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Senhor! Fazei-me instrumento da vossa paz!

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30 agosto 2011

Varatojo: Realidade e identidade pessoal

TU ME SONDAS E CONHECES:
Este será o tema central das reflexões deste dia.
Iniciámos o dia com uma alusão, na Hora de Laudes, ao texto do Evangelho de Mt 16, 21-28: “Se alguém quiser seguir-me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-me...”
Tomar a Cruz todos os dias? Grande desafio para o novo amanhecer, ter consciência de que seguir Jesus Cristo não é para facilidades, tem uma cruz como Ele teve a sua e nos desafia a carregá-la, não como sinal de sofrimento pelo sofrimento mas como expressão máxima do amor de Deus para connosco e do caminho de amor que fazemos com Jesus.
No final deste caminho perguntaremos como nos apresentamos nós diante de Deus? Habitualmente desejamos não nos apresentar diante de Deus com as mãos vazias, quase como paradigma de quem nada tem para lhe apresentar – qual administrador infiel – e tememos que Deus nos venha a punir por termos as mãos vazias. Mas será que ter mãos vazias é sempre sinal de má administração dos bens de Deus? Na perspectiva criastã, e aqui no caso Franciscana, estar diante de Deus de mãos vazias mais não deve significar que recebenmos bens da parte de Deus e os partilhámos com os demais, não aprisionámos tais bens somente para nós ou para os devolver a Deus com juros senão que os partilhámos na gratuidade com os outros a quem Deus nos envia. “Recebestes de graça, dai de graça” (Mt 10, 8).
É esta a perspectiva de Francisco de Assis que na primeira Regra nos faz referência a esta forma de ser e estar diante de Deus e uns dos outros na gratuidade (Cf. 1R 23). Isto leva-nos a dizer como Santa Teresa de Jesus: “nada te perturbe, nada te espante, quem a Deus tem nada lhe falta, só Deus basta”.
1º ENCONTRO: A NOSSA REALIDADE E IDENTIDADE PESSOAL
Antes de mais é importante recordar que todo o Homem é um mistério e que por mais que queiramos entrar no seu mistério esse se nos depara como que oculto na medida em que eu só posso conhecer o outro e a sua realidade na medida em que ele me deixa entrar.
Não se trata de saber quem sou mas sim o que estou sendo. Este mistério da pessoa humana é o que podemos chamar de parte não esgotada da realidade que há em mim, algo que ainda não está completo em mim, que não conheço e que está em permanente descoberta existencial e neste sentido importa que cada um se redescubra a si mesmo face à realidade do que ele mesmo é e está sendo.
Existem variados conceitos para definir o ser humano, pensemos na arte, por exemplo, e na forma como hoje se pinta ou esculpe o homem.
Os filósofos, através das suas teorias, também procuram definir o ser humano como Freud que diz que “o homem é um meio de complexos e definições, o homem é insegurança”. Também Vich (não sei bem se é este o nome) refere que “o homem é poder, é super-homem” e ainda Nietzsche que diz que “dentro de cada um há um pequeno animal quando procura dominar e esmagar o outro”.
Quantas deixamos que estas teorias ou conceitos se façam sentir e influenciem a nossa Vida Religiosa? Parece um absurdo pensar desta forma mas não andaremos todos nós com medo de o pensar? Olhemos bem a nossa realidade e a daqueles que connosco vivem. Quantas vezes na vida fraterna o poder não é o do serviço do lava pés mas o do poder dominador, da posse sobre o outro, como se fosse uma coisa ou objecto. “compreendeis o que vos fiz – disse Jesus – se eu que sou mestre e Senhor vos lavei os pés, fazei-o vós também uns aos outros” (Jo 13, 14).
O homem é a capacidade de transformação permanente, de crescimento contínuo. Muitas vezes enchemos a boca com palavras sobre o que é a gratuidade, a entrega ao outro desinteressadamente mas na verdade à nossa volta tudo parece ser negociável até mesmo na nossa relação com Deus. Quantas vezes, sob a capa das nossas orações e devoções, dos nossos sacrifícios físicos e promessas várias, pensamos que estamos a viver uma profunda experiência de entrega a Deus e na verdade mais não estamos a fazer que negociar com Ele uma coisa que queremos ver realizada, independentemente de ser algo bom ou mau. E esta realidade podemos vê-la não só na nossa relação com os outros mas também muitas vezes ao nível da Vida Consagrada. Basta olhar para a forma como terminam a maior parte dos formulários que proferimos aquando da Profissão Religiosa, não terminam quese todos com algo parecido com: “se estas coisas observares, te prometo da parte de Deus a vida eterna”? Claro que temos muitos argumentos para justificar esta linguagem mas será que não parece aos olhos dos outros um negócio? Se deres a Deus isto tudo terás a vida eterna, se não deres terás a condenação.
