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28 agosto 2011

Varatojo: do Serviço à Contemplação

 Mais uma vez o Real Convento de Varatojo acolhe os Irmãos da Província para o retiro anual. Este retiro reveste-se sempre de um cariz especial dado que é especialmente para os irmãos em formação inicial, irmãos de Portugal, Moçambique, Timor Leste, Cabo Verde e Brasil, irmãos que se preparam para tomar hábito e entrar no Noviciado, outros que terminam e farão a sua Profissão Religiosa e Franciscana e os que renovarão os seus Votos Religiosos. Outros irmãos sacerdotes e não sacerdotes participam também deste mesmo retiro para a sua formação permante, uma das grande opções da Ordem Franciscana.


Este ano orienta o mesmo um irmão nosso Franciscano Capuchinho, Frei Jaime, que vindo de Madrid aqui faz partilha da sua experiência e saber sobre a Vida Fraterna e Franciscana.
Nos próximos tempos aqui partilharei convosco, a exemplo dos anos anteriores, tudo aquilo que eu captei das suas exposições e ao mesmo tempo o que me fica da reflexão pessoal a partir das mesmas.
Por isso quero realçar que o que aqui partilhar não é “ipsis verbis” (tal qual) o que o nosso irmão disse mas o que eu captei, escrevi, rteflecti e reescrevi aqui.
Varatojo: do serviço à contemplação
Iniciámos o nosso retiro recordando João 13, 1+ com o texto do lava pés na Última Ceia. Coincidência este Evangelho foi o que eu escolhi para a celebração da minha Missa Nova.
Centrando-nos em todo o cenário que João nos apresenta, João convida-nos a fazer uma experiência de vida importante e fundante. Faz-nos um convite a que deixemos que Jesus nos lave os pés, algo que – tal como aconteceu com Pedro – parece absurdo e fora de tudo o que parece lógico, Cristo lavar-me os pés.
É interessante recuar ao capítulo 12 onde o Apóstolo já havia preparado este momento ao deixar que Maria, irmã de Lázaro, lhE lavasse os pés a Ele. Para Jesus este gesto não oferece problema algum na medida em que Ele bem sabe que Maria o faz com um amor incondicional, ela sente que não o poderá fazer no momento da despedida do Mestre amado e, por isso mesmo, escolhe este momento para lavar e ungir os pés do seu Senhor e Mestre. Quem ama deixa-se amar e retribui com o mesmo amor. Este gesto implica à partida uma grande humildade. A falta desta leva-nos ao orgulho e arrogância: “Tu não me lavarás os pés”. Vemos aqui provavelmente uma recusa impensada ao amor que nos amou primeiro, Jesus.
Assim, e de olhos postos neste cenário do lava pés, Fr. Jaime convida-nos a que façamos deste tempo um tempo da humildade e do amor no encontro com Cristo e com os outros, sem esquecer que para isso teremos que nos encontrar cada um consigo mesmo.
Que objectivos se poderão então traçar para estes dias de retiro? Muitos se poderiam enumerar mas, quiçá, continuariamos a repetir o mesmo de sempre. Assim somos convidados a que façamos deste tempo um tempo de prioridade neste encontro com o Mestre que nos serve com amor e nos convida a fazer o mesmo, “vistes o que vos fiz? Fazei vós também...”
Entretanto, o nosso orientador, quer realçar talvez três aspectos que nos podem ajudar a entender as prioridades de cada momento para quem se retira num lugar tão especial e espiritual como este em que nos encontramos:
  1. Olhar a própria história
Não se trata de olhar apenas esta minha história com tudo o que ela tem em si com o meu olhar mas olhá-la a partir do olhar de Deus.
S. Agostinho convida-nos sempre a entrar dentro para nos olharmos com os olhos de Deus, a partir de dentro, da nossa realidade concreta e não a partir apenas de aspectos exteriores.
Não se trata de fazer aquilo a que hoje se pode chamar de psico-terapia mas sim perceber se sou capaz de deixar que Deus me olhe e me ajude a olhar-me a mim. Este olhar leva-nos sempre ao Cristo da Cruz contudo, não podemos olhar a vida apenas a partir do peso da Cruz, isso seria mau, escândalo. Olhar sim para a Cruz mas como caminho de Glória como dizia S. Paulo “ai de mim gloriar-me a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo”(Gal 6, 14).
Este olhar a partir de Deus é permitir que Deus entre na nossa vida e nos olhe com amor, com carinho, é deixar que Cristo nos toque até na sensibilidade da àgua e de tantas outras coisas onde Cristo está presente e S. Francisco o soube testemunhar de forma tão sublime eo ver e sentir Jesus em todas as coisas que o rodeavam e assim o fez escrever no belíssimo Cântico das Criaturas.
  1. Verificar a partir da experiência pessoal
A verificação é algo cada vez mais exigido pela ciência para demonstrar factos e/ou verdades de conhecimento. Sem experimentar verdadeiramento um estudo realizado não se pode afirmar que o resultado deste é digno de toda a fé, de toda a crença.
Também nós precisamos verificar o concreto da nossa vida a partir da nossa experiência pessoal, do que a nossa vida já nos demonstrou ser ou não ser, das coisas que vivemos e o que com elas aprendemos.
