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Senhor! Fazei-me instrumento da vossa paz!

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27 novembro 2016

ADVENTO: Figuras marcantes

As figuras do advento
Isaías - Isaías é o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 - 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim os exilados.
As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos. Ele que no capitulo 7 do seu livro já anuncia a vinda do Senhor.

João Baptista - É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, "mais que um profeta", "o maior entre os que nasceram de mulher", o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (Lc 7, 26 - 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s). A figura de João Baptista ao ser o precursor do Senhor e aponta como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento. Por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo. João Baptista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profetisas do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.

José - Nos textos bíblicos do Advento, se destaca José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adoptivo de Jesus. Ao ser da descendência de David e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de David".José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus.

Maria – É a personagem central do Advento. É a "Cheia de graça", a "bendita entre as mulheres", a "Virgem", a "Esposa de Jesus", a "serva do Senhor". É a mulher nova, a nova Eva que restabelece e recapitula no desígnio de Deus pela obediência da fé o mistério da salvação. É a Filha de Sião, a que representa o Antigo e o Novo Israel. É a Virgem do Sim a Deus. É a Virgem da escuta e acolhe. Maria aceitou ser a mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus Salvador. A Liturgia do Advento sintetiza a função de Maria no Natal de Jesus:
"Nós vos louvamos, nós vos bendizemos e vos glorificamos pelo Mistério da Virgem Mãe. Porque, se do antigo adversário nos veio a ruína, no seio da Filha de Sião germinou aquele que nos nutre com o pão celestial, e fez brotar para todo o género humano a salvação e a paz. A graça que Eva nos arrebatou nos foi devolvida em Maria. Nela, mãe de todos os homens, a maternidade, redimida do pecado e da morte, abre-se ao dom de uma vida nova. Assim, onde havia crescido o pecado, superabundou vossa misericórdia em Cristo nosso Salvador. Por isso nós, enquanto esperamos a vinda do Cristo, unidos aos anjos e aos santos, cantamos o hino louvor" (Prefácio IV).
http://www.pucrs.br/pastoral/advento

03 novembro 2016

A fraqueza do Papa Francisco

A fraqueza de Francisco
(PROFESSOR JOÃO CÉSAR DAS NEVES - DN)
 
O encanto do Papa Francisco torna-o mundialmente popular. Apesar disso, alguns criticam-no veementemente. Isso é normal e aconteceu com todos os antecessores. Menos habitual é que entre os mais exaltados estejam cristãos devotos e piedosos, acusando-o de desvirtuar elementos centrais da doutrina católica, dividir a Igreja e introduzir erros no ensinamento revelado. A imputação é grave, mas será verdadeira?
As censuras não se justificam com base nos documentos doutrinais do pontificado. O Papa Francisco já publicou grandes textos de referência, duas exortações apostólicas e duas encíclicas, que se contam entre os textos mais fiéis, profundos e belos da Igreja das últimas décadas; e isso é dizer muito, dada a longa sequência de notáveis ensinamentos papais.
No tão controverso tema da família e da sexualidade, por exemplo, o Papa convocou dois sínodos, cujo resultado foi a exortação Amoris Laetitia, o maior documento pontifício da história. Nele está a afirmação clara e inequívoca da doutrina católica: do divórcio (41, 123, 246) às uniões de facto (52, 212, 294) e casamento homossexual (52, 251); da ideologia do género (56), feminismo (54, 173), homossexualidade (250), manipulações genéticas (56), preservativo (68, 82, 222), aborto (42, 179), eutanásia (48, 83), etc. As posições da Igreja, hoje violentamente atacadas, são retomadas numa linguagem clara, colorida e espiritual. Não pode haver dúvida acerca da sua ortodoxia e de como este documento ajuda os cristãos a compreender e a explicar a sua moral.
As censuras, porém, não surgem a esse nível. Os críticos, em geral, admitem que as afirmações dogmáticas de Francisco são correctas. O pomo de discórdia está sobretudo nas suas atitudes, alegadamente ambíguas, que minam esses pronunciamentos. As acusações referem que, ao ser confrontado com casos reais e situações específicas, a firmeza de doutrina parece posta em causa, pela reacção tolerante e ambivalente do Papa. Não é no campo dos princípios, mas nas aplicações práticas que, dizem, ele cede, desliza, transige.
Porque o faz? Em todos os casos citados existe sempre um elemento comum: pessoas a sofrer. Este é o núcleo central do carácter do Papa, a fraqueza de Francisco. Defrontado com dor pessoal, abandona o resto e fixa-se na compaixão concreta por essa alma. Afinal a censura pode ser resumida numa frase: "Este homem acolhe os pecadores e come com eles" (Lc 15, 2).
Francisco conhece, defende e proclama a doutrina da Igreja sobre todos os assuntos, do capitalismo ao adultério, do celibato à ecologia. Ele acredita mesmo que essa doutrina é o único caminho verdadeiro para a salvação de todas e cada uma das pessoas. Tem-no repetido inúmeras vezes na sua inconfundível e interpelante expressão. Isto não é posto em causa quando acolhe os pecadores com misericórdia e compaixão. Como Cristo, odeia o pecado mas ama o pecador.
Atribuir ambiguidade ao Papa leva a perguntar: seria Jesus a favor da prostituição? Do abuso fiscal? Da violência e ladroagem? Em dois mil anos de história, nunca ninguém sensato deduziu, dos encontros misericordiosos de Cristo com pessoas em flagrante transgressão, uma conivência com esses males. A mulher trazida ao Templo fora apanhada em flagrante adultério. Não havia dúvida quanto à sua culpa nem quanto ao castigo que a Lei santa estatuía. Jesus não põe nenhum desses elementos em causa nem pactua com o terrível mal que lhe foi presente. Mas libertou a mulher, dizendo-lhe para não pecar.
No voo de 2 de Outubro, o Papa descreveu um encontro com um casal transexual. Terminou dizendo: "A vida é a vida, e as coisas devem-se acolher como vêm. O pecado é o pecado. (...) Por favor, não digais: "O Papa santificará os transexuais." Por favor! Porque eu vejo já os títulos dos jornais... Não digam isso, isso não." A questão não é teórica, mas encontro pessoal. São coisas diferentes.
Os temas são complexos, o equilíbrio difícil e muitos andam confusos. Aos cristãos devotos e piedosos exige-se que estudem os documentos da Igreja para esclarecer com ideias sólidas, aplicadas seguindo Jesus e o Papa. No caso da comunhão dos divorciados recasados, a Eucaristia é santíssima e o Matrimónio indissolúvel. Quem comunga assume uma responsabilidade enorme, pois fazê-lo indignamente é inaceitável. Ao vê-lo, ouço uma voz que me diz: "Aquele que estiver sem pecado, aquele que nunca fez uma comunhão distraída, irritada, indigna, blasfema, atire a primeira pedra." Isso a mim faz-me cair de joelhos em horror e confusão pelos meus pecados.


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