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SANTA E FELIZ PÁSCOA!

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28 março 2014

Sermão dos Passos: Alenquer 2014


PASSOS EM ALENQUER 2014
3.º PASSO: Encontro de Jesus com Sua Mãe
 
(Sermão feito por mim este ano na Procissão dos Passos em Alenquer)
1.     UM ENCONTRO, ORÍGEM DESTE MOMENTO
Eis-nos em Alenquer para celebrar uma das mais antigas procissões dos Passos em Portugal. Eis-nos diante de um encontro entre Mãe e Filho, entre nós a Mãe e o Filho.
Em Alenquer recorda-se esta Procissão desde 1656, quando a Irmandade do Santo Crucifixo do Convento de São Francisco, pede à Câmara de então permissão para prestar um tal culto divino à paixão de Cristo. A expulsão das Ordens Religiosas, em 1834, com a saída da comunidade Franciscana de Alenquer, leva a algum arrefecimento desta devoção pública e mais tarde a Implantação da República, em 1910, acentua mais ainda o medo que leva ao secularismo até mesmo da devoção que procura esconder-se, por medo ou ideologias, mas esta continuará sempre presente no interior das casas das gentes de Alenquer e povoações vizinhas, com gravuras, registo e imagens que não deixavam de recordar Cristo a caminho do calvário com a Cruz aos ombros. É no seio das casas de família, na simplicidade e no silêncio da oração que Alenquer mantém viva esta chama quaresmal.
Irmãos, olhemos bem para todos nós hoje aqui, sintamos como este sentimento, destas gentes, jamais se apagou. É impossível apagar da memória e do coração o que das gentes Lusas brota do coração a Cristo e Sua santíssima Mãe. E os velhos conventos franciscanos – como São Francisco, em Alenquer, Santo António de Charnais, na Merceana, Nossa Senhora da Visitação, em Vila Verde dos Francos, Aldeia Galega, entre outros – a partir do início do séc. XX voltam a trazer à rua esta tão longínqua e secular devoção.
Mas as raízes de uma tal devoção são mais longínquas. Temos que recuar 8 séculos na história.
2.     Franciscanos em Alenquer:
Crê-se que por volta de 1214, estamos a celebrar este ano os oitocentos anos, S. Francisco terá passado ao norte de Portugal em peregrinação a caminho de S. Tiago de Compostela. Três anos mais tarde, em 1217, envia para a terra Lusa 14 frades que ao chegarem constituem comunidades em pequenos eremitérios em Alenquer (Fr. Zacarias de Roma), Guimarães (Fr. Gualter) e Lisboa (Sto António).
A primeira coisa que levavam era uma Cruz, gravada no Hábito e também em Imagem. Levavam consigo sempre uma Imagem da Imaculada, que mais tarde recebe o nome de Imaculada Franciscana, uma Senhora que segura o Filho nos braços, pisa o dragão que tenta roubar-lhe o Filho e este com uma Cruz na mão mata o demónio, espírito do mal.
A devoção à Cruz e paixão, lembrava a morte mas ao mesmo tempo a exaltação da Santa Cruz, que depois de ser levada em ombros pelo Redentor, de ter sido o suporte da mais infame injustiça e condenação da História, é elevada acima das nossas cabeças e, por ela, somos consagrados desde o nosso batismo. No reino de Portugal, em 1139, D. Afonso Henriques, após ter ganho a chamada batalha de Ourique, contra os Mouros, muda a Bandeira do Reino inserindo nela as chagas de Cristo em forma de Cruz, que nem a República ousou retirar da nossa Bandeira atual. O valor identificativo destas chagas, com a Cruz de Cristo, que ainda hoje é um dos mais altos galardões da Nação, jamais poderão desaparecer do horizonte da expressão da fé de uma nação como é a nossa, valor este tão grandiosamente cantado pelo poeta Luís de Camões nos Lusíadas, na estância 7 do Canto I.
A devoção de Portugal à paixão de Cristo marca também as naus e caravelas que, ao partirem para a epopeia das descobertas, levavam assinalada a Cruz de Cristo nas suas velas.
Alenquer, em 2006, assinalou os 350 anos da Irmandade de Santa Cruz e Passos de Alenquer. As Irmandades de Santa Cruz, como a da minha Aldeia, e de tantas outras terras, como em Barcelos, têm as suas raízes na Ordem da Penitência de S. Francisco de Assis, Ordem Terceira.
3.     S. FRANCISCO E A CRUZ em Alenquer
Esta devoção aos Passos de Nosso Senhor Jesus Cristo, podemos dizer ter então a sua génese nesta alma franciscana que chega a Portugal pela primeira vez nesta terra de Alenquer. Os frades primeiros aqui recolhidos, procuram levar o Cristo humano ao coração dos crentes. Bebiam estes frades em Alenquer do que tinham vivido com S. Francisco em Itália, as cinco Quaresmas, a Capela do pranto do pranto na Porciúncula onde o santo chorava amargamente a paixão do seu Senhor e repetia vezes sem conta que “o Amor não é amado”, o momento sublime em que dois anos antes de morrer, a 17 de Setembro de 1224, ajoelhado com os braços em Cruz, no Monte Alverne, S. Francisco recebe de Cristo crucificado os Estigmas da Paixão, e ainda hoje as Armas de S. Francisco são o braço de Cristo e do Pobrezinho de Assis em como que num abraço à Cruz de Jesus.
