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Senhor! Fazei-me instrumento da vossa paz!

VÍDEOS: Para visualizar e ouvir os vídeos deverá dasativar a música de fundo no painel aqui do lado esquerdo

08 dezembro 2012

Eu te saudo, Maria

Hoje celebramos a IMACULADA CONCEIÇÃO da Virgem Santa Maria, Padroeira e Rainha de Portugal e da Família Franciscana.

É um dia para olhar para Maria nossa Mãe e louvar Deus pelo Seu "Ecce fiat magnificat".

Com palavras de S. Francisco e o canto da nossa Ir. M.ª Amélia Costa Homenageamos Maria a nossa Mãe.
(desactivas a música do blog na coluna da esquerda e ver info no painel rolante acima, pata ver o vídeo em HD - Alta Definição)

19 novembro 2012

Abertura do ANO DA FÉ

Eucaristia abertura do Ano da Fé
Praça de São Pedro, 11 Outubro 2012
Procissão Solene de entrada
HOMILIA DO SANTO PADRE
SITE OFICIAL DO ANO DA FÉ
http://www.annusfidei.va/content/novaevangelizatio/es.html
(Espanhol)

11 novembro 2012

Semana dos Seminários 2012

Cartaz da Semana dos Seminários

MENSAGEM DA COMISSÃO EPISCOPAL DAS VOCAÇÕES E MINISTÉRIOS

SEMANA DOS SEMINÁRIOS 2012

SACERDOTE, IRMÃO NA FÉ E SERVIDOR DA FÉ DOS IRMÃOS

1. A Semana dos Seminários, de 11 a 18 de Novembro de 2012, oferece aos fiéis uma oportunidade de aprofundamento sobre o mistério do padre e sobre o ministério que ele realiza na Igreja.

No contexto do Ano da Fé, somos convidados a avivar a nossa consciência acerca da condição sacerdotal de todo o Povo de Deus, radicada no mistério pascal de Jesus Cristo, que assumimos pelo Batismo; ao mesmo tempo, afirmamos a teologia da Igreja acerca do sacerdócio ministerial, pelo qual alguns homens são associados à pessoa e missão de Cristo, Cabeça da Igreja.

O Concílio Vaticano II, de cujo início estamos a celebrar os cinquenta anos, trouxe alguns elementos importantes para a nossa compreensão do sacerdócio na Igreja e, sobretudo, para uma renovada visão da relação existente entre todos os fiéis em Cristo. Entre eles destacam-se os seguintes: a igual dignidade de todos os membros do Povo de Deus (LG 32); o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial “embora se diferenciem essencialmente e não apenas em grau, ordenam-se mutuamente um ao outro” (LG 10) e ambos “participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo” (LG 10); “a distinção que o Senhor estabeleceu entre os ministros sagrados e o restante Povo de Deus, contribui para a união, já que, os pastores e os demais fiéis estão ligados uns aos outros por uma vinculação comum” (LG 32).

2. Membro do Povo de Deus, tão intimamente unido a Cristo pelos laços da comunhão no Batismo e na Ordem, tendo recebido o dom de agir na Pessoa de Cristo, o padre é um irmão na fé.

As comunidades cristãs têm cada vez mais apreço pelo sacerdote, sobretudo quando há uma relação de amizade, proximidade e disponibilidade. Mas, acima de tudo, marca-as a profundidade da sua fé, tanto expressa nas suas palavras como na sua vida.

O padre é, de facto, e é chamado homem de fé. No meio de todas as suas atividades, a fé, assumida e testemunhada, há de sobressair como o fogo que alimenta toda a sua vida.

As vocações sacerdotais dependem de muitos fatores, mas o testemunho de fé dos sacerdotes é, sem dúvida, um dos mais relevantes.

Temos grande esperança de que este Ano da Fé venha trazer um forte impulso de renovação à vida de toda a Igreja e, também, à vida sacerdotal. Os jovens deixar-se-ão tocar, como sempre aconteceu, pelo testemunho da fé de toda a Igreja, espelhada de um modo muito visível no testemunho de fé dos sacerdotes.

3. Irmão na fé, o padre é também pai na fé. Foi chamado pelo Senhor, recebeu uma vocação que implica sempre uma missão, que podemos definir como um serviço à fé dos seus irmãos.

Como ensina o Concílio Vaticano II, “por virtude do sacramento da Ordem, (os presbíteros) são consagrados, à imagem de Cristo, sumo e eterno sacerdote, para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento” (LG 28).

Quando são tantas as solicitações que chegam aos sacerdotes e quando as comunidades cristãs são tão exigentes, é preciso que eles cultivem uma grande capacidade de discernimento para se não deixarem arrastar pelas realidades importantes, mas não decisivas. O serviço à  fé do Povo de Deus constitui o específico e essencial da ação sacerdotal, por meio do anúncio do Evangelho e da celebração da Sagrada Liturgia.

Sem uma inserção entusiasta na vida da comunidade cristã e sem uma relação verdadeiramente fraterna com os seus membros, fica comprometido tanto o anúncio da Boa Nova, como a celebração de um culto que seja expressão da vida toda.

Neste Ano da Fé, desejamos que os jovens possam ter um contacto mais próximo com o testemunho de fé dos sacerdotes, que servem, com entusiasmo, os seus irmãos e as comunidades. Que o Espírito Santo os ensine a percorrer o caminho da alegria de servir a Igreja e lhes dê o desejo do sacerdócio a que o Senhor pode chamá-los.

4. A crise das vocações sacerdotais a que se assiste na Igreja é, sem dúvida, uma das consequências da erosão da fé cristã que, de forma errada, tem sido considerada “um pressuposto óbvio da vida diária” (PF 2).

Com razão nos incentiva o Papa Bento XVI “a redescobrir o caminho da fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo” (PF 2).