Estes aspectos da nossa existência, em que tudo parece poder ser motivo de negociação a nosso belo prazer, leva a que alguém refira que o homem é um animal, é um lobo para os outros homens. Vivemos um tempo de dominismo (domínio), da evolução onde quem se adapta é o mais forte e os que não são capazes de se adaptar são excluídos de forma natural. É o tempo da lei do mais forte e da lei do mais fraco. O homem de hoje parece viver uma certa tendência para a animalizção em detrimento da humanização que torna o ser humano um par com os seus pares reconhecendo no outro os mesmos direitos e deveres que pretende lhe sejam reconhecidos.
A bondade, a ternura e o amor é o que nos diferencia dos animais, é o que nos deve fazer ir ao encontro do outro não para o usar e dominar mas para partilhar vida e afectos como testemunho do amor de Deus que eu vivo e sou.
Se estou indiferente ao sofrimento do meu irmão não estou a ser fiél à antropologia cristã que nos diz que o homem é imagem e semelhança de Deus (desde a sua orígem, Gn 1, 26), tema tão querido à Escola Franciscana sobretudo com S. Boaventura. A natureza humana é a bondade e a ternura que nos vem de Deus e que devemos elevar de novo a Deus num acto de louvor e gratidão. Nós somos assim como que a capacidade amorosa de Deus no mundo, somos relação de Deus junto dos outros como defende S. Agostinho. Nós somos a graça original e não o pecado original como princípio permanente. Não podemos insultar o Criador como fazem tantos movimentos religiosos que parece verem apenas no homem a sua condição de pecadores e esquecem a graça de Deus no homem pecador. Há que descobrir uma antropologia positiva porque eu sou centelha do amor infinito de Deus e não pecado, pecado, pecado...
A solidão e o encontro, tema sempre presente em ambientes de retiro, são duas faces que nos leva a encontrar com a nossa própria realidade, connosco mesmos, sem medo desse encontro íntimo e pessoal com a nossa realidade existencial. Se o não fizermos não teremos a capacidade de partilhar a nossa intimidade com o outro, logos continuaremos a perder o tempo de graça que Deus nos proporciona.
Surge aqui a questão sobre a qualidade da nossa relação com os outros. Falamos aos outros de nós mesmos ou das futilidades que nos envolvem como a moda, os preços, desporto...
Neste sentido devemos perguntar-nos sobre quem é o Homem para nós, para mim? Colocar esta questão é perguntar o que é que sou eu, é fazer perguntas acerca de mim mesmo o que implica que eu me abra a escutar-me, a conhecer-me bem.
Ao conhecer-me é importante levantar uma outra questão que é a do corpo e da alma, o que muda e o que permanece em nós. A minha identidade é o conjunto das experiências da minha vida que vão permanecendo em mim. Não se trata daquilo que eu sou mas sim do que estou sendo, não se trata de uma identidade estática que já está finalizada mas de uma identidade sempre em advir, dinâmica que se vai cinstruindo a partir da minha realidade existencial. Esta identidade implica:
a)      Memória afectiva: experiências e encontros que eu tive e que podem influenciar o meu futuro impulsionando-o ou bloqueando-o. Quem não se referiu já a algo, alguém ou algum momento como algo com valor afectivo? Pois é aí que reside parte desta memória.
b)      Fantasia: o que eu sonho para o meu futuro, os meus projectos, ambições e objectivos sem nunca esquecer que o futuro sou eu mesmo e que sou imprevisível na medida em que ainda não sou mas estou sendo.
A primeira grande experiência de Jesus é a da filiação e isto remete-nos para um Deus que é família, relação. Deus não bloqueia a nossa vida, Deus impulsiona-a. O homem é que se condiciona a si mesmo e à sua vida, condicionando a sua capacidade de sonhar, de voar, de ir sendo na relação com o outro.
Sem experiencias de encontros fortes não há nada pelo qual dar a vida, não há motivação para a partilha, não sei quem sou.
Que preço tem tudo o que fazemos? Que sentido tem tudo o que experienciamos na vida? Temos experiência de que nos amam pelo que somos ou pelo que parecemos?
Ao terminar este encontro perguntaremos afinal quem sou eu?
Quais as experiências fundantes, positivas e negativas, da minha vida?
Que sonhos, objectivos e caminhos desejo construir?
(continuaremos na próxima publicação o tema da identidade)

