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Senhor! Fazei-me instrumento da vossa paz!

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25 março 2012

V Dom. Quaresma: Eucaristia

Eucaristia do V DOMINGO DA QUARESMA celebrada no Santuário de S. António - Lisboa - local onde o santo nasceu.TEXTO DA HOMILIA PODE LER-SE ABAIXO.
Visite a TV S. António em www.livestream.com/stantonius
(antes da visualização pode ter uns segundos de publicidade. Não esquecer de desligar a música de fundo)



1ª Leitura: Jeremias 31, 31-34
Salmo: 50 (51)
2ª Leitura: Hebreus 5, 7-9
Evangelho: João 12, 20-33

HOMILIA:

Começava a primeira leitura do capítulo 21º do livro de Jeremias, no Antigo Testamento, assim:
“Dias virão, diz o Senhor. Dias virão, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma Aliança nova. Não será como aquela que firmei com seus pais, mas uma Aliança nova.”

Dias virão, hão-de chegar os dias, há-de chegar o tempo, há-de chegar a hora. E no Evangelho de S. João ouvimos três vezes Jesus a dizer: “chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado.” Depois, mais à frente diz: “chegou a hora em que este mundo vai ser julgado”, e a seguir, “chegou a hora em que vai ser expulso o príncipe deste mundo”.
Dias virão, chegará o tempo, chegará a hora, diz Deus no Antigo Testamento. Jesus diz: “Chegou a hora, é o tempo de partir”.
E porque é que Deus através do Profeta Jeremias, faz este pré-anúncio desta hora? Ele diz logo a seguir, “porque na verdade, Deus não quer imputar (é o verbo correto), imputar à Humanidade a causa, ou melhor, a culpa dos seus pecados, a culpa das suas iniquidades”. Eu sei que este verbo em português parece feio, mas é o verbo correto, imputar, Deus não quer carregar, Deus não quer aplicar a cada um de nós as consequências que a nossa culpa merecem. E por isso, Deus promete através do Profeta uma nova Aliança, uma Aliança diferente daquela outra Aliança que dizia o mesmo texto, “Deus firmou”, do verbo firmar, firmar é estabelecer com força, com verdade, até, dizemos nós, com assinatura, firmar.

 Já não será como essa daqueles que foram infiéis inicialmente. Diz o texto “violar essa Aliança”. Então Deus quer estabelecer uma Aliança nova com o seu povo e, qual é o meio que Deus vai utilizar para estabelecer com o seu povo uma nova Aliança? É só uma, como dizia o Profeta Jeremias, o meio é a “Lei do Amor”. A LEI DO AMOR.

Diz assim: “Esta é a Aliança que estabelecerei com a casa de Israel, hei-de imprimir (imprimir é gravar), hei-de gravar a minha Lei no íntimo da sua alma, e gravá-la-ei no seu coração”. É a partir da Lei de Deus, impressa no nosso coração, gravada no nosso coração, que Deus vai estabelecer uma nova Aliança. Mas continua o texto: "Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo.” Eu serei o seu Deus, não podem ter outros Deuses, não podem adorar ídolos vãos, não podem andar atrás de ídolos pagãos. “Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo.”
Não é para respondermos, a começar por mim, mas pergunto a mim e ao perguntar a mim mesmo, pergunto aos Irmãos, no nosso dia-a-dia quantos deuses nós temos? Atrás de quantos deuses nós corremos?

Estaremos nós a ser fiéis ao nosso Deus? É que há muitos deuses. Há muitos deuses. O consumismo pode ser um deles. O egoísmo pode ser um deles. Se eu passar o meu dia-a-dia a viver na inveja em relação aos outros, estou tomar a inveja como um deus, estou a endeusar a inveja.
Se eu passar o meu dia (vou usar uma expressão que me veio à mente e que não querendo, obviamente, ferir ninguém, não é esse o meu objetivo, apenas refletir), se eu passar o meu dia a dizer mal deste e daquele estou a endeusar a má língua.