Primeiros Frades chegados a Alenquer trazem consigo esta grande devoção á paixão de Cristo e é aqui que iniciam esta grande devoção, certamente com a constituição dos Terceiros Franciscanos e da Irmandade da Santa Cruz. Esta forma de expressão da piedade popular vai estender-se aos lugares vizinhos e certamente, na medida em que daqui os frades partem com novas vocações a fundar novos conventos, levam consigo a alma da piedade popular de Alenquer que se expande rapidamente por toda a Península.
A Igreja vai dar aos Franciscanos a Festa da Santa Cruz ou Festa das Cruzes a 3 de maio Festa que recentemente foi transferida para o dia 14 de Setembro sob o nome da Exaltação da Santa Cruz, celebrando logo no dia seguinte a Festa de Nossa Senhora das Dores e dois dias depois a Festa das Chagas de S. Francisco.
A partir desta devoção e da Ordem Terceira ou Ordem da Penitência, surgem os cortejos de penitentes que praticavam a autoflagelação (séc. XIV e XV), tempo em que o Rei S. Luís de França, Terceiro Franciscano, convida os Reinos a celebrarmos estas devoções como identificação com a paixão do Senhor, e daí bem depressa se chega a outra grande devoção que dá origem aos passos e que é a Via Sacra com S. Leonardo de Porto Maurício, Franciscano italiano, em 1676.
4.     PASSOS: EXPRESSÃO DE UM ENCONTRO
CRISTO COM A CRUZ
E aqui estamos irmãos, a fazer caminho com Cristo para o calvário. Somos a expressão daquela multidão que também O acompanhava, uns por devoção, por fé, por penitência. Outros por mera curiosidade, porque estavam de passagem e foram apanhados num ato religioso, outros talvez nem saibam mesmo o que aqui os traz esta tarde. Mas eis que aqui estamos, direta ou indiretamente fazemos dos nossos passos aos passos de Cristo.
Mas os passos de Cristo ganham cruzam-se também com uns outros passos, o olhar de Cristo cruza-se com um outro olhar, o coração de Cristo bate com um outro coração.
Uma multidão que segue e acompanha Jesus, uma Cruz pesada aos ombros d’Aquele que passou pelo mundo só fazendo o bem e ensinando a amar. Um corpo ensanguentado pelos sofrimentos sofridos naquela noite em que se entregou por nós, sim por todos nós, por nosso amor e querer cumprir em si mesmo a vontade do Pai: «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!» (Mt 26, 42), «E a vontade daquele que me enviou é esta: que Eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas o ressuscite no último dia. Esta é, pois, a vontade do meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.» (Jo 6, 39-40)
Eis-nos diante de Jesus com a Cruz aos ombros. Da multidão surgem insultos, juízos, condenações, lágrimas e silêncios, olhares e compaixão, chicotadas e escárnio, palavras que ferem mais que uma espada ou um chicote, injustiça que gera a não Dignidade Humana.
Jesus curva-se sob o peso da Cruz, sob o peso da humanidade decaída pelo pecado. Foram também os nossos males que carregou naquela Cruz e continua a carregar ainda hoje sempre que à nossa volta somos sinal de desamor, de injustiça, de incompreensão, de maledicência, de calúnia e escárnio, de morte tantas vezes moral.
Olhai para Jesus! Sim olhai!
Olhai para aquela Cruz, olhai para o Seu rosto.
Que vedes irmãos? Dizei aos vossos corações o que vedes?
Apenas uma Imagem? Um espetáculo, como viam os Judeus e os Pagãos?
“Eis o Homem”, gritou Pilatos à multidão, “Eis o Homem?”.
Pois também eu vos digo, “eis o Homem”, o Homem das dores levado como cordeiro ao matadouro sem um julgamento justo. Crucifica-O, crucifica-O, gritava aquela multidão enfurecida pelos que tinham o poder.
Cristo o Homem Justo, o Messias o Redentor, torna-se para nós o servo sofredor de que nos fala Isaías, o servo que não abre a boca, não questiona aqueles que lhe batem, lhe cospem no rosto, lhe dizem impropérios, lhe põem um manto para fazer chacota, uma coroa de espinhos e uma Cruz aos ombros.
Foi Ele que nos ensinou a amar até os próprios inimigos e a orar pelos que nos perseguem. Eis o Homem que ensina não só com a palavra mas com a vida.
Mas que vemos nós n’Ele? Olhai bem e vede?
Em Cristo vemos toda a humanidade fragilizada, sofredora, espezinhada, empobrecida e doente do corpo ou da alma.
A imagem de Cristo, curvado sob peso da sua Cruz, convida-nos a colocar o nosso coração no Seu Coração, a cruzar o nosso olhar com o Seu olhar.
Que serenidade nos mostra Jesus. Como é possível saber que vai para o calvário e olhar-nos com esta paz, com este amor, com este perdão.
Naquela Cruz está cada um de nós, já tomastes consciência? Vai ali o peso da iniquidade e da injustiça humana, o sofrimento dos inocentes, a desobediência a Deus de quem não quer aceitar o Seu projeto de Amor, a mentira dos homens que não têm escrúpulos em subir na vida à custa do sofrimento dos outros, os mais frágeis, os pobres, os doentes, os idosos sem condições dignas de sobrevivência, as crianças abandonadas ou violentadas, os jovens sem esperança, os sem vez nem voz na nossa sociedade e tantas vezes na nossa Igreja.

