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12 janeiro 2015

Conversão ao HOMEM NOVO



O texto que se segue é a minha releitura a partir das palavras da Ir. M.ª Amélia no 8.º Encontro)

FRANCISCO HOMEM CONVERSÃO: Continuação
O Salmo 46, rezado pela manhã, colocou-nos numa espécie de síntese do retiro: fortaleza que nos vem de Deus, o saciar a nossa alma em Deus e sobretudo expressarmos ao mundo dos nossos colóquios íntimos com Deus porque somos eleitos homens e mulheres da intimidade: O Senhor do universo está connosco! O Deus de Jacob é a nossa fortaleza! Vinde e contemplai as obras do Senhor, as maravilhas que Ele realizou na terra”.
Cristo chama à intimidade para depois nos enviar.
No texto anterior ficámos na GRUTA onde Francisco se refugia para um encontro mais íntimo com o Deus de Jesus Cristo.
No nosso processo pessoal, fraterno, comunitário, na sociedade, na Igreja, na Ordem, onde quer que nos encontremos, Cristo chama a sermos sinal da presença testemunhante de Francisco e Clara para que os outros sintam, mais do que verem, sintam que somos diferentes pela intimidade que temos com Ele e que se reflecte na nossa relação com os outros.

Voltemos ao percurso de CONVERSÃO de Francisco. Quais os QUATRO MOMENTOS CHAVE?
· SER POBRE. O gesto que se nos apresenta em primeiro lugar, como início de conversão, está no facto de deixar de ser alguém que dá esmolas aos pobres ao tornar-se ele mesmo pobre e pedir esmola. Este é um gesto provocatório para a sociedade de então, a Igreja e até mesmo a família e amigos, todos lhe chamam louco. Alguém um dia se lembrou de colocar como sendo oração de S. Francisco (da paz) a expressão “porque é dando que se recebe…”. Em Francisco há mais alegria no dar que no receber, isso é um facto. Este dar nem sempre é entregar alguma coisa ao outro, no sentir e viver de Francisco esta alegria pode ser o dar ao outro a oportunidade de me oferecer ele alguma coisa, e aqui Francisco habitualmente refere-se ao perdão. Denota em Francisco a grande preocupação pela alegria da reciprocidade, do amor, da fraternidade.
Uma tal opção de vida, que se alegra mais no dar que no receber, é aquela que faz dele e de nós pobres com os pobres, superar em si mesmo as pretensões para se sentir um igual aos pobres. A partir daqui as suas relações com os outros ganham um valor genuíno em Francisco.
Ser pobre não significa, para ele, não ter coisas mas sim, não ter a posse das mesmas, não ser dono, senhorio porque tudo recebemos na gratuidade de Deus. Ser pobre, para Francisco, é usar bem o que Deus nos concedeu sem permitir que ao seu lado alguém fosse mais pobre que ele. Quantas histórias poderíamos contar aqui de momentos em que ele deu o seu próprio hábito aos pobre que estava mais roto que ele, em que pagou para serem libertadas as rolas cativas, em que mandou aos seus frades que fossem levar comida ao bosque aos irmãos ladrões que os haviam assaltado… e por aí fora.

· BEIJO AO LEPROSO. Este é o segundo momento chave onde Francisco rompe consigo mesmo e com a sua estrutura interior. Os leprosos afastavam-se do resto das pessoas, fugiam, escondiam-se e avisava com uma campainha a sua presença para que todos deles fugissem e não fossem contagiados com a lepra. Quantas vezes Francisco fugiu, enojado talvez, com desprezo pelos que sofriam o mal da doença e da discriminação social inerente à lepra.
Olhar o outro como alguém a quem manifestar afecto e a quem amar com o sentido do coração de Deus leva Francisco a ir ao encontro do leproso, apear-se do cavalo e beijar aquele irmão atónito sem perceber o que estava a acontecer. Seria mesmo um louco, aquele Francisco Bernardone, beijar um leproso. Loucura não foi este gesto mas sim a mudança que ele permite se opere na sua vida e coração, como ele mesmo nos diz no seu Testamento: “e depois o Senhor me conduziu ao meio dos leprosos e o que antes era para mim amargo se tornou em doçura de alma”.
Francisco já não se sente diferente dos outros, dos pobres, dos marginalizados, dos enfermos, dos desenraizados. Francisco, identificado agora com Cristo pobre e sofredor, já não é o jovem das folgazias, o rei da juventude, o jovem de sonhos de cavalaria e honrarias. É um homem em permanente conversão interior que se deixa tocar por aquilo que jamais lhe passaria pela cabeça, Cristo vivo e operante através dos mais frágeis da sociedade. Francisco, neste momento chave da sua conversão, vive talvez uma das etapas mais importantes, difíceis e cruciais da sua vida espiritual, morrer para o amor prefigurado neste abraço ao homem sofredor que o leva sempre ao Cristo sofredor.
Francisco começa a entender aqui que é o morrer constantemente por amor e para o amor que gera mais vida. Por isso ele repete tantas vezes que “o Amor – Cristo – não é amado”, e uma vez mais olhamos a já referida oração que diz que “é morrendo que se vive para a Vida Eterna”.