28 agosto 2011

Varatojo: do Serviço à Contemplação

 Mais uma vez o Real Convento de Varatojo acolhe os Irmãos da Província para o retiro anual. Este retiro reveste-se sempre de um cariz especial dado que é especialmente para os irmãos em formação inicial, irmãos de Portugal, Moçambique, Timor Leste, Cabo Verde e Brasil, irmãos que se preparam para tomar hábito e entrar no Noviciado, outros que terminam e farão a sua Profissão Religiosa e Franciscana e os que renovarão os seus Votos Religiosos. Outros irmãos sacerdotes e não sacerdotes participam também deste mesmo retiro para a sua formação permante, uma das grande opções da Ordem Franciscana.


Este ano orienta o mesmo um irmão nosso Franciscano Capuchinho, Frei Jaime, que vindo de Madrid aqui faz partilha da sua experiência e saber sobre a Vida Fraterna e Franciscana.
Nos próximos tempos aqui partilharei convosco, a exemplo dos anos anteriores, tudo aquilo que eu captei das suas exposições e ao mesmo tempo o que me fica da reflexão pessoal a partir das mesmas.
Por isso quero realçar que o que aqui partilhar não é “ipsis verbis” (tal qual) o que o nosso irmão disse mas o que eu captei, escrevi, rteflecti e reescrevi aqui.
Varatojo: do serviço à contemplação
Iniciámos o nosso retiro recordando João 13, 1+ com o texto do lava pés na Última Ceia. Coincidência este Evangelho foi o que eu escolhi para a celebração da minha Missa Nova.
Centrando-nos em todo o cenário que João nos apresenta, João convida-nos a fazer uma experiência de vida importante e fundante. Faz-nos um convite a que deixemos que Jesus nos lave os pés, algo que – tal como aconteceu com Pedro – parece absurdo e fora de tudo o que parece lógico, Cristo lavar-me os pés.
É interessante recuar ao capítulo 12 onde o Apóstolo já havia preparado este momento ao deixar que Maria, irmã de Lázaro, lhE lavasse os pés a Ele. Para Jesus este gesto não oferece problema algum na medida em que Ele bem sabe que Maria o faz com um amor incondicional, ela sente que não o poderá fazer no momento da despedida do Mestre amado e, por isso mesmo, escolhe este momento para lavar e ungir os pés do seu Senhor e Mestre. Quem ama deixa-se amar e retribui com o mesmo amor. Este gesto implica à partida uma grande humildade. A falta desta leva-nos ao orgulho e arrogância: “Tu não me lavarás os pés”. Vemos aqui provavelmente uma recusa impensada ao amor que nos amou primeiro, Jesus.
Assim, e de olhos postos neste cenário do lava pés, Fr. Jaime convida-nos a que façamos deste tempo um tempo da humildade e do amor no encontro com Cristo e com os outros, sem esquecer que para isso teremos que nos encontrar cada um consigo mesmo.
Que objectivos se poderão então traçar para estes dias de retiro? Muitos se poderiam enumerar mas, quiçá, continuariamos a repetir o mesmo de sempre. Assim somos convidados a que façamos deste tempo um tempo de prioridade neste encontro com o Mestre que nos serve com amor e nos convida a fazer o mesmo, “vistes o que vos fiz? Fazei vós também...”
Entretanto, o nosso orientador, quer realçar talvez três aspectos que nos podem ajudar a entender as prioridades de cada momento para quem se retira num lugar tão especial e espiritual como este em que nos encontramos:
  1. Olhar a própria história