Vivemos num tempo onde imperam a insensibilidade e indiferença humanas para com o Deus, o desprezo de cada um pelo outro e os seus valores. Deus parece ter cada vez menos um lugar preponderante na nossa vida, é mais fácil correr atrás do fútil, do imediato, do descartável, do que do amor e da vida que perdura em Deus, pela entrega a Paixão de Cristo.
Hoje vale apenas o que vale para o aqui e agora e não o que vale para sempre. Que seria de nós se aquele caminho até ao calvário, se aquela Cruz e aquela entrega de amor e por amor, tivessem sido para um único momento, transformadas em algo descartável? Teríamos nós sido descartados por Deus da História da salvação, da redenção e libertação do pecado e da morte?
Quantas vezes já parámos para agradecer a Deus ter-nos enviado o Seu Filho Jesus Cristo, que por nós morreu e ressuscitou? Quantas vezes já deixámos afluir ao nosso coração o sentimento de gratidão a Cristo por ter carregado o nosso pecado e o ter apagado naquela Cruz? Obrigado Jesus pelo teu amor infinito por nós.
Aquele Simão vindo de Sirene obrigado a levar a Cruz de Jesus por uns momentos, aquela Verónica que enxuga o rosto de Jesus, aquelas mulheres que choram ao vê-l’O passar, aqueles discípulos que se escondem com medo, aquela multidão… onde nos encontramos nós no meio de todos estes?
E Cristo está diante de nós, curvado sob o peso da Cruz, escândalo para os que não creem em Cristo, ali está Ele diante de nós.
Mas… Ele não é o único, nós não somos os únicos a estar diante d’Ele.
(Neste momento a Imagem da Mãe das Dores sai de uma Capela em direção ao andor de Cristo Senhor dos Passos, no meio da praça central pelejada de milhares de fieis)
A MÃE DOLOROSA

