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25 março 2012

V Dom. Quaresma: Eucaristia

Eucaristia do V DOMINGO DA QUARESMA celebrada no Santuário de S. António - Lisboa - local onde o santo nasceu.TEXTO DA HOMILIA PODE LER-SE ABAIXO.
Visite a TV S. António em www.livestream.com/stantonius
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1ª Leitura: Jeremias 31, 31-34
Salmo: 50 (51)
2ª Leitura: Hebreus 5, 7-9
Evangelho: João 12, 20-33

HOMILIA:

Começava a primeira leitura do capítulo 21º do livro de Jeremias, no Antigo Testamento, assim:
“Dias virão, diz o Senhor. Dias virão, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma Aliança nova. Não será como aquela que firmei com seus pais, mas uma Aliança nova.”

Dias virão, hão-de chegar os dias, há-de chegar o tempo, há-de chegar a hora. E no Evangelho de S. João ouvimos três vezes Jesus a dizer: “chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado.” Depois, mais à frente diz: “chegou a hora em que este mundo vai ser julgado”, e a seguir, “chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo”.
Dias virão, chegará o tempo, chegará a hora, diz Deus no Antigo Testamento. Jesus diz: “Chegou a hora, é o tempo de partir”.
E porque é que Deus através do Profeta Jeremias, faz este pré-anúncio desta hora? Ele diz logo a seguir, “porque na verdade, Deus não quer imputar (é o verbo correto), imputar à Humanidade a causa, ou melhor, a culpa dos seus pecados, a culpa das suas iniquidades”. Eu sei que este verbo em português parece feio, mas é o verbo correto, imputar, Deus não quer carregar, Deus não quer aplicar a cada um de nós as consequências que a nossa culpa merecem. E por isso, Deus promete através do Profeta uma nova Aliança, uma Aliança diferente daquela outra Aliança que dizia o mesmo texto, “Deus firmou”, do verbo firmar, firmar é estabelecer com força, com verdade, até, dizemos nós, com assinatura, firmar.

 Já não será como essa daqueles que foram infiéis inicialmente. Diz o texto “violar essa Aliança”. Então Deus quer estabelecer uma Aliança nova com o seu povo e, qual é o meio que Deus vai utilizar para estabelecer com o seu povo uma nova Aliança? É só uma, como dizia o Profeta Jeremias, o meio é a “Lei do Amor”. A LEI DO AMOR.

Diz assim: “Esta é a Aliança que estabelecerei com a casa de Israel, hei-de imprimir (imprimir é gravar), hei-de gravar a minha Lei no íntimo da sua alma, e gravá-la-ei no seu coração”. É a partir da Lei de Deus, impressa no nosso coração, gravada no nosso coração, que Deus vai estabelecer uma nova Aliança. Mas continua o texto: "Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo.” Eu serei o seu Deus, não podem ter outros Deuses, não podem adorar ídolos vãos, não podem andar atrás de ídolos pagãos. “Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo.”
Não é para respondermos, a começar por mim, mas pergunto a mim e ao perguntar a mim mesmo, pergunto aos Irmãos, no nosso dia-a-dia quantos deuses nós temos? Atrás de quantos deuses nós corremos?

Estaremos nós a ser fiéis ao nosso Deus? É que há muitos deuses. Há muitos deuses. O consumismo pode ser um deles. O egoísmo pode ser um deles. Se eu passar o meu dia-a-dia a viver na inveja em relação aos outros, estou tomar a inveja como um deus, estou a endeusar a inveja.
Se eu passar o meu dia (vou usar uma expressão que me veio à mente e que não querendo, obviamente, ferir ninguém, não é esse o meu objetivo, apenas refletir), se eu passar o meu dia a dizer mal deste e daquele estou a endeusar a má língua.

Se eu deixar de rezar ou de ir à Eucaristia para ir ao futebol, estou a transformar o futebol num deus.
Irmãos, volto à pergunta: No meu dia-a-dia, quantos deuses é que eu tenho? É que alguns Irmãos e Irmãs que estão aqui fizeram sinal 1, só têm 1 (deus), mas se pensarmos bem, se calhar, não tínhamos era pensado nos outros Deuses. Não estávamos era a pensar nos outros deuses.
Para nós, um deus, é tudo aquilo que ocupa o nosso coração.
Se alguma coisa menos boa, que não tem a ver com este nosso Deus da Aliança, ocupa mais espaço na nossa vida, então estamos a fazer desta coisa um deus. Volto a repetir, e já disse aqui várias vezes, vale o que vale a minha opinião, se eu vou ter com a imagem de Nossa Senhora de Fátima e me esqueço de Nosso Senhor Jesus Cristo, eu estou a endeusar Nossa Senhora de Fátima e Ela não é deusa, é a Mãe, mas não é deusa.
Se eu venho à Igreja de Santo António, em Lisboa, ou em Pádua ou em qualquer parte do mundo, e vou direitinho ao quadro de Santo António, aqui no nosso caso, e me esqueço de Jesus que está aqui à frente no Sacrário, estou a endeusar Santo António. Esqueci-me de Jesus que é o verdadeiro Deus.

