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SANTA E FELIZ PÁSCOA!

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30 maio 2014

ASCENÇÃO DO SENHOR: Eucaristia

Celebramos este fim de semana a Solenidade da ASCENÇÃO DO SENHOR. 
Fica aqui a partilha da minha Homilia na Eucaristia Solene em Santo António no ano passado.
Penso que pode ser também este ano, uma vez mais, um bom motivo de reflexão e de reencontro com a Palavra de Deus.

LEITURAS DA EUCARISTIA:
1ª Leitura: atos 1, 1-11
Salmo: 46 (47)
2ª Leitura: Efésios 1, 17-23
Evangelho: Marcos 16, 15-20

Homilia

Escutámos hoje, na primeira leitura o início do livro dos atos dos apóstolos e duas coisas nos revela o início deste livro. Em primeiro lugar que o autor deste livro, que não se identifica, já escreveu outro sobre a vida de Jesus. Hoje nós sabemos que estamos a falar de São Lucas. O evangelista São Lucas escreveu depois, também, este livro dos atos dos Apóstolos que nos narra aquilo que foi ou como foi o tempo da Igreja nascente, das primeiras comunidades.

E o segundo, a segunda coisa que vemos logo aqui no início é a quem se destina este livro. Diriam os Irmãos que estiveram com atenção, que São Lucas escreveu este livro para um amigo, um amigo que se chama Teófilo porque ele diz assim “no meu primeiro livro, oh Teófilo, narrei todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar”.

A primeira coisa que nós pensamos é que, na verdade, este livro foi escrito para uma pessoa com o nome de Teófilo. Pois eu digo-vos que não é assim, não é assim. A palavra Teófilo é a fusão ou a união de 2 outras palavras: teos que significa “Deus” e filos que significa “amigo”.

Então se eu perguntasse: afinal a quem se destina este livro é ao amigo de São Lucas? Não, é ao teófilo, é ao amigo de Deus, ou seja a todos os amigos de Deus. São Lucas escreve este livro para todos os amigos de Deus: teófilo.

E o que é que nós encontramos depois? Encontramos o texto a narrar-nos momentos importantes na vida de Jesus. Sobretudo, os últimos momentos da vida de Jesus. Começa por dizer que Ele vem do céu para ensinar, para salvar, escolhe à luz, apresenta-se vida de muitas formas depois da morte, passa pela última ceia e àqueles que escolheu para participarem neste ministério pede para não ser afastarem de Jerusalém até lhes ser indicado, até Ele, Jesus, partir para junto do Pai.

E depois há-de falar dos sacramentos, sobretudo do sacramento do Batismo. Esta é, se repararem bem, uma forma de São Lucas recordar às primeiras comunidades o que é que Jesus na verdade queria dizer, o que é que Jesus na verdade nos pede para fazermos e para sermos? E depois há alguns que ainda pensam que é agora que Ele vai restaurar o reino de Israel. Vejam como estamos no momento da despedida de Jesus, o momento da Ascenção. E Jesus chama os seus para o alto do monte. Porquê? Recordem-se, a montanha é na conceção do povo Judeu, o lugar mais perto de Deus, logo é um lugar primordial de encontro do Homem com Deus, quanto mais alto mais perto de Deus, na consciência daquele tempo.

E Jesus está a despedir-se, e o que é que eles pensavam? É agora que Ele vai cumprir aquilo que está dito no antigo testamento, é agora que Ele vai restaurar o reino de Israel. Vejam como, depois de alguns anos a seguirem Jesus, a ouvirem a Palavra de Jesus, a verem os milagres de Jesus, depois de alguns anos a receberem instruções de como deveriam viver depois da Sua partida, eles ainda não tinham percebido. Será que é agora que Ele vai restaurar o reino de Israel, é agora que Ele vai levar ao fim da espada todos aqueles que são os nossos inimigos? Não tinham percebido a lógica de Jesus, a mensagem de Jesus não é a mensagem da espada, não é a mensagem da guerra, não é a mensagem do ódio, é a mensagem da paz, é a mensagem do Amor, é a mensagem da relação humana, do diálogo humano, do respeito para com o outro, da sua forma de ser, de estar e de acreditar.

