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09 outubro 2010

Francisco Homem conversão



8.º ENCONTRO (de 8):

(O texto que se segue é a minha releitura a partir das palavras da Ir. M.ª Amélia no 8.º Encontro)

FRANCISCO HOMEM CONVERSÃO:

Celebrámos nestes dias últimos dois grandes acontecimentos: a Peregrinação Franciscana a Fátima e o dia de S. Francisco de Assis mas também a presença da Cruz de S. Damião – réplica da original que falou a S. Francisco e que se venera na Basílica de Sta Clara em Assis – Cruz que, tal como aconteceu na preparação e celebração dos oito séculos da aprovação da Regra de S. Francisco e Fundação da Ordem Franciscana, agora a Cruz percorre os Mosteiros das nossas Irmãs Clarissas no intuito de sensibilizar para a celebração dos oito séculos da aprovação da Regra de Sta Clara e Fundação das Damas pobres de S. Damião ou Irmãs Clarissas como hoje nos honramos chamar-lhes.

Sobre este tempo de graça a seu tempo falaremos aqui também.

Assim, tendo interrompido, pelo dia de S. Francisco, os textos de reflexão a partir do Retiro anual e das partilhas da Ir. M.ª Amélia Costa – Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição – retomamos hoje, e para terminar tais partilhas, o que foram os últimos dois momentos e que nos falam do PERCURSO DE CONVERSÃO DE FRANCISCO DE ASSIS.

Os grandes Santos não foram proclamados como tal por já terem nascido Santos, foram-no porque ao longo da sua vida deram testemunho de vida consentânea com os valores do Evangelho, com a radicalidade de vida e porque nela fizeram um enorme percurso de conversão a Deus e aos irmãos. Assim foi com Francisco de Assis que nos é apresentado como um modelo humano/divino para que sigamos os seus passos e testemunho.

Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1, 15). Assim apelava João Baptista ao arrependimento. O tempo que vivemos é o tempo de Deus, é o tempo único para cada um de nós, como o foi há oito séculos para Francisco de Assis. Este é o tempo em que somos convidados a sintonizar verdadeiramente com Deus e com os irmãos e isso pressupõe da nossa parte uma conversão contínua.

Francisco assim o percebeu e sem delongas inicia o seu próprio itinerário de conversão, itinerário esse que deve ser para nós paradigma do nosso próprio itinerário de conversão permanente, não algo ocasional de um momento passageiro, nem mesmo de um retiro, este itinerário é um devir constante de toda a nossa vida. Urge perguntar se temos nós consciência que crescemos na conversão quando me esforço porque ela se concretize em mim? CONVERSÃO não é um acto para fora, é um ACTO INTERIOR. É no interior de cada um que Deus quer realizar DOM e GRAÇA que transforma e cura, que purifica e muda radicalmente o nosso interior. Esta mudança leva-nos a arrepender do passado, o mau passado, e a acreditar no Evangelho (Cf. Mc 1, 35-39).

conversões repentinas como aconteceu com Saulo de Tarso no encontro com Cristo a caminho de Damasco e com a queda do cavalo que o faz ficar cego para o mundo mas desperto ao arrependimento e a crer no Evangelho, crer que leva ao anúncio. Na nossa conversão teremos, nós também, que cair muitas vezes do cavalo ou não nos aproximaremos da verdadeira Luz – Cristo – e da Fé que nos impele a tocar na minha relação com o outro que me leva a Deus.

conversões progressivas, diárias, constantes, todos os dias da semana, incluindo os fim-de-semana, as sextas-ferias cinzentas, as segundas-feiras da preguiça e por aí fora…

É com este modo de conversão que Francisco de Assis se identifica e que os Franciscanos e Franciscanas são chamados a identificar-se, talvez mesmo todos nós.

Francisco sente-se descontente com o seu modo de viver, com todo o estilo de vida em que foi habituado e que o rodeia, com o vazio que tudo lhe provoca à sua volta e mais ainda porque não consegue discernir bem o que fazer para alterar este estado de coisas e este estado de espírito. Ele quer mudar mas… como?