Eis irmãos, olhai bem e vede!
É Maria. Sim Maria, a Mãe de Jesus e Mãe nossa que rompe do meio da multidão. A Mãe encontra-se com o Filho e o Filho encontra-se com a Mãe.
Será impossível podermos atingir os sentimentos de Mãe e do Filho. A Sagrada Escritura não nos relata este momento, apenas a tradição, a devoção e a fé, colocam na Via-Sacra este encontro que tem tanto de terrífico como de belo.
Podemos quase colocar na boca de Maria a expressão do Antigo Testamento: “Ó vós que passais, junto a mim pelo caminho , olhai e vede se há dor igual à minha dor!” (Lm 1,12)
NOSSA SENHORA das Dores,
Olhamos-t’E, Maria, como Nossa Senhora das Dores mas também da Piedade, da Soledade, das Angústias, das Lágrimas, do Calvário, do Monte Calvário, do Pranto ou Nossa Senhora das Sete Dores,
7 ESPADAS e 7 DORES
É este o teu caminho e o teu viver com Jesus. Essa espada ou espadas da tua Imagem recordam-nos a tua primeira dor: Simeão abençoou-os e disse a Maria, sua mãe: «Este menino está aqui para queda e ressurgimento de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma. Assim hão-de revelar-se os pensamentos de muitos corações.” (Lc 2, 34-35)
Belo o encontro de qualquer mãe com o seu filho, sobretudo se Este é o Filho de Deus, Aquele que se recebe pela ação do Espírito Santo, Aquele que é o enlevo na alma.
Esta Imagem de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, de pé, com as vestes de penitência e ao mesmo tempo de rainha. Mas olhar que dor, que dor naquele Coração sem mácula, um coração predestinado desde sempre para a mais sublime expressão da entrega á vontade de Deus: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.» (Lc 1, 38).
Onde conduziria esta entrega tão grande ao cumprimento da palavra de Deus?
Só pelo poder da fé Maria assume um caminho que não sabe como vai ser em cada amanhecer. Deus dirá a cada momento. Mas este encontro, sim este encontro, é belo porque dois corações batem como um só, dois olharem olham-se como um só, dos silêncios falam mais alto do que a balburdia da multidão.
Tinha razão a prima Isabel ao exclamar: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 42-45).
És feliz Maria porque acreditaste. E aqui estás agora diante de Jesus, o teu Filho amado, mas que agora te recebe tão desfigurado sob o peso daquela Cruz. É Jesus sim, Maria, é o teu Filho e Filho do Altíssimo.
Como gostaríamos, ó Mãe das Dores, de saber o que te vai na alma. Quem pensamentos e sentimentos? O teu Menino que geraste e deste á luz para a Humanidade, para nos salvar, segue a caminho do calvário condenado à morte e morte na Cruz.
Certamente não perguntará o teu Coração: “que mal fez Ele para merecer isto”, como tantas vezes nós perguntamos que mal fiz eu para merecer isto?
Alguém pode, do meio da multidão, entender tamanha dor? Pode alguém humanamente entender as lágrimas de uma Mãe que vê o seu Filho ser levado injustamente para morrer como um criminoso?
Maria, Mãe de Jesus e Mãe nossa… olha-nos e diz-nos, que sentes em teu Coração pelejado de espinhos?
Ah! Sim! Damo-nos conta que afinal há mais do que uma coroa de espinhos. A de Cristo e a Tua o Mãe das Dores. Os espinhos que sufocam o teu Coração são os mesmos que ferem a cabeça de Jesus. Estão aí os nossos males, sim todos aqueles que já hoje refletimos ao olhar para a Imagem do teu Filho vergado sob o peso da Cruz.
E agora olhamos-t’E a Ti, ó Mãe.
Quantas mães estão aqui nesta nossa assembleia? Quantas mães estão aqui e sentem o seu coração apertado pelos caminhos e escolhas dos seus filhos fora de Deus, sem rumo na via, vivendo apenas o momento porque o amanhã logo se vê. Quantas mães estão aqui e te olham, te contemplam, te amam com o mesmo amor maternal com que tu as olhas, com que tu nos olhas.