Toda a pastoral das vocações sacerdotais estará ao serviço da redescoberta do caminho da fé, em ordem ao encontro com Cristo. Quando este encontro se dá na alegria e no entusiasmo, surge a disponibilidade vocacional, pois, o que importa, nessa altura é a vivência fiel da fé e o serviço à comunidade cristã.

Convidamos as comunidades cristãs a intensificar a oração pelas vocações sacerdotais, não somente na Semana dos Seminários, mas regular e longamente, numa corrente contínua que envolva todas as faixas etárias e todos os membros ativos da Igreja. É pela oração que manifestamos a fé e a disponibilidade para aceitar a vocação e a vontade de Deus, especialmente na liturgia da Missa, participação sacramental no mistério de Cristo e na adoração eucarística, que lhe dá continuidade.

Aos seminaristas deixamos uma palavra de ânimo, para que ponham a vida nas mãos do Senhor, que olhou para eles com bondade e misericórdia.

Aos jovens que sentem o apelo no sentido do sacerdócio, encorajamos a avançar sem medo, confiados no amor que o Senhor lhes tem e abertos à urgência de pastores, que sejam irmãos na fé e servidores da fé dos irmãos.

À solicitude materna de Nossa Senhora confiamos a pastoral das vocações sacerdotais e todas as iniciativas da semana dos seminários.

Ó Maria,
vós sois feliz porque acreditastes,
primeira na fé em Cristo,
a imagem e a figura da Igreja crente.
Rogai a Deus por nós,
para que sejamos firmes na fé,
na alegria do encontro com Cristo.

Ó Maria,
vós sois a Mãe de Cristo Sacerdote,
a humilde Serva do Senhor,
a Mãe da Igreja crente.
Rogai a Deus pelos sacerdotes,
para que sejam servos da fé dos irmãos,
na alegria de crer e no entusiasmo de comunicar a fé.

Ó Maria,
vós sois a mulher do “Sim” total a Deus,
sempre disponível à vontade do Pai,
a Rainha de todas as Vocações.
Rogai a Deus pelos seminaristas,
para que reconheçam o amor de Deus,
na resposta decidida à sua vocação.
Ámen

 

 

Coimbra, 20 de outubro de 2012

Virgílio do Nascimento Antunes

Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios

22 outubro 2012

Beato João Paulo II (Hino)

A Paulus Editora apresenta em português o hino oficial do beato João Paulo II, «Abri as portas a Cristo», por ocasião da primeira celebração litúrgica da sua memória, a 22 de Outubro.
Autor maestro D. Marco Frisina, o hino foi traduzido e adaptado para português pelo Pe. António Cartageno e interpretado pelo Coro da Catedral de Lisboa.

HINO - TEXTO
 
Refrão. Abri as portas a Cristo!
Não temais, não tenhais medo:

Escancarai, escancarai o vosso coração
Ao Amor de Deus
(2x)


Testemunha de Esperança
p'ra quem espera a salvação
Peregrino por amor
nos caminhos do mundo.

Refrão

Verdadeiro Pai dos jovens
Que enviasdte pelo mundo,
sentinelas da manhã,
sinal vivo da esperança.

Refrão

Testemunha da Fé
que anunciaste com a vida,
firme e forte na prova
confirmate teus irmãos.

 Refrão

Indicaste-nos Maria
Como a mais segura guia,
e na sua intercessão
o poder da santa graça.

Refrão

Deus Pai de misericórdia,
Filho, nosso Redentor,
Santo Espírito de Amor

À Trindade, toda a glória.
Refrão

Amen. Amen! 
 
Ensinastes para cada homem
a beleza da vida
indicando a família
como um sinal de amor.

Refrão
Mensageiro da Paz
e arauto da justiça,
feita entre as pessoas
núncio da misericórdia.

Refrão

Na dor revelastes
o poder da Cruz.
Dirige sempre teus irmãos
na estrada do amor .


Rit. Portas Christo Aperite,
Timere Nolite,
vestra corda pandita Domino
Charit Christi

10 outubro 2012

Hino à Vida... 45 anos

"Louvado sejas, meu Senhor, porque me criastes".
Hoje quero parafrasear Clara de Assis, neste ano centenário e mês de S. Francisco pelo DOM DA VIDA que me concede faz hoje 45 anos.
Dizia no passado Domingo, em Fátima, o nosso Ministro Geral, que "nós que já temos cabelos brancos já somos do século/milénio passado".
É com a bênção de S. Francisco, neste que foi o hino do 8º Centenário da Ordem Franciscana, que louvo o Deus da Vida pela Vida que hoje celebro e lhe confio os meus PAIS, Irmãos, Cunhados e Sobrinhos, os meus Afilhados e os meus AMIGOS.
Benedicat!
OBRIGADO A TODOS QUANTOS SUAVIZAIS O CAMINHO...

12 setembro 2012

Franciscano: 25 anos com Francisco

Amigos, paz e bem!
CELEBRO HOJE 25 ANOS DE CONSAGRAÇÃO NA ORDEM FRANCISCANA.
Para marcar este acontecimento importante da minha Vida e Vocação criei este pequeno vídeo.
(desativar a música de fundo na barra lateral esquerda)
Neste dia agradeço muito aos meus pais e familiares, aos meus amigos e a quem comigo caminha, aos meus irmãos na Ordem Franciscana, mormente os que foram Irmãos, a todos os que rezam por mim, mesmo que disso eu não tenha conhecimento.
Desde já agradeço a vossa amizade e por todos rezarei ao Francisco e Clara de Assis, bem como a St. António de Lisboa.
Que o Senhor vos abençoe...