Se eu deixar de rezar ou de ir à Eucaristia para ir ao futebol, estou a transformar o futebol num deus.
Irmãos, volto à pergunta: No meu dia-a-dia, quantos deuses é que eu tenho? É que alguns Irmãos e Irmãs que estão aqui fizeram sinal 1, só têm 1 (deus), mas se pensarmos bem, se calhar, não tínhamos era pensado nos outros Deuses. Não estávamos era a pensar nos outros deuses.
Para nós, um deus, é tudo aquilo que ocupa o nosso coração.
Se alguma coisa menos boa, que não tem a ver com este nosso Deus da Aliança, ocupa mais espaço na nossa vida, então estamos a fazer desta coisa um deus. Volto a repetir, e já disse aqui várias vezes, vale o que vale a minha opinião, se eu vou ter com a imagem de Nossa Senhora de Fátima e me esqueço de Nosso Senhor Jesus Cristo, eu estou a endeusar Nossa Senhora de Fátima e Ela não é deusa, é a Mãe, mas não é deusa.
Se eu venho à Igreja de Santo António, em Lisboa, ou em Pádua ou em qualquer parte do mundo, e vou direitinho ao quadro de Santo António, aqui no nosso caso, e me esqueço de Jesus que está aqui à frente no Sacrário, estou a endeusar Santo António. Esqueci-me de Jesus que é o verdadeiro Deus.

Se eu venho aqui à Igreja de Santo António e a única preocupação que eu tenho é descer lá abaixo à cripta para ajoelhar e rezar ao Santo António, a pedir milagres a Santo António e passo diante do Sacrário e não digo “olá” a Jesus, estou a endeusar Santo António e esqueci-me de Jesus que é Deus.
Volto à pergunta que eu fiz à bocadinho “quantos deuses é que eu tenho?”. E agora entendem melhor esta pergunta, entendem melhor esta pergunta. Pois Deus diz que vai gravar, quer gravar, a Sua Lei no nosso coração. Eu falo mais pausadamente porque os Irmãos do Brasil têm dificuldade em entender o nosso português de Portugal. Só por isso é que falo assim desta forma, para nós portugueses parece que o Padre está um pouco zangado, porque está a articular muito as palavras, mas não tem nada a ver com isso, é para ver se no outro lado o Atlântico entendem melhor a nossa mensagem.
Deus diz “Eu vou gravar a minha Lei no seu coração, no coração do Meu povo e Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo”.
Então espera lá, então o que o Frei está a dizer é que eu devo vir à Igreja de Santo António e não devo ir rezar ao quadro de Santo António, ao quadro milagroso, não devo olhar para a relíquia de Santo António que está aqui diante de nós, no altar principal, ao lado do Sacrário, que aquele casal não tinha dado conta que estava ali, se calhar, o osso do braço esquerdo de Santo António, lá em baixo o osso da face de Santo António, lugar onde nasceu, não devo ir ali à imagem de Nossa Senhora que por acaso até tem lá um genuflexório para eu me ajoelhar, como se fosse Deus, mas podia não estar e eu ajoelhar-me na mesma. Então o Sr. Padre diz que não devemos fazer isso? Não foi isso que eu disse. Não foi isso que eu disse. Eu sou o primeiro a ajoelhar-me diante da relíquia de Santo António se sentir necessidade de o fazer. Eu sou o primeiro a ajoelhar-me diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima, se o meu coração de filho necessitar interiormente de o fazer.
O que eu não posso fazer é transformar Santo António, Nossa Senhora de Fátima, da Aparecida, de Guadalupe, ou de onde quer que seja a invocação, em Deus. Isso é que não pode acontecer. Porque Deus diz “Eu serei o seu Deus e eles serão o Meu povo”. E a seguir o texto diz que todos nós temos que conhecer o nosso Deus. Conhecer Deus. Dizia assim “Aprendei a conhecer o Senhor. Todos eles Me conhecerão (é Deus que está falar, não sou eu que estou a inventar, estou a ler) todos Me conhecerão, desde o maior ao mais pequeno”, diz o Senhor. E agora diz o Padre, conhecemos mesmo, de todo, o nosso Deus? Será? Será que todos nós sentimos a Lei de Deus gravado no nosso coração? Será?
Olha, Santo António tem muitas perguntas destas nos seus sermões. Eu não estou a fazer nada que Santo António não tivesse feito de forma mais convicta. Por isso é que um dos títulos que é aplicado a Santo António, e que eu não o quero mim, confesso-vos, é o do martelo dos hereges. Porque Santo António pregava o que achava em consciência que devia pregar, doesse a quem doesse. Será que nós conhecemos o nosso Deus?