Se eu venho aqui à Igreja de Santo António e a única preocupação que eu tenho é descer lá abaixo à cripta para ajoelhar e rezar ao Santo António, a pedir milagres a Santo António e passo diante do Sacrário e não digo “olá” a Jesus, estou a endeusar Santo António e esqueci-me de Jesus que é Deus.
Volto à pergunta que eu fiz à bocadinho “quantos deuses é que eu tenho?”. E agora entendem melhor esta pergunta, entendem melhor esta pergunta. Pois Deus diz que vai gravar, quer gravar, a Sua Lei no nosso coração. Eu falo mais pausadamente porque os Irmãos do Brasil têm dificuldade em entender o nosso português de Portugal. Só por isso é que falo assim desta forma, para nós portugueses parece que o Padre está um pouco zangado, porque está a articular muito as palavras, mas não tem nada a ver com isso, é para ver se no outro lado o Atlântico entendem melhor a nossa mensagem.
Deus diz “Eu vou gravar a minha Lei no seu coração, no coração do Meu povo e Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo”.
Então espera lá, então o que o Frei está a dizer é que eu devo vir à Igreja de Santo António e não devo ir rezar ao quadro de Santo António, ao quadro milagroso, não devo olhar para a relíquia de Santo António que está aqui diante de nós, no altar principal, ao lado do Sacrário, que aquele casal não tinha dado conta que estava ali, se calhar, o osso do braço esquerdo de Santo António, lá em baixo o osso da face de Santo António, lugar onde nasceu, não devo ir ali à imagem de Nossa Senhora que por acaso até tem lá um genuflexório para eu me ajoelhar, como se fosse Deus, mas podia não estar e eu ajoelhar-me na mesma. Então o Sr. Padre diz que não devemos fazer isso? Não foi isso que eu disse. Não foi isso que eu disse. Eu sou o primeiro a ajoelhar-me diante da relíquia de Santo António se sentir necessidade de o fazer. Eu sou o primeiro a ajoelhar-me diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, se o meu coração de filho necessitar interiormente de o fazer.
O que eu não posso fazer é transformar Santo António, Nossa Senhora de Fátima, da Aparecida, de Guadalupe, ou de onde quer que seja a invocação, em Deus. Isso é que não pode acontecer. Porque Deus diz “Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo”. E a seguir o texto diz que todos nós temos que conhecer o nosso Deus. Conhecer Deus. Dizia assim “Aprendei a conhecer o Senhor. Todos eles Me conhecerão (é Deus que está falar, não sou eu que estou a inventar, estou a ler) todos Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno”, diz o Senhor. E agora diz o Padre, conhecemos mesmo, de todo, o nosso Deus? Será? Será que todos nós sentimos a Lei de Deus gravado no nosso coração? Será?
Olha, Santo António tem muitas perguntas destas nos seus sermões. Eu não estou a fazer nada que Santo António não tivesse feito de forma mais convicta. Por isso é que um dos títulos que é aplicado a Santo António, e que eu não o quero mim, confesso-vos, é o do martelo dos hereges. Porque Santo António pregava o que achava em consciência que devia pregar, doesse a quem doesse. Será que nós conhecemos o nosso Deus?