08 setembro 2012

Varatojo: A alegria da Fé


Varatojo: Símbolos da Profissão
(O texto que se segue é longo porque procurei fundamentá-lo com os documentos referidos pelo orientador do retiro, Frei Hermínio. Este texto é a minha releitura do que foi dito, não é a palavra "ipsis verbis" escutada. Do que a seguir publico assumo total responsabilidade face a qualquer má interpretação que eu possa ter feito das palavras do orientador)

1º Encontro:
A FÉ: ONDE ESTAMOS NESTE CONTAR/NARRAR?

Iniciamos esta reflexão trazendo à memória o texto do Deuteronómio, 26, 5-10:

Proclamarás, então, em voz alta, diante do Senhor, teu Deus: ‘Meu pai era um arameu errante: desceu ao Egipto com um pequeno número e ali viveu como estrangeiro, mas depois tornou-se um povo forte e numeroso. Então os egípcios maltrataram-nos, oprimindo-nos e impondo-nos dura escravidão. Clamámos ao Senhor, Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu o nosso clamor, viu a nossa humilhação, os nossos trabalhos e a nossa angústia, e tirou-nos do Egipto, com sua mão forte e seu braço estendido, com grandes milagres, sinais e prodígios. Introduziu-nos nesta região e deu-nos esta terra, terra onde corre leite e mel. Por isso, aqui trago agora os primeiros frutos da terra que me deste, Senhor!’Depois, colocarás isso diante do Senhor, teu Deus, e prostrar-te-ás diante do Senhor, teu Deus” (Dt 26, 5-10).

Podemos dizer que este texto se trata do primeiro Credo histórico de Israel onde o Povo reconhece os feitos salvíficos do Senhor através da história. É o que se pode chamar de um Credo relato, narrativa de acontecimentos salvíficos. É uma das primeiras fontes da chamada Teologia narrativa, feitos, factos, acontecimentos…

Esta é a fonte e origem da proclamação da Fé de Israel. Este texto ajuda-nos a entender o que é a Teologia narrativa.

“A vida não é o que cada um viveu mas o que recorda e como o recorda para conta-la” (Gabriel Garcia Marques)

VIVER PARA CONTÁ-LA, CONTÁ-LA PARA VIVER.

Perguntamos então a nós mesmos, onde estamos? Onde estou?

No Credo nós dizemos “CREIO” e este Credo deve ser uma experiência INDIVIDUAL mas não INDIVIDUALISTA, é proclamado na Comunidade e não de forma individualista, ainda que seja proclamado por cada indivíduo, mas em comunhão com todos os que professam o mesmo “CRER”.

O mesmo se refere quando noutra versão do Credo o sacerdote Pergunta “credes” ou “renunciais”, a pergunta é feita à Comunidade reunida mas a resposta é sempre pessoal, é experiência do Amor de Deus em cada um que afirma “sim creio”, “sim renuncio”.

Esta experiência de relação íntima com Deus e a forma como a manifestamos ou professamos, narrando-a, contando-a é que tornou possível uma área da Teologia que se designa por “narrativa”.

Mas então o que é a Teologia narrativa?

A teologia narrativa é aquela que narra os acontecimentos da história de Deus com o Homem e vice-versa. Não se trata apenas de tecer considerações ou teses sobre Deus ou sobre a Religião mas sim de narrar, contar os acontecimentos marcantes e os seus respetivos significados nesta relação de amor entre Deus e a Humanidade.

A Sagrada Escritura está repleta de testemunhos destes, desde os mitos da criação até aos acontecimentos com Jesus e mesmo com as primeiras comunidades cristãs.

Mas uma das formas mais claras desta forma de teologia encontramo-la no Antigo Testamento, na forma como o Povo de Israel, Povo eleito de Deus, vai falando, recontando os acontecimentos da Babilónia e em seguida o significado de tais acontecimentos, não apenas como mera história de factos mas como uma história de factos à luz da fé.

O livro do Deutoronómio, capítulo 26 é disso um enorme exemplo do qual transcrevemos um excerto: Proclamarás, então, em voz alta, diante do Senhor, teu Deus: ‘Meu pai era um arameu errante: desceu ao Egipto com um pequeno número e ali viveu como estrangeiro, mas depois tornou-se um povo forte e numeroso. Então os egípcios maltrataram-nos, oprimindo-nos e impondo-nos dura escravidão. Clamámos ao Senhor, Deus de nossos pais, e o Senhor ouviu o nosso clamor, viu a nossa humilhação, os nossos trabalhos e a nossa angústia, e tirou-nos do Egipto, com sua mão forte e seu braço estendido, com grandes milagres, sinais e prodígios. Introduziu-nos nesta região e deu-nos esta terra, terra onde corre leite e mel…” (Dt 26, 5+).

O Concílio vaticano II abre-nos a esta forma de teologia e procura realçar o significado da mesma e do que ela narra.

Bruno Forte, no seu livro “Breve introdução à fé”, faz um comentário ao Símbolo dos Apóstolos (Credo) começando por dizer que é “falar de Deus narrando o Amor, constitui um sinal breve e denso, que evoca a história trinitária do Deus único, no Qual acreditamos, e nos induz a saboreá-l’O nas nossas humildes histórias de cada dia”.

Ainda sobre este narrar o Amor voltemos ao Credo. Existem vários textos do credo. Os mais antigos e conhecidos são o “Símbolo dos Apóstolos”, usado para a profissão de fé, antes do baptismo, na Igreja de Roma,  e o “Símbolo niceno-constantinopolitano”, que dizemos normalmente nas nossas missas dominicais e é fruto dos Concílios de Niceia e de Constantinopola, do século IV. O credo apresenta-se em três partes interligadas, referindo-se cada uma delas a Deus Pai, Filho e Espírito Santo, respectivamente, como recorda P. Jorge Guarda num seu artigo intitulado “Esta é a nossa fé”.