O dom da maternidade encontra em ti não só o amor materno/biológico mas também o amor materno/espiritual.
Quantas mulheres queriam ser mães e não puderam, quantas se dedicaram e dedicam aos outros com o mesmo amor maternal que têm ou teriam para com os seus filhos? E quantos sofrimentos experimentam no seu coração?
Mas não, não é possível, Maria, não é possível haver uma dor igual à tua dor ao encontrares o teu Filho Jesus com a Cruz aos ombros, batido, cuspido, escarnecido, condenado e mal tratado por aqueles a quem Ele veio salvar e dar a Vida.
Tu, Maria, és a corredentora no plano da salvação, és Aquela que Deus escolheu para ajudar a humanidade decaída no pecado a erguer a cabeça e confiar em Deus.
Perece-nos tão estranho recordar aquela hora em que, depois de procurares o teu Filho durante três dias O encontras no Tempo: «Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos à tua procura!» E recebes d’Ele a resposta perentória «Porque me procuráveis? Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?» (Lc 2, 48-50)
E agora de novo o encontras, não no Templo entre os Doutores mas a caminho de um novo templo que surgirá com a Sua entrega ao pai por nós, esse Templo somos nós da qual tu és a Mãe. Este caminho que agora te levará atrás do teu Filho até al calvário e ao momento derradeiro da maior dor que uma Mãe pode ter, a de ver o seu Filho morrer.
Ó Maria, apraz-nos recordar o precónio Pascal quando diz, “Ó feliz culpa, ó pecado de Adão, ó pecado da humanidade, que nos mereceu um tal redentor”!
E junto àquela Cruz, naquela hora derradeira, Cristo tudo muda e não nos deixa órfãos, nem a nós nem a ti, Ó Mãe: Diz-nos São João que “Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!» Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua. (Jo 19, 26-27)
Este encontro com Cristo a caminho do calvário é o teu encontro connosco, teus filhos. Olha-nos agora, ó Mãe, ama-nos mais do que nunca e conduz-nos a Jesus. Nós somos teus filhos e queremos que fiques em nossa casa, queremos aceitar-te como nossa Mãe, nas nossas vidas, nas nossas alegrias e tristezas, nos nossos êxitos e fracassos, nas nossas esperanças de um tempo novo.
É por todo este amor que nos tens e que nós, portugueses Te temos, Ó Virgem Maria, Senhora da Dores que no Santo Sepulcro, em Jerusalém, oferecida por Portugal através dos Franciscanos, o altar situado no lugar do Calvário, dentro da Grande Basílica, guarda e se venera um altar da Senhora das Dores, à direita quem entra, subindo umas íngremes escadas. Nesta capela há dois lugares: o da Crucifixão e o da Morte do Senhor. Entre ambos, a altar da Mater Dolorosa, onde se venera uma lindíssima escultura em madeira da Senhora das Dores, um belo triste rosto de mulher português, túnica vermelha e véu branco sob manto azul, Coroa e auréola com sete estrelas, uma espada cravada no peito e as sete dores inscritas no rosto. Sim, a Mater Dolorosa de Jerusalém é um rosto de mulher português, oferecido pela rainha D. Maria I, em 1778, em nome de Portugal.
Olhando para Cristo com a Cruz aos ombros repito as palavras de Alexandre Herculano:
«Que reine para sempre a Cruz!
Erguei-a sobre todos os píncaros das serranias,
gravai-a em todas as árvores dos bosques,
hasteai-a sobre as rochas marítimas,
estampai-a nas muralhas das cidades,
exibi-a na fronte dos edifícios,
apertai-a no coração.
E depois,
que o género humano se prostre
e adore nela a Redenção que nos trouxe o Ungido de Deus.»