Depois vem a última frase desta primeira leitura que eu acho linda, linda. Diz Deus depois de todas estas coisas, diz “Porque Eu (o seu Deus), vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas”. Que coisa bonita. Deus afinal não é castigador. Deus afinal não é um papão. Deus afinal não é alguém que está atento a ver quando nós falhamos para castigar logo a seguir. Afinal não é. “Eu vou perdoar os seus pecados e não mais recordarei as suas faltas”. É o coração de Deus Pai a falar. É o coração de Deus que ama a falar. E Jesus no Evangelho vai-nos fazer esta mesma reflexão. Havia alguém que queria ver Jesus, e os Apóstolos já começavam a filtrar estas pessoas que queriam chegar a Jesus. E alguém vem dizer a Filipe “nós queremos ver Jesus. Deixem-nos chegar até Jesus.” E Filipe vai ter com os outros e diz: “Olha há ali um grupo de pessoas que quer ver Jesus” e foram dizer a Jesus. E Jesus como que, desvaloriza essa grande preocupação das pessoas quererem vê-lo para valorizar o quê? Voltemos ao início da minha Homilia, “a hora chegou, chegou a hora em que vou morrer, chegou a hora”. E diz até que Jesus estava a sentir-se amargurado. E no meio da amargura, no meio do sofrimento, porque sabe como vai morrer, Jesus pergunta “Mas Eu vou dizer ao Pai, afasta-me deste momento?” E diz logo Jesus “não foi por causa disto que Eu vim? Então se foi por causa disto que Eu vim, Eu tenho que ir até ao fim.”
João Paulo II, tantas vezes pediram ao Papa João Paulo II que renunciasse ao cargo, que se deixasse estar lá na caminha quietinho e que mandasse um Cardeal fazer as Homilias, celebrar as Eucaristias, aparecer em público e o testemunho deste Homem foi sempre o mesmo: “Se Cristo não abandonou a cruz até ao fim, eu também não vou abandonar a cruz até ao fim”. E assim foi.
Jesus diz: “Foi por causa disto que Eu vim”, e pede ao Pai para glorificar o nome, o Seu nome (não o do Pai) e Deus responde “Já está glorificado, mas vou continuar a glorificá-lo”. A salvação e a glorificação vêm-nos através da cruz de Jesus, não nos vem através de andarmos cada um ao sabor do vento, este à procura desta devoçãozinha, aquele à procura daquela devoçãozinha, este a ir à missa católica e a seguir vai às Igrejas protestantes, este a ir confessar-se à Igreja Católica e a seguir vai à Igreja IURD, à Igreja Maná, ao Bispo não sei das quantas que anda para aí a enganar meio mundo até nos jornais... não pode! Não podemos! Porque se o fizermos, não conhecemos o nosso Deus. Não conhecemos o nosso Deus.
E Jesus veio então dizer-nos que, mais uma vez repetindo a ideia do Domingo passado: “Quando Eu for levantado da terra, quando erguerem aquela cruz, ali sim, Ele vai acudir, todos os que pedirem, todos os que pedirem.” Por isso Irmãos e Irmãs é que não podemos ter uma Igreja sem uma cruz, por isso é que o mundo não pode obrigar os cristão, não pode, jamais podem obrigar os cristãos a deixar de ter a cruz.
Olhem, a menos que nos cortem os braços. Porque enquanto tivermos pernas e braços formamos uma cruz. Podem tirá-las do cima das Igrejas, podem até tirá-las do peito, podem querer tirá-las da lapela da nossa roupa, mas não nos tiram do coração. O Cristão não pode viver sem a cruz. Esta é a missão que Deus deu (carregar a Cruz).
E se Jesus diz que “se o grão de trigo não morrer nada serve”, é necessário morrer para dar vida, é necessário morrer para que outros cresçam.
Termino de forma muito breve com a carta de S. Paulo aos Hebreus, na 2ª Leitura, onde S. Paulo começa por recordar aos Cristãos que tal como nós sofremos, tal como todos nós Cristão vimos rezar ao nosso Senhor com súplica, através de Nossa Senhora de Fátima, através de S. Francisco, de S. José, de Santo António, assim como nós vimos pedir ao Senhor, também Jesus pediu ao Pai com súplica, com lamento até com lágrimas, diz S. Paulo nesta leitura. Mas foi atendido. E foi atendido porquê dizia o mesmo texto, “por causa da sua piedade”. Cuidado. Cuidado, piedade não ter a ver com aquela nossa conceção habitual “piedadezinha”, “caridadezinha”, piedade em Jesus é o Amor pelo próximo. Deus escutou Jesus, porque Jesus acima de tudo amou o seu próximo e, por isso mesmo, sofreu, obedeceu até à morte, e morte na cruz, e foi a partir desta morte e desta vivência no sofrimento, que Jesus “se tornou para todos os que Lhe obedecem causa da salvação eterna”.
Irmãos, eu não preparei a Homilia antes de vir para aqui. Vim por aí fora, sabia os textos, mas não fiz nenhum rascunho, o que acabei de partilhar convosco foi o que saiu de uma reflexão. Peço ao Senhor que tenha verdadeiramente tocado o espírito de cada um de vós, como tocou o meu à medida que ia falando, à medida que ia fazendo a reflexão pessoal.
Que o Senhor nos ajude a viver com muita fé, verdade e honestidade.