Depois vem a última frase desta primeira leitura que eu acho linda, linda. Diz Deus depois de todas estas coisas, diz “Porque Eu (o seu Deus), vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas”. Que coisa bonita. Deus afinal não é castigador. Deus afinal não é um papão. Deus afinal não é alguém que está atento a ver quando nós falhamos para castigar logo a seguir. Afinal não é. “Eu vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas”. É o coração de Deus Pai a falar. É o coração de Deus que ama a falar. E Jesus no Evangelho vai-nos fazer esta mesma reflexão. Havia alguém que queria ver Jesus, e os Apóstolos já começavam a filtrar estas pessoas que queriam chegar a Jesus. E alguém vem dizer a Filipe “nós queremos ver Jesus. Deixem-nos chegar até Jesus.” E Filipe vai ter com os outros e diz: “Olha há ali um grupo de pessoas que quer ver Jesus” e foram dizer a Jesus. E Jesus como que, desvaloriza essa grande preocupação das pessoas quererem vê-lo para valorizar o quê? Voltemos ao início da minha Homilia, “a hora chegou, chegou a hora em que vou morrer, chegou a hora”. E diz até que Jesus estava a sentir-se amargurado. E no meio da amargura, no meio do sofrimento, porque sabe como vai morrer, Jesus pergunta “Mas Eu vou dizer ao Pai, afasta-me deste momento?” E diz logo Jesus “não foi por causa disto que Eu vim? Então se foi por causa disto que Eu vim, Eu tenho que ir até ao fim.”
João Paulo II, tantas vezes pediram ao Papa João Paulo II que renunciasse ao cargo, que se deixasse estar lá na caminha quietinho e que mandasse um Cardeal fazer as Homilias, celebrar as Eucaristias, aparecer em público e o testemunho deste Homem foi sempre o mesmo: “Se Cristo não abandonou a cruz até ao fim, eu também não vou abandonar a cruz até ao fim”. E assim foi.
Jesus diz: “Foi por causa disto que Eu vim”, e pede ao Pai para glorificar o nome, o Seu nome (não o do Pai) e Deus responde “Já está glorificado, mas vou continuar a glorificá-lo”. A salvação e a glorificação vêm-nos através da cruz de Jesus, não nos vem através de andarmos cada um ao sabor do vento, este à procura desta devoçãozinha, aquele à procura daquela devoçãozinha, este a ir à missa católica e a seguir vai às Igrejas protestantes, este a ir confessar-se à Igreja Católica e a seguir vai à Igreja IURD, à Igreja Maná, ao Bispo não sei das quantas que anda para aí a enganar meio mundo até nos jornais... não pode! Não podemos! Porque se o fizermos, não conhecemos o nosso Deus. Não conhecemos o nosso Deus.
E Jesus veio então dizer-nos que, mais uma vez repetindo a ideia do Domingo passado: “Quando Eu for levantado da terra, quando erguerem aquela cruz, ali sim, Ele vai acudir, todos os que pedirem, todos os que pedirem.” Por isso Irmãos e Irmãs é que não podemos ter uma Igreja sem uma cruz, por isso é que o mundo não pode obrigar os cristão, não pode, jamais podem obrigar os cristãos a deixar de ter a cruz.
Olhem, a menos que nos cortem os braços. Porque enquanto tivermos pernas e braços formamos uma cruz. Podem tirá-las do cima das Igrejas, podem até tirá-las do peito, podem querer tirá-las da lapela da nossa roupa, mas não nos tiram do coração. O Cristão não pode viver sem a cruz. Esta é a missão que Deus deu (carregar a Cruz).
E se Jesus diz que “se o grão de trigo não morrer nada serve”, é necessário morrer para dar vida, é necessário morrer para que outros cresçam.
Termino de forma muito breve com a carta de S. Paulo aos Hebreus, na 2ª Leitura, onde S. Paulo começa por recordar aos Cristãos que tal como nós sofremos, tal como todos nós Cristão vimos rezar ao nosso Senhor com súplica, através de Nossa Senhora de Fátima, através de S. Francisco, de S. José, de Santo António, assim como nós vimos pedir ao Senhor, também Jesus pediu ao Pai com súplica, com lamento até com lágrimas, diz S. Paulo nesta leitura. Mas foi atendido. E foi atendido porquê dizia o mesmo texto, “por causa da sua piedade”. Cuidado. Cuidado, piedade não ter a ver com aquela nossa conceção habitual “piedadezinha”, “caridadezinha”, piedade em Jesus é o Amor pelo próximo. Deus escutou Jesus, porque Jesus acima de tudo amou o seu próximo e, por isso mesmo, sofreu, obedeceu até à morte, e morte na cruz, e foi a partir desta morte e desta vivência no sofrimento, que Jesus “se tornou para todos os que Lhe obedecem causa da salvação eterna”.
Irmãos, eu não preparei a Homilia antes de vir para aqui. Vim por aí fora, sabia os textos, mas não fiz nenhum rascunho, o que acabei de partilhar convosco foi o que saiu de uma reflexão. Peço ao Senhor que tenha verdadeiramente tocado o espírito de cada um de vós, como tocou o meu à medida que ia falando, à medida que ia fazendo a reflexão pessoal.
Que o Senhor nos ajude a viver com muita fé, verdade e honestidade.

17 março 2012

IV Domingo da Quaresma: Eucaristia

Eucaristia do IV DOMINGO DA QUARESMA celebrada no Santuário de S. António - Lisboa - local onde o santo nasceu. O texto da Homilia encontra-se abaixo do vídeo. Visite a TV S. António em www.livestream.com/stantonius
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IV DOMINGO QUARESMA

Textos da Liturgia:
1ª leitura: 2 Crónicas 36, 14-16.19-23
2ª leitura: Efésios 2, 4-10
Evangelho: João 3, 14-21


Homilia feita na Igreja de S. António, em Lisboa, no IV Domingo da Quaresma, ano B (17 de Março de 2012)

