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24 junho 2013

João Batista: o maior entre Homens

Hoje a Igreja celebra a Solenidade do nascimento de São João, o precursor, o Baptista.
Cânticos e bailaricos, quadras e manjericos, alhos porros e martelinhos, fogo de artifício e tantas outras coisas pautam a noite e o dia deste Santo. Quantos param um pouco para olhar alguns aspetos deste que foi chamado, desde o ventre, a anunciar a Luz?
Dele nos faz eco a palavra de Deus em Lucas ao dizer: “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás à sua frente a preparar os seus caminhos
para dar a conhecer ao seu povo a salvação pela remissão dos seus pecados” (Lc 1, 76-77)João é predestinado para anunciar a vinda do Messias. O chamamento não é algo abstrato, é a alguém em concreto e a quem é dado um nome concreto: “pedindo uma placa, o pai (Zacarias) escreveu: «O seu nome é João.» (Lc 1, 63).
É impressionante como se rompe com a tradição de dar ao primogénito o nome do pai. O precursor não se chamará Zacarias mas “DOM DE DEUS”, João.
É DOM de Deus a Zacarias e Isabel, de avançada idade e estéreis. Esta esterilidade pode significar, para nós, o campo onde Deus tudo pode realizar. É onde a lógica humana nada parece poder fazer – dar Vida – que Deus atua com a Sua Graça.
Deus chama à vida aquele que já estava no Seu projeto de Amor, aquele que seria o anúncio da Luz, da Salvação eterna.
É o próprio que nos declara: “Quando ainda estava no ventre materno, o Senhor chamou-me, quando ainda estava no seio da minha mãe, pronunciou o meu nome"
(Is 49, 1), e ainda
: “Senhor declara-me que me formou desde o ventre materno, para ser o seu servo (…) Assim me honrou o Senhor. O meu Deus tornou-se a minha força. (Is 49, 5)Deus chama João pelo nome, chamamento à mais nobre das missões proféticas: “Vou fazer de ti luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra." (Is 49, 6)A palavra eloquente do profeta, a sua verdade que é a verdade de Deus, a sua forma de vida simples e austera, faziam com que muitos acreditassem e o confundissem com o Messias. S. João Baptista entrega-se à penitência e à reparação pelo seu povo, como os profetas. Como Jeremias, é santificado no seio de sua mãe. É o novo Elias, predito por Malaquias. Desde a sua infância entrega-se à penitência. «Não beberá nem vinho nem cidra», diz o anjo a Zacarias. Passa a sua adolescência no deserto, está vestido com uma túnica de peles de camelo apertada por um cinto de couro; come mel silvestre e gafanhotos. A sede de Salvação estava cada vez mais presente naquela gente e, para eles, João aparecia como o Salvador.
Mas… não podia a verdade de Deus, em João, permitir tal equívoco. Lucas, nos atos do Apóstolos recorda-nos que:
“João preparou a sua vinda, anunciando um batismo de penitência a todo o povo de Israel. Quase a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais; mas vem, depois de mim, alguém cujas sandálias não sou digno de desatar (At 13, 24-25). João é a voz que clama no deserto, apela à conversão e penitência e aponta um novo caminho de Salvação: “Eu batizo-vos em água, mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há-de batizar-vos no Espírito Santo e no fogo” (Lc 3, 16).
João não é a Luz, dá testemunho da Luz, “é necessário que eu diminua para que Ele cresça” chega a afirmar aos que o seguem. João aponta Aquele que de facto é a Salvação, a Luz eterna: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!
É aquele de quem eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que me passou à frente, porque existia antes de mim.” (Lc 1, 19-29) O testemunho de João inicia-se na sua consagração, no ventre materno: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor” (Lc 1, 41-45). Aqui mesmo João é abençoado e santificado pela presença de Jesus e a visita de Maria. Cristo consagra assim aquele que devia dar testemunho de Si.
Não chegariam linhas para escrever sobre este momento. Duas Mães, agraciadas com o DOM DE DEUS, mulheres que aceitam a Sua vontade e dois Filhos que se encontram.
A Senhora (Maria) saúda a serva (Isabel). Maria a “feliz porque acreditou”, Isabel a feliz porque aceitou por fim que Deus na sua esterilidade e avançada idade poderia gerar vida.
Jesus, com tão pouco tempo de vida no ventre de Sua Mãe, é já sinal exterior de Luz salvífica, é já Deus operante pelo Espírito Santo em João. Dois seres no ventre materno que se encontram e saúdam. Podemos dizer que este é o momento em que João inicia a sua missão de precursor, é ele mesmo que indica a sua mãe que ela está diante do Seu Senhor e Messias, bem como da sua Rainha e Senhora.
O eco da saudação mais não é que o início do anuncio público do Emanuel, Deus no meio dos Homens em forma humana.
Que encontro este, que feliz encontro que leva Maria a exclamar o lindo cântico do Magnificat
(Lc 1, 46-56).
João tem a missão de batizar o autor do Batismo, não sabia ele a quanta dignidade, desde o ventre materno – Deus o havia chamado. Não é um profeta qualquer, é aquele que tem o conhecimento da antiga aliança e anuncia a nova Aliança. Diante de Jesus que vem ao seu encontro, para ser batizado no Jordão, João exclama: “Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti, e Tu vens a mim?” (Mt 3, 14). Leva-nos a memória a fazer uma analepse ao já referido encontro: “E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?” (Lc 1, 41).
João tem a graça de batizar o Messias, segundo a Lei, e de presenciar o Deus total, Pai, Filho e Espírito Santo em momento tão sublime da História da Salvação: “Uma vez batizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele.
E uma voz vinda do Céu dizia: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.” (Mt 3, 16-17)Mais tarde viria o precursor a proclamar: “Pois bem: eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus.” (Jo 1, 31-34)Quem dá testemunho de Cristo, por Ele jamais será esquecido. João deu a vida – pelo martírio – no anúncio da Verdade, no apontar o Cordeiro, na vida de penitência e simplicidade. A sua vida levou a que o Messias dele dissesse: “Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista; e, no entanto, o mais pequeno no Reino do Céu é maior do que ele.” (Mt 11, 11)Ao celebrarmos hoje o nascimento de João, fica-nos também a certeza de que é grande o seu lugar no Reino dos eleitos de Deus, tão grande que na terra é o único Santo a merecer celebrar o dia do seu nascimento – a par com Maria e Cristo – tão grande é a sua dignidade junto da Igreja que celebra a presença do Cordeiro apontado por João. Mas esta certeza ganha outro sentido com esta palavra de Jesus – em Mateus – que nos alegra por nos tornar dignos de ser maiores que João no Reino do céu. Não olhemos à grandeza ou pequenez d que temos e somos, tudo é dom de Deus e, por isso mesmo, confiemos que um dia participaremos da glória celeste onde João Baptista contempla Aquele que anunciou como a Luz que brilha nas trevas.