E por isso Jesus vem dizer “Não vos preocupeis. Ireis receber o Espírito Santo, ireis receber o Espírito da Verdade. É o Espírito de Deus que vos dirá toda a verdade. Por isso eu vou partir, diz Jesus, mas vós ficais serenos, aguardai o Espírito de Deus, está a chegar o Espírito Santo. E é através dele que vós ireis entender bem tudo aquilo que Eu procurei transmitir-vos ao longo dos tempos em que estive convosco.” E Jesus diz que através deste Espírito Ele permanece connosco até ao fim dos tempos. ”Eu estarei convosco até ao fim dos tempos”, diz Jesus.

E começa a elevar-se ao Céu. Jesus começa a elevar-se para se despedir, para eles entenderem que agora sim, agora Jesus vai deixar de estar presente. Depois do dia da ressurreição Jesus havia subido ao Pai. Contudo, volta a aparecer durante, dizia o texto, 40 dias, durante 40 dias Jesus vai-se revelando, vai-se mostrando a Maria, a Pedro, a Paulo, a Tomé, aos outros Apóstolos, a algumas mulheres, aos discípulos de Imaluz, Jesus vai-se revelando, Jesus vai-se mostrando para dizer “Eu estou aqui, Eu ressuscitei”. Mas agora ao afastar-se, ao subir ao Céu diante deles e ao ser coberto por uma nuvem, Jesus não vai mais voltar a aparecer, já comunicou tudo o que tinha a comunicar. Agora é a hora da Igreja, agora é a hora do Espírito Santo. E eles ficam ali saber o que fazer. Sentem-se, permitem-me, sentem-se órfãos, “então e agora, o que é que fazemos?” E diz o texto que de imediato dois anjos lhes dizem “Homens da Galileia porque estais a olhar para o Céu, esse Jesus que do meio, do meio de vós foi elevado para o Céu, virá ainda o homem que o vistes ir para o Céu.” O que é que, na verdade, é esta mensagem de Deus através destes dois anjos?

O cristão, não pode ficar a olhar, não posso ficar à espera que venha o que quer que seja do Céu, porque dizia Jesus cá atrás “o dia e a hora ninguém sabe, só o Pai.” Portanto não nos cabe ficarmos aqui à espera, a olhar lá para cima para o céu, a ver se Jesus vem deste ponto ou se vem daquele lá do lado de lá, e se é hoje ou se é amanhã. Nós devemos continuar a missão de Jesus, sem nos preocupar. Porquê? Porque Ele nos envia o Espírito Santo, Ele nos envia o Espírito da Verdade.

O Evangelho tem, então, este grande mandamento que Jesus deixa à comunidade. O Evangelho de São Marcos coloca-nos de novo nessa montanha, na despedida de Jesus. E Jesus já tinha entregue aos seus Apóstolos, o dom do programa tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus. Jesus já tinha entregue aos seus na última ceia o sacerdócio ministerial com o lava-pés, com o pão e o vinho e quando diz, “fazei isto em Minha memória porque sempre que o fizerdes, Eu estou convosco” e Jesus aqui no momento da despedida vai recordar então o fundamento da missão da Igreja: primeiro. “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho por toda a tribo, ide e anunciai, não fiqueis parados, a Igreja e os cristãos devem chegar a todo o mundo, para quê? Para levar a todos e a toda a criatura a Palavra do Evangelho, a boa nova do reino de Deus e levando esta palavra convidam ao arrependimento, convidam à conversão, convidam a mudar de vida, e as pessoas devem querer, ao mudar de vida, ser de Jesus, pertencer a Jesus, pertencer à Igreja e a nós Jesus acrescenta “batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, porque aquele que for batizado, esse será salvo.” Pregai o Evangelho do reino de Deus, e batizai em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

E depois o mesmo texto vai dizer que alguns, estes homens que também têm este poder de perdoar, batizar e consagrar, também têm poder de algumas curas, de alguns milagres, e refere alguns.