Homilia:
É importante nós situarmos ou contextualizarmos sempre a Palavra de Deus que escutamos nas nossas Eucaristias. É importante sempre termos pelo menos alguma noção de porque é que estes textos existem,  porque é que dizem aquilo que na verdade dizem, porque senão às vezes nós escutamos a Palavra de Deus e, como diz o nosso povo, “entra por um ouvido e sai por outro”. Como dizia um frade velhinho que já morreu “é importante que a Palavra de Deus desça ao mais íntimo de nós, dê um nó cá dentro, para reter em nós o essencial dessa palavra de Deus”. Significa que esta Palavra não deve entrar por um ouvido e sair pelo outro, mas entrar e ficar, permanecer.
Isso acontece quando nós entendemos, assim humanamente falando, aquilo que está por trás da mensagem dessa Palavra.
O Segundo livro das Crónicas, que hoje escutamos na primeira leitura, é um texto muito bonito. Começa por dizer que depois do Povo de Deus muito sofrer, depois de ter sido votado ao abandono, espezinhado, escravizado, toda a gente começou a esquecer-se de Deus. Diziam que eram povo de Deus, mas esqueciam-se de Deus, incluindo os sacerdotes que também eles começaram a deixar-se ir “na onda”, diríamos nós hoje “ram ram”, como dizemos nós em Portugal, “uma Maria vai com as outras”. Também os sacerdotes começaram a fazer coisas que não eram dignas, coisas que não deviam fazer como sacerdotes que eram de Deus. Então, Deus vai enviando, permanentemente, Profetas para dizer “cuidado, tomem atenção, Eu estou aqui, Eu sei o que vós andais a fazer, atenção que vos estais a condenar “. E diz que eles não levaram a sério, não escutaram a Palavra dos Profetas. Mais ainda, como se isso não bastasse, o Sumo Sacerdote do Templo, e os escribas, ou seja, todos aqueles que andavam à volta do templo de Deus, o Templo que Deus tinha consagrado, em Jerusalém, para ser um lugar importante do encontro de Deus com a Humanidade, eles, sacerdotes e escribas, profanaram o Templo, profanaram um lugar sagrado.
O que é isto de profanar? Vamos imaginar que era algo que acontecia hoje, e que acontecia aqui na nossa igreja de Santo António e, comparando, seria como se nós, os franciscanos, aqui da igreja de Santo António, esquecêssemos as orientações da Igreja, esquecêssemos as orientações da Ordem Franciscana, esquecêssemos o valor desta Casa  que, guarda as Relíquias de Santo António, ou mesmo Nosso Senhor no Sacrário, e começássemos a pegar nos cálices, nas patenas, nas píxides e começássemos aí a beber à fartazana (com fartura), altos banquetes, sem respeitar os lugares, os símbolos sagrados. Significa, imaginemos que agora eu me dava assim uma “travadinha”, como nós dizemos, ia ali ao Sacrário, pegava no santíssimo Sacramento e o espalhava aqui pelo chão. Isto é o que se chama profanar, profanar algo sagrado. E foi isso, que naquele tempo, os sacerdotes, os escribas e o povo de Deus começaram a fazer, profanaram o Templo de Deus, o Templo que Deus tinha consagrado em Jerusalém.
Consequência de tudo isto? Deus tem que fazer que o Seu Povo acorde, Deus tem que abanar o Seu Povo. É como um pai e uma mãe que muito amam o seu filho, se ele persiste em fazer coisas que não são boas, se persiste em fazer más ações, a dada altura, o pai e a mãe, se o amam verdadeiramente, têm que o abanar, têm que, se calhar, chegar um bocadinho a roupa ao pelo, têm que lhe dar alguma penalização, para o fazer acordar a tempo antes de ele se perder. Pois foi o que aconteceu ao Povo de Deus.
Vieram outros povos, sobretudo os Caldeus, vêm a Jerusalém, vêm matar o Povo de Deus, vêm destruir aquele Templo. Afinal foi só destruir fisicamente, deitar as pedras abaixo, porque o verdadeiro Povo e Templo de Deus já estavam destruídos, há muito, porque o próprio Povo, com os seus sacerdotes o tinham feito.
Mas Deus ama! Deus ama e, depois de corrigir os seus filhos, volta de novo a pegar neles ao colo, tal como faz a mãe ou o pai, se é necessário dar uma palmadinha ao seu filho porque agiu incorretamente, depois é o mesmo pai e a mesma mãe que de novo lhes enxugam as lágrimas, o tomam no seu colo e lhe dizem “eu estou contigo, era preciso veres que estavas a ir por mau caminho. Era preciso veres que não era o melhor para ti”.
E por isso Deus se volta de novo para o Seu Povo, depois permitir o castigo deste Povo, depois deste Povo acordar, Deus envia o rei Ciro, da Pérsia, um rei temente e Deus. Deus tinha-lhe dado muitas conquistas, Deus tinha-lhe dado muitos reinos e por isso lhe pede, através do Profeta Jeremias, que vá a todos os seus reinos e, por escrito, como se fosse um decreto, estabelecer uma lei. Deus envia esta lei para restabelecer a ordem, não só física, o Seu Reino, mas também religioso e espiritual. E Deus vai pedir, ao rei da Pérsia, rei Ciro, que ele reconstrua o Templo de Jerusalém. É necessário dar de novo ao Povo, o Templo, o lugar do encontro com Deus. É ali, na Cidade Santa, que Deus quer que o Seu Povo vá rezar, que Deus quer que o Seu Povo se encontre com o seu Deus. Por isso temos esta palavra do rei: “o próprio (Deus) me confiou o encargo de Lhe construir um templo em Jerusalém, na cidade de Judá. Quem de entre vós fizer parte do seu povo ponha-se a caminho e que Deus esteja com ele”.