(ALEXANDRE HERCULANO, “A Cruz” )
E olhando o teu rosto materno que tanto amo, repito a mais antiga oração a Ti conhecida, talvez rezada desde o tempo Apostólico:
"À Vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus;
não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades,
mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita!"
 
Seja louvado N. S. Jesus Cristo.
Para sempre seja louvado, com sua Mãe, Maria Santíssima.
Fr. Albertino Rodrigues  OFM
Alenquer, 23 março de 14

19 março 2014

S. José (Dia do Pai)

Poema a São José
São José,
Pai-Operário
Do próprio Deus
Seu Escudeiro!
Que em duros tempos
Jesus guardaste
De seus algozes, seus inimigos
Que – dedicado – Maria amaste
Que – Girassol – seguindo a Luz
Fortaleceste o Teu Calvário!

Oh, bom José
Pai carpinteiro
Olha por mim
Roga por nós
Abençoa esta Família!

E porque és justo Santo e Leal
À Virgem pede – Divina Mãe
E a Jesus – Filho Sagrado
Que me dêem Força, Coragem, Fé
Para, sereno, levar a Cruz
Que pesa tanto... me põe no chão!

Oh, meu Bom José Intercessor
De minha súplica junto ao Senhor
Enfim, Te peço, com devoção:
Sê o meu Sol na noite escura
E a Lua-Cheia no Coração!


J.J. Oliveira Gonçalves
www.jjotapoeta.art.br

12 março 2014

PARABÉNS SANTO PADRE

Caríssimos Amigos, paz e bem!

Faz hoje um ano que o mundo, em grande espetativa, depois de ver sair o fumo branco da chaminé da Capela Sistina, ouve o eco mais aguardado de Católicos e também, ainda que por mera curiosidade, não Católicos: “Habemus Papa”. Franciscus/Francisco é o seu nome.
Um ano passou e que testemunho de vida nos tem dado o Papa Francisco. Assumiu para si, mais que o Primado de Pedro, o Primado dos Pobres e da opção pelos Pobres, algo que o santo de Assis, de quem toma o nome, havia feito contra tantas correntes na Igreja do seu tempo, o primado que dá lugar aos pobres a quem tantas vezes se recusa a dignidade e a ajuda, a palavra e a voz, a casa e o pão, o amor e o coração.
Para celebrar este ano de graça para todos nós deixo, mais que palavras, o vídeo feito pela Igreja Portuguesa e que nos mostra um pouco quem é o Papa Francisco
DOSSIER SOBRE ESTE ANO DE PONTIFICADO

07 março 2014

Lançamento do Livro


Lançamento da obra “ O Escutismo e a Transmissão da Fé”
Pedro Silva, Fr. Albertino, P. Luís e Pedro Ribeiro

Decorreu, ontem, dia 6 de março, na sede do Corpo Nacional de Escutas (CNE), em Lisboa, o lançamento oficial do livro “O Escutismo e a Transmissão da Fé”, da autoria do Fr. Albertino Rodrigues (Franciscano). A cerimónia decorreu de forma muito simples mas muito calorosa, sob coordenação do Secretário Nacional Pedagógico, Pedro Duarte Silva, e como oradores o P. Luís Marinho, Assistente Nacional, e o Dr. Pedro Ribeiro, Dirigente e Amigo.

Capa do Livro

A obra foi apresentada pelo P. Luís Marinho que, no essencial, comparou a obra a uma casa familiar, isto é, uma casa sobejamente conhecida. No caso presente, um regresso do autor ao meio que conhece bem, o Escutismo, tal como fazem os elementos duma família. Além disto, comparou ao indispensável travejamento da casa os 4 capítulos do livro tendo abordado de forma mais calorosa e desenvolvida o último capítulo “ Caminhos a Percorrer”.

