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05 março 2017

TENTAÇÕES: Programa do demónio

(FOTO: pormenor do Claustro do Convento de Varatojo.
O texto que se segue é a minha releitura a partir das palavras da Ir. M.ª Amélia no 3.º Encontro)




ENCRUZILHADAS DA VIDA: Tentações
O dia iniciou-se com um velhinho cântico: “Coração novo, me dá Senhor! Fiel e aberto ao Teu Amor...”.
Juntou-se lhe a oração e meditação do Salmo 64 que convida, tal como o cântico, a viver nos átrios da Casa do Senhor, para saborear um Deus que dá firmeza às montanhas e à pessoa, que acalma os frémitos do mar, que faz brotar a alegria (franciscana) como dom do Espírito, saborear um Deus que por onde passa faz brotar rios de água viva e abundante.
Perguntaremos: qual o caminho por onde Ele passa? Deixo que Ele me visite, Ele que dá vida às pastagens do deserto, dos nossos desertos, um Deus que nos visita para encher de fertilidade a nossa terra, para sermos homens e mulheres férteis, fecundos, geradores de vida e não inférteis, estéreis…
Cristo veio ao nosso encontro para nos apelar a uma mudança radical, a uma vida nova, a uma relação clara e amorosa com Deus. A nossa opção com Deus não pode ser de meios termos, tem que ser resposta firme e coerente com as nossas opções e missão.
Foi isso mesmo que Cristo nos deixou como testemunho no momento do deserto da vida em que Satanás o tenta (Lc 4, 1-13). Cristo não se deixa vencer pela tentação mas sim a afasta com autoridade. Em Cafarnaum Jesus fala de tal forma ao demónio que este mesmo O reconhece como Filho de Deus e Cristo, cheio do Espírito Santo, voltou ao Jordão e é tentado pela sua fragilidade humana, pela fome que tem. Hoje também nós muitas vezes, por não estarmos atentos às nossas fragilidades, deixamos abrir brechas para que a tentação entre e deixando-a entrar abrimos grandes feridas na nossa relação com Deus e uns com os outros.
Desta forma nos sentimos como que numa ENCRUZILHADA DA VIDA.
Neste sentido devíamos perguntar a nós mesmos como está a nossa tensão? Como e por quem bate ele?
· TIPOS DE RESPOSTA:
Para responder é preciso ter tempo, não o desperdiçar. O tempo livre não pode ser desperdiçado. É tempo de Deus! As nossas faculdades têm que estar connosco por Jesus, não o Jesus dos simples sentimentos mas da inteligência, da vontade e dos sentimentos, todos juntos. Se assim não for, a nossa opção é soft e o seguimento não cria raízes e vindas as tempestades da vida tudo se desmorona à nossa volta.
Assim é-nos apresentada uma forma de resposta que implica DOIS CAMINHOS: Lc. 4, 1-13 (passar pelo deserto das tentações) e Mt. 7, 13 (fazer a opção de entrar pela porta estreita).
Quando nos momentos de dúvida precisamos e procuramos um sinal, quais os critérios de fundo do demónio? Que ideias base tem para nos confundir e afastar do discernimento? Como o podemos caracterizar bem como à sua acção?
1. É o pai da mentira.
Diga o que disser, está sempre a enganar-nos. Nós fizemos a escolha de amar e ele semeia a dúvida sobre as nossas escolhas.
2. Odeia o Homem e a Mulher.
Seja qual for a tentação não é para nos dar a felicidade do programa de Cristo. Pode dar prazer temporário mas não a felicidade plena dos que optam por Cristo.
3. É hipócrita.
Aparece com pele de cordeiro fazendo com que em momentos de crítica, de mal dizer, nem sempre conheçamos a verdade nem mesmo quem é o alvo da crítica. Ao contrário, quando ouvimos falar bem de alguém logo perguntamos se será mesmo assim. O demónio faz-nos acreditar que podemos continuar a ser cristãos, religiosos, rezar, comungar e continuar a criticar como se isso não fosse sinal de pecado. Toda esta falta de consciência da tentação tem levado o mundo a viver um enorme relativismo ético onde tudo vale.