Quem de entre vós faz parte do povo de Deus, não cruze os braços, não baixe a cabeça, não desista, defenda o seu Deus, defenda o templo, defenda os sacerdotes, defenda o próprio povo (Igreja). Este é o desafio que foi lançado ao tempo das Crónicas no Antigo Testamento, mas é também o grande desafio que nos é lançado hoje. Volto a recordar, e muitas vezes eu digo isto, as palavras do querido Papa João Paulo II, quando, no dia em que entregou o chapéu Cardinalício aos nossos dois Cardeais, a dada altura dizia mais ou menos isto: “a missão do Bispo, a missão do Sacerdote e também a missão de todo o Cristão é cuidar dos seus irmãos, é defender os seus irmãos – e acrescentava o Papa – se não formos nós a defender aqueles que são os nossos, quem os vai defender”? Então, é missão também nossa – do cristão – defender a Igreja, defender o nosso Templo, defender-nos a nós enquanto povo de Deus.
No Evangelho que nós escutamos, vemos Jesus, mais uma vez, a anunciar a sua morte. Disse-vos há dias, no fim de semana passado, que este Evangelho vai como que preparando a Igreja para este encontro com a Cruz de Jesus. E Jesus vai fazer, neste texto de S. João, uma comparação entre aqueles que se batizam, aqueles que renascem pelo sinal da Cruz, todos nós quando fomos batizados, a primeira coisa que o sacerdote nos fez foi traçar o sinal da cruz na nossa fronte, na nossa testa, e depois p pai, a mãe, o padrinho e a madrinha fizeram o mesmo, marcando-nos com a Cruz de Jesus, Jesus recorda que tal como o Cristão é resgatado da morte pelo sinal da Cruz, também aqueles que lá no deserto, ao tempo de Moisés foram resgatados da morte, do pecado, da doença, da maldição olhando para a serpente de bronze que estava colocada numa estaca no deserto. Já passaram muito séculos e este símbolo da serpente enrolada numa árvore, numa palmeira, ou numa estaca, continua em todo o mundo, ainda hoje, a ser o símbolo da medicina. Quando saírem (daqui da Eucaristia) olhem para os reclames das farmácias, por exemplo, a maior parte delas tem uma palmeira com uma serpente enrolada. Olhem para as ambulâncias, muitas delas têm o mesmo símbolo, ou uma cruz com uma serpente no meio, tem que ver com este Evangelho que nos remete para aquele outro texto do Antigo Testamento. Assim Jesus diz que, tal como Moisés quando colocou aquela serpente numa estaca atraiu muito a Deus, muitos olhando para aquela estaca, para aquela serpente de bronze, voltaram para Deus, também diz Jesus “quando Eu for levantado da terra (quando Eu for crucificado) atrairei todos...”. Por isso, irmãos e irmãs, não há caminho cristão, é impossível haver caminho cristão, que não seja o caminho que conduz à Cruz. Não pode haver nenhum cristão, que se diga cristão e que diga que não tem veneração pela Cruz. Podemos não ter uma cruz com a figura de Cristo crucificado, vemos esta imagem do sagrado Coração que tem uma cruz na mão e não tem a imagem de Cristo crucificado na cruz, porque é a própria imagem de Jesus que segura a Cruz, São Francisco do outro lado, já tem uma Cruz com Cristo na Cruz. Não significa que possa ter ou não ter (o cristão), todos nós trazemos ao peito uma Cruz com Cristo ou sem Cristo, mas é a Cruz e se não é a Cruz latina será outra Cruz como o nosso Tau Franciscano, mas é uma Cruz. Pois o cristão deve trazer sempre consigo a marca de Jesus e a marca de Jesus é em primeiro lugar esta “estaca” da salvação, a Cruz onde Ele foi levantado da terra. E diz o mesmo texto de S. João que, recordando até aquilo que era o seu início, o chamado prólogo, que os homens não reconheceram a Luz, há muita gente que se diz cristão, mas depois não tem atitudes de cristão. Jesus veio como Luz para o mundo, mas o mundo não o aceitou. E Jesus está a dizer neste Evangelho que aquele que acredita no nome de Jesus esse tem a salvação. Aquele que não acredita no nome de Jesus ele próprio se auto exclui da salvação. Uma das maiores devoções franciscanas, que depois os nossos irmão Jesuítas levaram para si, e difundiram pelo mundo fora, mas que é uma devoção franciscana, com S. Bernardino de Sena, que cresceu a grande devoção ao Tetragrama do Nome de Jesus, que nós habitualmente vemos em imagens, livros, o JHS (Jesus Salvador da Humanidade), difundido por S. Bernardino e que nós aqui temos postais à venda com este símbolo que vem de S. Bernardino estamos a reavivar esta devoção que antigamente, nos conventos, nas portas das Celas dos Frades, estava na porta para que os Frades ao entrarem ou saírem olhassem para o nome de Jesus (com indulgência plenária), dizia eu que, aquele que acredita no nome de Jesus tem a salvação, será salvo. Quem não acredita e quem não pratica obras de Jesus, esse está a auto excluir-se da salvação, está a condenar-se.