S. Gregório de Nissa (Cesareia, Capadócia:330 -395): Teólogo, místico e escritor, faz uma síntese narrativa da vida de Moisés (Cf. http://www.ecclesia.com.br/biblioteca/pais_da_igreja/sobre_a_vida_de_moises.html), onde nos mostra – a propósito da T. Narrativa – que esta vida é uma experiência espiritual marcada sempre pelo querer mais e mais, como Moisés. É uma caminhada que nunca está completa e da qual nunca estamos satisfeitos.

Podemos dizer que as confissões de Santo Agostinho vão nesta mesma espetativa. Santo Agostinho vai narrando a sua experiência com Deus e a forma como Deus interveio na sua história dando sentido e significado a cada facto narrado e confessado. Por isto mesmo se pode aformar que estas confissões formam uma espécie de auto biografia de si mesmo na sua relação com Deus.

Teresa de Ávila faz o mesmo no seu livro da vida, Teresa de Lisieux da mesma forma, o Beato João XXIII no seu livro “Diário de uma alma” faz o mesmo caminho e auto biografia espiritual, Papa este que convocou o Concílio há 50 anos, e que foi professo da Ordem Terceira de S. Francisco (OFS) catorze anos. Vale a pena ler a última parte deste documento, sobretudo neste ANO DA FÉ.

Não sendo propriamente como os que antes referimos, cabe aqui também fazer realce de S. Boaventura, Franciscano, Doutor da Igreja e a sua grande Obra “Itinerário da mente para Deus”, onde Boaventura que seguiu o Poverello de Assis no Generalato da Ordem, faz uma narrativa (itinerário), a partir da experiência de S. francisco de Assis no Monte Alverne e a estigmatização ali alcançada da parte de Cristo ao Pobre de Assis, ao mesmo tempo que Boaventura narra a sua própria experi~encia ali no Alverne, lugar tão especial e onde se crê ter escrito tal Obra única e rica de simbologia espiritual/narrativa. Não sendo uma Obra da Teologia narrativa pode ser lida nessa perspetiva complementando-se ainda com a Legenda maior e a Legenda menor (Fontes Franciscanas) do mesmo autor.

Assim, podemos apresentar a Teologia Narrativa como aquela que narra o que me aconteceu, o sentido dos factos acontecidos e ao mesmo tempo o significado que eu mesmo lhes dou.

Bento XVI, na sua Carta Apostólica “porta Fidei”, convoca para o ANO DA FÉ (Cf. http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/motu_proprio/documents/hf_ben-xvi_motu-proprio_20111011_porta-fidei_po.html).

No n.º 7 o Papa faz como que um resumo do que se pretende refletir ao longo deste ano. Realçamos um trecho: “Com efeito, a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria. A fé torna-nos fecundos, porque alarga o coração com a esperança e permite oferecer um testemunho que é capaz de gerar: de facto, abre o coração e a mente dos ouvintes para acolherem o convite do Senhor a aderir à sua Palavra a fim de se tornarem seus discípulos.”

Nesta mesma linha podemos referir a Fé do povo hebreu da forma como no-la relata S. Paulo aos Hebreus no capítulo 11.

“Só o Amor é digno de Fé”, diria U. V. baltazar. É importante realçar nestas reflexões a ALEGRIA DA FÉ.


Desta história nos fica uma grande reflexão sobre a forma como os ritos e rituais, que se vão prolongando no tempo, nos podem afastar do essencial e do mais importante na nossa vida e sobretudo na nossa vida de fé.

O Concílio Vaticano II procurou mudar estes ritualismos da história que tantas vezes nos afastam de Deus, dar-lhes um hagir e um significado mais autêntico e em moldes de nova evangelização, e centrar a nossa vida com uma fé mais profunda no Deus Amor.

É curioso que, já a pensar nisto, o bom Beato João XIII, no Concílio (Cf. Documento formal de convocatória), mede com uma régua uma folha de papel e diz: “15 cm de condenações e apenas dois de louvor. É esta a forma que queremos continuar a viver em Igreja na nossa relação com o mundo?” (Cf. Documento supra, de Anselmo Borges).

Gatos presos levam à estagnação e a não abrir os olhos à fé, à esperança e ao amor, tema que Bento XVI tanto tem trazido à nossa reflexão. “A Igreja está-se a habituar a relacionar-se com outras verdades e as verdades dos outros”, (Discurso do Papa no centro Cultural de Belém – Lisboa – em maio de 2011 – Cf. http://companhiadosfilosofos.blogspot.pt/2010/05/discurso-do-papa-bento-xvi-centro.html).

Com o Vaticano II a Igreja vai concluindo que mais do que uma Religião, o Cristianismo é uma experiência de Fé.

Na Ordem Franciscana (OFM), o Capítulo Geral de 1967 foi praticamente sobre as Constituições Gerais da Ordem para as adaptar às normativas Conciliares e de tentar voltar às fontes.

Em 1973, no Capítulo Geral de Madrid – o 2.º pós Concílio – apresenta um documento sobre a identidade da Ordem como experiência de Fé: “A vocação da Ordem nos dias de hoje”, n.º 5 (Cf. http://www.ofm.org/01docum/cammino/CamminoPOR.pdf) refere que: “Ao centro da vida franciscana encontra-se a experiência de fé em Deus no encontro pessoal com Jesus Cristo. É o que atestam os escritos de Francisco e outros textos. Sob qualquer aspecto que se aborde (oração, fraternidade, pobreza, presença no meio dos homens), todo o projeto evangélico remete-nos continuamente para a fé. As recomendações incessantes da Regra sobre a busca de Deus e a sua primazia absoluta e única na vida dos frades, sobre a adoração e o amor que Lhe são devidos, sobre o seguir as pisadas de Cristo e sobre a vida segundo o Evangelho, sobre a abertura ao sopro soberanamente livre do Espírito ou sobre a oração prioritária e incessante; as motivações evangélicas propostas a todos os comportamentos dos frades (contemplação, jejum, oração, vestuário, pobreza, trabalho, mendicidade, alimentação) mostram que na base duma tal vida existe uma experiência única da fé num Deus que é Amor.”

