deus. A pureza aparece aqui como condição para ver Deus, para estar na presença e intimidade com Ele. Não é o que entra pela boca – diz a Escritura – que perturba o coração mas o que sai. O coração deve ser limpo, puro, sem dobras, transparente e não novelado em problemas, inquieto e sem paz. Estes verão Deus no seu dia-a-dia e nos outros em tudo o que acontece.

· Os construtores da paz porque terão paz. Não basta desejar, ansiar, rezar pela paz. É preciso construir a paz, agir em prol dela. Não constrói a paz, aquele que está sempre a intervir, a não respeitar, aquele que está sempre a “brigar” com o outro. Com o intuito de construir a paz não podemos ser demolidores do ser do outro, ou do ser que o outro é, e que o é em permanente crescimento e maturação. Não constrói a paz, aquele que usa de violência verbal e que prolifera em expressões como “deixa-me”, “vai dar uma volta”, “não chateies”, “mete-te na tua vida”, “não é da tua conta” e por aí fora… Os construtores da paz respondem com um sorriso, um olhar calmo, palavra serena aos que os ofendem, perdoam, mesmo que chorem porque são frágeis mas é Deus que perdoa e isso torna-nos mais acessíveis à Graça.

· Os perseguidos por causa do Reino, do nome de Jesus, porque alcançarão a Vida Eterna. A maledicência acerca de nós, a crítica destrutiva, a destruição do nosso ser e agir não pode deixar-nos de cabeça em baixo, de coração destroçado se nos lembrarmos que de tudo isto já nos falava Jesus nas Bem-aventuranças. Aqui resta-nos agarrar a Cristo e rezar “perdoa-lhe, Pai, porque não sabem o que fazem” (Lc 23, 34). A lógica de Cristo é passar pelo meio deles, dos que nos perseguem, de cabeça erguida e pedir-lhE que nos dê toda a força para não pagarmos o mal com o mal nem retribuirmos com a mesma moeda. A melhor e positiva forma de provocarmos alguém e a sua consciência é mantermos a nossa serenidade, confiança, tranquilidade e segurança, maturidade de atitudes.

Estas Bem-aventuranças são o preço da Cruz que nos leva a crescer somente para Cristo. Em vez de nos questionarmos sobre as causas e os porquês de nos acontecerem tantas coisas menos boas, quando procuramos nós mesmos fazê-las, olhemos para a Cruz e vejamos o Cristo que por ter passado por este mundo fazendo o bem ali deu a Sua Vida por nosso amor. Na Cruz abatemos o nosso sofrimento e o peso da nossa cruz se A olharmos como lugar da glória da Vida (Exaltação da Santa Cruz). Muitos cotovelos precisam de consultas de ortopedia para que as “dores de cotovelo” não estraguem a vida e dignidade dos irmãos. Mas nós não podemos esquecer que as provas são caminho para o amadurecimento na vida. O limite humano faz-nos amadurecer, estender mais a mão ao próximo com verdade, relativizar mas as coisas, sobretudo as negativas, porque a nossa vida, ainda que com sofrimentos, vai ganhando um novo sentido. “Se algum irmão tiver alguma coisa contra ti, vai ter com ele e oferece-lhe o teu perdão” (Mt 5, 23-24). Se isto formos capazes de fazer é sinal de que temos maturidade humana e espiritual.

Os Evangelhos estão cheios de textos que nos mostram como o nosso ser debilitado está em permanente frente a frente face ás tentações. A resposta de Jesus são as Bem-aventuranças e em João ao dizer-nos: “Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!” (Jo 16, 33).

Cristo é honesto, chama, ergue os olhos sobre os discípulos (é sério o que lhes vai dizer) e depois faz um discurso sem lógica alguma, as Bem-aventuranças. Este discurso de Cristo é um carisma vital para a Vida Religiosa e a única forma de lhe encontrar algum sentido é olhar claramente a chave de leitura: “POR MINHA CAUSA…”, por causa do Filho do Homem Cristo vive e anuncia o caminho da bem-aventurança e, por isso, Ele pode exigir aos Seus discípulos que sigam um tal caminho.