A segunda leitura, texto muito bonito da Carta de S. Paulo aos Efésios, começa por dizer que Deus é rico de misericórdia. Deus é rico de misericórdia e o que é isto de misericórdia? Às vezes nós temos “mania” que ter misericórdia é ter peninha de alguém. Peninhas têm as aves, nós não temos peninhas. Nós não precisamos de ter peninha de ninguém: que peninha daquela pessoa, que peninha que eu tenho dela, dizemos tantas vezes. Isto não é ter pena de nada nem de ninguém. Deus tem misericórdia e misericórdia significa AMOR. Não significa compaixãozinha, não significa uma piedadezinha, significa amor. Como ainda há pouco nós cantámos – e eu quase sempre nas Missas no início, como já deram conta não rezo a Confissão, mas sim “Senhor misericórdia, Cristo misericórdia, Senhor misericórdia”. Porquê? Porque quando dizemos isto não estamos a dizer “ó Senhor, coitadinho de mim, olha lá, tem peninha de mim e tal”, não é isso! Quando eu estou a dizer “Senhor misericórdia” o que eu estou a dizer é “Senhor, ama-me! Ama-me!”, e ao amares-me eu sei que me salvas do pecado, “Cristo misericórdia” é dizer “Cristo amam-me!”, porque ao amares-me eu sei que Tu me perdoas os meus pecados. É isto que significa misericórdia. E S. Paulo diz que “Deus é rico de misericórdia pela grande caridade com que nos amou”. “Com a grande caridade” e, na linguagem de S. Paulo, “Caridade”, significa – sabemos todos – Amor.
E qual é a manifestação máxima deste Amor de Deus para connosco? S. Paulo também no-lo vai dizer. É porque nós vivemos no pecado, nós vivemos fragilizados, nas nossas ações, nas nossas palavras, nas nossas atitudes, contudo, diz ele, foi pela fé e é pelo Cristo ressuscitado que nós recebemos a graça de Deus. É em Cristo ressuscitado. Não é só nem pela fé, não é só pela Sagrada Escritura é por tudo isto, com a graça de Deus. Então como é que nós nos podemos salvar, à luz desta palavra que S. Paulo nos diz hoje? Nós podemos salvar-nos pela fé no nome de Jesus, pelas obras de misericórdia, ou seja, de amor, que nós fazemos em favor dos outros, podemos salvar-nos com tudo isto, através da Palavra de Deus que está presente na nossa liturgia, e que hoje todos nós temos nesses livrinhos (missal quotidiano), ou para quem usa as novas tecnologias podemos ter a Bíblia e as leituras de cada dia no telemóvel (celular), ou num ipad, ou numa tablet, para os que são mais jovens e entendem o que eu quero dizer com esta linguagem. Já podemos receber, pela internet, todos os dias o evangelho de cada dia. Como vêem há muita forma de nós termos acesso à Palavra de Deus.
Termina S. Paulo por dizer que “a salvação não vem de nós, é um dom de Deus”. Aqui há uns anos, quando eu tinha capacidade para fazer tudo e mais alguma coisa, perfeccionista como sou  - não sei se é defeito ou virtude – às vezes diziam-me assim: “ó frei olha que tu não salvas o mundo, tu não salvas o mundo e vai chegar o tempo em que vais ter que parar um pouco”. E eu achava que isto eram palavras ocas, pensando que podia salvar tudo e todos. A verdade é que S. Paulo diz que a salvação não vem de nós, mas apenas de Deus. E de facto, nós não salvamos o mundo. Nós não conseguimos fazer tudo ao mesmo tempo. A Igreja não pode fazer tudo e por isso necessitamos que todos colaborem, que todos, cada um fazendo aquilo que sabe melhor. Mas também, aquilo que não sabemos aprendermos com quem sabe. Mas também reconhecer quando é que errámos e se errámos para a próxima vez termos mais algum cuidado. Porque chegará o tempo – e eu já faço isso – em que eu digo que, como há pouco, já não tive tempo para fazer o Power point com os cânticos (que são apresentados em tela grande para que toda a assembleia cante), que muitos já estão feitos mas falta inserir as leituras (do dia), inserir um slid com a mensagem do Evangelho, falta escrever em cada um que estamos no IV Domingo da Quaresma, e isso não aparece feito, alguém tem que o fazer. É muito bom quando nós chegamos aqui e vemos os serviços pastorais, irmãos que já vão mexendo nos computadores (usados para a ligação direta via web e para o referido Power point na tela), irmãos que já vão ajudando também nestas coisas, e ainda bem, Deus seja louvado por isso. Mas nós, defacto, não nos salvamos a nós sozinhos, é um dom de Deus, é um dom de Deus que nós devemos por ao serviço da comunidade, porque “na verdade – diz o texto – todos nós somos obra de Deus, criados em Jesus Cristo, em vista das boas obras que Deus de antemão preparou, como caminho que devemos seguir”.
Somos obra de Deus! É Deus que acompanha o nosso dia a dia, para que essa obra de Deus que nós somos se manifeste nos outros. (...)
Em nossa casa, cada um dos irmãos que está aqui (em Santo António) ou os irmãos que nos assistem via internet, podeis e deveis ser obra de Deus já que mais não seja, pela oração, pela oração.
Que Jesus nos dê a certeza que somos obra das Suas mãos e que nos conduza pelo caminho do Amor.
“Assim seja!”

