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Senhor! Fazei-me instrumento da vossa paz!

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13 abril 2014

Semana Santa: Caminhar, edificar, confessar...

“Hossana ao Filho de David. Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel. Hossana nas alturas”. (Mt 21,9)

É este o eco que nos envolve sempre que chegamos ao Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor.

Com esta aclamação damos início à Semana Santa onde somos impelidos a entrar com Jesus em Jerusalém para, com Ele, celebrarmos a Páscoa.

A Semana Santa é para a vida do cristão a semana maior uma vez que se inicia com o Domingo de Ramos e termina com o Domingo da Ressurreição, inclusivé.

Este é para nós um tempo de Graça, um tempo de Oração e intimidade com Deus, com Cristo, com a Igreja e ao mesmo tempo com cada um de nós. Somo colocados diante do grande mistério da nossa salvação, a paixão, morte e ressurreição de Cristo.

Começa aqui a cumprir-se definitivamente o grande mistério da redenção humana. Ao Homem decaido pelo pecado, Cristo o envolve na ternura e misericórdia de “Deus que jamais se cansa de nos perdoar”, como dizia o Papa Francisco no Domingo passado,  acrescentando que “nós é que nos cansamos de pedir perdão a Deus”.

Lucas, no Evangelho que proclamamos antes da bênção dos ramos (Lc 19, 28-40), leva-nos a iniciar o nosso caminho com Jesus para celebrar a Páscoa em Jerusalém. Cristo sabe o que vai encontrar e prepara essa sua/nossa chegada, onde Ele é aclamado Rei pela multidão que o vê entrar montado num jumentinho. Pobre animal, alheio ao que se passa, nunca houvera sido montado por ninguém, e ali vai participando também ele da História da Salvação. Curioso que Lucas recorda duas vezes que “O Senhor precisa dele”, do jumentinho. E os discípulos, onde nós nos podemos identificar, saudam o Rei que chega, o Mestre que ensina, o Senhor que nos olha com maor e ternura. Capas no caminho e ramos para Jesus, aqui estamos nós diante de Jerusalém, cidade santa. A oração do louvor está presente neste caminho e incomoda, incomoda ao ponto de quem não entende a lógica da Boa Nova querer silenciar. É fácil silenciar quem não faz parte do nosso grupo, do nosso sistema – e há tantos maus sistemas neste mundo, nesta Igreja – contudo, hoje como ontem, Cristo repete a quem nos silencia o louvor autêntico “Eu vos digo: se eles se calarem, clamarão as pedras” (Lc 19, 40).

Isaias (50, 4-7) mostra-nos este Servo sofredor, o Servo de Javé, que se entrega aos seus algoses, aqueles que o esbofeteiam, que lhe arrancam a barba, lhe cospem no rosto e injuriam querendo levá-lo à morte infame. Os cristão desde cedo identificaram este Servo de Javé como Cristo sofredor que desta forma foi levado ao calvário.

Cristo podia ter-se apresentado com todas as honras, poder e glória de quem é Deus contudo, Paulo no-lo recorda: “Cristo era de condição divina… mas aniquilou-se a si próprio obedecendo até à morte e morte de Cruz…” (Filip 2, 6-11).

O sofrimento de Cristo era o caminho traçado pelo Pai, preconizado em Isaias, que levaria à glória e exaltação de Cristo e com Ele, por Ele e n’Ele à glorificação da Humanidade inteira.

Esta semana leva-nos a olhar para o grande mistério da paixão e morte na Cruz, mas com olhar e o coração postos no túmulo vazio.

No Evangelho, Lucas, começa por nos dizer que “chegou a hora”.

A hora “do poder das trevas” (Lc 22,56), mas Paulo nos recorda que é a hora em que “Cristo nos chamou da morte à vida” (Rm 11,7). O Evangelho, hoje, mostra-nos a mesa como o lugar da comunhão com o Mestre, do Ministério Sacerdotal, do Cristo Eucaristia, da missão da Igreja.