S. Francisco, na Exortação XXII diz que “todos os que injustamente nos causam dor, martírio e morte são nossos amigos aos quais devemos amar porque por tudo isto alcançaremos a vida eterna". Esta exortação mostra-nos bem a radicalidade evangélica do Poverello de Assis e da linha de orientação que ele mesmo vive e quer que os seus tenham sempre presente. Recordemos ainda uma vez mais que ele mesmo recomenda que antes que um irmão nos venha pedir perdão tomemos a iniciativa de lho levar. As Bem-aventuranças não são para o além, para o amanhã, são para o aqui e agora da nossa realidade concreta.

Em Mt 10, 16-23 Jesus diz que sereis levados perante governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e dos pagãos”. Este “POR MINHA CAUSA” abre-nos os olhos e o coração para sentirmos unidade de sentimentos com Cristo porque o que nos acontece é por causa d’Ele. Há tantas formas de prender e injustiçar um irmão. Basta olhar para a nossa volta, talvez paras as nossas atitudes. Ao mesmo tempo talvez nos sintamos nós mesmo presos pela nossa própria corrente e não nos abrimos a Cristo que nos quer libertar do mal e do maligno. Ele mesmo nos referiu que nos enviaria o Espírito da Verdade que nos ensinará todas as coisas e então seremos verdadeiramente livres.

Concluimos mais um texto a partir das refelxões da nossa Ir. Amélia onde o caminho das Bem-aventuranças nos impele a seguir Cristo e a deixar as atitudes fáceis da vida enquanto nos abrimos ao Espírito que nos revelará todas as coisas e tornar-nos-é livres.

7 comentários:

Mª Teresa disse...

Frei Albertino, Irmã Mª Amélia,
Talvez me ATREVA a deixar um comentario... Mas será ENORME meu atrevimento (talvez mesmo petulância...) por permanecer com dotes linguísticos limitados e, pois será essa minha VERDADEIRA limitação, um DESAJUSTE IMENSO em cultura teológica...
Mas o texto vai ser/merece ser lido diversas vezes... Certamente irei entendendo sucessivamente um poucochinho mais... Mas, a persistência continua vivendo comigo... Sempre tomo uma FARTA dose dela...
Bem hajam, Irmã Mª Amélia e Frei Albertino a quem presto uma justa e sincera homenagem!

maresia disse...

Ir. Amélia, Deus seja louvado!
Penso que no início deste retiro afirmou que nos dias que o antecederam, contemplou o Mar; foi essa a sua preparação para trazer toda esta riqueza espiritual aos seus Irmãos e pelo Frei Albertino, a todos nós. Retirei esta passagem, pela "novidade" que ela me traz; ver nas ofensas que sofremos um caminho para Deus.
"S. Francisco, na Exortação XXII diz que “todos os que injustamente nos causam dor, martírio e morte são nossos amigos aos quais devemos amar porque por tudo isto alcançaremos a vida eterna".
Abençoado Retiro...que a todos nos vai mostrando um programa de Vida, para quem se dispõe à mudança.
Seja por caridade

Joana disse...

O silêncio…
Como faz bem quando se consegue realmente entrar nesse silêncio interior. Não no silêncio das tentações… Mas no silêncio da intimidade com Deus. Naquele silêncio em que Deus é o Único, o Presente, Aquele que simplesmente é e está…
Esse silêncio é dom, é graça. Só se pode pedir, abrir-se, disponibilizar-se. Não vale a pena forçar. Deus no-lo dá quando Ele quer e da forma como Ele quer.
Nesse silêncio, a única coisa que vigora são os critérios de Jesus sintetizados nas Bem-aventuranças e que, em muito, não se coadunam com os nossos critérios humanos.
Esse silêncio – o de Deus – jamais poderá ser preenchido do supérfluo, do efémero; jamais será vazio, sem sentido.
É impressionante e felicitador quando, mesmo em meio ao bulício do mundo, se consegue entrar nesse silêncio profundo. É comparável ao centro de um tornado onde há calma total, enquanto tudo à volta está num movimento frenético.
É sempre fonte de forças e de vida nova.