Como podemos ver o centro da nossa vida fraterna é encontrar-se nest experiência de fé no Deus de Jesus Cristo que é o Deus Amor.

Também o Sínodo dos Bispos   (Cf. http://www.vatican.va/roman_curia/synod/documents/rc_synod_doc_20110202_lineamenta-xiii-assembly_po.html), Fevereiro de 2011, no seu n.º 11 refere o mesmo tema: “Transmitir a fé significa criar em cada lugar e em cada tempo as condições para que o encontro entre os homens e Jesus Cristo aconteça. A fé, como encontro com a pessoa de Cristo, tem a forma da relação com Ele, da memória d’Ele (na Eucaristia) e do formar em nós a mentalidade de Cristo, na graça do Espírito. Como reafirmou o Papa Bento XVI, «ao início do ser cristão, não háuma decisão ética ou uma grande idéia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. [...] Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10)…”.

Deus foi o primeiro a amar-nos. O nosso amor é agora resposta a esse plano amoroso de Deus.

Consequências:

Comecemos pela história do avô paralítico: Um rabi judeu contou a seguinte história passada com o seu avô nos tempos em que este fora aluno do famoso Rabi Baal Shem Tov. E disse: «O meu avô estava paralítico há muitos anos. Um dia pediram-lhe que contasse uma história do seu professor e ele contou como o santo Baal Shem Tov costumava saltar e dançar durante a oração. Ao contar a história, entusiasmou-se de tal modo que se pôs de pé e começou a saltar e a dançar para mostrar como o mestre fazia. A partir daí, ficou curado. É assim que se devem contar histórias.» (Cf. Martin Buber, Concilium, Maio 1973).

Este avô paralítico começa a dançar ao narrar entusiasmado um facto da sua visa. O entusiasmo foi de tal ordem que fez com que se curasse.

Penso que podemos perguntar-nos:

·         Onde estou? Quem sou? Como vivo a relação de Deus comigo?

·         Como faço a minha leitura do passado?

·         Como crio espetativas face ao futuro?

Diz-nos Jesus: “Não vos inquieteis quanto à vossa vida, (…) Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as. Não valeis vós mais do que elas? (…) Olhai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam! (…) Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais se vos dará por acréscimo. Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu problema.” (Cf. Mt 5, 25-34)

·         Como respondo eu ao Amor de Deus?

·         Como vivo em toda esta realidade?

S. Francisco pode responder-nos a isso na Primeira Regra (1R XXIII). É um texto longo onde Francisco tudo remete para a GRATIDÃO AO DEUS UNO E TRINO sem esquecer a VIRGEM MÃE e a SANTA IGREJA. Podeis encontrar este texto no site da Editorial Franciscana. Aqui publico o início e que nos dá a ideia de tudo o resto destas belas palavras de S. Francisco:

1R 23.º Oração, Louvor e Acção de Graças

1 Omnipotente, santíssimo, altíssimo e soberano Deus, Pai santo e justo, Senhor rei do céu e da terra (Mt 11, 25), por ti mesmo te rendemos graças, porque por tua santa vontade e pelo teu único Filho com o Espírito Santo, criaste todas as coisas espirituais e corporais, e a nós, feitos à tua imagem e semelhança, nos colocaste no paraíso (Gn 1, 26; 2, 15), 2 donde decaímos por culpa nossa.

3 E te rendemos graças porque, como por teu Filho nos criaste, assim também pela verdadeira e santa caridade com que nos amaste (Jo 17, 26), fizeste que Ele, o teu Filho, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nascesse da gloriosa sempre Virgem a beatíssima santa Maria, e pela sua cruz e sangue e morte quiseste resgatar- nos, a nós que éramos cativos.

4 E ainda te rendemos graças porque o mesmo teu Filho de novo há-de vir na glória da sua majestade a lançar ao fogo eterno os malditos que não fizeram penitência nem te conheceram, e a dizer a todos os que te conheceram e adoraram e serviram em penitência: Vinde, benditos de meu Pai, recebei o reino que para vós foi preparado desde a origem do mundo (Mt 25-34)”.

Neste mesmo sentir e em Ano de oito séculos de Consagração de Santa Clara recordar a sua expressão no leito da morte: “Louvado sejas, meu Senhor, porque me criaste”.

29 agosto 2012

Varatojo: "Narrar para viver a alegria da Fé"

PAZ E BEM!
Varatojo: Páteo da nogueira e torre sineira
Problemas técnicos resolvidos aqui estamos para começar a partilhar, aos poucos para que se possa refletir, as vivências do Retiro anual.
"Contar, narrar para viver a alegria da Fé..."
 
Como já referi o tema central do retiro, feito no magnífico e Real Convento de Varatojo, retiro voltado para os irmãos em formação inicial, da Província de Portugal, da Custódia de Moçambique e da Fundação Franciscana de Timor Leste.  
A estes irmãos nos juntámos alguns irmãos mais velhos para parar e reiniciar caminhada com Deus e com a Fraternidade.
 
Orientou este Retiro o nosso irmão Frei Hermínio Araújo, atual Guardião do Convento de S. José em Lisboa.
 
"Contar, narrar para viver a alegria da Fé..."
A Fé e o que ela significa para nós é o ponto de partida e de chegada que se pretende viver nestes dias, tendo também como horizonte o facto de estarmos a viver o ANO DA FÉ, proclamado pelo Papa Bento XVI.
 
Neste retiro, e porque estamos entre irmãos franciscanos, olharemos a Fé em perspetiva franciscana e da alegria da Fé, forma como Francisco de Assis a viveu e a propôs/propõe aos irmãos. Desta forma o retiro abordará este tema numa perspetiva teológico/franciscana não fosse a Fé uma virtude teologal tão enraizada em Francisco e na Ordem Franciscana.
 