Na análise ao capítulo destacou seis ideias que merecem aprofundamento: 1 – a globalização propicia choques culturais e de gerações e o Escutismo tem o dever de ser um meio de tolerância e compreensão recíproca, contudo esta tolerância não pode ascender à indiferença e não comunhão. Ao escutismo católico pede-se testemunho de Vida Cristã; 2 – a secundarização da espiritualidade no Escutismo. Recordou o Escutismo inglês que lançou a possibilidade do Compromisso com Deus estar ausente das Promessas; 3 – a importância da vivência e participação dos Escutistas nos Sacramentos, práticas muito defendidas pelo autor; 4 – novas formas de comunicação do Escutismo entre as quais a ocupação do espaço cibernético, indo também ao encontro do pedido do Santo Padre Francisco; 5 - Escutismo e a transmissão da Fé constituem o “coração” do livro. Referiu o P. Marinho que, como o próprio livro a certa altura refere[1], ocupar bem os jovens permite “O encontro” consigo e com Deus; 6 – O escutismo e a ecologia, “Mais uma entrada na casa comum”, uma vez que este tema é muito familiar do espírito franciscano.

 Por fim, o Assistente Nacional sublinhou a importância da casa/Escutismo utilizar bem os recursos de inteligência e de elevada preparação académica de que dispõe para encontrar o melhor caminho que leve à transmissão da Fé nas ações e decisões do Movimento.

Depois da alocução do Assistente Nacional, o Dr. Pedro Ribeiro, enquanto Dirigente do CNE e Amigo de longa data do Fr. Albertino, partilhou alguns momentos que fundamentam a profunda amizade que existe entre ambos, quer relativamente a episódios da sua vida privada quer como impulsionador de profunda espiritualidade cristã no Agrupamento onde é Dirigente, Carnide, factos que levam a concluir que além de ser um intelectual é, sobretudo, vivência e testemunho que induz à integração da Igreja no Escutismo bem como do Escutismo na Igreja.

Foi um momento alegre e bem-disposto onde brilhou a componente humana e de Sacerdote empenhado do Fr. Albertino, que lança desafios e faz catequese nas homilias.

Por último, o Frei Albertino, depois de agradecer o momento, revelou algumas particularidades do seu percurso no Escutismo, mormente que inicialmente “não gostava do Escutismo”. O seu ingresso, ainda em tempo de formação como seminarista, deveu-se à ação dos Dirigentes do Agrupamento de Carnide que lhe lançaram o desafio de renovar e rejuvenescer os caminhos da Fé naquele Agrupamento, não deixando de recordar o Agrupamento da Pontinha que ajudou a fundar, os percursos escutistas nas Regiões de Lisboa, leiria e Braga, e a atual missão como Dirigente e Assistente do Agr. 888 da Estrela, em Lisboa.

Depois de sublinhar diversos episódios, relativamente às dificuldades que teve no desenvolvimento da obra, nomeadamente a ausência de fontes documentais, e de agradecer a alguns Amigos a ajuda e o incentivo que sempre foram na motivação para não desistir deste projeto, concluiu a sua intervenção lendo algumas frases e referindo, com muita alegria, que, finalmente, tinha encontrado o “Pedacinho de Deus”, de que Baden Powell falava e que é dom de Deus em qualquer escuteiro.

"Lídia"

[1]  Na pagina 114.

05 março 2014

Papa: Mensagem para a Quaresma 2014

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
 PARA A QUARESMA DE 2014
Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza(cf. 2 Cor 8, 9)
 

Queridos irmãos e irmãs!
Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?
A graça de Cristo
Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).
A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Baptista para O baptizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).
Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf.Rm 8, 29).
Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.
O nosso testemunho
Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.
À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diakonia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo. O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.
Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína económica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.
O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.
Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.
Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!
 
Vaticano, 26 de Dezembro de 2013
Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir
 
FRANCISCO

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