Vejamos então quais são as ESTRATÉGIAS (programa) do demónio:
a) Confusão: não nos abre à vontade de Deus, permanece a confusão onde desprezamos e rejeitamos tudo e todos. Não somos capazes de ver o projecto de Deus na palavra e no conselho dos outros, como acontece nos superiores quando estes estão a ser sinal da palavra e vontade de Deus.
b) Debilita a coragem da pessoa, perde-se a confiança e desistimos de lutar. É como ficar diante de uma enorme pedra que apareceu no meio do nosso caminho e não percebermos que é mais fácil contorná-la do que pegar nela para a tirar do caminho, não ficar preso ali junto à pedra.
c) Olhar o Getsemani. Jesus está cada vez mais só, os seus afastaram-se e temem de medo. É o momento da dor, da traição, da escuridão “Pai, se é possível afasta de mim este cálice”. Cria-se o medo que paralisa e grita pela fuga.
d) Debilita a vontade e privilegia os sentimentos e a vida dos sentidos: comodidades, facilitismo que nos enfraquece, deixamos de estar atentos e perdemo-nos. Onde estou? No comodismo, na instalação que não me deixa livre nem feliz.
e) Provoca a inquietação e divisão interior. Faço o que não quero e quero o que não faço o que provoca um permanente estado de nervosismo que não vem de Deus porque Ele pacifica-me, harmoniza, dá firmeza, acalma.
Há que perguntar então qual a causa porque tantas vezes nos sentimos assim, porque não nos suportamos a nós mesmos nem aos outros, porque pensamos que o problema está sempre no outro e que eu nada tenho que ver com o assunto. Será que os outros estão sempre errados e nós é que estamos certos?
f) Insegurança como fruto da nossa imaturidade humana e espiritual que não nos faz estar seguros daquilo que somos, fazemos ou dizemos. Contra a insegurança só mesmo a confiança plena em Deus.

Abrindo-se ao programa do demónio o mundo acaba por criar os seus próprio critérios na cedência às tentações ficando desorientado na riqueza, poder e prazer.
O grande caminho é passar pela Cruz, não ficar preso nela, passar para a glória, para a ressurreição.
Urge perguntar que motivações nos levam a agir. Podemos apresentar uma lista de serviços mas não ao serviço do Reino, como faziam os fariseus. Não basta fazer por fazer. Fomos chamados pelo Rei para a missão de servir, e servir é amar, e amar é servir.
É importante permitir que Marta e Maria coabitem na nossa vida. Posso agir, trabalhar, fazer coisas sem nunca desviar a atenção e o coração d’Aquele que me agir. O mundo desvia-nos dos nossos objectivos mais nobres.
Então, que CRITÉRIOS DE VIDA devemos ter?
1. Ser inteligente. Isto implica da nossa parte acção para perceber que a vida não é um fardo e sim uma oportunidade. Por vezes sentimos a tentação de andar sempre a dizer “vai-se andando”, “estou cansado”, “é a vida”, “vai-se como Deus quer”, “é a vontade de Deus”, etc… isto é linguagem de quem não é inteligente porque se os outros não veêm que vivemos por Cristo, não querem viver connosco e talvez aqui resida alguma da chamada crise de vocações.
2. Pensar, raciocinar. Ter respostas, acções e atitudes em pensar pode ser terrível porque depois pode ser tarde para resolver ou remediar o mal consequente disso.
3. Responsabilidade com as escolhas feitas e com os valores da Vida Religiosa, com os critérios do Evangelho, com as razões da nossa vida. Nós vivemos insatisfeitos com tudo porque nós temos tudo.
4. Enamoramento. Viver apaixonado por Cristo e pela humanidade sofredora pela fidelidade ao carisma, missão, disponibilidade e hospitalidade.
Temos que estar no mundo sem ser do mundo, sem nos afeiçoarmos às coisas do mundo. A nossa entrega, o nosso sim, vai ser um bem para o mundo. A nossa forma de ser estar no mundo tem, nos dias em que a imagem é tão importante, que marcar pontos e dar uma imagem bonita do que somos e vivemos.
Não podemos esquecer que nas encruzilhadas da vida a resposta para pela forma como fugimos à tentação e que isso só tem um caminho, a porta estreita.

8 comentários:

Mãe Lena disse...

Obrigada por este magnífico texto, Frei Albertino.

Estava mesmo a precisar...

mariana disse...

Que bom chegar de férias e encontrar aqui a partilha deste retiro. E que profundo retiro... eu vou fazê-lo para mim própria a partir daqui.
Obrigada Ir. M.Amélia e Frei Albertino.

Mas hoje, não queria deixar passar este dia em que celebramos a festa da Natividade de Maria, sem Louvá-la por tudo o que foi,o que é e será!

Parabéns, Nossa Senhora!
Hoje é dia de louvar a Deus pelo teu nascimento,
pela tua Imaculada Conceição, pela hora bendita que conheceste a luz.

Parabéns, Nossa Senhora!
Hoje é dia de festa na terra em que pisaste e viveste,
hoje é dia de festa no céu em que reinas e no teu trono entre os anjos.