5 comentários:

Inês disse...

Que magnífica meditação para começar bem este dia! OBRIGADA!
Sim, João Batista tem muito para nos ensinar: "João não é a Luz, dá testemunho da Luz." Também nós devemos dar testemunho da Luz que é Cristo, para que as trevas se iluminem.
E nestes tempos, em que se fala tanto de austeridade, talvez a simplicidade de vida de João Batista nos inspire, para que também na nossa vida saibamos discernir o necessário do útil e do supérfluo...

Mãe Lena disse...

É por textos magníficos como este, que nos dá a conhecer tão bem João Batista, que muitos de nós te chamamos e reconhecemos como Catequista.

Obrigada Frei.

Helena Isabel disse...

Compreendi, finalmente, a razão de São João ser representado com o Cordeiro sobre os ombros. Ele não só suportou a vinda do Cordeiro como deu testemunho, com a sua vida, da sua espera. Sabia que Ele vinha; sabia que estava acima de todos portanto,João já era dom divino - até pelo que, ainda no ventre da mão, manifesta a Isabel quando esta se encontra com Maria. Este encontro terá sido lindo: o do "silêncio dos corações em comunhão" e o do encontro de alegria íntima.Ambas sabem mas só revelam entre si. Vivem a Escolha de cada uma, mútuamente, durante três meses mas refletidos para o resto da vida. O Evangelho não dá conta de nenhum encontro entre Elas - que eu saiba - mas elas, embora com lugares diferenciados, estão unidas pelo Milagre.
São João Merece ser Louvado!

mariana disse...

O nascimento de João Baptista, no meio dos homens, tem um significado muito especial, pois ele foi santificado no ventre de sua mãe.

No momento em que Isabel se encontrou com Maria, aquela que foi escolhida para ser a mãe de Jesus, uma criança exulta de alegria no ventre de Isabel e João Baptista é santificado.
Ele nasceu com uma missão muito específica, pois foi o profeta escolhido ainda no ventre de sua mãe. Mas porque João Baptista foi escolhido? Para preparar e abrir os caminhos, apontar a direcção e nos dizer quem é o Cordeiro de Deus, aquele capaz de tirar o pecado do mundo, o pecado da nossa vida.
João Baptista não veio anunciar-se a si mesmo nem chamar a luz sobre si. Ele veio mostrar que o único que salva e liberta, o único que baptiza, no poder do Espírito, é o Salvador Jesus Cristo.

Que, hoje, possamos aprender com São João Baptista o jeito de sermos também profetas, de mostrarmos aos homens e ás mulheres o caminho da salvação. Que nós possamos ser aquela seta que nos mostra Jesus como o caminho, a verdade e a vida.

Paz e Bem Amigo!

maresia disse...

Amigo Frei!
Fabuloso este texto da sua autoria. Na Eucaristia, em S. António, da Solenidade de S. João, já tinha tido a graça de o escutar. É uma verdadeira catequese, como diz a "Mãe Lena".
Detive-me neste frase que transcrevi, por ter plena consciência das nossas fragilidades. Mas aqui também me lembrei de que na Anunciação, o Anjo diz a Nossa Senhora, "a Deus nada é impossível".
"Esta esterilidade pode significar, para nós, o campo onde Deus tudo pode realizar. É onde a lógica humana nada parece poder fazer – dar Vida – que Deus atua com a Sua Graça."
Neste Ano da Fé, sejamos também nós, felizes, por acreditarmos na Palavra do Senhor, que nos chega através dos Profetas de hoje.
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