Gabriel Garcia Marquez, prémio nóbel da literatura em 1982, no seu livro ‘Viver para contar’ refere que “a vida não é a que cada um viveu mas o que recorda e como recorda para contá-la…”. Parafraseando este autor poderíamos nós escrever “contá-la para viver”. É nesta ideia que, o orientador do retiro, irá centrar a sua partilha e reflexão. Contar a vida para melhor a poder viver, narrar a vida de tantos e tantas que ao longo de séculos viveram uma Fé na gratuidade. Chama-se a atenção, acerca disso, para a atitude de Josué, na primeira leitura de hoje (XXI Domingo Comum – Jos 24, 1-2a. 15-17. 18b), no credo por ele proclamado “Eu e a minha família serviremos o Senhor” e que leva a que o Povo tenha por resposta: “também nós queremos servir o Senhor, porque Ele é o nosso Deus”. Uma tal atitude só é possível não a partir de dogmas ou leis mesquinhas mas de uma íntima relação de Deus com o Povo e do Povo com Deus.
 
É a isto que os Teólogos chamam de Teologia Narrativa, Teologia que se faz a partir de narrativas.
 
Assim os temas propostos para cada dia são:
 
1.      ONDE ESTAMOS NESTE CONTAR/NARRAR: na Igreja face às questões autênticas da Fé, ao celebrarmos os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II. Como se posiciona a Ordem Franciscana face às sequências dos documentos do Concílio?
 
2.      CARATERIZAR A EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL: notar que nem sempre isto é o mesmo que espiritualidade mas sim termos consciência de quem somos, quem sou eu comigo mesmo, com os outros e com Deus.
Nesta ordem de reflexão falaremos de S. Gregório de Nissa, Sto Agostinho e S. Boaventura.
 
3.      EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL CRISTÃ: o que carateriza e é específico da minha relação com Deus e de Deus comigo.
 
4.      ALEGRIA DA FÉ, como resposta ao refletido no tema anterior.
 
5.      RECONHECIMENTO E GRATIDÃO. O simples “quero dizer-te OBRIGADO”, tema tão querido a Francisco e Clara de Assis que terminam a sua vida nesta terra louvando o Criador, como podemos ver em textos como o Cântico das Criaturas (do Sol), os Louvores de Deus e a célebre expressão de Clara ao sentir a irmã morte chegar: “Louvado sejas, meu Senhor, porque me criaste”.
 
Na sexta-feira teremos celebração de Tomadas de Hábito e entrada no Noviciado e Sábado Profissões e Renovações de votos, ambos de irmãos de Portugal, Moçambique e Timor Leste.
 
Estes serão os temas refletidos pela manhã, de forma mais clássica ao jeito de conferência. Da parte da tarde a dinâmica será outra, mais de abertura a diversas expressões de Fé pela música e a poesia que se +pretende venha a gerar uma enorme partilha de sentimentos entre os irmãos.
Pretende-se, desta forma, levar-nos a criar em nós um caminho de Fé que possamos viver para narrar e narrar para viver.
 



22 agosto 2012

Maria: Senhora e Rainha

Paz e bem e continuação de boas férias para todos.

Recebi esta partilha em "comentários" e, embora já tenham passado o dia, enriqueci-me nesta noite com este "Retalho" que Xana nos envia.
Assim, e porque falar de Maria como modelo de Fé nunca é demais, aqui fica publicado em promeira linha para gaudium de Deus e nosso.
Abraço a todos...

"MARIA, modelo de Fé, vai à minha, à nossa frente, «Rainha – Mãe»,
Mãe de Jesus que a Ela nos confiou como também nossa Mãe…
Gosto muito dela, como se ama muito uma Mãe…
Ela também gosta de mim, de nós, como a mãe que gosta e ama os filhos. Ela é nossa intercessora e medianeira de todas as graças. Por Ela a Jesus!
Fé no Filho, devoção à Mãe…Festejamo-la com todos os títulos de Amor que a devoção da Igreja lhe foi conferindo:
Os títulos das invocações da Ladainha de Nossa Senhora, e tantos outros mais: Mãe de Deus, porta do Céu, auxílio dos cristãos, Rainha de todos os Santos, saúde dos doentes, refugio dos pecadores, …
Maria é a expressão da nossa esperança, baseada na Fé que vivemos com o Senhor, como criaturas de corpo e alma…
Maria, do Evangelho está muito próxima de nós, percorreu um caminho de fé às vezes obscuro e cansativo, não entendeu tudo, não entendeu imediatamente…
O desígnio de Deus sobre Ela e sobre o seu Filho permaneceu, também para ela misterioso e velado até ao momento em que chegou a luz da Páscoa…Por isso hoje celebramos a festa daquela que nunca foi derrotada pela morte…
Como o seu Filho, Maria não procurou fugir à condição humana, não pediu a Deus descontos, privilégios, milagres…
Ela olhou com os olhos de Deus para a realidade deste mundo e transformou cada situação de morte numa oportunidade de crescimento e de maturação no AMOR, …até ao dia em que foi transferida para o Mundo Novo no qual seu Filho foi o primeiro a entrar…
Grandes coisas fez nela o Senhor da Vida…O mundo é um campo de batalha em que se enfrentam as forças da Vida e da morte.
É fácil verificar que em muitos casos, as últimas levam a melhor: os ódios, a solidão, o abandono, as traições, as injustiças sociais e económicas, o medo, as doenças são todos pontos a favor da morte.
Mas há um momento em que a morte se manifesta em todo o se enorme poder: quando põe fim aos nossos dias sobre a terra.
E Deus que nos criou para a Vida o que Faz?
Assiste impassível à nossa derrota?
A resposta a esta interrogação angustiante é dada hoje em Maria, a Mulher na qual a Vida celebra o seu triunfo….
Também o Canto que Lucas pôs na boca de Maria é um hino de graças ao Senhor pelas maravilhas de vida que Ele operou:
Tornou fecundo o ventre de uma Virgem e escancarou todos os sepulcros, os de Cristo e de Maria e também os nossos…
PAZ e BEM e continuação de boas férias!