Não se trata de olhar apenas esta minha história com tudo o que ela tem em si com o meu olhar mas olhá-la a partir do olhar de Deus.
S. Agostinho convida-nos sempre a entrar dentro para nos olharmos com os olhos de Deus, a partir de dentro, da nossa realidade concreta e não a partir apenas de aspectos exteriores.
Não se trata de fazer aquilo a que hoje se pode chamar de psico-terapia mas sim perceber se sou capaz de deixar que Deus me olhe e me ajude a olhar-me a mim. Este olhar leva-nos sempre ao Cristo da Cruz contudo, não podemos olhar a vida apenas a partir do peso da Cruz, isso seria mau, escândalo. Olhar sim para a Cruz mas como caminho de Glória como dizia S. Paulo “ai de mim gloriar-me a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”(Gal 6, 14).
Este olhar a partir de Deus é permitir que Deus entre na nossa vida e nos olhe com amor, com carinho, é deixar que Cristo nos toque até na sensibilidade da àgua e de tantas outras coisas onde Cristo está presente e S. Francisco o soube testemunhar de forma tão sublime eo ver e sentir Jesus em todas as coisas que o rodeavam e assim o fez escrever no belíssimo Cântico das Criaturas.
  1. Verificar a partir da experiência pessoal
A verificação é algo cada vez mais exigido pela ciência para demonstrar factos e/ou verdades de conhecimento. Sem experimentar verdadeiramento um estudo realizado não se pode afirmar que o resultado deste é digno de toda a fé, de toda a crença.
Também nós precisamos verificar o concreto da nossa vida a partir da nossa experiência pessoal, do que a nossa vida já nos demonstrou ser ou não ser, das coisas que vivemos e o que com elas aprendemos.
Hoje vivemos num tempo onde parece que todos percebem de tudo, todos opinam acerca de tudo, todos parecem ter solução para tudo mas na verdade, a maior parte das vezes, o que vemos é um desgaste da palavra, uma verborreia de vocábulos tantas vezes descontextualizados ou que não estão em consonância de verdade com o que vivemos realmente. Muitas vezes as opiniões que emitimos como nossas não passam de coisas que lemos, ouvimos ou “fantasiamos” mas que em nada se parecem com o que foi por nós verificado com a aprendizagem do nosso viver.
Não nos basta falar dos pobres e da opção que devemos fazer por eles, da fraternidade e do sentido de sermos irmão, da oração como encontro íntimo com Deus, da solidariedade com os mais frágeis da nossa sociedade, do sofrimento de Cristo, dos Votos Religiosos e por aí fora. Dizia que não nos basta falar apenas destas coisas tão bonitas e cada vez maos chavões que se repetem se nós não o fazemos a partir da nossa experiência pessoal, do que podemos afirmar ser um dado da minha história pessoal, daquilo que eu sou e vivo.
As experiências únicas da nossa vida são aquelas que mais nos marcaram e com as quais mais aprendemos e agora podemos testemunhar com verdade e autenticidade. Não serão meras palavras mas sim o testemunho fundamental e verdadeiro do que sou.
Aqui parece também surgir a grande questão sobre a importância de verificarmos todo o nosso discurso acerca da Vida religiosa e Franciscana, acerca da nossa experiência de Deus e do Seu olhar de Amor, acerca de nós mesmos e da realidade que somos diante de Deus, de nós mesmos e dos outros. Daqui passamos ao terceiro aspecto ou prioridade para estes dias:
  1. Tomar consciência de que este retiro é um tempo especial.
Retirar-se deve implicar à partida deixar todas as coisas que no dia a dia nos trazem ocupados para podermos olhar a nossa realidade a partir deste tempo de graça, tempo novo e que o nosso orientador chamou também de tempo afectivo porque me deixo olhar e amar por Deus retribuindo com o meu olhar de amor para com Deus. Este tempo não se mede pelo cronos – tempo físico dos nossos dias e horas – mas pelo tempo do olhar amoroso de Deus e esse não se mede com dias e horas. Quase me apetece recordar saint Exupery no seu livro “Petit Prince” aos dizer-nos que “o essencial é invisível aos olhos (humanos), só se vê bem com o coração”. E é ali no coração que Deus nos olha tal como somos, sem capas, sem falsidades, mas com verdade, é o tempo em que por mais que queiramos enganar Deus não o conseguimos fazer. Recordo a leitura que escutámos este Domingo “seduziste-me, Senhor, e eu deixei-me seduzir...” (Jr 20, 7). Talvez esta expressão do profeta Jeremias nos ajude a reflectir sobre este coração onde Deus nos olha e ama e pede que O olhemos e amemos tal como somos, sem mentira e falsidade.
Perder tempo tão especial como este tempo afectivo de Deus e com Deus é mau, é negativo porque é perder um tempo de Graça, a Graça que Deus nos oferece viver. Diz o nosso orientador que, nesta linha de pensamento, quase poderíamos dizer que quem assim perde tão grande tempo afectivo não merece perdão, se não deixarmos Deus falar na maturidade do que somos enquanto Homens e enquanto Crentes.
Então este tempo afectivo do amor é o tempo do silêncio, não como uma forma de estar sem dizer palavras, não como um tempo em que por imposição (do retiro) se não possa dizer absolutamente nada. Este tempo terá que ser, para ser verdadeiramente afectivo, o tempo do silêncio da contemplação e para contemplar eu devo sentir a necessidade do silêncio de muitas palavras exteriores para poder estar à escuta da Palavra interior – Deus.
Falar pode ser um tempo bom, enriquecedor, se for feito de momentos de partilha do que celebramos, do que experienciamos, do que vivemos em Deus. Esta partilha leva-nos então ao encontro do outro que se silencia para me escutar e me permite silenciar para o escutar. Isto é uma forma de contemplação, como diria João Paulo II “olhos nos olhos, coração a coração”. Se assim entendermos o silêncio então falaremos não por falar, diremos palavras não apenas por dizer mas tudo o que for palavra será certamente silêncio contemplativo onde cada um procura o modo de viver e ter ouvidos interiores.
Terminou o nosso irmão Fr. Jaime por recordar que pelo facto deste retiro ter um tão grande números de irmãos em formação inicial, como referi no início, as suas partilhas farão sempre referência aos aspectos importantes da Vida Religiosa e Franciscana, como os Votos, tenso sempre como ponto de partida o Mestre Jesus Cristo que na Última Ceia lava os pés aos seus numa atitude de serviço, testemunho, missão e ao mesmo tempo de Francisco de Assis com tudo o que foi a sua experiência de vida fraterna com as suas alegrias e tristezas, luzes e sombras existenciais do seu peregrinar com os irmãos.