São Paulo apela nesta segunda leitura que nós escutámos, na carta aos Efésios, São Paulo está a escrever num contexto muito próprio. Paulo já está preso, Paulo está preso em Roma, sabe que vai morrer. São Paulo quando escreve esta carta sabe que vai morrer, já não vai sair da prisão. E os cristãos devem estar meio perdidos e agora o que é que vamos fazer? O nosso pastor, o nosso mestre está preso, agora quem é que nos ajuda a ter força, quem nos ajuda a caminhar, quem nos diz o que temos de fazer, e começavam as comunidades a ter quezílias entre elas. Começam logo alguns membros da comunidade a dizer “então, mas nós sabemos o que fazer”, e outros a dizerem “esperem é melhor vermos”, alguns querem dar nas vistas e outros começam a chegar-se para trás, lá muito para trás, outros que dizem “eu é que sei aqui dentro da comunidade, eu é que sei fazer, tu não percebes nada disto” e os outros a recuar com medo, com receio, com vergonha e é exatamente por isso que São Paulo escreve para lhes dizer “O que é que se passa convosco? Eu estou preso”, diz são Paulo, “Eu estou preso por causa do Evangelho e não estou a lamuriar-me, e não estou a criar problemas. E Eu sei”, diz Paulo ”que aí nas comunidades já estais à guerra uns com os outros, cristãos à guerra uns com os outros porque um faz e o outro não faz, porque o outro fez e o outro desfez, porque o outro não faz e não deixa fazer, já estais à guerra uns com os outros.” Então Paulo vem dizer “Recomendo-vos que vos comportais segundo a maneira de viver a que fostes chamado”

Oh, Irmãos, eu posso errar, eu posso errar, mas eu penso que esta palavra São Paulo escrita há mais de 2000 anos continua a ser atual, continua a ser atual.

São Paulo pede que nos comportemos todos nós, e eu também, todos nós de acordo com a maneira a que fomos chamados, como cristãos, como homens e mulheres de paz, de serenidade, de amor, de solidariedade, “comportei-vos segundo a maneira de viver a que foste chamado”. E depois vai dizer algumas coisas que devem ser, digamos, as caraterísticas do cristão. Diz ele “Procedei com, humildade, com mansidão, com paciência, suportai-vos” este verbo suportar significa amai-vos, ajudai-vos uns aos outros com caridade (a caridade não é dar esmolinhas só para descargo de consciência, a caridade em São Paulo é o amor ao templo, é o amor ao desinteressado, é o amor verdadeiro. E depois continua “e empenhai-vos a manter a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”. Haja paz entre os Homens, mantendo-vos unidos entre vós, fazei tudo para que haja paz na comunidade, tudo. E porque é que diz São Paulo isto, porque “há um só corpo e um só Espírito, há uma só fé, há um só batismo, há uma só esperança, há um só Deus e Pai de todos que está acima de todos e tudo em todos.

Nós, às vezes, às vezes nas nossas Igrejas e nas nossas comunidades não vivemos assim. Uns são do padre, outros são da catequista, outros são do acólito, outros são da acólita, outros são de Nossa Senhora, mas não são do Santíssimo Sacramento, outros são de Santo António, mas não são do Santíssimo Sacramento, outros vêm à Eucaristia por causa do Padre, mas não por causa de Jesus.

Há um só corpo, um só Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai.

Voltemos atrás, “Irmãos”, diz são Paulo, “recordemos que vos comporteis segundo a maneira de viver a que fostes chamado.” E foi esta a forma de viver que nós fomos chamados, foi esta, não foi outra, foi esta. Claro, volto a dizer, é importante quando simpatizamos com o padre desta igreja ou daquela, quando é uma pessoa simpática, uma pessoa que acolhe, uma pessoa que escutamos bem, uma pessoa que nos fala bem, claro que é importante a minha devoção a Nossa Senhora, a Santo António, a são Francisco, é importantíssima a minha devoção ao Santíssimo Sacramento na Eucaristia que é Jesus presente no meio de nós, mas não devemos cada um de nós viver uma fé ao seu jeito, não pode o cristão viver a fé quando lhe apetece ou como lhe apetece. Há um só Senhor, é a Ele que devemos recorrer. Há um só Espírito, é a Ele que devemos entregar a nossa vida. Porque depois, de fato diz São Paulo, “Foi Jesus que nos constitui Apóstolos, outros Evangelistas, a outros Pastores, a outros mestres,” quer dizer que os cristãos não são todos iguais. Nem todos podem ser padres, nem todos podem ser catequistas, nem todos podem ser ministros da comunhão, nem todos podem ser acólitos, nem todos podem ler, nem todos podem rezar o terço, nem todos podem arranjar as flores, nem todos podem cantar, nem todos... Cada um de nós deve abrir-se ao Espírito Santo e perceber o que é que eu posso fazer de bom e de bem e ir ter com o sacerdote e dizer, olhe eu gostaria de fazer isto, acha que sou a pessoa indicada para isso? Pois é, mas se o padre diz que não “aqui del rei”, o padre é mau. Já não é simpático, o padre.