Todo este sentir, este vazio vai desde as suas primeiras intuições até à total descoberta da vontade de Deus a seu respeito, tempo que, no dizer dos biógrafos, dura cerca de três anos. Poderíamos dizer que esta é uma espécie de primeira fase da descoberta da sua vocação. A segunda fase dura cerca de outros três anos onde Francisco identifica o querer de Deus, o caminho e direcção a seguir e sem delongas põe pés ao caminho, mãos à obra até chegar à conciência plena da sua verdadeira vocação.

MOMENTOS DE REALCE NESTE PROCESSO:

1. DERROTA de Colestrada. Um jovem armado cavaleiro em busca de aventura, glória, poder e honrarias e que passa pela derrota é sempre um valente murro no estômago, um choque face às certezas que tinha de vitórias. Estamos diante da primeira directriz do sabor amargo da deslusão e da surpreza. Trata-se de um choque incalculável para Francisco já que ele era um jovem com muita sorte e fortuna na vida, posses e posição social.

2. PRISÃO. Um ano de prisão, cenário que mais aumenta o que se disse antes, um filho de Pietro di Bernardone derrotado na batalha e preso como um bandido, um salteador, um derrotado, um qualquer, simplesmente. Que terá acontecido no seu interior? Quantas vezes terá pensado com “raiva” na sua reacção, no seu fracasso, no sonho desfeito de voltar a Assis com honras e glória? Só uma atitude lhe parece a mais correcta – e que tantas vezes nós mesmos também experimentamos na nosso dia-a-dia – afastar-se da sua família, dos amigos, de tudo o que o ligava ao passado, ficar só e não ter medo de enfrentar a vida, fazer escolhas importantes, sozinho, para a vida e para o futuro. O medo que vivera na prisão leva-o o olhar o futuro com alguma esperança e com a vontade firme de ser ele mesmo a construir o futuro. Neste sentido, o medo é o maior aliado, é o companheiro do nosso percurso vocacional, é ele que nos coloca na linha do impasse e nos faz chegar ao ponto da necessidade do discernimento para escutar, responder e avançar. Mais de 300 vezes o medo nos aparece no Evangelho sobretudo como exortação: “Não tenhais medo”, desafio grande que João paulo II tantas vezes toma para si e para a Igreja. Cristo sabe que o medo nos acompanhará sempre e, por isso mesmo, nos diz claramente “Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt 28, 20), no momento em que envia os doze em missão.

3. DOENÇA. Liberto da prisão Francisco cai doente. Não nos é referido que tipo de doença mas os estudiosos dos textos e biografias de Francisco e dos primeiros companheiros querem crer que esta doença não é mais que uma enorme depressão. Batendo no fundo da sua identidade, sozinho, Francisco abre-se a fazer novas experiências, partindo da experiência do vazio que sente, nada o satisfaz, nem o que ouve, nem o que diz, nem o que faz, nem o que é, nem o que os outros dizem dele. Isto são, sem dúvida alguma, sinais de uma profunda depressão e é dela que parte para o novo da sua história, só falta algo que lhe faça avançar e lhe mostre o que fazer para esse novo ser realidade e vida. Perguntaremos como reage ele a este estado interior deprimente? Francisco prepara-se para ir para a Apúlia, dar o salto para a vitória mas afinal experiencia o vazio, o nada, a fragilidade dentro dele e que o torna cada vez mais profundo porque o leva ao encontro mais íntimo consigo mesmo. Volta a querer ser cavaleiro, volta aos sonhos de glória e hontaria e, qual teimoso e orgulhoso, nas hostes Papais, vai de novo a caminho da batalha mas… Cristo corta-lhe de novo o sonho “de menino” através de um outro sonho…

4. SONHO de Espoleto. O novo nasce do velho mas transforma-o. Em Espoleto, enquanto dormia, uma voz questiona Francisco e este responde certinho a todas as questões: “vale mais servir o Senhor que o servo” (Papa), resposta lógica, sadia e sábia. Aquele que vem, através daquela voz, ao encontro de Francisco e o questiona sobre as suas atitudes, não se lhe apresenta como o crucificado, não lhe fala de sofrimento ou humilhação porque sabe que disso está Francisco cheio. Cristo usa uma linguagem que suscita em Francisco o desafio de voltar a ganhar força e coragem, tal como quando decidiu partir para combater na Apúlia. Deus encontra-nos precisamente ao longo dos caminhos que percorremos e tem sempre um discurso adaptado a cada momento. Nunca deixemos de questionar as motivações do nosso querer e do nosso agir, que nos motiva? Que motivava Francisco? Fugir dos seus, da sua terra e procurar sozinho a honra e a glória contudo, que lhe pede Cristo? “Francisco, se vale mais servir o Senhor que o servo, volta para Assis e lá te direi o que deves fazer, o que quero de ti!”