Parabéns, Nossa Senhora!
Porque disseste sim, sem hesitar, ao teu Senhor,
porque carregaste o Emanuel no teu ventre, sem nunca parar de servir,
porque guardaste todas as coisas no teu coração de mãe,
porque o apresentaste a Deus, com a oferenda da tua própria vida,
porque o entendeste entre os doutores, no meio do povo,
porque o sustentaste na hora do calvário e o recebeste descido da cruz.

Parabéns, Nossa Senhora!
Porque estavas orando em Jerusalém com os discípulos do teu Filho,
porque também pediste o Espírito que fundaria a Igreja,
porque dela não hesitaste em ser Mãe e advogada nossa.

Parabéns, Nossa Senhora!
E permite que, na hora em que Deus quiser, contigo festejemos esse dia.

Publicado em http://www.fatima.com.br

Joana disse...

Este tema das tentações é muito interessante, muito real e realista. Mexeu comigo porque, ao ler o texto, identifiquei na minha própria vida uma série de situações – ENCRUZILHADAS – em que houve uma presença muito nítida do demónio a querer desviar-me do meu caminho vocacional.
Há quem diga que o demónio não existe. É a maior das mentiras! Olhando um pouco à minha volta percebo que há tanta coisa que não pode ser de Deus por ser tão contrário àquilo que é e faz Deus, tão contrário aos valores do Evangelho. Só pode ser do «oposto» de Deus, do demónio. E como ele é muito subtil, aproveitando-se das nossas fragilidades, por vezes é realmente difícil identificá-lo.
Uma das respostas que encontro no texto é esta do ENAMORAMENTO. Cativou-me especialmente por ser uma resposta positiva e não negativa. Não se trata de «não fazer…» para não dar vez ao demónio. Trata-se de enamorar-me cada dia de novo – e cada vez mais – de Cristo e da minha vocação. Quanto mais estiver apaixonada por Cristo e n’Ele pelos humanos tanto menos o demónio encontrará espaço em mim. Quanto mais estiver unida a Cristo – não apenas nos tempos de oração, mas na vida quotidiana – tanto menos importarão as minhas fragilidades, porque ELE será a minha FORÇA. É a opção radical por Cristo da qual o texto também fala. Compreendo a palavra «radical» não como radicalismo (negativo), mas positivamente como proveniente da palavra latina «radix» = raiz. Se as minhas raízes estiverem profundamente arreigadas em Cristo – o que poderá o demónio contra mim? Então se tornará mesmo realidade que “a nossa entrega, o nosso sim, vai ser um bem para o mundo”.

Sirlene (Brasil) disse...

Meu querido Frei Albertino e Ir. Maria Amélia,
Amei de paixão esta meditação sobre as tentações!
Que grandiosa esta postagem para quem tiver olhos e quiser ver!Como dou graças a Deus pela tecnologia a cada dia a nos colocar mais próximos da divulgação do Bem!
Como é tocante , profundo, tudo o que foi abordado com o vigor de corte e a leveza do amor!
Creio que vai fazer bem a muita gente!

(...)

Sirlene (Brasil)

maresia disse...

Que excelente matéria para Retiro, temos nós aqui nestes textos.
Em Ti Senhor, encontramos a calma, a serenidade, a Paz...acalmas o Mar e o nosso coração...
A nossa conversão é motivo de grande alegria para Jesus, mas o respeito pela nossa liberdade leva-O a esperar pela nossa decisão, quando chegamos às encruzilhadas da vida.
Deus seja louvado e nos ajude a ter coragem para escolher a porta estreita.

Anónimo disse...

bem aja! bem precisamos destes textos tão fortes e claros para os nossos dias de fragilidade...

Mª Teresa disse...

Irmã Joana,
Desde já apresento minhas desculpas por não destacar as participações de Irmã Mª Amélia e de Frei Albertino... De facto TUDO foi engendrado pelo texto inicial de vossa autoria: Bem Hajam! Mas meu desvelo IMENSO segue para junto de si Irmã Joana!
Que "macia" sua leitura: aproveitando tudo o que nós (humanos) podemos aceitar como CAMINHO a percorrer! O lado "positivo" surge e EXISTE TÃO ao nosso alcance.
Claro, Ele VENÇE (se nós dermos ESPAÇO a Ele...). Garanto, pessoalmente considero que GANHEI MUITO, desde que O trago Comigo e, e, pois é: não perdi NADA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Mª Teresa disse...

Família Retalhos 2,
ENCRUZILHADAS (da Vida)???????... Devo ser BEM jovem (ih! ih! ih!)
... Meu espírito teima em NÃO as encontrar!
Cuido que tal também me sucede porque... porque encontro BASTANTES bençãos no Caminho e sou FELIZ por reconhecer ISSO mesmo!

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