· De CAVALEIRO A PEDREIRO. Toda a vocação é o chamamento ao SERVIÇO. Só há dois caminhos para Francisco – e para nós creio – viver na lógica do poder ou na lógica do serviço. Francisco já não quer mais ouvir a voz dos que têm o poder das nações, o domínio dos povos mas a voz de UM CRUCIFICADO e que lhe pede o Crucificado? “Vai, Francisco, e repara a minha Igreja que como vês ameaça ruir”. Estamos diante de uma capelinha em ruínas, dedicada a S. Damião, um grande Cristo Bizantino que se ergue diante de Francisco que ali ajoelha em busca da vontade de Deus e repete sem cessar: “quem és Tu, ó Deus meu, e quem sou eu?” e ainda “Senhor, que queres que eu faça, que queres de mim?”
“Repara a minha Igreja…”. Esta é a vontade do Crucificado e, Francisco, prontamente arregaça as mãos e de pedra e argamassa vai reparar as paredes daquela e de outras capelas de Assis. A honestidade da resposta imediata à vontade de Deus nem o deixou pensar que Igreja é esta a que Cristo se refere. Ele mesmo vai dizer que só mais tarde percebeu que não eram igrejas de pedras mas sim a Igreja povo de Deus com os problemas e crises do seu tempo – tão pouco diferente do tempo actual – que Deus queria que ele reparasse.
Este tempo todo é, podemos dizer, o tempo verdadeiro da sua conversão. É aqui que toda a transformação interior se consolida, no serviço aos outros, no trabalho para os outros, na oração íntima com Deus. É o tempo da conversão do narcisismo para o amor, entrega purificada e livre à missão. Dá-se aqui, podemos dizer, um salto verdadeiramente qualitativo na vida de Francisco.
Neste momento Cristo tem Francisco bem preparado para a PROVA DE FOGO, onde ele vai expor a sua descoberta absoluta do seguimento de Cristo.

· DESPOJAMENTO. Fracisco, sem muitas palavras, tudo restitui ao mundo, à família, até o nome Bernardone restitui ao pai para reencontrar a sua nova condição de filho e, despojado de todas as coisas deste mundo, fazer vida as palavras que disse diante do Bispo, do Podesta, da família e da cidade inteira: “de hoje em dianta já não chamarei mais pai a Pedro Bernardone mas antes direi PAI NOSSO que estais no céu”. DEUS É O SEU PAI e assim será sempre.
Despojado se encontra, não como um verme, mas como uma criança é sinal de renascimento, como aconteceu com Nicodemos no Evangelho. Só assim, passando por este caminho seremos livres, responsáveis, capazes de assumir o fracasso, a solidão mas também as vitórias e alegrias em Deus que nascem deste renascimento permanente. Trata-se de viver mais de vinho novo em odres novos e não de vinho velho em odres velhos, como lembra Jesus.

Independentemente da idade que tenhamos somos constantemente convidados a uma conversão que tenha perfume, arejada, suave e capaz de ter o sabor da paz e da alegria: Aleluia!Louvai o Senhor, porque é bom cantar! É agradável e é justo louvar o nosso Deus.” (Sl 147, 1). Deus cuida de nós e esta consciência está sempre presente em Francisco CONVERTIDO POR AMOR bem como em Clara sua Plantazinha e deve estar presente em todos os que de uma forma ou de outra partilham deste sentir de Clara e Francisco. Deus restaura a cada momento a “nossa Jerusalém”, o que somos e temos porque tudo é DOM DO SEU AMOR, convida-nos a entrar lá para renovar a vida, para ser missão.

Muitos foram os momentos chave na vida de Francisco, e por seguimento na vida de Clara, mas ficam estes que partilhou a Irmã Maria Amélia Costa e que, ao longo destes últimos tempos voltei a reflectir, rezar e reescrever ao meu jeito, completando com a minha reflexão pessoal também.
À minha querida Ir. M.ª Amélia Costa quero agradecer o dom enorme que foi ter uma Mulher como ela a orientar a nova caminhada no “chão de Francisco e Clara”.
Dentro de dias, e como corolário de todas estas reflexões, temos, eu e a Ir. M.ª Amélia uma surpresa para todos. Aguardem porque temos certeza que será motivo de alegria e vida partilhada.

Termino com um pensamento para um dos mais belos textos que Francisco escreveu e que é a SAUDAÇÃO À BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA
"Salve, Senhora santa Rainha, santa Mãe de Deus, Maria virgem convertida em templo, e eleita pelo santíssimo Pai do céu, consagrada por Ele com o seu santíssimo amado Filho e o Espírito Santo Paráclito;
que teve e tem toda a plenitude da graça e todo o bem!
Salve, palácio de Deus!
Salve, tabernáculo de Deus!
Salve, casa de Deus!
Salve, vestidura de Deus!
Salve, Mãe de Deus!
E vós, todas as santas virtudes, que pela graça e iluminação do Espírito Santo sois infundidas no coração dos fiéis, para, de infiéis que somos, nos tornardes fiéis a Deus."

8 comentários:

Maria disse...