Pois São Paulo desafia-nos a olharmos para a nossa vida e a nossa relação com Deus. Entendamos Irmãos e Irmãs, que todos nós somos importantes na Igreja, todos. O Padre não é mais importante que nenhum dos Irmãos, não é. Eu não me sinto mais importante do que nenhum dos Irmãos que esteja aqui de pé, de todo.

Agora cada um de nós tem de entender na Igreja a sua missão, uns de cantar, outros de rezar, outros de ornamentar os altares, outros de pregar, outros de perdoar, outros de acolitar, outros de ler, outros de ministrarem a Eucaristia ou então no silêncio a rezar, ou então no silêncio a rezar. Cada um de nós deve abrir-se ao Espírito de Deus e tentar perscrutar no seu coração aquilo que Deus lhe pede, contudo, convertermo-nos na maneira a que formos, a que fomos chamados por Jesus.

12 maio 2014

Fátima: Prece à Mãe

Vai chegar a noite em Portugal...
Mas é uma noite muito especial para tantos milhões de Portugueses e Luso descendentes em todo o mundo.
É noite especial para muitos homens e mulheres que em todo o mundo celebram Maria, a Mãe de Jesus e Mãe nossa, que se dignou vir a esta terra trazer uma mensagem de paz e amor.
Pela televisão assiste o mundo, em directo, à Procissão de velas. Todos os anos, cheio o recinto do Santuário, um mar de luz que torna em brancura a noite fria e a noite da nossa vida porque acompanhar a Mãe, cantar-lhE louvores, suaviza o nosso viver.
Muito criticam estes gestos que por todo o mundo se repetem, ferem a dignidade de Nossa Senhora, aviltam a liberdade de Deus se manifestar como e onde lhE aprouve.
Com Paulo VI, Fátima, deixa de ser Portugal, passa a ser o "altar do mundo".
Com São João Paulo II, Fátima deixa de ser simplesmente o "altar do mundo" para ser parte do coração e da vida deste querido devoto de Nossa Senhora, a Senhora de Fátima, que o salvou e que hoje, cravada na Sua Coroa, guarda a bala que atravessara o corpo do Supremo Pastor. Fátima é ainda a guardiã do anel Episcopal de São João Paulo II.
Bento XVI, há um ano, recordava a importância a atualização da mensagem de Fátima e reafirmava o seu amor e devoção a este Santuário e o quanto a Igreja sente bem presente, aqui, a presença maternal de Maria.
É com muita comoção que escrevo escutando "Avé Maria"...
"Senhora um dia descestes, à terra que em vós confia...."
Sim Mãe... somos os teus filhos que em ti confiam...
Na verdade Mãe... não existe, não pode existir identidade portuguesa sem que se manifeste esta confiança para com a Mãe de Jesus.
"Salvé, Regina, ora pro nobis Maria..." se canta.
Olha e roga por nós, ó Mãe...
Olha pelos meus pais, pelos meus irmãos, cunhados e sobrinhos...
Olha Mãe por todos os meus AMIGOS... tantas vezes me sinto um ingrato por nao ser capaz de os olhar com o Teu olhar maternal ou com o olhar de Jesus.
Olha Maria por todos os que se confiam à minha oração... e são tantos Mãe, são tantos...
Olha por todos os que fazem deste espaço "Retalhos" um lugar de encontro e oração e, neste mês, de olhar para ti em directo na Tua Capelinha.
Maria, MUlher e Mãe, olha por mim... "eu sou Teu filho também..."
"Salvé, Regina! Salvé, Regina... ora pro nobis Maria!"

04 maio 2014

51.ª Semana das Vocações

Iniciámos hoje, em Portugal, a 51.ª Semana de Oração pelas Vocações sob o tema "Vocações, testemunho da Verdade".
Na coluna da direita clicando na imagem têm acesso a todo o caderno de apoio para esta semana, textos, orações, vigilias, mensagens.
Pode ser um bom contributo para quem quer acompanhar o que nas diversas dioceses se vai celebrando.
Aqui deixo também a mensagem do Santo Padre para esta semana de Oração.
 