E Francisco volta, e o Senhor que lhe falára tarda em dizer o que quer. Então Francisco começa a silenciar o seu interior e busca também o silêncio exterior. É preciso criar um vazio, não de depressão, mas de escuta da palavra e vontade de Deus. É na oração, na consulta e escuta da Palavra, na partilha com os outros da sua experiência de vida como aconteceu com Frei Leão, seu futuro leal companheiro de todos os momentos (Cf Legenda dos três companheiros TC 12). Francisco procura viver e partilhar estes momentos na intimidade, partilha a poucos, mas nem tudo – como Cristo – porque há momentos que são apenas entre ele e Deus.

A fé e experiência de Deus em Francisco não é para dar nas vistas, para aplausos, e isto vai manifestar-se depois no seu contacto com os irmãos, na Fraternidade, na relação humana, no respeito pelos outros, no ânimo e positividade do discurso que tem ao falar/escrever, etc… (Cf. Legenda dos três companheiros TC 3; 8).

Francisco, rei da juventude de Assis, proclamado pelos seus pares como tal em banquete farto e folgazão, fica para trás silencioso, parece outro homem, que se passará com ele, que alteração se está a operar no mais íntimo de si? Nada mais lhe diz tais honrarias mundanas o que leva a grande confusão da parte dos seus amigos que o haviam proclamado seu rei e ídolo.

Francisco começa a perceber que este tipo de coisas, este estilo de vida, não pode jamais ser o critério para o seu futuro, a sua felicidade, a sua vida e sente que é hora de mudar, é hora de dar tempo a si mesmo, o tempo que mais tarde vai perceber ser o tempo de Deus. Começa a querer mudar de vida, relativizar as coisas e começa a fazer outras opções, toma outros rumos, como ele mesmo nos diz no seu testamento “tudo o que antes me parecia amargo, tornou-se para mim doçura de alma e corpo…”, isto depois de Cristo lhe ter falado e ter experimentado finalmente a vontade d’Aquele que o chamára em Espoleto e o obrigára a voltar para Assis. A vontade de Cristo é clara: “Vai, Francisco, e repara a minha Igreja que como vês ameaça ruir”. A vontade de Cristo só se faz ecoar no mais íntimo de si porque ele vai todos os dias rezar, quase secretamente, à capeliha de S. Damião diante do Cristo bizantino, oração que o faz quase sentir contrangimento pela doçura da intimidade com Deus (poderíamos aqui recordar o belíssimo texto dos chamados “Louvores de Deus”, oração em que Francisco sempre se refere a Deus como ‘TU’). Tudo isto o fazia arrancar da rua e dos outros lugares que deixavam de ser prioritários porque ele encontra o que lhe dá prazer, doçura e razão de viver: Jesus Cristo pobre e humilde, a quem tanto procurou e que a partir daqui quer continuar a procurar continuamente.

PERCURSOS DA PROCURA (Francisco)

1. CRISTO REVELA-SE: Um dia foi-lhe revelado, finalmente, o que o Senhor queria dele, como vimos atrás. Esta vontade e vocação de Cristo para com Francisco requer da parte deste um processo e caminho de maturidade, amadurecimento da decisão a que se lhe sucederá a clareza e lucidez, saber que é chamado a construir algo novo, em e na Igreja, leva Francisco a aceitar a missão e a fazer a opção da vontade de Deus como sua própria vida. A partir da voz do Cristo de S. Damião, Francisco, outra coisa mais não procura que fazer a vontade de Deus e isso o deixa muito claro aos seus filhos. Por isso a vocação franciscana é acima de tudo a escuta pessoal e íntima de cada irmão sobre a vontade de Deus a seu respeito e, de acordo com as palavras do mesmo Francisco, aos irmãos ministros cabe-lhes tudo fazer para ajudar cada irmão a realizar a vocação a que Deus o chama para ser Menor e feliz como Francisco, vocação que se funda logicamente no Evangelho, no discernimento e na escuta de Deus, junto dos irmãos.

