Retalhos Bem-vindo! Retalhos Willkommen! Retalhos Bienvenido! Retalhos Bienvenue! Retalhos Benvenuti! Retalhos Welcome! Retalhos 歡迎! Retalhos Καλως ηλθατε! Retalhos Добро пожаловать! Retalhos!مرحبا Retalhos

Senhor! Fazei-me instrumento da vossa paz!

VÍDEOS: Para visualizar e ouvir os vídeos deverá dasativar a música de fundo no painel aqui do lado esquerdo

18 março 2017

A Água viva que é Cristo

Continuando a nossa caminhada quaresmal, somos levados hoje até ao poço de Jacob, em Sicar, na Samaria.

Refletimos este texto com a ajuda do nosso P. João Lourenço que se dignou permitir aqui tal publicação e a quem desde já agradecemos.



A Água viva que é Cristo



A liturgia baptismal do tempo de Quaresma oferece-nos alguns dos textos mais belos e expressivos do Evangelho, dentre os quais se destaca o deste domingo, o cap. 4º de S. João, com o episódio do encontro entre Jesus e a Samaritana, junto ao poço de Jacob.

Na Palestina, tal como em toda a região do Médio Oriente, a água foi sempre um bem raro e escasso e onde ela existia em abundância despontaram os grandes pólos culturais e civilizacionais da antiguidade. De um lado, a Norte, na região da Mesopotâmia, entre o Tigre e o Eufrates, por aí passou um ‘carrefour’ de culturas que se sucederam e dominaram o mundo de então, alargando o seu espaço para o ocidente, o norte e o oriente. A Sul, por sua vez, à volta das águas do Nilo, desenvolveu-se um outro pólo, o Egipto, cuja cultura de então deixou marcas de eternidade. No passado, tal como no presente, a água é não só um bem raro mas, acima de tudo, é essencialmente um elemento de profundo significado e de grande simbologia religiosa e espiritual.

A Sagrada Escritura recorre, de forma constante, à simbologia da ‘fonte’, do ‘poço’ e da ‘água’, apresentando-os como dons preciosos, dádivas divinas, ofertas de Deus para aqueles que acreditam e se confiam ao Seu cuidado. De facto, a água era o bem essencial para assegurar a existência e as suas fontes tornaram-se lugar de encontro e de partilha, pois era junto a elas que os homens reencontravam o sentido da sua caminhada e, ao mesmo tempo, acolhiam as mensagens que lhes eram reveladas. São disso testemunho as ‘tradições patriarcais’ (Jacob e Raquel, Gn 29), o encontro de Moisés com o ‘Deus dos Pais’ (Moisés e as filhas de Jetro, Ex 2,16-21), a fonte de Siloé que dava vida à cidade de Jerusalém, motivava a inspiração dos Profetas (Is 8,6) e de onde era retirada a água que na festa das Tendas era sinal das bênçãos messiânicas.

O Evangelho deste 3º Domingo da Quaresma, o encontro de Jesus com a Samaritana, tem exactamente um cenário idêntico a tantos outros da História da Salvação, o Poço de Jacob, junto da cidade de Sicar (Siquém), num contexto tão bíblico quão idílico, combinando o ambiente do encontro humano com o espaço do encontro de Deus. O poço que foi sempre um lugar de encontro, transforma-se aqui num lugar teológico, já que a água buscada não é mais aquela que mata a sede do dia a dia, mas sim aquela que dessedenta o homem para a vida eterna (Jo 4,14).

Passando pela Samaria, uma terra hostil aos Judeus, o Senhor sentou-se à beira do poço, querendo certamente com isso significar que tinha sede de adquirir também esse povo da Samaria, tornando-se Ele mesmo não apenas a água viva que promete à Samaritana mas, mais que isso, sendo Ele o verdadeiro poço de onde Deus faz nascer essa água, a mesma água que na cruz brotou do Seu lado e se tornou símbolo da nova vida para todos os que n’Ele acreditam: ‘Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus’ (Jo 3,5). Jesus é aquele ‘poço’ inesgotável de vida à volta do qual, como Deus dissera a Moisés “reúne o povo e Eu dar-lhes-ei água”. É da água do poço que nasce a vida nova que leva a que todos os ‘verdadeiros adoradores possam adorar o Pai em Espírito e Verdade’ (Jo 4,24).

Na tradição judaica, a água é também símbolo do Espírito e, por isso, a água está sempre associada aos momentos da História da Salvação que representam uma identidade nova na caminhada do povo de Deus. O poço, por sua vez, significa também a Torah, a Lei, de onde Israel tirava a água que lhe conferia vida. É por isso que Jesus diz à Samaritana “Se conhecesses o dom que Deus tem para dar e quem é que te diz: ‘dá-me de beber’, tu é que lhe pedirias, e Ele havia de dar-te água viva!” (Jo 4,10). Jesus é agora o novo Jacob que dá de beber ao novo rebanho e o novo Moisés que une os dois povos (judeus, de onde vem a Salvação, e samaritanos que acolhem o Messias), dando assim um novo sentido à revelação. É para isso que Ele passou pela Samaria e se foi sentar junto ao poço de Jacob, para dizer-nos que há uma continuidade entre a presença e a experiência passada de Israel e a vida nova de que Ele agora é portador. Ele é o verdadeiro poço em que a Samaritana, figura de todo aquele que procura a verdadeira água, vai descobrir e encontrar a Fonte que sacia toda a sua sede. Por isso, é muito belo o comentário que Origenes faz a Jo 13,42 quando diz: “Ninguém é capaz de receber a água que difere da da fonte de Jacob e que só o Verbo pode dar, se, levado pela sede, não se aplicar com todo o empenho a passar por esta fonte para lá beber. Por este motivo, muitas coisas faltam a muita gente que não experimentou beber da fonte de Jacob”. Mas essa fonte agora é Cristo.