A cena da Última Ceia é o momento fulcral desta comunhão com o Mestre, é uma despedida e ao mesmo tempo um mostrar o caminho a seguir que bem podenmos traduzir nas palavras, uma vez mais, traçadas pelo Papa Francisco há uma semana na Missa com os Cardeais, ao dizer que a missão da Igreja é CAMINHAR, EDIFICAR e CONFESSAR Jesus Cristo, levando a Cruz porque sem a Cruz de Cristo a Igreja corre o risco de se tornar uma ONG piedosa.

Voltando à Última Ceia, e tendo como horizonte estas palavras do Papa Francisco, passados dois mil anos, Cristo fala-nos indicando o caminho a seguir. Traidores? Bom… sempre os houve e sempre haverá. Mas é também aí, como em Lucas, que Cristo nos continua a dizer que o Seu infinito Amor está sempre ali para nos perdoar. Recordemos o perdão a Pedro e a missão que lhe confia, o perdão a todos nós no alto daquela Cruz “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”, o perdão ao ladrão crucificado a seu lado, o perdão que nos ministra através dos Seus/nossos sacerdotes, também eles frágeis e pecadores mas revestidos desta missão confirmada naquela Ceia onde Cristo se torna Pão e Vinho, Corpo e Sangue entregue como Aliança única, amorosa e eterna. Depois, para que esta entrega de Cristo possa ser entrega confiante, é preciso preparar o terreno, não só do Seu Coração mas também do nosso. O Getsemani torna-se o lugar de vígília orante, de entrega receosa mas que depressa se tranforma em certeza da presença do Pai e do cumprimento da Sua Vontade: “Pai se é possível… contudo não se faça como eu quero mas como Tu queres”. Aquele noite é mais uma vez reforçada como “é chegada a hora”, a hora da entrega de um justo pelos injustos, de um Santo pelos pecadores, do Senhor pelos servos. Um beijo, sinal da amizade, do amor, da cumplicidade, torna-se nesta noite do Getsémani um sinal de traição acompanhada pela venda deste JUSTO por alguma dezenas de moedas. Mas a Igreja não fica presa aqui, Cristo não o podia permitir e, por isso, àqueles que o prendiam pede que deixem partir os seus Apóstolos. Eles tinham uma missão importante a cumprir, tinham que partir, passar pelo medo, pela escuridão, pela negação do Mestre para abrirem os seus corações à ação do Espírito Santo.

A oração de Cristo ao Pai remete-nos para esta intimidade que somos chamados a viver para podermos dizer que cremos em Jesus, sem medo. A Cruz é entrega amorosa de Cristo ao Pai, por AMOR, em remissão dos pecados da humanidade.

Diante da Cruz somos chamados a erguer os olhos e não a baixá-los. Teimamos ainda, muitas vezes, a olhar o chão diante da cruz dos nossos dias quando na verdade a Cruz nos obriga a olhar para o alto onde vemos num primeiro momento, dor e sofrimento, injustiça e traição, trevas e escuridão mas que depois, se olharmos bem, vemos amor e entrega, misdericórdia e perdão, luz e doação “Mulher, eis aí o teu filho. João, eis aí a tua Mãe” (Jo 19, 25-27).

Quando faço reflexão sobre este momento da Cruz, quase me sinto impelido, interiormente, a silenciar a alma e o coração. “Eis o teu filho… eis a tua Mãe”.

QUE VIVAMOS ESTA SEMANA SANTA COM CRISTO NO CAMINHO DA MORTE À VIDA.

6 comentários:

maresia disse...

Beleza ímpar, a deste texto/reflexão. Não há palavras...ao escutar o "Nada te turbe" lágrimas caem...que se cumpram os Planos de Deus, assim nos ensinou e VIVEU, ESTE MESTRE...
Entremos por inteiro, na vivência desta Semana Santa.
Obrigada Amigo

asereT *M disse...