Hoje vivemos num tempo onde parece que todos percebem de tudo, todos opinam acerca de tudo, todos parecem ter solução para tudo mas na verdade, a maior parte das vezes, o que vemos é um desgaste da palavra, uma verborreia de vocábulos tantas vezes descontextualizados ou que não estão em consonância de verdade com o que vivemos realmente. Muitas vezes as opiniões que emitimos como nossas não passam de coisas que lemos, ouvimos ou “fantasiamos” mas que em nada se parecem com o que foi por nós verificado com a aprendizagem do nosso viver.
Não nos basta falar dos pobres e da opção que devemos fazer por eles, da fraternidade e do sentido de sermos irmão, da oração como encontro íntimo com Deus, da solidariedade com os mais frágeis da nossa sociedade, do sofrimento de Cristo, dos Votos Religiosos e por aí fora. Dizia que não nos basta falar apenas destas coisas tão bonitas e cada vez maos chavões que se repetem se nós não o fazemos a partir da nossa experiência pessoal, do que podemos afirmar ser um dado da minha história pessoal, daquilo que eu sou e vivo.
As experiências únicas da nossa vida são aquelas que mais nos marcaram e com as quais mais aprendemos e agora podemos testemunhar com verdade e autenticidade. Não serão meras palavras mas sim o testemunho fundamental e verdadeiro do que sou.
Aqui parece também surgir a grande questão sobre a importância de verificarmos todo o nosso discurso acerca da Vida religiosa e Franciscana, acerca da nossa experiência de Deus e do Seu olhar de Amor, acerca de nós mesmos e da realidade que somos diante de Deus, de nós mesmos e dos outros. Daqui passamos ao terceiro aspecto ou prioridade para estes dias:
  1. Tomar consciência de que este retiro é um tempo especial.
Retirar-se deve implicar à partida deixar todas as coisas que no dia a dia nos trazem ocupados para podermos olhar a nossa realidade a partir deste tempo de graça, tempo novo e que o nosso orientador chamou também de tempo afectivo porque me deixo olhar e amar por Deus retribuindo com o meu olhar de amor para com Deus. Este tempo não se mede pelo cronos – tempo físico dos nossos dias e horas – mas pelo tempo do olhar amoroso de Deus e esse não se mede com dias e horas. Quase me apetece recordar saint Exupery no seu livro “Petit Prince” aos dizer-nos que “o essencial é invisível aos olhos (humanos), só se vê bem com o coração”. E é ali no coração que Deus nos olha tal como somos, sem capas, sem falsidades, mas com verdade, é o tempo em que por mais que queiramos enganar Deus não o conseguimos fazer. Recordo a leitura que escutámos este Domingo “seduziste-me, Senhor, e eu deixei-me seduzir...” (Jr 20, 7). Talvez esta expressão do profeta Jeremias nos ajude a reflectir sobre este coração onde Deus nos olha e ama e pede que O olhemos e amemos tal como somos, sem mentira e falsidade.
Perder tempo tão especial como este tempo afectivo de Deus e com Deus é mau, é negativo porque é perder um tempo de Graça, a Graça que Deus nos oferece viver. Diz o nosso orientador que, nesta linha de pensamento, quase poderíamos dizer que quem assim perde tão grande tempo afectivo não merece perdão, se não deixarmos Deus falar na maturidade do que somos enquanto Homens e enquanto Crentes.
Então este tempo afectivo do amor é o tempo do silêncio, não como uma forma de estar sem dizer palavras, não como um tempo em que por imposição (do retiro) se não possa dizer absolutamente nada. Este tempo terá que ser, para ser verdadeiramente afectivo, o tempo do silêncio da contemplação e para contemplar eu devo sentir a necessidade do silêncio de muitas palavras exteriores para poder estar à escuta da Palavra interior – Deus.
Falar pode ser um tempo bom, enriquecedor, se for feito de momentos de partilha do que celebramos, do que experienciamos, do que vivemos em Deus. Esta partilha leva-nos então ao encontro do outro que se silencia para me escutar e me permite silenciar para o escutar. Isto é uma forma de contemplação, como diria João Paulo II “olhos nos olhos, coração a coração”. Se assim entendermos o silêncio então falaremos não por falar, diremos palavras não apenas por dizer mas tudo o que for palavra será certamente silêncio contemplativo onde cada um procura o modo de viver e ter ouvidos interiores.
Terminou o nosso irmão Fr. Jaime por recordar que pelo facto deste retiro ter um tão grande números de irmãos em formação inicial, como referi no início, as suas partilhas farão sempre referência aos aspectos importantes da Vida Religiosa e Franciscana, como os Votos, tenso sempre como ponto de partida o Mestre Jesus Cristo que na Última Ceia lava os pés aos seus numa atitude de serviço, testemunho, missão e ao mesmo tempo de Francisco de Assis com tudo o que foi a sua experiência de vida fraterna com as suas alegrias e tristezas, luzes e sombras existenciais do seu peregrinar com os irmãos.