Fazer a opção por Deus como sua vida é fazer a opção por Cristo como modelo contudo, esta busca não acaba aqui. Talvez pudessemos inserir aqui o final de um poema de José Régio: “Ah, que ninguém me dê piedosas intenções, ninguém me peça definições! Ninguém me diga: "vem por aqui"! A minha vida é um vendaval que se soltou, é uma onda que se alevantou, é um átomo a mais que se animou... Não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí!”

Podiamos quase levar este pensamento do Poeta portugues ao tempo do poeta de Itáia. Francisco descobre que não sabe até onde Deus o conduz, sabe que não é pelos caminhos antes percorridos e isso leva-o a descobrir que o caminho é o da entrega humilde, da fraternidade generosa, do serviço ao outro, principalmente os mais pobres, os leprosos, os excluídos.

Nós também, se como Francisco fizermos percurso de discernimento, sabemos qual o caminho por onde não devemos ir e qual aquele por onde Deus nos conduz. Nós sabemos até onde nos leva a vocação na medida em que os anos passam e amadurece em nós o querer de Deus, a vontade de Deus e o nosso agir, a nossa atitude e resposta a essa vontade.

Regra de ouro do caminho de Francisco foi a acção, não se perdeu em filosofias ou teorias, compreenções académicas de fé mas apaixonou-se pelo que está cheio de vida que mais não é que o seu Senhor Jesus, caminho, verdade e vida.

2. A GRUTA DA INTERIORIDADE: Um dos aspectos em que Francisco mais se identificou com Cristo foi a procura da vontade de Deus no silêncio da oração, da cotemplação. Por isso se refugiava com muita frequência em grutas para, a sós com o Pai, prescrutar a Sua vontade e da oração silenciosa passar à acção como resposta clara e eficaz ao querer de Deus. Por isso Francisco exorta permanentemente os irmãos a que “não matem o espírito de santa oração e devoção às quais todas as demais coisas virão por acréscimo”.

São muitos os relatos deste encontro íntimo de Francisco com Deus no silêncio de uma gruta, lembremos Greccio onde celebrou o primeiro Natal ao vivo, Fonte Colombo onde escreveu a Regra para os Irmãos Menores, a gruta do pranto – na Porciúncula – onde recebeu a notícia dos seus cinco primeiro frades mártires em Marrocos, o Alverne onde recebeu o dom dos Estigmas e mesmo a sua Cela onde acolheu a Irmã Morte, entre tantas, tantas outras de que nos fazem eco os seus biógrafos e os testemunhos dos primeiro companheiros. A gruta é para ele o lugar do deserto porque ali se abstraía de tudo e todos para centrar todo o seu coração e toda a sua alma em Jesus Cristo seu Senhor.

No tempo hodierno vivemos um medo constante de nos encontrarmos a sós connosco e com Deus. Temos dificuldade em deixar que a mente se ocupe apenas da presença de Deus e da Sua palavra que nos quer falar no mais íntimo, somos absorvidos pelas preocupações do mundo que teima em ocupar em nós o lugar primeiro, criando cá dentro ruido, barulho, buliço que ensurdece para a voz de Deus. Descer á intimidade pode ser descer ao medo do que vamos encontrar da nossa própria realidade. Muitos dos medos dos nossos silêncios existem porque não conseguimos encontrar o que somos e como somos no nosso eu profundo.

Francisco sente esta necessidade profunda de solidão e meditação que urge recuperar na Igreja e que a mensagem franciscana tem ainda para dar e apontar ao Homem do nosso tempo.

Na actual cultura narcisista perdemos a capacidade do intervalo, da pausa que nos permite crescer, conhecer-me a mim mesmo e ao outro e aceitar o que sou bem como aquilo que o outro é e como é. A atmosfera em que vivemos é contrária ao que queremos viver e tal como um barco à vela podemos virar e não ser capaz de voltar ao rumo certo.

Lembro aqui as referências que, há 23 anos durante o meu noviciado, Frei David Azevedo, então vice mestre, fazia ao lastro de um barco e à sua importância para que este tivesse um caminho estável por entre as intempéries e no mar revolto.