5 comentários:

maresia disse...

Deus seja louvado e bendito!
Que maravilha; que bem me fez assistir a esta Eucaristia...
Retalhos está imparável, agora com este dinamismo das transmissões da TV de Santo António. Quantas horas de trabalho, Amigo.
Só ELE pode recompensar.
Que a Mãe ajude.
Paz e Bem

Mª Teresa disse...

E nosso Santo António? Se nos ativermos a seu contentamento... imagine-se...
Farçola - pensamentos assim muito eu gosto de compor!
Certamente PARABÉNS terrenos resvalam para pessoa de FA. Bem haja...sempre, bem haja!

Mãe Lena disse...

Tenho ouvido esta belíssima Homilia que muito me fez pensar e sentir.

"...o que acabei de partilhar convosco foi o que saiu de uma reflexão. Peço ao nosso Senhor que tenha verdadeiramente tocado o espírito de cada um de vós..." - Sim, Frei Albertino, tocou o meu coração, fez-me refletir e vir aqui todas as noites ouvir, e todas as noites senti o que partilhaste.

Concordo com "maresia" que bem me fez assistir a esta Eucaristia.

E a ideia de publicar esta Homilia é fantástica... aguardo-A!

Agradeço ao Pai do Céu a energia que te dá para continuares e nunca desistires: "Se Cristo não abandonou a cruz até ao fim, eu também não vou abandonar a cruz até ao fim" - JPII

Bem hajas!

mariana disse...

Frei:
Tenho assistido em directo sempre que posso à Eucaristia, como já lhe disse para mim é uma graça. Nada nos pertence, tudo é Dom e Graça de Deus. E Ele deu-lhe esta missão... tudo isto já estava no Seu plano Divino.

É preciso olhar para a resposta que Jesus deu aos gregos, os quais queriam ver o Senhor para entender bem o sentido de “colocar Deus como centro da vida interior”. Se aqueles gregos queriam ver um Jesus “famoso”, “milagreiro” ou “pregador”, tiveram uma bela decepção!
Jesus diz-nos que o compromisso com o plano divino é exigente, ao ponto de termos de morrer para nascer para uma vida nova. Isso exige desapego da própria vida, renunciando a todos os ídolos que nos sufocam, e nós nem nos apercebemos, assumindo a centralidade do Evangelho, ou seja assumir que toda a nossa vida passa pela Cruz do Senhor. Não há cristão sem cruz... mas nela nós temos a certeza que Deus nos amou incondicionalmente, e nos manda amar cada irmão que está ao nosso lado.

Mª Teresa disse...

Que bela, potente mesmo, sua mera reflexão, sobre V Domingo da Quaresma!
Por mim falo únicamente: ninguém compete Lugar de Deus Todo Poderoso! Por vezes acredito aproximar-me mais de Seu Reino, sempre que ouso contatar com um(a) Irmão(ã) meu(minha), que merece minha deferência... e nunca, nunca ousei Desmerecer Toda Sua Ventura!
Por Deus! Ele Me Entende, estou tranquila.
Será bastante mais sim-ples "nomearmos" um Santo (ou Beato) a quem nosso espírito mortal aceda ... depois, depois, confiantes sempre acreditamos que Ele vai saber... por Suas (Santo/as, Beato/as) Intercessões!
Bem haja, bem haja FA, por tão magnifíca "catequese"! Deus continue resvalando míriades de bençãos para sua beira!

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