11 março 2012

Moisés: Vocação e Missão

Vocação e missão de Moisés (Ex 3, 1-8a. 13-15)
Colocamo-nos hoje diante do Monte Horeb. É aqui que Moisés vai receber a sua vocação e missão. Faço reflexão, uma vez mais, sem rascunhos, escrevendo directamente o que sinto e penso e recordo que não sou biblista e que, por isso mesmo, o texto que se seguir é uma simples e muito humana reflexão.
Pastor dos rebanhos do Sacerdote Jetro, seu sogro, Moisés encaminha-se para os campos de pastagem e vai mais além do deserto, chegando ao monte Horeb, esse que vemos no cabeçalho do Retalhos.
Diz o texto que “O anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama de fogo, no meio da sarça. Ele olhou e viu, e eis que a sarça ardia no fogo mas não era devorada” (v. 2).
Que um pequeno arbusto esteja a arder, talvez isso não fosse nada de estranho, estamos perto do deserto, talvez muito calor. O estranho é que este pequeno arbusto – SARÇA – continue a arder sem se consumir. Diz o texto que Moisés não só olhou, como se visse algo puramente natural e sem importência, ele “olhou e viu”. Ver é muito mais que olhar, é entrar mais verdadeiramente no objecto da nossa visão, é querer descobrir o que está nele e para além dele, é querer ir ao encontro, vislumbrar a beleza do que se vê.
É este mistério e admiração que leva Moisés a sentir o desejo de ver mais ainda
: “Vou adentrar-me para ver esta grande visão: por que razão não se consome a sarça? (v. 3).
Imaginemos Moisés a aproximar-se cheio de admiração e curiosidade, esquecendo o rebanho que conduzia, esquecendo tudo o que o rodeia e centrando toda a sua atenção naquele fogo, naquele lugar de luz diferente. Moisés viu a Sarça, aproxima-se dela e não sabe que está a ser visto, que ele fora ali conduzido, para além do deserto, que ele conduziu um rebanho de ovelhas ali para a partir dali receber outro rebanho maior ainda. Deus estáva ali, Deus conduziu-o ali, Deus quer falar-lhe naquele lugar. Mas por isso Deus o chama: “Moisés! Moisés!” e a resposta não se fez esperar: “Eis-me aqui!
(v.4).
Pergunto a mim mesmo se aquela resposta fora consciente. Moisés não sabia quem o chamava, apenas via um arbustro estranho a arder sem se consumir contudo, responde à voz que o chama.
Deus quer tornar-se presente no coração deste pastor que outrora fora, por desígnio do mesmo Deus “Salvo das águas”, Deus quer falar, comunicar uma mensagem, dizer-se presente no meio da Humanidade. Mas Deus só fala aos corações preparados para O escutar por isso Moisés tem que tomar consciência que aquele monte é agora lugar sagrado porque o próprio Deus está ali: “Não te aproximes daqui; tira as tuas sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é uma terra santa
(v.5).
Mas afinal quem pode dizer de um lugar que é terra santa? Quem pode mandar ao pastor que não se aproxime, que se afaste de um arbusto estranho, que mande descalçar o pastor quando esse é um rito de quem está diante do Sagrado? Mais estranho ainda, como pode alguém ocultar-se e falar imperiosamente? Onde estaria escondido quem ousa “brincar” com o pastor? Quem poderia fazer tal “brincadeira” diriamos nós se isto se passasse connosco em um qualquer lugar do nosso quotidiano?
Mas Deus não está a brincar, Deus não brinca, Deus escuta, chama, envia e salva. E este Deus não é mais do que o Deus da família de Moisés: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac e o Deus de Jacob” (v.6).
Deus faz uma analépse para que Moisés pare um pouco no meio de toda esta confusão que se lhe apresenta no Monte Horeb. Deus chama à sua memória os seus antepassados e a fé que professaram no Deus da Aliança, este mesmo Deus que escolheu e salvou Moisés e o conduziu a este Monte. Não se trata de um Deus qualquer, de um Deus abstracto, de um Deus desconhecido. É em verdade o Deus da história de Moisés e dos seus. Eis que Moisés se recorda que, de acordo com a crença do Povo de Israel, quem visse Deus face a facer morreria e, de imediato “Moisés escondeu o seu rosto, porque tinha medo de olhar para Deus” (v.6).