P. João Lourenço OFM

5 comentários:

Xana disse...

Obrigado Pe. João Lourenço que nos ajuda a reflectir sobre Cristo, Água Viva...

« Se alguém tem sede venha MIM e beba!»(J.7,37).
Jesus, é ELE a «Água Viva» de que fala à Samaritana (J.4,1o). Quem beber dessa fonte, não voltará a ter sede.
a água é o bem mais precioso que a terra nos oferece. Parecendo uma coisa tão banal,tão dia-a-dia, tão evidente, deve ser redescoberta, em tempo de Quaresma, a fim de verificarmos que, afinal,»menos é mais»! Quase tudo é indispensável, podemos renunciar a quase todas as coisas, mas a água é algo de vital, imprescindível e, por isso precioso.
A esta mulher,(Samaritana) Jesus que lhe pedira de beber, fala-lhe de uma fonte de água viva que só pode ser dada por ELE. Há sede de água, e existe sede de felicidade e de sentido para a vida. Jesus no diálogo com ela, avança do visível para o interior, do que passa para o que fica, da superficie para a profundidade. Como todos os homens e mulheres, a Samaritana com a sua história tinha sede, ansiava por uma vida verdadeira...
Que feliz terá ficado a Samaritana após o encontro com Jesus! Que alegria para ela ter contribuido para abrir caminhos para a felicidade daqueles a quem levou a BOA NOTÌCIA da libertação que, nela e por ela chegou à sua terra.
Senhor! Que eu e todos nós experimentemos o DOM de Deus e o comuniquemos a todos...

Mãe Lena disse...

Quanta sede existe nos Homens!

Alegria se todos beberem da Fonte que verdadeiramente sacia.

Obrigada P. João Lourenço pela partilha na nossa Família Retalhos.

mariana disse...

Obrigada Pde. João Lourenço por esta partilha.
Eu tinha ouvido este comentário seu, no programa Ecclesia na 6ªfeira anterior. Como faço sempre que posso. Mas é bom partilhar aqui.

A samaritana encontra Jesus junto ao poço de Jacó (Jo 4,5-42). Uma mulher na rotina monótona da sua vida. Descobre a existência do pecado, a própria fraqueza e a exploração de que é vítima. No fundo, uma grande insatisfação e a sede de felicidade e de paz, o desejo de uma nova vida.

Só a presença e a pessoa de Jesus a fazem descobrir algo novo e melhor. No coração da samaritana e na sua situação de amargura, na qual se encontrava mais ou menos acomodada, Jesus escava para descobrir uma fonte de água, fazendo-a descobrir-se a si mesma a partir da sua própria humanidade; e se realiza o encontro com Deus.
Jesus se revela fonte de água viva que jorra para a vida eterna, fonte do Espírito Santo. Jesus perdoa o pecado e dá um novo sentido à existência. Ele muda, converte e é fonte de felicidade para a samaritana e para cada cristão.

Jesus serve-se várias vezes da água para nos conduzir aos valores espirituais.
Em Caná, transformou a água em vinho (Jo 2,8-10). No encontro com Nicodemos, convida a nascer da água e do Espírito (Jo3,4-5).
Hoje, com a samaritana, partindo da água do poço de Jacó, fala da água que jorra para a vida eterna. Vamos ao poço!

Mª Teresa disse...

Grata (BASTANTE) Pe João Lourenço,
Por se dignar partilhar este texto por si criado aquando vivemos o 3º Domingo de Quaresma! Escutar, me pareceu excelente!...ler! Isto sim, permite parar, reiniciar...enfim todo o processo inerente a algum afinco no seu estudo... Bem hajam (a quem criou este texto muito jóia, e a quem diligenciou sua publicação)

Mª Teresa disse...

"Dá-me de beber!"- assim, Samaritana é hábilmente incitada por Cristo a remeter conversa sobre "ÁGUA VIVA"!
Jeito MANSO, feito este!
Gestos simples tornam tudo BEM transparente como água (também) de poço de Sicar...
Paz e Bem! Para TODOS vós!

AVISO LEGAL – Procurarei fazer, neste blog, uma utilização cautelosa de textos, imagens, sons e outros dados, respeitando os direitos autoriais dos mesmos. Sempre que a legislação exigir, ou reclamados os referidos direitos de autor, procurarei prontamente respeitá-los, corrigindo informação ou retirando os mesmos do blog

 
© 2009 | RETALHOS 2 | Por Templates para Você