Que o Senhor que a todos nos chama a uma vocação específica e distinta das demais, nos ajude a sermos vocacionados que sabem dar testemunho d'Ele mesmo, a Verdade.
MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O 51º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
11 DE MAIO DE 2014 - IV DOMINGO DE PÁSCOA
Vocações, testemunho da verdade
 
Amados irmãos e irmãs!
1. Narra o Evangelho que «Jesus percorria as cidades e as aldeias (...). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe”» (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que «a messe é grande». Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a acção eficaz, que é causa de «muito fruto», deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes «colaboradores de Deus», trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: «Vós sois o seu [de Deus] terreno de cultivo» (1 Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele.
2. Muitas vezes rezámos estas palavras do Salmista: «O Senhor é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos-Lhe, somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho» (Sal 100/99, 3); ou então: «O Senhor escolheu para Si Jacob, e Israel, para seu domínio preferido» (Sal 135/134, 4). Nós somos «domínio» de Deus, não no sentido duma posse que torna escravos, mas dum vínculo forte que nos une a Deus e entre nós, segundo um pacto de aliança que permanece para sempre, «porque o seu amor é eterno!» (Sal 136/135, 1). Por exemplo, na narração da vocação do profeta Jeremias, Deus recorda que Ele vigia continuamente sobre a sua Palavra para que se cumpra em nós. A imagem adoptada é a do ramo da amendoeira, que é a primeira de todas as árvores a florescer, anunciando o renascimento da vida na Primavera (cf. Jr 1, 11-12). Tudo provém d’Ele e é dádiva sua: o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, mas – tranquiliza-nos o Apóstolo - «vós sois de Cristo e Cristo é de Deus» (1 Cor 3, 23). Aqui temos explicada a modalidade de pertença a Deus: através da relação única e pessoal com Jesus, que o Baptismo nos conferiu desde o início do nosso renascimento para a vida nova. Por conseguinte, é Cristo que nos interpela continuamente com a sua Palavra, pedindo para termos confiança n’Ele, amando-O «com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças» (Mc 12, 33). Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É «um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs» (Discurso à União Internacional das Superioras Gerais, 8 de Maio de 2013). Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (cf. 1 Ped 3, 15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projecto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração.
3. Também hoje Jesus vive e caminha nas nossas realidades da vida ordinária, para Se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. Dirijo-me agora àqueles que estão dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que ressoa na Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos a ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas palavras que «são espírito e são vida» (Jo 6, 63). Maria, Mãe de Jesus e nossa, repete também a nós: «Fazei o que Ele vos disser!» (Jo 2, 5). Far-vos-á bem participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em vós e ao vosso redor as melhores energias. A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que «por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35)?
4. Amados irmãos e irmãs, viver esta «medida alta da vida cristã ordinária» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31) significa, por vezes, ir contra a corrente e implica encontrar também obstáculos, fora e dentro de nós. O próprio Jesus nos adverte: muitas vezes a boa semente da Palavra de Deus é roubada pelo Maligno, bloqueada pelas tribulações, sufocada por preocupações e seduções mundanas (cf. Mt 13, 19-22). Todas estas dificuldades poder-nos-iam desanimar, fazendo-nos optar por caminhos aparentemente mais cómodos. Mas a verdadeira alegria dos chamados consiste em crer e experimentar que o Senhor é fiel e, com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes. «Nós, cristãos, não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas; ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jogai a vida por grandes ideais!» (Homilia na Missa para os crismandos, 28 de Abril de 2013). A vós, Bispos, sacerdotes, religiosos, comunidades e famílias cristãs, peço que orienteis a pastoral vocacional nesta direcção, acompanhando os jovens por percursos de santidade que, sendo pessoais, «exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31).
Disponhamos, pois, o nosso coração para que seja «boa terra» a fim de ouvir, acolher e viver a Palavra e, assim, dar fruto. Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais há-de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós. Com estes votos e pedindo-vos que rezeis por mim, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, 15 de Janeiro de 2014
FRANCISCO

 

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