(porque esta reflexão é muito grande, estou a acrescentar-lhe muito da minha experiência pessoal – ao que partilhou a Ir. Amélia – deixo o resto para outra postagem daqui a uns dias, para dar tempo a que esta possa ser saboreada)

11 comentários:

Anónimo disse...

Frei! Quero dar-lhe os parabéns pela sua fidelidade para com todos aqueles que visitam este Blog. Tenho rezado todas estas partilhas da Ir. Amélia Costa embora não tenha feito até agora qualquer comentário. Acho que são demasiado ricas e profundas, que tocam o mais íntimo do nosso “SER” e “agir”… Temos é de rezá-las e vivê-las…
OBRIGADA Irmã Amélia. Obrigado Frei!.
Para S. Francisco o seu GRANDE ELO, era o Nascimento, a Paixão e Morte de Cristo…Ressurreição…AMOR…

maresia disse...

Fazemos tantos planos e projectos, quando um só é necessário, para alcançarmos a felicidade...descobrir o que Deus quer de mim, o que quer que eu faça; necessito parar e silenciar, sabendo no entanto que aí os medos "aproveitam para atacar", mas na presença dELE avançarei por montes e vales...
Irmão Francisco de Assis, tantas lições, numa lição de Vida, que é a tua.
Obrigada Irmã Amélia. Deus o abençoe AMIGO FREI.

Anónimo disse...

Obrigada por mais esta partilha, estes textos maravilhosos ampliam ao infinito a grandeza de S. Francisco, os seus ensinamentos, a sua paciência, a sua tolerância, a sua bondade e o seu espírito aberto e liberto.

Obrigada Ir. Amélia e obrigada Amigo Frei por serem presençass iluminadas.

Parabéns meu Amigo por mais um ano de vida que Deus o abençoe a si e a toda a sua familia.

Cecília

Sirlene (Brasil) disse...

Esta profunda meditação tendo São Francisco como exemplo de vida, tanto à Irmã Maria Amélia, como ao sr, autoridades no assunto por serem Franciscanos, agradecimentos por compartilhar a riqueza desta espiritualidade para quem queira aqui meditar e se enriquecer.
O convite a ouvir a voz de Deus, no silêncio "da gruta" me faz pensar nas constantes queixas que comumente ouvimos de pessoas que solicitam calmantes para correr da insõnia. Acredito que quando somos surpreendidos pela falta de sono, seja o momento em que Deus queira estar sozinho conosco e Ele talvez escolha a calada da noite para a nossa " gruta". A linguagem carinhosa a que devemos estar atentos, pode muitas vezes estar sendo dita num leito de hospital, ou numa enfermidade que nos interrompe a rotina da vida.
São Francisco, é muito eloquente no seu exemplo de vida!
Sirlene

Francisco disse...

Olá Frei, gostei muito do dia de ontem.
Que S. Francisco o abençõe.
Um abraço do Francisco.

Albertino disse...

Olá Francisco.
Eu também gostei muito da surpresa tão grande que os Amigos me fizeram. Foi uma alegria enorme ver-vos ali na Eucaristia e num dia tão especial. Quero que todos sintam que eu tenho orgulho em vós.
Diz isso a todos por mim.

Abraço do Frei

Joana disse...

Há três coisas que me tocaram especialmente neste texto – todo ele belo e profundo como, aliás, têm sido todas estas reflexões com base no retiro da Ir. Maria Amélia.

- “Deus encontra-nos precisamente ao longo dos caminhos que percorremos e tem sempre um discurso adaptado a cada momento.”
- A ideia da gruta da interioridade
- A importância do lastro do barco

No fundo, trata-se da mesma realidade: buscar a Deus e a sua vontade na minha vida concreta, e viver na presença de Deus a partir das minhas fontes mais profundas. –
Não é fácil, mas é o único necessário, o único importante. Supõe uma abertura permanente à conversão, à mudança, àquilo que o Espírito de Deus quer fazer em mim e de mim. Expressa também o meu anseio mais profundo: estar SEMPRE com Aquele a quem dei a minha vida…

Perguntas que surgem no meu íntimo:
- Deixo-me encontrar por Deus em cada momento? Sei que Ele sempre está presente nos meus caminhos – mas será que eu estou realmente «presente» a mim mesma?
- Quando vou para a «gruta», não levo demasiadas coisas que depois atrapalham e até impedem o encontro íntimo com Deus? Há que viver o despojamento total diante de Deus, ir para a «gruta» unicamente com aquilo que SOU e não com aquilo que TENHO (e que habitualmente julgamos ser o mais importante)…
- Que faço eu pelo «lastro» do meu barquinho? Tem ele a firmeza e o peso para realmente dar estabilidade à minha vida, ainda que atravesse tempestades e furacões?