Xana

11 agosto 2012

Clara de Assis: Oito Séculos


Celebramos a Solenidade de Santa Clara de Assis
"Louvado sejas, Senhor, por me haverdes criado..."
Assim exclamou Santa Clara dirigindo-se ao autor de todas as coisas, o Senhor por quem ela se apaixonou, o Deus de quem recebeu graça e bênção para levar a bom termo o rosto feminino da Vida e Vocação Franciscana.
Louvar é atitude de quem tudo confia ao Senhor e de quem tudo reconhece ser SEU...
Por isso de Clara nos fica o desafio de, vivendo no claustro, escutar verdadeiramente a voz de Deus e responder de acordo com o seu chamamento. A vida contemplativa jamais pode ser, na vocação franciscana, um enclausuramento puro e simples da pessoa humana, é outro sim olhar o claustro como o espaço da contemplação que me leva à acção. "O meu claustro é o mundo" dizia Francisco de Assis. E foi esta a vocação sentida por Clara há 8 séculos e que teimou seguir, contingências da sociedade e da Igreja que não permitia, ao tempo, que as virgens consagradas ao Senhor vivessem fora do ambiente do claustro fechado. Mas Clara, respeitando a sociedade e a Igreja de então, não deixou de querer identificar-se com o seu irmão Menor, Francisco, e seus primeiros companheiros. O claustro de Clara é o da dignidade da pessoa, do respeito pelo outro sobretudo os que mais precisam. As Damianitas, ou Senhoras Pobres de S. Damião, viviam da oração/contemplação e dela ganhavam forças para a acção junto dos mais necessitados que batiam à porta do conventinho a pedir ajuda "por amor de Deus". E se Francisco, com um tal pedido por amor, nunca o recusava, Clara segue-lhe as pisadas com fidelidade.
E para ela também o claustro era o mundo, quantas vezes ela e suas irmãs sairam do conventinho para pedir esmola junto dos irmãos e companheiros de Francisco.
As forças que lhe vinham da Oração, contemplação e acção levam-na a defender a Fé, mesmo doente confia tudo ao Senhor, leva-O solenemente em Custódia para que os Sarracenos que atacavam Assis e o Conventinho se pusessem em fuga, e rezam as crónicas que assim aconteceu.
Defender a Fé leva-a a defender também o verdadeiro DOM a que Deus a havia chamado, a ser DIFERENTE das vírgens consagradas do seu tempo. Ela não era mais uma, ela queria ser como Francisco, ela é Menor entre os Irmãos Menores, ela é Mulher, Mãe, Irmã e Mestra mas dentro da Menoridade e da fidelidade ao projecto testemunhado e vivido por Francisco. Viver em Igreja e ser Igreja, para ela, só fazia sentido se ela pudesse ser como os Irmãos Menores. É por isso que luta até ao leito da Irmã Morte corporal pela aprovação da Regra das Irmãs de S. Damião que ao longo dos séculos de Clara recebem o nome de Clarissas. E o Senhor Papa aprovou a Regra que, colada ao espírito da dos Irmãos Menores, pretendia ser a resposta clarividente do que Deus a chamava a ser.
Ao longo dos séculos muitas alterações se fizeram sentir na Ordem de Santa Clara, muitas Regras foram impostas às Irmãs mas o espírito da Fraternidade, da Oração e contemplação e da acção junto e em prol dos outros permanece viva e cada vez mais pertinente.
Neste dia em que celebramos Clara de Assis, uma homenagem a todas as Irmãs Clarissas de todo o mundo por manterem vivo, no claustro do mundo ou do mosteiro, esta chama tão clara que continuará a iluminar a sociedade e a Igreja.
Deixo o linck que vos levará à Carta que o Ministro Geral da Ordem Franciscana enviou a todas as Irmãs Clarissas por ocasião desta tão grande Solenidade.
Que Clara de Assis nos abençoe...

02 agosto 2012

Perdão de Assis

Certa noite do mês de Julho de 1216, como acontecia em tantas outras noites, na silenciosa solidão da pequena Igreja da Porciúncula, São Francisco ajoelhado, estava profundamente mergulhado nas suas orações, quando de súbito, uma luz vivíssima e fulgurante encheu todo o recinto e no meio dela, apareceu Jesus ao lado da Virgem Maria sorridente, sentados num trono e circundados por diversos Anjos.
Jesus perguntou-lhe:“Qual o melhor auxílio que desejarias receber, para conseguir a salvação eterna da Humanidade?”
Sem hesitar Francisco respondeu: “Senhor Jesus, peço-Vos que, a todos os arrependidos e confessados, que visitarem esta Igreja, lhes concedais um amplo e generoso perdão, uma completa remissão de todas as suas culpas.”
“O que pedes Francisco, é um benefício muito grande,”disse-lhe o Senhor, “muito embora sejas digno e merecedor de muitas coisas. Assim, acolho o teu pedido, com uma condição, deverás solicitar essa indulgência ao meu Vigário na Terra.”
No dia seguinte, bem cedinho, Francisco acompanhado de Frei Masseu, seguiu para Perúgia, a fim de se encontrar com o Papa Honório III. Chegando disse-lhe:“Santo Padre, há algum tempo, com o auxílio de Deus, restaurei uma Igreja em honra a Santa Maria dos Anjos. Venho pedir a Vossa Santidade que concedais, nesta Igreja uma indulgência a quantos a visitarem, sem a obrigação de oferecerem qualquer coisa em pagamento (naquela época, toda indulgência concedida a uma pessoa, estava ligada à obrigação dessa pessoa fazer uma oferta), a partir do dia da dedicação da mesma.”