É então que Deus Se revela um Deus próximo do Povo, este Povo sofrido, exilado, maltratado, explorado, desenraizado, um Povo que perdera quase a noção da presença do seu Deus, Povo que se sente amaldiçoado pelos feitos dos seus antepassados e o clamava sem cessar, pedindo ao Senhor a libertação de tal escravidão. O Senhor disse: “Eu bem vi a opressão do meu povo que está no Egipto, e ouvi o seu clamor diante dos seus inspectores; conheço, na verdade, os seus sofrimentos. Desci a fim de o libertar da mão dos egípcios e de o fazer subir desta terra para uma terra boa e espaçosa, para uma terra que mana leite e mel, terra do cananeu, do hitita, do amorreu, do perizeu, do heveu e do jebuseu” (vv.7-8a). Afinal Deus permitiu que o Povo passase pelo deserto da vida, pelo sofrimento, por todos os tormentos, porque razão não o refere ainda, mas Deus mostra-se um Deus presente, Deus com um coração clemente que escuta os clamores, um Deus justo que conhece a verdade do Seu Povo e o que resgatar deste tempo de morte. Ele mesmo vem ao encontro do Seu Povo e havia, desde sempre, escolhido Moisés para levar o Povo a uma nova vida, a uma nova terra de prosperidade, terra que é para todos os povos, onde “eles serão o seu Povo e Ele o seu Deus”.Moisés é assim chamado, convocado à missão de levar o Povo para o lugar da Promessa. Inicia-se aqui a missão de um novo pastoreio, de uma nova vida que é assumida por Moisés: “Eis que eu vou ter com os filhos de Israel e lhes digo: ‘O Deus dos vossos pais enviou-me a vós” (v.13).
Deus chama e sempre espera de nós uma resposta disponível, sincera, fiel ao projecto que Ele tem para nós. Moisés responde com clarividência de que sente um chamamento interior que lhe vem não de um deus qualquer mas de Deus, o Deus da Aliança, o Deus dos seus antepassados.
Falar ao Povo em nome de Deus implicaria identificar este Deus, o Seu Nome, a Sua identidade ou a palavra de Moisés não teria qualquer valor diante do Povo. Que nome diria ele ser o nome de Deus?
“Eu sou aquele que sou.(…) Assim dirás aos filhos de Israel: ‘Eu sou’ enviou-me a vós!” (v.14).
Deus simplesmente “É”! Ele é o SER, não tem outra denominação por isso “Eu sou” (Yahweh) é o Nome do Deus Criador, do Deus da Aliança, do Deus do Sinai,
“este é o meu nome para sempre, o meu memorial de geração em geração” (v.15).
Sabemos quantas “peripécias” teve a missão de Moisés, talvez delas venhamos a fazer reflexão noutra altura. Hoje, e à luz da primeira leitura da liturgia, quis simplesmente correr o texto e deixar-me inundar, na simplicidade, pela Palavra e por uma tão simples interpretação.
Deus Chama, conduz-nos ao seu encontro e nos convida a colocar-nos diante d’Ele, parar a nossa caminhada (descalçando-nos) porque o Seu chamamento nos conduzirá por outro caminho mas, parar é imperioso para poder escutar e receber a missão divina e, aí, retomar o caminho com novos horizontes, novos modos, onde Deus se revela tão próximo de nós que nos vê, ouve, aceita o nosso clamor e nos salva.
Este tempo da quaresma continua a convidar-nos a olhar para a Luz que vem da Palavra revelada e a darmos passos em solo sagrado, porque somos portadores da boa-nova de Yahweh.
Como Moisés saibamos olhar para Deus com humildade e respeito, acolher a missão e partir. Como Moisés digamos “Eis-me aqui!”

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