Obrigada, Irmão Francisco.

Mª Teresa disse...

... Não "desembrulho" a surpresa prometida... realmente seria muita a presunção, mantenho-me apenas bem juntinha de todos vós, aguardando!
E, nem dá para sentir sua demora: Irmã Mª Amélia ofereceu a todos nós (... bom, certo, são as leituras de FA, mas creio que elas são sempre partilhdas com bastante EQUÍLIBRIO).
E, com Irmã Maria, redobro agradecimento,

mariana disse...

Obrigada Ir. Mª Amélia e Frei Albertino:
Estou ansiosa pela surpresa...?

Como aconteceu com Francisco, também a nós Cristo fala ao coração. Corremos o risco de passar uma vida inteira ensurdecidos por vozes ruidosas mas vazias, corremos o risco de deixar fugir a sua voz, a única que conta, porque é a única que salva.

O leproso é um homem que não tem identidade, que não tem rosto. Jesus se humilha e se faz servo. Observem que esse é um facto que chocou a vida dos discípulos. Deus serve o homem, mas serve também aqueles que se lhe opõem, porque Jesus lava também os pés de Judas. E Jesus sabia que Judas o trairia.

O chamamento de Francisco a "reconstruir a igreja de Cristo", não é, ao fim e ao cabo, senão a responsabilidade atribuída por Cristo a todo o baptizado. A Igreja cresce e reforma-se sobretudo na medida em que cada um de nós se converte e se santifica. E edifica-se através das muitas vocações, a que somos chamados, leigos, familia, até à vida especial de consagração, e vocação sacerdotal.

O Despojamento total de Francisco é das coisas que mais me interpela...?
Saibamos nós imitar um pouquinho de FRANCISCO todos os dias.

Sirlene (Brasil) disse...

Paz e Bem!
O conhecimento do exemplo de vida de São Francisco , através dos relatos que acabamos de meditar neste Retiro de Varatojo, como no " Fontes Franciscanas", me faz experimentar um sentimento que pode ser comparado ao de um presidiário a que lhe concedem oportunidades de receber o contato com o sol diariamente, Ele, o presidiário, não entende bem o mecanismo de ação do sol no seu organismo, sabe apenas que se revigora, que lhe é salutar e que não pode ficar sem seus raios aquecedores e aprazíveis...é uma metáfora grotesca!
Francisco faz essa química acontecer em nossa alma!Emociona-nos, semeia idéias de mudanças, de conversão, sabemos que somos limitados para imitá-lo, mas ele nos dá o exemplo e a certeza da possibilidade de um humano ser capaz das coisas loucas e extremas, incompreensíveis para os neófitos nesta "assembléia da Fé"...
A humildade desconcertante com que Francisco desarma as arapucas das más intenções, cala tão profundamente , penetra os mais recônditos esconderijos de nossa alma e revela a Luz do Divino Espírito, numa evidência tão nítida da fidedignidade, porque a Verdade está na essência de todo ser criado...porque é criatura de Deus.
Por isto que Francisco tem esta aceitação universal, independente de qualquer religião, mas impregnado da Verdade
Sirlene

Mª Teresa disse...

Irmã Sirlene,
Que jóia de comentário... se não fosse estar longe, gostava de a conhecer!
E, para mais, agita minha memória: Pixe usar "ARAPUCA", fixe mesmo, estava adormecida essa palavra...

Neiva (Brasil) disse...

Obrigada Irmã Maria Amélia. obrigada Frei Albertino

As reflexões estão me fazendo um bem enorme. Elas me apontam o caminho que Deus espera de nós. Não acho que seja fácil o caminho.
Ou estou enganada? É preciso que haja um exercício constante, uma quebra de velhos e inadequados comportamentos até que se sinta o prazer da mudança, na entrega ao apelo do Criador.
Continuarei lendo e, sempre que possível, fazendo meus modestos comentários.
Parabéns à Irmã Amélia e ao Frei Albertino pelo trabalho evangelizador.

Parabéns a minha amiga SIRLENE pelo belo comentário. Foram palavras que mostraram o retrato de São Francisco de Assis, sua vida, seus exemplos.
Tenho aprendido muito com você, Sirlene. Obrigada.
Neiva(do Brasil)

maresia disse...

Vou olhar bem profundamente o Senhor Jesus e questionar a minha conversão, quais são os "meus quatro momentos-chave" na mudança de vida que Deus espera de mim, orientada pelos seus Pastores/Profetas que ELE colocou no meu caminhar.
Esta passagem do texto, alertou-me:
Independentemente da idade que tenhamos somos constantemente convidados a uma conversão que tenha perfume, arejada, suave e capaz de ter o sabor da paz e da alegria: “Aleluia!Louvai o Senhor, porque é bom cantar! É agradável e é justo louvar o nosso Deus.” (Sl 147,)"
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maresia disse...

Boa noite Frei Amigo!
Tantas estrelas cintilam aqui no Retalhos...tantas estrelas o Bom Deus coloca na nossa "noite" para nos ajudar a manter o rumo certo. Retalhos é uma preciosa ajuda, no nosso dia a dia.
Fique na Paz, Amigo.

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