São apenas alguns apontamentos das minhas reflexões a partir do texto

Mª Teresa disse...

Querida Família Retalhos 2,
Abençoados Irmã Mª Amélia e Frei Albertino: deste jeito lindo e subtil podemos "voar" e... acabar conhecendo esse percurso lindo de conversão de Francisco de Assis.
Cuido ser "felicidade" um BEM que sempre se RENOVA : releitura(s) futuras estão GARANTIDAS, sempre sem incomodar ninguém, sem filas para consulta, sem... Vejam só: por certo vou construir novos encantamentos SÓ com o relato que aqui nos foi oferecido.
Simples, repito SIMPLES, é encontrarmo-nos com Deus no século XXI ! Meu testemunho é bem fraco, com pouca expressão, por isso resulta EMBARAÇADO...Mas, segue junto:... Ele (Encontro) é BEM GRATIFICANTE e OFERECE IMENSA GRAÇA E VENTURA A TODOS MEUS DIAS!
Bem hajam,

Mª Teresa disse...

Poxa Irmã Joana,
Quanta FACILIDADE de abordagem, quanta ELUCIDADA ELOQUÊNCIA...
Por certo não me desvio de realidade: Irmã Joana seu dia se cumpre 24 horas, SEMPRE, comungando com Ele? Só um espírito assim forte para, rapidamente, encontrar imperfeições na sua vida(Irmã Joana). Quanto a mim, mísera criatura, me basta tudo o que de BEM realizo,
mas por certo muito haveria para corrigir...
Valente, merece este adjectivo para colorir sua vida... pelo menos atribuido pela Mª Teresa. Salvé!

Mãe Lena disse...

Numa manhã desta semana, recebi uma mensagem de uma mãe Amiga e Franciscana. Partilho-a com a Família Retalhos para que, juntamente com este texto grandioso, possamos beber e alimentar a nossa alma.

"PAZ
Existe uma Paz que só se alcança quando as decisões que tomas são as mais correctas. Mais correctas para ti, naturalmente.

Normalmente, a maioria das pessoas toma as decisões baseadas na ideia do «tem de ser», «não há outra hipótese» ou «tenho mesmo de fazer isto».

São decisões empurradas pela mente, pelo ego controlador e sinistro, que foge da tua alma pois tem medo da força que ela tem. Volto a dizer – as decisões quando são tomadas respeitando a energia original têm uma força tremenda.

Porque tudo está no seu lugar quando uma pessoa se respeita, quando uma pessoa sabe que o que é melhor para si pode não ser o melhor para os outros.

Sempre que tomares uma decisão, faz o seguinte: nem que seja por um segundo, fecha os olhos e sente o teu peito. Mais do que isso. Sente a tua intuição.

Às vezes o peito sofre com as decisões que a nossa intuição nos diz que temos de tomar. Sente a tua intuição. Há Paz? Há coerência energética? Há aquele sentimento tão antigo de que «tudo está no seu lugar»? Se sim, está certo. É a tua decisão mais acertada. Se não, já sabes o que tens de fazer."

Mª Teresa disse...

Mãe Lena,
Grata, bastante, grata pelas suas palavras: sem dúvida o JUÍZO transmitido DEVE ser SEMPRE respeitado...
Mas, o que actualmente MAIS me incomoda são FALTA de DECISÓES !!!!!!! Por Deus, ELAS MAGOAM a sério! Porque transmitem claramente que SOMOS (todos nós) IGNORADOS!!!!!!!!!! ISSO DÓI !!!!!!!!!!!!! FUNDO... Em criança aprendi: diz SEMPRE o que pensas! Mas, já sou bastante ANOSA !

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