FA,
Que doçura transporta suas palavras...
Ano após ano, acredito que SEMPRE podemos fazer RENASCER toda o BRILHO que, justo estes OITO dias nos convida a entender.
Mas "bordar" assim deste jeito bem simples, abre portas que até muitos de nós crentes,suspeitávamos, continuassem longe do alcance de muitos! BEM HAJA FREI, BEM HAJA!!!!!!!!!!!!!!!!

Ceci disse...

Hoje, mais do que no passado, é claro que a fé não é algo adquirido duma vez para sempre. Precisa de ser renovada, alimentada e fortalecida constantemente.É por isso que dou tanto valor a tudo o que o nosso Amigo Frei vai colocando pacientemente neste blogue e que eu absorvo sofregamente, obrigada por todos estes pedaços que ajudam a manter a minha fé viva. Hoje em dia temos outras formas, outros modos outros ritmos para orar e este é um deles.
Os amigos são assim ... guiam o nosso caminho... e arranjam sempre formas de chegar até nós!

Mãe Lena disse...

"Quando tu nao tiveres força para aguentar a tua cruz, deixa que seja a cruz de Jesus Cristo a abraçar-te e a carregar a cruz contigo" - ouvi estas palavras na Homilia que fizeste neste fim de semana. Mais uma Catequese que alimenta e ensina, ferramentas para reflexão e conversão dos nossos corações em mares agitados.

Este texto está rico, ou como diz "maresia" beleza ímpar.

Obrigada pela partilha e reflexão nesta Semana Santa, pelo lindo cabeçalho e imagem aqui publicada.

És um Franciscano de alma e isso reflete-se no teu trabalho. OBRIGADA!

Sirlene/Brasil disse...

Desde domingo, venho protelando ler o que o sr, Frei Albertino , aqui esparrama, tirado do seu coração orante, porque estou evitando meditar!Um tipo de cansaço e descrédito, preguiça e desconforto, como se faltasse luz para enxergar e temor de avançar buscando verdades,sentidos, esperanças...um vasio que reflete o tal mundo vasio que passa pela Semana Santa, parece, com uma única preocupação:vender chocolates...
No entanto dei início à leitura ... uma comoção tenta descer como lágrima, diante da perseverança que graças a Deus persirte nesses abençoados sacerdotes na tentativa de soprar a chama da fé em corações empedernidos como o meu...e me sinto ínfima diante do trabalho desses homens de Deus!Cada comentário feito, na evolução da meditação consegue envolver minha alma , amolecendo a aridez do meu pensamento:é a Graça de Deus presente em mim neste momento!De repente, percebo que, isto é oração!E foi esta a intenção do Frei Albertino!E o carinho do Pai amado para a manhã desta terça-feira...Sirlene/Brasil

Anónimo disse...

Sirlene, apesar de não nos conhecermos, li com atenção as suas palavras de carinho para com o FA...
Infelizmente, nem toda a gente tem capacidade de olhá-lo como humano que é, que chora, que sente cansaço físico e de espírito, que descrê como qualquer um de nós, não em Deus mas no Humano que o rodeia.
Cabe-nos também, junto de cada oração que ele faz e "parafraseando" Francisco de Assis pedir-lhe "onde houver tristeza, solidão, escuridão"... junto deste homem que apesar de padre sente, vive, crê, ama, cai, desespera e sofre junto daquela que também é a Cruz que Deus lhe deu para carregar.
São muitas as pessoas que o olham com admiração, quase como "omnipotente" por detrás de toda a Força interior que nos tenta transmitir... mas, Sirlene, é humano!
Nesta semana entreguemo-lo em oração, pedindo para que a sua Cruz seja um pouco mais leve do que tem sido até aqui, nem que para isso cada um de nós ajude a carregar um pedaço do caminho.

um anjo

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