O Papa ficou surpreendido e comoveu-se com o tal pedido. Depois perguntou: “Por quantos anos pedes esta indulgência?”

“Santo Padre, não peço anos, mas penso em muitos homens e mulheres que precisam sentir o perdão de Deus”, respondeu Francisco.

“Que pretendes, em concreto, dizer com isto?” retorquiu o Papa.

“Se aprouver a Vossa Santidade, gostava que todas as pessoas que venham a visitar a Porciúncula, contritos de seus pecados, em “estado de graça”, confessado e tendo recebido a absolvição sacramental, obtenham a remissão de todos os seus pecados, na pena e na culpa, no Céu e na Terra, desde o dia de seu baptismo até ao dia em que entre na Porciúncula.”

“Mas não é um costume a Cúria Romana conceder tal indulgência!"
“Senhor, disse o “Poverello”, este pedido não o faço por mim, mas por ordem de Cristo, da parte de quem estou aqui.”

Ouvindo isto o Papa cheio de amor repetiu três vezes:“Em nome de Deus, Francisco, concedo-te a indulgência que em nome de Cristo me pedes.”

Tendo alguns Cardeais, ali presentes, manifestado algum desacordo, o Papa reafirmou: “Já concedi a indulgência. Todo aquele que entrar na Igreja de Santa Maria dos Anjos da Porciúncula, sinceramente arrependido das suas faltas e confessado, seja absolvido de toda pena e de toda culpa. Esta indulgência valerá somente durante um dia, em cada ano, “in perpetuo”, desde as primeiras vésperas, incluída a noite, até às vésperas do dia seguinte.”

A “consagração” da Igrejinha aconteceu no dia 2 de Agosto do mesmo ano de 1216.

A Indulgência da Porciúncula somente era concedida a quem visitasse a Igreja de Santa Maria dos Anjos, entre a tarde do dia 1 Agosto e o pôr-do-sol do dia 2 Agosto. Em 9 de Julho de 1910, o Papa Pio X concedeu autorização aos Bispos de todo o mundo, só naquele ano de 1910, para que designassem qualquer Igreja Pública das suas Dioceses, a fim de que também nelas, as pessoas recebessem a Indulgência da Porciúncula. (Acta Apostolicae Sedis, II, 1910, 443 sq.; Acta Ord. Frat. Min., XXIX, 1910, 226). Este privilégio foi renovado por um tempo indefinido por decreto da Sagrada Congregação de Indulgências, em 26 março de 1911 (Acta Apostolicae Sedis, III, 1911, 233-4). Significa que, atualmente, qualquer Igreja Católica de qualquer país, tem o benefício da Indulgência que São Francisco conseguiu de Jesus para toda humanidade. Assim ganharão a Indulgência, todas as pessoas que estando em "estado de graça", visitarem uma Igreja nos dias mencionados, rezarem um Credo, um Pai-Nosso e um Glória, suplicando ao Criador o benefício da indulgência, e rezando também, um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória, pelas intenções do Santo Padre. Poderão utilizar a Indulgência em seu próprio benefício, ou em favor de pessoas falecidas ou daquelas que necessitam de serem ajudadas na conversão do coração.

Por outro lado, a Indulgência é "toties quoties", quer dizer, pode ser recebida tantas vezes quantas a pessoa desejar, isto é, em cada ano, fazendo visitas a diversas Igrejas das 12 horas do dia 1 de Agosto até o entardecer do dia 2 de Agosto.
Com o passar dos séculos a forma de lucrar esta indulgência sofreu muitas mudanças, alargando a todos os dias para a Igreja da Porciúncula. Esta disposição foi fixada pelo Papa Paulo VI na carta apostólica “Sacrosancta Portiunculae ecclesia” de 14 de Julho 1966. Portanto a Indulgência Plenária na Porciúncula se pode obter todos os dias com as condições já referidas.

Se desejar meditar na Homilia, do Ministro Geral O.F.M., para este dia, encontra-a no sítio da O.F.M.http://www.ofm.org/

(Adaptação de vários textos retirados da net)

19 julho 2012

Salmo para as minhas férias (Dina)


(Meu Jesus de mim desconfio, em Ti confio e me abandono)
Oração da autoria da nossa Amiga e colaboradora "Dina"
A Ti Senhor, entrego o meu entusiasmo
O meu sofrimento e o meu esforço nestas férias;
Em Ti confio, porque sei que me amas.
Que nas dificuldades não ceda ao cansaço,que a Tua graça sempre triunfe em mim.
Eu espero sempre em Ti.
Sei que não desiludes quem confia em Ti.
Indica-me os Teus caminhos Senhor,
Mostra-me a Tua via… Faz-Te Luz…
Que na minha vida se abram cada vez mais caminhos de Paz e Bem,
de justiça e liberdade, de esperança,
igualdade e serviço.
Deixa-me sentir Senhor,
que Tu és o meu Deus e Salvador.
Não recordes os meus pecados,
lembra-te de mim com a Tua lealdade,
pela Tua Bondade Senhor.
Tu és Bom e justo e orientas os desorientados.
Guia os humildes com rectidão, mostra-lhes o caminho.
Quando Te sou fiel, Senhor, Tu conduzes-me pelos Teus caminhos.
Assim vivo feliz e a minha vida enriquece-se com os Teus Dons.
Tu Senhor, também confias e esperas em mim.
Tens-me de verdade como tua amiga…
Senhor! Guarda-me…
Guarda a minha Vida e liberta-me…
Ajuda-me a sair da minha concha… e a ir para Ti…
Faz-me ver com clareza o CAMINHO… e desperta o manancial da minha Vida…
Tu que és o Caminho, a Verdade e a Vida!
Que sejas Tu, a minha única BAGAGEM… vá para onde for… esteja onde estiver… Senhor!

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