Anónimo disse...

...Todos temos alguem cujo trabalho é importante para que possamos seguir em frente. Ás vezes nos desafios que a vida nos apresenta diariamente perdemos de vista o que é verdadeiramente importante mas existem pessoas que nos salvam no momento oportuno seja com a sua presença seja com o dom da sua palavra.

Obrigada Ir. Amélia
Obrigada Frei Albertino

Cecília

Mª Teresa disse...

Boa tarde Família Retalhos 2,
Vêm, vêm como nos conseguimos auxiliar uns aos outros? Assim, de mansinho foram surgindo comentários... Fiz releitura de texto e pude decompor várias observações bastante pertinentes...
Bastas vezes vida corre menos bem, imprevistos sucedem, simplesmente vos posso garantir: Ele está sempre lá no Alto, sempre Nos enxerga, mesmo que o Céu tenha muitas "nuvens"...
Silêncio: grata estou por ter reconhecido como ele (silêncio) é TÃO significativo. Através dele alcança-se a Paz interior. E, nos dias hodiernos (ai, já evolui (até) no meu vocabulário...) ela (a Paz interior...) parece que guarda ENORME distância de nossas vidas terrenas...
Outra coisa sublime deste SILÊNCIO: ele não se vende, nem se compra com dinheiro... Pode sim nascer e crescer connosco!!!!!
Meu testemunho é insignificante, mas conta pois é POSITIVO! Mesmo sem comentários simples como este...

mariana disse...

OBRIGADA Irmã Amélia!
Este retiro foi e será todos os dias para nós também. Ao longo de muitos dias aqui virei, para beber de novo tudo isto. Este retiro teria que terminar com as "Bem Aventuranças" não é...? Pois elas são o programa de vida que Jesus nos deixou para viver e testemunhar.

Sofrer não é fácil e nunca foi. Ser manso diante duma acusação; deixarmos de nos defender e passar a ouvir; amar o outro quando o odiamos e quando só vemos os defeitos; chorar sozinho no escuro e suportar tudo sem revelar os problemas ao melhor amigo e abandonarmo-nos nas mãos consoladoras de Jesus; esquecer as nossas próprias necessidades e lutar pela justiça e direito de um irmão marginalizado, enfrentando uma possível crítica ou calúnia, por exemplo; ter um coração puro, sem nos deixarmos cair em tentação, quando na verdade fomos concebidos em pecado; sermos um profeta enfrentando o mundo pela causa de Jesus Cristo… Porque as consequências são tantas quando resolvemos abraçar a fé… O inimigo ronda e não dorme.

Bem aventurado aquele que se sente perseguido, que sofre e que chora - com paciência - por dificuldades económicas, dificuldades na família, com a educação dos filhos ou com o marido. Bem aventurado aquele que é doente e está restrito a uma vida de pouco ou quase nenhum convívio social. Aquele que se sabe humilhar pela felicidade ou convivência com aquele amigo; Vós Sacerdotes e religiosos, que se sentem algumas vezes perseguidos e humilhados, até com os seus superiores que não aprovaram o seu projecto feito com tanta dedicação; e resumidamente, todo aquele que abraçou a fé, crê em Jesus Cristo como nosso mestre e Senhor e por Ele, com Ele e Nele buscam suportar as tentações, o orgulho, o egoísmo, a vaidade e assim, uma vida de amor, mansidão e humildade.

fiducia disse...

Cada vez tenho mais dificuldade em escolher o texto que mais me tocou, penso sempre que foi o ultimo que li, por isso, mais uma vez acho que este foi, sem dúvida, o mais rico. Fiquei algum tempo a deliciar-me com este texto, ele traz-nos força, paz e serenedidade. Este programa de Jesus É O CAMINHO... se o seguirmos na nossa vida, seremos Seus instrumentos no mundo e ajudaremos a transformá-lo...Assim seja.

Obrigada mais uma vez à Irmã Amélia pela riqueza deste retiro e ao Frei Albertino pela partilha.

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