4 comentários:

Mª Teresa disse...

Paz e Bem!
Grata, tão só bastante grata, pela sua linda partilha neste gesto de CONTEMPLAÇÃO!
... Tempo de Retiro! A todos vós cumpre aprender ou reavivar TODA a VIDA, por vós CONSAGRADA.
Mas também a mim, muito humilde, também serva dO Senhor me apraz seguir Seus conselhos...
Mundo se agita e muda incessantemente, mas Vida pode ser SEMPRE reduzida a uma fonte jorrando água... e, acreditem sua FORÇA aumentou exponencialmente (na MINHA Vida)! Nada se alterou... Mas houve um sopro de Anjinho que aliviou meu espírito. Tudo se Aceita... Tudo se Acomoda!
Bem hajam! Excelente Verão 2011 (climatérico e... ESPIRITUAL)

maresia disse...

Amigo!
Como diz e muito bem, nesta presença amiga e silenciosa, mesmo longe, mas "sempre perto", como diz a canção de Miguel Gameiro, daqui vamos seguindo os passos do vosso caminhar, em Retiro.
Tudo o que vai partilhando é "alimento" também para nós, simples peregrinos nesta terra, que nos foi dada por Deus.
Bom Retiro, Amigo; que ELE esteja convosco, conduzindo pelo Espírito, as palavras de quem vos orienta nestes dias.

mariana disse...

Obrigada Frei pela partilha deste retiro.
retirarmo-nos do quotidiano de vez em quando é o melhor meio de carregar baterias para o resto do ano, e um tempo de encontro com Deus.
Quero fazer convosco este retiro, com menos palavras e mais silêncio.
Que O Senhor me ajude a saber escutá-lO, entregando-me a Ele com tudo o que sou e tenho na pobreza do meu coração, deixando que Ele me lave os pés, para eu os poder lavar aos outros.

Mª Teresa disse...

Família Retalhos 2,
Paz e Bem!
Atentemos esta realidade: decompor a Vida feito S. Francisco está por demais complicado!
Tudo sofre "múltiplas" composições até atingir o "produto final"...
Mas sempre merece encanto e desvelo, deixar correr sulcos de tinta sobre a tela... basta imaginar quoão simples merece ser Vida no Céu! Amén!

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