19 agosto 2011

JMJ Madrid 2011

Madrid é, por estes dias, a capital mundial da juventude. Bento XVI, seguindo o legado do seu antecessor, o Beato João Paulo II, convoca os jovens de todo o mundo e aí se uniram cerca de dois milhões de jovens, dos quais aproximadamente dez mil de Portugal.Unidos aqui também em comunhão e oração conheçamos em vídeo a capital das JMJ 2011.

15 agosto 2011

Assunção da Vírgem Santa Maria

O dogma da Assunção da Mãe de Deus defende que, ao cabo de sua vida terrena foi elevada em corpo e alma à glória celestial.
Este dogma foi proclamado pelo Papa Pio XII, no dia 1 de novembro de 1950, na Constituição Munificentissimus Deus:
"Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Espírito da Verdade, para glória de Deus omnipotente, que outorgou à Virgem Maria a sua peculiar benevolência; para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu".Porque será tão importante para os católicos recordarmos e aprofundarmos o Dogma da Assução da Santíssima Virgem Maria ao Céu?
O Novo Catecismo da Igreja Católica responde à esta interrogação:
"A Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos"(966).
A importância da Assunção para nós, homens e mulheres do começo do Terceiro Milénio da Era Cristã, radica na relação que existe entre a Ressurreição de Cristo e nossa. A presença de Maria, mulher da nossa raça, ser humano como nós, quem se encontra em corpo e alma já glorificada no Céu, é isso: uma antecipação da nossa própria ressurreição.
Mais ainda, a Assunção de Maria em corpo e alma ao céu é um dogma da nossa fé católica, expressamente definido pelo Papa Pio XII pronunciando-se "ex-cathedra". E... Que é um Dogma?Posto nos termos mais simples, Dogma é uma verdade de Fé, revelada por Deus (na Sagrada Escritura ou contida na Tradição), e que também é proposta pela Igreja como realmente revelada por Deus.
Neste caso se diz que o Papa fala "ex-cathedra", quer dizer, que fala e determina algo em virtude da autoridade suprema que tem como Vigário de Cristo e Cabeça Visível da Igreja, Mestre Supremo da Fé, com intenção de propor um assunto como crença obrigatória dos fiéis católicos.
O Novo Catecismo da Igreja Católica (966) nos explica assim, citando a Lumen Gentiun 59, que à sua vez cita a Bula da Proclamação do dogma:
"Finalmente a Virgem Imaculada, preservada livre de toda macha de pecado original, terminado o curso da sua vida terrena foi levada à glória do Céu e elevada ao trobno do Senhor como Rainha do Universo, para ser conformada mais plenamente a Seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte".
E o Papa João Paulo II, em uma das suas catequeses sobre a Assunção, explica isto mesmo nos seguintes termos:
"O dogma da Assunção, afirma que o corpo de Maria foi glorificado depois de sua morte. Com efeito, enquanto para os demais homens a ressurreição dos corpos ocorrerá no fim do mundo, para Maria a glorificação do seu corpo se antecipou por singular previlégio" (JPII, 2- Julho-97)."Contemplando o mistério da Assunção da Virgem, é possível compreender o plano da Providência Divina com respeito a humanidade: depois de Cristo, Verbo Encarnado, Maria foi a primeria criatura humana que realizou o ideal escatológico, antecipando a plenitude da felicidade prometida aos eleitos mediante a ressurreição dos corpos" (JPII, Audiência Geral do 9-julho-97). Continua o Papa: "Maria Santíssima nos mostra o destino final dos que 'escutam a Palavra de Deus e a cumprem' (Lc. 11,28). Nos estimula a elevar o nosso olhar às alturas onde se encontra Cristo, sentado à direita do Pai, e onde também está a humilde escrava de Nazaré, já na glória celestial" (JPII, 15-agosto-97).
Os homens e mulheres de hoje vivemos dependentes do enigma da morte. Ainda que o enfoquemos de diversas formas, segundo a cultura e crenças que tenhamos, por mais que o evadimos em nosso pensamento por mais que tratemos de prolongar por todos os meios ao nosso alcance nossos dias na terra, todos temos uma necessidade grande desta esperança certa de imortalidade contida na promessa de Cristo sobre nossa futura ressurreição.
Muito bem faria a muitos cristãos ouvir e ler mais sobre este mistério da Assunção de Maria, o qual nos diz respeito tão diretamente. Porque se chegou a difundir-se a crença no mito pagão da re-encarnação entre nós? Se pensamos bem, estas idéias estranhas à nossa fé cristã vieram metendo-se na medida em que deixamos de pensar, de pregar e de recordar os mistérios, que como o da Assunção, têm a ver com a outra vida, com a escatologia, com as realidades últimas do ser humano.
O mistério da Assunção da Santíssima Virgem Maria ao Céu nos convida a fazer uma pausa na agitada vida que levamos para refletir sobre o sentido da nossa vida aqui na terrra, sobre o nosso fim último: a Vida Eterna, junto com a Santíssima Trindade, a Santíssima Virgem Maria e os Anjos e Santos do Céu. O facto de saber que Maria já está no Céu gloriosa em corpo e alma, como nos foi prometido aos que fazermos a Vontade de Deus, renova-nos a esperança em nossa futura imortalidade e felicidade perfeita para sempre.

AVISO LEGAL – Procurarei fazer, neste blog, uma utilização cautelosa de textos, imagens, sons e outros dados, respeitando os direitos autoriais dos mesmos. Sempre que a legislação exigir, ou reclamados os referidos direitos de autor, procurarei prontamente respeitá-los, corrigindo informação ou retirando os mesmos do blog

 
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